quarta-feira, 30 de junho de 2010

LEVEZA DE SER

  Branca-Rosa meditativa
Salvador Dali
CH101

Eu estava aguardando para ser chamada para algo em que era muito difícil conseguir vaga. Haviam me dado uma ficha com meu nome escrito errado (haviam colocado o sobrenome Virgínia). Enquanto aguardava fui caminhar pela redondeza. O local era cheio de casinhas cercadas com placa de muro baixas e de uma podia-se avistar e inclusive alcançar as plantas do jardim das casas à volta. Embora houvessem as placas de muro dividindo, elas não impediam o livre acesso por todas as casas e caminhei entre elas admirando os lindos pés de roseiras cor de rosa (só vi rosas dessa cor). Haviam rosas miúdas com muito espinhos no talo, outras rosas grandes e aveludadas, umas em botões pouco fechados e outras totalmente abertas, mas todas sobretudo lindas e em grande quantidade. Também havia plantação de hortaliça e cobicei de pegar uma muda de couve, mas não o fiz. Gostei muito daquele lugar de casinhas simplórias enfeitadas com a natureza rica de vitalidade. Nisso começou a escurecer e para não me perder naquela porção de casinhas eu tratei de retornar logo para o local anterior. Ao chegar, alguém comentou que eu havia conseguido a vaga desejada e que meu nome já tinha sido chamado. Pegando a ficha com meu nome escrito errado, fui até o guiché e lá escreveram meu nome certo. Menti que não havia ido no momento chamado por conta de ter recebido um nome errado e por crer que seria chamada pelo tal nome escrito na ficha. Parece que já era a segunda vez que escreviam meu nome errado na ficha de entrega, mas eu não tinha dado importância, pois poderia argumentar qualquer coisa sobre o erro do nome na intenção de conseguir a vaga. As atendentes ficaram surpresas por constatar que outra vez haviam escrito meu nome errado e brincamos com o fato. Notei que eu já as conhecia, ou seja, não estava ali a primeira vez. Fiquei feliz ao ter conseguido a tal vaga (não sei para o que era, mas parecia um tratamento ou um curso). Sentia-me uma sortuda que consegue várias coisas ao mesmo tempo, pois tanto esperei minha vez de ser atendida quanto conheci as casinhas da redondeza.



Ao retornar com duas amigas dentro de um ônibus eu cai do assento de costas para trás e com as pernas abertas para cima. Não me machuquei e dei risada do acontecimento divertindo com aquela cena absurdamente ridícula. Eu permaneci na posição sem pressa para levantar como se quisesse primeiro esgotar o riso meu e de todos os passageiros (o ônibus estava meio vazio) e foi incrível não ter me sentido constrangida. Eu me sentia muito leve e tranquila para me deixar abater por uma queda mais engraçada do que envergonhante. Nisso lembrei de uma feira de sofás que havia visitado e comentei algo sobre um sofá marrom redondo. Isso é tudo o que lembro.

A rosa é símbolo mandálico, entre o vermelho e o branco reside a cor rosa, entremeada entre significados alquímicos de purificação da matéria, nem tão puro ou purificada, nem tão matéria sacrificada, ou plásmica como o sangue. Espinhos podem indicar o inevitável ou a proteção e as defesas que ainda protegem  conteúdos autênticos e originais, sua essência.

Para mim são indicações de limites pessoais que podem impedir seu processo de maturação, vícios, desvios, defesas, neuras, que aparecem em forma de mentira.

O nome errado é equivoco de realidade, de denominação, erro, mentira. A mentira é defesa, espinho interposto nas interações. Você mente, o outro mente, todos mentem, todos se enganam. Se mente, antes de mentir para o outro mente para si, se engana, engana seu espírito, tira-lhe a referência, mergulha-o no sem noção, sem rumo. Se promove como doente.

A neurose se justifica na mentira, a Psiquê doente se justifica na mentira.

Não há como ter uma psiquê saudável, construir uma personalidade consistente, navegar pelo mundo com equilíbrio emocional se a referência é a mentira. Esta é uma grande coroa de espinhos, como aquela imposta pelos homens ao Cristo, que as pessoas se coroam para se auto infligir uma flagelação, um sacrifício que as impeçam de se realizar como indivíduos plenos.

O caminho da mentira é o caminho do engano, da dissimulação, do fingimento, da ilusão, da falsidade, do fracasso pessoal. Não existem meias verdades, mentiras sociais, mentiras aceitáveis, justificáveis. Tudo que é mentira, mentirinha, mentirão, pequena ou grande é mentira, o caminho do equivoco, da ludibriação, do boicote a si mesmo.

A Única referência é a Verdade, sem ela, os caminhos são espinhosos. Podem ser difíceis, mas se completam, se contemplam.

O tombo para trás, indica mudança na sua conduta de amor próprio ferido, na vaidade ameaçada, no narcisismo ofendido, no capricho reativo, no orgulho contaminado. Essa mudança é fantástica. Todos estamos sujeitos ao “ridículo”, mas ridículo é apenas a reação do perfeito quando confrontado com sua imperfeição ou com o imprevisível. O conceito equivocado do defensivo e do preconceituoso que pune o outro pela imprevisibilidade da vida. Ridículos somos todos nós. E quando aceitamos este lado descobrimos que precisamos aprender a rir de nos mesmos, antes de rir do outro. O sinal é de movimento e de recuperação de respostas naturais, joviais. Já reparou como os adolescentes riem? Acho fantástico. Pena que quando vão envelhecendo vão ficando sisudos, como se a seriedade fosse a medalha da conquista pela vida adulta. Puro engano.

Precisamos encontrar essa alegria autêntica dentro de nós, aquela original. E só conseguimos isso abandonando as máscaras de seriedade, auto importância,  autoridade, e perfeição que nos impomos. Essa é a leveza que importa, para que possamos passar por essa vida sem deixar rastros de retrocesso.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

- 100 -


CELEBRACÃO


celebro!
Se há mais alguém,
celebremos!
Simbólicamente  hoje eu comemoro a leitura do Centésimo sonho realizada ontem.
Parece pouco, não o foi!
O Linguagem foi criado em 27/07/2009
Foram 267 Postagens realizadas em11 meses.

Independente das leituras realizadas, os sonhos compõem um conteúdo relevante e significativo para os que se interessam pelo universo onírico e pela  Psiquê. Meu objetivo inicial foi alcançado: Oferecer  aos que tem interesse nesse tema um espaço de conteúdos e reflexão, de conhecimento, uma referência para essa jornada entre caminhos de mistérios e de descobertas do mundo interior, da alma humana.
Precisamos desvendar mais mistérios que nos aprisionam, precisamos nos libertar e encontrar novas possibilidades que permitam a nós humanos caminhos de desenvolvimento e de aprimoramento. Precisamos  libertar o saber, partilhar com ooutros o que pertence à humanidade, nos livrar do dominio elitista de grupos que se acreditam donos da verdade e do saber humano. A humanidade na sociedade democratica precisa evoluir e só fara isso se praticarmos os princípios nominados pelo Iluminismo 500 anos atrás,:

 LIBERDADE

IGUALDADE

FRATERNIDADE


Minha humilde contribuição está feita, bem como a contribuição daqueles que participaram do blog enviando seus conteúdos. Agradeço-lhes e os reverencio. Só posso agradecer-lhes.

Minha intenção inicial era de conduzir o blog até o seu primeiro ano de vida. Em exatos 30 dias completo a tarefa.
Nas próximas semanas estarei refletindo se devo ou não prosseguir nesta terafa. Quero que meu interior me responda a este dilema, frente às exigências do esforço.  Prossigamos. Obrigado!




domingo, 27 de junho de 2010

AFETO E AMADURECIMENTO

The Love Embrace of The Universe
Frida Kahlo
CH 100


Por fim eu queria ir a praia com minha mãe (da janela do apartamento eu podia avistar as ondas), mas daí minha irmã disse que ambas iam sair juntas para procurar uma empregada doméstica. Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã (não quis chorar na presença dela) que, sentando-se ao meu lado, colocou a cabeça no meu ombro. Além da presença dela reprimir a expressão do que eu sentia, ela também tolheu a minha liberdade de estar a sós com minha mãe e pareceu fazer-se de carente por mim. Apesar do incomodo, eu não sentia nada contra minha irmã, mas estava pesarosa por não ter nenhuma companhia para ir à praia. Eu parecia já cansada de fazer isto sozinha. É isso, não me lembro dos demais sonhos.

Existem observações que não registro para não parecer que vejo com o olhar da generosidade, aquela que parece parcial sem verdadeiramente ter que sê-lo. Mas um sonho como esse, depois de ter conhecido mais de 100 sonhos seus, levam-me a romper com os limites, pela delicadeza do sonho e pela delicada emoção que me despertou. Senti-me inexplicavelmente agraciado pela sensibilidadede tocar num sonho que evoca o limite extremo do amor.

“Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas... Contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã”

Houve um momento em que você se descobre mãe, mas agora você é apenas uma filha que chora, que sente e que se aconchega, se acolhe, no afeto da mãe. Como filho é assim que somos. Chorar no colo da mãe é chorar calado, porque som nenhum é capaz de expressar, a maior dor do mundo. Um dor que pode ser expressa porque quem lhe abre caminho para se mostrar é a mãe que acolhe o filho, que tem compaixão e amor o suficiente para não julgar, mas coração infinito para acolher.

Para crescer é preciso se permitir filho, e se permitindo filho, abandonar o passado para se encontrar individuo.

A consciência nos trouxe conquistas e liberdade, mas também nos inundou de emoção, e entre elas uma mais profunda, uma que revela a dor de nossa angústia de sermos passageiros em uma viagem que desconhecemos a origem e o destino. Uma angústia que é resultado da grandeza da vida que se abate sobre nossa pequenez, frente ao infinito e inimaginável mundo em que nos encontramos. Mas que também é fonte inesgotável de criação, esperança e amor. No colo da mãe podemos chorar a tragédia de nosso destino frente aos sonhos não realizados, os amores perdidos, as dores dos beijos não dados, a solidão e a pena que sentimos de nós mesmos.

Sem a presença da mãe, em princípio somos órfãos, abandonados, somos solitários, mas a vida é generosa e nos oferece a Mãe Divina, e a solidão finda pois seu colo também nos acolhe e seu manto nos protege. E quando nos permitimos filhos descobrimos que não precisamos temer a vida pois as mães divinas, e todas podem sê-lo, nos acolhe para que cresçamos e realizemos nosso destino.

Perdoe-me, seu delicado sonho envolveu-me numa aura de suavidade e delicadeza afetiva, para lhe dizer que ele é retrato de seu avanço afetivo e que o caminho que nos resta é o amor, é a delicadeza do afeto, a suavidade de ser amoroso, sem medo. Você não precisa competir com sua irmã e afastá-la, mas aceitá-la como alguém que como você também precisa de amor e de colo. Todos precisamos. E quando partilhamos nos amamos, a nós mesmos e ao outro, e assim podemos ser um pouco mais felizes.

Independente se o sonho compensa a tensão e produz o conforto catártico, ele abre a porta de sua sensibilidade para mostrar-lhe que ao expressar ou manifestar seus sentimentos, suas emoções, você deixa fluir o melhor do que existe em seu espírito, em sua alma, você encontrará a humanidade que existe em todos os que seguem os caminhos do coração, os caminhos do afeto e que se permitem se tornarem seres amorosos, melhores pessoas, indivíduos mais plenos.

Se reparou, anteriormente sua resposta de revolta ou agressão levava-a à conturbação, agressividade, e outras emoções e sentimentos densos, mas nesse momento você expressa apenas a dor e a angústia do abandono. Este sentimento é autêntico, ele está na origem de respostas que determinam o seu conflito na relação e no seu desagrado com o mundo, a sua dificuldade de aceitar o não. Agora você chora o abandono.
Só nos é permitido crescer quando nos defrontamos com nossas dificuldades, quando tomamos consciência de nossa angústia, quando abandonamos as respostas reativas, agressivas, de manipulação e chantagem, quando nos resignamos em nossa insignificância. Paradoxalmente, este é o ponto crucial da mudança aquele que nos permite arrancar para um novo momento. A partir de agora minha cara, você nunca mais será a mesma, tão pouco o mundo será o mesmo.

Uma Bela manhã de domingo para todos... Há esperança no mundo, a energia do amor é viva!

SANATÓRIO GERAL


CH 99

Logo em seguida eu já estava dentro de um local que verifiquei ser um hospital. Depois de acordar me pareceu mais ser um sanatório. Eu parecia inteira e bem fisicamente, mas estava desmemoriada querendo saber quem me levara para aquele local. Perguntei ao médico se fora 'ele' quem me levara para lá (me referia a algum outro homem que não estava ali), mas não poderia super quem era esse tal sujeito referido como 'ele'. Uma enfermeira queria coletar meu sangue para fazer exames, mas eu dizia não precisar. Eu me sentia bem e não queria dar trabalho a ponto de precisar tirar sangue (não sei se eu estava num hospital e julgava desnecessário o exame ou se estava num sanatório e o via como uma espécie de 'injeção castigo' aplicada em quem dava muito trabalho). Mergulhada no contexto onírico eu acreditava estar desmemoriada num hospital, mas analisando o sonho depois de acordada, eu parecia mais uma louca que enxergava tudo por uma ótica pessoal desconfigurada e, exatamente por isso, julgava-se desmemoriada e largada num hospital. Depois de insistir suplicando minha insatisfação e recusa de tirar sangue, a enfermeira me deu uma cumbuca com uma bebida avinagrada e tomei com gosto, não por ser gostosa, mas por preferi-la à coleta de sangue ou suposta injeção (deu para brincar dizendo que aquilo estava ótimo, que era bem melhor). Embora eu não soubesse nada de mim mesma, não conseguisse entender que local era aquele e nem como fora parar ali, eu conversei com o médico e a enfermeira dando a impressão de já os conhecer a tempos (era como se não estivesse desmemoriada deles), e isso intensifica a sensação de que estava num hospício e não num simples hospital, mesmo que dentro do sonho aquilo me tenha parecido um mero hospital. Porque meu sonho apresentou essa dualidade de contexto e configuração?

Em princípio chama-me  a atenção  que mesmo em uma situação de confronto a sua referência cada vez fica mais fortalecida  em você mesma, no seu eixo. A força do outro diminui presença na determinação do que você pensa. Você evita dar trabalho, mas se condena como muito custosa. Contradição? Ainda existe esta estima comprometida. Mas sua negação e recusa frente à ameaça indica a tomada de posição, firmeza, escolha, a manifestação do seu incômodo. Você se coloca e coloca a cara à mostra. A bebida envinagrada me lembra do cristo crucificado, com sede, sendo saciado com vinagre. Possivelmente sua atitude é de sacrifício.

Espero que as leituras feitas aqui neste espaço não a tenha levado a se acreditar sem chão, ou incomodada com as conclusões. Você pode não ser melhor do que outros, mas com certeza não é a pior das pessoas. A tônica do sonho parece-me a disfunção da memória. A memória é a referência do que somos, de onde viemos, e sem essa referência tendemos ao perdido, vagando no presente, sem passado e sem futuro. O sonho reforça a ideia da importância do Foco, da atenção, da ligação em você, no mundo e na sua história.

E quero crer que sua questão é a busca de suas referências. O antes significou a perdição e o presente significa a tomada de consciência do sanatório que construiu na sua vida. E essa consciência é o inicio do caminho da tomada  em suas mãos de sua vida.

CONTURBAÇÃO


CH98


Essa noite sonhei que caminhava tranquilamente por um parque muito agradável quando resolvi mudar de caminho passando pelo meio de um milharal seco já tombado. Eu peguei um caminho estreito, a esmo e meio deserto, mas acreditava que fosse sair no mesmo final da trilha de caminhada do parque. Havia vários caminhos paralelos seguindo na mesma direção por mim escolhida, mas ao invés de sair onde supunha (aonde sempre chegava conforme costume por seguir sempre no mesmo caminho), tive de atravessar varias linhas de trens que vinham com total velocidade. Vi-me no meio de um caos inesperado. Além dos trens também tinham muitas carretas e os trilhos se misturavam com a avenida ao lado. Fiquei no meio deles fugindo ora para um lado e ora para outro. Quando consegui atravessar fiquei incrédula de ainda estar viva. Depois eu já estava deitada de bruços no topo de uma construção e via as pessoas voarem, inclusive passando pelo meio das copas das árvores. Eu estava com medo de cair dali, pois achava que não conseguiria voar também. Era como se eu estivesse viva, ou seja, com um corpo mortal, fazendo uma visita a um plano espiritual. Embora o topo da construção não fosse muito alto e houvesse esse medo de cair, estar lá era como estar nas nuvens. Não lembro direito, mas houve um momento em que pedi o beijo de três meninos (deviam ter de quatro a cinco anos) que estavam com o pai. Minha única intenção era demonstrar meu carinho e recebê-lo também.

Este é um bom retrato da vida, quando pensamos que estamos trilhando caminhos tranquilos nos descobrimos no olho do furação, no meio do turbilhão. E se não ficarmos focados naquilo que a vida exige corremos o risco de sucumbir frente ao impacto devastador da realidade ou das realidades.

O sonho soa, para mim, como um retrato cruel da realidade em que vivemos. Poderia considerar como fuga, como escape da realidade ameaçadora, mas não me parece. Posso compreender que a sensibilidade leva os sensíveis ao comportamento de evitação, mas a realidade exige de todos precisão nas atitudes e nas escolhas para se desvencilhar dos perigos e das ameaças da vida.

Você é levada de um nível baixo de tensão para o mais elevado, aquele que envolve risco de vida. Do relax para a alta tensão que lhe exige PRONTIDÃO (atenção, resposta, percepção da realidade, agilidade). Certezas, nem sempre indicam segurança, podem indicar limites e favorecer o conformismo. Nada nos garante que viveremos amanhã aquilo que projetamos, ao contrário, mais certa é a possibilidade de que amanhã iremos nos descobrir em algum lugar que nunca imaginamos ou sonhamos.

Voar em geral é associado a fuga de realidade e suspensão. Mas ficar no alto olhando outros voarem é atitude de observador, que percebe o peso do corpo, o peso da realidade, das forças que atuam em você. E os beijos já indicam mudança de atitude no comportamento e nas relações e interações. O afeto espontâneo. Belo sinal de transformação e mudanças.

sábado, 26 de junho de 2010

ÀGUAS EM ONDAS


CH 98


"Adorei a análise das projeções e o fato delas significarem um distanciamento ou ruptura com os conteúdos autônomos. Parece complicado entender como isso acontece dentro da psique, mas o importante é estar acontecendo."

Conteúdos autônomos quando existem podem ser dissolvidos, acrescidos, transformados ou metamorfoseados.

Sabe-se que algum acontecimento pode gerá-los e que nova configuração mental, comportamento ou escolhas os dissolvem. Quando isso acontece penso que eles são responsáveis por um uma mudança de nível da consciência, para mais, produzindo uma transformação de consciência, um estado mental mais blindado, mais consistente, mais amadurecido.

Quando digo mais blindado penso num estado mental, configurado de uma forma que aumenta o limiar de resistência das funções mentais. O aumento dessa resistência faz com que o individuo fique menos suscetível ao impacto dos estímulos externos, o sujeito fica mais diferenciado do meio, portanto mais protegido de reações intempestivas, passionais, pulsionais, Mais protegido porque não responde reativamente a acontecimentos externos o que lhe favorece nas respostas ao meio e à obtenção de mais sucessos em suas intervenções, além naturalmente, de proteger-lhe evitando a perda do controle em decorrência de estímulos ou ações em que poderia sucumbir.

Um pequeno exemplo: Num embate emocional entre indivíduos passionais, eles podem ser tomados por impulsos reativos respondendo de forma destrutiva e até aniquiladora. Abandonam o embate formal, simbólico, nas palavras e partem para agressões físicas. A força física pode ser mobilizada em nível profundo de Ira, o que significará a perda do controle e a ação destrutiva do ódio descontrolado. Os crimes passionais se incluem neste estágio. O individuo se acha no direito de aniquilar o outro. Mata-se até em nome do “Amor”. Neste caso conteúdos autônomos podem assumir o controle do individuo levando-o a responder de forma parcial, caprichosa, passional, pulsional, impulsiva, sem medir as consequências da resposta.

Se o individuo for diferenciado, estará consciente de sua dignidade e não responderá com o amor próprio ameaçado. Evitará o comportamento descontrolado. Respeitará diferenças, escolhas e aceitará o “não”, sem precisar matar fisicamente o outro.

Como dizia, os conteúdos podem ser dissolvidos e integrados à consciência. Quando não são considerados, eles podem crescer e ocupar indevidamente espaços vazios, vagalhões, ausência, instabilidades, brechas deixadas pela falta de linearidade da consciência e invadi-la, ocupando indevidamente estas brechas.

Sabemos que a consciência não é linear. Ela não é Contínua. As pessoas tentam produzir uma continuidade, se aprisionando num espaço limitado e controlável que não passa de ilusão. Tentam fazer isso através do pensamento ou do controle prévio dos acontecimentos ou do exterior. Pura ilusão! A consciência é descontínua, funciona como ONDAS. E nos Vácuos, o inconsciente pode prevalecer.

Eu acredito que quando passamos a considerar o mundo interior e a reordená-lo, produzimos uma nova configuração, pois estabelecemos uma nova forma de funcionar interferindo na ordenação disciplinada através da consciência. Desta forma estabelecemos novas dinâmicas de funcionamento psíquico, inclusive o nível vibracional de nossas ondas mentais. Estes novos níveis podem alterar polaridades energéticas, e até o campo eletromagnético do cérebro gerando como consequência a dissolução de conteúdos autônomos que se organizavam como estados subliminares de consciência, fragmentos de egos, com o poder de interferir, comandar e ocupar a consciência.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ÁGUA VIVA

CH97


Essa noite sonhei que caminhava por um local de descida e, quando notei, já estava entrando dentro de uma enchente. Parece que eu andava rápido e não consegui parar antes de entrar nela. A água era turva e, se não me engana a memória, saí dela voando. Nisso subi na varanda de uma escola, mesmo com medo da construção desabar, e junto a várias outras pessoas que estavam no andar superior, pude avistar a água da enchente que tomara conta de tudo daquele ponto adiante. Parecia um rio gigante. Depois sonhei que estava na praia com pessoas da família. Eu me sentia surpreendida e feliz, pois há mais de três anos que infelizmente não vejo o mar e, de repente, lá estava eu na praia, antes do que imaginara de poder estar. Não lembro muito bem, mas sei que tive de atravessar uma espécie de quintal cheio de água, como se também fosse uma enchente, mas dessa vez com água límpida. Eu passei por um portão que foi aberto e carregava uma mochila que boiava como se o tecido dela fosse feito de isopor para não molhar o que havia dentro. Creio que eu puxei minha mãe comigo, pois ela não dava conta de nadar. Não recordo mais nada.

Talvez isso signifique que estou aprofundando nos mistérios do meu inconsciente. Será?

É mais do que possível, é real. É retrato de interação, relação e principalmente estado de transição e de mudanças. Ainda que o mar seja símbolo do inconsciente, as águas representam nossas origens, nosso plasma vital, o que somos. Somos água. Água feliz, água límpida, violenta, orgulhosa, poluída, turva, água vaidosa, narcísica, presunçosa, arrogante, água invejosa. Água que é fonte de vida e que é fonte de maldades e de destruição.  Somos 70% água, e cada um escolhe o tipo de água que quer ser.

SOMOS ÁGUA PENSANTE

Que se torna água problemática
quando esquece que é água
e passa a acreditar que é somente pensamento.

Quando nos abrigamos no conhecimento (escola), as ameaças não deixam de existir, mas ficamos mais protegidos. Em imagem de sonho anterior, o mar lhe pareceu mais ameaçador (aquele em que um homem mais velho, parecido com teu pai), ondas mais ameaçadoras. Nessa imagem você já não vive o mar como ameaça, mas como bem estar em sua margem.

A travessia é o que é. Atravessar momentos, estados, desafios, situações, ameaças. Romper com os obstáculos, ultrapassando-os. Água limpa é pureza e desintoxicação. Rio da vida purificado, bons presságios. Sua transformação transforma todos ao seu redor e, principalmente sua mãe, já que se houver impedimento no seu desenvolvimento, você pode aprisionar sua mãe e a impedir de avançar nos seus desafios. Quando você avança você puxa sua mãe, e seus ancestrais, para o desenvolvimento, a evolução. A responsabilidade dos filhos é tanta quanto a dos pais no desenvolvimento da estirpe.

Bye

terça-feira, 22 de junho de 2010

SAGRADO E PROFANO

CH 96
Sonhei que estava num recanto ao lado (ou aos fundos) do que parecia ser uma oficina de conserto de algo (não tenho certeza disso). Eu fechei o portão de ferro enferrujado e tentei encontrar alguma manga das que estavam caídas no chão, mas elas já estavam em processo de apodrecimento. Eram mangas da casca amarelada. Nisso, ainda agachada procurando uma manga boa, vi que havia alguém me olhando por baixo do portão. Peguei uma das mangas meio podre (não havia nenhuma boa) e joguei na direção como se dissesse 'quer manga, tome isso'. Como notei que a pessoa não saiu de trás do portão, ou seja, não parou de espiar-me nem com a manga podre que lhe joguei, fui na direção do portão e abri-o constatando que ali estava apenas uma cabeça e, embora pareça absurdo, ela parecia viva, mesmo que também em estado de apodrecimento. Fiquei um tanto com medo, mas pensei comigo que apenas uma cabeça não me faria mal algum e com um misto de revolta chutei-a varias vezes torcendo para que a alma dela nunca me encontrasse. Desprezei aquela cabeça com raiva. Depois eu já estava num local donde houvera tido um acidente e, embora não tenha visto, tive a impressão de que alguém, talvez uma criança, morrera atropelada. Havia uma mulher chorando muito e uma multidão de curiosos. Embora tranquila por não ter ligação direta com a cena, fiquei chocada pela dor que o momento e o fato expunham.
Por fim, pouco antes de acordar, sonhei que ia escrever algo no computador quando abri uma propaganda de dança do ventre ou de artigos para tal. Varias moças apresentaram dançando em imagens rápidas e dentre as belas roupas e adereços, fiquei atraída por uma de veludo estampado em tom verde musgo com pedrarias grandes. Para mim todas as roupas eram lindíssimas e foquei na verde porque ela combinava com a decoração do local e havia um tapete cuja estampa tinha daquela mesma tonalidade de cor. Essas são as pequenas lembranças que tive dessa noite.

No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. Gênesis 3:19

Os sonhos, por vezes, nos permitem traduzí-los numa mensagem. Além de sua possível significação, que se referencia em critérios. Ultrapassa o formal. Neste sonho por exemplo me permito traduzir-lhe numa mensagem que me veio de imediato:

A Dinâmica de expansão do universo nos coloca num sistema inexorável e impermanente, que divinamente anunciado pela religião e contextualizado cientificamente por Lavoisier que enunciou o princípio de conservação da matéria: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

No sonho você esta defronte à matéria orgânica em transformação, não apenas uma fruta ou uma cabeça, mas o que você é, o que nos somos. Matéria em transformação permanente. Hoje vivo, amanhã putrefato. Porque o desprezo? Porque a raiva? Negação deste destino trágico a que estamos submetidos.

Somos finitos, nascemos, vivemos e seremos, quando não pulverizados, transformados.

Se não nos transformamos naquilo que desejamos ou sonhamos, se não nos aprimorarmos, dia chegará em que a transformação definitiva finalizará aquilo que ansiamos conservar. Se aprimorarmos o que somos ou se não aprimorarmos, o fim será definitivo para todos. O que então muda? Porque então a busca do aprimoramento?

Se nos aprimorarmos temos mais chances de realizarmos uma jornada da vida mais harmoniosa, ou mais realizada, consistente e construída em bases e princípios universais.

Se não nos aprimorarmos, escolhemos a negação da impermanência, contrariamos os princípios de expansão do universo, sintonizamos o principio da retração, ficamos prisioneiros da negação, do retrocesso, da energia densa e bruta.

Portanto, elimine, se existir, os excessos: o controle presunçoso; a arrogância; a petulância dos egocentrados; a raiva dos desesperados; os medos; a ansiedades; o domínio; todo o excesso que carrega nos ombros. E principalmente purifique seu coração, tenha piedade e se afaste do mal. A maldade é viva e contamina. Purifique seus pensamentos, escute seu coração e busque o simples, o autêntico, a generosidade, a bondade, a amorosidade e caminhe em sintonia com o universo, o melhor de sua vida. E caminhe em direção à luz, e tenha compaixão e busque aplicar seus sonhos que na realidade seus sonhos, suas esperanças e pratique o que gostaria que praticassem com você.

É simplismos acreditar que não seremos encontrados. Todos pagam pelas consequências de seus erros. Não há escape para os equívocos, há apenas a conquista e a harmonia para os acertos. Para esses, a vida como que oferece a compaixão, negada para os que escolhem a escuridão. E cuidado com o “Belo” ele pode encantar pelo imediatismo, pelo foco estético, e cegar pelas aparências.

A imagem Visual ou Sonora pode esconder o que nos aprisiona, as amarras das quais precisamos nos libertar.

O sonho revela a sua forma de responder à essa dinâmica, profanando o sagrado, pois morto ou acabado. Ou sacralizando o profano com o simplismo dos descompromissados.

Veja: quando se defronta com a cabeça a desconsidera como representação de uma vida, de uma história, mas ao ver a mulher sofrida se condói, pois consegue enxergar a dor da perda. È capaz, a partir do lamento, de abstrair e compreender o sofrimento, mas deixa de perceber o sofrimento quando há silêncio na dor. Ou seja, sua visão só se completa quando associada ao lamento sonoro. Em leitura anterior relatei sinal de que fosse mobilizada pela visão. O inconsciente mostra que a audição é seu foco seletivo, a sua audição, o estimulo sonoro mobiliza sua compaixão e seus pensamentos de forma imperativa. É necessário que passe a pontuar seu pensamento para despertar outros sentidos e emoções.

Não podemos esquecer que os sons são imagens ou evocam imagens, tanto quanto imagens evocam sons.

É uma boa hora de rever seus conceitos idealizados e de passar a aplicá-los no seu dia a dia.

sábado, 19 de junho de 2010

DESÍGNIOS



CH93

Assim que comecei a dormir, parece que no estado de torpor da consciência, sonhei que estava incorporando (naquele momento mesmo de sono) por algo desconhecido como se fosse uma força estranha e forte que eu temia, talvez por não saber se teria controle sobre o que estava se passando comigo. Senti calor e parecia estar acordada mesmo dormindo, pois podia enxergar mesmo de olhos abertos. Acordei com a sensação de pavor experimentada por relutar com tal força que parecia eclodir de mim ou para dentro de mim.

Seria vivencia transpessoal? Saída do corpo astral? Quem avançou na pratica meditativa sabe que a transparência do mundo é real. A física fala nos espaços que existem entre os átomos, e Lao Tse já anunciava (Tao the king) há mais de 3000 anos antes de cristo a Invisibilidade do mundo. Mas mesmo assim a experiência pode assustar os incautos, ou os que tentam manter o controle do mundo em suas cabeças. É como disse William Shakespeare: Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã philosofia.

Depois de voltar a dormir sonhei com um casal de gatos e um gatinho filhote. Nisso olhei ao lado nuns trapos e meio escondido encontrei uma outra gata com um monte de gatinhos recém-nascidos que mamavam. Estranho que achei aquilo nojento ou repulsivo e me afastei, algo que com certeza não faria na vida real. A gata com os gatinhos eram de cor cinza rajado e os filhotes estavam tão pequenos que me pareceram ratinhos. Eis a recorrência dos mesmos animais.

O que foi que achou nojento e repulsivo? Os gatinhos mamarem? A ninhada esfomeada enroscada nas tetas? A gosma do líquido amniótico? O cenário? Não sei se a referência a “nojo”, a repulsão, é ao incomodo causado pela animalidade, a reprodução animal, a fome ou a carência dos bichanos, ou se essa repulsão é apenas a projeção da rejeição que aprendeu a refletir.

Penso em duas variantes:

1. Sempre que saímos da fantasia para a realidade precisamos de fortalecimento de nossa resistência mental e sensorial para suportar o impacto da realidade. Neste aspecto, quanto mais diferenciados somos menos repulsão ou nojo sentimos e o oposto é verdade, quanto mais indiferenciados mais são os estímulos que puxam para a realidade terrena e sensorial mais despertam essa repulsa.

Paradoxalmente, esta reação pode ser indicativo de estado, ou nível, de maturação. Quanto mais maturados mais o sistema nervoso resiste ao impacto de realidades “repulsivas” e quanto menos maduros mais o estimulo é capaz de mobilizar reações psico somáticas de descarga ou enjoo.

Muitas vezes não ocorrem respostas somáticas e as respostas são apenas defensivas, já que apenas imagens (nível visual) já podem produzir a resposta negativa, a repulsa e o afastamento. Neste caso uma única imagem é capaz de evocar estímulos associados ao negatico: Cheiro; Liquido pegajoso; Gosmento; Sensação de sujeira, etc. Assim o estimulo visual mobiliza a propriocepção e o sujeito, mesmo sem contato físico, age como se imerso ou inserido no contexto – na indiferenciação.

Você indica: “algo que com certeza não faria na vida real”, Mas conta a postura. Há atitude de repulsa em relação à realidade? Em relação à sua forma de interagir com as pessoas ou com os acontecimentos.

É necessário fortalecer sua resistência aos eventos que busca evitar e que lhe levam ao ao comportamento de escape, à fuga, à evasão. É necessário aumentar essa resistência para que possa suportar os trancos da vida que ainda virão, fazendo isso você ficará menos suscetível, menos à flor da pele, com um sistema nervoso mais resistente e menos frágil. Considere essa mensagem.

Por fim sonhei que conversava com uma mulher que estava incorporada com uma entidade que provavelmente deveria ser de uma pomba-gira, mas ela não era espalhafatosa e tinha um jeito sério de falar. Eu não entendia direito o que ela falava por causa de seu linguajar. Ela falava que eu não podia passar para (ou por) debaixo da terra sem cumprir alguma coisa. Na minha cabeça eu raciocinava o meu desejo de um envolvimento conjugal, mas não entendi se ela estava falando disso e nem sabia se passar para debaixo da terra se referia a morrer. Imaginando e querendo que aquilo tivesse ligação com a preocupação que eu mantinha em mente sobre a possibilidade de um futuro envolvimento amoroso, tentei descobrir do que ela estava falando através da seguinte pergunta: 'mas como eu vou conseguir isso?' Ela respondeu: 'você consegue tudo o que quer' e calou-se como se tivesse dado todo o recado. Disse-lhe que nem tudo dependia apenas do querer e perguntei se eu não teria uma ajuda do destino, mas nisso chegou um homem também incorporado e ambos começaram a conversar de forma que acordei ficando sem uma resposta. O que me diz sobre essas lembranças?

Quanto mais avançamos nossa compreensão da linguagem dos sonhos, quanto mais consideramos o nosso universo interno, mais ele se ordena e mais nos aproximamos de um diálogo com o nosso inconsciente. Os sonhos tendem a ficar menos assustadores, pois os conteúdos vão se realizando na sua dinâmica de transformação e as mensagens mais claras são como sinalização de que a psiquê se ordena. Só podem se comunicar os que têm disposição e disponibilidade para empreender um diálogo, e para isso é precisso escutar, refletir, comunicar. É necessário entendimento, e quando a consciência faz seu movimento e mostra sua disponibilidade o inconsciente também mostra sua tendência voltada para o encontro e sua linguagem também se transforma, amadurece.

É o caso desse sonho, a mensagem é o que é: “Ela falava que eu não podia passar para (ou por) debaixo da terra sem cumprir alguma coisa. ...'mas como eu vou conseguir isso?' Ela respondeu: 'você consegue tudo o que quer' e calou-se como se tivesse dado todo o recado.”

A maturidade é a resultante da configuração de inúmeros eventos psíquicos, entre eles a mudança de postura, de atitudes, de escolhas, de referências, da consistência dos princípios pessoais diante da realidade.

Todos somos capazes. Conquistamos o direito à vida e temos que honrar os compromissos diante dela. A vida não nos pertence. Por isso precisamos “dizer a que viemos” e cumprir com nossos desígnios.

A mensagem é essa: Cumpra e realize os desígnios de sua vida. Pare de esperar tudo nas mãos. Corra atrás da realização desses desígnios. Cresça. A lei básica é essa: Nascer, crescer, se desenvolver, amadurecer e morrer em paz. Enquanto ficar fixada na realização do sonho de casar você esquece que precisa se tornar uma mulher adulta, capaz de cuidar de si e de dirigir a sua vida. Cumpra se destino.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

PROJEÇÕES

   



           
CH 91
Depois sonhei que eu estava andando em um parque com minha mãe quando ela viu um homem de meia idade segurando uma grande fruta verde amarelada. Ao aproximar ele mostrou varias outras no pé não muito alto e descobrimos que eram abacates. Eles eram do tamanho de uma bola de futebol, embora houvesse outros menores e mais verdes no pé. O homem deu a fruta que segurava para minha mãe e nos levou até um coqueiro donde retirou vários cocos para nós. Eles já estavam com a casca escura e pensei que a castanha deveria estar bem grossa, no ponto de ser saboreada. Não lembro se cheguei a ajudar minha mãe a segurar as frutas, mas creio que sim. Nisso veio um segurança com ar irritado, mas o homem não se intimidou dizendo que tinha permissão para fazer o que estava fazendo. Também me lembro de estar jantando à mesa com minha mãe, sobrinha e um menino (de nove ou dez anos) que no sonho era meu sobrinho adotivo. Haviam outras pessoas também, mas não sei quem eram e nem lembro quantas exatamente estavam ali. Não sei sob qual motivo disse-lhe brincando que falaria para minha irmã devolvê-lo. Ele ficou emburrado (não aparentou estar com medo, irritado ou triste, mas apenas emburrado comigo). Desfiz a fala dizendo que estava brincando e que minha irmã não o daria nem mesmo a nós (tia e mãe). Nisso a minha sobrinha pediu para falarmos mais baixo e alguém comentou que ela fazia aquilo igual a mim quando criança: uma vez que não conseguia se meter na conversa dos adultos, fazia o possível para atrapalhá-la. Não lembrei do fato, mas fiquei surpresa por descobrir isso de mim mesma. Nós não estávamos falando tão alto, mas não senti que ela com seus três anos estivesse fazendo aquele pedido por más propósitos. Era como se a conversa não estivesse lhe agradando ou como se ela estivesse mal por algum motivo. Para mim o educado pedido não era uma atrapalhação, mas talvez uma suplica de atenção pela não interação. Talvez cada um tivesse um palpite e nenhum deles coincidisse com o verdadeiro motivo da criança.

O inferno está cheio de pessoas bem intencionadas ou com bons propósitos.

Boas frutas, bons frutos, carnudos, suculentos. Como já disse, em algum momento, é o símbolo da cornucópia da vida, símbolo mitológico da fortuna, da riqueza e de felicidade.

O sonho reforça a ideia contida no último, com alguns acréscimos que merecem um olhar, e o reforço sistemático na projeção:

1. Há projeção na intimidação no momento de prazer e usufruto. A intimidação projetada, agora, na figura masculina que serve como blindagem para a sua proteção. Esse é uma das características dos conteúdos masculinos na psiquê feminina.

Essa blindagem é o fortalecimento da capacidade de assimilação de impactos da realidade sobre a sensibilidade feminina, do principio de realidade, da lógica masculina, da capacidade de responder à realidade sem sucumbir ao impacto de ameaças, diminuição do pensamento fantasioso ou mágico, etc.

É verdade que a postura firme e protetora pode ser uma compensação de sua necessidade de proteção pela figura masculina. É o que de imediato podemos pensar. Mas quando penso na dinâmica do seu inconsciente, sinto que é mais plausível como resultante da incorporação à dinâmica da psiquê dos conteúdos que antes afloravam de forma ameaçadora. À medida que você vai incorporando e abrindo espaço para agregar conteúdos de origem de sua alma masculina à sua vida, os conteúdos antes ameaçadores afloram como proteção, pois ampliam a construção de seu projeto pessoal como personalidade e aparece como sinal de seu movimento de transformação e maturação.

Você não precisa ser homem, mas integrando masculino ao feminino favorecerá o processo de desenvolvimento de sua individualidade. Se não integrá-lo favorecerá a divisão, conteúdos distintos produzindo conflitos de interesse e lhe deixando no meio de um cabo de guerra.

Por isso no primeiro momento o sonho é como um reforço da ideia contida no sonho anterior.

A presença da culpa que, intrinseca, aflora em situações de prazer pode estar ligada à escolha do papel de vítima. Como vítima você promove a incompatibilidade com o prazer, já que vivendo o prazer deixa de sustentar a justificativa como vítima sofredora, no sacrificio. Esta é a armadilha que vivem os que escolhem o papel de vítima: precisam renunciar ao prazer, já que vivendo o prazer precisariam renunciar ao papel de vítima. Assim se escolhem o papel de vítima acabam se tornando vítimas delas mesmas, ainda que queiram imputar ao outro a responsabilidade pelo que vivem.

2. Há projeção da rejeição na criança. Novamente vemos o mesmo mecanismo aparecendo. Aquilo que estava introjetado e agarrado como gosma, agora já aparece projetado no outro, no órfão símbolo do abandono e da rejeição. E você ainda se permite a morbidez ameaçando rejeitar o rejeitado (veja que isso reforça a conclusão do parágrafo anterior). Ele é você com seu emburro, seus caprichos ou suas dificuldades, quando não consegue, como narcisista, ser o centro das atenções, se impinge a rejeição. Mas sua dinâmica muda, o sentimento de rejeitada já aparece em forma de elaboração, de transformação, projetado no conteúdo representado, mas já diferenciado.

Quando tomamos consciência de nossos jogos infantis, podemos abrir mãos deles. Eles já não se prestam aos novos momentos.

E essa consciência aparece denunciando a menina que chama a atenção para si. Quando não consegue participar, egocentrada e manipuladora, objetiva concentrar a atenção nas suas carências, como pedinte de atenção. A criança é bem intencionada, e o que você quer acreditar, se justificar na sua inocência, mas levando essa atitude para a vida adulta, renuncia à independência e acaba se percebendo rejeitada quando não consegue controlar todos os eventos e exigências da realidade, e quando não consegue estabelecer níveis de interação adequados à sua vida enquanto adulta.

O VISGO DOS CONTEÚDOS AUTÔNOMOS.


CH92
Por fim sonhei que eu era preferida e minha irmã (não era a irmã real que tenho) era preterida por quase todos. Eu gostava disso mesmo sentindo pena dela, e pensava que era seu jeito irônico que fazia as pessoas não gostar dela e, portanto, a culpa era toda dela. Em verdade real eu sempre me senti preterida perto da minha irmã por achá-la mais auto-suficiente do que eu. Eis as lembranças dessa noite.

Para finalizar o ápice da projeção, a rejeição projetada na sua irmã, você ocupando o lugar dela e a condenando à tragédia do destino que se impõe. Ao não se espelhar nela como modelo, você escolheu o caminho da amargura e da disputa, o caminho desconstrutivo, o caminho de ressentida, de magoada.

É a pena que sempre sentiu de você mesma. Esta é sua realidade, seu processo de autopiedade que carrega a tantos anos nas costas. Suas amarras. É o que sua Psiquê anseia superar, para que você possa se libertar dessa armadilha emocional que conduz ao sofrimento, à insatisfação, à infelicidade e à eterna infantilidade.

O VISGO

Esses fatos que nominei de projetivos, e que se repetem em três momentos, são uma consequência do desprendimento, liberação, de conteúdos ou resíduos, que como Visgo, se mantinha vivos como conteúdos autônomos que se manifestam na consciência em forma de conceitos (pensamentos), imagens e induzem o individuo a comportamentos (emocionais e sentimentos, afetos). Quando conseguem essa insurgência à consciência, eles favorecem a liberação de energia que necessitam para manterem-se vivos e para serem incorporadas permitindo-lhes manterem-se como conteúdos autônomos.

Por isso quando através da consciência, temos uma individualidade consistente, que não abre espaço para atividades mentais descompassadas ou descompensadas, esses conteúdos não conseguindo interferir no comportamento, não conseguem a liberação de energia que os mantêm vivos, assim, ou se dissolvem em resíduos que serão agrupados a outros conteúdos, ou passam a formar novos conteúdos que serão incorporados à consciência, ampliando sua maturação.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

BEIJOS


CH90


Sonhei que estava na casa da mãe de um rapaz que era meu namorado (ou talvez um recém marido). Lá havia um pé de manga bem alto e de grande copa com muitas pencas de bananas ainda bem verdes. Achei interessantíssimo aquela novidade. Depois de admirar a arvore eu fui para dentro e estava escrevendo algumas coisas no computador quando o rapaz chegou. Estava com saudades dele e larguei o que fazia porque queria um beijo. Ele pareceu um tanto esquivo. Eu poderia pensar que ele não estava afim, mas preferi crer que ele estivesse constrangido. Na primeira tentativa de beijo ele disfarçou e me beijou no rosto, mas carinhosamente eu o beijei nos lábios. Embora eu pudesse inicialmente me sentir rejeitada ou super desconfiada, fiz opção de pensar que ele estava se sentindo inseguro. Depois do agradável beijo disse que ele podia colocar a mão no meu corpo, pois ele parecia ressabiado como se não estivesse acostumado ao envolvimento ou como se temesse o mesmo por causa da minha reação. Não me senti ousada por dizer aquilo como se estivesse a ensiná-lo, pois sentia ser positivo de minha parte dizer-lhe o que eu aceitava e confidenciar-lhe aquilo que me agradava. Talvez isso o constrangesse ainda mais ao invés de ajudar, mas foi a minha reação natural, não de cobrança, mas como um pedido indireto de que ele me tocasse, o que daria liberdade dele fazer se também fosse de sua vontade.

Eis um sonho que parece sair dos padrões de sonhos antigos: ao invés de esperar ou me frustrar (conforme muito já me aconteceu na realidade), eu tive a iniciativa de revelar minha vontade e tentar aumentar a segurança dele comigo. Creio que essa inação do rapaz seja um reflexo de mim mesma em muitas situações, algo que venho mudando aos poucos. Não lembro o resto dessa parte.

Veja a importância desse sonho! Há mudança significativa sua enquanto sujeito. Deixa de ser o foco do padrão para ver o desafio, o embaraço, projetado no outro, na figura masculina. Considero algumas possibilidades:

É o mesmo conteúdo apenas espelhado no outro (sua percepção);

É o mesmo conteúdo só que com a sua origem na repressão do masculino;

É o conteúdo reprimido projetado na autoridade do masculino;

Esquecendo as possibilidades de manifestação de sua linha de defesa, como sublimação ou deslocamento, parece-me que você projeta o outro como reprimido, o masculino como sujeito que incorpora a repressão; e você enquanto mulher rompe com a sua repressão para se transformar em agente promotor com poder de ação. O masculino é passivo e dominado.

É patente a mudança na dinâmica, considerando os sonhos anteriores neste último ano. Seria apenas para lhe mostrar o foco da repressão? Ou para lhe confrontar com a projeção de seu poder repressivo? Independente da resposta, prefiro evitar a precipitação apontando-lhe a “a mudança” mas continuar a focar o olhar na “Dinâmica”, que não é apenas funcional mas de tendência.

O sujeito é receptor de sua projeção, porque a sua postura repete a atitude de pensar para outro, com a diferença de que antes você pensava para o outro para justificar seu sentimento de rejeitada ou para aplicar suas defesas e suas repressões bloqueando atitudes pró-ativas. E agora você se defronta com a o outro “contido” e encontra a justificativa para agir pelo que conclui serem as dificuldades do outro.

Há diferença? Sim! No primeiro caso você se reprime, se anula, se paralisa. No segundo caso você age concluindo para o outro. É melhor! Há avanço! Pode ser melhor?

Pode! Parar de antecipar, na realidade, os acontecimentos para encontrar justificativas de comportamento. É como se sua seletividade funcionasse somente para agir quando têm controle do mundo. Antes de viver você racionaliza o mundo. Falta-lhe o tempo para permitir que a vida flua, que as coisas aconteçam, que a espontaneidade aflore.

Posso considerar como avanço a projeção da repressão no fora de si. Você não se enforca mas enforca o outro. Mas a atitude é praticamente a mesma, mesmo que não o seja e que haja mudança.

Por outro lado, o sonho é você e o outro é você. No primeiro caso a possibilidade do confronto levou-me a observações considerando a sua atitude em relação “ao mundo”. Mas agora vamos ver em relação a si mesma.

A ATITUDE

Esse é um aspecto  relevante: A presença da figura masculina reprimida. O elemento chave, símbolo daquilo que é referência e parâmetro e que define sua relação com a realidade. Este mesmo elemento que apareceu dezenas de vezes como a figura (masculina) ameaçadora (de arma em punho, agredindo, ameaçando, subjugando pela força física), agora se manifesta silencioso, e aparentemente contido. Mas toda a imagem do cenário foi construída por suas deduções, pelas suas conclusões precipitadas. Você conduz a situação, conduz o masculino sem lhe abrir espaço ou tempo de manifestação. E parece que assim você faz com seus conteúdos internos, age como uma autoridade repressora que não abre espaço/tempo para que este lado masculino se manifeste. Ou mais do que o lado masculino, a repressão atua em todo o seu contexto psíquico, sentimentos, emoções, pulsões, desejos, intenções,etc.

Se na realidade a insegurança leva-lhe a antecipar a crítica ou o julgamento alheio, como forma de defesa, fazendo-a recuar nas relações sociais, em sua dinâmica interna você começa a aceitar a ocorrência de desejos e começa a mudar a forma como você se relaciona consigo mesma, diminuindo a severidade e se permitindo desejos e atos voltados para a sua satisfação.

Detalhes:

Pé de manga que dá banana. Abre suas possibilidades de frutificação; Será que há distorção da realidade?A imagem reforça o olhar sobre aquele seu lado seletivo de interessar-se pelo surpreendente, pode ser a pega do inconsciente para “chamar sua atenção”, o seu interesse pelo inusitado, te focar, te alinhar; Há dispersão? falta-lhe concentração? 

Abandonar o computador, o lado virtual, pela relação viva, presença física, envolvimento. Sinal e mudança de postura e de escolhas de foco na sua vida.

terça-feira, 15 de junho de 2010

TRIÂNGULO AMOROSO


CH 89


Tenho sonhado bastante com minha mãe e irmã em situações desgastantes donde, ora minha mãe está do meu lado, ora fica do lado da minha irmã contra mim.

No primeiro caso sonhei que minha irmã estava dentro de um quadrado de vidro, mais ou menos posicionado na altura do ombro de minha mãe, e lá de dentro ela dizia algo que não lembro o que era. Só recordo da minha mãe lhe respondendo que o mesmo bem estar que ela me proporcionava enquanto mãe, eu também proporcionava a ela enquanto filha.

No segundo caso, minha irmã houvera chegado de viagem e junto com minha mãe foram para meu quarto. Eu queria dormir, mas minha irmã deitou-se na minha cama e ficou lá toda tranquila. Enquanto visitante não quis mandá-la se retirar do meu quarto. Nisso ela e minha mãe começaram a fazer um monte de perguntas tão tolas que eu nem sabia o quê responder.

Parece um sonho pequeno, mas não teria pesadelo pior para mim do que desse gênero. Geralmente os sonhos com minha irmã são bem desagradáveis, inclusive os que minha mãe se coloca no meio como defensora minha (o que faz eu tornar-me uma criança indefesa), e acho que daria para contar nos dedos da mão a quantidade de sonhos bons que já tive com ambas.

Por quê minha irmã é a minha assombração onírica?



Veja a frase do primeiro sonho:

“Só recordo da minha mãe lhe respondendo que o mesmo bem estar que ela me proporcionava enquanto mãe, eu também proporcionava a ela enquanto filha.”

Este é o retrato das relações interpessoais, o intercâmbio a troca. Um sujeito interfere no outro, um acrescenta ao outro. Ambos são importantes e a relação só existe como opção mútua.

Como é há indicação que sua relação simbiótica com a mãe não foi superada ou abandonada, é natural que exista uma competição com sua irmã, ou dela com você pelo seu estado emocional possessivo, e ela é a assombração que você criou. Mas me falta dados para avaliar esse triângulo familiar.

No segundo sonho sua irmã e sua mãe aparecem como invasoras do seu espaço privativo.

Você age como uma criança defensiva, não indefesa, incomodada. Não se manifesta, pois suas intenções são obscuras. São relações afetivas complicadas na sua vida, relações que não se realizam. E não se realizam porque você continua a agir como vítima, carente e dependente.

ASSOMBRAÇÃO

detalhe de obra de Aleijadinho em Ouro Preto

Por quê minha irmã é a minha assombração onírica?


Possivelmente por que ela é uma assombração na sua realidade. Essa irmã que aparece no seu sonho não é a sua irmã, mas a representação dela em você, o que ela significa para você, como você lida com a presença dela em sua vida.

Você lembra que assombração sabe para quem aparece, para quem precisa ser assombrado.

Já o que envolve esse triângulo familiar, não se pode esquecer que toda relação triangular é simbolicamente poderosa. Quando envolvem três mulheres com envolvimento afetivo e emocional, e familiar, esse poder se torna mágico, complexo e contundente . Quando os envolvidos conseguem compreender a força do triângulo, eles conseguem aparar arestas, e absorver esse poder para as suas vidas. Todos crescem. Mas quando não conseguem essa compreensão a relação triangular retira dos envolvidos o poder que eles possam ter.

No seu caso parece-me que a relação triangular se transformou numa competição, onde o ápice do triangulo parece ser sua mãe, aquela que intermédia a relação triangular. As filhas, ou uma delas, compete pelo amor e pela atenção materna e enquanto vivem a disputa a mãe mantém-se no centro como objeto de desejo e conquista.

Geralmente nas relações triangulares quando a dinâmica das relações permite que todos ocupem o ápice do triângulo, com os participantes se alternando como ponta de poder, a força das relações aumentam os vínculos e o poder entre os elementos, favorecendo a força das relações, do triangulo e sua magia. E quando apenas um ocupa essa ponta de poder a competição se instala dissolvendo o triângulo, ou fazendo-o existir apenas simbolicamente, aprisionando seus participantes em relações paralelas onde prevalece a estagnação dos vínculos afetivos.

Há algumas semanas atrás, você levantava a questão sobre o que seria traição. Nas relações amorosas, triangulares, pode ocorrer traição, pois um dos membros do triângulo, funciona como o mediador entre dois participantes que podem não saber da existência do outro ou da relação em que foram envolvidos indevidamente ou pode dar a conhecer a um desses participantes a existência do triângulo, neste caso o terceiro participante, envolvido no triângulo recebe o impacto da falsidade, da traição.

As relações afetivas favorecem a criação de triângulos. Geralmente são utilizados em situações que envolvem a manipulação, a sedução e o domínio. E os mais carentes são os que se permitem mais manipuláveis, pois não conseguem perceber a dinâmica das relações construídas, se encalacram em níveis mais básicos e mais infantis sem perceberem as dinâmicas, a competição, a manipulação e se satisfazem com migalhas que recebem. O problema não é dos outros, mas do individuo que se permite esse tipo de competição.

No caso de sua relação triangular, ela necessariamente não foi criada por sua mãe ou por sua irmã, Não tenho como afirmar se essa construção é sua ou se você é apenas o resultado desse processo. Mas possivelmente essa competição pode ser sua criação numa tentativa de se apoderar da mãe com a exclusão de sua irmã, tanto quanto de sua irmã que te exclui ou te reduz com infantil e pouco a ser considerada.

Bom, finalmente,  é bom que lembremos que assombração vem de aparição, o que vive nas sombras, nas nossas sombras, no nosso lado obscuro. É boa a hora de dissolver suas assombrações. O melhor É viver DESASSOMBRADO.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

SOBRE A CRIANÇA EM NÓS II



Alguém agora poderia me perguntar:

E ONDE PODERIAM ESTAR LOCALIZADOS ESTE CONTEÚDOS DE INCONSCIENTE ?

Naturalmente muitos pensariam de imediato no cérebro, alguns no sistema libico, mas eu penso que eles poderiam estar localizados nas estruturas originais dos chakras.

AO REDOR DOS CENTROS ENERGÉTICOS, CHAKRAS. OU NELES.

Neste caso o cérebro é apenas a estrutura que faz a conexão com a consciência, ou onde as conexões nervosas transmutam esses CÓDIGOS ENERGÉTICOS em representações, simbolos ou imagens de inconsciente.
Neste aspecto os chacras definem o nível de consciência, quando são integrados parcial ou plenamente como fonte de energia. Chacras superiores ativados mais consciência, inferiores, mais inconsciência.
O inferiores são ativados na formação do ser e os superiores com a transmutação do individuo.

Mas esta é uma outra questão. Essa observações são  para acréscimos reflexivo aos que buscam mais conhecimento sobre os mecanismos psiquicos.

domingo, 13 de junho de 2010

SOBRE A CRIANÇA EM NÓS



Independente da representação simbólica da criança, minha tendência é de incorporar ao significado do símbolo a representação de conteúdo que apareça como infantil  ou relacionado ao infantil, e à dinâmica do do que seria conteúdo de inconsciente recém-formado. Para tentar esclarecer o conceito e constructo teórico, conidere: 

Como o Inconsciente não é um reservatório pré-arranjado, mas uma Zona Viva, desconhecida, com dinâmica própria, onde conteúdos se formam, se deformam, se dissolvem, nascem, cresce, são incorporados, integrados, enquanto se transformam permanentemente. A imagem da criança me remete a conteúdos, arkhaios, arcaicos, ou recente dentro da dinâmica de inconsciente se Aglutinaram formando uma configuração passível de ser incorporada como conteúdo ou como fonte energética à consciência.

Assim a imagem é mais do símbolo é símbolo de transformação. Pois conteúdos autônomos, ou resíduos de conteúdos que foram dissolvidos, ou partes de conteúdos arraigados que se desprenderam, e todos juntos formando novas polaridades não conseguindo se unirem a velhos conteúdos, se agregam em novo formato e configuração em processo de serem integrados à consciência.

Para dar uma ideia do processo: visualize conteúdos arcaicos formando uma massa única de força e polaridade e protegidos por filtros intransponíveis, quando partes desses conteúdos são desintegrados eles se depreendem da massa compacta, se dissolvendo, pulverizados e ultrapassam os filtros de polarização, no desprendimento e posteriormente como que assume novos formados não sendo reincorporado, assim podem se agregar com conteúdos de frequência e mesma vibração formando novos conteúdos de inconsciente, mas agora, em novos níveis prontos para serem transformados e incorporados à consciência.

Quando incorporados à consciência, esta se transforma ficando mais consistente, mais completa, menos suscetível ou fragilizada definindo acréscimos à personalidade do individuo e ascendendo a níveis mais elevados de percepção, e de apreensão da realidade.

AVANÇO E REGRESSÃO - PARALISIA

 sandália, chinelo, calçado, revestimento dos pés

CH 87

Mais sonhos: Primeiro eu estava em um shopping com uma criança que por certo era minha filha. Eu fui levá-la ao banheiro e lá havia três homens de cara muito maldosa e com um tufo alaranjado na boca. Uma mulher pegou a criança na intenção de colocá-la no vaso infantil e deixei-a fazer isso. Nisso a criança se transformou num bebê (novamente essa recorrência) e conforme fui saindo do banheiro, o bebê minúsculo sumiu. Notei que todas as pessoas estavam com o tufo alaranjado na boca. Era como se fosse uma proteção contra alguma epidemia. Aquilo me assustou. No que fui sair do shopping, e para tal tinha que pegar um elevador, me vi numa cadeira de rodas e foi com dificuldade que consegui manobrar aquilo para entrar no pequeno elevador que só coube eu e uma mulher. Pedi para ela me ajudar a sair do elevador quando chegássemos ao andar de baixo. O elevador demorou bastante descendo e fazia um rangido muito grande. Não sei ao certo como foi para sair dele, pois depois disso eu levantei da cadeira de rodas e comecei a andar pelo estacionamento a procura do meu chinelo que se perdera. Comentei o fato com uns rapazes e um deles me ofereceu carona. Achando bom e surpresa por ter conseguido uma carona, mas ainda preocupada com o chinelo, voltei para o interior do estacionamento e catei vários pares de chinelos velhos e rebentados que lá estavam. Nisso o rapaz da carona foi me buscar dizendo que já colocara minha mochila no carro. Ele me pediu um beijo, mas veio uma moto acelerada com o farol bem alto e disse-lhe que ali era perigoso para ficarmos aos beijos. O local estava escuro e deserto. No que saí junto dele, havia uma multidão de jovens e em seguida acordei.

Essa criança que carrega nos sonho pode ter duas representações ou dois sentidos: a criança infantil que representa o comportamento regredido que por vezes se apodera de você e uma nova criança, novas características de personalidade que nascem dentro de você. É possível que também haja a indicação do momento de suscetibilidade para gravidez. Neste caso envolve a sua natureza e capacidade de procriação.

Essa imagem de homens ameaçadores, mesmo que seja recorrência mostram modificação na relação de ameaça, mesmo que ela agora surja em forma de perigo à saúde.

Dois aspectos merecem consideração: Como Cadeirante é possível que seja indicação de esforço próprio, considerável, mesmo que ainda ocorra a presença de significativo grau de dependência em relação à realidade e ao coletivo. É possível também que a indicação de perigo e de ameaça esteja relacionada à essa dependência ou de que essa dependência e perigosa para você. Se você não se liberta e conquista sua independência, momento chegará em que será obrigada, à força, a fazer o que deveria ter feito em situação mais confortável.

Como cadeirante há a presença de significativo esforço pessoal, independente da perda de mobilidade. Este esforço é conquista pessoal sua. Mas a presença de dependência bloqueia suas saídas e seus movimentos, sua mobilidade te colocando em situação de risco e de perigo. Você avança, mas o que avança regride.

O chinelo entre outros significados, neste caso, pode representar o apoio, a defesa necessária na sua caminhada, a proteção que precisa mas que se torna insuficiente frente aos riscos que se impõe.


Obs.O post  anterior, Sobre a Criança em nós, são comentários originados neste sonho.


RECONCILIAÇÃO


CH 88

II - Depois de voltar a dormir sonhei que estava com um rapaz numa farmácia comprando ração para cachorro. Indeciso entre os tipos de ração ele acompanhou uma mulher até o interior da loja e fiquei ali o esperando. Ele começou a demorar muito. Eu estava quase desmaiando e parecia impossibilitada de mexer as pernas. Nisso o dono do local fechou as portas e tentou me agarrar. Sob o impacto de uma mentira (disse que ele ia se contaminar com Aids) consegui me desvencilhar dele. Fui para casa bastante assustada. Lá estavam minha mãe, irmã, cunhada e sobrinha. Havia muita coisa de comer, mas tudo me causava náuseas, pois eu estava me sentindo muito mal. Meu cunhado parecia disperso lendo um jornal. Minha sobrinha brincava e minha mãe e irmã faziam as malas, pois íamos todos viajarem para Três Ranchos. Embora eu adore conhecer locais novos, desgostei-me da ideia da viagem, mas sem alternativa fui arrumar minhas roupas também. Minha mãe estava bem mais nova, praticamente uma jovem. Enquanto separava as roupas, eu chorava cantando a música Pai do cantor Fábio Junior.

Depois disso caiu um tronco de mangueira sobre a casa e, quando fui chamar minha mãe para ver o acontecido, ela já estava lá na rua com minha irmã e sobrinha conferindo os estragos do incidente. Continuei no quarto, na minha angustia, sentindo desolada, apática, desinteressada de tudo, com um sentimento mórbido que de fato existe muito forte dentro de mim quando pareço obrigada a aceitar que sou o patinho feio da família, ou melhor, do mundo inteiro, aquele que não consegue e nem quer se entrosar com o grupo no qual está inserido, mas que nada pode fazer, pois não sabe cadê o seu grupo real de afinidades e afetuosidades.

Noutra parte de sonho eu fui com minha irmã a um açougue e, embora eu não coma carne, ela exigiu que eu pedisse a mesma. Eu mal conseguia repetir o nome do tipo de parte de carne que ela queria. Nisso o açougueiro trouxe o pedaço de carne, levantou no alto e rasgou-a com um gancho várias vezes me perguntando se aquele pedaço estava bom. Embora fosse apenas um pedaço de carne, eu senti aquela cena como se estivesse presenciando um assassinato, de tão mal que fiquei. Na volta eu e minha irmã conseguimos carona com uma mulher que estava acompanhada de uma criança, mas houve um problema com o carro dela e tivemos de caminhar a pé o resto do trajeto. No meio do caminho encontramos com minha mãe e contei a ela o que acontecera no açougue, relatando como todo o ocorrido me traumatizara. Minha mãe foi rude com minha irmã chamando-a de capeta e dizendo que ela não ia conseguir consertar o mundo inteiro. Fiquei ainda pior com aquela briga na frente da desconhecida e da criança. Embora estivesse me defendendo, fiquei chocada com a reação de minha mãe. Não sei o que aconteceu depois disso, mas lembro da minha mãe comentando sobre um pequeno vulcão que havia no quintal de casa. Ela queria tirá-lo de lá e escavacava a terra, mas realmente não lembro muito bem.

Todos os sonhos pareceram me confrontar perante minha imensa dificuldade de desvencilhar do meu jeito negativo de ser uma pessoa subordinada às ordens alheias, insegura, falsa, assustada, submissa, rebaixada em minha autoestima e dependente da proteção alheia como se fosse uma criança. Foi uma noite horrível e interminável!

Qual a eficácia de sonhos tão ruins?

Não se a questão onírica é de eficácia ou não eficácia. Essa questão é humana. A natureza possui uma dinâmica, nós somos parte desta dinâmica, se soubermos sincronizar a frequência da natureza e com ela caminhar em uníssono, seremos agraciados com novas experiências e na hora derradeira da morte, ela será benevolente e nós dará um tempo a mais, um miniuto, de vida, para nos prepararmos para a passagem, nossa única chance de mantermos íntegros a consciência de nós e do mundo. Caso contrário, apenas nos diluiremos no fogo cármico da poeira cósmica, e... Nossa ausência e fragmentação nenhuma diferença fará neste vasto universo.

Se existe um problema nisso que chama de eficácia, o problema não é dos sonhos, mas nosso. Se existe uma intenção na natureza dos sonhos e para chamar-lhe a atenção para que faça movimentos, supere estágio que já deveriam estar no passado e rompa com seu aprisionamento, seus limites.



Na primeira parte, retorna sua imobilidade, sua falta de iniciativa, ou a incapacidade de movimentar seu corpo, até mesmo numa ação de defesa.

Várias podem ser as causas dessa angústia, vejamos algumas:

-Essa angústia esta mascarada, escondida, e agora aflora por que você abre espaço para o seu universo interno. Se antes ela ficava escondida, aflorando de forma caótica ou deformada, agora aparece no sonho como ela é: Angústia;

-Nas mudanças que você realiza essa angústia que antes era imóvel, como energia paralisada, agora entra na sua dinâmica e começa a se movimentar e a aflorar;

-O seu elevado nível de tensão, e de estresse colocou-a num grau de prostração com sintoma de depressão mascarada;

- Sua hiperatividade mental leva-a a esses estados de angústia, em decorrência de déficit energético decorrente da perda de sua capacidade de síntese energética.

Voce acredita que “Continuei no quarto, na minha angustia, sentindo desolada, apática, desinteressada de tudo, com um sentimento mórbido que de fato existe muito forte dentro de mim quando pareço obrigada a aceitar que sou o patinho feio da família...” Mas pode ser equivoco. O que lhe causa esse sentimento negativo, isso que lhe invade, é a condição de dependência em que se coloca. Você não é obrigada a nada. Mas como criança você permite que o outro lhe determine seu destino e sua vida.

Nos estados regredidos, corremos para o colo dos que simbolicamente são mais forte, e como recuar ao abrigo do afeto. Abaixo a música que serviu para alimentar sua angustia e seu grito de socorro. Mas também é um sinal de reconciliação entre Pai e Filha. A música do Fábio Jr. Foi escrita, parece-me, vivendo essa reconciliação com o seu pai.

Também sou vegetariano e posso compreender sua angústia, Mas no sonho parece-me uma chamada para a realidade. E a realidade não precisa ser traumática. Ela nós exige postura e atitude. Não há porque fugir da realidade, e ela não precisa ser causa de angústia. Quando somos diferenciados e vivemos diferenciados, morte e vida são naturais e necessariamente não significam tristeza e alegria. Podemos nos emocionar com a beleza da vida e delicadeza dos sentimentos, e isto já basta, já é emocionante e faz da vida um acontecimento fenomenal. Mas é preciso sintonizar essa frequência divina da existência.

Minha cara, muitas vezes a angústia se torna refúgio porque o choro pode se transformar em prazer. Mas estamos todos no mesmo barco, no mesmo tempo, vivendo no mesmo mundo e essa solidão é imaginária. Corra atrás de alegria, de prazer e de suas realizações. Para falar a verdade essa alegria e esse prazer estão mais próximos do que é capaz de ver, vivem dentro de você.

Ah! Não se esqueça:   Ruim é originário da palavra Ruína, sua designação é INFELIZ. Somente nós mesmos podemos representar uma ruína para a nossa vida.

sábado, 12 de junho de 2010

PAI

Pai
Fábio Jr.

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo / Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos / Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta / Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta / Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem / Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo / Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo / Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor / Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa / Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida / Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança / Que eu não sou mais
Aquela criança / Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo / Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito / Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa / E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar / Ah! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido / Hoje é mais
Muito mais que um amigo / Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SOBRE A AUTOESTIMA

imagem modificada do Blog Jornada da Alma
links no pé do post

Em geral podemos pensar a autoestima como a Resultante de um conteúdo Vivo que determina o formato, a Gestalt, de resposta que apresentamos às exigências da realidade. Mas não se deve esquecer que esse conteúdo foi formado a partir da relação com o mundo e determinada pela força do impacto que a realidade desse mundo exerce sobre nós. A realidade não favorece ou não alivia a pressão que aplica sobre o individuo, mas seu cenário pode favorecer ou desfavorecer o sujeito.

Quando deixamos de lado os fatores externos pode-se detectar a baixa estima como um fenômeno apenas intrínseco e originário do sujeito ou resultante de conteúdos que se configuraram a partir de eventos internos determinando sua história e sua formação na inferioridade.

Sempre se considerou o nascimento, e o parto, como determinante para o desenvolvimento sadio da criança. Eu acrescento que a mudança de um meio onde o feto está protegido pelo corpo da mulher e por uma bolsa preenchida com líquido, para um meio onde ela de cara já recebe o impacto da Deformação do Espaço já pode ser definitivo na separação e determinação da realidade do sujeito. Sem considerar o antes, Volume do líquido da bolsa, impactos sofridos nesse ambiente, (sonoros, mecânicos, de incidência de luz, etc.).
O que quero salientar é que estas variáveis são definitivas na formação da autoestima, ou dos conteúdos que definirão a forma como o sujeito se relacionará com a realidade.

O fator externo pela pressão que exerce no sujeito pode ser determinante na criação do sujeito subjugado, essa incapacitação que o individuo apresenta como resposta à realidade. Este fator externo, quando o cenário não favorece o individuo, obriga-o a um esforço muito maior do que o que seria de se esperar. O sujeito inserido num cenário de pressão elevada diferentemente de outro, inserido num cenário de proteção que amortece as pressões, vai ser obrigado a desenvolver mais esforço para superar dificuldades e para realizar conquistas do que aquele que encontrou o cenário mais favorável. A pressão do mundo é igual para todos, mas a realidade do cenário em que estamos inseridos pode ser positiva ou negativa. Quando positivo, fortalece o individuo, favorece e estimula a formação de respostas diante de ameaças da realidade. Mas se negativo, obriga-o à formação defensiva, não estimula respostas, mas obriga-o ao recuo e consequentemente exige-lhe mais esforço.
Infelizmente, para o individuo superar, dissolver e integrar esses conteúdos que ao longo dos anos serviram-lhe como defesa, para lhe proteger das ameaças, para aplacar a força do mundo nos seus ombros, é necessário paciência e fortalecimento do limiar de resistência à frustração.

É preciso romper com o prazer da dor. Dor e sofrimento também propiciam prazer compulsivo.

É preciso romper com a necessidade de ser foco de atenção pelo aspecto negativo, como vítima.

É preciso encontrar forças para superar as dificuldades que mantêm o sujeito passivo, o que aumenta o impacto devastador da realidade sobre ele.

E acreditar... Que nós merecemos o melhor da vida, não como vítimas, mas como Guerreiros que todos somos.

VEJA ACRÉSCIMO: