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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MULHER JOVEM, PROCURA




Eu cuidava de um bebê, mas ao mesmo tempo em que era um bebê humano, era também um bebê gato. Achei legal a maneira como lidava com aquilo, eu o ninava e o mimava como se fosse uma mãe e já tivesse prática para tal. Acabei dormindo com ele nos braços e quando acordei estava noutro ambiente.

Levantei e notei estar no meio de uma turma de estudantes. Por certo devo ter tomado banho, mas minha recordação maior é de tirar a toalha dos cabelos molhados e penteá-los. Eu estava junto de duas jovens e uma delas se ofereceu para cuidar dos meus cabelos quando houvesse uma oportunidade, e eu aceitei. Por gostar muito da atividade de cabeleireira, ela já se oferecera para fazer isso na outra jovem, mas esta não quisera. Ao terminar de pentear os cabelos disse-lhes que tinha de ir tomar o café da manha, pois eu já estava um tanto atrasada e quase todas já o haviam tomado.

Não lembro de comer em si, mas lembro de ter ido em seguida para uma sala de aula de canto. Nisso entrou um professor de antropologia que me deu aula na universidade (em 2002). Lembrando que naquela semana eu tinha aula de estatística ao invés de canto, saí do ambiente enquanto o professor dava algum recado que nem fiz questão de escutar. Já estava chegando na outra sala quando escutei o professor falar meu nome pela segunda ou terceira vez. Pensei que ele estava me usando como exemplo, querendo saber onde eu fora ou então me procurando para conversar algo. Como eu já estava atrasada para a aula de estatística, a principio não importei-me, mas num segundo momento, ao olhar para trás e verificar que o professor estava com todo o grupo fora da sala, resolvi ver o que queriam comigo ou o quê falavam de mim. Estavam indo fazer uma visita numa comunidade indígena e eu estava convidada para ir se quisesse. Não tive dúvidas de que queria ir, mesmo que fosse ficar com falta na aula de estatística. Preocupada com as faltas, que por certo deveriam ser muitas, comentei que eu sempre esquecia que tinha aula de estatística ao invés de canto, pois para mim cantar era muito mais agradável do que fazer cálculos. Entramos numa espécie de elevador, mas o mesmo era feito de tubos (canos) plásticos e não havia fundo. Ele era fino (pequeno) de modo que precisávamos escalar nele para cabermos. Ajeitei-me e sem nenhum medo, como se já estivesse acostumada aquele aparelho incomum, começamos a subir.

Num momento da subida o elevador foi enfraquecendo até quase parar e alguém comentou que ele não ia suportar o peso. Outro alguém lhe respondeu que era daquele jeito mesmo (eu já sabia disso) e logo depois o elevador deu um baque (era como se ele houvesse parado para se energizar) e continuou subindo. Pouco depois as paredes laterais sumiram e começamos a subir no meio do nada. Estávamos infinitamente longe da terra.

Interessante que eu continuava não sentindo medo, o problema foi que meus óculos começaram a cair do rosto com a força do vento. Mesmo tendo de me segurar com apenas uma mão, ajeitei várias vezes os óculos no rosto. Eu queria ficar com os olhos abertos a fim de ver o cenário, mas o vento foi ficando tão forte que precisei fecha-los. Fiz isso e fiquei quieta com a cabeça para os óculos não caírem. Fiquei tanto tempo quieta que quando abri os olhos eu estava numa espécie de balanço sobre terra firme. Nisso meus óculos finalmente caíram e ao tocarem o chão se transformaram em óculos de sol. Mesmo sentada dei um impulso no balanço e peguei os óculos, os quais naquele momento senti serem do meu pai (talvez por parecer com um que ele teve em vida). Fiquei esperando para continuar a subida até que me dei conta de que aquele balanço realmente não era mais o elevador.

Senti-me tola ao perceber que estava sozinha ali. Saindo do balando passei a mão na cabeça e notei que não estava com nenhum lenço (em todo caso eu não estava de lenço antes). Intrigada me perguntei quem teria pego o lenço português (estilo xale) que minha mãe me emprestara. Em compensação eu estava com um colar de penduricalho nas cores vermelho, verde e branco (lembrou-me a bandeira da Itália). Saindo do balanço retirei o colar e fiquei olhando para minhas mãos: de um lado aquele colar diferente que não sabia de onde viera e, na outra, o óculos escuro que também parecia não ser meu.

Passei os olhos pela região e concluí que já estava na comunidade indígena. Antes de explorar o local, caminhei até uma espécie de galpão donde estava tendo uma palestra. Comecei a andar entre eles na intenção de achar alguém. Estava um pouco escuro e sem os óculos eu tinha de me aproximar para tentar enxergar as pessoas melhor, mas ao fazer isso uma mulher tirou seus pertences do banco achando que eu queria sentar. Disse-lhe que não precisava e retirei-me indo mais para frente. A mulher índia tinha o semblante sério, mas não pensei que fosse por minha causa. Aquele por certo era o jeito dela. Entretanto, senti que poderia estava atrapalhando, porém precisava encontrar alguém conhecido e continuei procurando.

Estava nessa procura quando acordei.
*****

Faltam informações sobre suas atitudes afetivas, mas a introdução sonho revela a ausência de defesa e resistência afetiva frente a recém-nascidos, a compensação de sua atitude afetiva defensiva frente a outras pessoas ou o nascimento, a formação, de conteúdos psíquicos, que recebem foco de atenção que canalizam energias afetivas. O acontecimento pode ter influencia decisiva na reconstrução de sua auto estima.

Há também a possibilidade de conteúdos arquetípicos ligados à sua natureza maternal sendo compensados e direcionando a atenção e mobilizando sua disposição para este aspecto decisivo da natureza feminina a maternidade, e/ou sinalização de mudanças orgânicas de ciclos femininos (ovulação, menstruação, período fértil).

Filho de gato, gato é. A transformação pode ser indicativa de atitudes afetivas sendo projetadas em focos que permitam a sua realização como Intento. A maternidade não realizada é compensada no papel de mãe de um gato onde você pode projetar a sua afetividade compensando o sentido original da energia.

Cabelo – manifestação energética, de forças superiores, sentido de fertilidade. Força primitiva, símbolo solar. Representação da força viral, e da alegria de viver, ligada a vontade focada no Triunfo. Correspondem ao elemento Fogo.

“Estava nessa procura quando acordei.”

Quem procura, busca. Quem acha, acorda!

O sonho relata uma característica que vem se repetindo a forma com dissolve sua força em decorrência de não definir seus propósitos. Possivelmente já tenha me manifestado sobre o equivoco que há entre aqueles que acreditam que deixando se levar encontram a forma segura de aceitar os desígnios da vida.

Poucos podem desta forma obter resultados satisfatórios, a maioria se perde num mar de ilusões e de dispersão.

Em sonho anterior escrevi sobre o caminho entre a Ação e a Não-Ação. Quando nos deixamos levar pelas ondas do mar do inconsciente podemos dar num porto seguro tanto quanto dar num quebra mar rochoso, numa praia paradisíaca ou num mar de lugar nenhum. A Não-Ação é tão fundamental quanto a Ação. É fundamental se situar no seu cenário de vida, bem observá-lo para saber a hora em que se deve agir, atuar, e a hora em que se deve se deixar levar.

O sujeito que apenas age, acredita na presunção de um poder que não possui. O sujeito que apenas se deixa levar, se entrega ao sabor das ondas sem saber onde pode parar.

O inconsciente anseia evolução e para isso necessita da consciência que ajuda a construir e de onde espera ajuda para se ordenar. Necessita rumo ainda que possa se referendar em princípios resultantes de conteúdos arquetípicos que espelhem o conhecimento das gerações ancestrais que o norteiam.

Quando o sujeito se deixa apenas ser levado se entrega ao sabor de uma noção sem rumo, sem norte que precisa se referendar nos limites de uma realidade que funciona como Porto Seguro.

Você tem uma leve (ou profunda?) tendência de se deixar levar. Abre mão de referências lógicas, racionais, em nome do prazer ou de sensações que lhe servem de guia para se conduzir.

A intuição é um poder magnífico que quando bem utilizado nos permite caminhos seguros e acertados. Mas para se guiar pela intuição é fundamental se “Ouvir” e... Refletir, avaliar, diagnosticar, escolher. Quando mal utilizada por desconhecimento do mecanismo, ela pode se tornar uma armadilha conduzida por conteúdos que atuam para paralisar, travar e boicotar o sujeito.

Você se deixa conduzir, se entrega em mãos de aprendizes, justificada na bondade ou por oportunismo, conforto ou simplismo.

Sua Força Vital possui uma dona, uma Rainha: Você. Nada pode justificar a conduta de se entregar ao destino acreditando na magia de ser protegida ou guiada para um paraíso. É preciso trabalho duro. Montar o lombo do cavalo selvagem e domá-lo. Assim podemos nos comprometer com a vida que nos foi dada, ou que conquistamos.

Os óculos são instrumentos de ampliação da visão, consciência ampliada, ou descanso – óculos de sol-.

A tribo indígena pode ser a referência à postura dos guerreiros que sobrevivem em território ameaçador, indicação de força primitiva e ancestral.

Encontrar suas mãos no sonho é um acontecimento especial, mas isso fica para outra oportunidade.

Ψ

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO I



Essa noite sonhei que minha mãe brigava com um vizinho quando este começou a lhe tacar pedras. Mandei-a entrar dentro de casa, mas ela queria revidar. Entretanto ele estava num prédio enquanto ela estava no chão e, logicamente, as pedras dele eram arremessadas com muito mais força do que as dela. Eu fingi que tinha sido atingida no braço e comecei a gritar muito pensando que aquilo pudesse impedir a continuação da chuva de pedras, mas não adiantou. Quando notei que o barulho das pedradas havia parado, vi minha mãe desfalecida. Desesperada corri até o corpo dela já inerte. Nisso vi a aproximação de Bezerra de Menezes, Adolfo Fritz, Bittencourt Sampaio e vários outros espíritos com aparência humana normal, mas que eram denominados de orixás. Não sei explicar como eu os reconheci, pois eles estavam com uma aparência diferente e, ademais, o único cuja aparência me era conhecida antes do sonho era do Dr. Bezerra. Aliás, só fiquei sabendo se tratar deles pois no sonho eu gritei o nome de cada um desesperada ao ver minha mãe morta. Vendo que eles iam 'resgatá-la' afastei-me do corpo. Vi o espirito de minha mãe ser socorrido. Com um vestido branco esvoaçante e com aparência de jovem, ela se levantou mantendo uma espécie de grande tumor, parecia sangue coagulado, na altura do coração. Ver o lado espiritual foi um pequeno consolo no meio da tragédia.

Prefiro até sonhar com minha própria morte. Mas pensando bem, essa mãe por certo é uma representação minha, não é?

Mas por que motivo fui sonhar com essa tal equipe espiritual se nem lembrava direito de tais nomes, se nem conhecia a aparência deles e se nem pensava na possibilidade dos orixás serem espíritos de aparência humana normal?


MATER AETERNALE
Rápidas noções básicas sobre a construção da representação simbólica materna ou paterna:

A figura de mãe é uma representação pessoal de sua Mãe, da Mãe em você, da mãe como feminino, como proteção, como origem, como afeto, desafeto, de sua expectativa de mãe e da expectativa que nutre projetada em sua mãe, dos sentimentos e emoções que nutre pela Mãe que se origina dentro de você.

Ainda que nascidos da Mãe, também gestamos e promovemos o nascimento de uma Mãe dentro de nós, Homens e Mulheres. Essa Mãe que gestamos, transcende a dimensão sexual em decorrência de sua natureza eterna. Ela nasce a partir do arquétipo da Mater Aeternale, que vive em nós e participa como guia em nossas vidas, como um espírito do tempo a nos conduzir.

A partir do nascimento do indivíduo essa Mãe interna, nascida de dentro da mãe biológica, conduzida através da memória do tempo da natureza, encontra sua origem fora de si, encontra a criatura que o originou passando a estruturar o nascimento interno do sujeito.

A gravidez promove a construção do corpo e configura a base do nascimento de sujeito como entidade subjetiva a partir da memória genética que define o corpo e o substrato do sujeito.

Essa Mãe, quando Mãe Boa e do Bem, que oferece o leite quente, alimenta e dá vida, acolhe e promove o conforto irá favorecer o encontro e a sintonia entre o produto interno e a projeção externa a ser incorporada.

Mas quando a Mãe é retrativa, não afetiva, e promove a rejeição, ainda que ofereça o sustento e a sobrevivência, não permite o encontro e a sintonia entre a mãe interna e a externa, produzindo um sujeito desalinhado, fonte de graves distúrbios psicopatológicos.

Quando o processo é bem sucedido, o sujeito realiza seu desenvolvimento de forma equilibrada se referenciando na estrutura dos pais para construir a sua base de sustento psíquico. Base que na vida adulta será essencial para a maturação da individualidade constituída, quando a psique em sua dinâmica favorece o desligamento do cordão umbilical dissolvendo conteúdos que já pouco significam para a estrutura formada. Neste momento o individuo constituído tem sua relação com o mundo consubstanciada numa conexão plena com o universo. É a integração inicial como seres amadurecidos que nos permitirá atingir estágios mais completos de consciência e de harmonia na relação com o mundo, até que possa atingir a realização com a INDIVIDUAÇÃO.

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO II




O SONHO


Uma análise imediata do sonho indica o desejo de ver sua mãe morta.

Não se assuste! O desejo de morte dessa “mãe” pode ser confundido com o desejo de morte da mãe real, a progenitora. Quando o individuo não sabe diferenciar essas duas realidades: A progenitora e a representação simbólica da matriz, a indiferenciação, a confusão media a relação entre o indivíduo e a realidade.

Esse desejo de morte, excluindo casos patológicos, não faz referência à morte física da mãe, mas ao momento que estabelece o término, ou à fase inicial desse processo de desligamento:

1. Do poder de intervenção materno a partir da realidade desta entidade de força, deste indivíduo matricial construtor e formador do outro Ser.

2. Do poder de intervenção da representação simbólica materna constituída no inconsciente, originada da mãe real.

No inicio ocorre a diminuição desse poder de intervir até que este conteúdo seja dissolvido, restando apenas a representação do conteúdo afetivo de mãe.

Esse mecanismo é semelhante ao que ocorre com a representação e simbologia do Pai. Em ambos os casos, a partir do momento em que o indivíduo se constitui uma individualidade adulta maturada, esses conteúdos e representações são dissolvidos já que incorporados na constituição da personalidade do sujeito, não se fazem mais necessários como referências básicas de princípios, de conduta na relação com a realidade, ou de proteção à estrutura psíquica.

Assim, essa mãe pela qual se desespera é a sua mãe em você. Naturalmente há conflito entre a sua busca de consolidação como um individuo adulto, sua Singularidade, e a menina que resiste em abandonar o conforto e condição de estabilidade de filha dentro do seu cenário de vida juvenil.

Mas parece que a vida lhe empurra para a realidade, para o seu destino, para a consolidação de sua existência como uma mulher, lhe exigindo novas escolhas, novos caminhos, novas respostas. Empurra-lhe para que se assuma como mulher madura e para isso, agora, com seus conceitos pessoais incorporados aprendidos e herdados, deixe de se ancorar e de se proteger na barra da saia da mãe para prosseguir na construção de seu destino, na realização de seus desígnios.

Muitos nesta hora recuam e escolhem não avançar. Evitam crescer, amadurecer. Pagam o alto preço de contrariar a lei da impermanência da vida. Fixam-se no solo como árvores resistentes propensas a dobrarem apenas a cada tempestade cíclica do tempo. Pensam que escolhem o caminho mais confortável e às vezes nem descobrem o equivoco de suas escolhas, o equivoco de interromper o processo natural de desenvolvimento de suas existências fixando-se na segurança ilusória do passado de proteção familiar. Mas mesmo que não descubram seus equívocos são obrigadas a amargar o sofrimento sem saber o porquê de tão trágico destino.

Prefiro não pensar nas entidades que aparecem como reais, mas como símbolo, conteúdos e referências de sua vida de Adulta, que incorpora conceitos, princípios, doutrinas na formação pessoal.

Associo com conteúdos originários de sua formação pessoal que indicam a referência para que responda de acordo com a realidade.

No caso acima, a morte da mãe que representa a sua ascensão individual, lhe provoca medo, o medo de arriscar, o medo da transformação, e as entidades representantes da doutrina, seus conteúdos formados de conceitos incorporados, afloram como referência de resposta ao cenário de Morte.

Todos eles, são imagens, são referências significativas da Doutrina Espírita. Como se lhe dissessem:

“a doutrina indica a crença na imortalidade. Não há porque desesperar!” Integre seus conteúdos, alinhe-se aos preceitos nos quais acredita sintonizando-os com o comportamento e respostas adequadas. De que adianta conceber uma noção de mundo e agir como quem nega essa noção?

Neste aspecto o sonho confronta a ação, forma de resposta, com a idealização.

Inseridos neste contexto está o Apego. A importância de trabalhar o desapego, para que o impacto das perdas deixe de ser devastador em sua estrutura e na condução de sua vida.

Pela vida vemos indivíduos trabalhando para se apegarem como gosma a todo o tipo de ilusões, quando deveriam trabalhar o desapego para conquistar a libertação, único estado que nos permite a plena maturação.

De que adianta o conceito da vida como passagem se ficamos viciados, agarrados, apegados a cada estação que passamos. Como crianças fixadas em guloseimas que não conseguem perceber outras delícias.

E a questão que considero a chave primordial:

A ACEITAÇÃO DO DESTINO

Já me manifestei a respeito. Uma das grandes causas de sofrimento no mundo é a falta de aceitação dos limites da existência. As pessoas podem passar toda uma um vida estéril, sem que o saibam, lutando contra a condição definitiva da existência: Seus limites. A morte nesta dimensão. Deixam de acreditar em outras possibilidades porque lutam ao não aceitarem os limites desta realidade.

Em síntese:

Para crescer precisamos matar simbolicamente o pai, a mãe dentro de nós. Conservando apenas o vínculo afetivo, precisamos aceitar a realidade da existência para aprender a não sofrer com as perdas e para não transformar a existência numa projeção da tragédia pessoal e conceitual do mundo.

sábado, 16 de outubro de 2010

PÁTRIA MATER



   de volta pra casa

"Minha pátria é a língua Portuguesa" F. Pessoa

FEED BACK
Meu Pai faleceu com câncer de bexiga em 2001, portanto estive com ele até meus dezesseis anos (já que ele faleceu em janeiro e faço aniversário em setembro). Como sempre fui muito tímida, embora tivesse um bom relacionamento com ele (tinha mais afinidades com ele do que com minha mãe), não havia intimidade, pois tanto ele quanto eu tínhamos a personalidade introvertida e reservada. Nunca fui de dialogar ou me expressar, tanto com ele quanto com minha mãe e principalmente com minha irmã. Ele era o único que tinha contato com os filhos. Depois disso nunca mais soube de nada dos meus parentes portugueses até cerca de um mês atrás quando minha sobrinha me encontrou através do MSN. Por vezes trocamos algumas palavras, mas não temos muito assunto para falar. Sempre me interessei muito de saber dos meus antepassados paternos e de aproximar-me dessa outra parte de família tão distante. Não sei se essas informações me seriam accessíveis. Nem todo mundo gosta de remexer no passado e fico sem saber como abordar o assunto sobre meus avós paternos ou sobre a vida do meu pai antes da vinda para o Brasil.

É preciso buscar e tentar. Sem tentar nunca saberá se o universo familiar se tornará acessível ou se permanecerá em equilíbrio distante. Aprenda a perguntar. E o outro... Que tenha a opção de responder ou de se calar. Essa atitude de colocar luz no passado é interessante. Se há o que esconder, mais luz precisará, maior a responsabilidade de aprofundar. Se não há o que esconder, não há o que temer. Mas um detalhe importante: Rapidamente você descobrirá que com carinho, cuidado, respeito, delicadeza, uma pitada de amorosidade, um pouco de sagacidade, muita paciência, e com o universo conspirando a favor, poderás ir longe, mais longe do que imaginas. E essa saga será preciosa, porque poderá descobrir não apenas segredos que deverão ser guardados e protegidos, mas a preciosidade e a riqueza de um passado ancestral. Não tenho dúvidas de que será uma busca preciosa na sua vida e na construção de sua história.

MENSAGEM PESSOAL

Como brasileiros, ou descendentes, somos conectados a linhagem portuguesa. Portugal é nossa pátria, e nossa Pátria não conhece fronteiras. Seja aqui ou além mar, ela é rica de cores, sabores, coragem e feita de poesia, mas é mais do que as outras porque ela é nossa pátria, nossa herança, nossa história. 

Eu posso lhe dizer: Quem sou eu sem a presença de Fernando Pessoa em minha vida? Aprendi a pensar me alimentando de sua prosa. Se sou o que sou, um homem que navega com norte, só o sou porque sou Pessoa, meu principio de lucidez, o término de minha solidão, meu alento, meu colo meu alimento de alma. Ah! minha cara! Não há como desprezar a riqueza de ter nas veias o sangue lusitano. Portugal está em nossas entranhas, em nossa formação, no sentimento, na emoção. Portugal é único. Nenhuma nação neste planeta conseguiu ser mais universal, e creio, é nossa grande riqueza. Nossa pátria é universal.

Navegar é preciso. Navegue, atravesse o oceano, o rio da vida. Faça o caminho de volta. Na tentativa de livrar seu pai do exílio a que se impôs. Chegue do lado de lá, na margem onde o passado encontra o futuro e descubra sua história, sua família. E... Se acolhida, respire aliviada, se não encontrar guarida, prossiga sua vida de forma plena, com a certeza de ter feito o melhor.

A VIDA AGRACIA OS QUE SE EMPENHAM EM REALIZAR SEUS DESÍGNIOS

By.

domingo, 12 de setembro de 2010

MATER, MATRIZ DA SINGULARIDADE

    Eugéne Delacroix - A Liberdade Guia do Povo ,
1830 - Paris, Musée du Louvre
Carla

Em segunda instância eu estava com minha mãe dormindo num local desconhecido quando acordei e percebi que algo estava estranho. Nisso apareceu um louco e minha mãe acordou. Com medo reconheci que era o sujeito procurado pela polícia, pois ele andava matando todos os cachorros que encontrava na rua e retalhando-os com uma faca. Fiquei encolhida com medo. Ele bateu com um pau na minha cabeça e fez o mesmo na minha mãe. Pensei que fossemos morrer. Nisso minha mãe deu-me força e disse que ia ficar tudo bem, pegou um outro pau maior ainda e começou a bater nele. Fortalecida com a atitude da minha mãe, eu que ficara encolhida temendo a nossa morte, peguei outro pau e comecei a ajudá-la. Ele desmaiava e voltava a acordar como que possuído por forças malignas. Acordei assustada.

Esse sonho também apresenta um contraste com os anteriores: minha mãe tomando a postura de agir, de buscar defesa, me oferecer proteção e apoio. Ela seria minha mãe interna, ou melhor, meu lado mãe?

Em postagem anterior “Observações Fenomenológicas”, se não me engano, que merece ser relembrada, alertava para a importância da atitude pró-ativa nos sonhos. Aquele momento, melhor, aquele “Instante” em que o indivíduo supera as amarras, os grilhões, e não se permite mais ser humilhado, pela ousadia, pelas chibatas da Força que subjuga, e que se impõe por permissão e por medo.

Eu pessoalmente me fio na importância e referencia da dignidade, da honra para fazer nascer a coragem que nos eleva a um estágio mais avançado de consciência.

Se sonho anterior manifestei a tendência de sua superação, neste sonho a dinâmica se mostra, e de forma importante a partir da representação da sua mãe.

Veja que isso pode ser muito interessante: Enquanto você, sem o saber, projetava suas mágoas e ressentimentos na sua imagem de mãe em decorrência dela não atender suas expectativas, a imagem incorporada dessa mãe era ausente. Você seguia como vítima e filha abandonada. Produzindo no seu interior uma desconstrução de sua personalidade e individualidade. Você se induzia o fracasso, se boicotando. Sua recompensa, como num ciclo, viciado. Era a justificativa que lhe bastava para culpabilizar mãe e irmã, apenas colhia mais ressentimento, angústia e baixa estima.

Já lhe indiquei isso. Um ritual de imolação. A sua forma de se sacrificar. “Se derrota, mas lhes impinjo a culpa”.

E à medida que realiza sua reflexão, abandona a desconstrução e trabalha o renascimento.

O sonho é isso: a mãe aparece como deve aparecer: Como Mãe. A mãe que lhe gestou, que lhe deu a vida, que a alimentou com o leite sagrado, cuidou, educou, corrigiu, e protegeu. Mãe divina, matriz da vida, símbolo sagrado do universo. E é essa a mãe que lhe mostra a reação, com a coragem que se deve ter, sem o medo que aprisiona, e que inicia o processo da resposta afastando o mal.

Enquanto pensava que digitava a palavra coragem, digitei coração. O afeto, o amor.

O sonho poderia ser compensação da mãe abandônica, poderia, mas não acredito que o seja. É sonho de confronto? Não creio! É mais envolve a sintonia entre o conteúdo arquetípico e sua dinâmica, sua forma de sintonizar suas forças, e a psiquê, através do arquétipo, se integra e lhe protege.

É sábio fortalecermos nossos pontos de poder, é pouco sábio minar nossos centros de poder. Fortalecer os centros de Poder significa Aglutinação Psíquica, e essa aglutinação conseguimos com a ação dos arquétipos, mas para isso precisamos nos alinhar com o nosso interior, renunciar ao fractal, ao inconsistente, disciplinar a conduta, se apoia na verdade, abandonar os velhos hábitos ineficazes do passado.

Como Mulher você traz o destino marcado de geratriz da humanidade. Destino Sagrado, nem sempre compreendido. E graças à generosidade do universo, carregamos esse espírito de luz dentro de nós, muitos são os que o aniquilam, muitos descobre a fonte da Mãe Divina.

Enquanto a luz não vem, que venha a mulher guerreira, estágio anterior do desenvolvimento. Aquele em que enfrenta os desafios, a injustiça, a maldade, que luta pelos direitos, não porque assim se coloca em risco, mas para aprender a se afastar dos perigos.

Posteriormente, descobrirás que esta etapa precisa também ser superada, mas aí é outro estágio na evolução

Sem dúvida eis um aspecto positivo, herdado de sua Mater.

Ah! uma dica especial:

Vá até sua mãe,
lhe dê um abraço, 
e conte-lhe que ela salvou voce de uma situação de perigo no sonho,
 e agradeça-a afetuosamente.
Não fale muito, é coisa de gestos e silêncio,
 para ser entendido.
Vai ser emocionante!

Faça isso por você!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CAPÍTULOS DE UMA ESTÓRIA SÓ 3


  
2. Creio que depois de mais um monte de sonhos, antes de acordar tive este ultimo: eu estava numa espécie de chácara, acho inclusive que era a minha com algumas diferenças, quando olhei minha tia ‘Pituca’ construindo uma casa. Achei estranho a diferença do lugar e o fato dela estar construindo ali perto, pois até então ela só estava mexendo com construções em Caldas Novas. Estranhando aquilo percebi que eu estava olhando uma enorme tela de televisão que era muito nítida, plana e moderna. Imediatamente perguntei para minha mãe de quem era aquela televisão e ela falou que não sabia, que deveria ser de minha tia ou irmã. Achei estranho, pois nenhuma das duas estava ali no momento para ter levado junto a televisão.

Nisso um carro queria estacionar ali perto da casa e um garoto desligou a televisão e apertou num botão fazendo-a reduzir de tamanho a ponto de caber numa gaveta. Acho que era um aparelho bem mais moderno do que os atuais. Nisso ele chegou para a minha mãe e perguntou onde podia guardá-la, ficando visível que a televisão era dela. Nessa parte do sonho as pessoas já haviam descido do carro e aproximado da mesa que estava com alguns petiscos. Irritada eu disse para minha mãe: ‘Eu sabia que era mentira’ e as pessoas me olharam. Sem me constranger eu continuei a fala: ‘Ela sempre mente. Se ela compra uma caneta mente para mim que achou na rua’. As pessoas pareceram dizer o seguinte pela expressão facial: ‘O que você tem a ver com as compras da sua mãe?’ Essa parte da caneta é algo real que de fato aconteceu e minha mãe desmentiu na maior inocência tempos depois sem lembrar que houvera me dito anteriormente que a encontrara na rua. Sempre fui muito econômica, mas nunca achei que as mentiras fizessem diferença, pois em geral fico desconfiada perante uma e, depois do gasto executado, prefiro sofrer com a verdade do gasto a ter que sofrer com a perda de confiança que a mentira gera em mim. Eu não estava preocupada com a gastaria de dinheiro naquele momento, mas sim com a verdade. Irritada eu retirei-me da mesa e um tanto sem preservar os bons modos disse em bom tom jogando um pedaço de pão que ia comer e desistira sobre a mesa: ‘Ah, querem saber, eu vou ficar com a minha turma’. Mas todos ali sabíamos que não havia mais ninguém nas proximidades do local, ou seja, quis deixar claro que eu ia ficar sozinha, pois ninguém pensava como eu ou se importava com a maneira de eu pensar. Eu saí voando como se estivesse galopando sem cavalo e enquanto sentia o vento passar pelo meu rosto apreciava aquela maneira divertida de me locomover. À parte do pasto estava plantada com um bonito milharal até a metade exata do terreno. Ali havia uma cerca e acima desta continuava sendo o pasto sem nenhuma plantação, ou seja, havia aumentado a parte de plantação e diminuído à parte do pasto. No que aproximei da cerca vieram vários homens com espingarda. Fiquei apavorada tentando fechar a cerca, mas não entendia porque queria fazer aquilo, pois eram vários homens contra uma mulher e, além do que, se eles realmente fossem atirar, uma cerca de arame farpado não era proteção nenhuma. Fiquei ali até conseguir fechar a cerca enquanto eles discutiam se atiravam em mim ou não. Pareceu-me estranha aquela discussão e não pude entender ao certo o que eles estavam querendo, mas o fato de não atirarem em mim fez-me sentir uma sensação de poder sobre eles. Um deles chegou a dizer ‘Ela não’ para o mais próximo de mim que quase encostou a ponta da espingarda na minha cabeça. Era como se eles temessem fazer algo comigo e isso pareceu aliviar meu medo. Adentrei pelo milharal ainda voando a galope rapidamente e já distante subi voando sobre a plantação até chegar no local da casa. Lá eu alarmei uns homens, que pareciam peões, que havia intrusos na área e daí acordei. Achei muito interessante esse sonho pelo contraste entre ser falsa e receber a falsidade. Eu admiro a verdade expressa com coragem e vivo na meta-tentativa de não ser falsa, conseguindo assim expressar o que penso e sinto de forma natural, simples e espontaneamente. Parece que o sonho fez-me sentir com mais precisão o fato de que a verdade é menos cruel do que perda de confiança que a mentira gera, mesmo que essa mentira seja para preservar o lado emocional do outro. Além do que, no sonho eu fui capaz de dizer o que pensava e sentia mesmo a custo de sofrer rejeição e desaprovação. Eu mesma me retirei do ambiente e até aí o sonho pareceu-me repleto de sentido. Mas daí eu não entendi a parte dos homens armados. O que lhe parece?
2º Sonho
Relação complexa é a que envolve Mãe e Filha. Possivelmente a mais complexa das relações. Supera qualquer outro tipo. São de natureza feminina. Competitivas, se protegem, se amam e precisam se diferenciar, uma da outra, para constituírem-se como individualidades plenas, ou seja, precisam se aniquilar simbolicamente. Amor e ódio, simbiose e separação, identidade e diferenças (não são clones), apego e domínio. Neste sonho parece-me que você consegue superar a força da repressão e da castração e já consegue expressar seus pontos de vista, sua forma de conduzir sem medo. Você se sente confrontada e consegue ensaiar uma intervenção sem medo de perder o amor da mãe, sem medo de desafiar a mãe, sem medo de se mostrar como você é, e o que pensa. Esta primeira parte você compreendeu.
Quanto à sequência pode estar ligada ao desafio que você incorpora. Crescer significa abrir mão de facilidades, proteção, confortos e atravessar o portal do Voo pessoal. Mergulhar no espaço e voar; Ter que encarar desafios, medos, se defrontar com confrontos, com o desconhecido, desconfortável, com o perigo, com as ameaças, os mal entendidos, a competição o mundo, o imprevisível. E isto significa ter que desenvolver novas atitudes, encontrar forças para não fugir como um "fraco", se fortalecer como guerreira, superar as fragilidades frente à força do “outro”, aumentar o universo de respostas possíveis, olhar o desconhecido, inimaginável e surpreendente da realidade armada e ameaçante.
Por outro lado há no ato de voar uma recorrência significativa. Seja de avião (com instrumento auxiliar) seja sem o instrumento, seja na presença de Porto Aéreo, é interessante observar se este voo como, atitude recorrente, não signifique uma fuga de  realidade através do imaginário e de compensação através da idealização, ilusão, fantasia..
E tudo isso só é possível como resultado de suas conquistas, de seu trabalho pessoal, de suas plantações, de suas transformações. Crescer, amadurecer, deixar de ser a filhinha da mamãe para ser uma mulher “ao mundo”, com a consciência plena de seu tamanho, de sua força, de seu poder. 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

CONFLITOS

...eu estava conversando com uma mulher ainda jovem que foi me procurar querendo um conselho. Ela estava grávida do marido, mas eles estavam brigando muito e ela havia se apaixonado pelo médico que estava fazendo seu pré-natal. Ela queria saber se trancava a faculdade, pois estava tendo muita dificuldade de conciliar os estudos com a gravidez. Disse-lhe que naquele momento sua prioridade era a saúde sua e do bebê, aconselhando-a assim a trancar a faculdade.
Depois eu já estava com um rapaz que gostava muito de mim e estava tentando me conquistar. No sonho estávamos juntos não como namorados, mas como amigos bem íntimos. Daí ele me levou para almoçar. Ele era dono de um local que se dividia em um restaurante, uma lan house e um supermercado nessa exata ordem. Ele me explicou que o estabelecimento todo recebia o nome de lan house exatamente porque esta era a menor parte entre o restaurante e o supermercado. Quem passasse por ali não imaginaria o enorme restaurante e supermercado que havia por trás da fachada de uma lan house que parecia gigantesca e, em verdade, era bem pequena.

Vamos ler o sonho:

• Você escuta e aconselha uma mulher grávida que vive um conflito com o marido enquanto sonha com o “príncipe” e apresenta dificuldades para fazer suas escolhas, entre o que a realidade exige dela (cuidar da gestação) e o que ela tem de projeto para realizar(completar os estudos);

• Você é conduzida por um “amigo” “intimo”, apaixonado, bem situado na realidade prática da vida, que lhe apresenta suas conquistas e seu poder de realização.

Este primeiro item mostra uma postura madura como conselheira, objetiva, sabendo priorizar, bem postada na realidade, o conflito subjacente entre a tendência a se deixar  levar pelas fantasias amorosas, o conflito com a figura masculina e a dificuldade de definir escolhas que podem lhe ser favoráveis.

A tônica do sonho é absolutamente consistente: Escolher o afeto ou se comprometer com escolhas objetivas dentro da realidade?

Na novela Caminho das Índias, um tema muito interessante foi o conceito da união no casamento indiano. Eles privilegiam a união a partir de interesses, deixando que o afeto nasça na convivência e na intimidade do casal, enquanto que os ocidentais privilegiam inicialmente o romance (pagam prá ver) para posteriormente cuidarem das questões práticas. Para o ocidental nada mais natural do que fazer escolhas cuja referência sejam emocionais, conuzios pelo encantamento, pela ilusão, pelas pulsões do desejo, pelo “amor”, pela paixão.

A realidade mostra que se deixar se levado pelo encantamento pode ser absolutamente inebriante. O que define a escolha é o poder do outro de nos levar numa viagem alucinante no universo das sensações. Até aí tudo bem. Mas em geral pode ficar mais difícil conciliar os interesses, já que as cobranças podem ser avassaladoras. Enquanto que relações construídas inicialmente em vínculos de amizade em geral permitem menos mistura, pouca transferência (paixão pelo médico), menos despersonalização, menos submissão, menos domínio.

Sabemos que príncipes podem se metamorfosear em Sapos e Sapos podem realmente serem sapos, mas têm a possibilidade de se transformarem em príncipes. Pensando bem, já vi muitos príncipes e princesas, no dia a dia, se desnudando e mostrando que não passam de grandes farsantes.

Esta reflexão me remete a outra: O que você procura na vida? Amar ou ser amada? A tendência é querermos os dois, mas isso é resultado do crescimento e amadurecimento dos envolvidos na relação. O discurso amoroso muitas vezes é enganador. O amor pelo outro pode ser apenas “o amor que sentimos pela nossa capacidade de amar” , e nos permitir sermos amados é um duro trabalho de aprendizagem.

Neste sonho vejo um avanço nas relações entre conteúdos de origem masculina e feminina. Em sonhos anteriores localizamos conflitos dessa natureza, mas parece-me que ocorreu diminuição dos conflitos e aproximação de naturezas opostas.  O movimento e a paixão do amigo por você, e a dinâmica de paixão da mulher pelo médico. ( Ambos sinalizam movimentos de vinculos e de proximidade). Isto é importante para que possa ocorrer a integração de conteúdos de natureza opostas.
Seria interessante voce observar se os sonhos de gravidez (recorrentes) ocorrem no seu período de maior fertilidade mensal, ou  se antecedem este  período. Se o antecedem podem, significar alerta na prática sexual, proteção para não cometer erros de estratégia, ou podem sinalizar desejos e realizar esta sua natureza materna e insegurança por conta de relações instaveis.

sábado, 3 de outubro de 2009

INÊS



Eduardo, meu nome é Inês e eu gostaria que você fizesse uma leitura ou análise de um sonho meu. Sei que havia muito mais detalhes, diálogos e cenários, mas o que ficou na minha memória eu descrevo: Muito chão de terra, pessoas amigas que não se parecem com as que conheço, mas com as quais mantenho diálogos. Eu dirigindo um carro novo e dando carona para amigos, muito feliz por ter conquistado esse carro, atravessando estradas em campo aberto de terra, como numa paisagem meio árida, mais parecida com uma campo de obras onde se construiria algo novo. Num segundo momento estou num terreno com plantas e árvores como se fosse um sítio, separado e bem cercado, outras áreas loteadas, espaços delimitadas. Converso com minha vizinha do terreno ao lado, e estou dando alguma orientação a ela, nós duas recém proprietárias. Eu estou trabalhando na terra, não sei se plantando ou só cuidando. Um clima de alívio e leveza, como se eu estivesse finalmente recebendo algo devido a mim. Não me passou qualquer idéia de riqueza ou exageros, mas de finalização ou fechamento. Predominância de figuras femininas, diálogos, projetos. O resto se diluiu e não consigo mais me lembrar. Será que dá para se fazer uma leitura? Me pareceu relevante, pois era tudo muito definido.Obrigada.

Cara Inês, Terra princípio de realidade. Você foi perspicaz na compreensão da imagem do ICS, carro novo vida nova, estado de mudança para o novo, metamorfose e transformação de libido, de energias de momentos, de estágio. Apesar dos “Auto-Móveis” terem existência recente na história dos seres humanos (considerando que a espécie existe há pelo menos 1 Milhão de anos, os auto móveis existem há 100 anos e os veículos há uma dezena de séculos) Precisamos entender que eles passam a existir a partir da rolagem do círculo, a criação da roda, e é claro que isto representou uma mudança de estágio da consciência humana, uma aquisição, um acréscimo. Neste aspecto o veículo em geral é associado ao corpo, à medida em que a conquista da consciência também significa uma separação do corpo. Para entender: se antes éramos um corpo sem consciência com o surgimento da consciência surge um ente que ocupa o corpo e que é um pouco mais do que este corpo ( é um ser, um espírito, uma consciência, uma alma) e o corpo o veículo que transporta este ser transdimensional. Daí a relação imediata entre carro e corpo, carro novo, corpo novo. Como o corpo é o mesmo podemos relacionar a um processo de atualização, reconfiguração, frescor de novos ares, nova compreensão, mudança de consciência. E a seqüência confirma o novo estado de realidade, ocupação da terra (ver Glossário), retorno ao princípio, à origem, terra, principio de realidade mas conteúdo feminino, delimitação de espaço, formação de fronteiras, trabalho, atitudes, posicionamento, realidade. REAL IDADE. Seja bem vinda aos novos tempos, novos momentos, nova consciência, nova realidade.

domingo, 30 de agosto de 2009

MANIFESTO 2

(continuação)

Mais adiante você escreveu: “Emocionalmente você é susceptível à condição precária de maternidade, e essa fragilidade está relacionada ao medo de sofrer num cenário de semelhante, à identificação com essa condição pessoal na sua história ou a uma natureza de auto comiseração que você possui, neste caso é necessário fortalecer sua auto-estima e trabalhar a aceitação das realidades desfavoráveis”. Fiquei chocada ao ler isso, pois nunca imaginei que um sonho pudesse refletir algo tão real de minha individualidade e jeito de ser. Meu único e maior medo é o desalento e a pobreza, independente de estado maternal. Sou muito preocupada com as situações desfavoráveis e muito sensível a isso. Tenho super dificuldade de ir a locais como asilos e hospitais, pois fico muito engasgada e com vontade chorar. Sofro muito quando vejo mendigos e pessoas em situações precárias, seja de dinheiro, saúde ou afeto, principalmente porque me julgo limitada e não consigo fazer nada para ajudar ninguém. A sensação nítida é de me ver e sentir-me no lugar daquela pessoa e se ficar muito perto chego a passar mal.Ao dizer “...essa realidade é apenas a sua escolha, que te faz diferente do outro, nunca melhor. A prioridade é o coletivo” ficou-me uma verdadeira alerta. Meu maior defeito é ser egoísta e muitas vezes realmente me julgo melhor do que os outros pelas minhas escolhas de ser e viver. Na vida real não me julgo melhor que ninguém, mas acho que sinto isso interiormente. As perguntas: “alguma associação com seus 8 anos? Existe uma criança na sua vida? Sutilmente, a imagem de mãos dadas com sua amiga é fraterna ou como Girl Friend? Existem desejos latentes por iguais que acionam conflitos? culpa?” Sinceramente achei difícil pensar sobre isso, pois pouco lembro dos meus oito anos. Não tenho filhos e nem tenho proximidade com nenhuma criança. Acho que o sonho reflete a necessidade de amizades fieis e intimas, algo que realmente não consigo estabelecer, mas que sempre desejei. O tipo de amizade em que você considera o outro como um verdadeiro irmão ou irmã. Ao dizer-me: “Você está misturada, indiferenciada e conturbada de informações e fantasias... Há sinais de que você se deixa levar, ser conduzida, sem entender muito ‘o que’ acontece, como se quisesse se desobrigar da responsabilidade de se conduzir, como se cansada até mesmo de se ouvir.”. Realmente faz sentido, pois vivo o tudo na fantasia e o nada na realidade. Sou uma pessoa acomodada que adora ser levada e guiada pela vontade da vida sem fazer planos para com nada. Tenho certeza de que não conseguiria ser diferente, até porque, independente disso ser uma maneira errada ou certa de viver, não tenho vontades de mudar e, por conta própria, comandar a vida. Prefiro deixar ela me comandar. Sempre me sinto acovardada diante da vida. Quanto à frase: “a alegria e o prazer encontrados na religiosidade sinalizam a possibilidade da prática religiosa favorecer o conforto” é muito verdadeira, pois a religiosidade é minha maior, senão única, fonte de conforto e segurança pessoal. Não tenho religião especifica, pois sou eclética e acho todas importantes com seus pontos positivos e negativos. Estou feliz em saber tudo isso, pois nunca pensei de fato que os sonhos pudessem ser mensagens do inconsciente e refletir tão certo e vivo o nosso mundo interior. Desde já muito obrigada. Vou prestar mais atenção nos sonhos, pois agora eles me fascinam muito mais. Existem noites que sei que sonhei e não lembro, mas noutras é como se eu não houvesse sonhado. Existe diferença, ou seja, é possível não ter sonhado, ou tudo é apenas esquecimento? Espero que não seja incomodo continuar tendo sua ajuda para entender meu mundo onírico. Será que algum dia eu mesma terei condições de auto-analisá-los?