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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

REFLEXÔES SOBRE IDENTIDADE E SEXUALIZAÇÃO


Aquiles Tentando Pegar a Sombra de Pátroclo
Henry Fuseli -Museu de Arte Zurich- XIX


A transmutação do menino em menina, mulher em homem, ou correlatos de transmutação como menina em menino, homem em mulher no Post “Castelo, defesas e Andróginos” pode indicar conceitos formais e rígidos ou aquela necessidade de classificar a ameaça em realidade padrão para se enquadrar no confortável. enquanto vive-se misturado na falta de identidade, como Andrógino. Desta forma a psique se adapta e protege o sujeito de transtornos mentais, Isto é, enquanto se busca o enquadramento numa determinada identidade ou vive-se perdido no conflito da falta de identidade deixa-se de perceber que se vive a androginia de origem. A natureza ambígua de que somos resultados, a múltipla origem. A natureza se aconchega nesta androginia enquanto trabalha para unificar os opostos evitando elevação dos conflitos e consequentemente de polarizações que resultem em configurações desastrosas para os mecanismos psíquicos.

Daí a elevação de defesas e resistências que protejam o sujeito do impacto devastador causado por ausências de referências, exclusões e o não estabelecimento de identidades consistentes. Daí a imagem psíquica ser construída como imagens assexuadas. A sexualidade é apenas simbólica ainda que os orgasmos possam ser reais. O individuo fica protegido na estrutura do narciso que ama seu reflexo.

A identidade não se resolve na mudança física ou material, na natureza imutável de nossa origem, mas na integração entre o masculino e o feminino. A natureza formal seja de preponderância masculina ou feminina se completa na integração dos conteúdos opostos internamente, integrando na unidade as características de um ou do outro sem a preponderância de um sobre o outro.

Escuto transexuais se dizendo internamente femininos, como a justificar em suas intenções de opção sexual. Sem que percebam agem estimulando a preponderância interna de um conteúdo sobre o outro (masculino/feminino), contrariando a necessidade de integração dos opostos internos, que são inevitáveis.

Simbolicamente, masculino e feminino, na psique não são macho ou fêmea. A feminilização ou masculinização no contexto sexual dos conteúdos internos contraria a natureza bipolar da origem, a natureza diferencial e promove o conflito que determina a sexualização conceitual do simbólico.

Como seres transcendentais e simbólicos a natureza física é apenas a singularidade manifesta de uma origem que busca se realizar independente da forma. O individuo de natureza masculina ou feminina que se transveste no oposto, não precisa “Se Sentir” como Mulher ou como Homem internamente, isto serve apenas para o “público” no entorno.

Para manter-se emocionalmente saudável inevitavelmente, o individuo precisa se sentir como individuo, pessoa, um “SER” que antes da sexualidade formal ou informal dentro do social se perceba como um “SER” de múltiplas características em busca da unificação de sua múltipla natureza, que lhe permita a integração plena como singularidade e a sua realização plena como existência.

Tentando ser mais claro:

Podemos projetar no mundo aquilo que desejamos como identidade, a forma que escolhemos como mediadora na relação com o mundo, o projeto que queremos na vida como homem ou como mulher, a compensação ou afirmação do que pensamos ser, e este é um direito inalienável do sujeito como entidade social e coletiva, mas internamente o individuo não precisa se reafirmar de uma forma ou de outra. Ele pode ser apenas o sujeito que simbolicamente escolhe como quer parecer “Ser”, mas trabalhando para não permitir a preponderância interna de uma natureza sobre a outra, já que as duas são essenciais e imprescindíveis. Caso contrário viverá a batalha do tormenta entre ter que se reafirmar como forma sendo bombardeado por conteúdos que em busca de afirmação trabalharão permanentemente para sobrepujar-se ao domínio de outra natureza tão imprescindível e fundamental quanto a si.

Se este movimento de proteção interna não se realizar, pode-se chamar o acontecimento como a sexualização do simbólico, do conceito e da significação do existencial. É querer que o conceito macho ou fêmea, transforme o símbolo sexualizando-o como macho ou fêmea, o que é reduzir a natureza à imagem que a representa. A imagem não pode sobrepujar a natureza, o seu sentido e conteúdo. A imagem interna configura a representação do sujeito e não sua sexualização.

O homem ou a mulher que se transveste de “outro sexo” para realizar o seu desejo ou para atender ao seu conceito, continuam a ser simbolicamente aquilo que sua configuração original definiu como “SER”. Um fenômeno de múltipla natureza que se realizará como unidade na unificação de seus opostos.

Assim, o se permitir homem ou mulher, ou homem e mulher, ou qualquer outro tipo como hoje se experimenta, não transforma aquilo que a natureza do sujeito configura. O individuo para seu conforto poderá tentar ser “um” ou “outro” porque pensando assim se protege, se defenda e se conforta num modelo padrão onde se assume nos seus desejos e na sua tribo, e naquilo que se permite ser. Mas essencialmente continuará a ser aquilo que todos somos:

Seres originados do masculino e do feminino, de natureza dupla, ambígua que nos impõe a tarefar de unificar para que rompamos a dualidade dessa natureza ambivalente.

Ψ

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O SEGREDO REVELADO











Num segundo sonho eu estava trabalhando num local diferente e fui lanchar num pomar junto de algumas “colegas” que me levaram até um pé de jabuticaba que estava começando a dar frutas, mas estas ainda estavam levemente verdes. No que procurava uma jabuticaba madura, apareceu alguém me chamando a pedido de uma jovem que eu sabia não gostar de mim. Nervosa disse-lhe que eu tinha quinze minutos de intervalo para lanchar e que até poderia ir atender ao chamado, mas que eu retornaria para cumprir meu horário ao qual eu tinha direito. Depois de impor isso aceitei ir ver o que a jovem queria comigo e três das “colegas” acompanharam-me segurando em meus braços e dizendo que iam junto para me apoiar. Ao chegar perto de um dos departamentos do local, antes de adentrar nele, pedi para que me soltassem (já estava incomodada), pois eu precisava e queria liberdade para agir e me expressar. Era como se eu quisesse dizer que sabia e queria resolver a situação sozinha. Existia em mim um nervoso manifestado em atitude, mas ao mesmo tempo essa atitude se manifestou em forma de serenidade. Ao entrar a jovem começou a conversar comigo em tom desafiador enquanto usava o celular como se fosse um dedo em riste na minha cara. Calmamente, mas em tom enérgico, disse que ela não precisava de colocar aquele celular na minha cara para mostrar-me sua razão, pois ela podia fazê-lo usando sua moral, algo que eu sabia que ela tinha dentro de si para travar um diálogo civilizado. Eu não estava ali me defendendo, mas retirando-a da situação de vítima que ela mesma se colocara ao me fazer ser a vilã. Disse-lhe que cada um é responsável pelo que acontece consigo próprio, que cada pessoa tem a situação que procura e merece, que eu não tinha nada contra ela, que queria-a bem e, dentre outras coisas que não recordo, pedi-lhe desculpas (embora não houvesse um motivo específico para tal) buscando proximidade. Ela pareceu sensibilizada como se eu houvesse desestabilizado sua ira e desestruturado sua razão. Nos abraçamos e notei que as “colegas” que esperavam briga ficaram sem entender nada. Senti que nosso entendimento era sincero de ambas as partes e na sequencia ela disse que tinha um segredo para me mostrar (ao invés de contar). Poderia ser uma armadilha, mas eu confiei nas minhas próprias sensações de que estava tudo bem e corajosamente acompanhei-a. Chegando num outro local ela me mostrou um chuchu. Eu não entendi que segredo existia num chuchu. Como se estivesse sem coragem de dizer, ela pegou dois bonecos de pano e colocou o boneco menino na frente da menina. Somente então eu fiz a ligação do chuchu com o órgão sexual masculino e entendi a mensagem: ela em verdade era um homem e, naquele momento, sabia que eu não ia condená-lo.

Fiquei curiosa para saber o que esse sonho desvenda em relação ao meu lado anima e animus.



Podemos ver o princípio de realidade assimilado e incorporado através do conceito de trabalho. Ainda que seja também sinal de esforço e de nível elevado de tensão. Mas há equilíbrio já que o momento indicado é de “intervalo”, “repouso”, lanche.

Frutos indicam abundância, bons momentos, nova estação. Tempo de colher o resultado do trabalho.

Há algum tempo atrás me referi ao conceito de resignificação para ampliar a compreensão de certos mecanismos psy. Neste sonho podemos celebrar a transformação de atitudes e a sua diferenciação de conteúdos autônomos que anteriormente exerciam elevado grau de poder na definição de seu comportamento.

Onde antes havia reatividade, após a introdução e consolidação de novos conceitos e de sua resignificação em sintonia com sua idealização agora prepondera avaliação do momento, do cenário, diagnóstico. Onde existia reatividade compensando passividade e omissão agora se manifesta atitude adulta, tomada de posição. Onde preponderava o conflito e a agressividade agora a referência é de diálogo. Onde havia mistura agora surge a diferenciação.

O resultado na dinâmica psíquica é sensacional! Frente todas as dificuldades o resultado de suas mudanças agora incorporadas, visivelmente, através de atitudes e posturas, pela psique é esplêndido.

De um ano e meio para cá, parece-me que você deu um salto. E se até agora não percebeu isto no seu dia a dia, não tenha dúvidas de que saborearás essa conquista por longo tempo.

Já é possível ver que há uma coerência entre o que você pensa e sua atitude como sonhadora, seu espelho psíquico interior.

Há a tomada de atitude, a colocação de limites e a escolha pela busca de solução do conflito. Não há escape, fuga, medo, desvio.

Mas como o sonho lhe confronta, lhe desafia naquilo em que era seu ponto de fragilidade, de indiferenciação e mistura, sua capacidade reativa, não podemos esquecer que o conteúdo do confronto contido na representação da “garota” ainda está presente.

Você pressente o perigo e a armadilha. É correto e adequado. É preciso vigiar até que este conteúdo seja dissolvido, como conteúdo autônomo e que possa ser incorporado como fonte de energia que liberada possa lhe servir de utilidade para a realização de seus propósitos. Você desconfia, mas confia em si mesma para enfrentar a proposição do “outro”.

Mas o “acordo” é indicativo de neste round você foi vitoriosa.

O Segundo confronto surge na aparente cumplicidade expressada e do segredo confiado.

O SEGREDO REVELADO II






“ela pegou dois bonecos de pano e colocou o boneco menino na frente da menina. Somente então eu fiz a ligação do chuchu com o órgão sexual masculino e entendi a mensagem: ela em verdade era um homem e, naquele momento, sabia que eu não ia condená-lo.”

Podemos pensar em anima como alma, sopro, movimento. Anima como arquétipo está para o homem assim como animus está para a mulher. A anima é o arquétipo do feminino, a alma feminina que encontramos no homem e o animus é o arquétipo masculino, a alma masculino que encontramos na mulher. A anima é conteúdo feminino ou resíduo vinculado a esse conteúdo no homem, e o animus é o correspondente na mulher. Como mulher você possui animus, uma alma masculina, um arquétipo “masculino” que contém esse masculino.

Um boneco com um “chuchu” na frente pode indicar a materialização da fruta, do fruto, uma boneca pode indicar a cornucópia da abundancia feminina, a necessidade do phalo, da fertilização, da frutificação. A mensagem que você “entendeu” foi a mensagem que você projetou como compreensão.

O chuchu é um fruto e popularmente se compara o chuchu com a fartura e com a licenciosidade feminina, com o fogo morro acima, com a água morro abaixo. A imagem da figura masculina e feminina, frente a frente, pode indicar as naturezas opostas, diferenciadas e que precisam ser consideradas em suas singularidade.

Seria bom saber: O que é um chuchu para você? O que representa? O que ele pode significar na sua história? Qual lembrança lhe surge? Que valor ele tem? Você brincava com o chuchu fazendo-o de falo? Ele tem uma significação especial em sua vida? Há em você preconceito contra mulheres que ajam como homens? Que funcionem como macho? Que se sintam atraídas por dominar mulheres? Mesmo que já tenhamos abordado a questão da homossexualidade fica a reflexão.

Essa referência à masculinidade pode estar relacionada à atitude arrogante e dominadora no momento anterior ao sonho e parece-me bem semelhante com a postura que sua irmã utilizava para exercer o domínio sobre você.

Neste aspecto o comportamento é tipicamente masculino, ou feminino castrador, e o segredo desvendado é o de que esse masculino era apenas uma tipificação do masculino, como um fruto que se pareça com um pênis, e não o masculino autêntico, uma criação para te enquadrar num comportamento socializado, mais adequado aos padrões de conduta do feminino, reduzindo seu comportamento revoltado, imprevisível e dominador às condições sociais mais aceitáveis.

O segredo desfeito te liberta da camisa de força a que foi submetida em seu processo de formação.

Eu sempre penso que o mais é sempre melhor do que o menos. É preferível mais limites que menos. E se encontrando como adulta você tem mais possibilidades de se libertar dessa camisa de força do que aprender a dominar a selvageria da ignorância e da revolta presunçosa e prepotente originada de idade infantil e de adolescência.

Olhando por este lado o sonho retrata uma mudança de postura e a consolidação de atitudes mais amadurecidas, e o segredo pode estar sendo desvendado. Você conquista o direito do segredo revelado.





quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

FEMINA IN NATURA


  

Num segundo sonho eu entrei eufórica (esse parece ter sido o sentimento permanente) em casa e comecei a cumprimentar as pessoas deixando-me ser levada pelo meu ímpeto, ou seja, agindo com espontaneidade total. (Será?) Eu as cumprimentava dando um abraço e, ao chegar na minha mãe, beijei-lhe as mãos. Eu me sentia impressionada pela agilidade com que conseguia fazer aquilo, principalmente por ser uma postura desejável, mas incomum para mim. Não eram abraços de quem expressa afeto, mas de quem se faz educado. Era como se eu já não fosse a mesma pessoa e quisesse demonstrar e vivenciar isso. No entanto, minha mãe recriminou-me em voz alta dizendo para eu agir do meu jeito normal. Senti-me repreendida de maneira explícita na frente de todos e respondi que estava agindo de modo natural e que tinha meu direito de agir com espontaneidade. Senti que para conseguir ser afetuosa e educada cumprimentando a todos de uma forma satisfatória eu tinha que agir por impulso, antes que minha mente neurótica viesse à tona com suas recriminações, exatamente como minha mãe fizera. Foi o que fiz e, consequentemente, agi de modo completamente diferente e não normal para minha postura reservada que tende a cumprimentar os outros no máximo com um sorriso e um “oi”. Embora ainda houvesse dificuldade por trás daquele impeto de agir diferente, era aquela a postura idealizada dentro de mim. Se abraçando para cumprimentar os outros eu me sentia mais educada e deixava a vaidade aflorar, essa naturalidade era espontânea não do meu jeito normal de ser, mas de uma crença que produzia a idealização. Quem estaria com a razão: eu ou minha mãe? Daí fiquei em dúvida entre agir com naturalidade ou com normalidade. Acho que sempre estive em conflito com essa parte materna que reina dentro de mim.



Em princípio podemos pensar em sonho compensatório, mas é pouco. Ainda que o sonho compense a realidade não afetiva em transição para uma condição de espontaneidade e afetividade, penso que isso não contempla o significado pleno da mensagem onírica.

Mas o que?

A euforia ainda que indique polarização e presença de conflito, sinaliza um estado de elação e interação nas relações pessoais. E esta interação pode indicar a canalização de energia liberada, dos conteúdos autonômos bloqueadores, para as relações interpessoais e afetivas.

Isto não é pouco, principalmente se considerarmos que sua carência indicava, em passado recente, uma demanda por afeto, a repressão afetiva, uma certa incapacidade de interagir afetivamente, respostas reativas e de manifesto agressivas. Tudo isto podendo ser traduzido para um bloqueio afetivo associado a dificuldades de estabelecer relações baseadas no afeto. Energia Bloqueada.

Este estado de euforia é liberação de energia, manifestação e prontidão para o estabelecimento de relações de afeto, resultantes de consolidação de estado emocional estável e de segurança, de atitude e manifestação de singularidade e individualidade.

Na realidade mesmo que esta predisposição ainda não apareça no seu comportamento na realidade pessoal, é preciso entender que o sistema funciona antecipando possibilidades para que quando a espontaneidade, ou o comando interno lhe empurrar para um cenário deste tipo, que você tenha repertório de respostas e lucidez para se permitir viver ou para bloquear a ação, a interação, a atuação interior, repetir o mito de Sísifo.

Este acontecimento também lhe coloca numa fronteira entre o despertar da ação e o seu movimento de permissão ou de repressão. Bem sabemos que seus movimentos foram cerceados pela repressão decorrente de julgamento e condenação que se impôs, por “n” motivos.

O sonho te coloca nesta fronteira. Suas mudanças veem sendo realizadas e agora você se defronta com um fluxo de energia que aflora e que lhe permite a possibilidade de sintonizar e expressar a plenitude do seu afeto ou repetir o passado evitando e bloqueando este fluxo e se aprisionando na insatisfação, na negação da celebração, no impedimento de expressão do afeto, entre outras coisas.

A imagem do beija-mão é exemplar: Você humildemente se rende ao sentido simbólico da maternidade, prestando homenagem e expressando afeto, abandonando o julgamento e a condenação da “Mãe”. Esta é uma submissão respaldada na respeitabilidade pelos genitores, pela ancestralidade.

Afeto é educação, e educação é afeto social, representação formal, de respeitabilidade e referência fundamental na interação. Sem educação retornamos ao estado de primitivismo e incivilidade, portanto, de afeto indiferenciado.

A energia liberada permite o fluxo do movimento, assim como a neurose bloqueia o sujeito aprisionando sua expressão afetiva.

Antes de celebrar e comungar com o outro, precisamos nos amar, nos gostar, nos respeitar, nos permitir, nos presentear, nos acariciar. Isto significa sintonia no afeto, consigo mesmo, com tudo aquilo que te constitui e que faz de cada um uma expressão da criação divina.

Na sequência aparece o confronto, através da repressão materna, que é a mãe dentro de você, não necessariamente a sua mãe. Já que esta mãe pode ter sido a sua justificativa de projeção do ressentimento, da mágoa. Mas se ela anteriormente era uma autoridade e comando, agora você se impõe com sua individualidade, já que este conteúdo que construiu (a representação materna) se virou contra seu criador: você; Lhe impedindo de encontrar respaldo afetivo para a sua demanda emocional. E possível que a representação tenha se tornado, em decorrências da carga negativa, uma representação associada ou incorporada por conteúdos autônomos que vinha te conduzindo desde então.

O evento onírico também antecipa respostas e condutas que estão sendo reconfiguradas ou resgatadas, e o “Ser” espontâneo que nasce, ou renasce, agora se defronta com o conflito nascido na repressão imposta pela sua falta de limites na infância ou na pré-adolescência, possivelmente o momento em que a espontâneidade  foi sufocada em nome da socialização e ou sufocada pelos caprichos e pelo ressentimento.

Nem tão lá, nem tão cá. Os limites são fundamentais e definem fronteiras de conduta que o “social” exige, tanto quanto o natural é fundamental para que sigamos em sintonia com o melhor de nós mesmos, nossa essência.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

CAÇANDO BEIJOS, PESCANDO AFETO







Depois sonhei que eu estava vendo um rapaz que beijava uma jovem no pescoço e a abraçava. Embora distante eu podia sentir aquele afeto em mim, mas parecia pouco senti-lo apenas vendo a cena. Consciente de que estava sonhando e pensando que aqueles dois deveriam ser uma representação ou projeção de mim mesma, eu fui até eles, joguei a jovem longe com toda a minha força, para vê-la morta mesmo, e tomei-lhe seu lugar dizendo a ele que aquela era apenas uma parte de mim, mas que eu resolvera tomar meu lugar por completo. Ele aceitou e, abraçados, trocamos vários beijos no pescoço e nos ombros.

Eis um sonho que evidencia a sua mudança de atitude de Agente Passivo Submisso para Agente Pró Ativo.

Duas observações:

1. Há transformação em sua dinâmica psíquica. Mudança na dinâmica que rege sua singularidade diante do mundo, na atitude, na postura e comportamento. Não importa a justificativa que a leva a desencadear o seu movimento. A intenção se realiza.

2. Altera-se o padrão psíquico. O movimento anterior era para o interior, recuado e... Protegido no papel de vítima, carente e rejeitada.

Mesmo que, a princípio, a força para realizar o movimento possa ter sido excessiva, é preciso compreender que para romper a inércia, do submisso carente e recuado para o dinâmico proativo exige-se um processo de adequação para o movimento. Assim, a pulsão inicial pode ser "sem medida", excessiva por ter que colocar o corpo onírico em ação.

 Esse corpo onírico necessitada de sutileza, energia edominada, e a psique pode tê-lo acionado com uma pulsão que usa para despertar o corpo, promovendo a reação além dos limites.

Importante é que há o Intento. A energia é desbloqueada e liberada para a ação. O sujeito rompe as travas e realiza a intenção.

O RESULTADO:

A Tensão eleva-se rompendo com padrões e limites, até então, aceitáveis e o sujeito busca a realização do seu desejo.

Se anteriormente usava-se a manipulação do meio como vitima abandonada, e pobre coitada, para a realização do desejo, a dinâmica agora coloca o sujeito como responsável pela sua satisfação assumindo todos os riscos pela escolha que faz.

O sonho confrontando-a com a condição de abandonada e colocando apenas como assistente mobiliza a sua capacidade de responder, dando-lhe a oportunidade de escolher outras formas de respostas.

Mas para isso foi necessário romper com as defesas, conceitos morais, assumir o desejo e correr atrás de sua satisfação. Este é o primeiro movimento decorrente de suas transformações pessoais.

Naturalmente este ímpeto, essa tendência de movimento será projetado na sua realidade dando-lhe a chance de experimentar novas formas de responder aos acontecimentos no seu entorno.

Pessoalmente acredito numa grande mudança. Você se assumindo como mulher. Mulher adulta capaz de buscar a realização de seus desejos, sua satisfação. Seu prazer, suas necessidades.

Pode-se pensar que é apenas um sonho compensatório onde você compensa a incapacidade de realizar a ação assumindo posições mais positivas. É Possível.

Prefiro considerar que mudanças tão significativas tendem a correr primeiramente no interior para posteriormente serem projetadas na realidade, incorporando-se ao comportamento manifesto.

Há indicação de risco na indiferenciação: O estimulo lhe induz a reação, sua suscetibilidade está elevada. Mas essa indiferenciação pode estar associada a necessidade de satisfação do desejo, do encontro com o outro, sua necessidade de trocar carícias e atender à sua sexualidade de mulher adulta. Beijar na boca, abraçar, saciando a oralidade, a necessidade de carícias que o corpo nos exige e quem sabe chegar aos prazeres dos múltiplos orgasmos.



O Poder Feminino 
espelhado pelas poderosas, famintas e atormentadas
mulheres de New York
em Sex and the City


Nosso destino se realiza a partir de nossas escolhas e decisões. Certas questões na sociedade moderna exigem novos padrões de comportamento, não podem apenas serem desejadas, precisam ser caçadas, conquistas.

A mulher conquistou o direito de caçar, ir de encontro ao masculino, exercitar a “corte” tanto quanto o homem. Essa já não é mais uma questão fechada, exclusiva da masculinidade, é uma questão de direito pessoal, o direito de escolher, buscar, de se permitir ir de encontro à realização dos desejos pessoais.

Se no passado a posição feminina era a de esperar a corte, o presente exige que a mulher manifeste a sua intenção, o seu desejo, a sua escolha. São novos os rituais antropomórficos no estabelecimento das relações humanas. Os novos tempos abrem essa possibilidade de igualdade.

Estes são apenas jogos iniciais de um complexo envolvimento e entrelaçamento das vidas do masculino e do feminino, que definem os relacionamentos. Nada parecido ocorreu antes. Neste momento a vida exige essa maleabilidade para os que sentem a estranheza nas mudanças dos costumes e dos padrões de envolvimento entre homens e mulheres. Os novos tempos exigem novas formas na busca das interações e no estabelecimento de relações afeto-emocionais-econômicas. Os mais flexíveis e astutos se adaptarão com menos sofrimento.

Este é um detalhe arquetípico do sonho. Ele transcende o pessoal porque espelha a Mulher do nosso tempo. A mulher que busca seu espaço, conquista seu lugar e tem o direito de reivindicar o amor o direito à sexualidade plena, por que antes de tudo ela é dona de seu corpo, do seu destino e de suas escolhas.

As contradições, os malentendidos, os sofrimentos advindos desta busca, é uma outra questão, que só sera resolvida quando

 As mulheres romperem com os padrões históricos de submissão ao masculino.

E com o padrão masculino

De domínio do "outro".

Aquele padrãozinho machista

que elas não gostam de ver neles, mas adoram repetir.

Aí, estaremos mais preparados para viver o "poder" da Igualdade.

E neste aspecto, sinto dizer às meninas,

 uma linhagem masculina moderna,

Já está à frente no tempo e à frente das garotas.

Mas este é um outro papo.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

FEMININO MASCULINO




Como libertar o lado feminino desta compensação maternal e desenvolver meu animus?

Você repete uma questão anterior, a de acreditar que tenha que desenvolver seu Animus. Não vejo dessa forma. Ele já é desenvolvido. Já foi visto este conteúdo interfere decisivamente em sua vida. Desenvolvê-lo  fortalecera sua predominância na personalidade, o que pode não ser positivo ainda que seja a repetição do processo que vivem as mulheres de sua família.

O que representa o Arquétipo Animus? Já abordei este tema, faça uma pesquisa no blog e reveja o tema, se tiver dúvidas, pergunte.

Como integrar esses conteúdos opostos?

Esta é a questão chave. Mas qual a chave da questão?

A chave para mim no seu caso é o “Princípio de Realidade”. Abrir espaço, em sua relação com o mundo, fora da fantasia, do imaginário, encarando os desafios visando superar as dificuldades que a realidade a todos impõe.

Um exemplo: Você superou os obstáculos e conquistou sua carteira de habilitação para conduzir seu carro?

Parece pouco, mas não o é. A mulher moderna incorpora a força do masculino para poder enfrentar o desafio que o sistema exige. Uma “certa” agressividade masculina que permite superar embates, desafios, dificuldades. Isto é integrar o masculino. Desenvolver o senso lógico, o pensamento lógico, uma conduta pautada na avaliação do cenário em que vive, na busca de realização de seus projeto e não apenas agir baseada no pensamento mágico, natural do “feminino”.

A Carteira de habilitação significa direito de se conduzir, de ir e vir sem depender do outro. Não tê-la significa se entregar à dependência, ter que seduzir e manipular o outro para que a conduza aos seus interesses, ficar submissa ao tempo e à disponibilidade do outro. Ou ser conduzida coletivamente, no tempo do sistema.

Você pode ser dominada por um animus forte e machão dentro de si, que se faz forte frente à força da sua repressão ao masculino, mas não utiliza suas características positivas, aquelas que poderiam enriquecer e facilitar suas conquistas e ajudando a superar as dificuldades que a vida lhe impõe.

Neste aspecto você precisa primeiro conhecer o seu lado masculino, identificá-lo, para poder abrir-lhe espaço utilizando o melhor deste conteúdo.

Compreendeu?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MASCULINO FEMININO

da peça Eqqus, montagem Inglesa

Carla158

Sonhei que estava nua junto de um homem também nu. Estávamos em pé e ele estava atrás de mim, de forma que nossos corpos estavam encostados um no outro. Andamos de um cômodo para outro sendo que eu estava com meus pés apoiados em cima dos pés dele, ou seja, eu andei com ele ou através dele. No que paramos no outro cômodo ele foi me acariciando e beijando-me de uma forma muito agradável. Eu me sentia muito entregue e tranquila. Creio que também o acariciei e o beijei e esse dar provocou-me os mesmo arrepios do receber. Não lembro muito bem, mas sei que o foco das lembranças está mais no primeiro momento, enquanto ele me proporcionava prazer e eu aprovava o seu comportamento (meu senso de análise crítica não dá trégua). Depois eu já estava vestida numa camisola longa, de seda, cor de pêssego, quando ele pegou-me no colo e carregou-me até o quarto. Não lembro o resto.

OBSERVAÇÕES

Você já referiu-se às mulheres de sua família como mulheres Yang. Relembremos seu feeed back:

“Sim, existe essa preferência e fui criada numa família assim, donde existe a predominância do feminino sobre o masculino, ao menos nos relacionamentos conjugais externos. Minha avó mandava no meu avô, minhas tias em meus tios, minha mãe em meu pai e até minha irmã fala mais alto que meu cunhado. Dizem que o masculino sobrepõe ao feminino, mas isso parece contradizer o que sempre vivenciei em minha família, donde os homens parecem ser os submissos na história. Da minha parte, apesar dessa preferência, sempre existiu uma outra vontade que é àquela ligada a busca ilusória de um homem que tem poder, que pode proteger, enfim, isso já foi bem visível nos sonhos. É como se existisse um desejo de ser comodamente submissa (de ser a frágil) e uma postura de autoridade oculta. Isso parece uma contradição que não sei explicar. O fato do meu animus ser submisso ocasiona esse tipo de preferência por homens mais femininos?”

Esse feminino predominando sobre o masculino no comportamento manifesto não indica a força do feminino, mas a força do masculino sobre o feminino. É isto que chamo de Feminino Yang. O individuo é contaminado pela força do masculino que carrega. Esta força aparece ou pela repressão do masculino que o leva a se manifestar de forma imperativa contaminando a natureza do individuo. Isto ocorre em homens em forma de homens Yin, que manifestam características femininas estereotipadas em seus comportamentos. Diferentemente de homens submissos, que nem sempre indicam homens femininos, já que são inúmeras as variáveis que podem levar um individuo a se permitir submisso diante de mulheres.

A mulher fálica, castradora que aflora na sociedade cada vez com mais força vem para entrar no mundo dos homens se utilizando da forma masculina de interagir com a realidade e tendem a ser mais dominadoras, tirânicas, castradoras e distanciadas que os homens. Naturalmente aquelas que não têm essa disposição de postura vivem conflitos, n ao porque não tenham a capacidade de responder imperativamente, mas porque são confrontadas com essa forma máscula e se querem abandonar a forma feminina de ser. Não são castradoras explicitas, mas disfarçadas.

A tendência evolutiva indica que o caminho não é o escolhido pela mulher castradora nem aquele escolhido pelo homem submisso aos seus desejos, mas um caminho onde se pratique o respeito, no sentido latu da palavra.

O SONHO

Tradicionalmente, se vê na nudez a tendência de vaidade e a necessidade do sujeito se expor ao coletivo, uma tendência exibicionista. Mesmo que estes conteúdos estejam chamando atenção para si, minha tendência é enveredar por outra vertente.

Geralmente, pela proximidade, se mistura vaidade com narcisismo, ainda que aparentemente o narcisismo nasça da vaidade, ou que a vaidade supostamente nasça do narcisismo, eu diferencio essas naturezas como significativamente distantes.

Por isso, mesmo que essa nudez onírica apareça contaminada por vaidade, prefiro pensá-la como uma manifestação narcísica, que caracteriza um momento especial, ainda em um estágio primário, de construção de sua singularidade como Individualidade, como um individuo maduro.

Mesmo que você tenha a intenção de não repetir as características de domínio das mulheres da família você as repete de forma disfarçada. Esse conteúdo anímico masculino, como um “encosto” te conduz nos seus movimentos e você mantém essa relação através da erotização, (fonte de energia).


Como no passado foi visível uma necessidade de reconciliação com o seu masculino, o conflito era mais presente, o cenário mais confuso, agora o sonho pode indicar que a configuração de sua natureza se refaz. Ou seja, a dinâmica de reconciliação permite que a natureza se exponha e você passa a ter a possibilidade de avançar alem do conflito do passado. Agora vivendo o estágio da repetição das mulheres terá a chance de superá-las não se colocando como submissa â força desse homem interno, mas incorporando esse masculino ao seu feminino de forma a transformar a configuração do passado num estágio mais pleno união dos opostos, integrando-os no seu processo.



Continua...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

BEIJOS


CH90


Sonhei que estava na casa da mãe de um rapaz que era meu namorado (ou talvez um recém marido). Lá havia um pé de manga bem alto e de grande copa com muitas pencas de bananas ainda bem verdes. Achei interessantíssimo aquela novidade. Depois de admirar a arvore eu fui para dentro e estava escrevendo algumas coisas no computador quando o rapaz chegou. Estava com saudades dele e larguei o que fazia porque queria um beijo. Ele pareceu um tanto esquivo. Eu poderia pensar que ele não estava afim, mas preferi crer que ele estivesse constrangido. Na primeira tentativa de beijo ele disfarçou e me beijou no rosto, mas carinhosamente eu o beijei nos lábios. Embora eu pudesse inicialmente me sentir rejeitada ou super desconfiada, fiz opção de pensar que ele estava se sentindo inseguro. Depois do agradável beijo disse que ele podia colocar a mão no meu corpo, pois ele parecia ressabiado como se não estivesse acostumado ao envolvimento ou como se temesse o mesmo por causa da minha reação. Não me senti ousada por dizer aquilo como se estivesse a ensiná-lo, pois sentia ser positivo de minha parte dizer-lhe o que eu aceitava e confidenciar-lhe aquilo que me agradava. Talvez isso o constrangesse ainda mais ao invés de ajudar, mas foi a minha reação natural, não de cobrança, mas como um pedido indireto de que ele me tocasse, o que daria liberdade dele fazer se também fosse de sua vontade.

Eis um sonho que parece sair dos padrões de sonhos antigos: ao invés de esperar ou me frustrar (conforme muito já me aconteceu na realidade), eu tive a iniciativa de revelar minha vontade e tentar aumentar a segurança dele comigo. Creio que essa inação do rapaz seja um reflexo de mim mesma em muitas situações, algo que venho mudando aos poucos. Não lembro o resto dessa parte.

Veja a importância desse sonho! Há mudança significativa sua enquanto sujeito. Deixa de ser o foco do padrão para ver o desafio, o embaraço, projetado no outro, na figura masculina. Considero algumas possibilidades:

É o mesmo conteúdo apenas espelhado no outro (sua percepção);

É o mesmo conteúdo só que com a sua origem na repressão do masculino;

É o conteúdo reprimido projetado na autoridade do masculino;

Esquecendo as possibilidades de manifestação de sua linha de defesa, como sublimação ou deslocamento, parece-me que você projeta o outro como reprimido, o masculino como sujeito que incorpora a repressão; e você enquanto mulher rompe com a sua repressão para se transformar em agente promotor com poder de ação. O masculino é passivo e dominado.

É patente a mudança na dinâmica, considerando os sonhos anteriores neste último ano. Seria apenas para lhe mostrar o foco da repressão? Ou para lhe confrontar com a projeção de seu poder repressivo? Independente da resposta, prefiro evitar a precipitação apontando-lhe a “a mudança” mas continuar a focar o olhar na “Dinâmica”, que não é apenas funcional mas de tendência.

O sujeito é receptor de sua projeção, porque a sua postura repete a atitude de pensar para outro, com a diferença de que antes você pensava para o outro para justificar seu sentimento de rejeitada ou para aplicar suas defesas e suas repressões bloqueando atitudes pró-ativas. E agora você se defronta com a o outro “contido” e encontra a justificativa para agir pelo que conclui serem as dificuldades do outro.

Há diferença? Sim! No primeiro caso você se reprime, se anula, se paralisa. No segundo caso você age concluindo para o outro. É melhor! Há avanço! Pode ser melhor?

Pode! Parar de antecipar, na realidade, os acontecimentos para encontrar justificativas de comportamento. É como se sua seletividade funcionasse somente para agir quando têm controle do mundo. Antes de viver você racionaliza o mundo. Falta-lhe o tempo para permitir que a vida flua, que as coisas aconteçam, que a espontaneidade aflore.

Posso considerar como avanço a projeção da repressão no fora de si. Você não se enforca mas enforca o outro. Mas a atitude é praticamente a mesma, mesmo que não o seja e que haja mudança.

Por outro lado, o sonho é você e o outro é você. No primeiro caso a possibilidade do confronto levou-me a observações considerando a sua atitude em relação “ao mundo”. Mas agora vamos ver em relação a si mesma.

A ATITUDE

Esse é um aspecto  relevante: A presença da figura masculina reprimida. O elemento chave, símbolo daquilo que é referência e parâmetro e que define sua relação com a realidade. Este mesmo elemento que apareceu dezenas de vezes como a figura (masculina) ameaçadora (de arma em punho, agredindo, ameaçando, subjugando pela força física), agora se manifesta silencioso, e aparentemente contido. Mas toda a imagem do cenário foi construída por suas deduções, pelas suas conclusões precipitadas. Você conduz a situação, conduz o masculino sem lhe abrir espaço ou tempo de manifestação. E parece que assim você faz com seus conteúdos internos, age como uma autoridade repressora que não abre espaço/tempo para que este lado masculino se manifeste. Ou mais do que o lado masculino, a repressão atua em todo o seu contexto psíquico, sentimentos, emoções, pulsões, desejos, intenções,etc.

Se na realidade a insegurança leva-lhe a antecipar a crítica ou o julgamento alheio, como forma de defesa, fazendo-a recuar nas relações sociais, em sua dinâmica interna você começa a aceitar a ocorrência de desejos e começa a mudar a forma como você se relaciona consigo mesma, diminuindo a severidade e se permitindo desejos e atos voltados para a sua satisfação.

Detalhes:

Pé de manga que dá banana. Abre suas possibilidades de frutificação; Será que há distorção da realidade?A imagem reforça o olhar sobre aquele seu lado seletivo de interessar-se pelo surpreendente, pode ser a pega do inconsciente para “chamar sua atenção”, o seu interesse pelo inusitado, te focar, te alinhar; Há dispersão? falta-lhe concentração? 

Abandonar o computador, o lado virtual, pela relação viva, presença física, envolvimento. Sinal e mudança de postura e de escolhas de foco na sua vida.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SANDY E JÚNIOR I



CH79 SANDY e JUNIOR


Tentei enviar esse sonho antes, mas a internet caiu e como não fiquei sabendo se foi postado ou não, estou enviando novamente: Sonhei que estava saindo com mamãe quando ela me apresentou um amigo seu que queria muito me conhecer. Moro numa rua que tem um posto de gasolina na esquina e além da lojinha de conveniência há um salão de cabeleireiro e uma pâtissière (confeitaria afrancesada). Embora nunca tenha ido em nenhum dos dois locais, no sonho era o cabeleireiro desconhecido que estava sentado numa das mesas da confeitaria. Ele usava um enorme óculos de sol e achei que o mesmo não lhe ficara bem. Novamente a recorrência de um homossexual. Simpaticamente abracei o homem e de cara percebi seu jeito afeminado. Apesar disso ele revelou-se de cara que era apaixonado por mim há muito tempo. Como vi que minha mãe continuara caminhando e já estava quase chegando ao ponto de ônibus, tentei me desvencilhar dizendo que outra hora apareceria por ali para conversar com ele, mas que tinha de alcançar minha mãe. Apresada fui atrás de mamãe e, não se conformando, ele foi comigo. Achava muito estranho um gay assumir tanto interesse por mim. Entretanto, naquele momento eu nem tinha condições de analisar nada, pois o ônibus vinha e minha mãe entrou nele, mas mesmo correndo, eu não consegui chegar a tempo. Comentei que estava sem dinheiro (geralmente é minha mãe quem paga a passagem para mim), perguntei se ele poderia me emprestar e ele mesmo fez questão de pagar dando o dinheiro ao cobrador pela janela do ônibus. Só que teve um problema: o degrau de entrada do ônibus era muito alto e tive de ir dependurada segurando na porta de entrada (sonhos tem cada uma!).

Há dificuldades ou impedimentos de ascensão, de transposição de degrau, dificuldade de mudança de nível, Bloqueio para subida, degrau não superado. E pode ser o medo de ser amada, de se permitir amada, de viver o prazer do afeto. Entrar no ônibus para viver a viagem de sua vida, e não a viagem de sua mãe.

Cheguei num local que tinha dois portões e um gigantesco muro. Parecia não existir nada do outro lado e então fiz como as demais pessoas que ali chegavam: atravessei uma pilastra de parede. Enquanto atravessava observei que o concreto da mesma parecia flocos de gelo condensado que fazia pressão para dentro e para fora. Para entrar era preciso coincidir com a pressão para dentro e sair era ainda mais fácil sentindo lá dentro a pressão para sair. Foi uma sensação muito intrigante e divertida mergulhar no interior da pilastra.

Do outro lado fui imediatamente recepcionada pela cantora Sandy. Era um local simples e estava tendo uma festa. Nos abraçamos com ternura e começamos de imediato a dançar um tango. Nisso o irmão dela, o Junior, veio me cumprimentar. Deixei-o com a mão esticada e disse que queria era um abraço. Ficamos abraçados um bom tempo e depois abracei-o do outro lado (colocando a cabeça do lado esquerdo da sua). Fiquei assim até me julgar satisfeita do afeto masculino e então brinquei dizendo que tomá-lo-ia para mim, se não fosse como homem, que fosse enquanto irmão. Voltei a abraçá-lo apenas para amenizar a brincadeira. No sonho eu tive a ousadia de abraçá-lo tantas vezes repetidamente não por ter proximidade com ele, mas por ter intimidade com ela.

Sonhos com abraços sempre me fazem sentir bem, entretanto, nesse sonho abracei três pessoas com sexualidades distintas e me indago o que isso pode significar. Isso é outro sonho com o mesmo tema do anterior ou seria apenas uma espécie de continuação?

SANDY E JÚNIOR III




Voltemos ao sonho:
No seu caso parece-me outra a mensagem do sonho. Você pode ser sensível e afetiva, mas apresenta dificuldade de manifestação e expressão de sua afetividade. O sonho compensa a sua necessidade de afeto e de manifestação do afeto fazendo viver à experiência que deveria ser natural na sua vida. O Ics. apresenta no sonho Sandy e Junior a representação de dois irmãos sabidamente afetuosos, unidos, no trabalho, no ganho, na família, e que, ultimamente, na vida adulta buscam caminhos diferentes, em decorrência de destinos e individualidades diferenciadas, e, além disso, mostra-lhe que é possível haver convivência afetiva independente das diferenças entre irmãos ou entre sexos.

Por outro lado seu desejo afetivo pode sinalizar uma abertura interna, uma disponibilidade interior para vivenciar o afeto. Este sinal já apareceu em sonhos anteriores.

O abraço afetuoso é para mim uma grande manifestação da expressão afetiva, uma das maiores. Dois seres, dois corpos que se tocam, sem o interesse de sexo, mas de expressar e comungar o carinho, o prazer, o gostar, o amor que um sente pelo outro.

Na dinâmica pessoal pode ser sinal de que você vem sendo mais afetuosa consigo mesma, gostando mais de você e pode significar alteração na configuração de sua auto estima. Reflita sobre a representação de Sandy e Júnior em sua vida para compreender o significado de suas presenças.

Essa é a ousadia que você precisa. No sonho anterior falei-lhe da necessidade de atitudes mais atrevidas para romper com as dificuldade de expressar seu prazer e seu afeto pelos que te cercam. Isto é saúde.

Qual a normalidade e significação de uma pessoa que se crê heterossexual ficar sonhando com homossexuais? Temos nos dedicado a essa investigação para responder a essa questão. Por que tanta recorrência? Já é possível excluir algumas possibilidades, mas ainda não compreendemos a chave. Hoje, a seguir, levanto mais algumas considerações.

Não me julgo uma pessoa preconceituosa. Tais sonhos poderiam aparentar indício de bissexualidade?

Quem pode lhe responder sobre a possibilidade de sua bissexualidade é você. Há interesse ou desejos de relações com pessoas de ambos os sexos? Sente o mesmo tesão por homens e mulheres? Tem curiosidade? Sente-se atraída por homens e por mulheres?

Sei que já manifestou sua convicção heterossexual, e se além das convicções e dos desejos, não existem desejos reprimidos, ou se não há conflitos, fique tranquila com a sua opção, se observe e evite confusão mental e emocional. Cheguei, anteriormente, a considerar a possibilidade de preconceito, que você agora diz que não existe, então fique tranquila.

às vezes quando os conteúdos não nos permitem compreende-los, por incapacidade, a psiquê manda mais sinais, e os conteúdos podem ser melhor compreendidos. na dúvida de significados as manifestações recorrentes podem ter ocorridos para clarear seus significados.

A partir desse sonho foco meu olhar em um detalhe: A questão não parece indicar homossexualidade, ou bissexualidade, mas contaminação de conteúdos autênticos. Esclareço: A questão pode não ser o foco no sexual, mas de manifestação de conteúdos masculinos contaminados por conteúdos de origem femininos. Se o conteúdo não é puro e se aparece contaminado de feminilidade pode significar que o seu lado, seus conteúdos, sua força masculina seja contaminado por conteúdos femininos.

Originados de pai e mãe trazemos a dupla origem e convivemos com essa dupla natureza em busca de integração dos opostos em um único “Ser”.

No sonho a indicação não é de comportamento homossexual, mas a presença de um conteúdo masculino afeminado. A reflexão: Você reduz a representação da figura masculina a ponto de subjugá-lo, com sua força castradora, e a levá-lo à contaminação pelo feminino? Ou seja, você está castrando a força masculina que reside em você submetendo-a ao formato do feminino? Se for esse o caminho, se você não abrir espaço para o seu “animus”, ocorrerão conflitos. E esse conteúdo poderá aflorar e interferir na sua consciência. Estaria você se comportando como um gay? Como um homem afeminado?

Preste atenção em seus conteúdos masculinos. Observe-se, escute-o manifestar-se na sua consciência, veja-o no seu comportamento, abra espaço para essa escuta, trabalhe sua racionalidade, sua lógica, sua disciplina, seu vigor físico, evite que apenas o feminino te comande e te guie, ele já pode ser muito forte, objetive seus propósitos, seja mais determinada, trabalhe sua independência, sua individualidade, suas conquistas, expresse sua sensibilidade, sua intuição, se escute, seja mais positiva. Mais sol, mais dia, e tente harmonizar seus opostos abrindo espaços para as suas naturezas opostas.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A CAPITÃ DE CAPITÃO

Imagem de Fragata Pirata em mar calmo: 

CH54

Sonhos dessa noite. Primeiro: Eu passava por uma estrada quando visualizei uma senhora e uma jovem sentadas no meio do caminho. Havia irradiação luminosa nelas e outras figuras humanas de luz opacas que imaginei ser espíritos e, sem muito conhecimento, uma vez que nunca vi espíritos, deduzi que deveriam ser benévolos já que a luz era branca e clara. Nisso a senhora e a jovem também se transformaram em luz e saíram deslizando na minha direção. As figuras pereceram se misturar ou sumir de forma que ficaram apenas duas que se aproximaram de mim e depois já havia apenas uma mulher com um semblante irritadiço como se quisesse me matar. Perguntei o que ela queria comigo e ela respondeu em deboche e com raiva: ‘Você não está lembrando de mim? Pois vai lembrar agora’. Não sei o que ela fez comigo, mas eu comecei a reviver mentalmente milhares de cenas vivenciadas como se houvesse um filme sendo repassado em velocidade na minha cabeça, dentro da pálpebra dos meus olhos. Então eu me vi enquanto capitão ainda jovem de uma fragata (com roupas azuis e um chapéu preto estilo de pirata) e aquela mulher era um homem um pouco mais velho, um integrante de um posto maior da mesma tripulação e, não sei exatamente por qual motivo, eu não gostava dele, o via como inimigo. Mesmo me vendo e me sentindo num jovem rapaz, questionava interiormente se aquela regressão de memória seria real ou se era uma invenção de minha mente. Todas as cenas passaram-se muito rápido e quando voltei à realidade eu estava em casa e minha avó despejava todo o vidro de azeite em seu prato de comida. Desesperada eu corri para pegar o azeite e disse para minha mãe que não podia deixar determinadas coisas ao alcance de minha avó. Minha mãe pareceu não se importar, mas eu fiquei bastante irritada. Minha avó já está gagá a ponto disso, mas o que me atormentou no sonho não foi o descuido de momento, mas sim o descaso de minha mãe em relação á situação de cuidar da vovó. Essa ultima parte foi bem parecida com sonhos passados nos quais houve irritação da minha parte e descaso da parte dos outros. Os espíritos podem ser influência da nova novela das seis horas (Escrito nas Estrelas) a qual comecei a assistir. Mas me ver na pele de um capitão de fragata pareceu-me sem sentido. O que pode ser?

O inconsciente é a eterna fonte inesgotável de memória da espécie, Uma memória sem tempo. Os estímulos externos podem acionar imagens oníricas, ilusões e fantasias, mas o que acionam essas imagens, o que estas imagens podem representar e a respeito do que querem falar é a nossa grande questão, o nosso alvo.

Neste sonho se posso tirar de imediato um sentido, é a noção da relatividade do tempo. Ainda que vivamos aprisionados “num tempo ou num intervalo de tempo” ele é o que menos conta, primeiro porque o passado e o futuro se reúnem no presente, e quando pensamos no presente estamos mergulhados, como resultado que somos, num passado inimaginável, ali ao lado, dentro de um futuro impensável. Essa linha do tempo é relativa e não existe, ainda que para referência de consciência precisemos deste constructo de realidade que nos permite nos referendar para não mergulhar nessa inimaginável e múltipla dimensão cósmica mais próxima do caos e dos estados psicóticos fragmentados e desagregados.

Então, considere a relatividade do tempo, e o tenha apenas como referência de uma realidade que mais nos protege do que elucida sobre este mundo.

Assim, “a mulher” que lhe inquire pode ser de origem arquetípica já que faz aflorar uma memória de sua vida. O que ela lhe diz parece indicar um alvo específico, tem a ver com a figura do capitão ou sobre a relação de inimizade nutrida em seu passado? Eu tendo a considerar a incorporação de uma figura castradora de um homem (dentro de uma mulher, o capitão em você) que nutre desafeto por um homem mais velho de hierarquia superior. Não sei se pode ter sido resultado de um processo de formação subliminar que tenha sofrido (em decorrência de relação competitiva entre pai e mãe), falta-me subsídios e informações para afirmar. Seria a representação de seu Pai? Ou diz respeito apenas à sua dificuldade de relações harmoniosas com conteúdos masculinos introjetados e incorporados como ressentimentos ou fruto de mágoas. Mesmo que a origem não seja nas relações indiretas a partir de pai e mãe, podem estar relacionadas até à sua terceira geração ancestral. No seu momento, Já há algum tempo esses processos de reconciliação acontecem e tendem a continuar. Neste sonho há sinais de acionamento de conexões com seu passado, que pode ter sido seccionados em sua dinâmica de vida ou terem sido herdados já seccionados em decorrência de experiências de seus antepassados.

A figura da avó já surge como foco de afeto que precisa ser considerado, os cuidados com a grande mãe, a atenção às origens ancestrais em você, seu comportamento critico, de cobrança e julgamento que lhe norteiam. Ainda em relação à sua avó observo que ela derrama o azeite, e aí aparece você chorando pelo azeite derramado. Essa "avó" envolve um sentido de responsabilidade diante de sua vida e diante da evolução de sua estirpe familiar. Você é a pessoa que agora possui o instrumental para evoluir, para não repetir seus ancestrais para ajuda-los no processo de evolução da familia. E arquetipicamente ela surge como Figura de Senex decrépito que precisa ser considerado, focado.
 Será que tá na hora de deixar de chorar pelo seu passado, de parar de ficar catando coisas naquele passado de decrepitude, ou de interromper na sua vida os lamentos pelos acontecimentos já definidos no passado? E principalmente olhar para seus atos e ações ao invés de focar o alvo no outro. Comportamento que favorece a insatisfação e o foco permanente no outro, como resultado de uma transferência negativa. À medida em que não consegue um acordo tônico responde de forma severa e crítica ao outro, à sua presença.

Mas é interessante te ver como capitã, responsável pela rumo do seu barco de Guerra, conduzindo sua vida, o barco de sua vida nas águas do oceano primordial, nas águas turbulentas do inconsciente. Ainda que seu barco seja dominado por uma mulher macho guerreira e seu ornamento (o chapéu que cobre sua cabeça) seja de um pirata. Os resquícios da pirataria AINDA SOBREVIVEM. E você como “rapaz” deveria levá-la a se perguntar onde anda sua feminilidade? Sua postura é de guerra? Onde anda a mocinha em você? Será que você se faz mais homem e mais velha do que mocinha? Será que é necessário resgatar essa feminilidade? Será que você está precisando é da impetuosidade, vigor e ousadia de um rapaz para romper os entraves que te impedem de realizar seus desejos?
Fragata tambem é a denominação de ave da região costeira, o que pode singularizar a evidência de uma polaridade entre o conteúdo pesado de deslocamento (a NAVE ave de guerra), e a NAVE ave que plaina sobre as águas primordiais, neste caso o indicativo é de necessiadade de mudança de atitude e de postura diante da vida.
agora... se voce olhando este sonho perceber que você foi fragada. E só voce pode dizer, enriqueça-me me dizendo em que?


fragata


De qualquer forma, em raros indicios, este parece-me um sonho que aponto para um momento de Morte, Transição e... Renascimento.

PARA NASCER  É PRECISO MORRER
SEM SUICIDAR.

Reflita... Bye.

Perdoe-me, existem sonhos que parecem fechados, como o sonho acima, um verdadeiro deserto, mas dentro deles o oasis é rico, nós é que não vemos. Tentei tirar alguma riqueza deste poço. Se não fez sentido, perdoe-me a falha. Muitas vezes a calmaria do mar, a ausencia de sopro divino, nos faz paralisados. Sonhos intransponíveis não me fazem desistir, ao contrário, me mostram que sempre precisamos de humildade para suavemente acariciar sua magia e encontrar a compreensão.

quarta-feira, 31 de março de 2010

BEIJO NA BOCA



    
CH40
Também lembro de ter sonhado algo bom. Eu estava acordando cedo para ir à escola e me perguntava como fora optar por isso. Só fui amante de acordar cedo em situações esporádicas e sofria na época da escola para levantar cedo da cama todo dia. Uma vez já formada em nível superior não entendia como voltara a estudar na parte da manhã, ou melhor, como tivera coragem para tal. Entretanto, depois de estar no local, acho que era uma universidade, já estava bem e feliz com os estudos. Eu tinha uma apostila bem grossa e enquanto o professor anotava alguns tópicos dela no quadro para prosseguir com a aula, eu lia um livro de literatura. Dois dos meus maiores prazeres sempre foram ler e estudar algo que seja do meu interesse. Ali eu estava fazendo as duas coisas juntas. A aula era sobre os olhos e verificávamos toda a estrutura da visão. Quando chegou o intervalo eu estava na sala dos professores e conversava com o professor cuja aula acabara de ter. Não lembro bem da conversa, mas com sinceridade eu procurava dizer tudo o que ele gostaria de escutar. Disse que ele precisava fazer o que fosse melhor para sua felicidade, mesmo que isso fosse deixar saudade em vários corações. Eu sabia que ele queria mudar da cidade, mas estava tendo dificuldades de conseguir transferência ou, talvez, houvesse algum outro motivo não revelado a segurá-lo ali. Ele me perguntou se eu mudaria mesmo de cidade se estivesse no lugar dele. Percebi que ele queria saber de maneira geral e não apenas se eu estivesse no lugar dele. Respondi que sim, que mudaria e residiria em qualquer cidade que eu viesse a gostar e donde eu pudesse me sentir mais feliz. Se ele não estava feliz em tal cidade, ele tinha sim que ir para onde se sentisse melhor. Transferindo isso para minha realidade: eu gosto muito do lugar donde morro e dou para trás todas as vezes que minha mãe fala de mudar de cidade. Ela muito já cogitou em morar em ............ e só ainda não foi por causa da minha avó que também mora aqui em.... Minha irmã fica falando da possibilidade de eu ir morar em São Paulo de futuro para ficar perto dela, mas eu detesto cidade muito grande e, além do mais, tenho minha amada chácara por aqui me esperando. No sonho eu fui clara em dizer que não tinha problema com uma mudança de cidade pois o contexto era de insinuação. Eu dizia sobre mudança deixando implícito, ao menos para mim mesma, que a faria com ou por alguém como ele. Ali eu não estava respondendo por base na minha vida real, mas com relação ao contexto onírico em si. Eu folheava um jornal tentando distrair-me e também para disfarçar meu olhar que se focava no professor remexendo em seus materiais. Ele devia ter uns trinta anos, com aparência entre jovial e madura. Tinha os cabelos curtos atrás, mas soltos em mechas na frente, dando um ar entre esportivo e despojado. De repente ele aproximou-se e me beijou. Embora eu estivesse com uma postura super simpática por causa de interesses ocultos, subestimei minhas capacidades de conseguir ter alguma chance de uma intimidade maior com aquele homem. Eu queria o beijo, mas pensava que não deveria aceitar aquilo, pois estaria entregando meus sentimentos. Eu queria fazer o charme dando uma de difícil, mas eu estava contente de mais para esquivar-me do beijo. Aquilo fora completamente além dos meus planos e eu fora pega de surpresa, mas estava adorando. Tentei sim me desvencilhar dele, até porque estávamos na sala dos professores e mais gente podia chegar a qualquer momento. Ali não era lugar para envolvimentos, muitíssimo menos de um professor com uma aluna. Quando ele parou de me beijar eu lhe pedi desculpas pelo acontecido, dizendo que agira imprudentemente aceitando aquele beijo ali, algo que poderia prejudicá-lo, mas expliquei que não conseguira resistir. Para contra-gosto eu acordei.
Tal sonho parece apenas uma porta de auto-conhecimento para mim. Não sei porque sempre subestimei tanto minha real pessoa. Muitos já se surpreenderam comigo e, de certa forma, eu também. Sou daquelas que joga verde para colher maduro nunca achando que vai conseguir de fato colher algo maduro quando a colheita é relacionada com relações humanas. Sou a moda mineira: comendo pelas beiradas... mas em geral acho que posso fome. Não tenho facilidade para conseguir as coisas, mas as consigo sempre que meu querer é motivador.
Para as coisas que o querer não impera eu me deixo levar sem muito forçar ou rejeitar, apenas crendo no dito popular: O QUE TIVER DE SER, ASSIM SERÁ.
O que você acha de tais sonhos?

Você acha um bom sonho, eu o penso bom pela união entre masculino e feminino, você passeia nas sensações agradáveis ainda que apareçam confusões conceituais, morais, culpabilidade e de estratégia nesse encontro. Apesar da proximidade entre os opostos você ainda intervém de forma repressora. Você se referencia em “O QUE TIVER DE SER, ASSIM SERÁ”, forma em que constrói sua idealização para estabelecer a conexão, o vínculo, mas conduz a dinâmica de forma confusa, procura não se comprometer, evitando a exposição, como se isso fosse possível. Pode parecer confortável, você se esconde, brinca de esconde & esconde com o outro idealizando que a magia da relação acontecerá na sua omissão, no seu jogo, caindo do céu como um presente dos Deuses.
Garota, só por sorte! E mesmo que ela aconteça, não será o bastante para lhe permitir sustentar um relacionamento. Você inevitavelmente terá as portas abertas para a paixão mas lá dentro terá mais chances de se perder nas tramas do envolvimento.  “Sou daquelas que joga verde para colher maduro”; “comendo pelas beiradas... mas.. passo fome.” “subestimei minhas capacidades”.

O sonho fala em mudanças. Mudanças pessoais, de casa, de lugar, de cenário. “Respondi que sim, que mudaria e residiria em qualquer cidade que eu viesse a gostar e donde eu pudesse me sentir mais feliz.” Esta é a idéia: viver o que nos faz feliz. Esta é a referência pessoal.  Ao longo da vida podemos ter que adequar a realidade à necessidade pessoal no momento e com o que gostamos. Precisamos desta flexibilidade, mas o propósito de realizar o caminho pessoal não pode ser esquecido. Assim é básico escolher onde queremos morar, onde será a casa dos sonhos, aquele lugar que permita a felicidade acontecer, onde se respire felicidade.
Há pouco tempo atrás uma cliente se manifestava dizendo que se sentia feliz em New York, para poder descer à tarde e tomar um café na Broadway, e eu comentava que preferia ser feliz à beira de um lago silencioso, no alto das montanhas de Minas. Digo-lhe isto para que compreenda a importância de se comprometer com seus sonhos, seus propósitos, suas buscas e realizações, e as diferenças. Cada um no seu quadrado. Isto significa escolher. Escolher o que se quer viver, o que quer fazer e como fazer tudo isto no presente.

Agora... Você disse: “eu procurava dizer tudo o que ele gostaria de escutar.” Isto parece-me ser viver em cima da Idealização, daquilo que se considera o ideal, daquilo que satisfaz o anseio do outro. O que realmente pensas a respeito de mudanças e de realização de desejos? Você é capaz de promover mudanças para realizar sua felicidade? Pagas o preço? Arriscas?  Ou apenas diz para o outro o que ele quer ouvir, o que você idealiza como o ideal mas não realiza. E porque não parte para a realização? Pense!
O sonho fala nesta ambivalência entre a idealização e a realidade. E essa diferença é que produz um abismo te afastando de suas possibilidades de se realizar.
Tudo isto tem a ver também com o relacionamento a dois, homem X mulher. A ambivalência entre ser o que você é, expressando seus desejos, e a necessidade de seduzir e conquistar, se fazendo disponível para que o outro te descubra e te conquiste. Eu quero o outro, mas  demonstro que não tenho interesse, me escondo, para que ele  manifeste seu desejo para que possamos nos encontrar. Eu quero um beijo mas não posso aceitar, pois entrego o meus sentimentos Eu faço charme, me faço de difícil, tento me desvencilhar... mas estou adorando o beijo e ser beijada, domada.
STOP! Pare tudo! Vamos começar tudo de novo. Vamos abandonar os velhos hábitos, as velhas artimanhas, os joguinhos de esconde, de não quero quando quero. É hora de recomeçar. E recomeçar para quem não sabe como, é EXPERIMENTAR. Descobrir o caminho experimentando.
O mais fantástico da modernidade é a igualdade de direitos entre homens e mulheres. E neste mundo quando as mulheres funcionam como suas avós, a coisa tende a não funcionar. É quase como querer tocar CD em toca disco... Há inadequação. É necessário se permitir experimentar, reconhecer o mundo no qual vives, decodificar os códigos com os quais os jovens de seu tempo vivem, mas principalmente compreender que você pode ter uma atitude PRÓ ATIVA, responsável pela realização de seus desejos. Uma atitude de escolher a partir de seus desejos e se manifestar com clareza, transparência. Antes de valorizar o outro, você se valoriza como produto pessoal. Antes de correr atrás do coelho é despertar no outro o desejo como coelho de correr atrás de você. Assim você escolhe quem lhe interessar. Agora... se o outro é coelho e lhe interessa, mostre-se, experimente, exercite-se manifestando-se sem medo de ser renegada.

    ESCOLHA E... CORRA ATRÁS DA REALIZAÇÃO DE SEUS DESEJOS.

Minha cara, a vida passa muito rápido, não fique aprisionada em artimanhas, corra atrás de sua satisfação, de suas realizações.
E... Não se esqueça do básico:
COLHE,  QUEM PLANTA!