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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CAMISA DE FORÇA E SOCIABILIDADE



Sonhei que estava com minha irmã e sobrinha dentro de uma loja. Enquanto minha irmã era atendida pela vendedora, eu cuidava da minha sobrinha para que ela não caísse em alguns boeiros destampados bem na saída do local. Nisso minha sobrinha começou a ver um carrinho que estava na vitrine junto de alguns outros brinquedos. Depois ela já nem estava mais perto da vitrine quando a filha da vendedora, alguns anos mais velha (uns oito ou nove anos), apareceu dizendo que ela havia deixado o carrinho torto e em tom de ameaça disse que ia contar para a mãe dela. Minha sobrinha desesperada começou a chorar indo imediatamente conferir e tentar ajeitar o carrinho. Achando aquilo um absurdo, aproximei da vendedora e já fui logo dizendo o que a filha dela fizera e ainda completei que aquilo não era coisa que se fazia a uma criança. Minha irmã foi atrás da filha que chorava muito enquanto a vendedora desconcertada tentava acautelar a situação, embora sem repreender a filha. Logo depois minha sobrinha veio até mim e já era praticamente uma adolescente, mas ainda assim quis saber dela como se resolvera a história e abraçando-a reconfortei em meus braços fazendo-a acalmar-se e esquecer o pior que já passara.

Inicialmente vejo que o sonho me identifica em vários personagens: 1. A criança (sobrinha) que se desespera aceitando a culpa de algo insignificante; 2. A criança mais velha que é detalhista e intolerante; 3. A adolescente que ainda precisa de atenção e consolo; 4. A tia (seria a mulher adulta?) que quer proteger, defender e reconfortar.

O quê mais representa tal sonho?

Uma dificuldade recorrente em seus sonhos e a relação com a figura de autoridade, o medo da cobrança, da punição, da repressão. Na sua história esse papel pode ter sido desempenhado por sua irmã que era a única pessoa capaz de te controlar e de repreender seus comportamentos e atitudes sem limites. A autoridade que te colocou numa camisa de força da qual ainda tenta se libertar.

Já lhe disse, de sua “sorte” parece ser mais suave se libertar das amarras do que colocar freio em cavalo selvagem. Pode ser menos traumático retrabalhar a relação com o meio se libertando da repressão do que colocar limites em criaturas devastadas pela ausência de Senso e sociabilidade.

Mas este é um desafio que tens que superar. Redescobrir sua natureza espontânea, abrir espaço para que a jovem dominada e reprimida possa se expressar com a estatura do tamanho de sua dignidade.

O sonho estando relacionado à sua irmã e à sua filha, que lembra-lhe sua condição de submissão como “filha” criada, controlada e dominada pela mãe-irmã parece-me uma reconciliação que seu inconsciente encontra para se dizer que uma criança precisa ser amada e protegida, que você preferiria ter sido protegida do que reprimida, controlada e dominada.

Mas como as coisas são paradoxais pode ser que a mensagem inserida no contexto seja de que, você pode não ter sido protegida como desejaria, mas foi protegida quando alguém funcionou como referencia impondo-lhe limites que não coseguia apresentar.

É sabido que quanto mais um povo sabe se governar menos governo há de precisar, o oposto é verdadeiro: quanto menos as pessoas sabem se governar e se conduzir de mais repressão e de autoridade elas irão necessitar.

A criança repressora funciona como símbolo de conteúdo repressor, a criança repreendida funciona como símbolo de conteúdo de inferioridade, vítima e incapaz. Você já manifesta a capacidade de responder, se proteger e atuar a partir da observação, de atitudes amadurecidas assumindo a responsabilidade ainda que condenando e repreendendo a criança castradora através da mãe. E ainda de forma simbólica consegue indicar uma forma mais amadurecida para lidar com a situação: aceitando o confronto e se posicionando.

São novas respostas, ainda que essa menina castradora exista dentro de você. Mas à medida que você trabalhar a sua expressão e compreensão da realidade maior será o seu bom senso, sua constituição como adulto, como referência, como autoridade, se libertando aos poucos dessa autoridade castradora, desta menina presunçosa que existe em você.

Eu percebo bondade, certa generosidade com os menos favorecidos, com os pequeninos, um conceito "franciscano" de amar fraternalmente.
No nosso processo de desenvolvimento sempre ganhamos e perdemos, perdemos de um lado para ganhar de outro. É assim com a sociabilidade que nos abre as portas para a civilidade, perdemos a essência selvagem que nos permite ganhar e domínio e disciplina para a convivência social. Quando o individuo não abre mão dessa natureza original acaba desenvolvendo respostas antissociais que lhe dão o conforto de uma falsa autenticidade e autonomia, daí o crescimento da sociopatia na sociedade brasileira que não educa o individuo para a vida social.

Mas abrir mãos desta natureza tosca e primitiva significa a disposição de formatá-la para um nível de interação que nos permita apreender conhecimentos e aprimorar a consciência.

Sua auto estima melhora e se consolida como mulher capaz de se posicionar com integridade e como adulta diante do mundo, assumindo o seu papel de mulher madura. Se antes foi forçada a se colocar numa camisa de força por obrigação e formação familiar, agora pode descobrir que este é o principio da cverdadeira autonomia, a conquista da civilidade, constituída na integridade plena do Ser.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

FEMINA IN NATURA


  

Num segundo sonho eu entrei eufórica (esse parece ter sido o sentimento permanente) em casa e comecei a cumprimentar as pessoas deixando-me ser levada pelo meu ímpeto, ou seja, agindo com espontaneidade total. (Será?) Eu as cumprimentava dando um abraço e, ao chegar na minha mãe, beijei-lhe as mãos. Eu me sentia impressionada pela agilidade com que conseguia fazer aquilo, principalmente por ser uma postura desejável, mas incomum para mim. Não eram abraços de quem expressa afeto, mas de quem se faz educado. Era como se eu já não fosse a mesma pessoa e quisesse demonstrar e vivenciar isso. No entanto, minha mãe recriminou-me em voz alta dizendo para eu agir do meu jeito normal. Senti-me repreendida de maneira explícita na frente de todos e respondi que estava agindo de modo natural e que tinha meu direito de agir com espontaneidade. Senti que para conseguir ser afetuosa e educada cumprimentando a todos de uma forma satisfatória eu tinha que agir por impulso, antes que minha mente neurótica viesse à tona com suas recriminações, exatamente como minha mãe fizera. Foi o que fiz e, consequentemente, agi de modo completamente diferente e não normal para minha postura reservada que tende a cumprimentar os outros no máximo com um sorriso e um “oi”. Embora ainda houvesse dificuldade por trás daquele impeto de agir diferente, era aquela a postura idealizada dentro de mim. Se abraçando para cumprimentar os outros eu me sentia mais educada e deixava a vaidade aflorar, essa naturalidade era espontânea não do meu jeito normal de ser, mas de uma crença que produzia a idealização. Quem estaria com a razão: eu ou minha mãe? Daí fiquei em dúvida entre agir com naturalidade ou com normalidade. Acho que sempre estive em conflito com essa parte materna que reina dentro de mim.



Em princípio podemos pensar em sonho compensatório, mas é pouco. Ainda que o sonho compense a realidade não afetiva em transição para uma condição de espontaneidade e afetividade, penso que isso não contempla o significado pleno da mensagem onírica.

Mas o que?

A euforia ainda que indique polarização e presença de conflito, sinaliza um estado de elação e interação nas relações pessoais. E esta interação pode indicar a canalização de energia liberada, dos conteúdos autonômos bloqueadores, para as relações interpessoais e afetivas.

Isto não é pouco, principalmente se considerarmos que sua carência indicava, em passado recente, uma demanda por afeto, a repressão afetiva, uma certa incapacidade de interagir afetivamente, respostas reativas e de manifesto agressivas. Tudo isto podendo ser traduzido para um bloqueio afetivo associado a dificuldades de estabelecer relações baseadas no afeto. Energia Bloqueada.

Este estado de euforia é liberação de energia, manifestação e prontidão para o estabelecimento de relações de afeto, resultantes de consolidação de estado emocional estável e de segurança, de atitude e manifestação de singularidade e individualidade.

Na realidade mesmo que esta predisposição ainda não apareça no seu comportamento na realidade pessoal, é preciso entender que o sistema funciona antecipando possibilidades para que quando a espontaneidade, ou o comando interno lhe empurrar para um cenário deste tipo, que você tenha repertório de respostas e lucidez para se permitir viver ou para bloquear a ação, a interação, a atuação interior, repetir o mito de Sísifo.

Este acontecimento também lhe coloca numa fronteira entre o despertar da ação e o seu movimento de permissão ou de repressão. Bem sabemos que seus movimentos foram cerceados pela repressão decorrente de julgamento e condenação que se impôs, por “n” motivos.

O sonho te coloca nesta fronteira. Suas mudanças veem sendo realizadas e agora você se defronta com um fluxo de energia que aflora e que lhe permite a possibilidade de sintonizar e expressar a plenitude do seu afeto ou repetir o passado evitando e bloqueando este fluxo e se aprisionando na insatisfação, na negação da celebração, no impedimento de expressão do afeto, entre outras coisas.

A imagem do beija-mão é exemplar: Você humildemente se rende ao sentido simbólico da maternidade, prestando homenagem e expressando afeto, abandonando o julgamento e a condenação da “Mãe”. Esta é uma submissão respaldada na respeitabilidade pelos genitores, pela ancestralidade.

Afeto é educação, e educação é afeto social, representação formal, de respeitabilidade e referência fundamental na interação. Sem educação retornamos ao estado de primitivismo e incivilidade, portanto, de afeto indiferenciado.

A energia liberada permite o fluxo do movimento, assim como a neurose bloqueia o sujeito aprisionando sua expressão afetiva.

Antes de celebrar e comungar com o outro, precisamos nos amar, nos gostar, nos respeitar, nos permitir, nos presentear, nos acariciar. Isto significa sintonia no afeto, consigo mesmo, com tudo aquilo que te constitui e que faz de cada um uma expressão da criação divina.

Na sequência aparece o confronto, através da repressão materna, que é a mãe dentro de você, não necessariamente a sua mãe. Já que esta mãe pode ter sido a sua justificativa de projeção do ressentimento, da mágoa. Mas se ela anteriormente era uma autoridade e comando, agora você se impõe com sua individualidade, já que este conteúdo que construiu (a representação materna) se virou contra seu criador: você; Lhe impedindo de encontrar respaldo afetivo para a sua demanda emocional. E possível que a representação tenha se tornado, em decorrências da carga negativa, uma representação associada ou incorporada por conteúdos autônomos que vinha te conduzindo desde então.

O evento onírico também antecipa respostas e condutas que estão sendo reconfiguradas ou resgatadas, e o “Ser” espontâneo que nasce, ou renasce, agora se defronta com o conflito nascido na repressão imposta pela sua falta de limites na infância ou na pré-adolescência, possivelmente o momento em que a espontâneidade  foi sufocada em nome da socialização e ou sufocada pelos caprichos e pelo ressentimento.

Nem tão lá, nem tão cá. Os limites são fundamentais e definem fronteiras de conduta que o “social” exige, tanto quanto o natural é fundamental para que sigamos em sintonia com o melhor de nós mesmos, nossa essência.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

VAGINA EM FOGO


CH 84
Essa noite acordei várias vezes e sempre com a cabeça cheia de lembranças oníricas. Tive sonhos bons, outros que não lembro e um que me pareceu uma extrema aberração, mas já estou achando todos os sonhos muito válidos, pois analisando-os compreendo que o importante é o que eles têm a dizer e não a sensação em si que me provocam.

Vou começar por esse que pareceu uma aberração: eu queria acordar e não conseguia. Só que não foi um daqueles sonhos de costume donde tenho a sensação de que quero acordar de verdade e inclusive acordo no final. Em tal sonho era como se eu também estivesse dormindo noutra dimensão e fosse apenas nela que eu quisesse acordar (e não na dimensão da realidade, pois nesta eu não sabia conscientemente que estava sonhando). No meio do meu desespero para acordar, veio alguém e me mandou beber água enquanto eu passei a achar que estava falecendo ou que ainda iria de fato morrer. Eu bebia e tentava arrotar como se estivesse inchada de ar. Meu coração batia tão forte que eu me sentia um tambor sendo utilizado e, uma vez sem camisa, sentindo pela mão o peito pular, nitidamente dava para constatar que eu era um homem ou estava num corpo masculino. Era como se eu estivesse sofrendo um ataque tipo convulsão ou sei lá o que poderia ser. Nisso eu desisti da ideia de acordar (já que não adiantava a mera vontade) e fui obrigada a vencer o temor da morte. Tinha momentos que eu parecia não conseguir respirar direito e pouco conseguia mover os membros superiores. Fiquei me contorcendo inteira sobre a cama até que peguei no sono outra vez. Nisso sonhei (já não é a primeira vez que tenho sonho dentro de sonho) o que jamais poderia supor que um dia sonharia: veio um cachorro (eu não o vi, mas podia senti-lo) e eu subi em cima dele e praticamente o ataquei sexualmente. Nessa parte eu já era mulher normalmente e só não pareceu um estupro canino porque ele parecia gostar também. Ao acabar o ato, não sei se eu também fui acordando do sonho ou não, consegui visualizar o cachorro: era um rottweiler preto. Ainda esfregando as partes intimas do animal, mandei-o ir chamar seu pai, pois eu estava precisando dele também e pensei comigo 'o material dele é bem melhor do que o seu'. Eu não me referia ao pai cão biológico, mas sim ao seu dono que no sonho pareceu ser meu marido, o qual estava chegando com as compras e, embora sem ver, eu sabia ser um homem malhado e tão forte quanto o porte do cachorro.

Embora seja super esquisito, no sonho eu me sentia potente e gostava daquele prazer que não estava envolvido pela minha dose natural de carolice. Não sei por que, mas vendo o sonho por fora dele, essa sensação de domínio um tanto agradável parece estar sobre uma base de indiferença para com os sentimentos alheios, o que me espanta e talvez me bloqueie. Em verdade sempre admirei e desprezei ao mesmo tempo essa postura autoritária de quem decide, ordena e realiza a liderança. Estou com conflitos nisso? Será que eu tenho essa fome sexual e não sei por não me permitir ou por não assumir conscientemente? Por que no sonho eu deixei vir à tona minha parte de mulher líder, insaciável e libidinosa?

Devido à complexidade do sonho focarei apenas alguns aspectos para evitar equivocos e o simplismo, considerarei em “tese”, e não afirmativamente.

A primeira parte do sonho parece sinalizar conteúdo de origem histérica, uma convulsão histérica. Apesar de você não apresentar um quadro clássico de neurose histérica, há núcleos, existem núcleos já detectados em sonhos anteriores, que ainda podem existir, ou que não tendo sido pulverizados ou integrados ainda se manifestam numa tentativa de se manterem vivos como núcleos autônomos com poder de interferência na personalidade.

Em segundo lugar, pode ser um movimento excepcional do inconsciente de reordenação mostrando que existe uma força de conteúdo masculino na sua origem, que independente de seu poder de controle, limitado, ocupará seu espaço devido, e realizará seu movimento para se manifestar. Já vimos anteriormente essa indicação. Mas nesta parte do sonho essa força obsessão, como que incorpora e ocupa o comando do corpo independente de suas fugas, sua evitação, seus escapes, suas artimanhas. Esse poder, essa força supera os orgulhos, a moralidade excessiva, os limites da repressão, a moral religiosa, a sociabilidade padrão, os princípios legais e sociais. Incorpora o corpo e assume o poder de seu comando.

Já lhe indiquei que possivelmente se realiza a repressão de seus desejos sexuais você tenta bloquear uma força poderosa, que, se manifesta, será projetada de forma incontrolável ou provocando desvios de comportamento não tão padronizados ou aceitáveis.

O seu poder de controle falha, quando supostamente “desiste” do comando. A força da natureza não pode e não deve ser subestimada. Se não desiste do combate você sucumbe, será reduzida, subjugada.

No momento seguinte o masculino incorporado se manifesta na explosão do desejo sexual incontrolável, ainda que no corpo de mulher.

O cão é historicamente associado à morte (como guia dos mortos), aos infernos, ao mundo subterrâneo, aos impérios regidos pelas divindades Ctonianas ou Selênicas. Está ligado aos elementos terra e água, tem significação sexual, divinatória e a conteúdos arquetípicos de inconsciente. Alem de guia dos mortos na noite escura, é intercessor entre as múltiplas dimensões, entre os múltiplos mundos inferiores e superiores. Símbolo da potência sexual, sedução e do apetite sexual é notório animal compulsivo sexual.

A imagem é a de que sua força sexual subjuga a força potente do “Canis Lupus” e a supera. Neste caso se você subjuga sua força, ela aflora como pulsão Yang, masculina e “descontrolada”, já que projetada de forma “animal”.

Há novamente evidência de dificuldades para lidar com essa sua natureza.

Você não fez referência, mas houve orgasmo? Ou foi só a manifestação do Fogo?

“Será que eu tenho essa fome sexual e não sei por não me permitir ou por não assumir conscientemente?”

Voce merece se responder. Eu tenho a imagem, você possui o corpo.

“Por que no sonho eu deixei vir à tona minha parte de mulher líder, insaciável e libidinosa?”

Ela está dentro de você. Você pensa que tem esse poder de deixar ou não vir à tona essa mulher poderosa. Você não o tem. Aprenda a administrar essa força sexual, a força do seu desejo, para aprender a ter domínio sobre si mesmo. Mas, principalmente,

APRENDA A SACIAR SEU DESEJO

PARA PODER CONHECER SUA FOME.


VAGINA GELADA



CH85
II- No segundo sonho eu estava chegando num local de neve e, como nunca estive num local desses, fiquei admirada e feliz. Eu ia fazer umas fotografias profissionais e estava numa especie de turnê. Do local donde eu estava, o qual parecia a sacada de uma construção subterrânea coberta de neve, eu podia ter uma vista linda e também teria boa parte do dia de folga para passear pelo local.

O tema se contrapõe à fornalha sexual do sonho anterior. Pode ser referência a uma noite fria ou à repressão e contenção sexual. Se o sonho foi sequência do anterior, uma baixa de pressão, tipo hibernação, após a força do sonho anterior, o esfôrço, o gasto energético é significativo. Tendo a considerar apenas o universo sensorial determinando as sensações e a vivência.

III - No terceiro eu e minha mãe havíamos ido a um local de umbanda, mas não ia ter atendimento naquele dia e, voltando para casa, reclamei dizendo: 'está vendo por que não gosto desse lugar, é desorganizado, não havia as coisas com antecedência. Já pensou se eu houvesse trazido os materiais? Até o dia de atendimento já teriam se estragado e eu teria de trazer tudo outra vez'.

Neste sonho você pontua sua mãe, cobra dela mais atenção, organização. Mostra-se atenta às exigências da realidade e aos compromissos. É a sua postura? Ou voce se corrige e se compensa? A postura é ativa e não mais a passiva que gosta de ser conduzida, mas é castradora e exigente. Papéis trocados, a filha fazendo o papel da mãe e a mãe fazendo o papel de filha. Você cobra de sua mãe um comportamento que não é capaz de praticar? Ou essa é somente sua forma de conduzir sua mãe? Reflita sobre a relação e sobre sua conduta.

IV - No quarto sonho, minha sobrinha adotiva era minha filha e alguém comentou que eu poderia ter tido ela sem me lembrar. Interessante que a minha irmã nem apareceu no sonho. Pensei na possibilidade da minha gravidez, uma vez que eu a sentia de fato como minha filha, mas como eu iria ter um surto de esquecimento de nove meses ou mais? Estariam todos escondendo isso de mim ou todos teriam tido o mesmo surto de amnesia do passado?

Avalie a relação com sua sobrinha e as consequências em você da gravidez de sua irmã. Você a invejou? Como viveu a gravidez dela? Você a critica, ou a julga, enquanto mãe? Ou você realiza a maternidade na maternidade de sua irmã? Essa é uma forma de compensar aquilo que não consegue realizar.

V - No quinto eu estava num local donde iam tirar minha medida corporal (não sei exatamente para quê). Nisso a mulher mediu e disse que eu tinha corpo de dezesseis anos. Confessei que eu me sentia bem mais nova do que a minha idade natural e, por certo, isso tinha reflexos no corpo em si também. Pensei que essa deveria ser a minha idade de maturação interior. Daí comecei a dançar com um senhor e não recordo o resto.

È essa a sua idade mental? Você se comporta como uma adolescente nessa idade? Já vimos em sonhos anteriores dessa fixação na adolescência quando optou renunciar à libertação evitando seu amadurecimento, ficando na barra da saia da mamãe. O corpo já não é de uma menina, a idade é inevitável, dançando com o mais velho o corpo mostra que se equivale. A personalidade não amadurece, mas o corpo envelhece. Quando o individuo escapa de sua maturação resta a personalidade infantil no corpo envelhecido. Escolha infeliz.

VI - No sexto eu andava por umas ruas desertas na noite escura e tocava um instrumento que parecia um bumbo. Eu parecia saber tocar aquilo e me divertia nas modalidades de sons que os batidos diferentes produziam. Eu estava bem tranquila quando apareceu um militar e me deu fuga de um monte de indígenas (ou talvez alienígenas) que foram aparecendo por causa do barulho. Deixei de tocar o instrumento e andei rápido toda receosa. Fui para um barraco que parecia ser minha moradia e a todo momento conferia na rua se não havia nenhum dos seres estranhos vindo atrás de mim.

Essa parece a sua tônica, quando encontra o prazer se vê obrigada a se refugiar para escapar das ameaças advindas da consequência do que pratica realiza. O medo reaparece associado ao seu desejo de prazer. A justificativa para a defesa é a ameaça alienígena, indígena, estrangeira. O militar neste caso é a figura da autoridade que protege, ou que reprime? A cobrança surge disfarçada de autoridade para lhe proteger das ameaças, e você se refugia, temerosa, recolhida em sua casa.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

COITO INTERRUPTO II



CH 78

Sonhos podem ser incômodos, desagradáveis, desconfortáveis, não muito diferente do que é a vida.

A questão da homossexualidade pode ser questão conceitual, já que a confronta, realça sua baixa estima e seus sentimentos de rejeição. É possível até mesmo que a existência de conflito homossexual possa ter origem neste sentimento de rejeição: Já que os homens a abandonam você os rejeita enquanto simbolicamente os agride com a sua homossexualidade. Se for isso é possível que seja também uma justificativa para não ter que aceitar o sim ou o não como direito do outro e não de forma pessoal como rejeição e revolta. Entendeu? O não do outro não pode ser levado para a contrariedade do amor próprio ofendido. O Não do outro é apenas o direito do outro de escolher o melhor para ele, e isso não pode te reduzir emocionalmente. 

O sonho sinaliza sua dificuldade de escolha, sua necessidade de explicar, se explicar, se justificar. A situação dessa suposta rejeição parece que não foi digerida, elaborada, por você. E sua vaidade... Bem, você ainda não compreendeu que a vaidade é insaciável, quanto mais você alimenta esse monstro mais ele precisa de alimento. Quanto mais infla seu ego mais gás ele precisa para se saciar. Como é uma tarefa Sisifoniana, sua tarefa será infindável. Condenada por Zeus a repetir pela eternidade a tarefa de elevar sua pedra até o cume, seu ego até às alturas, viverás o fracasso do inacabado, do interminável, ou a buisca pwermanente da aprovação do outro, do aplauso do outro.

Você esnoba, mas se sente esnobada, rejeita, mas vive a angústia de ser rejeitada. Deseja mergulhar na luxúria, mas não quer se expor como se isso fizesse de você uma vadia, mulher fácil. O que lhe resta? A masturbação, o orgasmo solitário com o consolo (o boneco) no canto escondido do quarto escondido, com medo de que alguém possa descobrir sua intimidade erótica.

Existe no sonho sinais de dificuldades, no envolvimento sexual, em decorrência dos medos de se expor nas relações, de ser rejeitada, condenada, criticada. Parece-me um coitu interruptus, aquele que desacopla, que não decola para o prazer de voar a dois no universo das sensações orgásticas. E considerando a intenção não se pode relevar a possibilidade de você se punir, você se boicota e bloqueia suas chances de viver seus orgasmos.
Começo a refletir se tens medo da força de sua sexualidade. Com medo da força do seu fogão a lenha, você não cozinha o manjar, e consequentemente não o degusta. Mas a responsabilidade é colocada no outro.
Daí surge questões: qual a forma com a qual você lida com seu corpo? Existem dificuldades em lidar com seus desejos? Há desejo de fazer sexo para que outros assistam seu desempenho? Há dificuldades corporais? Vergonha? Timidez? Vergonha ao lidar com o corpo do outro? Dificuldade de contato com os órgãos sexuais, seu e do parceiro? Houve experiência sexual traumática? As questões surgem, pois no sonho você apresenta dificuldades para interagir sexualmente devido a bloqueios. Você tem desejos de ser exibicionista, exibida? Se você se masturba, existe sentimento de culpa ou conflito pela prática erótica? Você consegue associar sexo a prazer ou só o associa a sentimento? Você dissocia o sexo de sentimento, de relação sentimental, para usufruir apenas o prazer sensorial, de contato, de sensações?

Sexo pode ser uma magnífica viagem de prazeres sensoriais ou uma Bad Trip pré-conceitual. A chave pode estar na sua insegurança, já que esta fragilidade promove em você uma ducha fria no seu Tesão, a enrijece e lhe tira o relax necessário para viver a entrega do corpo e a descoberta do corpo do parceiro. Se fortalecer sua coragem e seu atrevimento, poderá abrir a porta e descerrar este véu que a afasta do universo de sensações e de prazeres. E hora de romper com seus bloqueios, vergonhas, preconceitos.

Reflita. Bye.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

SONHO E CONFRONTOS III

                

Parece interessante tal sonho, mas que significado posso atribuir a ele?

O Sonho espelha seu momento de mudanças, e transição. E a mensagem parece-me a indicação da sua necessidade de arriscar-se mais, romper com as amarras, se permitir experiências novas sem medo de ser feliz, ainda que isto lhe exija superar medos. Romper com parâmetros tradicionais. Se lançar no espaço é mergulhar em novo cenário sem as referências conhecidas e sob seu controle. É abrir espaço para novas realidades, superar a mesmice.

A mensagem do homem tem veracidade?

Parece-me bem articulado pela psiquê e resultado de forças internas que a confrontam e lhe mostram seus limites, e a necessidade de superá-los para avançar na sua realização. Este homem é parte de conteúdos masculinos de sua origem, fonte de energia, referencia e exigência de realidade, que você conceitua como “malvado”, um lado desconhecido por você, portanto,sombrio. Mas sua mensagem parece fortalecer uma mobilização de energia que a impulsione a ação e que lhe mostra a origem de seus fracassos.

Também tenho a pequena lembrança de beijar o corpo de um homem e decepcionada constatar que ele não conseguia ficar ereto.

Isso pode ser resultado de baixa estima, ou do medo de não eriçar o prazer de um homem. Em geral essa é uma fantasia de homens e mulheres que temem não satisfazer seus parceiros. Se seu parceiro não tem ereção o problema é apenas dele, relacionado ao desejo dele, ou à uma disfunção erétil nele. Cuide de satisfazer seu tesão e deixe que seu parceiro cuide do dele. O que eu falei antes é questão do seu conceito que forma sua atitude diante do mundo. No sonho o acontecimento, além do conceito, pode ter relação com seu medo de despertar o desejo do outro, se responsabilizar pelas consequências do que pode provocar, ou sua dificuldade de excitar-se, brincar ludicamente nesta área de laser, suas dificuldades com sua sexualidade e o que pode representar.

Se há o medo não ser o bastante para excitar o macho, há também o medo de não se sentir excitada, de não conseguir romper a sua frieza sexual, de não coseguir fazer erecto o seu falus.
Para mim isso transparece sentimento de incapacidade perante algo da vida, não necessariamente ligado a sexo. Faz sentido?

Faz sentido. A dimensão sexual pode ser apenas uma entre outras variáveis. Uma variante de sua dificuldade de se relacionar afetivamente com outras pessoas. E suas dificuldades envolvem outras áreas pessoais, outros limites que não o sexo, mesmo que essa “sexualidade” conceitualmente possa ser muito mais do que a dificuldade sexual, já que envolve, como um todo, a energia da vida.

É impressão minha ou estou tendo uma recaída onírica? Bem, não foi uma boa noite de sonhos...

Se bem entendi, não penso assim, muito antes pelo contrário. Não me parece uma regressão, ainda que estados de regressão possam também ser favoráveis em determinadas circunstâncias. O que não é o caso. Mesmo que tenha sido uma noite de pesadelos, eles vêm para impulsionar o sujeito à mudanças inevitáveis na vida.

terça-feira, 20 de abril de 2010

SONHOS e REFLEXÕES II

 CH52

Interessante a recorrência dos risos.



Essa noite sonhei que estava dentro de uma padaria, não sei se sozinha ou acompanhando alguém. Não sei bem o que fora comprar, mas enquanto aguardava na fila do caixa, reorganizei um punhado de ramos de alecrim bem viçoso que segurava na mão esquerda e que, pelo visto, já carregava comigo antes de entrar naquele local. Nisso uma mulher da fila olhou para os ramos, não me importei. Aproximando do balcão, o atendente ao invés de registrar minha compra, perguntou o que eu fazia com alecrim. Disse-lhe que podia fazer banho e todos riram. Nesse momento já não era mais uma fila, pois as pessoas haviam se espalhado ao redor do balcão. Disse que dava para fazer chá e foi mais uma gargalhada geral. Eu não me incomodei com os risos e achei legar estar sendo engraçada, embora nao identificasse o que teria de cômico naquela cena tão banal. Disse que dava para fazer emplasto, essência, defumação, qualquer coisa que se quisesse. Daí o atendente pegou o molho de alecrim e começou a fazer uma espécie de ilusionismo, mas não lembro direito. Sei que eu comentei que já tentara muito fazer aquilo também com o alecrim, mas ainda não conseguira. Daí os risos cessaram, a atenção voltou-se para o homem tentando improvisar seu ‘show’ e as lembranças ficaram apenas nisso. O que um sonho desses pode representar?

Nos últimos sonhos é perceptível uma atualização e regulação dos níveis de tensão intrapsiquicos. Isto quer dizer que o Inconsciente apesar de compensar seu elevado nível de tensão, aproveita o momento para liberar energias bloqueadas pela rigidez de personalidade e pelos limites impostos pela repressão ao longo de seu desenvolvimento. Parece-me tambem exercícios de reeducação na sua relação com o mundo, e principalmente mudanças na sua auto estima, ou suscetibilidades que a faziam defensiva, regredida e inferiorizada. O grau de importancia diminui, diminuição de caprichos e vaidade que deformam o amor próprio, enquanto consolida uma relação mais natural com o seu entorno. BELEZA PURA!

O Alecrim, é uma planta que aquece e estimula o cérebro e o corpo, é ótimo como cardiotônico, estimulante, antirreumático, resolve rapidamente dores de estômago e asias, restitui a energia dos estressados por muito esforço mental. É bom para tosses, bronquites, e problemas respiratórios. Usado externamente limpa feridas de pessoas que tem dificuldades de cicatrização. E reconstitui rapidamente a energia perdida, fortalece a estrutura mental, é uma das ervas que diminui sintomas de depressão e neurastenia.

Favorece os que têm  emocional passivo, submisso, aos indivíduos que não respondem de forma concreta às agressões da vida. Aumenta a capacidade de aprendizado. É a planta chave da falta de autoestima. Atua nos desconfiados, nos que não acreditam em si mesmos, nos que não têm coragem de se lançar em novos projetos. É a erva da coragem.