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quinta-feira, 27 de maio de 2010

FRAGMENTOS SENSAÇÕES

Branca de Noiva

CH76
Terceira sensação:

um casal de noivos recém-casados saíram da festa e foram para um quarto. O noivo queria dormir ali, mas ela achou que não seria bom, pois no dia seguinte todos estaria lá para acordá-los e tirar a privacidade deles querendo saber como havia sido a noite de núpcias. O vestido de noiva dela era muito bonito: todo branco, forro de cetim sobreposto com um segundo vestido de renda bordada e uma calda comprida leve. Eu assistia aquela cena como se eu fosse a noiva e ao mesmo tempo como se eu fosse apenas uma observadora.

Seu desejo manifesto é casar. O sonho compensa seu desejo. Fica a dúvida, casar pelo cenário, pela produção, para realizar e satisfazer sua autoestima de ser o foco das atenções, ou casar para realizar o encontro com a sua alma gêmea, o seu parceiro?

Qual o desejo? Inflar a autoestima ou realizar a integração de homem e mulher, masculino e feminino? Se o desejo é saciar o ego o movimento  é feito para realizar o sonho da princesa, aí o que conta é o cenário e o homem é apenas um objeto coadjuvante do filme que foi construído no imaginário. Se a busca é a integração não importa os outros, eles não têm acesso à privacidade do casal, não há como ocorrer uma invasão, o caminho é de integração.

Neste aspecto o medo, ou o desejo, de ser invadida pode estar associado à indiferenciação do individuo com o coletivo,  a construção de defesas se fazem necessárias já que o Intento individual é voltado como foco para satisfazer a imagem voltada para o coletivo.

Quarta sensação: eu estava ao lado de um homem casado que um dia havia gostado de mim. Senti-me melancólica não pelo fato dele ter casado, mas sim por ter deixado de gostar de mim igual anteriormente. De toda forma, eu não me arrependia de não tê-lo querido no passado e nem pensava em ter nada com ele além de amizade em respeito a seu atual casamento.

Quando o futuro é vacilante, o passado é resgatado como referência. Ou o passado surge para que possa reavaliar os princípios que determinam suas escolhas. Arrepende quem faz escolhas mal feitas, e se a escolha foi mal feita é porque não se pesou devidamente o que deveria ser pesado. No sonho uma característica salta: “Senti que eu poderia ter gostado dele se ele houvesse sido mais insistente.”, a sua vida e o seu futuro entregue ao poder do outro de decidir e escolher. Sua escolha é definida pela escolha que o outro faz. Você repete o velho padrão de quem sonha e deseja que o outro modifique e transforme a sua vida. Faça você essa transformação, para que no futuro não se arrependa por omissão ou falta de posicionamento.
Quinta sensação: eu estava num local donde acontecia um processo de exorcismo. Eu segurava uma janela pequena de madeira (ela era de frestas e por trás havia uma cortina preta), pois espíritos malignos queriam entrar e me atacar. Nisso uma ratazana furou a janela e mordeu meu dedo. Ao ver o sangue eu fiquei com raiva e enfiei um pegador de roupa na goela do bicho soltando-o pela janela do prédio. As demais sensações são tão vagas que nem vou tentar descrevê-las.

Eu gosto disso, quando provocada você consegue uma reação, a iniciativa de responder no mesmo tom. Penso que isto ultrapassa a simples reatividade, pois do âmago surge o que você é, por detrás da máscara, surge a pessoa que responde, que não se permite ser aniquilada, atacada, que não se importa com a imagem de perfeita e de boazinha. A energia, a iniciativa, a capacidade de mobilizar uma ação positiva, um ataque, existe, mas por enquanto existe por trás da janela. É preciso conhecer este lado forte, ativo, determinado, seguro, sem medos, para que possa tirar melhor proveito dele, para que deixe de ser um resultado apenas dessa capacidade reativa e pulsional.

Significativo é que os espíritos malignos são conteúdos do arquétipo Sombra, conteúdos de inconsciente ainda não integrados e que segundo Jung são “a coisa que uma pessoa na tem o desejo de ser” (CW16p470), este é o lado negativo da pessoa, a soma das qualidades desagradáveis que o individuo quer esconder, o lado inferior e primitivo da natureza do homem. Para Jung, todos têm esse lado sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do individuo mais negra e densa ela é. Quando a manifestamos podemos reordená-la, quanto mais a reprimimos mais a isolamos e mais forte ela se fortalece para romper a repressão e aflorar à consciência. Como um vulcão em erupção. Somo contituidos dessas duas naturas, luz e sombras, fazemos pouco quando nos escoramos na construções de imagens, do virtual, que nos espelha. Imagens não se sustentam, se mostram inconsistentes. Precisamos iluminar nosso lado sombrio para integrarmos os opostos.

Essa repressão voce exerce sobre esse seu lado a partir do seu perfeccionismo ou pela severidade de sua rigidez construída na imagem de perfeccionismo na sua vida. É como selar um vulcão com concreto armado. O individuo acaba pulverizado pela força que armazena, concentra e reprime.

Já próximo ao despertar, tive um sonhos que conservei melhor em mente. Minha mãe me chamou para ir com ela num banheiro público. Não sei em que tipo de local estávamos. Ao chegar no banheiro feminino haviam dois homens transitando lá dentro. Minha mãe sem ao menos fechar a porta, fez as necessidades dela enquanto eu, de longe, olhava a cena estando estarrecida pela tranquilidade de minha mãe e indignada pela presença (que parecia natural) dos homens. Nisso o local transformou-se noutro que não sei ao certo o que era. Visualizei uma grande quantidade de homens e mulheres, sendo que um deles se aproximou de mim. Era meu marido (incrível a recorrência de ser casada! Já estou perdendo a conta dos maridos oníricos que venho tendo ultimamente). Saímos conversando do local. Logo em seguida eu parei num campinho de futebol para jogar bola com alguns rapazes (eu jogando bola é hilário, pois nunca tive vontade de praticar tal esporte). Entretanto, eu estava terminando de comer um sorvete com sucrilhos e sentei-me para acabar de raspar o copo, pois estava complicado chutar a bola e comer ao mesmo tempo. Nisso eu já estava era no sofá de uma casa. Eu terminei de comer, joguei o copo descartável fora, peguei a chave, tranquei a porta e saí. Não lembro mais nada. Desculpe a sinceridade, mas me parecem sonhos tão tolos que só estou relatando-os por saber que talvez você possa me clarear o entendimento perante os mesmos. É possível?

O sonho retoma o tema anterior da privacidade. Enquanto no anterior aparece a busca de privacidade, neste a privacidade inexiste, e lhe mobiliza uma energia reativa, desconforto frente à exposição, independente do desejo mascarado em medo, ou da necessidade de se expor, o que poderia sinalizar um conflito moral entre um desejo de se expor e a repressão que leva ao recuo. interessante que o mostrado é a natureza animal, Natural, mas que registra nosso lado matéria. Não somos apenas o abstrato e a imagem, somos carne, desejo, fome, instintos e necessidades que precisam ser saciadas. Nós ja somos a matéria explicita pois resultamos dela.

Também aparece uma severidade que leva à regras de distanciamento entre masculino e feminino. Naturalmente as regras sociais fazem essa separação, mas realça aquilo que parece natural entre mulheres e a figura masculina como invasiva.

É interessante que o tema apareça na satisfação das necessidades básica do ser humano, exatamente as que experimentam regras mais rígidas, mas quando são manifestas em ambiente público e coletivo não há como não associar com o nosso diálogo: Quando você vem a este espaço expõe suas necessidade em ambiente coletivo. Neste caso é necessário lhe perguntar se há algum conflito neste quesito. Se Há o estarrecido aparente em você é expressão de sua mãe enquanto que sua mãe é você se expondo. Compreendeu?

Há desejos de casamento? Neste momento ocorre alguma vontade maior de encontrar um parceiro? Vem sentido necessidade de namorar? Ocorre falta de sexo na sua vida? Há carência de troca de carícias? Está se sentindo só? Pense porque em caso negativo a sinalização de casamento é apenas da dinâmica interna de conteúdos que já se configuram mais integrados.

E para completar: sua vida está sedentária? O corpo pode compensar sua necessidade de exercícios físicos devido ao sedentarismo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

FRAGMENTOS


CH 73 Fragmentos


Os sonhos seguintes me pareceram confusos. Lembro de cinco partes cuja ordem não sei se está correta:

Na primeira, eu estava andando no meio de um local florido, parecia uma praça, quando houve um tiroteio entre bandidos e policiais. Eu saí apressada tentando me esconder.

Nível elevado de tensão, conflitos, ansiedade, angustia, conturbação, tormento. Momento de proximidade ao perigo. Parece que em momentos de tensão elevada você sonha com bandidos e tiroteios. Angústias? Cenário de realidade ameaçadora? A praça simboliza a configuração mandálica ordenada... Flores indicam polarização para equilibrar a tensão representada pelo conflito entre a transgressão e a repressão pelos mecanismos referenciais de sociabilidade, defesa, princípios morais e éticos. Tendências de transgressão e repressão de desejos, e a psique equilibrando o conflito.

Na segunda, eu estava junto de uma turma que ia viajar e fui chamada para assinar um papel. Parece que a viagem um tanto surpresa tinha sido paga junto com o boleto de pagamento da faculdade. Perguntei para quando ia ser a mesma e a moça informou-me que seria na próxima semana. Era uma viagem internacional e além de ansiosa eu fiquei bastante feliz.

Viajar, neste caso compensa a tensão elevada, novamente aparece a ansiedade como indicativo dos limites corporais e a necessidade de fuga do cenário de tensão para compensar a tensão. Há polarização.

Na terceira, eu andava por uma espécie de bosque com um senhor (era o ator Stênio Garcia com seus 78 anos) e uma jovem, quando eu disse que tinha direito a ter uma segunda chance. A mulher não era muito de acordo, mas o senhor sim. Depois eu já estava com os dois dentro de um shopping. A mulher circulava entre as prateleiras olhando uma galeria enorme de roupas de frio e bolsas, e eu a seguia admirada com a quantidade e variedade de tudo, embora desinteressada de fazer compras. Ele andava tendo a cabeça deitada em meu ombro e, pela idade, eu o sentia como se ele fosse meu pai, mesmo que a aparência fosse diferente. Houve um momento que ele cheirou meu pescoço e eu perguntei se ele gostava do meu perfume. Ele disse que sim e continuamos andando. Num momento seguinte ele já não era um senhor idoso, mas sim um homem, e meu marido. A mulher tinha se transformado numa criança que ao cair chorou e foi acudida pelo pai, ou seja, meu marido.

Reaparece seu foco voltado para conflitos que envolvem seus direitos individuais e seu papel de vítima, seja por manipulação ou senso de justiça. Conflito, tensão, disputa, competição, defesa. As compras podem aparecer em variantes:

Compulsão de comprar para compensar a ansiedade; diminuir a tensão; preencher o vazio decorrência da angústia gerada pelo conflito que produz a tensão; conquistar e incorporar objetos que compensem a solidão, etc.

A transformação do ator em pai compensa a necessidade de proteção nos momentos de perigo. Isto pode indicar sua facilidade de se relacionar com homens mais velhos, já que satisfazem sua demanda por segurança, ou por referencias de proteção. Neste caso você busca um pai não um homem, daí a confusão de um pai marido para viver a sua vivência edípica. Tem-se que considerar o papel de ator representado pela figura masculina, Um Camaleão que assume formas diversas, característica do oportunismo de representar aquilo que lhe interessa, de pensar aquilo que lhe interessa.
A ação do pai socorrendo a criança pode ser projeção de sua necessidade de ser acudida.

Na quarta, estava eu com minha irmã e uma criança de três anos idêntica a mim em tal idade. Nisso passou um pensamento repentino pela minha cabeça e eu disse para minha irmã que eu não podia ser filha de uma criança de três anos. A menina se aborreceu e vendo-a prestes a chorar, peguei-a no colo, falando que eu estava apenas brincando ao dizer aquilo, acalmei-a e levei-a para dormir. Em seguida voltei para continuar o assunto com minha irmã. Estava intrigada pensando em como descobrir quem seriam os meus pais. Entretanto, eu não tinha ponto de partida. Minha irmã disse que era para eu fazer o exame e verificar se a mãe dela não seria a minha mãe. No sonho era como se minha irmã e mãe fossem apenas duas conhecidas. Daí ela completou a fala dizendo que o difícil seria descobrir o pai, já que sua mãe tivera muitos homens durante o decorrer da vida.

Veja que existe confusão conceitual e, possivelmente, de identidade. Conturbação mental.

A NEUROSE SE JUSTIFICA,

Para manobrar e manipular o meio, a si mesma ou às pessoas. O neurótico cai na armadilha de justificar as ações que lhe interessam, de realizar o que lhe é oportuno e que satisfaça seus desejos e não percebe que engana apenas a si mesmo, perdendo referências conceituais, se perdendo em códigos básicos, e referências sociais, familiares, de relações afetivas. A armadilha de se lançar em confusão se acreditando mais.

Internamente você ganha consciência, põe luz na escuridão, mas tudo isso é apenas o principio de uma caminhada.

Na quinta eu estava com uma jovem que tirou seu bebê no carrinho para amamentar. Ele ainda dormia, mas aceitou o alimento. Depois ela o colocou em pé para arrotar e, estranhando que ela não o segurasse, fiquei apoiando-me atrás para ele não cair.

Culpa e necessidade de se proteger da vida, insegurança, falta de confiança, domínio e controle excessivo. As recorrências de relações maternais se fazem permanentes, e me faltam, informações para associações seguras sobre a dinâmica de inconsciente no presente momento. O que a leva a uma reflexão sobre seus conceitos nas relações afetivas, familiares, como filha, como mãe simbólica, ou como futura Mãe. Reflita sobre esses conteúdos em tua vida. Como já lhe disse, há limites nesta leitura.

Que sonhos bizarros! Qual o sentido deles?

Arrisquei-me a apontar significâncias nestes fragmentos, mas são simples observações já que em dinâmica de reorganização do inconsciente até a leitura deve ser paciente e cautelosa à espera de melhores momentos. Sonhos como os fragmentos acima precisam ser olhados com paciência, cuidado, delicadeza e atenção.

Para mim eles apontam para um momento específico de reconfiguração psíquica. Ou seja de ordenação psíquica, ou de transição e passagem de um estado para um novo momento psíquico.

Necessariamente não posso considerar bizarros sonhos, ainda que os sejam indecifráveis ou se mostrem impenetráveis e sem sentido. Prefiro pensar na minha incapacidade ou incompetência em compreendê-los.

Por exemplo: seus sonhos anteriores foram, para mim, absolutamente lúcidos e claros. Se no momento seguinte não o são, é preciso compreender que eles são resultantes da dinâmica de sua vida, de suas escolhas, de sua realidade, aquela que te cerca e que te envolve emocionalmente, afetivamente como filha, como família, socialmente, nas escolhas de trabalho, de convívio social, nos sonhos que quer realizar, nas expectativas pessoais.

A Vida é Insólita e possivelmente sejamos, todos nós, bizarros, mas sonhos são apenas um movimento da alma em busca de luz e de consciência, quando envolta na bruma nebulosa da noite de nossas vidas.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER


CH 69


Da noite de hoje, lembro de muitos sonhos, porém pouco de cada um. Já vou adiantar que em todos eles eu parecia muito mais uma outra pessoa do que eu mesma, principalmente pelo contexto dos mesmos. Tudo foi tão irreal perante a minha realidade! Não lembro a ordem dos sonhos, mas eis o que anotei ao acordar na sequencia das lembranças que me vinham em mente:

primeiro sonhei que estava com meu marido e duas filhas (essa coincidência parece recorrência da historia de minha mãe) num shopping. Eu ia simplesmente ao cinema, mas abracei minhas filhas muito emocionada e sensível como se estivesse fazendo uma longa viagem para outro país. Elas iam ficar com o pai passeando pelo shopping. Eu não sou mãe, mas ali eu senti um amor puro e diferente que só pode ser o amor materno. Não sei por que tanta sensibilidade emocional numa despedida aparentemente tão breve, já que um filme dura no máximo de duas a três horas. Também não sei por que somente eu entraria no cinema. Enfim, foi um sonho nada a ver com minha realidade, inclusive há anos não vou ao cinema por preferir assistir filmes em casa.

Na segunda lembrança eu estava com vários idosos e abracei um velhinho com muito carinho. Ele muito sorridente, ainda abraçado comigo, disse para as senhoras que estavam perto de nós, o quanto gostava de mim, pois eu os tratava como se eles fossem da minha família, mas eu realmente os sentia como pessoas muito próximas e queridas. Sempre me simpatizei muito com os idosos e esse foi um mimoso pedaço de sonho.

Na terceira lembrança o meu pai estava aqui em casa no lugar da minha mãe. Era como se ele não houvesse morrido, como se fosse ele quem houvesse ficado viúvo da minha mãe. Nos primeiros sonhos que tinha com ele eu estranhava o fato dele parecer estar vivo, mas a um bom tempo que já não sinto isso. É como se ele nunca houvesse morrido e isso obviamente é tão estranho quanto ter a sensação de estar vendo um morto-vivo.

Prosseguindo,

Na quarta lembrança, a minha sobrinha estava no colo da minha irmã e disse que eu era uma verdadeira filha de Deus. Ela falou isso como se fosse uma pessoa adulta, e não como uma criança de três anos. Comentei com minha irmã que via uma verdadeira filha de Deus como alguém extrovertida e comunicativa tipo minha sobrinha, e não alguém introvertida e calada feito eu. Falei isso por falar, apenas como uma modéstia minha, pois em verdade creio que todos somos filhos de Deus independente desse detalhe de personalidade. Minha irmã comentou que cada pessoa enxerga a vida e as pessoas de uma maneira e aquela era a forma da minha sobrinha perceber-me. Talvez ela me visse de tal modo exatamente pelo contraste de personalidade que existia entre nós e por geralmente acharmos que os outros são melhores. Não entendi por que minha sobrinha pensava daquela forma, mas fiquei feliz como se estivesse acreditando na sua fala. É como se eu me julgasse um monstro e percebesse-a me vendo como um ídolo. Não posso deixar de dizer que, por melhor que seja um sonho assim, também me pareceu muito estranho! É como se meu inconsciente, ou propriamente os meus sonhos, estivessem sendo bonzinhos comigo.

Na quinta lembrança eu tinha um gato muito dócil que dormia no meu colo, embaixo da coberta (eu não o via, apenas o sentia) e eu acariciava-o impressionada de ter encontrado um bichano tão manso, exatamente como muitas vezes quando criança desejara ter.

Na quinta e ultima lembrança, eu estava dançando com minha prima (que está nos EUA trabalhando no programa de Au Pair). Não sei se estávamos numa festa ou num clube dançante, mas sei que, assim como um dos sonhos anteriores, nossos passos não se encaixavam. Ela dançava num ritmo bem mais rápido. No começo achei a diferença de passos chata e até mesmo constrangedora, mas depois começamos a dançar divertidamente um pouco mais separadas e uma rodopiava a outra. Eu rodava com tanta desenvoltura que era como se estivesse flutuando sobre o chão. Eis outro sonho bom, mas completamente sem sentido. O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER II



CH 69

                                                              O Sonho Propriamente Dito


Quanto aos sonhos fragmentados relatados: todos possuem a singularidade do afeto manifesto em DINÂMICA FAMILIAR, e o último a recorrência da dança. Duas manifestações em mudança: Sua capacidade de expressar o afeto vem sendo transformada. Você se abre mais para as relações de afeto e a dança é o seu exercício de troca afetiva por excelência, seu símbolo de comunhão, aceitação, partilhamento, conjunção mente e corpo, quebra das defesas e das resistências, diminuição da severidade da autocrítica e do julgamento, melhora da autoestima, da confiança em si mesma, introdução do lúdico na sua vida. Não penso que seja apenas compensador (pode até sê-lo como exercício), mas penso com dinâmica de transformação de sua relação com o mundo.

A presença de seu pai é rica e importante. Pai e mãe devem ocupar o mesmo lugar de importância na vida dos filhos. Não há um mais importante do que o outro. Ele vem para ocupar o espaço que lhe cabe.

Estranhos morrem. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.

Os sonhos muitas vezes se fazem de canal para a convivência com entes queridos que mudaram de dimensão, ou que em outras dimensões anseiam por nossa evolução para que possam evoluir através de nós e com o nosso Saber. A evolução precisa ser realizada, se os ancestrais não evoluem nós passamos a Sermos os responsáveis por essa evolução. A existência exige isso de nós, e nossos mortos esperam essa realização, para que, cumprindo nosso dever, eles possam ser libertados do redemoinho espiral do Sansara.

A gata selvagem em você se amansa. Mantêm a característica original de felina sem o comportamento arredio e agressivo. Manifesta-se a suavidade felina, não ferina.

Como filha de Deus há sinais de sua inclusão após manifestação anteriormente realizada sobre o sentimento de exclusão familiar e de sentimento de rejeição na sua gravidez.

“Sonho 61 - Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido... Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo.”

O que mostra que o sentimento de exclusão pode estar relacionado à baixa estima, ao papel de vitima incorporado e não à fantasia de rejeição. E agora, neste sonho, o seu registro como filha de Deus, é como sua inclusão e aceitação no grupo familiar, por si mesma, já que voce é que se exclue e se marginaliza. Evento psiquico que muda a sua dinâmica interna, ou é resultante dessa mudança, e altera a escala de valorização em sua relação consigo mesma, com o grupo familiar e com o mundo.

E finalizando com a dança. O prazer aflora e se manifesta em forma da comunhão e sincronia dos conteúdos, a manifestação do comportamento lúdico e pleno, o retrato da celebração da vida.

Para finalizar, sua questão:
Serão esses sonhos verdadeiramente distantes de sua vida real?
-Eu não creio que o sejam.

Bye.