Mostrando postagens com marcador questões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador questões. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

QUESTÕES parte I





Muitas reflexões me surgiram:

Isso seria um sonho compensatório?

É possível, que o sonho tenha conteúdos sendo compensados, mas não me parece um sonho de compensação. Naturalmente o momento lhe empurra para uma relação a dois, sua carência precisa ser preenchida. Há a necessidade de contato de pele, de corpo. O corpo pode estar sedento da entrega à lascívia, há tendência à lubricidade. Mesmo que a força da necessidade da carne esteja latente, creio que o foco transcende a carne e atinge a sua dinâmica de transformação e constituição do ser simbólico.

O corpo é apenas berço entre o Ser simbólico que através dele, o ser como manifestação de um fenômeno que aflora, e o mundo onde este corpo existe. Mas nós somos os mediadores entre o corpo e o mundo. E nos cabe conduzir a bom termo e com inteligência a nossa trajetória enquanto vivos ou nos entregar como massa indiferenciada num universo que anseia diferenciação.

Esse homem representa o desejo de viver o mesmo com um homem externo?

É possível. Você pode se responder.

Mas esse encontro acontece internamente entre conteúdos Opostos, entre a sua natureza feminina e conteúdos do arquétipo Animus. Parece-me mais um estágio que antecede a materialização.

Esse homem é a projeção de meu animus?

Pode ser uma imagem ou representação do arquétipo. Portanto, "uma" e não "a".

Ainda existe em mim a necessidade imatura de ser carregada ou de movimentar-me através de um homem externo, um 'príncipe encantado'?

O sonho mostra que é assim que se conduz. Não chamaria isso de imaturidade. A força de suas origens mostra que esse é um enigma que você precisa superar. Ou simplesmente repete seus antepassados ou os superar avançando para estágios mais evoluídos onde se livra da necessidade de comandar para compensar a submissão interna, onde o feminino pela força da repressão se obriga ao subjugo do masculino.

O avanço você integra o masculino, aproveitando sua força para realizar as suas possibilidades de transformação e de intervenção no mundo.

O “Príncipe Encantado” é uma projeção da representação desse animus. É como se nenhum homem fosse o bastante para você. O bom é aquele que espelhe a sua imagem idealizada. Ou seja, o caminho da insatisfação, do fracasso e da infelicidade nas relações com o sexo oposto.

QUESTÕES parte II





Ou estaria meu animus deixando de ser subjugado pelo lado feminino dominador?

Ele nunca foi subjugado. Não possuímos esse poder. Pode-se tentar reprimir sua manifestação, mas isso promove sua potencialização e o arquétipo se manifestará de forma definitiva e imperativa definindo a condição de insustentabilidade e instabilidade da personalidade. O agregamos os conteúdo transformando e aceitando transformações ou somos subjugados pela força determinista do inconsciente.

Qual a dimensão externa e interna que um sonho desses pode representar?

O conteúdo envolve sua relação consigo mesmo, com seu interior, com sua alma. E envolve a sua relação com o mundo, a partir da harmonia ou desarmonia com o seu espírito.

Por outro lado, surge outro tipo de dúvida:

Até que ponto devemos ser independentes dos desejos, mesmo que as necessidades existam?

Esse pode ser o grande foco. Libertar-se dos desejos é um longo caminho de provações, renuncias e risco de ser engolido por eles. Mas não há caminho sem essa libertação.

Ou você encontra uma forma de satisfação dos desejos e se liberta ou não sacia e vira escravo dessa força. A repressão é o caminho menos indicado, tanto quanto o seu oposto, a satisfação sem limites, pois ela não sacia e aumenta a fome.

A liberdade pode ser trabalhada e conquistada, mas nunca o será através da força e do subjugo dos conteúdos psíquicos.

Você se forja com um indivíduo impecável, Fortalece seus princípios, se referencia na verdade, agrega disciplina, supera fragilidades renunciando aos vícios, fechando as portas para não cair nas tentações. Mas elas continuam a prevalecer.

Quando fortalecemos a coragem, a capacidade de amar, a compaixão, a humildade a vida passa a oferecer opções que anteriormente não se tinha. Parece que somos agraciados para viver os desejos de uma forma mais suave e mais passível de controle e domínio.

Diferentemente, quando abrimos a porta para a luxúria, os desejos se mostram insaciáveis e nos levam aos centros de prazer, à profusão das sensações e aos quintos dos infernos pagos com a venda da alma.

Vá de Retro Satanás!

Quem quiser que coloque a cabeça na reta!

Naturalmente estou sendo drástico. Eu me permiti chegar à porta do inferno e me dou feliz por ter conseguido retornar vivo e íntegro dessa jornada. Mas geralmente, poucos conseguem sobreviver quanto mais sair dessa densidade sem cicatrizes ou destruídos. A questão não é moral ou religiosa. Somos nós diante do mundo sob a força das pulsões internas. Um tipo de postura específico permite a muitos se livrarem da gosma, outros se superestimam e mergulham na noite dos desesperados, uma longa noite onde o retrocesso pode se tornar inviável.

QUESTÕES parteIII





Como uma mulher pode ser independente de um homem e vice-versa, se existe necessidades físicas e biológicas que os liga entre si?

Esta é, provavelmente, aparentemente uma tarefa das mais difíceis. Podemos até nos permitir ser subjugados pelos desejos, mas não temos que ser escravo sexual do “outro” ou de pulsões que contrariam princípios que nos ajudam a nos sustentar na relação com o mundo.

Esta é uma questão chave. Creio que não existe saída que não seja sustentada pela independência, pela conquista da liberdade, pelo fortalecimento da individualidade. Eu disse individualidade e não individualismo.

Quando fortalecemos nosso sistema pessoal, nos diferenciamos do coletivo e temos maiores possibilidades de partilhar e comungar. Quando enfraquecemos a pessoalidade, como náufragos nos debateremos num mar tempestuoso com poucas chances de sobrevivência.

 
Até que ponto definir se estou sendo movida por tais necessidade ou por desejos egoicos, ou ainda por ambos?

Independe de você, esta não é uma questão pessoal, ela nasce no coletivo. Torna-se pessoal na forma como respondemos à força dessa pulsão. Não há como evitar esse encontro decisivo.

O que você chama de desejos egóicos, pode ser umadesignação muito ampla para pouca coisa nela contida.

Existem conteúdos autônomos que sobrevivem penetrando na consciência através dos desejos, dessa formam podem também se associar a fragilidades na configuração da personalidade para se revestirem e conseguirem ultrapassar os filtros que impedem o acesso aos centros de mobilização do corpo, aos centros da Vontade, isto para que, quando conseguem penetrar nesse nível de comando do corpo se abastecerem da energia necessária para se manterem aglutinados.

Muitas vezes, esses conteúdos se fortalecem de tal maneira que se transformam em núcleos de pulsões com poder de acionar o individuo e conduzi-lo.

Portanto nessa esfera não se pode ser simplista e dificilmente conseguimos reduzir a vastidão desse universo inconsciente.

Quando o individuo consegue mapear e se enxergar, aprende a diferenciar da massa indiferenciada (interna e externa), dessa forma também consegue diferenciar o que é daquilo que pensa ser.

Ele consegue diferenciar pensamentos, já que nem todos os pensamentos que ocorrem em nossa câmara de pensamentos são “nossos” pensamentos. Assim ele se protege aumentando suas possibilidades de fazer escolhas que atendam aos seus interesses, vontades e desejos e não atendendo a impulsos que são produzidos para uma dinâmica de contração do seu sistema, contrária à tendência natural de expansão em sintonia com o universo.

O que fazer quando as fantasias proveniente dos desejos egoicos e narcisitas são maiores do que as necessidades reais?

Se você identifica suas necessidades reais abandone SEUS FANTASMAS. Não se leve tanto a sério, caia na real. A realidade é muito mais interessante do que qualquer fantasia que possamos imaginar.

Fantasias são fantasmas que criamos.

São fragmentos de miasmas.

Resíduos, lixo mental.

Que criados bloqueiam os fluxos de energia, nossos movimentos.

E nos afastam do essencial na vida,
já que, nos Obnubilam


terça-feira, 13 de julho de 2010

QUESTÕES II








6. Alguns sonhos estão ligados ao inconsciente coletivo. Gostaria de saber mais a respeito disso.

Em princípio eles envolvem conteúdos arquetípicos que dizem respeito às nossas origens, e à história da humanidade. São referencias evolutivas do coletivo, do destino evolutivo, associados à nossa história familiar.

Buscando maior precisão: É preciso não pensar de forma linear. Como nossa existência está inserida no cenário coletivo, no universo, já somos de natureza coletiva, parte de Um Todo. A existência nos permite a singularidade da diferenciação do coletivo, mas não nos tira dele.

Assim, pensando de forma mais ampla, o sonho é uma linha de conexão com esse universo, com essa dimensão cósmica. É a nossa conexão com o eixo do mundo, portanto com o coletivo.

Na especificidade e singularidade do pessoal, essa conexão se mostra através da memória arquetípica, sempre nos lembrando de que a singularidade não é mais do que uma manifestação única do coletivo, como uma configuração distinta que pode se ampliar de forma inimaginável e abarcar o universo tendo acesso irrestrito através dessa conexão.

Por isso não há como dizer que um sonho pessoal não esteja ligado ao inconsciente coletivo, ele também é resultado deste coletivo.

De forma didática podemos pensar, não esquecendo o essencial, que sonhos de inconsciente coletivo envolvem nosso eixo e nossa conexão com o universo e que sonhos pessoais dizem respeito à nossa singularidade como indivíduos.

7. Sonhos apresentam nossa sombra, aspectos de nós mesmos que não quereríamos possuir e que por vezes tentamos manter escondidos de nós mesmos.

Ultrapassa o nosso poder de querer ou não. A Sombra é arquétipo de um lado primitivo que precisamos reconhecer para transformar. Quando negamos esse lado sombra, em nós, ele se manifesta de forma decisiva. Independente de negarmos ou não ele se manifestará, faz parte da nossa natureza, da constituição da matéria, da natureza do universo. É uma natureza que contrapõe a luz e definitivamente polariza “um” outro lado que permite o equilíbrio do universo.

Em nós esse arquétipo pode aflorar em sintonia com a intenção do sujeito, ou contrariando a idealização do sujeito que se nega a aceitar esse lado sombrio que precisa ser reconhecido para ser transformado.

No nosso tempo a capacidade de idealização do humano cresceu de forma inimaginável, saindo do controle da realidade. As pessoas sem recursos se refugiam na idealização para contrapor a força das sombras, ou por simplismo buscam na idealização de si mesmo, a construção de uma personalidade irreal. Uma construção ilusória e inconsistente que é recurso de início de personalização da individualidade, mas que precisa ser descartada, pois é apenas virtual. Como as pessoas se agarram a essa imagem virtual e idealizada elas são como que dissolvidas e confrontadas na fragilidade dessa idealização quando mostram que não são o que elas idealizam.

Por exemplo, vejo, no dia a dia, pessoas que: Se idealizam verdadeiras, mas se comportam de maneira falsa ou mentirosa; Se idealizam moralmente respeitosas, mas por trás dos panos se comportam como imorais; Se acreditam honestas, mas não perdem oportunidade de lesar os outros; Se pensam justas, mas se mostram parciais defendendo apenas seus interesses pessoais; Se dizem humildes, mas se recusam a aceitar seus erros, ou sua condição; se mostram religiosas e se comportam como materialistas, egoístas, desumanas, sem compaixão; etc.

O arquétipo evidencia essa incoerência, essa divisão, essa dissociação entre o idealizado e o que somos na realidade. Para mim é um conteúdo excepcional que trabalha mostrando o lado sombrio e denso que anseia pela transformação.

Mas é também refugio para os que se entregam às sombras, como um buraco negro acumula o denso e realça a natureza dos opostos.

8. Alguns sonhos são compensatórios enquanto satisfação de desejos ou expressões de pulsões reprimidas.

Exato! Abrem espaço para compensar estados de desequilíbrio gerados por pensamentos, conceitos, escolhas, atitudes e comportamentos que desconsideram a natureza interior. Quando realizam a compensação, permitem ao organismo reequilibrar funções orgânicas e psíquicas descompensadas pelo sujeito em seus comportamentos.

9. Muito do que sonhamos revela o que fazemos (comportamentos e tendências) ou pensamos (conceitos, preocupações e vontades) enquanto despertos.

Revela aquilo que somos na essência, o que sentimos, nossas contradições, incoerências, tendências, inadequações, fragilidades, inconsistências, defesas, dificuldades, bloqueios, potenciais e tudo aquilo que pode funcionar como armadilha desconstruindo o sujeito e tornando-o alguma outra coisa que contraria a grandiosidade de sua existência.

10. Alguns sonhos podem estar relacionados com saída astral.

Sonhos podem ser premonitórios conduzir ao passado ou ao futuro e favorecer a conexão com outras dimensões no presente. A relação com o Tempo e com o Espaço se fazem em bases que ultrapassam nossas referências nesta realidade. Significa dizer: é um tempo absoluto e um espaço multidimensional. O tempo pode ser alongado ou encurtado, o Espaço pode ser ampliado e a distância alongada ou ser comprimido e a distância encurtada. E o corpo, assim com o mundo, sendo multi dimensional pode despertar naturezas e características extraordinárias.

O que mais devemos saber e analisar em sonhos quando buscamos sua significação?

Pobre de mim poder responder-lhe essa questão. O conhecimento humano é ínfimo frente à grandeza do universo. Quando, aqui neste espaço mostro alguma coisa nova, novas formas de pensar essa fenômeno, e tenho este propósito, partilho o resultado de meus trinta e poucos anos de experiência, um pouco daquilo que aprendi com outros estudiosos fenomenais e um pouco de minha investigação, que tento criteriosa. Mas tudo isso é a ponta de um Iceberg.
Sabemos muito pouco sobre as características dessa natureza em nós. Mas penso que quanto mais caminhamos em nosso aprimoramento pensando que abrimos as portas para compreender e conhecer essa natureza dos sonhos, descobrimos que descortinamos segredos da matéria, da existência, do universo. Abrimos as portas para o Divino. E este é um caminho de paciência, que exige uma longa caminhada, de preparação de nossas condições para suportar o encontro decisivo com a força Divina da natureza.

Às vezes fico atônito ao ver estudiosos que se agarram em estrudos, contribuições partilhadas, como se fossem resultados teóricos finais de uma pesquisa que tem fim. Estupefato como investigador, por acreditar que o que envolve o Oceano Primordial da Existência exige cautela e paciência, e como retorno frente à nossa IMPECABILIADE, de guerreiro, o inconsciente, aos poucos, mostra seus mistérios.

Aqui neste espaço, venho tentando mostrar um novo olhar sobre os sonhos ou novas formas de pensar os sonhos, E me permito esse atrevimento 100 anos após  as contribuições iniciais de Freud e após 60 anos da morte do magnífico pensador C.G.Jung.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

QUESTÕES


Estive recapitulando alguns pontos que aprendi sobre os sonho e gostaria de saber se é isso mesmo:

1. Os sonhos são expressão do nosso inconsciente, o qual se relaciona conosco através de símbolos e imagens, mas muitas vezes dá o recado de forma clara.

Esse é o princípio. Muitos pensam de forma diferente e estabelecem reduções simbólicas para chegar à interpretação. Eu acredito que existe uma linguagem, uma linguagem originada no inconsciente, registrado de forma arquetípica (imagens ou símbolos que representam conceitos) em nossa memória genética. Às vezes a construção do sonho é carregada de significados e pode aparecer confusa, outras vezes com menos conteúdos, aparecem mais evidentes. Não acredito numa pré intenção de inconsciente de camuflar ouesconder o conteúdo, ao contrário, acredito que cada vez mais na evolução humana essa linguagem será aprimorada para permitir clareza e transparência na mensagem. Acredito como Jung que o Inconsciente quer se realizar, essa sua intenção de busca de plenitude se reafirma nessa possibilidade de mensagens que sejam referencial de desenvolvimento e de "norte" neste processo de transformação.
2. O outro no sonho pode ser um espelho de uma parte minha. Eu sou eu e posso ser outros personagens. Sentimentos também são projetados no outro. Quando diferenciar se o outro ou se os sentimentos do outro são uma projeção de mim mesma?

Os sonhos podem ser pessoais ou coletivos. Quando coletivos envolvem conteúdos relacionados ao mundo, são menos presentes. Em geral são pessoais e envolvem o sujeito sua construção, sua personalidade, sua forma de se relacionar com o mundo, com as pessoas, consigo mesmo.

Podem ser:

1. Simples Atualização - Quando o organismo se reorganiza, se reequilibra, se reconfigura, favorecendo a relação do individuo com o mundo. Reequilibrando o que nossas respostas transformaram inadequadamente em decorrência de nível elevado de tensão ou frente ao impacto da realidade sobre nós;

2. Confronto - Quando conceitos construídos e formados por nós interferem de forma prejudicial na funcionalidade, no desenvolvimento e na interação com o mundo;

3. Compensação – Quando o organismo compensa estados ou funções descompensadas por respostas dadas pelo individuo;

Quando o sonho é coletivo os conteúdos envolvem os que existe fora de nós.

Quando pessoal diz respeito apenas a nós mesmos. Neste caso o outro não significa o outro mas a representação dele em mim. Sou eu, parte de mim, identidade, símbolo, significado incorporado em mim, o que penso conceituo e rejeito.

No sonho os sentimentos e emoções são seus, mesmo aquilo que aparece como imagem do outro ou como penso o outro.

3. Mesmo que de forma inconsciente, ou seja, aparentemente não intencional, muitos fatos (ou seriam todos?) são intencionais por algum motivo especifico. A psiquê produz o sonho com nossa participação direta ou indireta. Seria isso?

Geralmente a intenção está implícita. A psiquê constrói para nós, e por nós. Nós somos a consciência e somos o nosso inconsciente. A consciência, em princípio, conhecemos, às vezes negamos, e outras desconhecemos. O inconsciente, desconhecemos sempre, mesmo que possamos aos poucos tomar consciência de conteúdos e conseguir transformá-los com a ordenação da consciência.

Por isso, quanto mais assumimos uma postura consciente e verdadeira tanto menos nos enganamos, ou nos negamos.

Por exemplo, o sujeito mentiroso, constrói realidades que justifiquem suas mentiras, que neguem suas ações,consequentemente ele conscientemente constrói uma consciência inconsistente onde ele mesmo se engana. É obrigado a mentir para si mesmo, constrói uma personalidade falsa, descompensada ilusória. Produz uma consciência partilhada que se faz inconsciente. O inconsciente tentará mostrar ao individuo que algo funciona mal. Que a consciência que é referência de ordenação é disfuncional. O desastre psíquico é incalculável e as consequências profundamente desastrosas.

4. Somos confrontados (pesadelos) para desenvolver mecanismos de defesa melhores ou mais apropriados de enfrentamento da realidade ou de nós mesmos com relação ao que devemos aceitar, aperfeiçoar ou mudar.

Exato! Existem os confrontos que nos preparam para realidades adversas, aumentando a nossa capacidade mental de resistir às fortes pressões do meio, conflitos, e situações de risco. Este mecanismo é fantástico.

Veja só:

1. se você tem medo de cobra, provavelmente se a sua postura é de falta de atenção, foco, concentração, maior tendência à dispersão, independente de você andar no meio rural, você coloca seu organismo em risco de morte. Consequentemente, a psique poderá confrontá-la para que possa desenvolver atitudes que fortaleçam a lsua conexão com o presente, com a realidade, o seu eixo, seu centro, sua capacidade de atenção, e consequentemente diminua seu risco de sobrevivência, a tendência à dispersão e/ou o nível de fantasia que retira do individuo da realidade.

2. Se o indivíduo frente à adversidades apresenta respostas que evidencia sua tendência à sucumbir mental e emocionalmente, os confrontos aumentam os confrontos oníricos a de forma a possibilitar maior resistência mental para suportar esses impactos de realidade;

3. Se o individuo evidenciar respostas que demonstrem fragilidades em suportar perdas emocionais, excesso de dramatização, angústia, descompensação, os sonhos podem aumentar a ocorrência de mortes de entes queridos para preparar o individuo para essas realidades de perdas afetivas. Desta forma prepara-o para a realidade das separações e de perdas, diminuindo a tendência de sucumbir ao impacto de realidades e de acontecimentos indesejáveis. etc;

5. Conforme superamos nossos conteúdos autônomos (ou seriam os arquétipos), os sonhos vão passando para novas etapas e fases de amadurecimento e individualização do sonhador conforme esse valoriza a linguagem onírica e se comunica com seu próprio inconsciente através dela. Caso contrário, os sonhos ficam se repetindo.

Conteúdos autônomos originam-se, formam-se e agregam-se no inconsciente a partir da relação do individuo com o mundo, de suas respostas e de suas reações frente à realidade. Não são arquétipos. São núcleos de energia que associados à imagens, representações de imagens, fragmentos ou resíduos de conteúdos simbólicos, se formam em plasma, e como visgo se conectam ao sistema nervoso passando a ter acesso à consciência e passam a interferir na conduta do individuo com o poder de vontade, definindo-lhe atitudes, comportamentos, respostas, reações, transvestidos como se fosse o “EU” em forma de pensamento.

São conteúdos de matéria inteligente que como invasores apoderam-se do sistema nervoso e conduzem o individuo como se fossem o individuo. Com comandam através do pensamento, enviando impulsos, pulsões, desejos, as pessoas que são mais indiferenciadas, confusas, inquietas, ansiosas, desatentas, que vivem sem eixo, sem referência ou que não possuem conceitos bem elaborados, códigos morais bem orientados e princípios bem definidos, são como presas fáceis porque acreditam que o que acontece em suas Câmaras de Pensamento são “ELAS”, O QUE NÃO É VERDADE. Podem acabar comandas por resíduos ou fragmentos de conteúdos que se apoderam de sua estrutura mental.

Um exemplo: Transtornos Paranóides. O individuo que se acredita vítima de perseguição, antes de tudo, acredita nas fantasias, em forma de imagens ou pensamentos, que acontecem no seu universo psíquico. Esses transtornos podem ser originários de conteúdos autônomos.

A partir da consolidação e da maturação da personalidade, num processo permanente, criamos condições mentais e psíquicas para que esses conteúdos autônomos se dissolvam e que novos tenham vida curta na psiquê. Como?

Quando esses conteúdos se acoplam no sistema nervoso, eles tem acesso à câmara do pensamento e cada vez que conseguem interferir e conduzir o individuo, eles se apoderam de energia que os permitem se manter vivos, portanto eles precisam desta atuação para se reenergizarem. Quando eles não conseguem a partir desse acesso interferir na conduta do individuo, eles perdem energia e não conseguem se reabastecer, consequentemente vão enfraquecendo até que se dissolvam e sejam incorporados e integrados como conteúdos de consciência.

Eles são importantes, pois representam uma grande possibilidade de acréscimo, ampliação e expansão da consciência. Mesmo que inicialmente possam representam a possibilidade de desagregação e destruturação.


continua...
 
 

quarta-feira, 7 de abril de 2010

QUESTÕES



No sonho eu poderia induzir a morte do bebê como uma maneira de receber atenção ou ter que reagir ao confronto da falta de atenção?

Essa é a idéia. Existe uma intenção consciente e uma intenção por “detrás” em tudo que nós fazemos, ou seja, não somos tão “puros” como possamos nos imaginar. Não é atoa que o “inferno” está cheio de gente bem intencionada. Essa intenção subjacente, mascarada ou mobilizada por forças de inconsciente (núcleos autônomos, estruturas que têm acesso à consciência, e nos sonhos, estruturas de psique, conteúdos arquetípicos ou não). Neste caso é preciso compreender que essa “carência” não é apenas abstracta, uma falta ou ausência, mas um conteúdo que tem vida própria, autônoma, dentro de você, e que sobrevive se alimentando da energia disponível que a cada momento eclode nas brechas (reatividade emocional) de consciência que você abre de espaço.

Veja: como um conteúdo autônomo sobrevive dentro de nós, se ele para não se dissolver precisa de se sustentar em estrutura? Estimulando seu comportamento reativo e se apoderando da energia que você coloca disponível na mobilização psicosomática de suas manifestações emocionais explosivas e intensas.

Dizer que a irritabilidade não é intencional, mas reativa, seria o mesmo que dizer que, se algo do meio externo me irrita ou entristece, é sinal de eu ter deixado de agir em função de mim para apenas reagir em função do meio?

Perfeito, assim se comporta o reativo. O estímulo desencadeia a pulsão, a explosão emocional, descontrolada. Mesmo que acreditemos que possa haver uma “Loucura Controlada” onde o indivíduo reaja “sob” controle ou com “um certo controle”, ele se induz permanentemente a um comportamento reativo a partir de um estímulo externo que desencadei os eventos, o cenário, o comportamento.

Essa “tristeza” pode ser apenas uma resultante de núcleos autônomos manifestando caprichos, intenção manipulativa, sedução, domínio, mobilização da atenção do “outro”. E a irritabilidade é suscetibilidade. O individuo não possui filtros de defesa, resistência a estímulos e ao impacto dos eventos externos, desencadeando reações defensivas ao ser contrariado ou ao se sentir ameaçado. Falta de flexibilidade, etc. Nesta ordem o individuo funciona a partir dos acontecimentos no meio em que esta inserido.

Percebo que quando isso acontece abro brecha para preocupações tolas e arrogâncias descabidas. Ao agir uso a intenção premeditada, mas ao reagir sob o foco da tensão uso o impulso irracional, seria essa a diferença que molda a maturidade e a imaturidade?

Em principio, sim, é uma das diferenças, já que o espectro que envolve o processo de maturação é mais amplo, considerando todos as possibilidades de eventos que definem a dinâmica de formação da personalidade.

Preciso agir buscando o prazer pessoal ao invés de ficar esperando situações externas que me levem a reagir duramente contra a postura alheia, é isso?

Este é um bom começo. Você deixa de ser resultado ou resultante do meio e procura ser um individuo pró-ativo, que tem consciência de suas possibilidades, realiza escolhas, não se esconde na omissão, intervém interfere e atua no seu meio. Posteriormente, o indivíduo descobre que para ir alem, se faz necessário navegar entre as possibilidades de ação e as de “não ação”. Interferirá ou observará, dependendo das peculiaridades de cada momento. Mas definitivamente já terá se distanciado da indiferenciação, estará significativamente diferenciado do “outro”, tendo rompido os limites de resistência e da tendência que carregamos de sustentação da imaturação ( a manutenção do estado original).

eu me paraliso escondida atrás do julgamento crítico e das lamentações que faço dos outros usando disso como uma desculpa ou essa paralisação é autônoma?

Quando nos escondemos, nos omitidos na procura de uma situação mais confortável e que pouco nos exija.

A neurose é uma paralisia. Não é necessário colocar a carapuça, pois não estou fazendo referência a você, seria indelicado, grosseiro. Quero apenas aproveitar a sua reflexão para aprofundar a resposta.

Um dos graves sintomas da neurose é a prostração, a paralisia. A neurose tende a paralisar o indivíduo. A doença vai aos poucos apoderando-se das energias do individuo que vai ficando travado, sem ação, sem mobilidade, funcionando apenas na fantasia dos desejos não realizados. Neste aspecto a paralisia é decorrência de uma dinâmica que se faz viva e autônoma.

é possivel saber como e porque eu me moldei a essa postura justiceira e corretiva?

Defesa, idealização, facilidades, compensação de autoestima, caprichos, vaidade, competição, carências, inveja, etc. Mas existe no processo de desenvolvimento humano, um momento que é coletivo, um momento em que isso fica mais possível. São momentos em que somos (todos passamos por isso) levados a agirmos de forma arrogante e prepotente. Eu penso em momentos mais favoráveis, quando superamos objetivamente estados de dependência ou conquistamos espaços dentro da sociedade. A arrogância, a falta de humildade, o fascismo eclodem, o ditador em nós aparece. São momentos em que precisamos reavaliar nossos conceitos, em geral eles compensam estados anteriores de submissão e de inferioridade.

O presidente Lula não é mais ou menos arrogante, petulante, prepotente do que foi o Presidente FHC, ou daquele Collor de Melo caçador de marajás, todos compensam um complexo de inferioridade inerente ao biotipo brasileiro e que faz de nossa sociedade coletivamente uma sociedade onde o complexo de inferioridade é tão arraizado levando-nos a uma construção hipocrita como sociedade permissiva, onde enganosamente tudo é permitido pelo arbítrio. 
Fora da fase (coletiva) desta conquista de independência, a manifestação é apenas pessoal e compensatória ligado a pessoalidade.

até então eu pensava que isso fosse bom...

Todo caminho em principio é um “Bom” caminho... O seu, até hoje, lhe fez,  bem sucedida... Mas, num determinado momento precisamos mudar já que as respostas que desenvolvemos não respondem mais às expectativas do que queremos, aí... o caminho passa a indicar perigos, sofrimentos, e insucessos à vista.

...desvenciliar desse jeito de ser não me parece muito simples. Deixar minha criança renascer quer dizer me tornar uma pessoa mais serena, com menos cobranças, expectativas e julgamentos?

Nesta vida a simplicidade é uma conquista, merecida.

Exatamente!
...mas e se eu me perder ainda mais dentro da minha própria infantilidade?

Seu maior risco é se perder nesta aparente “maturidade”.

*****

      Em princípio, parece-me que você está pegando o “Espírito da “Coisa”“. 

BYE

terça-feira, 23 de março de 2010

QUESTÕES





   Ondas Psy

Nas últimas noites tenho a sensação de não estar sonhando e, quando sei que sonhei, não consigo ter lembranças claras.

Existem momentos em que a relação Sonho vigília é alterada. Os sonhos continuam a existir, mas a memória é tão frágil que não consegue manter-se, sem dissolver-se, na passagem da dimensão do sonho para a dimensão de realidade na vigília.
São duas dimensões em que vivemos com um único corpo:
Na vigília, o corpo desperto, todos os sistemas funcionando “a toda”, a consciência ligada, plugada, o corpo em ação total frente aos riscos e exigências de uma realidade ameaçadora.
No Sono, o corpo em repouso, o sistema em baixa frequência, em dinâmica de atualização consequentemente funcionando com pouco gasto energético e com funções em processo de “Pausa”. Baixa capacidade de memorização, retenção, evocação e registro. A energia disponível está sendo utilizada na manutenção das funções orgânicas e pouco disponível na capacidade de recepção de imputs e registro de dados. Quando próximo do despertar, o corpo começa a ser acionada, a frequência elevada para recuperação da capacidade total de funcionamento.
Nesta transição de uma dimensão para outra, existe uma memória integrada à função onírica e outra à função de vigília. Se o individuo vem de algum processo de repouso mais profundo em decorrência de um desgaste maior no dia a dia, este vácuo entre uma dimensão e outra, entre uma realidade e outra, aumentam, provocando a diminuição da capacidade de registro na memória de vigília, ou impedindo a transferência e o registro de dados, protegidos num quadro transitório, que permite certo nível e consciência, para o registro definitivo em realidade de vigília.
Em outras palavras: o cansaço, situações de estresse, de choque, esgotamento, uso de medicamentos, álcool, drogas, alimentação pesada que promova digestão noturna lentificada, excitabilidade, adiamento da hora de sono e repouso, podem provocar a baixa capacidade de memorização e limiar de consciência inferior. 



quarta-feira, 17 de março de 2010

QUESTÕES





Por que essa mistura de pessoas tão amigas e outras tão ameaçadoras?
São conteúdos opostos, amigos geralmente não representam ameaças e desconhecidos sim. E definitivamente o mundo é mais desconhecido do que amigo. Porque excluir a maior representação. Nosso pequeno mundo rodeado de conhecidos é uma ínfima representação da realidade desconhecida que nos envolve.

Por que a diferença de ambientes torturantes e outros agradáveis?
Os agradáveis associados aos torturantes protegem a psykhé da desestruturação ou da avassaladora consequência de suas ameaças. Mas se os agradáveis são amortecedores naturais dos impactos que sofremos de estímulos ou realidades desfavoráveis, os torturantes evidenciam ameaças internas que exigem de nós mudanças na forma de interagir com o mundo, nas atitudes ou mudanças de personalidades e de comportamento que se mostram e se fazem necessárias. Nossa natureza é dupla:Luz e sombras.

PRECISAMOS ILUMINAR AS SOMBRAS QUE NOS ASSOMBRAM

O que faz um sonho ter essas características contrastantes?
Tensão do Opostos. Nossa natureza, assim como o universo, oscila entre polaridades opostas. Nisso reside a força do mundo que mobiliza as dinâmicas de mudanças. Quando procuramos estados confortáveis que desconsideram a força bruta, selvagem, que mora em nós, e que anseiam por transformação, nós como que engessamos esse vulcão, que acumula energia até que rompa de forma desordenada a frágil blindagem que construímos. A melhor forma de destruir um inimigo é se associando a ele. Você o mantém sob o olhar vigilante, não o perde de vista e pode administrar melhor a ameaça que ele representa. O inconsciente não é nosso inimigo, mas anseia por libertação, transformação e metamorfose, para que possa realizar o seu “sentido” da vida.

O INCONSCIENTE ANSEIA REALIZAR O SEU SENTIDO DE VIDA

Por que sonhar com tantas pessoas que só as conheço dentro do sonho?
Não se deve esperar que o nosso mundo onírico seja apenas um espelho do nosso mundo pessoal. Ele abarca a memória de nossa ancestralidade, a memória do mundo e é neste vasto universo que ele espelha, já que anseia não perder a referência do eixo do mundo (morte em vida). Eu não falo da morte. A morte é natural.

O UNIVERSO SE RECOMEÇA A CADA DIA

Eu falo do intento original que é “Se realizar”, até o último suspiro isso é possível estando plugado no eixo. Agora quando se perde o eixo, o fracasso é completo.
O homem avançou de forma excepcional no conhecimento do universo e de si mesmo, o que não o afastou das armadilhas de se perder no oceano da ignorância.

O MUNDO DOS HOMENS É APENAS ESPECTRO DE NOSSAS ILUSÕES

Mundo, mundo, Vasto Mundo, muito mais vasto do que minhas ilusões.