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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ISOLAMENTO





Eu varria o quintal quando escutei algumas pessoas falarem mal de mim na casa da vizinha. A situação já estava me deixando irritada quando a dona da casa me defendeu dizendo que eu tinha família para se preocupar comigo (algo que eles não precisavam fazer) e que eu já era bem grande para saber o que fazia, para tomar conta da minha vida. Ela disse isso sem opinar sobre o assunto que comentavam, algo que não lembro a que se referia. Eu não importei com as críticas ou julgamentos em si, mas estar na boca dos outros me incomodou e irritou tanto que, logo depois, quando terminei de varrer o quintal e fui almoçar, minha mão tremia bastante. Eu não fiquei apreensiva com o quê falavam, mas sim com o objetivo fatal daquela conversa que seria tentar mudar-me.

Geralmente meu desconforto quando escuto alguém falar mal de mim é esse: a sensação de perigo por indiretamente quererem me controlar, dar jeito em mim, influenciar minha opinião e atitude para que eu decida estabelecer a vontade alheia e não a minha própria. Não sei se isso é um pré-julgamento de rejeição alheia que costumo fazer em situações do gênero, mas geralmente quando falam mal de mim a intenção maior é provocar posteriormente um confronto direto, algo que sempre costumou me abalar, me fazer sentir ameaçada, menosprezada e desrespeitada.

Venho conquistando o meu direito de ser o que sou enquanto cumpro o dever de respeitar o que os outros são. Sinto que aos poucos, aumentando gradualmente a auto-estima, o desalento vai diminuindo independente de haver confronto ou não.

De todo modo, o sonho pareceu-me claro ao mostrar que no fundo ainda existe sim uma boa cota de desconforto a ser superado. Há partes conflitantes dentro de mim?

A mulher que me defende, assim como os críticos, seria também uma projeção minha?

Esta parece uma tônica em sua vida a partir da infância sob o domínio da mãe e da adolescência sob o domínio da irmã. Você submetida ao severo comando de autoridade familiar decorrente da necessidade da família frear o comportamento impulsivo ou a autonomia que se desenhava caótica:

“...escutei algumas pessoas falarem mal de mim na casa da vizinha. A situação já estava me deixando irritada quando a dona da casa me defendeu dizendo que eu tinha família para se preocupar comigo (algo que eles não precisavam fazer) e que eu já era bem grande para saber o que fazia, para tomar conta da minha vida.”

Frente à dificuldade em controlar comportamentos fora do padrão de limites aceitáveis, os mais velhos tendem a promover o medo à rejeição, à critica, ao julgamento alheio, focando o individuo no medo de se submeter à condenação externa.

As técnicas de controle social incentivam esse medo associado ao que o outro vai pensar, dizer, comentar, julgar e condenar. Dessa forma direcionam a atenção do individuo para o outro. Retiram o sujeito dele e o lançam no espaço da ilusão, de Maya.

Ao invés de desenvolver no sujeito a consciência e o senso de civilidade que nasce da sociabilidade, o respeito aos direitos alheios que nasce no respeito a si mesmo como Ser vivo, a compreensão dos limites necessários na conduta social e a forma de estabelecer relações, o discernimento entre os opostos e aprendizagem para atuação nos cenários coletivos, o treinamento para o desenvolvimento das relações formais e privadas, as pessoas simplificam e ensinam pelo estímulo negativo, induzindo o medo de rejeição, de exclusão e condenação social, ensinam o ego Centrado no outro compensado na vaidade e no narcisismo, no distanciamento afetivo e no conceito do mundo girando ao redor da personalidade centralizadora.

A formação castradora sofrida leva ao desenvolvimento de transferências negativas em relação à origem da castração sofrida e de quebra à rejeição do coletivo. Você se submeteu à castração social, mostrando submissão, mas passou a rejeitar a família pela castração e a sociedade pela representação, interferindo decisivamente e dificultando a formação e a construção de relações afetivas autênticas que lhe permitissem a interação com os grupos pelos quais passou. Essa foi a escolhida nascida no orgulho ou na presunção compensatória de superioridade.

A individualidade castrada se vinga castrando e rejeitando o externo, ainda que esse externo seja a referência da expectativa de vida e seja a punição que se impõe como sacrifício, oferenda e renúncia.

A individualidade sacrificada não se realiza, ou só se realiza no ritual de sacrifício. Sente a ameaça e o perigo pela condenação. O outro passa a ser tão importante que enquanto foges para não sofrer o impacto da condenação invasiva deixa de perceber que já sofreu invasão perdendo o fluxo natural das relações afetivas e fraternas advindas do sentido de coexistir no coletivo.

Neste momento o destino já predefinido, coloca-a na busca de si mesmo na tentativa de reencontrar o eixo da vida. Mas é preciso resignificar os conceitos que definem a sua disponibilidade nas interações coletivas.

“Venho conquistando o meu direito de ser o que sou enquanto cumpro o dever de respeitar o que os outros são. Sinto que aos poucos, aumentando gradualmente a auto-estima, o desalento vai diminuindo independente de haver confronto ou não.”

Sua reflexão é perfeita! Esse direito é uma conquista associada ao respeito pelo direito alheio. O seu momento não é de “ilha”, mas de vivenciar o que não foi vivido até hoje. Como pessoa, encontrando outras pessoas. Como diferente encontrando outros diferentes. Como navegante encontrando outros navegantes.

Sem medo de encontrar a crítica, o julgamento dos que se acreditam superiores, a condenação dos invejosos, a maldade dos miseráveis entrevados. Mas com esperança de encontrar seus iguais, sua tribo com quem poderá compartilhar o melhor de sua vida.

Há partes conflitantes dentro de mim?

Grande probabilidade! Os opostos ainda atuam.

E a mulher que te defende, mostra que existe um novo velho caminho para tratar as diferenças. O respeito! Ela já existe dentro você e se torna referência de condução da sua dinâmica psíquica.

Ψ

domingo, 5 de dezembro de 2010

INTIMISMO E REJEIÇÃO

Nunca Mais - Paul Gauguin -
Courtauld Institute Galleries, Londres

Numa outra parte de sonho eu estava com um outro sujeito (ou seria o mesmo?) e o beijava quando ele colocou a mão por dentro da minha roupa e pedi-lhe que não fizesse aquilo, mas ele simplesmente já o fizera. Acabei fazendo o mesmo com ele e pedi-lhe para fazer amor comigo, mas ele se recusou. Não entendi o motivo de sua resposta negativa, mas respeitei. Embora meu desejo não fosse ser satisfeito, não me entristeci nem me enraiveci com sua resposta, pois era direito dele de recusar e aquilo não soou em mim como um esquivo permanente, mas apenas temporário.

O sonho reafirma e clareia o tema do sonho anterior e a confronta com o dilema: a repressão ou a intimidade; A escolha entre se entregar aos prazeres ou frear a realização do desejo.

Agora já existe uma escolha, ainda tímida, recuada, medrosa, cheia de dúvidas e de desejos reprimidos.

Você ainda busca a aceitação do outro: “Faça amor comigo?” Quem pede dá ao outro o direito da negação. Há uma tentativa de ordenar racionalmente os acontecimentos dentro de uma realidade confortável e de pré-requisitos que lhe aumentem a segurança diante de suas escolhas, diante dos outros.

Existem fatos, acontecimentos, que nascem de origens que seguem fluxos próprios que independem de nós, que não esperam esta aceitação, que não exigem aprovação. E que só precisamos aceitar... Viver.

Não compreenda que essa característica possa lhe dar a permissão para ser invasiva, já que o outro pode anunciar a sua recusa de participação. Mas para você a aprovação do outro, dá a ele um domínio excessivo sobre o evento e lhe empurra para uma condição de submissão que o evento não lhe exige. Pare de correr atrás da aprovação do outro para que possa realizar a sua satisfação.

Quero dizer: cuide de você, dos seus desejos, da satisfação de seus anseios. Não espere o outro aprovar a sua solicitação, sua escolha, ou a sua intenção de busca de prazer. Não há porque investir o outro de uma autoridade que não precisa, nem deve, existir numa relação de interação. Vá lá e faça amor com ele.

Se o outro não quiser recue. Respeite os limites, é educado e civilizado. E nos protege... De nós mesmos.

Ao investir o outro de uma autoridade que aprova ou reprova, você quebra o fluxo natural dos acontecimentos, e o enquadra dentro de um padrão, de uma normatização na busca do conforto de um controle que castra a dinâmica natural do movimento.

Ao buscar esta aprovação, você talvez queira o conforto e a certeza de não ser rejeitada, mas quase implora pela rejeição. Porque essa rejeição reforça a sua negação de si mesma.

-Tá vendo! Eu sou uma pobre coitada! Nem para isso eu presto! Ninguém me quer! Ninguém me deseja!

Saia dessa neura. Você não a merece!

No sonho, o grande avanço é a sua diferenciação.

Bela conquista!

No passado você sairia arrasada, diminuída, inferiorizada, devastada. Hoje você já adquiriu prontidão para não levar a rejeição, ou a negação de sua expectativa, para o lado pessoal. Dramatizando o “não” e justificando-se na negação do outro para se rejeitar e consolidar uma realidade de inferiorizada.

Permanecem presentes conteúdos autônomos que lhe empurram para a inferioridade. Não embarque. É assim que dissolvemos esses conteúdos, enfraquecendo-os ao retirar-lhes a fonte de energia que sustentam sua ação psíquica.

Essa diferenciação também aparece na inexistência de respostas emocionais, respostas reativas induzidas pelo confronto.

A resultante é a resignificação conceitual do acontecimento e a sua significação restrita ao fato. O “não” é apenas um “não”, um limite imposto que precisa ser aceito e ponto final, e vamos pra frente que atrás vem gente.

O fato acontecido se esgota por que o presente, aquilo que se apresenta, é mais importante. Isto significa priorizar a sua saúde mental protegendo-a de ameaças e da desestabilização, sem chorôrô, sem lamuriação, sem autocomiseração e sem drama e sem vitimização.

É assim que aprendemos a ser guerreiros,
 Aceitando a tragédia do nosso destino
 Enquanto  refugiados na lucidez
 Tentamos transformá-lo.

BY...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O VISGO DOS CONTEÚDOS AUTÔNOMOS.


CH92
Por fim sonhei que eu era preferida e minha irmã (não era a irmã real que tenho) era preterida por quase todos. Eu gostava disso mesmo sentindo pena dela, e pensava que era seu jeito irônico que fazia as pessoas não gostar dela e, portanto, a culpa era toda dela. Em verdade real eu sempre me senti preterida perto da minha irmã por achá-la mais auto-suficiente do que eu. Eis as lembranças dessa noite.

Para finalizar o ápice da projeção, a rejeição projetada na sua irmã, você ocupando o lugar dela e a condenando à tragédia do destino que se impõe. Ao não se espelhar nela como modelo, você escolheu o caminho da amargura e da disputa, o caminho desconstrutivo, o caminho de ressentida, de magoada.

É a pena que sempre sentiu de você mesma. Esta é sua realidade, seu processo de autopiedade que carrega a tantos anos nas costas. Suas amarras. É o que sua Psiquê anseia superar, para que você possa se libertar dessa armadilha emocional que conduz ao sofrimento, à insatisfação, à infelicidade e à eterna infantilidade.

O VISGO

Esses fatos que nominei de projetivos, e que se repetem em três momentos, são uma consequência do desprendimento, liberação, de conteúdos ou resíduos, que como Visgo, se mantinha vivos como conteúdos autônomos que se manifestam na consciência em forma de conceitos (pensamentos), imagens e induzem o individuo a comportamentos (emocionais e sentimentos, afetos). Quando conseguem essa insurgência à consciência, eles favorecem a liberação de energia que necessitam para manterem-se vivos e para serem incorporadas permitindo-lhes manterem-se como conteúdos autônomos.

Por isso quando através da consciência, temos uma individualidade consistente, que não abre espaço para atividades mentais descompassadas ou descompensadas, esses conteúdos não conseguindo interferir no comportamento, não conseguem a liberação de energia que os mantêm vivos, assim, ou se dissolvem em resíduos que serão agrupados a outros conteúdos, ou passam a formar novos conteúdos que serão incorporados à consciência, ampliando sua maturação.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER


CH 69


Da noite de hoje, lembro de muitos sonhos, porém pouco de cada um. Já vou adiantar que em todos eles eu parecia muito mais uma outra pessoa do que eu mesma, principalmente pelo contexto dos mesmos. Tudo foi tão irreal perante a minha realidade! Não lembro a ordem dos sonhos, mas eis o que anotei ao acordar na sequencia das lembranças que me vinham em mente:

primeiro sonhei que estava com meu marido e duas filhas (essa coincidência parece recorrência da historia de minha mãe) num shopping. Eu ia simplesmente ao cinema, mas abracei minhas filhas muito emocionada e sensível como se estivesse fazendo uma longa viagem para outro país. Elas iam ficar com o pai passeando pelo shopping. Eu não sou mãe, mas ali eu senti um amor puro e diferente que só pode ser o amor materno. Não sei por que tanta sensibilidade emocional numa despedida aparentemente tão breve, já que um filme dura no máximo de duas a três horas. Também não sei por que somente eu entraria no cinema. Enfim, foi um sonho nada a ver com minha realidade, inclusive há anos não vou ao cinema por preferir assistir filmes em casa.

Na segunda lembrança eu estava com vários idosos e abracei um velhinho com muito carinho. Ele muito sorridente, ainda abraçado comigo, disse para as senhoras que estavam perto de nós, o quanto gostava de mim, pois eu os tratava como se eles fossem da minha família, mas eu realmente os sentia como pessoas muito próximas e queridas. Sempre me simpatizei muito com os idosos e esse foi um mimoso pedaço de sonho.

Na terceira lembrança o meu pai estava aqui em casa no lugar da minha mãe. Era como se ele não houvesse morrido, como se fosse ele quem houvesse ficado viúvo da minha mãe. Nos primeiros sonhos que tinha com ele eu estranhava o fato dele parecer estar vivo, mas a um bom tempo que já não sinto isso. É como se ele nunca houvesse morrido e isso obviamente é tão estranho quanto ter a sensação de estar vendo um morto-vivo.

Prosseguindo,

Na quarta lembrança, a minha sobrinha estava no colo da minha irmã e disse que eu era uma verdadeira filha de Deus. Ela falou isso como se fosse uma pessoa adulta, e não como uma criança de três anos. Comentei com minha irmã que via uma verdadeira filha de Deus como alguém extrovertida e comunicativa tipo minha sobrinha, e não alguém introvertida e calada feito eu. Falei isso por falar, apenas como uma modéstia minha, pois em verdade creio que todos somos filhos de Deus independente desse detalhe de personalidade. Minha irmã comentou que cada pessoa enxerga a vida e as pessoas de uma maneira e aquela era a forma da minha sobrinha perceber-me. Talvez ela me visse de tal modo exatamente pelo contraste de personalidade que existia entre nós e por geralmente acharmos que os outros são melhores. Não entendi por que minha sobrinha pensava daquela forma, mas fiquei feliz como se estivesse acreditando na sua fala. É como se eu me julgasse um monstro e percebesse-a me vendo como um ídolo. Não posso deixar de dizer que, por melhor que seja um sonho assim, também me pareceu muito estranho! É como se meu inconsciente, ou propriamente os meus sonhos, estivessem sendo bonzinhos comigo.

Na quinta lembrança eu tinha um gato muito dócil que dormia no meu colo, embaixo da coberta (eu não o via, apenas o sentia) e eu acariciava-o impressionada de ter encontrado um bichano tão manso, exatamente como muitas vezes quando criança desejara ter.

Na quinta e ultima lembrança, eu estava dançando com minha prima (que está nos EUA trabalhando no programa de Au Pair). Não sei se estávamos numa festa ou num clube dançante, mas sei que, assim como um dos sonhos anteriores, nossos passos não se encaixavam. Ela dançava num ritmo bem mais rápido. No começo achei a diferença de passos chata e até mesmo constrangedora, mas depois começamos a dançar divertidamente um pouco mais separadas e uma rodopiava a outra. Eu rodava com tanta desenvoltura que era como se estivesse flutuando sobre o chão. Eis outro sonho bom, mas completamente sem sentido. O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER II



CH 69

                                                              O Sonho Propriamente Dito


Quanto aos sonhos fragmentados relatados: todos possuem a singularidade do afeto manifesto em DINÂMICA FAMILIAR, e o último a recorrência da dança. Duas manifestações em mudança: Sua capacidade de expressar o afeto vem sendo transformada. Você se abre mais para as relações de afeto e a dança é o seu exercício de troca afetiva por excelência, seu símbolo de comunhão, aceitação, partilhamento, conjunção mente e corpo, quebra das defesas e das resistências, diminuição da severidade da autocrítica e do julgamento, melhora da autoestima, da confiança em si mesma, introdução do lúdico na sua vida. Não penso que seja apenas compensador (pode até sê-lo como exercício), mas penso com dinâmica de transformação de sua relação com o mundo.

A presença de seu pai é rica e importante. Pai e mãe devem ocupar o mesmo lugar de importância na vida dos filhos. Não há um mais importante do que o outro. Ele vem para ocupar o espaço que lhe cabe.

Estranhos morrem. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.

Os sonhos muitas vezes se fazem de canal para a convivência com entes queridos que mudaram de dimensão, ou que em outras dimensões anseiam por nossa evolução para que possam evoluir através de nós e com o nosso Saber. A evolução precisa ser realizada, se os ancestrais não evoluem nós passamos a Sermos os responsáveis por essa evolução. A existência exige isso de nós, e nossos mortos esperam essa realização, para que, cumprindo nosso dever, eles possam ser libertados do redemoinho espiral do Sansara.

A gata selvagem em você se amansa. Mantêm a característica original de felina sem o comportamento arredio e agressivo. Manifesta-se a suavidade felina, não ferina.

Como filha de Deus há sinais de sua inclusão após manifestação anteriormente realizada sobre o sentimento de exclusão familiar e de sentimento de rejeição na sua gravidez.

“Sonho 61 - Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido... Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo.”

O que mostra que o sentimento de exclusão pode estar relacionado à baixa estima, ao papel de vitima incorporado e não à fantasia de rejeição. E agora, neste sonho, o seu registro como filha de Deus, é como sua inclusão e aceitação no grupo familiar, por si mesma, já que voce é que se exclue e se marginaliza. Evento psiquico que muda a sua dinâmica interna, ou é resultante dessa mudança, e altera a escala de valorização em sua relação consigo mesma, com o grupo familiar e com o mundo.

E finalizando com a dança. O prazer aflora e se manifesta em forma da comunhão e sincronia dos conteúdos, a manifestação do comportamento lúdico e pleno, o retrato da celebração da vida.

Para finalizar, sua questão:
Serão esses sonhos verdadeiramente distantes de sua vida real?
-Eu não creio que o sejam.

Bye.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

TECENDO NOVOS CAMINHOS




O que lembro do sonho dessa noite: sonhei que eu estava numa festa muito boa e divertida. Não lembro muito desta parte. Na hora em que saí da festa passei por uma mulher que estava com uma barraca cheia de artefatos de crochê e ela estava dando chapeis para quem se inscrevesse num curso para aprender a fazer aqueles artigos. Tinha um monte de vestidos e biquínis pendurados também, mas estes eram apenas para exposição. Eu queria um chapéu, mas não tinha condições de me inscrever no curso, pois não residia ali. Nisso um grupo de excursionistas começaram a ver os chapeis e a dizer que aquilo era arriscado para ela, pois poderia sair no prejuízo chamando a atenção das pessoas daquela maneira e enquanto o assunto decorria, observei que do lado havia um desenhista com uma prancheta cheia de desenhos de amostras. Ele desenhava rostos, pessoas, cenários e havia um desenho enorme de uma fera. Quando olhei para o desenho dessa fera ela pareceu ganhar vida e a rosnar fazendo rajadas de vento sair de suas narinas. Saindo de fininho eu fui para o aeroporto. Enquanto fazia o chek-in uma jovem perguntou se eu também viajara no vôo da festa de aniversário e disse que não. Aquilo me fez ficar desconfiada de que ia haver uma festa no vôo que eu estava prestes a tomar. Tirando a parte da fera que ganhou vida e passou-me um pouco de terror, o resto do sonho foi muito bom, animado e um pouco positivamente apreensivo.

CHAPÉU- Na maçonaria a cabeça coberta com chapéu é sinal de prerrogativas e superioridade. Pode corresponder ao simbolismo da coroa, signo de poder, soberania. Como o cabelo representa o instrumento receptador das influências celestes, a coroa de pontas simboliza as pontas do cabelo e a aba do chapéu, ou pontas pode ter a mesma representação. O chapéu ornamenta a cabeça do chefe e é sinal de identificação, representa os pensamentos e as ideias. Mudar de chapéu é mudar de ideias. E usar é assumir responsabilidades.
O sonho parece que continua te confrontando com seus limites, com a ideia de exclusão, de estar fora do ambiente do qual faz parte. Parece uma inadequação, de espaço, de tribo, de lugar. Novamente pode haver associação com a estima inadequada, e uma relação com o meio de inferiorização. As compensações ocorrem com os sinais de viagem, aeroporto, voar, festas (relaxamento dos níveis de tensão, atualização física e psíquica) mesmo que ameaça (a fera rosnando) surja como confronto e a sua resposta seja de sair de fininho. Negação da realidade? Desconfiança. Refazendo defesas?
A princípio me vem a necessidade de você fortalecer suas ideias, seus princípios, suas referências, como forma de se proteger das ameaças e de invasões inadequadas, isto favorecerá a formação de defesas constituídas em conceitos firmes e bem assentados. Essa história de ser levado pelas correntes, pelo fluxo em geral me parece mal entendido. Uma coisa é fazer parte do fluxo, do rio da vida e se deixar levar sem resistência pela força da vida. Outra coisa é não ter firmeza, conceitos bem assentados, referências bem constituídas e se permitir ser guiada por timoneiros inconsistentes. A NAU em que você navega você dita o ritmo e o rumo de sua vida, pode ser desastroso deixar que outros ditem o que fazer ou não fazer.

domingo, 6 de setembro de 2009

MATEUS e sua AMIGA


Mateus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ANE": Minha amiga teve este sonho esta noite: Primeiro sonhou que estava num apartamento e este era de sua irmã em Campinas. Entretanto ela tinha uma reunião de faculdade (algo já concluído há quatro anos) para OBRA Frida Kahlo The Love embrace of the universe ir e esquecera a folha donde tinha anotado o endereço da casa da colega donde se reuniriam. Ela pensou de ligar para sua mãe a fim desta verificar-lhe o endereço, mas no apartamento ainda não tinha telefone. Sua sensação era um pouco desesperadora de ter urgência por algo e não poder fazer nada. Uma vez num local donde caracterizou como uma escola, perguntou a outra colega se esta tinha o endereço que ela queria, mas esta nem lhe deu importância ao assunto. ela comentou com outra jovem que dessa vez fora ela quem faltara a uma reunião e isso soou péssimo, pois nunca lhe acontecera. Nisso uma professora quis entender a
história e também demonstrou ficar abismada com a
situação dela, pois conhecia a dedicada aluna que ela era. Foi uma situação angustiante. Em seqüência foram para uma aula de tênis da qual ela queria muito participar, mas estava fazendo algumas anotações atrasadas e nem teve tempo de participar da aula, mas houvera gostado muito e os demais alunos também. Parece que era uma modalidade esportiva nova que o colégio ou faculdade havia adotado. No que a aula de tênis terminou, ela juntou suas folhas, mas estas eram tantas que estava difícil ordenar e caber tudo dentro do fichário. Em seqüência ela retornou para o apartamento de sua irmã e se viu brincando com sua sobrinha. Era um jogo de figurinhas donde cada uma tinha que imitar algo e descobrir o par da imitação. Entretanto o jogo teve de ser interrompido, pois chegara o momento de dar banho em sua sobrinha e esta só aceitava ela para tal. O apartamento nesse momento se fez enorme e havia inúmeros banheiros. Ela escolheu um, ligou o chuveiro e, no que começou a dar banho na menina, esta começou a encolher até se transformar num bebê assustado. ela abraçou aquela criança bebê que cabia sentada em sua mão e tentou lhe tirar o medo. Nisso a pequena começou a se transformar numa estátua que, com a água, imediatamente começou a enferrujar e a sumir até ficar uma peça bem pequena, com partes soltas e desajeitadas. ela enxugou a peça, colocou-a na mesa e ficou imaginando como contaria a todos que sua sobrinha havia se transformado naquilo. Ninguém ia acreditar e, se acreditassem, no mínimo iam lhe castigar pelo ocorrido. Logo depois ela já estava numa casa e esta era linda, muito agradável, pintada de um rosa muito mimoso e suave, toda enfeitada com vasos de flores e bastante arejada. Essa casa também era enorme como se fosse três em uma. ela não soube dizer de quem era a casa, mas a sentia como se fosse sua também e disse enfaticamente que não era a primeira vez que sonhava estando nela. Em verdade uma parte da casa parecia ser sua moradia e na outra era sua irmã quem morava. Mas de toda forma havia mais gente residindo ali que ela não soube dizer ao certo quem era. Talvez fosse a família de seu esposo, o qual sentiu ser o dono de todo o local. Obviamente um esposo encontrado apenas dentro do sonho, já que ela não é casada. ela se viu caminhando até chegar num dos recantos dessa casa, o qual parecia uma varanda lateral, quando suas primas chegaram. Como ela estava suada (e não soube dizer porque estava suada) elas passaram e, embora tenham dito algo, não a cumprimentaram com um beijo, como costumam fazer. Havia alguém com ela naquele recanto e parecia ser sua avó, mas ao mesmo tempo não era realmente sua avó. ela limpou o suor com as mãos, mas suas primas não retornaram para lhe beijar e tal situação lhe faz sentir rejeitada e inferior, embora tivesse compreensão do motivo. Suas lembranças interromperam-se aqui. o que pode significar?
O sonho parece-me um sonho de confronto. O inconsciente promove o sonho de Confronto para alertar para o nível de tensão e a necessidade de mudanças de atitudes, para conflitos morais e de princípios, para os conflitos entre desejos e repreensão, para os níveis elevados de defesa, severidade e perfeccionismo, etc. no caso do sonho acima a tônica é sempre angústia, ansiedade, defesa, desespero. Inadequação na interação com a realidade, com os cenários e com as pessoas com quem mantém ralações de afeto. Vamos dissecar: reunião é compromisso, dever, obrigação, trabalho, responsabilidade, nível de tensão elevado, ansiedade, adrenalina, cobranças. Esquecimento é descompromisso e relaxamento onde não deve haver, é não priorizar o que deve ser priorizado na hora certa, é relevar o importante, postergar. Inadequação entre o que devemos e a atitude que estamos praticando. Mas se o outro tem a noção disso ele pode se tornar muito severo consigo mesmo e até exigente e perfeccionista. Mas na cadeia de eventos existe um nó que define uma quebra que leva aos extremos. Todo o sonho ressalta o interrompido, o que não flui, as cobranças,os impedimentos, os limites, as dificuldades, os bloqueios, os medos. O resultado é angustia e ansiedade. Naturalmente tudo isso produz um sentimento de inadequação, de rejeição e atua na formação de um complexo de inferioridade. "Eu" dependo do afeto do outro, se sou negado eu sofro porque não sou suprida na minha necessidade. Na situação o complexo já existe e o ICS o realça para mostrar que ele existe e que vem sendo compensado. A relação com a criança é lúdica evidencia necessidade de relax, ou necessidade de regredir ao nível da forma como as crianças se relacionam com o mundo: brincando (compensação da tensão, fuga do real ou fragilidade emocional (a pessoa pode ser muito sensível e não dá conta das exigência da realidade). A criança que quando se lava (purificação) se metamorfosea em estátua, elemento Rígido, é bem adequado para à rigidez do exigente que essa pessoa pode ter se transformado. A criança dentro dela foi paralisada. Por outro lado na dimensão Biofísica dessa pessoa pode estar ocorrendo um processo de oxidação (presença excessiva de radicais livres no sangue) que alerta para a necessidade de reavaliar a alimentação que essa moça pratica ou possibilidade de desenvolvimento de um processo de rigidez nas juntas do corpo - reumatismos, rigidez muscular,etc. -, envelhecimento precoce ou alteração no processo de calcificação óssea, (essas observações não são afirmações, são possibilidades de comunicação da psique sobre eventos biofisicoquimicos). Outra possibilidade: a metamorfose da criança em estátua sinaliza para a transformação da carne, e da água, em pedra, enrijecimento, excluída a possibilidade física, fica a formação da pessoa refratária, que abre mão do espírito do leve, do lúdico, do espírito, para se tornar fria, rígida e refratária como são os refratários. Dificuldades para lidar com a figura de autoridade, o medo de ser castigada, o sentimento e rejeição e o complexo de inferioridade são evidências de que estes processos determinam um sofrimento incomum, dor e angústia. É necessário, buscar mudanças, buscar transformações para descobrir novas formas de se relacionar com a realidade. A vida pode estar exigindo novas formas de respostas do sujeito. Em relação ao suor é natural que secreções possam despertar sensações de desconforto e rejeição mas levanto duas questões: 1ª- é direito do outro reagir da maneira mais confortável para si. O inadequado e associar a rejeição ao evento, dentro do contexto, com a questão pessoal. “Isso pode evidenciar caprichos e melindres que podem tornar a pessoa muito “Sensível” com uma auto estima mal desenvolvida, imatura. Auto estima é resultado de processo de maturação da personalidade. Se amadureço sei do meu tamanho, se permaneço infantil não desenvolvo a estima, permaneço carente, dependente; 2ª possivelmente a ansiedade do sonhador tenha de tal forma gerado uma disfunção no seu equilíbrio térmico, excitação, super aquecimento que a tenha levado ao suar e ao fechamento do sonho com realce no sentimento de rejeição associado à sua imagem de descuido. Alerta! Fortaleça sua autonomia e individualidade e não sua aparência.