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sábado, 10 de julho de 2010

ENERGIA, TRANSFORMAÇÃO, METAMORFOSE


CARLA 104 A
Sonhei que estava em casa com minha mãe e avó quando o fogo do fogão começou a ficar muito grande e não apagava. Havia uns pneus de bicicleta em baixo e fiquei com medo deles pegarem fogo. Pedi ajuda para minha mãe, mas ela e minha avó pareciam não estar nem aí. Tive de jogar água no fogo e com custo ele se apagou depois de uma explosão rápida que fez a chama azul ficar alaranjada e subir quase até o teto.

Esse sonho parece um contraste daquele sonho passado donde o gás acabou. Será que isso significa energia em excesso? Se for, faz sentido, pois ultimamente ando bastante agitada.

Não apenas energia em excesso. Costuma-se dizer que água de morro abaixo e fogo de morro acima ninguém segura. O fogo é elemento básico da vida, determinante em nossa natureza e resulta na vibração e em nossa capacidade de síntese. Em excesso é fogo que queima e que arde, fica destrutivo. Símbolo de transformação, purifica e eleva, queima os pecados, conduz a chama da paixão, acende o prazer do erótico. Vida e morte. Calor, que aquece e acende ao fogão de lenha feminino. Mas, precisa ser administrado, mesmo que experimentado. Muitas são as mulheres que temem esse fogo, que queima as entranhas e faz  o "domínio" perdido, liberando o pecado inundado a vida de prazer e orgasmos.
Em processos de transformação e metamorfose, mudanças psiquicas promovem a liberação de energia anteriormente bloqueadas ou densas e pesadas. Neste caso a transformação desses nós ou bloqueios liberam a passagem da energia.
Um exemplo:  Visiualize um cano de água do diámetro de um Mikrón, em vivências psicológicas traumáticas, o desenvolvimento de defesas bloqueiam os canais e impedem os fluxos de energia. Quando o individuo trabalha suas mudanças, esses bloqueios, ou Nó, são disolvidos e liberam maior fluxo de energia. Os sinais visíveis aparecem no aumento do ímpeto, dos desejos, do impulso sexual. A vida flui em sua força no instinto de procriação, no sentido do prazer, no rumo do prazer.


Fui para a sala e sentei no sofá ao lado do meu pai já idoso. Eu estava receosa dele querer relações sexuais comigo. Intrigante que, dentro do sonho, eu já houvera tido muitas relações com ele por vontade própria (e inclusive lembrava das mesmas como se elas houvessem sido sonhos anteriores), mas eu não queria mais tal envolvimento e intimidade incestuosa. Era como se eu me sentisse culpada por trair minha própria mãe e como se estivesse cometendo o maior pecado do mundo. Nisso ele se levantou e notei que o sofá e as almofadas estavam sujas de fezes mole. Ele foi se lavar reclamando do fato de não ter conseguido segurar as fezes outra vez (na vida real isso costuma acontecer com minha avó).

Isso simboliza um permanente Complexo de Édipo (ou Complexo de Electa como chamam alguns para o caso feminino)?

É, em princípio, uma associação pertinente pelo incesto anunciado na mensagem. Permanente,  no sentindo de eterno, não! Nesta vida, eterno... só a eternidade. Nada é permanente, tudo é transitório e impermanente. Quando se mantem o mesmo padrão naquilo que é transitório, é sinal de paralisação do fluxo natural de mudanças da vida.
Na sua história não tenho dados sobre a relação vivida com o seu pai, portanto não sei se sua vivência edípica ocorreu e se foi elaborada. No sonho é possível que se referencie à culpa de estabelecer um vínculo ao masculino e trair a relação do sacrifício oferecido à mãe. Reafirma a renúncia e o sacrifício sinalizados em sonhos anteriores. É interessante avaliar se a relação foi estabelecida e vivida com o pai ou se foi desviada e vivida inadequadamente com a mãe, á medida em que a simbiose com a mãe não superada pode ter impedido o afloramento dessa relação projetiva com o pai. Mas podem representar ensaios de separação entre seu universo simbiótico com a mãe, sinal de que pode estar rompendo com sua fixação na simbiose, fase de libertação como individuo.

Há histórico de abuso na infância?

Os excrementos indicam potência biológica, reserva de força, poder de transformação e a metamorfose de conteúdos simbólicos, conceitos, conteúdos transformados e eliminados.

Como em sonhos passados vimos a presença de Simbiose, neste é possível que haja a evolução para a fase Anal, em processo de regressão ou de desenvolvimento do controle dos esfíncteres. Neste caso, superando a simbiose, avança-se para esse estágio sequencial, com suas características específicas, uma delas a Retenção. Desenvolve-se o controle, exercita-se a retenção, aprende-se a disciplina, a troca e a renúncia ao produto original, o excremento. Alimenta-se o bom e eliminam-se os dejetos. Mantêm- se a vida. Tem relação com o sonho anterior de retenção material, egoísmo, posse. Em geral, vivências traumáticas nesta fase podem determinar indivíduos possessivos e retensivos. No sonho anterior fiz referencia ao pão durismo e ao Pão Duro Afetivo, miserável, que retém o afeto e não o partilha como o outro.

A dinâmica é permanente e sinaliza transformação, mudanças de fase, de estágios internos.


terça-feira, 15 de junho de 2010

TRIÂNGULO AMOROSO


CH 89


Tenho sonhado bastante com minha mãe e irmã em situações desgastantes donde, ora minha mãe está do meu lado, ora fica do lado da minha irmã contra mim.

No primeiro caso sonhei que minha irmã estava dentro de um quadrado de vidro, mais ou menos posicionado na altura do ombro de minha mãe, e lá de dentro ela dizia algo que não lembro o que era. Só recordo da minha mãe lhe respondendo que o mesmo bem estar que ela me proporcionava enquanto mãe, eu também proporcionava a ela enquanto filha.

No segundo caso, minha irmã houvera chegado de viagem e junto com minha mãe foram para meu quarto. Eu queria dormir, mas minha irmã deitou-se na minha cama e ficou lá toda tranquila. Enquanto visitante não quis mandá-la se retirar do meu quarto. Nisso ela e minha mãe começaram a fazer um monte de perguntas tão tolas que eu nem sabia o quê responder.

Parece um sonho pequeno, mas não teria pesadelo pior para mim do que desse gênero. Geralmente os sonhos com minha irmã são bem desagradáveis, inclusive os que minha mãe se coloca no meio como defensora minha (o que faz eu tornar-me uma criança indefesa), e acho que daria para contar nos dedos da mão a quantidade de sonhos bons que já tive com ambas.

Por quê minha irmã é a minha assombração onírica?



Veja a frase do primeiro sonho:

“Só recordo da minha mãe lhe respondendo que o mesmo bem estar que ela me proporcionava enquanto mãe, eu também proporcionava a ela enquanto filha.”

Este é o retrato das relações interpessoais, o intercâmbio a troca. Um sujeito interfere no outro, um acrescenta ao outro. Ambos são importantes e a relação só existe como opção mútua.

Como é há indicação que sua relação simbiótica com a mãe não foi superada ou abandonada, é natural que exista uma competição com sua irmã, ou dela com você pelo seu estado emocional possessivo, e ela é a assombração que você criou. Mas me falta dados para avaliar esse triângulo familiar.

No segundo sonho sua irmã e sua mãe aparecem como invasoras do seu espaço privativo.

Você age como uma criança defensiva, não indefesa, incomodada. Não se manifesta, pois suas intenções são obscuras. São relações afetivas complicadas na sua vida, relações que não se realizam. E não se realizam porque você continua a agir como vítima, carente e dependente.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SIMBIOSE



               
CH55

Segundo: Eu tinha um menino no colo e sua mãe à minha frente. O menino chorava, pois sua mãe o culpava indiretamente da morte de seu irmão mais velho, mas era claro para mim que o menino não tinha culpa nenhuma. Não lembro dos detalhes direito. Eu sabia que ela dizia aquilo sem de fato o querer dizer, como se fosse apenas uma reação explosiva de seu nervosismo. Com muito carinho eu lhe dizia enxugando-lhe as lágrimas e acariciando seu rosto, para que ele não ficasse com raiva de sua mãe e nem desse importância ao que ela dizia a ponto de ficar revoltado ou triste com a situação. Expliquei-lhe que ela ainda não havia se conformado com tal acontecido, que ela não soubera lidar emocionalmente com o fato e, nos momentos de tensão, descarregava nele dizendo um monte de tolices para se sentir menos culpada, para extravasar sua revolta e pesar da suposta perda. Eu estava ali para aliviar o mal, para confortar o menino e fazê-lo entender que não podia entrar no clima ignorante da mãe e aceitar aquela projeção de revolta, remorso e tristeza. A mãe escutava tudo calada e eu não me importava. Eu não dizia aquilo tentando mostrar a mãe a sua postura errada de agir para com o filho mais novo, pois eu também tinha compreensão para a dificuldade da mesma perante a morte do outro filho e queria passar isso para o menino que estava no meu colo de forma que ele se fortalecesse para entender a mãe em seus despautérios e ataques de culpa. Não cabia ao filho mudar a mãe, mas unicamente compreendê-la e ter-lhe piedade ao invez de raiva, revolta ou tristeza. Foi assim que eu participei e vivi tal cena. O que isso reflete de mim?

O que isto espelha? A realidade ambivalente de sentimentos em relação à sua mãe? A criança que vive em você chora essa amargura? Chora alguma culpa? E nasce em você uma atitude que busca compreensão para se libertar de sua visão critica à mãe?

O que me passa é dinâmica do processo, sinal de libertação! Diferenciação! Elaboração! Em duas vertentes:

  • Você se liberta de sentimentos, afetos projetados em sua mãe, advindos de uma relação simbiótica indissolúvel;
  • Você se liberta da criança ressentida, carente e sofrida que vive em você.
Podemos pensar que mudanças de consciência, ou da luz jogada em conteúdos que antes eram ignorados, indicam uma construção, e objetivação dessa realidade antes diferenciada e que agora se mostra em forma projetada.

Outro aspecto é a possibilidade de sonho catártico e compensador. Frente a uma elevação de seu nível de tensão a psiquê lhe favorece:

A elaboração a partir da construção de imagens. Essas imagens já surgem como gestalt de conteúdos que antes eram fragmentados e que agora já formam um mosaico da integração destes fragmentos.

A catarse para reequilibrar sua tensão, criada e mobilizada na sua relação com a realidade Filha X Mãe.

Possivelmente, se a relação com a mãe é complexa, lhe envolve em uma tensão que tende a descompensá-la. Neste caso ela ainda mobiliza na criança em você uma tensão elevada, e reativa e significativamente neste momento surge um grande diferencial:

Uma jovem mulher mais amadurecida, mas postada, mais consistente que busca compreender a realidade da relação, desfavorável ou ainda indiferenciada, E que sente e identifica o impacto desta relação no seu humor e no seu equilíbrio emocional mas considera a verdade das responsabilidades tentando se desvencilhar de julgamento e culpas.

Neste caso os indícios são de que você começa a sentir os resultados de sua mudança de consciência, Já que a partir de sua compreensão, a consciência diferenciada começa a ordenar os conteúdos passionais e pulsionais, elaborando os sentimentos, administrando as emoções, superando a reatividade e reordenando conceitos que redefinem a sua relação Filha X Mãe.

É interessante, já que no final do sonho anterior este cenário havia sido mostrado na formação do triangulo Avó X Mãe X Filha e agora aparece no triangulo: Mãe X Filho X Filha, onde você já diferenciada aparece na vinculação como estranha. É quase uma reafirmação do mesmo triângulo relacional. E você realiza a vivência do idealizado superando os conteúdos formadores e geradores desta transferência negativa.

Em relação aos sentimentos projetados na mãe, é interessante saber se você cultua a ideia de que seu amadurecimento e libertação desperta na sua mãe um sentimento de perda da filha. Neste caso, este fato pode ser apenas uma justificativa para que você mantenha-se no vínculo simbiótico, na dependência, sob a barra da saia, ou o jogo realmente pode existir (em geral as mães exercem esse domínio fascínio sobre os filhos aprisionando-os em nome do sentimento sagrado da maternidade) o que caracteriza e define o seu aprisionamento.

Obs.: A imagem do post vem como ilustração desta realidade que pode se fazer trágica quando não conduzida com sabedoria afetiva e libertadora, o cordão umbilical simbolo magistral do nascimento mesmo cortado permanece materializado não evoluindo e se transmutando para a dimensão simbólica como afeto como amor. A mãe se assegura da manutenção dos vinculos de dependência e o filho se debate em águas tormentosas na busca da libertação, prouzindo desafetos, resistências, amores irrealizados.

AVANCE!

BYE

quarta-feira, 3 de março de 2010

ORALIDADE


  

O sonho dessa noite: Eu desci do carro com minha irmã e cunhado (não sei se minha mãe e sobrinha estavam juntos) na porta de um restaurante e, logo na entrada do mesmo, encontramos com alguns amigos deles que jantariam conosco. Depois de arrumarmos uma mesa fomos nos servir. Eu peguei o prato e me servi com uma rodela de pepino, outra de tomate e então notei que não havia mais nada natural, apenas vidros com conservas. Nem mesmo o básico arroz com feijão havia no local e fiquei por entender que tipo de restaurante era aquele. Sem encontrar mais opção para por no prato, coloquei mais rodelas de tomate com pepino e uma colherinha de um creme branco que estava misturado numa conserva de pimenta. Nisso servi-me de iogurte, mas logo em seguida verifiquei que aquele iogurte fazia parte da sobremesa e eu não devia levá-lo para a mesa uma vez que o combinado era ir para uma sorveteria quando dali saíssemos. Dentro do sonho eu não pensei em confrontar os acompanhantes e fiquei olhando para o iogurte pensando no que fazer. Deixá-lo esquecido ali não seria o correto. Enquanto pensava um tanto apurada, a mulher que pesava os pratos pareceu perceber que algo estava errado comigo e sugeriu que, caso eu quisesse lavar algo, havia uma pia no cômodo da cozinha. Mais do que rápido eu fui para a cozinha e encontrei lá dentro um rapaz que terminava de lavar algumas louças e uma mulher que fazia um recheio de bolo com leite condensado cozido. Expliquei a situação para o rapaz e calmamente ele disse que eu podia despejar o iogurte num copo descartável e lavar a vasilha, amenizando a situação com a explicação de que depois comeria o iogurte ou colocaria-o em alguma sobremesa. Enquanto lavava percebi que estava me sentindo muito constrangida e pensava no quanto àquela situação me faria ficar mal-vista e mal-falada pelos dois ou por todos os funcionários do restaurante. Também pensava que minha irmã já devia estar sentindo minha falta na mesa e isso me deixou ainda mais tensa. Uma vez já estando encrencada na visão do meu próprio lado emocional, percebi que podia ser mal-vista de duas formas: 1. Por transparecer a imagem de pessoa calada e cheia de vergonha pela situação desconfortável que criara; 2. Por transparecer a imagem de uma pessoa extrovertida e meio estabanada, sendo o mais verdadeira possível, ou seja, eu não tinha intenção de usar mascara para aparentar o que não era, mas sim tentar ser o que não era e gostaria de ser naquele momento. Pensei comigo: ‘tem pessoas que extravasam suas tensões falando incansavelmente e outras como eu, se bloqueiam por completo’. Resolvi que ia dar uma de louca e extravasar meu constrangimento falando um monte de besteiras (já que em verdade eu não tinha nada sério a dizer naquele momento) e, realmente me sentindo uma doida, fui falando tudo o que vinha em mente. Comentei que trabalhar na cozinha de um restaurante deveria ser ótimo para ficar provando de tudo, disse que adorava tortas mas infelizmente não tinha boas receitas, falei que aprovava recheios com leite condensado cozido contando que quando criança minha mãe costumava cozinhar leite condensado para comer puro e, em cada fala, eu ria bastante de mim mesma naquela ousadia maluca de tanta besteira falar e, por incrível que pareça, eles também riam como se estivessem me adorando ou, no mínimo, me achando super divertida. Transformando a sensação inicial de desconforto em alivio e um feliz estranhamento de mim mesma, aproximei-me da mulher e elogiei as duas pequenas verrugas de seu rosto dizendo que não pareciam ser verrugas e sim duas sardas que faziam seu rosto ficar bonito e diferente. Eu não estava mentindo e nem tão pouco sendo verdadeira, estava apenas comentando aquilo que vinha em minha mente como se não quisesse mais parar de falar, pois, quanto mais falava, mais destravada e livre de mim mesma eu me sentia, além do que, percebi que se alguém fosse falar de mim posteriormente, não seria pela besteira cometida com a sobremesa, mas sim pelas besteiras que ali houvera falado. Eu sentia que eles estavam se agradando do meu jeito comunicativo (embora disfarçadamente forçado), mas o melhor era sentir que eu estava me amando enquanto uma maritaca.
Não sei se os meus sonhos estão se formando baseados nos meus pensamentos e sentimentos, ou se são estes que estão influenciando meus sonhos. A questão é que por várias vezes tentei me visualizar sendo comunicativa e, para tal, eu teria que agir idêntico ao sonho, ou seja, falar sem pestanejar (mas com bom-senso, claro) e ter de suportar a minha sensação inicial de estar me comportando como uma doida que não sabe de qual hospício saiu. Um ponto do sonho é muito real: geralmente a timidez é mantida por receio da desaprovação alheia e, daí, uma vez que ser tímido também é visto de forma negativa por praticamente todo mundo, por que não arriscar sofrer uma desaprovação por ser alguém desinibida e um tanto extrovertida? A principio qualquer tanto de palavras vai me fazer sentir uma tagarela, mas com o tempo, o equilíbrio do que dizer ou não e a espontaneidade perante uma conversa serão itens naturalmente conquistados. Foi sem dúvida um sonho bem interessante! O que acha?

ORALIDADE II




  


Inicialmente aparece a inadequação, tensão, ansiedade, perda da espontaneidade. O sonho parece compensador de sua necessidade de comunicação. Você precisa romper o compromisso de não falar porque as pessoas não merecem te ouvir, romper o medo de falar, superar a severidade de sua crítica e de seu julgamento, encontrar sua natureza espontânea, sua naturalidade.
Você se defronta com a “neurose”. A neurose é a perda da espontaneidade. Supera-la é o reencontro com sua natureza original, espontânea, autêntica. Mas para reencontrar essa naturalidade é necessário se desvencilhar das armadilhas, ou você acabará sendo arrastada para dentro da patologia revestida de outras manhas, artimanha, máscaras. Neste caso você aparentemente rompe com a neura instalada, mas acaba envolvida pela neura que se reconfigura em novo formato para permanecer ativa, viva, atuando e te comandando com manifestações autônomas de inconsciente.
Eu costumo dizer que as doenças são vivas. Em geral as pessoas pensam na doença como uma manifestação estática, apenas sintomática de um desarranjo. Mas, não! As doenças são vivas, querem permanecer vivas, porque conquistaram uma forma de viver, ainda que seja como uma entidade invasora no corpo em que se formou e instalou.
O fenômeno me parece excepcional. A patologia resiste de todas as formas possíveis e se faz MUTANTE, oportunista, abandonando uma configuração constituída para se rearranjar de outra forma. Nesta hora, a máxima cristão se faz presente: Orai e Vigiai. Não se iluda rompa paradigmas, evite a mesmice, o caminho simplista e aniquile o dragão, a patologia, transforme essas energias densas e as incorpore à sua dinâmica, não perca de vista a possibilidade de ser autêntica.
Como? O seu momento é de reconceituar sua relação com a realidade, não escapar para respostas comuns. Evite a repetição de hábitos, se permita se redescobrir, retire essas carapaças que te envolviam e se permita livre. O que fazer? Compartilhe, divida, escute quando tiver que escutar, fale quando sentir vontade de falar e principalmente: não saia de um extremo para se exigir em outro. A uma longa estrada para você percorrer; Não se apoie em conceitos deformados, refaça-os; Não se escore em modelos, você blindará novamente sua liberdade.
Houve um momento em sua vida que para se proteger você encontrou uma forma que lhe permitiu se relacionar com relativo sucesso com o mundo. O tempo passou, e suas respostas já não se mostravam mais tão eficientes como no passado. Surge um novo momento. Descobrir como responder às exigências do mundo, às suas demandas pessoais, ao seu novo momento, à sua nova idade, realidade. Um trabalho hercúleo, onde você será exigida. Mas as perspectivas são favoráveis. Só não caia na armadilha da enganação, de se forjar dessa ou daquela forma. Se permita “Ser”. O Ser esta além do certo ou do errado. A referência são os princípios e a ética, assim você se forja com uma consistência maturada. Não precisamos nos moldar em uma armadura. Não se permita imaginária, se fazendo parecer, resultado de idealização, da sua fantasia de seduzir e dominar os outros. Você não precisa de justificativas para expressar seus sentimentos, emoções, pensamentos, crenças, conceitos, visão do mundo, percepções, descobertas, conhecimento, informação. Você não precisa de se esconder na fala para desviar o foco dos outros de seus constrangimentos ou inadequações. Você precisa de leveza... Apenas levemente Ser. Somos todos índios, humanos, todos em processo de aprender a viver de forma mais autêntica para que possamos expressar a riqueza que carregamos em nosso espírito do tempo, na alma.

Se nunca realcei, um detalhe cada vez mais foi ficando saliente e se soltando ao olhar, sua dificuldade em relação à fala intrinsecamente pode estar ligada não apenas ao processo de repressão, por você vivenciado, mas a algum desacerto gerador de distúrbio vivido na sua relação com sua mãe em fase de amamentação. Já havia lhe sinalizado sobre a recorrência de imagens de alimentos e de sua relação de constrangimentos com foco em alimentos em seus sonhos. Possivelmente existe algum nó formado e desenvolvido a partir do período da relação simbiótica vivida no primeiro ano de vida da criança com a mãe. É interessante, caso não saiba, que busque informações sobre sua fase de amamentação, quanto tempo durou, se foi amamentada, como sua mãe viveu este período, se teve depressão pós parto, a relação com o pai, o pai com a mãe. Investigue o que rolou no seu primeiro ano de vida.


Pela boca, após o corte com o cordão umbilical, estabelecemos a manutenção da vida. A criança estabelece vários tipos de conexão com a mãe: pelo olhar o contato visual; identificando e codificando sons maternos e os diferenciando de sons ameaçadores; pelo tato no sutil toque das mãos com os seios, rosto, e outras partes do corpo; pelo olfato na identificação dos cheiros primordiais da mãe associados ao prazer, ao conforto; pelo paladar com o sabor do leite, textura e posteriormente com os outros sabores, etc. Nos alimentamos não apenas de soro materno,  mas de amor, proteção, segurança, confiança, aconchego e inundados com esses alimentos, nesse universo sensorial de prazeres e êxtase, construímos nossos vinculos, a conexão com a realidade e a relação com o mundo.

A fala é antes da comunicação o resultado da construção do simbólico e do desenvolvimento da relação do indivíduo com a mãe. Essa dinâmica se espelhará, se projetará, na relação com o mundo. É neste ponto, nestaa conexão é que aparece a maioria de seus embaraços. Nesta ponte entre a margem do imaginário, do simbólico, de codificação com a realidade que aparecem as interrupções, defesas, resistências, ou seja, o fluxo é descontínuo, e instável que vives. Captou?

Eu sinto que foi um sonho mais do que interessante, um sonho transformador e elucidador. Sinto que o inconsciente responde favoravelmente ao seu esforço de transformação.

DETALHE:   o yogurte  é em tese o leite coalhado, o que nos remete à relação do soro materno. Héracles suga o leite da Imortalidade no seio de Hera. O  leite é simbolo lunar, feminino, ligado à renovação, abundancia, fertilidade, caminho da iniciação e simbolo do conhecimento. 

Caetano Veloso já cantava:



 "Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada...
...Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas"

Todos querem sarver o leite bom, para voce ele é a sobremesa, que sentes não ter direito de consumir, o que te deixa encalacrada, defensiva poi acuada, como se o direito não houvesse.


 
                                                                       BYE