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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

CAÇANDO BEIJOS, PESCANDO AFETO







Depois sonhei que eu estava vendo um rapaz que beijava uma jovem no pescoço e a abraçava. Embora distante eu podia sentir aquele afeto em mim, mas parecia pouco senti-lo apenas vendo a cena. Consciente de que estava sonhando e pensando que aqueles dois deveriam ser uma representação ou projeção de mim mesma, eu fui até eles, joguei a jovem longe com toda a minha força, para vê-la morta mesmo, e tomei-lhe seu lugar dizendo a ele que aquela era apenas uma parte de mim, mas que eu resolvera tomar meu lugar por completo. Ele aceitou e, abraçados, trocamos vários beijos no pescoço e nos ombros.

Eis um sonho que evidencia a sua mudança de atitude de Agente Passivo Submisso para Agente Pró Ativo.

Duas observações:

1. Há transformação em sua dinâmica psíquica. Mudança na dinâmica que rege sua singularidade diante do mundo, na atitude, na postura e comportamento. Não importa a justificativa que a leva a desencadear o seu movimento. A intenção se realiza.

2. Altera-se o padrão psíquico. O movimento anterior era para o interior, recuado e... Protegido no papel de vítima, carente e rejeitada.

Mesmo que, a princípio, a força para realizar o movimento possa ter sido excessiva, é preciso compreender que para romper a inércia, do submisso carente e recuado para o dinâmico proativo exige-se um processo de adequação para o movimento. Assim, a pulsão inicial pode ser "sem medida", excessiva por ter que colocar o corpo onírico em ação.

 Esse corpo onírico necessitada de sutileza, energia edominada, e a psique pode tê-lo acionado com uma pulsão que usa para despertar o corpo, promovendo a reação além dos limites.

Importante é que há o Intento. A energia é desbloqueada e liberada para a ação. O sujeito rompe as travas e realiza a intenção.

O RESULTADO:

A Tensão eleva-se rompendo com padrões e limites, até então, aceitáveis e o sujeito busca a realização do seu desejo.

Se anteriormente usava-se a manipulação do meio como vitima abandonada, e pobre coitada, para a realização do desejo, a dinâmica agora coloca o sujeito como responsável pela sua satisfação assumindo todos os riscos pela escolha que faz.

O sonho confrontando-a com a condição de abandonada e colocando apenas como assistente mobiliza a sua capacidade de responder, dando-lhe a oportunidade de escolher outras formas de respostas.

Mas para isso foi necessário romper com as defesas, conceitos morais, assumir o desejo e correr atrás de sua satisfação. Este é o primeiro movimento decorrente de suas transformações pessoais.

Naturalmente este ímpeto, essa tendência de movimento será projetado na sua realidade dando-lhe a chance de experimentar novas formas de responder aos acontecimentos no seu entorno.

Pessoalmente acredito numa grande mudança. Você se assumindo como mulher. Mulher adulta capaz de buscar a realização de seus desejos, sua satisfação. Seu prazer, suas necessidades.

Pode-se pensar que é apenas um sonho compensatório onde você compensa a incapacidade de realizar a ação assumindo posições mais positivas. É Possível.

Prefiro considerar que mudanças tão significativas tendem a correr primeiramente no interior para posteriormente serem projetadas na realidade, incorporando-se ao comportamento manifesto.

Há indicação de risco na indiferenciação: O estimulo lhe induz a reação, sua suscetibilidade está elevada. Mas essa indiferenciação pode estar associada a necessidade de satisfação do desejo, do encontro com o outro, sua necessidade de trocar carícias e atender à sua sexualidade de mulher adulta. Beijar na boca, abraçar, saciando a oralidade, a necessidade de carícias que o corpo nos exige e quem sabe chegar aos prazeres dos múltiplos orgasmos.



O Poder Feminino 
espelhado pelas poderosas, famintas e atormentadas
mulheres de New York
em Sex and the City


Nosso destino se realiza a partir de nossas escolhas e decisões. Certas questões na sociedade moderna exigem novos padrões de comportamento, não podem apenas serem desejadas, precisam ser caçadas, conquistas.

A mulher conquistou o direito de caçar, ir de encontro ao masculino, exercitar a “corte” tanto quanto o homem. Essa já não é mais uma questão fechada, exclusiva da masculinidade, é uma questão de direito pessoal, o direito de escolher, buscar, de se permitir ir de encontro à realização dos desejos pessoais.

Se no passado a posição feminina era a de esperar a corte, o presente exige que a mulher manifeste a sua intenção, o seu desejo, a sua escolha. São novos os rituais antropomórficos no estabelecimento das relações humanas. Os novos tempos abrem essa possibilidade de igualdade.

Estes são apenas jogos iniciais de um complexo envolvimento e entrelaçamento das vidas do masculino e do feminino, que definem os relacionamentos. Nada parecido ocorreu antes. Neste momento a vida exige essa maleabilidade para os que sentem a estranheza nas mudanças dos costumes e dos padrões de envolvimento entre homens e mulheres. Os novos tempos exigem novas formas na busca das interações e no estabelecimento de relações afeto-emocionais-econômicas. Os mais flexíveis e astutos se adaptarão com menos sofrimento.

Este é um detalhe arquetípico do sonho. Ele transcende o pessoal porque espelha a Mulher do nosso tempo. A mulher que busca seu espaço, conquista seu lugar e tem o direito de reivindicar o amor o direito à sexualidade plena, por que antes de tudo ela é dona de seu corpo, do seu destino e de suas escolhas.

As contradições, os malentendidos, os sofrimentos advindos desta busca, é uma outra questão, que só sera resolvida quando

 As mulheres romperem com os padrões históricos de submissão ao masculino.

E com o padrão masculino

De domínio do "outro".

Aquele padrãozinho machista

que elas não gostam de ver neles, mas adoram repetir.

Aí, estaremos mais preparados para viver o "poder" da Igualdade.

E neste aspecto, sinto dizer às meninas,

 uma linhagem masculina moderna,

Já está à frente no tempo e à frente das garotas.

Mas este é um outro papo.


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ANIMUS - DOMÍNIO E SUBMISSÃO


 DOMINADORES E DOMINADOS

“Vivemos um tempo onde ainda prevalece a necessidade de domínio nas relações entre indivíduos e com o mundo. No cenário contemporâneo existem dominadores, dominados e, felizmente, aqueles que não querem dominar nem ser dominados. Em uma sociedade de supremacia onde se luta por migalhas, dominados e dominadores fazem parte do mesmo modelo, da mesma natureza e do mesmo tempo. São prisioneiros uns dos outros e brincam de guerrear, como generais, no cenário das relações pessoais. É o modelo comum. Chama a atenção àqueles que não são dominados nem se interessam em dominar. Este tipo acredita nas diferenças qualitativas entre seres, mas se sofisticaram na prática do ideal de Igualdade, Fraternidade e Liberdade, que antes de ser ideal francês é realização de evolução da espécie.” Do livro, “Manto Verde Jade”

A sociedade humana pode ser patriarcal ou matriarcal. Mas mesmo em sociedades definidas não se exclui as possibilidades de variações na forma do estabelecimento do domínio nas relações.

O fato do meu animus ser submisso ocasiona esse tipo de preferência por homens mais femininos?

Não compreendo essa possibilidade de submissão do seu animus. Primeiro porque o conteúdo puro não se molda nestes padrões de contaminação e segundo porque, quando procura por homens passivos você busca maior possibilidade de domínio sobre ele. O animus é uma figura, uma representação do conteúdo, do arquétipo. E o conteúdo é o que é, no caso, é um conteúdo masculino, que independe de sexualidade, de submissão ou domínio, não é homem ou mulher, é masculino. E masculino é masculino.
Quando a mulher subjuga esse masculino, o animus, ou o homem subjuga o femino, a ânima, o conteúdo pode aflorá em forma deformada, ou imponde-se como conteúdo através de configurações possíveis, como por exemplo, em forma de desvios ou prevalecendo como característica sobre a personalidade.

A sua família é constituída de mulheres dominadoras, castradoras, impositivas e condutoras, mulheres fálicas. Isto quer dizer que a natureza é de mulheres que apresentam na sua conduta uma atitude Yang diante da vida, diante das relações. São mulheres que apresentam a forte presença do conteúdo masculino dentro delas. Esta forte presença do masculino se manifesta no comportamento em atitude de domínio. Elas são Dominatrix. Mulheres que mantêm seu lado feminino sob custódia da força do masculino nelas e projetam esse domínio, a que estão submetidas, como visgo, imperativo sobre os outros.

Naturalmente muitas são as mulheres que facilmente encontram em homens flexíveis e tolerantes mais facilidades de exercer esse domínio, já que suas relações, de mulheres dominadoras, com homens não passivos podem favorecer o confronto e o embate entre macho e fêmea quanto ao rumo e ao domínio dos cenários em que vivem.

Variáveis são os motivos, emocionais ou racionais, que levam homens a se apresentarem como passivos e mulheres como dominadoras, bem como múltiplas são as formas de domínios que estabelecidas ficam subentendidas nas relações. O certo é que a ideologia do dominado não é diferente da ideologia do dominador, cada um possui um ingrediente que o leva a se entregar e submeter ou ser submetidos a esse tipo de relação.

A vida moderna foi abrindo espaços para que as mulheres pudessem manifestar seu lado Yang, e espaço aos guerreiros masculinos para que se aceitassem ser conduzidos por fêmeas dominadores.
Quanto à fantasia de se entregar a um homem forte, buscar um homem onde possa descansar no seu peito, parece-me a fantasia da maioria das mulheres dominadoras e castradoras. Assim elas revivem a feminilidade perdida, a alma feminina desencontrada e de forma idealizada, tentam resgatar essa feminilidade já abandonada no tempo, entregando ao macho idealizado o poder de conduzir a vida.

Mas isso é apenas ilusão e compensação. Assim continuam a viver o conto de fadas do encontro de um príncipe encantado que as salva dos tormentos da vida. Ainda que, quando encontram algum homem que se enquadra neste perfil, elas o massacrem com selvageria até destruí-los ou reduzi-los a um fantoche, afastando-os como insignificantes. Produzem relações destrutivas, competitivas e de insatisfação.

O preço que, como adultos, pagamos pelas nossas escolhas sempre é um preço alto e muitas vezes sem o saber vendemos a alma eterna para satisfazer os desejos temporários de poder, domínio e conquista.

Desejos de domínio sempre são formas de aniquilar o outro, num processo de canibalismo social e de autofagia.

Mas não tenhas dúvidas, o caminho não é o domínio, muito menos a submissão. O encontro, na igualdade, é sempre o melhor. O encontro sem a necessidade de dominar, ou de se permitir dominado. Mas para isso é preciso que sejamos mais maduros. E quando o somos, além da igualdade, somos agraciados e encontramos a liberdade de sermos mais plenos, permitindo ao outro a mesma experiência.

Para isso é preciso RESPEITO, mas... Enfim, esta é outra conversa.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ABANDONO I


CH 65


Essa noite sonhei que minha mãe passava mal e minha irmã extremamente ágil pegou o carro para irmos fazer umas compras para ela. Mal tive tempo de apagar a luz e a televisão que ela deixara ligada. Mamãe ia ficar sozinha a vomitar no banheiro. Minha irmã pareceu tão apressada que eu nem tive tempo de raciocinar o que estava acontecendo. Alguém comentou que melancia era boa para aquele enjôo. Eu não entendia aquela pressa, pois mamãe vomitava, mas isso não significava que ela estivesse correndo risco de vida e nem entendia por que aquela urgência de comprar frutas exatamente naquele instante em que deveríamos ficar lá, ao lado dela. Fiquei receosa dela estar com alguma complicação séria.

Quando fui entrar no carro notei que havia uma conhecida de minha irmã no banco da frente e então tive que entrar atrás. As duas conversavam cochichando e eu só entendia o que falavam por fazer uma leitura labial de ambas através dos vidros do carro que estavam fechados e as refletiam. Entretanto não lembro da conversa e sim que minha irmã corria muito e receosa coloquei o cinto de segurança mesmo sabendo que já estávamos praticamente chegando ao supermercado. Entretanto minha irmã não foi a nenhum supermercado e sim a uma loja de artigos para bebês. Nesse momento desconfiei que minha mãe estava grávida (isso é incabível com a realidade). Fiquei muito chocada sentindo enorme melancolia e pensando que eu não seria mais a caçula e teria de dividir tudo o que era (ou seria) meu com essa outra criança. Seria apenas mais uma pessoa no mundo para me criticar e não gostar de mim. Eu não queria ter de sofrer tudo isso outra vez (confesso que senti esse medo de ser desprezada com relação a minha sobrinha adotiva, pensando comigo que ela seria apenas mais uma na família para me esnobar). Eu não estava irritava, apenas pesarosa e triste, mas fazendo força para pensar de maneira positiva. Eu sabia que tudo o que estava pensando e sentindo era um monte de bobeiras, mas ainda assim era real dentro de mim. Eu precisaria de um tempo para sentir o oposto e buscava me autoconceder essa precisão.

Quando fomos passar no caixa uma jovem negra (não sei se tem importância, mas era a atriz Aparecida Petrowky) comentou que fizera os exames de gravidez e descobrira que perdera o filho homem ficando apenas com a menina. Embora não houvesse dito, ficou claro que até então ela estava esperando filhos gêmeos. Ela falou com alívio, achando o fato bom. Estranhei aquela postura materna e pensei que talvez ela não tivesse condições financeiras favoráveis para dois filhos de uma vez. Na hora em que estávamos indo embora eu tive de retornar para pegar meus óculos que esquecera na loja. Minha irmã bastante apressada já estava chegando no carro e eu ia logo atrás, dando passos largos, acompanhando a outra mulher que fora conosco. Foi para ela que comuniquei a precisão de voltar à loja, pedindo a ela que pedisse para minha irmã me esperar. Com tamanha pressa eu tinha quase certeza de que não seria esperada e continuava a não entender aquela correria, bem como o que minha irmã tinha em mente. Ao chegar de volta na loja a mesma já havia fechado, mas daí um senhor que trabalhava nela e conversava com uns amigos na calçada comentou que podia ir lá dentro pegá-lo para mim. Fiquei na espera e depois eu já estava era nas ruas de São Paulo. Eu peguei um ônibus qualquer e queria ir para a casa da minha irmã, mas não conseguia lembrar nem mesmo do bairro que ela morava. Nisso me veio o nome Tabajaras na cabeça (minha irmã reside no Tatuapé) e perguntei a uma das senhoras que estava sentada se aquele ônibus ia para lá. Ela estranhou como se não existisse tal bairro e respondeu que não, perguntando para a cobradora depois. Como eu estava um pouco distante, resolvi passar na roleta e assim falaria melhor com a mesma. Questionei se o ônibus chegaria a um ponto final ou terminal, pois embora dispusesse de mais dinheiro, não estava disposta a pagar outra passagem de ônibus, ou seja, eu queria sair daquele ônibus e pegar o certo independente da baldeação, mas contando que o passeio não saísse caro. Eu não estava preocupada de me perder, pois além de estar encarando aquilo como um passeio, tinha dinheiro suficiente para dormir em um hotel e, ademais, se eu conseguisse chegar nas proximidades do bairro da minha irmã, poderia ligar para ela me buscar de carro. Nisso a cobradora não quis me devolver o troco todo, dizendo que ia ficar com uma moeda para ela em troca do serviço prestado de informação. Embora parecesse justo, não gostei da ousadia dela. Pouco depois o ônibus chegou ao seu ponto final e fiquei dentro do veículo a esperar que ele fizesse o trajeto de volta para um suposto terminal. Eu nem sei como funciona os ônibus de São Paulo, mas aqui em Uberlândia é assim.

Nesse ínterim, a cobradora começou a se debater e logo incorporou vindo para o meu lado. Eu sabia que ‘aquilo’ seria comigo. Eu estava sentada e ao meu lado estava o motorista e uma fiscal. Nesse momento já não parecíamos estar dentro de um ônibus, mas de toda forma não dei atenção ao local em si. Ela aproximou-se e fiquei me indagando se ela estaria mesmo incorporada ou apenas fingindo aquilo tudo por algum motivo pessoal que não saberia deduzir. Perguntei quem era ele e de forma imprecisa a resposta foi: ‘Pode ser um caboclo’. Seus modos aparentemente discretos não se enquadravam no perfil de um caboclo e a resposta não me foi convincente. Ele perguntou se eu lembrava o que ele avisara da outra vez e a pergunta me soou com ar de cobrança, reprovação e advertência. Perguntei por parte de quem era o aviso, pois dentro do sonho eu vagamente poderia lembrar de muitos avisos, mas não sabia qual caboclo era ele e, logo, não tinha como saber de qual aviso ele se referia. O mais interessante é que eu não me senti intimidada e sabia que nem teria motivo para tal, mesmo que eu estivesse ali na condição de devedora ou de alguém desobediente que não cumprira algo. Senti que na verdade eu não tinha costume de dar importância suficiente àquelas comunicações. Tenho a sensação de que comentei sobre não gostar de gastar dinheiro com entidades. Infelizmente não lembro o resto. outra vez um sonho com caboclo...

ABANDONO II



Atitudes de submissão favorecem a omissão. Omissos se fazem de submissos e submissos em geral são omissos, entregam a responsabilidade de ações, iniciativas, intervenções ao outro, desta forma ficam à parte da tomada de decisões importantes e são levados por aqueles que se responsabilizam, se comprometem e não se omitem, por proteção ou por medo, em ações e escolhas de posicões.

Neste aspecto o sonho te confronta com suas atitudes de dominada e submissa já que realçam sua impotência e a condução de sua vida em momentos chaves pelo “outro”. No caso sua irmã. Assim aquela que acusa de abandono, sua mãe, é abandonada por você.

Muitas vezes em comportamentos manipulativos deixamos que o outro faça o que gostaríamos de fazer. Assim não colocamos a cara na frente, ficamos protegidos e deixamos o outro se expor e carregar a pecha daquilo que evitamos. Assim é mais fácil condenar o outro, julgar o outro e ficar escondido atrás do muro.

A realidade nos exige que saíamos detrás das máscaras, das defesas neuróticas, e que nos exponhamos aos impactos e acontecimentos da vida, já que não dá para ficar escondido dentro de casa e a realidade exige-nos posicionamento e maturação. Que curtamos a pele de cordeiro no sol da realidade.

O sonho anuncia ansiedade, angústia, tensão e fuga. E o grande risco de que possa estar agindo da forma como condena nos outros, abandonando-os. Esta implícito que o maior abandono é o que comete com os seus propósitos, com a condução da sua vida, mas este abandono é projetado no outro em forma de carência pessoal e julgamento e criticidade.

A segunda parte já se mostra a vinculação neurada de sua dependência afetiva. Crescer significa abandonar a pele velha para deixar a nova nos revestir. Morrer o velho para permitir o nascimento do novo. E mesmo que conceitualmente você já saiba que é irracional se sentir ameaçada pelo nascimento de uma criança, a atitude infantilóide é competitiva, resultante de quem se recusa a se assumir como adulto, se escondendo na necessidade de se manter criança, mesmo que como filha mal amada. Desta forma busca manter a dependência de sua mãe mantendo a culpa e a responsabilidade dela nos seus cuidados.

Entendeu? Mantendo-se criança, dependente, submissa, carente, frágil, você encontra a justificativa para aprisionar a mãe como objeto de seu domínio.

O momento em que você se “desliga” de sua irmã é o momento em que você tem que recuar para resgatar seus óculos. Este resgate, a busca, é o regaste do seu ponto de vista, da sua forma de olhar o mundo, do instrumento que lhe permite olhar a realidade com os seus olhos. Abandonando a cegueira. Assim você toma atitude e... Sai da proteção familiar. Ainda que esqueça a sua mãe ou a necessidade dela, justificativa pra ficar vinculada na simbiose, você se lança no mundo.

No inicio é assim, o individuo se lança no mundo e se descobre perdido, sem rumo. Paradoxalmente, neste momento começa a jornada de retorno à casa. O bom filho a casa torna. Precisamos encontrar o caminho de volta para casa. Voltar para a nossa CASA. É o resgate do pessoal, da referência pessoal. Já não mais como a casa da criança dependente, mas a casa do adulto que encontrou parte do seu destino, sua individualidade, sua pessoalidade.



No sonho 56, Sonhos e Confrontos, aparece o seguinte: “Foi então que apareceu um homem malvado e me disse que na vida eu não conseguia nada porque era daquele jeito: me jogava e não me permitia cair, pois ficava presa a superfície, ao passado, ao medo, às mágoas. Fiquei muito mal ao escutar ele dizendo aquilo e tentei fazer força emocional para desvencilhar-me de tudo.”

Não sei se a referência do aviso é o acima ou se houve outro aviso. Mas pode ter a ver com o risco que precisa correr, de se lançar na sua jornada pessoal. O cabloco neste caso entre outras significações possíveis tem a ver com conteúdos de inconsciente que estão tentando focar sua atenção no seu compromisso de realizar as mudanças que se fazem necessárias, na sua vida, para que possa realizar plenamente sua maturação.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A SERVA DO SERVO


Gustav Klimt, Danae - 1907/1908
Oil on Canvas - Private Collection

  
CH48

Depois sonhei que estava dentro de um ônibus quando uma moça entrou acompanhada do namorado. Ela parecia bastante cansada e ele atencioso. Fiquei a observar a cena imaginando como seria se eu estivesse naquela situação.
O sonho lembrado foi só esse, mas deixou alguns pontos reflexivos. Nunca me imaginei namorar um homem que não tivesse condições suficientes para ao menos ter um carro. Algumas vezes até tentei namorar rapazes de condições precárias, mas minha mãe criticava tanto que eu no final acabava dando razão para ela de que não valia à pena. Claro que na verdade não existia amor de fato nas tentativas iniciais de relacionamento, pois caso contrário eu pressuponho que não deixaria de viver um amor com alguém por uma justificativa tal banal. Entretanto, sempre fiquei com a idéia pré-concebida do tipo de homem que podia estar dentro das minhas expectativas e necessidades. Há algum tempo venho tentando deixar isso cair por terra. Sei que o valor de uma pessoa está em sua moral, na índole de suas atitudes, mas na prática apenas isso nunca me foi suficiente pelo interesse de encontrar alguém que preencha aquilo que não tenho vontade de ser ou ter pessoalmente, mas que tenho vontade de vivenciar através de outra pessoa. Pior é que já tive experiências desgastantes por conta disso, mas o ego parece uma máquina de fabricar ilusões convincentes e expectativas de que o improvável pode um dia se tornar real.
Voltando ao sonho, o carro é um exemplo básico de exigência do ego: não sei dirigir e nem tenho vontade de aprender, muito menos de ter um carro. Entretanto gosto (e gostaria) de usufruir disso através de outro alguém. A profissão bem sucedida é outro grande exemplo. Enfim, é quase a necessidade de estar com alguém que eu admire por ter e fazer aquilo que não tenho e não faço e nem pretendo ter ou fazer, mas que por vezes me cobiça o ego.
Há um tempo atrás eu jamais olharia para um casal de namorados dentro de um ônibus e ficaria me imaginando em tal situação, entretanto, em tal sonho, (não sei se na realidade aconteceria o mesmo), eu provoquei em mim uma espécie de reflexão da minha própria situação, dos meus condicionamentos limitadores. Estou tentando ver as coisas por outro nível de análise e daí eu fico pensando que talvez eu possa me sentir muito melhor com alguém como eu, mesmo que isso possa gerar uma vida de privações materiais, do que me limitar a ilusões que, realizáveis ou não, serão sempre ilusões.
Estou tentando acordar sozinha para a simplicidade da vida e deixar de ser uma branca de neve a espera de ser acordada através de um príncipe encantado.
 O sonho seria um indicio dessa necessidade de modificar meu condicionamento frente aos relacionamentos ou será que já é uma demonstração do início dessa mudança?

Sua reflexão está feita. Mas é necessário que reavalie seus conceitos e sua forma de conduzir sua vida. Vejo equívocos que prejudicam seus vôos, suas liberdade e que a levam direto para o século passado, para a submissão ao macho. Mal-entendido expresso. A vida no presente exige-lhe que assuma, antes de tudo, compromisso com suas realizações, pré-requisito básico para escapar da submissão, da dependência do outro. Quando você deixa de realizar aquilo que significará sua independência, material, de sobrevivência, econômica, você deixa ao outro a responsabilidade da sua manutenção e passa a se submeter à vontade do outro, ou pensas em dominar quem lhe provê o sustento?
Tudo bem que você possa se entregar ao rico, ou ao plebeu, sonhando com o príncipe, mas antes dessa entrega você precisa investir na segurança de suas realizações e conquistas, para não ficar na submissão da presença subjetiva do outro.
A vida moderna exige de todos nós esta conquista, e exige mais das mulheres que se fazem servas dos desejos masculinos. E mais, o esforço de sobrevivência exige um comprometimento do casal, nas conquistas, nas divisões das tarefas, na prosperidade que os dois conquistam, na realização dos sonhos, no crescimento.
A independência nasce quando nos voltamos para construir nosso destino independente do outro.
Aprenda a dirigir sua vida, aprenda a dirigir seu carro, conquiste sua moradia, aprenda a se sustentar, a se cuidar, adquira seu veículo, conduza-o. Procure se desenvolver, aprimorar, aprender uma profissão. Conquiste uma profissão, forme-se, realize-se em alguma ação, algum trabalho. Ganhe seu salário, economize, gaste, aprenda a lidar e a gastar o seu dinheiro, conquista do seu esforço. Não abra mão de sonhar e de realizar o sonho que sonhar independente da presença (acréscimo) de alguém em tua vida.
  Tudo isso acima É BÁSICO
A vida moderna exige parceria, ser parceiro do outro que se faz nosso parceiro, assim encontramos identidades com o outro e a jornada fica mais suave e mais satisfatória para todos.

APRENDA PRIMEIRO A ADMIRAR SUAS REALIZAÇÕES,
CONQUISTAS E SUPERAÇÕES.
ANTES DE FICAR ENCANTADA COM A REALIZAÇÃO ALHEIA.

Esse biotipo de mulher que se permite dependente de um homem, paga um preço alto para ir para o inferno, o inferno de sua aniquilação como individualidade.
Naturalmente dentro de um acasalamento existem momentos que o casal pode optar por um retorno de um dos pares para cuidar das responsabilidades da manutenção da vida familiar e criação dos filhos, mas este é um outro momento.

ACORDA!!!!!!!!!
Vá a LUTA!!!!!!
QUE O TEMPO TÁ PASSANDO NA JANELA.



domingo, 20 de dezembro de 2009

TENTAÇÃO E PRAZER



Cristo e a Tentação

É dificil dizer para mim mesma que esteja me boicotando, mas isso pode ser uma verdade. Estou lhe enviando mais um sonho, quem sabe não podemos descobrir isso de forma mais clara através dos proprios sonhos seguintes?
 Desta vez sonhei que estava num local alto, tipo uma montanha, donde podia avistar toda a cidade. Tinha uma sensação ótima por estar ali no alto, como se isso me concedesse poder. Estava com umas amigas fazendo um trabalho que não sei dizer sobre o que se tratava. Mas eu tinha que ir a um evento donde ia receber um premio e uma das amigas ia comigo. Eu comecei a correr para o lado errado quando ela me chamou e disse que era para o outro lado e mostrou-me muito ao longe donde ficava. Ela disse que já estava anoitecendo, que estávamos em cima da hora e que o local era muito longe para irmos correndo. O melhor seria pegarmos um helicóptero-taxi. O problema é que não tínhamos dinheiro para tal e assim, ela sugeriu que fossemos primeiro até a casa dela. Enquanto conversávamos, estranhamente catávamos lacres de latinha de refrigerante no chão gramado. Conforme combinado fizemos. Ao chegar na casa dela eu observei que havia dois carros na garage e mais um do lado de dentro, ou seja, havia uma garagem interna e outra externa. A casa tinha pé direito alto e a parte de baixo era enorme parecendo um salão de festas com o chão todo de pedras claras. O ambiente todo muito claro, amplo, iluminado e bonito. Ela levou-me até a copa donde sua mãe conversava com um casal de visitantes. Fiquei a conversar com eles enquanto essa amiga foi pegar o dinheiro. Fui questionada sobre o trabalho que estávamos fazendo. Disse que estava quase pronto. No meio da conversa ela convidou-me para ir ao cinema com eles após receber o premio e aceitei dizendo que meu único problema era não ter dinheiro nenhum naquele momento. Nisso começou a chover e olhando da janela a vista era como se estivesse num andar muito alto de um prédio e dali também podia avistar grande parte da cidade toda iluminada, ou seja, já estava de noite. Espantei por constatar que eu estava perto de casa, ou seja, ainda não percebera que ela morava perto de mim. Nisso saímos de carro sob de uma tempestade estrondosa para ir ao evento e posteriormente ao cinema. Haviam arvores caindo, carros batendo, capotando e um caos danado. Interessante que tudo no sonho era muito requintado, os carros por exemplo eram modelos importados muito bonitos. Essa parte do sonho foi ruim, pois senti medo de acidente, mas ao mesmo tempo estava tranqüila como se pudesse saber que nada ruim ia me acontecer. Continuei sonhando muito, mas não lembro o resto. Foi um sonho muito diferente, assim como os ultimos.

O sonho enriquece algumas questões chaves, que me levam à associações. Você está no cume de uma montanha, se sente com poder e vai receber um prêmio. Naturalmente é a realização de chegar ao topo, que distingue a pessoa e a premia. Uma realização natural, para mim, é a realização do principio da existência, a pessoa cumpre o seu sentido de existir. Em geral, todo organismo anseia se realizar.

A MONTANHA: O simbolismo é múltiplo e participa do simbolismo da transcendência; na mediada em que é o centro das hierofanias atmosféricas e de numerosas teofanias, é parte do simbolismo das manifestações. O encontro do Céu e da Terra, morada dos deuses e objetivo da ascensão humana. Vista do alto El surge como a ponta de uma vertical, é o centro do mundo; vista de baixo, do horizonte, surge como a linha de uma vertical, o eixo do mundo, mas também a escada, a inclinação a se escalar. As altas montanhas são símbolos de segurança (Salmos, 30, 8).

Alem disso, as montanhas são imediatamente vistas como símbolos da grandeza e da pretensão dos homens que, entretanto não podem escapar da onipotência de Deus. Deus se comunica sobre os cumes, mas aqueles cumes aos quais o homem só se eleva com o fim de adorar o homem e seus ídolos, e não absolutamente o Deus verdadeiro, não são senão signos do orgulho e presságios de desmoronamento.
Assim o sonho pode estar levantando um questão primordial. Voce entre a Gloria de Deus e o prazer do Diabo.Você ao alto em glorificação a si, ou ao seu Deus? Neste aspecto a sua “amiga” que lhe desvia de um lado (que você chama de errado, mas era o que você ia seguir) para o outro caminho, pode representar aquele que te seduz e te guia para a vida profana, para o descaminho, para baixo, suprindo sua necessidade de dinheiro, lhe oferece o meio, mas a mantém sob submissão. Este, aliás, é uma evidência marcante em todo o sonho, suas condição de conduzida e de submissão, realça a situação do inferiorir tutelado e agraciado pela condição favorável do outro. Vejamos:

  • ·         quando ela me chamou e disse que era para o outro lado;
  • ·         mostrou-me muito ao longe donde ficava;
  • ·         assim, ela sugeriu que fossemos primeiro até a casa dela.;
  • ·         Ela levou-me até a copa.

Os seus limites no sonho são evidentes e te colocam numa situação de "tranquila" aceitação da condição de conduzida, mesmo sendo aquela que é agraciada com o prêmio. Pode parecer mimo, ou que você receba como mimo ou como carícias de ego, mas podem sinalizar a condição do inferior submisso, parece-me que há conflito entre o esforço pessoal para crescer e uma natureza que prefere as carícias no ego, que se contenta com a condição de conduzido, e mantém a “tranquilidade” enquanto o mundo se desmorona no entorno. Um detalhe é a catação de LACRE, que nada mais é do que fechamento, proteção e defesa, Pode ser a indicação da necessidade de refazer suas defesas para deixar de ser conduzida com tanta facilidade.

Esta condição de conduzida pode estar associada a duas vertentes:

1ª- Agentes externos (pessoas) te conduzem e você se deixa ser levada abrindo mão de sua autonomia e igualdade dentro da realidade e das relações;
2ª Conteúdos autônomos atuam na sua consciência e te conduzem (pensamento mágicos, fantasias), e dessa forma te desviam de seus objetivos enquanto você se deixa levar. Enfraquecimento de princípios, propósitos, objetivos, determinação, iniciativa.
Veja que a questão aparentemente é religiosa, Deus e o Diabo, profano e sagrado, mas são apenas símbolo para realçar a dinâmica na qual você se conduz ou se permite ser conduzida: o cume e a parte de baixo, o prêmio e a casa com dois carros, o lado da luz (prêmio) e das sombras da noite, o carro sofisticado e a tormenta exterior. O conflito é pessoal e determinante na condução de sua vida.



domingo, 30 de agosto de 2009

MANIFESTO 2

(continuação)

Mais adiante você escreveu: “Emocionalmente você é susceptível à condição precária de maternidade, e essa fragilidade está relacionada ao medo de sofrer num cenário de semelhante, à identificação com essa condição pessoal na sua história ou a uma natureza de auto comiseração que você possui, neste caso é necessário fortalecer sua auto-estima e trabalhar a aceitação das realidades desfavoráveis”. Fiquei chocada ao ler isso, pois nunca imaginei que um sonho pudesse refletir algo tão real de minha individualidade e jeito de ser. Meu único e maior medo é o desalento e a pobreza, independente de estado maternal. Sou muito preocupada com as situações desfavoráveis e muito sensível a isso. Tenho super dificuldade de ir a locais como asilos e hospitais, pois fico muito engasgada e com vontade chorar. Sofro muito quando vejo mendigos e pessoas em situações precárias, seja de dinheiro, saúde ou afeto, principalmente porque me julgo limitada e não consigo fazer nada para ajudar ninguém. A sensação nítida é de me ver e sentir-me no lugar daquela pessoa e se ficar muito perto chego a passar mal.Ao dizer “...essa realidade é apenas a sua escolha, que te faz diferente do outro, nunca melhor. A prioridade é o coletivo” ficou-me uma verdadeira alerta. Meu maior defeito é ser egoísta e muitas vezes realmente me julgo melhor do que os outros pelas minhas escolhas de ser e viver. Na vida real não me julgo melhor que ninguém, mas acho que sinto isso interiormente. As perguntas: “alguma associação com seus 8 anos? Existe uma criança na sua vida? Sutilmente, a imagem de mãos dadas com sua amiga é fraterna ou como Girl Friend? Existem desejos latentes por iguais que acionam conflitos? culpa?” Sinceramente achei difícil pensar sobre isso, pois pouco lembro dos meus oito anos. Não tenho filhos e nem tenho proximidade com nenhuma criança. Acho que o sonho reflete a necessidade de amizades fieis e intimas, algo que realmente não consigo estabelecer, mas que sempre desejei. O tipo de amizade em que você considera o outro como um verdadeiro irmão ou irmã. Ao dizer-me: “Você está misturada, indiferenciada e conturbada de informações e fantasias... Há sinais de que você se deixa levar, ser conduzida, sem entender muito ‘o que’ acontece, como se quisesse se desobrigar da responsabilidade de se conduzir, como se cansada até mesmo de se ouvir.”. Realmente faz sentido, pois vivo o tudo na fantasia e o nada na realidade. Sou uma pessoa acomodada que adora ser levada e guiada pela vontade da vida sem fazer planos para com nada. Tenho certeza de que não conseguiria ser diferente, até porque, independente disso ser uma maneira errada ou certa de viver, não tenho vontades de mudar e, por conta própria, comandar a vida. Prefiro deixar ela me comandar. Sempre me sinto acovardada diante da vida. Quanto à frase: “a alegria e o prazer encontrados na religiosidade sinalizam a possibilidade da prática religiosa favorecer o conforto” é muito verdadeira, pois a religiosidade é minha maior, senão única, fonte de conforto e segurança pessoal. Não tenho religião especifica, pois sou eclética e acho todas importantes com seus pontos positivos e negativos. Estou feliz em saber tudo isso, pois nunca pensei de fato que os sonhos pudessem ser mensagens do inconsciente e refletir tão certo e vivo o nosso mundo interior. Desde já muito obrigada. Vou prestar mais atenção nos sonhos, pois agora eles me fascinam muito mais. Existem noites que sei que sonhei e não lembro, mas noutras é como se eu não houvesse sonhado. Existe diferença, ou seja, é possível não ter sonhado, ou tudo é apenas esquecimento? Espero que não seja incomodo continuar tendo sua ajuda para entender meu mundo onírico. Será que algum dia eu mesma terei condições de auto-analisá-los?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

VOAR












 
Terceiro sonho: este foi pouco antes de levantar. Eu estava com um grupo religioso e cantávamos uma musica suave e alegre. Atravessamos uma ponte muito comprida toda de madeira. Passamos por ela com velocidade voando na vertical, era como se estivéssemos deslizando levitados. O rio ficava a uma profundidade bem grande abaixo da ponte, a qual estava no nível do solo. Olhar para o rio era como olhar para um abismo e passei olhando apenas para frente. Depois de atravessá-la continuamos o trajeto andando calmamente. Verifiquei que estava descalça e com um vestido longo branco. Havia muita paz e harmonia em tudo. em sequencia estava em casa quando as luzes apagaram e observando pelo portão da garagem avistei uma enorme nave de extraterrestres. Era um disco voador brilhoso e iluminava fortemente por onde passava. Ele desceu na rua de casa e corri para os fundos. Vi um dos alienígenas andando pelo quintal. Ele era ou estava vestido como um astronauta todo de branco amarelado, da mesma cor da nave. No sonho fiquei com muito medo, pois achei que eu fosse ser levada embora. Enquanto isso minha mãe fazia deboche. Logo depois eu estava numa espécie de universidade e aguardava numa fila de pessoas que pareciam ser conhecidas, mas não lembro ao certo quem eram. A maioria era mulher e estavam bem vestidas, alias pareciam vestidas de noiva. Enquanto isso eu estava de biquíni, mas me sentia bonita no meu traje e não importei do contraste. Não sabia ao certo o que fazia naquela fila e a mulher que estava atrás de mim disse para eu escolher fazer o curso com a Ana. Mas eu não sabia quem era essa tal de Ana. Quando fui dar meu nome completo o homem custou muito para entendê-lo e tive que repetir inúmeras vezes. Diferente das demais eu não pude dizer com quem desejava fazer o curso, pois ao dizer que desejava uma instrutora mulher, uma das auxiliares já informou que eu ia fazê-lo com a turma da Juliana. Também não conheço nenhuma pessoa com esse nome, nem em realidade como também no sonho. No que me uni à turma, perguntei se aquilo era uma espécie de curso. Ela me explicou rapidamente que sim, era um curso para sermos voluntárias em hospitais. Achei que íamos ser levadas a algum laboratório, mas nos encaminharam a um local estranhíssimo. Inicialmente um galpão enorme e vazio coberto com lona azul. Ao final desse galpão havia um terreno muito inclinado e cuja terra coberta de grama ressecada era toda de morrinho. No meio das plantas havia uma vala que cortava toda a extremidade do terreno, mas não soube se aquilo era uma nascente ou apenas um buraco cavado para passar cano ou algo de gênero. Ao longe eu avistei duas pessoas remexendo com uma massa que parecia cimento, mas tudo era muito sem sentindo e ali fiquei esperando junto à turma sem entender nada. Por fim eu estava vendo a área de lazer de um presídio e fiquei espantada ao ver a piscina no meio do jardim bem tratado. Pensei comigo mesma: ‘não sabia que existia cadeia com interior desse tipo, parece mais um hotel’. Isso foi tudo o que lembrei. Porque sonho tantas coisas distintas e misturadas? Será que alguma coisa disso tudo pode ser destacado com algum significado importante? A impressão que tenho ao escrever tanto sonho é que vivo mais dormindo do que acordada, pois a vida real é uma rotina e os sonhos sao sempre cheios de aventuras, misterios e situacoes jamais ousadas de serem vivenciadas no dia-a-dia. Desde já obrigada.

Você oscila entre a necessidade de relaxar, e a de fugir (iludir-se, fantasiar) e a conturbação. Novamente o sonho de vôo agora acrescido de nave espacial. Na recorrência de seus vôos aparece como uma necessidade de libertar-se da gravitação, da realidade na qual se arrasta, da rotina que já não te alimenta. Neste aspecto o rio fluxo da vida sinaliza uma tentativa apenas no imaginário de mudança de margem, de mudança de consciência, de mudança de estado de consciência. No entanto a mudança apenas no idealizado obriga-te a cair no “no sense”, no sem sentido de uma dia a dia onde você é empurrada para ações que pouco têm a ver com sua natureza e sensibilidade. E você perplexa sem nada entender, empurrada, só encontra alento quando envolvida na idealização. Você está misturada, indiferenciada e conturbada de informações e fantasias. Muitos prisioneiros encontram justificativas que os façam permanecer prisioneiros, até mesmo acreditar que a prisão é um hotel, outros acreditam que na profusão de sensações e informações encontram a satisfação quando apenas encontram inquietação. Há sinais de que você se deixa levar, ser conduzida, sem entender muito “o que” acontece, como se quisesse se desobrigar da responsabilidade de se conduzir, como se cansada até mesmo de se ouvir. Seu inconsciente vem dando mostras de conturbação e sinalizando com símbolos de preservação da psique, por outro lado a alegria e o prazer encontrados na religiosidade sinalizam a possibilidade da prática religiosa favorecer o conforto. A ponte longa sinaliza a grande distância as margens. Margens distanciadas; estados distanciados; distância entre o que você é e o que você pensa que é? Isto produz dissociação. Pratique mais o que você idealiza. Aquiete sua mente, seus pensamentos, para redirecionar sua vida. Venho tentando fazer essa leitura para sabermos com mais segurança o que seu inconsciente vem tentando te dizer. Neste cenário, há limites para leituras já que o diálogo é limitado. Por hora Reflexão e paciência!