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quinta-feira, 10 de junho de 2010

VAGINA EM FOGO


CH 84
Essa noite acordei várias vezes e sempre com a cabeça cheia de lembranças oníricas. Tive sonhos bons, outros que não lembro e um que me pareceu uma extrema aberração, mas já estou achando todos os sonhos muito válidos, pois analisando-os compreendo que o importante é o que eles têm a dizer e não a sensação em si que me provocam.

Vou começar por esse que pareceu uma aberração: eu queria acordar e não conseguia. Só que não foi um daqueles sonhos de costume donde tenho a sensação de que quero acordar de verdade e inclusive acordo no final. Em tal sonho era como se eu também estivesse dormindo noutra dimensão e fosse apenas nela que eu quisesse acordar (e não na dimensão da realidade, pois nesta eu não sabia conscientemente que estava sonhando). No meio do meu desespero para acordar, veio alguém e me mandou beber água enquanto eu passei a achar que estava falecendo ou que ainda iria de fato morrer. Eu bebia e tentava arrotar como se estivesse inchada de ar. Meu coração batia tão forte que eu me sentia um tambor sendo utilizado e, uma vez sem camisa, sentindo pela mão o peito pular, nitidamente dava para constatar que eu era um homem ou estava num corpo masculino. Era como se eu estivesse sofrendo um ataque tipo convulsão ou sei lá o que poderia ser. Nisso eu desisti da ideia de acordar (já que não adiantava a mera vontade) e fui obrigada a vencer o temor da morte. Tinha momentos que eu parecia não conseguir respirar direito e pouco conseguia mover os membros superiores. Fiquei me contorcendo inteira sobre a cama até que peguei no sono outra vez. Nisso sonhei (já não é a primeira vez que tenho sonho dentro de sonho) o que jamais poderia supor que um dia sonharia: veio um cachorro (eu não o vi, mas podia senti-lo) e eu subi em cima dele e praticamente o ataquei sexualmente. Nessa parte eu já era mulher normalmente e só não pareceu um estupro canino porque ele parecia gostar também. Ao acabar o ato, não sei se eu também fui acordando do sonho ou não, consegui visualizar o cachorro: era um rottweiler preto. Ainda esfregando as partes intimas do animal, mandei-o ir chamar seu pai, pois eu estava precisando dele também e pensei comigo 'o material dele é bem melhor do que o seu'. Eu não me referia ao pai cão biológico, mas sim ao seu dono que no sonho pareceu ser meu marido, o qual estava chegando com as compras e, embora sem ver, eu sabia ser um homem malhado e tão forte quanto o porte do cachorro.

Embora seja super esquisito, no sonho eu me sentia potente e gostava daquele prazer que não estava envolvido pela minha dose natural de carolice. Não sei por que, mas vendo o sonho por fora dele, essa sensação de domínio um tanto agradável parece estar sobre uma base de indiferença para com os sentimentos alheios, o que me espanta e talvez me bloqueie. Em verdade sempre admirei e desprezei ao mesmo tempo essa postura autoritária de quem decide, ordena e realiza a liderança. Estou com conflitos nisso? Será que eu tenho essa fome sexual e não sei por não me permitir ou por não assumir conscientemente? Por que no sonho eu deixei vir à tona minha parte de mulher líder, insaciável e libidinosa?

Devido à complexidade do sonho focarei apenas alguns aspectos para evitar equivocos e o simplismo, considerarei em “tese”, e não afirmativamente.

A primeira parte do sonho parece sinalizar conteúdo de origem histérica, uma convulsão histérica. Apesar de você não apresentar um quadro clássico de neurose histérica, há núcleos, existem núcleos já detectados em sonhos anteriores, que ainda podem existir, ou que não tendo sido pulverizados ou integrados ainda se manifestam numa tentativa de se manterem vivos como núcleos autônomos com poder de interferência na personalidade.

Em segundo lugar, pode ser um movimento excepcional do inconsciente de reordenação mostrando que existe uma força de conteúdo masculino na sua origem, que independente de seu poder de controle, limitado, ocupará seu espaço devido, e realizará seu movimento para se manifestar. Já vimos anteriormente essa indicação. Mas nesta parte do sonho essa força obsessão, como que incorpora e ocupa o comando do corpo independente de suas fugas, sua evitação, seus escapes, suas artimanhas. Esse poder, essa força supera os orgulhos, a moralidade excessiva, os limites da repressão, a moral religiosa, a sociabilidade padrão, os princípios legais e sociais. Incorpora o corpo e assume o poder de seu comando.

Já lhe indiquei que possivelmente se realiza a repressão de seus desejos sexuais você tenta bloquear uma força poderosa, que, se manifesta, será projetada de forma incontrolável ou provocando desvios de comportamento não tão padronizados ou aceitáveis.

O seu poder de controle falha, quando supostamente “desiste” do comando. A força da natureza não pode e não deve ser subestimada. Se não desiste do combate você sucumbe, será reduzida, subjugada.

No momento seguinte o masculino incorporado se manifesta na explosão do desejo sexual incontrolável, ainda que no corpo de mulher.

O cão é historicamente associado à morte (como guia dos mortos), aos infernos, ao mundo subterrâneo, aos impérios regidos pelas divindades Ctonianas ou Selênicas. Está ligado aos elementos terra e água, tem significação sexual, divinatória e a conteúdos arquetípicos de inconsciente. Alem de guia dos mortos na noite escura, é intercessor entre as múltiplas dimensões, entre os múltiplos mundos inferiores e superiores. Símbolo da potência sexual, sedução e do apetite sexual é notório animal compulsivo sexual.

A imagem é a de que sua força sexual subjuga a força potente do “Canis Lupus” e a supera. Neste caso se você subjuga sua força, ela aflora como pulsão Yang, masculina e “descontrolada”, já que projetada de forma “animal”.

Há novamente evidência de dificuldades para lidar com essa sua natureza.

Você não fez referência, mas houve orgasmo? Ou foi só a manifestação do Fogo?

“Será que eu tenho essa fome sexual e não sei por não me permitir ou por não assumir conscientemente?”

Voce merece se responder. Eu tenho a imagem, você possui o corpo.

“Por que no sonho eu deixei vir à tona minha parte de mulher líder, insaciável e libidinosa?”

Ela está dentro de você. Você pensa que tem esse poder de deixar ou não vir à tona essa mulher poderosa. Você não o tem. Aprenda a administrar essa força sexual, a força do seu desejo, para aprender a ter domínio sobre si mesmo. Mas, principalmente,

APRENDA A SACIAR SEU DESEJO

PARA PODER CONHECER SUA FOME.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

FRAGMENTOS


CH 73 Fragmentos


Os sonhos seguintes me pareceram confusos. Lembro de cinco partes cuja ordem não sei se está correta:

Na primeira, eu estava andando no meio de um local florido, parecia uma praça, quando houve um tiroteio entre bandidos e policiais. Eu saí apressada tentando me esconder.

Nível elevado de tensão, conflitos, ansiedade, angustia, conturbação, tormento. Momento de proximidade ao perigo. Parece que em momentos de tensão elevada você sonha com bandidos e tiroteios. Angústias? Cenário de realidade ameaçadora? A praça simboliza a configuração mandálica ordenada... Flores indicam polarização para equilibrar a tensão representada pelo conflito entre a transgressão e a repressão pelos mecanismos referenciais de sociabilidade, defesa, princípios morais e éticos. Tendências de transgressão e repressão de desejos, e a psique equilibrando o conflito.

Na segunda, eu estava junto de uma turma que ia viajar e fui chamada para assinar um papel. Parece que a viagem um tanto surpresa tinha sido paga junto com o boleto de pagamento da faculdade. Perguntei para quando ia ser a mesma e a moça informou-me que seria na próxima semana. Era uma viagem internacional e além de ansiosa eu fiquei bastante feliz.

Viajar, neste caso compensa a tensão elevada, novamente aparece a ansiedade como indicativo dos limites corporais e a necessidade de fuga do cenário de tensão para compensar a tensão. Há polarização.

Na terceira, eu andava por uma espécie de bosque com um senhor (era o ator Stênio Garcia com seus 78 anos) e uma jovem, quando eu disse que tinha direito a ter uma segunda chance. A mulher não era muito de acordo, mas o senhor sim. Depois eu já estava com os dois dentro de um shopping. A mulher circulava entre as prateleiras olhando uma galeria enorme de roupas de frio e bolsas, e eu a seguia admirada com a quantidade e variedade de tudo, embora desinteressada de fazer compras. Ele andava tendo a cabeça deitada em meu ombro e, pela idade, eu o sentia como se ele fosse meu pai, mesmo que a aparência fosse diferente. Houve um momento que ele cheirou meu pescoço e eu perguntei se ele gostava do meu perfume. Ele disse que sim e continuamos andando. Num momento seguinte ele já não era um senhor idoso, mas sim um homem, e meu marido. A mulher tinha se transformado numa criança que ao cair chorou e foi acudida pelo pai, ou seja, meu marido.

Reaparece seu foco voltado para conflitos que envolvem seus direitos individuais e seu papel de vítima, seja por manipulação ou senso de justiça. Conflito, tensão, disputa, competição, defesa. As compras podem aparecer em variantes:

Compulsão de comprar para compensar a ansiedade; diminuir a tensão; preencher o vazio decorrência da angústia gerada pelo conflito que produz a tensão; conquistar e incorporar objetos que compensem a solidão, etc.

A transformação do ator em pai compensa a necessidade de proteção nos momentos de perigo. Isto pode indicar sua facilidade de se relacionar com homens mais velhos, já que satisfazem sua demanda por segurança, ou por referencias de proteção. Neste caso você busca um pai não um homem, daí a confusão de um pai marido para viver a sua vivência edípica. Tem-se que considerar o papel de ator representado pela figura masculina, Um Camaleão que assume formas diversas, característica do oportunismo de representar aquilo que lhe interessa, de pensar aquilo que lhe interessa.
A ação do pai socorrendo a criança pode ser projeção de sua necessidade de ser acudida.

Na quarta, estava eu com minha irmã e uma criança de três anos idêntica a mim em tal idade. Nisso passou um pensamento repentino pela minha cabeça e eu disse para minha irmã que eu não podia ser filha de uma criança de três anos. A menina se aborreceu e vendo-a prestes a chorar, peguei-a no colo, falando que eu estava apenas brincando ao dizer aquilo, acalmei-a e levei-a para dormir. Em seguida voltei para continuar o assunto com minha irmã. Estava intrigada pensando em como descobrir quem seriam os meus pais. Entretanto, eu não tinha ponto de partida. Minha irmã disse que era para eu fazer o exame e verificar se a mãe dela não seria a minha mãe. No sonho era como se minha irmã e mãe fossem apenas duas conhecidas. Daí ela completou a fala dizendo que o difícil seria descobrir o pai, já que sua mãe tivera muitos homens durante o decorrer da vida.

Veja que existe confusão conceitual e, possivelmente, de identidade. Conturbação mental.

A NEUROSE SE JUSTIFICA,

Para manobrar e manipular o meio, a si mesma ou às pessoas. O neurótico cai na armadilha de justificar as ações que lhe interessam, de realizar o que lhe é oportuno e que satisfaça seus desejos e não percebe que engana apenas a si mesmo, perdendo referências conceituais, se perdendo em códigos básicos, e referências sociais, familiares, de relações afetivas. A armadilha de se lançar em confusão se acreditando mais.

Internamente você ganha consciência, põe luz na escuridão, mas tudo isso é apenas o principio de uma caminhada.

Na quinta eu estava com uma jovem que tirou seu bebê no carrinho para amamentar. Ele ainda dormia, mas aceitou o alimento. Depois ela o colocou em pé para arrotar e, estranhando que ela não o segurasse, fiquei apoiando-me atrás para ele não cair.

Culpa e necessidade de se proteger da vida, insegurança, falta de confiança, domínio e controle excessivo. As recorrências de relações maternais se fazem permanentes, e me faltam, informações para associações seguras sobre a dinâmica de inconsciente no presente momento. O que a leva a uma reflexão sobre seus conceitos nas relações afetivas, familiares, como filha, como mãe simbólica, ou como futura Mãe. Reflita sobre esses conteúdos em tua vida. Como já lhe disse, há limites nesta leitura.

Que sonhos bizarros! Qual o sentido deles?

Arrisquei-me a apontar significâncias nestes fragmentos, mas são simples observações já que em dinâmica de reorganização do inconsciente até a leitura deve ser paciente e cautelosa à espera de melhores momentos. Sonhos como os fragmentos acima precisam ser olhados com paciência, cuidado, delicadeza e atenção.

Para mim eles apontam para um momento específico de reconfiguração psíquica. Ou seja de ordenação psíquica, ou de transição e passagem de um estado para um novo momento psíquico.

Necessariamente não posso considerar bizarros sonhos, ainda que os sejam indecifráveis ou se mostrem impenetráveis e sem sentido. Prefiro pensar na minha incapacidade ou incompetência em compreendê-los.

Por exemplo: seus sonhos anteriores foram, para mim, absolutamente lúcidos e claros. Se no momento seguinte não o são, é preciso compreender que eles são resultantes da dinâmica de sua vida, de suas escolhas, de sua realidade, aquela que te cerca e que te envolve emocionalmente, afetivamente como filha, como família, socialmente, nas escolhas de trabalho, de convívio social, nos sonhos que quer realizar, nas expectativas pessoais.

A Vida é Insólita e possivelmente sejamos, todos nós, bizarros, mas sonhos são apenas um movimento da alma em busca de luz e de consciência, quando envolta na bruma nebulosa da noite de nossas vidas.