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sábado, 15 de maio de 2010

A DANÇA DO TEMPO II


CH 66


Sonhei que algumas pessoas me explicavam sobre o sono e numa de suas fases, exatamente a do sonho, o individuo era levado a um compartimento redondo com infinitas super dimensões que atraiam situações difíceis que visavam à superação, bem como situações fáceis e agradáveis que serviam de prêmio e conforto meritório perante as superações virtualmente adquiridas. Assim aquela câmara individual interagia com a pessoa que nela entrava para viver os fatos, os quais posteriormente poderiam ser vagamente lembrados em forma de sonhos. Explicaram-me que a função ali era ganhar tempo de superação e interagir com fatos benéficos ao desenvolvimento pessoal (mesmos que sob forma de pesadelos). Os fatos eram divididos em três categorias:

1. Os improváveis de ocorrer na realidade da pessoa;

2. Os prováveis de acontecer futuramente, fosse de forma parecida ou idêntica (este último ligado a pessoas com dons especiais de premonição); e

3. Os impossíveis de se tornarem reais (por irem além das leis físicas).

Seria como viver uma semana de condicionamento emocional e psíquico a cada noite bem interagida naquele compartimento. Ali o tempo se tornava elástico e as projeções multidimensionais vivenciadas eram completamente especificas a cada individuo. Ali era possível sentir dor sem estar de fato ferido, sentir frio sem de fato estar na neve, sentir a água sem de fato estar molhado, etc. mesmo podendo crer piamente estar ferido, na neve ou na água da chuva. A interatividade manipulava a pessoa de forma a fazê-la vivenciar o irreal como sobrenaturalmente real. O esquecimento do que se passava lá dentro ocorria pela grande quantidade de ‘vivência’ tida numa simultaneidade complexa de ser entendida, a qual exigia muita concentração no desenrolar dos fatos, fazendo os mesmos serem rapidamente armazenados após a automação irreal vivenciada, surgindo assim a dificuldade da lembrança consciente.

Sei que passei por muitos sonhos (vivências) dentro da tal câmera ou compartimento redondo e lembro vagamente o conteúdo dos sentimentos aflorados. Acho que a raiva (sensação de estar sendo afrontada) foi à emoção mais sentida, porém não lembro das experiências em si, apenas a última que veio como um desfecho:

eu estava numa esquina segurando um papel que continha a escrita de uma declaração de amor. Do outro lado da rua havia um local de música. Senti vontade de dançar, mas eu estava sozinha e pensei que os homens daquele local (provavelmente um bar dançante) deveriam estar bêbados e os sóbrios deveriam estar acompanhados. A minha melancolia misturou-se ao ambiente que era escuro com a leve penumbra de uma noite de luar. Nisso a cantora saiu na porta e vieram cinco homens com trajes sociais pretos e gravatas em tons de prata, dourado e cobre vindo em minha direção. Eram todos lindos e eu senti-me lisonjeada. Eles atravessaram a rua estando três à frente e dois atrás, andando com classe, ao ritmo da musica. Da mesma calçada donde eu estava, vieram mais dois homens no mesmo estilo. Não houve disputa como se todos soubessem que teriam sua chance de dançar comigo. O que chegou primeiro, por coincidência o mais belo de todos os sete incrivelmente belos, estendeu-me a mão com galanteria e imergidos em profunda magia começamos a dançar. Notei que ele não parecia bêbado, mas dançava de uma forma completamente diferente. Tentava acompanhá-lo e aprender aquele jeito novo e inédito para mim de dança de salão. Não senti constrangida e nem ele pareceu se atrapalhar ou ficar impaciente pelo fato de eu não conseguir seguir seus passos. Era como se nós sentíssemos extremamente honrados em dançar um com o outro, independente da dança em si. Os demais sorriam numa alegria contagiante como se estivessem aguardando cada um o seu momento de glória. Minha auto-estima parecia reluzir interiormente.

Ao fim de cada vivência o pessoal me passava uma espécie de relatório com meu desempenho ou a aprendizagem que eu devia captar, algo muitíssimo interessante.

Como só recordo dessa ultima vivência, a mensagem era: ‘Se você focar a diferença dos passos na dança dos relacionamentos, sentir-se-á inadequada e inferior, mas se souber relevar e aceitar isso (e o mesmo deve se dar por parte do outro), curtirá uma agradável dança, mesmo que cada um tenha seu modo conhecido e preferido de conduzir os passos. Muitos novos aprendizados são bons, mas não são obrigatórios, portanto, não os tema. Não se prive de estar a bailar por conta das diferenças, pois você pode surpreender-se com o que existe por trás das mesmas a lhe favorecer. Também não julgue todos separando entre bêbados ou acompanhados, pois a generalização apressada é sempre uma falsa indução. Sem dúvida, embora eu só recorde isso, acho que foi um dos sonhos mais maluco e maravilhoso que já experimentei de uma forma muito real e ao mesmo tempo conscientemente irreal.

Por que sonhei com isso?

A DANÇA DO TEMPO II


Fred e a gravata dourada, com Ginger

É uma excelente pergunta! Não sei se saberei responder o porquê, posso tentar, mas a mensagem está expressa, e isso é o que importa, essa é a riqueza do sonho. Sua psiquê lhe transmite uma mensagem como um input para que você se reeduque na forma de conduzir, de se relacionar com o mundo, consigo mesma e na forma de usar o filtro de seleção do interesse, suas defesas, resistências, e aprenda a responder de forma mais positiva ao que a vida lhe propõe e não na mesmice e no simplismo de sempre.

Diante de um sonho me coloco como um adolescente experimentando pela primeira vez a descoberta do amor. Para falar a verdade, tenho esta forma de lidar com a vida a cada dia, como um frescor que me predispõe, como uma experiência única, especial, que mesmo repetida nunca será a mesma, mas vivida de outra forma. É assim que estou me sentindo diante de seu sonho.

Alem da mensagem se mostra visível, e possível, outros conteúdos, e outros mais que pela significância, relevância e profundidade as limitações nos impedem tocar.

O sonho posso considerá-lo como um presente pela mensagem transmitida e por acrescentar e agregar saber sobre mecanismos, constituição de diálogo, e pela troca, retorno, ao mostrar a capacidade do inconsciente de interagir com o individuo, de construir um diálogo quando é considerado e respeitado.

Compartilho sua sensação de encanto, pois o percebo e recebo como feed back da dinâmica de seu inconsciente.

O sonho é construído em duas fases: a primeira lhe introduz numa dinâmica em que você se mostra suscetível e conduzível: sua curiosidade e seu interesse voltado para a descoberta do novo definem suas características de seleção e filtros de escolhas. Assim o inconsciente oferece mel para quem gosta de açúcar e carinho para quem demanda carência, carro para quem gosta de engenharia ou velocidade, e por aí. No seu caso parece-me que sua criticidade excessiva só enfraquece a sua resistência e defesa quando encontra o inusitado, o fantástico, o incrível. E a psiquê lhe oferece o fantástico para que sua resistência e defesas reduzidas possam permitir sua fixação de atenção, aumento da capacidade de memória e de fixação da memória, para que a segunda parte do sonho ocorra.

Ou seja, a primeira parte lhe prepara as condições biofísicas para que a segunda metade se realize dentro de condições que você esteja em condições de ser linkada e comunicada do intento do inconsciente.

O sonho pode ocorrer independente do sonhador, seja no processo de reajuste, alinhamento e atualização dos mecanismos biofísicos. Mas quando mudanças de atitude se fazem necessárias no seu comportamento, a partir de seu comando mental, você deixa de ser um objeto passível de mudanças para ser responsável pelos inputs que determinam essa mudança. Neste caso a psiquê precisa dialogar com você, lhe comunicar onde é necessário que você realize mudanças para que interrompa o processo de impedimento, desmobilização e boicote da psiquê na sua busca de transformação ou de realizar seu intento original, aquilo para o qual esta configurada a fazer.

O primeiro caminho que a psiquê utiliza são os sonhos. Quando esse caminho se mostra inviável por impedimento do diálogo, ocorrem as invasões no pensamento. Uma tentativa do inconsciente de interferir no seu comportamento independente da sua vontade, ou sobre o poder de sua vontade, isso ocorre com fluxos de pulsões de impulsos. Se o individuo continua se acreditando superior esta força impulsiva aumenta e invade com mais intensidade e determinação a consciência. E aí... Todo o tipo de desvios e de comportamentos podem aflorar, determinando novos estados de “equilíbrio” mental, de relação com o sujeito (interna) e na relação com o mundo.

Quando o individuo restabelece a conexão cosigo mesmo, abrindo espaço para compreender “o que é este interior”, seu “espírito”, sua “alma”, reabre o dialogo com seu fluxo interior, com essas forças desconhecidas e as invasões na Câmara do Pensamento e da Consciência diminuem reestabelecendo a construção do diálogo através dos sonhos.

Definitivamente, o mecanismo do sonho é de atualização quando só depende de si próprio, da psiquê, e de interação como referência de comando do corpo quando exige sua participação. Caso contrário o sonho como mecanismo não precisaria se realizar, se a psiquê não tivesse o intento de comunicar sua mensagem. Neste caso o sonho seria um mecanismo inútil. Como isso é tolo, não é assim que ocorre, ele precisa lhe preparar, biofísica e mentalmente, para que esteja em condições de participar deste diálogo, e não precise interferir no seu comando de consciência que lhe é primordial e sua única possibilidade de sai da escuridão do tempo, na morada da inconsciência, da prisão do desconhecido.

Deixando de lado o conteúdo como resultante do mecanismo e olhando-o apenas como conteúdo, diria que a primeira parte a psiquê lhe alerta para a importância de diferenciar o real do imaginário e insere uma dinâmica de transmutação e metamorfose da libido. Neste caso a energia acumulada em forma de raiva ou ira se transmuta e pode ser, ou o é, reabsorvida para ser aplicada em ações mais positivas, lúdicas, ou que favoreçam a interação e a inserção no ambiente coletivo, como, por exemplo, a Dança

A ideia do tempo elástico é fenomenal, já me manifestei sobre isto, se não o foi aqui, possivelmente no blog Jornada da alma. Venho escrevendo sobre este fenômeno e o creio magnífico, e para mim definem a forma saudável ou doentia com que nos relacionamos com o universo. Agora aqui não há como avançar neste tema. Mas é admirável esta dica do seu inconsciente. Pensando bem.... uma dica:

Em síntese: É preciso que repense sua relação com o mundo através da dinâmica do tempo, pode haver equívocos nesta dimensão, presença de ansiedade ou ausência daquela que se faz importante, que nos impulsiona para a ação. É necessário que se liberte da prisão do tempo, ou da rigidez que ele favorece. Em princípio reavalie essa sua relação.

Ah! Sonhos premonitórios são bons indicativos de acontecimentos, o que não faz todos os sonhos o serem, o diferencial é a referência de realidade, a fantasia e aprender a lidar com os eventos para desenvolver a habilidade de diferenciá-los, para que não se perca na ilusão do tempo, em Maia.

A dança sempre lhe aparece com uma possibilidade de interação, envolvimento. Ja fez Dança? Danças? gostas? Parece-me que pode ser um elemento forte  para lhe favorecer o equilibrio.
Um detalhe: a mensagem pode ser indicativo de que a forma como avalia seu cenário define o sucesso ou o fracasso de suas relações interpessoais.


Bye

domingo, 13 de dezembro de 2009

ANTÔNIA 3



Eis aqui mais algumas respostas: Costumo dormir entre dez e onze horas da noite. sempre tive muita insonia, mas daí uma amiga me ensinou a fazer respirar e espirar sem pausas e realmente isso passou a dar certo, pois parece que relaxa e assim além de nao pensar em nada por estar prestando atencao na respiração, também parece que é incrivel para dar sono. nunca apago quando deito, alias acho que isso nunca me aconteceu, mas quando faço esse exercicio de respiração antes de dormir eu consigo pegar no sono facilmente. nao sei porque acordo muitas vezes durante a noite, simplesmente desperto. algumas vezes acho que é para ir ao banheiro e consequentemente acabo tomando agua quando acordo e daí sempre que acordo aproveito para ir ao banheiro. acordo naturalmente alguns dias e noutros acordo mais cedo, dependendo das obrigacoes matutinas. acho que sou tanto pensante quanto intuitiva, nao sei dizer o que sou mais.




Hora boa de dormir. Parece-me que você além de pensante é Hiper Pensante, Superligada, não sei se hiperativa. Os exercícios respiratórios são ótimos para favorecer a entrada no sono. Em geral, as atividades pensantes intensas desencadeiam a compulsão mental e fica difícil paralisar o processo mental desencadeado. Os exercícios respiratórios favorecem essa parada. Você deveria realizá-los ao longo do dia, para produzir uma pausa nos pensamentos e despertar outras formas conscientes de viver, outros níveis de atenção que não seja apenas a função pensante. Esta, aliás, é para mim a grande causadora dos males deste início de século, favorecendo o desequilíbrio em todos os sistemas corpóreos. O PENSAMENTO DEVE SER UTILIZADO COM CAUTELA. Ele pode ser uma armadilha fatal. Pode ser que esta forma de funcionar a leve a um desgaste mental significativo, o que pode ser indicativo do corpo exigir mais repouso e não estar de prontidão ao seu comando. Você pode estar mentalmente levando seu corpo a um processo de exaustão mental.

Quanto ao sono interrompido pode ser outra forma do corpo não conseguir mais rapidamente realizar sua atualização, seu repouso. É hora de repensar a sua ingestão de líquido noturno. Existem pessoas que funcionam com ciclos de hidratação noturno e outras com ciclos diurnos. Provavelmente você não bebe água nem pela manhã ou à tarde e só começa a sentir sede no entardecer se isso ocorre pode ser por hábito ou ingestão excessiva de sal nas refeições e o corpo começa a recompor o equilíbrio do sistema após a digestão e você só identifica a sede após o limite. Avalie isto. Voce tem Pressão Arterial elevada?

Se necessário refaça seus ciclos:

• Diminua a Ingestão de sal;

• Diminua a ingestão de alimentos com alta concentração de sal;

• Aumente o consumo de frutas;

• Exclua carnes de sua dieta;

• Aumente o consumo de peixes.

• Aumente o consumo de água pela manhã e à tarde,
 para não precisar repor à noite,
nem ter que verter na madrugada;

Este aumento de consumo da água vai favorecer o seu equilíbrio e a sua saúde e diminuir a interrupção do sono, o que favorecerá o repouso do corpo.

BYE

ANTÔNIA 2

Ilustraçãodo Livro "Medicina da Alma"

nao costumo ter sono profundo, mas acho que quando tenho esses pesadelos realmente devo estar dormindo pesado. nao sei se tenho apneia, mas creio que não. ´nao acordo assustada. algumas vezes costumo acordar suada. também nao sinto falta de ar. costumo acordar varias vezes por noite e durmo cerca de nove horas. as vezes sou ansiosa, mas no normal sou calma. dependendo da situacao sou controladora, mas muitas vezes prefiro ser passiva para nao ficar nervosa ou brigar atoa. nao sou de ter medo, mas acho que tenho medo de nao ter controle do corpo quando durmo e estar consciente dessa incapacidade de movimento ou de retorno ao mesmo. e muito ruim sonhar que acorda sem de fato acordar. é como se a mente estivesse enganando a propria mente. quando acordo de verdade é um alivio muito grande e tem vezes que fico desencorajada de voltar a dormir com medo de ficar presa no sono. já aconteceu de eu ter consciencia do que estava se passando na casa. certa vez eu sabia que ia chegar uma visita, queria acordar pois estava sozinha em casa e nao consegui acordar. escutei a campainha tocar e desesperada nao conseguia acordar. quando por fim acordei eu pensei que tudo houvesse sido apenas um sonho, mas depois a pessoa confirmou que houvera ido na minha casa e nao havia ninguem. isso também acontece quando tenho que acordar em determinado horário. daí eu sonho que está na hora de acordar, mas nao consigo despertar. muitas vezes eu preciso relaxar, nao forçar o despertar e daí consigo acordar naturalmente. mas nao entendo o que realmente se passa. é tudo sonho? seria algum tipo de desprendimento? nao entendo dessas coisas de viagem astral e tenho receios disso. medo de morrer creio que nao tenho, mas nao posso afirmar isso com muita conviccao. sou professora e nao me considero perfeccionista ou severa. nao uso remedio e nao tenho segredos me incomodando.


Agradeço-lhe as respostas, elas enriquecem o entendimento. Poderia responder-lhe dentro de parâmetros gerais mais minha preferência é investigar para que encontremos o entendimento de sua vivência. Você tem duas possibilidades: Causa Orgânica e funcional e natureza psíquica. Naturalmente se excluirmos possibilidades orgânicas, funcionais ou neurológicas, poderemos concentrar o foco na natureza psíquica o que pode favorecer o entendimento e a saída para essa vivência angustiante. Caso contrário, só através de exames numa clínica especializada do Sono.

De imediato é importante que você aceite que mesmo em vigília o controle que temos sobre o corpo é relativo e pequeno, considerando o funcionamento dos sistemas e dos órgãos que nos constituem. Nós interferimos no funcionamento corporal através das consequências de nossos atos e não pela intervenção da intenção. No sono este controle inexiste, está entregue ao próprio corpo, que define ritmos, ciclos, frequência, tempo. A vontade, que faz parte do contexto da consciência, e é mobilizada por ela, precisa ser desenvolvida e de inicio pouco pode interferir. Apenas com treinamento podemos aumentar a consciência e o poder de intervir no estado onírico. Mas independente da baixa tensão que não favorece a consciência, sua localização naquele tempo e naquele espaço, e pouco menos a memória, ela é real.

Um exemplo recente:
Duas noites atrás, eu em sono profundo, sonhando, vejo o que me pareceu uma mulher batendo asas como se voasse. Eu me concentro no fato e escuto as batidas de asas como se fossem absolutamente reais, me viro para ver a cena e num flash escuto as asas batendo e aí percebo que os sons são externos, ligo meu despertar, imediatamente acordo, silêncio... escuto o bater de asas, localizo a origem dos sons, me levanto, subo uma escada que leva ao sótão e vejo uma grande Mariposa, do tamanho de uma mão, se debatendo no vidro de uma janela, lá fora uma lua minguante às 3:30 hs da madrugada, levantei a janela e a bichinha sumiu na noite.

Estou relatando este fato recente pois parece-me o oposto de sua vivência, em milésimos de segundos, a partir da localização dos sons externos eu acionei o estado de vigília e o mecanismo funcionou. Meu filtro auditivo, seletivo, diminuiu e os sons me despertaram, a partir de meu intento.

Neste momento me lembro de uma cachorra que gostava muito. Depois que sua mãe morreu, ela se sentia muito triste no terreno e solitária na noite, e toda madrugada ela latia compulsivamente, até que eu me levantava ia até a janela, dava um assovio, ela parava e ia descansar, não mais latia no fim da noite. Este fato para mim foi de importância pois mudou a minha dinâmica de sono. Eu escutava os latidos, me recusava a levantar e mergulhava no sono para depois realizar o ritual de acordar e assoviar. Com o tempo passei a ser imediato no despertar. Depois disso continuo tendo sono profundo, mas minha atenção no sono se transformou e me desperto com sons mínimos.

Ah! Outro detalhe é a memória onírica. Como o corpo desativa certos mecanismos psíquicos, em geral para se atualizar, se reconfigurar (mecanismos de adaptação e de regulação corporal), todas as funções são reduzidas a baixa atividade, baixo consumo de energia, para repouso e regulação orgânica, Como um processo de hibernação em tempo acelerado. É a hora em que o corpo se refaz do esforço da vigília. Assim a memória também é praticamente desativada. Para tentar ajudar a compreensão uso de uma comparação; É como se na vigília construímos imagens para registro com até 2mega Pixeis e no sono trabalhamos com imagens de 5kbs, Com o tempo as imagens do estado de vigília vão sendo reduzidas e chegam à sutiliza das imagens oníricas quando acionadas ou ampliadas. E uma forma do cérebro não recarregar suas funções de registro. No sono os mecanismos de defesa continuam atuando já que estamos praticamente desarmados e sem defesa, não completamente já que como a visão é utilizada para atualização psíquica com os sonhos, a sensibilidade tátil, proprioceptiva, de equilíbrio térmico, olfativa e principalmente auditiva continuam ativadas mesmo que com filtros mais fortes.

Se você viu “O Poderoso chefão”, lembra quando o produtor de Hollywood se desperta com a sensação de umidade na cama e descobre que a cabeça do seu cavalo tinha sido deixada na cama? O que quero lhe dizer é que os mecanismos instintivos continuam a funcionar em baixa atividade como defesa e sobrevivência. E esta parece-me a porta para o retorno ao estado de vigília. Seu universo sensorial. Mais do que a consciência mental, a consciência corpórea (Atenção auditiva, tatil, olfativa e proprioceptiva) é a porta para o retorno à vigília.

Aqui podemos avançar “pensando seu fenômeno”. Uma primeira associação me passa: seu corpo dorme mais do que sua consciência e ele possui um tempo menos acelerado para responder do que ela. Sua consciência desperta, mas seu corpo continua “dormindo” em estado de relaxamento profundo. Neste caso a chave você já demonstrou que tem: muitas vezes eu preciso relaxar, nao forçar o despertar e daí consigo acordar naturalmente. Você acorda, ligada e o corpo continua dormindo, e você desesperada, aprisionada no seu corpo. Uma possibilidade é de que seu corpo esteja em estado de exaustão, entra em repouso e você acorda antes da recomposição orgânica, antes do corpo; Seu corpo pode ter ritmos e ciclos mais lentos; Sua mente pode ser hiperativa e a máquina não acompanha a sua velocidade mental; Você pode exigir do corpo um ritmo que ele é quem dita, como ele não muda você não aceita.

certa vez eu sabia que ia chegar uma visita, queria acordar pois estava sozinha em casa e nao consegui acordar. escutei a campainha tocar e desesperada nao conseguia acordar.

Veja que pode ter sentido a reflexão, a capainha toca e você a escuta enquanto dorme, A consciência acorda mas o corpo não desperta e você não recupera o domínio do corpo.

Neste caso você precisa reaprender a ler seu corpo para respeitar os sinais que ele lhe envia. Uma Variante, em caso de não haver hábito, é a indicação para que você passe a realizar exercícios (caminhada, Body Walk) para aumentar o ritmo de suas respostas corporais, despertando o corpo na vigília, aumentando o seu limiar de resistência física.

Em relação à saída do corpo (viagem astral) pessoalmente não creio. Apesar de certa semelhança de estado de consciência ativada. Mas parece-me que em caso de viagem astral o cordão de prata é retraído quando ocorre intenção de recuo, susto, ansiedade, estímulos externos e retorna com tanta rapidez que a tendência é evitar esses retornos acelerados para evitar traumas, e como é um processo natural de desprendimento as saídas são trabalhadas de forma consciente.

Havia lhe levantado mais alguns itens, em busca de informações, espero que esta reflexão possa lhe ajudar no entendimento do processo, se quiser avançar na investigação, vou vasculhar meus livros para ver se encontro informações. Mande-me noticias de suas observações quem sabe assim aprendemos com sua vivência e com isso que para mim é dessincronização. Se não foi útil, perdoe-me a ignorância.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

MEMÓRIA DOS SONHOS




A modernidade, paradoxalmente, não simplificou a vida humana. Trouxe facilidades, conforto e mais, muito mais, complexidade. Mudanças de hábitos, de princípios, de moral, de religiosidade, são naturais... mas se os mecanismos corporais aceitam adequações o preço que se paga por elas podem ser devastadores. Um deles é tão marcante que não o vemos. Ao longo de quase Um Milhão de anos o ser humano acordou com o Sol e recolheu-se com o início da noite. E se ao longo do processo evolutivo ocorreram mudanças, estas não foram tão significativas como as que ocorreram nos últimos 100 anos. Uma implicação natural: O ser humano vem se transformando em um ser noturno, adiando o repouso para horas avançadas da noite, mesmo que muitas vezes não mantenha o tempo do repouso. O Homem comum já se recolhe após 22:00 horas. Consequências ? a alteração do ciclo sono/vigília que altera os ciclos circadianos e produz a insônia como sintoma; a diminuição do tempo de repouso (de dormida) e o desencadear do processo cumulativo de esgotamento. Continua....