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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CULPAS FAMILIARES, PUNIÇÃO E IMOLAÇÃO




Eu estava num palácio com decoração de sorvete de creme com passas (tudo era pintado de amarelo com manchas pretas) quando saí e fui para casa. O caminho era escuro e já estava chegando quando esbarrei com um bêbado e ele quebrou uma garrafa vazia sobre mim. Para me defender usei a mão direita e notei que ficou um hematoma de sangue coagulado na extremidade da mesma. Então eu corri dele e tranquei-me dentro de casa. Indo para o quarto tranquei-me dentro deste também, mas enquanto dava a segunda volta na chave e tirava-a da fechadura, notei que aquilo era uma armadilha, pois eu não tinha costume de deixar a chave do lado de dentro. Já abrindo apressada para sair dali, notei que havia alguém dentro do quarto e era uma mulher. Ao abrir a porta para fugir me deparei com um homem e dois jovens que pareciam ser seus filhos. Eu estava cercada. A mulher disse que era para eu tomar o veneno e nisso notei que o homem tirava de uma botija um liquido colocando-o para me servir. Tive vontade de revidar e dizer que se eu tomasse aquilo e morresse ela nunca mais teria sossego na existência dela, mas acabei escolhendo me humilhar e pedi-a para me perdoar. (Como posso ter tanta facilidade para pedir desculpa nos sonhos?) Ela parecia inflexível. Dentro do contexto eles pareceram ser espíritos obsessores. Disse-lhe que se eu estava viva tendo uma nova chance era porque Deus já me perdoara e insisti para que ela fizesse o mesmo e não o fizesse por mim, mas por ela, pois eu já estava pagando pelos meus atos desajustados (não sei o que eu lhe fizera, mas sei que assumia minha culpa). Disse-lhe que ainda queria nos ver de bem e que ainda os poderia ajudar muito (não disse como, mas pensei que o faria através de um centro espírita). Abracei-a sem importar-me com seu jeito esquivo e notei que ela ficara balançada. Ele comentou que eu estava querendo fazer a cabeça dela apenas para que ela desistisse de me dar o veneno. Isso não era verdade. Minhas intenções era realmente de reconciliação. Senti que tudo ia ficar bem e, por mais que quisesse continuar o sonho, acordei nesse exato momento.

Ψ

Palácio de sorvete é palácio de fantasia, construção da ilusão para acolher a Princesa do Creme com Passas. Ilusão. Fragilidade. Dessa forma a psique te introduz aprisionando o seu foco de atenção: através da ilusão da gostosura. Te seduz pela oralidade, polarização gerada pela ansiedade do afeto que conforta e protege. O afeto que compensa o seio materno. É também a energia densa e paralisada que precisa ser acionada para ser dissolvida ou para entrar em movimento.

Aí... de volta para casa o choque com a realidade. O caminho sombrio do real, o bêbado, a ameaça e a agressão.

A casa é refúgio, defesa, proteção, resistência. Mas o suporte da proteção doméstica já não existe. Há a dificuldade de defender-se, sem apoio. Insegurança? Fragilidade? Medo?

É bom ficar atenta, a defesa pode ser a armadilha que aprisiona ou que esconde o risco. Quando o individuo se defende em excesso a "suposta" proteção serve para proteger a ameaça, para camuflar o perigo.

Medo de ser devastada. Qual a culpa? Você se sente culpada? Que erro cometeu para ser condenada à morte?

Você não se sente uma pessoa merecedora. Precisa pagar, mesmo que já tenha pago, mesmo não tendo o que pagar. Mas essa é uma característica da natureza feminina. Cobrará pela eternidade do homem, que para ela, errou. Pobre do homem que não atender à expectativa feminina, será empurrado eternamente para o cadafalso da punição, eternamente condenado. E assim as mulheres fazem consigo mesmo. Mesmo que tenham dificuldades em aceitar que cometem erros, se punem com a culpa pela eternidade. Estão sempre culpadas, pelos filhos, pela família, pelos amigos, e... Por estranhos.Triste sina! carregar a cruz da culpa pelos caminhos da vida.

Neste aspecto a Cruz não é a horizontalidade da calmaria nem a verticalidade da ascensão mas a  encruzilhada do destino, o conflito sem saida. O medo de arriscar e se deparar com o inferno, o medo de acertar o caminho e não suportar as delícias do paraíso sabendo do sofrimento dos que vivem no purgatório.
*****
Existem vários tipos de medo, mas o medo de morte é um medo especial, porque antes de ser egóico é resultante do instinto de preservação do sistema, da vida, de sobrevivência. Muitas vezes mascara a angústia ou o senso de não ter cumprido em vida o que devia ter sido realizado ou vivido. Esconde expectativas do não vivido.

Tradicionalmente pode-se pensar no desejo da morte. Há o desejo mascarado de morrer? Há o medo de ser envenenada? De servir como sacrificada?

Uma fala pode esclarecer:

Disse-lhe que se eu estava viva tendo uma nova chance era porque Deus já me perdoara e insisti para que ela fizesse o mesmo e não o fizesse por mim, mas por ela, pois eu já estava pagando pelos meus atos desajustados (não sei o que eu lhe fizera, mas sei que assumia minha culpa).

Mas se Deus a perdoou e se você já pagava pela prática dos “atos desajustados”, seus pecados, quem a condena?

Você se culpa. Mergulhada na culpabilidade se condena, e se oferece ao sacrifício não por amor como a Julieta, que perde o sentido da vida por acreditar no seu Romeu morto, mas por culpa de ter, em algum tempo, em algum lugar, cometido os erros ou de não ter atendido à expectativa do outro, de ser aquilo que esperavam de você. A tendência é de sacrificar-se, punir-se, fazer-se de vítima à espera da santificação ou da salvação.

Quanta severidade. Quanto sofrimento. Quanto perfeccionismo. O caminho não é bom!
Tudo bem que o palácio de sorvete seja ilusão, seu refúgio, compensador da carência, energia gelada, mas em nome de que tanta condenação?

Seria essa mulher a sua irmã? Aquela que a pune, que a condena? Seria a culpa por não perdoá-la?

Há mistura: a mulher que te condena é você que condena a irmã pelos erros cometidos ao te colocar numa camisa de força. Mas essa mulher também pode ser sua irmã te condenando.

Essa mulher pode representar o medo de ser punida pela irmã em decorrência do sentimento cultivado por ela, e a possibilidade da reconciliação, a mudança que precisa realizar, abandonando o passado de mágoas e resentimentos? O pedido de desculpas poderia ser a sua necessidade de ver sua irmã se desculpando, mas espelha a culpa que sentes pelos sentimentos negativos dos quais não consegue se libertar.

Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa! Antes de tudo você precisa se perdoar, ter compaixão por si mesmo e compreender que é chegada a hora de reconciliar-se consigo mesmo e com aqueles que estão dentro de um passado que precisa ser passado a limpo.

O veneno destilado a ser tomado pode esconder a verdadeira ameaça: a submissão. Cercada por 4 ou por cem, qual a diferença? A dignidade da autonomia. Ninguém pode tirá-la a não ser você mesmo.

Você continua funcionando sendo comandada por estranhos, ainda que na ameaça, e o que a leva a implorar, e a tentar seduzir o outro é o medo de ter que fazer o que o outro obriga. Abrir mão da autonomia é entregar ao outro o direito de te comandar. Você ainda funciona comandada pelo outro.

Não adianta fugir de seu dever consigo mesmo. É fundamental aceitar a realidade de seus limites ou se verá obrigada a ceder ao controle do outro. É preciso abandonar a fantasia e aprender a se proteger sem se aprisionar nas armadilhas do simplismo. Desenvolva e amplie o repertório de respostas para não ficar perdida no passado de ressentimentos e mágoas.

Ah!
O PIOR DE NOSSOS ERROS APARECE
QUANDO NOS VEMOS OBRIGADOS
 A PROVAR O PRÓPRIO VENENO.

Implorar e suplicar e se desculpar pode ser um ótimo curativo, mas o melhor é interromper e superar os equivocos.

Ψ

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MORTE, MÁSCARA E RENASCIMENTO



Acordei assustada no meio da noite. Não lembro o sonho em si, mas o aviso dele ficou nítido na minha cabeça: a morte estava chegando. Como já foi dito outrora, creio ser a morte simbólica dos meus pais interiores.

Quando voltei a dormir tive um sonho bem bizarro. Eu estava com uma jovem e ela perguntou se eu queria viajar com ela para outro país. Era pegar ou largar exatamente naquele momento e, tresloucadamente (ao menos perante a vida real) aceitei. Eu carregava uma mochila. Não sei o que havia nela, mas sei que não levava absolutamente nenhum dinheiro. No aeroporto estava tendo um baile e dancei com um sujeito desconhecido bastante simpático. Depois de embarcarmos na viagem e termos um voo levemente turbulento, desembarcamos no outro país. Disse para ela que eu ia ter de arrumar um emprego e aguentar gostando ou não, pois eu não tinha nenhum dinheiro. Ela disse que isso era fácil e logo eu me acertaria de tais questões. Senti vontade de tirar foto, mas não tinha uma máquina fotográfica e comentei que seria o primeiro objeto que compraria. Além disso estava sentindo falta de um caderno de anotações para registrar a vivência inusitada. Pouco depois ela pegou a maquina fotográfica dela para tirar uma foto minha e toda contente busquei me posicionar frente a bela paisagem litorânea. Só que ao invés de bater a foto, ela preparou a câmera e abriu uma espécie de computador donde ligou um microfone e apresentou-se para todos os transeuntes e moradores que estavam sentados na causada de suas casas e lojas na rua da vila. Depois ela passou o microfone para mim e eu fiz o mesmo apresentando-me as pessoas, mesmo percebendo que elas não estavam nem aí para aquela cena um tanto tola. Ao menos para mim pareceu uma tolice da qual não entendi o fundamento.

Será que tal microfone tem recorrência, embora diferenciada, com o microfone do sonho de outrora?

Apresentando-me com tranquilidade eu anunciei que era mineira e brinquei dizendo que meu sotaque cantado acompanhado da gíria 'uai' ou 'ué' não negava minha origem. Comentei que estava gostando da viagem e que tinha certeza de que, igualmente, também iria gostar daquela cidade. Ao terminar devolvi o microfone para que ela guardasse sua engenhoca a fim de seguirmos a caminhada. Não sei que país ou cidade era aquela, mas parecia uma cidade pacata, tranquila e bela de se morar. Logo na sequencia eu estava sozinha e como já sabia, teria de contar apenas comigo mesma para me virar. O mais impressionante (e que provavelmente não ocorreria na vida real) é que eu, completamente só no sentido de ter que ser auto-suficiente, sentia-me livre, cheia de disposição e serena enquanto percorria as ruas desconhecidas.



A morte no sonho pode indicar processo, encaminhamento ou finalização de um período, um ciclo, um momento ou dinâmica psíquica, de um estado ou configuração gestaltica psy, a dissolução de conteúdo autônomo, a reconfiguração de significado simbólico, o prenúncio de um acontecimento, a manifestação premonitória de uma morte anunciada.

Em principio, mesmo que o possa ser, não me parece uma indicação de morte de alguém, ou premonição. Mas parece-me indicação de morte de condição, de “estado”, sinalizando consequentemente, mudanças, transformações, renascimento, alterações significativas de configurações psíquicas e de conteúdos.

Na sequência a viagem reafirma as transformações, agora projetadas nas mudanças de cenários, paisagens, ou de meio no qual está inserida. Mas essas mudanças passam pelo estágio do vôo e da fantasia, em dois tempos:

1. Aeroporto --- avião --- vôo turbulento = fantasia, elevação, voação, ilusão;

2. Chegada --- desembarque --- outro cenário, outra condição.

Assim surgem duas possibilidades:

1. A fantasia pode favorecer a turbulência ou criar um vácuo entre as duas realidades, entre o antes e o depois, o velho e o novo, uma suspensão que sustenta a transição e adia a transformação.

2. O novo estado, a nova condição continua sendo preparada para o momento em que esteja plenamente preparada para dar adeus ao passado.

Será que tal microfone tem recorrência, embora diferenciada, com o microfone do sonho de outrora?

Se você fala como símbolo fálico, sim! Mas diferentemente do sonho anterior a conotação pode ser no sentido de potência, força, energia que lhe será exigida. Tendo a pensar que para realizar a sua integração dentro deste novo cenário você precisará usar a sua condição de mulher corajosa e de forte presença, (seria a condição de mulher fálica?) prefiro não classificar essa condição. Usar potencialidades que lhe são naturais e que superam a Persona criada para intermediar a sua relação com a realidade.

Novos cenários exigem-nos adaptação e apresentação. Portanto também não vejo, mesmo que possa sinalizar indícios de vaidade e narcisismo.

Sinto que a nova dinâmica lhe exigirá: presença; coragem de se expor; coragem de arriscar, por a cara à mostra. E naturalmente para isto é preciso “peito”, força, coragem, que necessariamente não são atributos de homens, mas conteúdos de masculino que se impõe como principio de realidade e que projetam a condição de guerreiros que precisamos para atravessar essa selva de perigos que é a vida, para seguir nessa jornada de vida e morte.

Ser fraco. submisso, frágil, dependente é opção que todos temos mas é opção de quem não tem noção do significado de viver. 

Daí não dar importância a conteúdos que apareçam implícitos e que mascarados se projetem e traduzam a vaidade ou suas características narcísicas, que em geral são atributos de segunda categoria e que servem de armadilha para aprisionar os tolos e incautos.

  Vaidade e Narcisismo são funções e atributos auxiliares,
de segunda categoria, armadilha para tolos e incautos.

Minha tendência parece ser confirmada na sequência: você se desfaz do microfone e tem o felling:

Logo na sequencia eu estava sozinha e como já sabia, teria de contar apenas comigo mesma para me virar.

Essa a dinâmica da mensagem; No novo mundo, novo país, novo estado, nova margem, nova condição só lhe resta a INDEPENDÊNCIA, tomar conta de si, aprender a se cuidar, assumir e tomar conta de sua vida e assim se apresentar. Para completar a transição é necessário superar a armadilha dos perdidos: A fantasia. E na outra margem de consciência, do outro lado, encontrarás a singularidade.

A PERSONA SE SUPERA E ENCONTRA O SEU CRIADOR.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MORFOSES - MORTE E RENASCIMENTO




Essa noite sonhei que caminhava pensando que a diferença entre a vida e a morte era apenas um fato causador de uma fatalidade. Pensei na minha morte enquanto uma passagem, uma mudança de dimensão. Pensei em muitas pessoas que já haviam morrido e concluí que precisava fazer mais pelo meu lado espiritual, já que para morrer bastava estar viva. Depois de morta eu poderia me arrepender do tempo desperdiçado com o banal da vida material. Pensei comigo que enquanto na matéria era difícil conseguir me encontrar num trabalho espiritual divino, ou seja, descobrir a finalidade da própria vida enquanto uma viagem de aprendizado e trabalho voltado para a auto-evolução. Pensei em familiares já falecidos e grandes personalidades como Chico Xavier. Senti o tempo de uma vida ser apenas um segundo, um sopro perante a infinitude. Entretanto, cada dia dessa jornada poderia ser um acréscimo de luz ou apenas mais um dia atrás do outro. Nisso entrei num ônibus para fazer uma viagem de excursão. Um senhor comentou comigo que esquecera de pegar o xampu e pediu-me para comprar outro na primeira parada do ônibus. Dispus-me a fazer isso com facilidade. Estranho que eu era a única que estava sentada voltada para trás, de costas para o motorista, e desenhava ou escrevia algo. Ao mesmo tempo em que tudo estava normal, eu sentia um certo desconforto, uma sensação de estar sem graça, sem ter o que dizer, quase envergonhada como se houvesse feito algo errado, como se fosse culpada de algo ou como se soubesse de alguma coisa que ninguém mais sabia. Eu me sentia diferente e indiferente com relação aos outros. Nisso o ônibus saiu fora da pista e começou a rodar no ar de um despenhadeiro como se fosse um pião a cair em movimento rotatório, se não me engano em sentido anti-horário. Quanto mais caia, maior ficava a velocidade da queda. Eu sabia que a morte era certa e que nada poderia fazer para evitá-la. Eu era a única que percebia se tratar de um acidente, pois os outros passageiros estranhavam o movimentar do ônibus achando que ele ainda estava na estrada, e inclusive criticando o motorista de estar fazendo a descida em alta velocidade. Era o prazo do baque fatal e eu deixaria a realidade de uma vida para voltar a realidade de uma vida anterior. Nisso meu eu espiritual desvencilhou-se antecipativamente da matéria e ficou flutuando no ar de olhos fechados para não ver a cena trágica do acidente. Acordei assustada.

Não é a primeira vez que sonho com minha própria morte enquanto uma simples mudança de dimensão. Não são sonhos ruins, mas parecem expressar minha necessidade de viver de forma mais intensa o lado espiritual. A mensagem parece ser a mesma: devo estar sempre em paz com a consciência do dever cumprido, pois embora possa prever ou sentir a morte se aproximar, ninguém sabe exatamente a hora e o dia do “juízo final”. O tempo é infinito, mas ele passa e não volta atrás e, por isso, ele também é finito.

O que me diz de um sonho desse tipo?

 
 
 

MORFOSES - MORTE E RENASCIMENTO II






Sonhos são sempre uma grande fonte de  riquezas. Às vezes os temas se mostram árduos, verdadeiros desertos, outras se mostram como rios de água transparentes e a mensagem se mostra explícita e a abordagem se faz menos tortuosa. Basta beber na fonte.

Um sonho como o relatado acima não deve ser reduzido, não tem que ser interpretado. Precisa apenas ser compreendido e sua leitura é direta.

Independente dos conceitos realizados pela sua reflexão onírica, alguns detalhes chamam a atenção:

• Ocorre uma dinâmica de ordenação. Sua reflexão põe luz no universo inconsciente, introduz o pensamento ordenado, a avaliação, o diagnóstico, a associação, comparação (que neste caso é linha de conexão entre fragmentos);

• Introduz a noção de tempo e lógica, como referência que alinha a sequência do antes, do presente e do depois (passado, presente, futuro), frente e costa, alto e baixo, esquerdo e direito (horário, anti-horário), dentro e fora;

• Relaciona Matéria X Espírito, Peso X Leveza, Vida X Morte, introduzindo a consciência da dualidade do pensamento pessoal.

• A consciência da fuga; do medo; da ansiedade.

SONHOS E ESPIRITUALIDADE

No sonho a reflexão é significante, imprescindível e inevitável. O bom senso tende a considerar o essencial. E o essencial da existência nos remete além do visível e palpável, nos remete às dimensões inimagináveis da luz e  das energias, 

O materialismo ateu, cultuado no século XX, se fundamenta em limites do tempo e do espaço da existência, não explora outros eventos que envolvem a existência do universo e do individuo como, por exemplo, a espiritualidade, o mundo energético, a relação do individuo com o universo, aspectos de uma natureza que são subjetivos tanto quanto a materialidade.

Portanto não há como enfiar a cabeça na terra e negar o inegável, ou se ater apenas ao palpável.

A vida e tão importante quanto à morte (sendo finda, ou infinda) e a espiritualidade é fundamental porque é referência de princípios que transcendem os tempos e que continuam a estabelecer, dentro de nossos limites de natureza, a nossa conexão com o lado etéreo e subjetivo da existência.

A ocorrência no sonho sinaliza a importância de sua escolha pessoal. Deixar de lado essa conduta espiritualizada é fortalecer a tendência desconstrutiva de nossa natureza.

A opção pela espiritualização ou pela religiosidade não é uma questão da escolha de ser bonzinho ou medroso, ou de negociação com o divino, é uma escolha inteligente que não desconsidera um lado definitivo de nossa origem e de nossa natureza em conexão com o universo.

Não somos separados, como células únicas com vida própria, separados do entorno. Definitivamente não somos uma ilha.

O sonho reforça o conceito que constrói. E se o sonho for compensatório e em sua vida existe falta de religiosidade ou de espiritualidade, preencha este vazio antes que ele se torne um abismo que a faça dividida em sua natureza.

A ESPIRITUALIDADE É FORMATO QUE NOS PERMITE
 A CONEXÃO COM O DIVINO,
MANTENDO-NOS CONECTADOS
COM O PRINCÍPIO QUE REGE O UNIVERSO.

Este caminho que nos leva ao estabelecimento de atitude religiosa diante da vida, não exige condução, nem rituais, nem submissão, apenas princípios que estabelecem atitudes desenvolvidas em sintonia com o universo. As religiões possuem o básico desses princípios já decodificados, mas não todos os possíveis e que nos abrem as portas para relações mais profundas com o divino.

Mas este lado espiritual não é tudo. É preciso trabalhar no aprimoramento e no sustento pessoal, superando a dependência do outro, para que não sobrecarreguemos o ombro de outros, a responsabilidade que é pessoal, para que possamos realizar a lei da troca, da comunhão, do partilhamento.

O sonho diz: não adianta caminhar pra frente olhando para trás. É risco, perigo!

O acidente está relacionado a esta atitude, ele te anuncia olhe para frente quando caminhar, para o futuro, para as mudanças que necessita implementar. Se cuide. Assuma a sua direção, dirija sua vida, não a deixe na mão do outro.

O passado nos supre de informações, o presente nos permite avaliar os cenários para que possamos fazer escolhas que nos ofereçam resultados positivos no futuro.

Sua leitura é correta, mas é pouco. Não é apenas uma questão de paz de consciência ou dever cumprido. Este é o básico. A certeza da impermanência é essencial, e cumprir com o dever contradiz o pensamento neurótico que tudo adia para o amanhã. Não deixe para amanha o que deve precisa ser agora.

Mas paciência, porque quando solucionamos o que nos é exigido solucionar, é preciso detectar aquilo que exige tempo... O tempo da vida.

Períodos de transição são inevitáveis, num universo instável vivemos inseridos nesta transição entre o antes e o depois. Não há o que temer. Há o que deve que ser feito.

Nascer e viver e tão natural quanto morrer, diariamente morremos, envelhecemos, somos consumidos pelo tempo. Só os tolos negam.

Não feche os olhos, veja! Veja sempre! Fechar os olhos é opção pela obscuridade, negando a realidade. Nada é tão trágico que não possa ser visto, nem o próprio destino.

Excluindo os que tudo abandonam para a dedicação exclusiva à religiosidade, nós pobres mortais, precisamos nos dedicar à conquista do sustento nos preparando, enquanto nos aprimoramos, antes que nos solidifiquemos como desesperados que sem esperança vivam perdidos e embalados na insignificância do banal.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

FLASH NUMINOSO


  Morte de Géricault -1824
Ary Scheffer -Paris, Museé du Louvre  
Carla141
Primeiro sonhei que estava numa casa conhecida apenas dentro do sonho, quando passaram por mim duas crianças parecidas a anjos. Eram dois meninos, com cabelos claros e cacheados, um deveria ter uns dois anos e o outro uns quatro. Pedi-lhes um abraço e o mais velho veio contente abraçar-me. O outro ficou olhando meio parado como se estivesse envergonhado ou sem saber o quê fazer. Logo em seguida eu fui a outro cômodo donde meu pai estava doente, muito mal de saúde, próximo da morte. Havia mais gente no quarto, porém não me atentei para ver as mesmas. Estava sendo preparado um jantar, pois estavam chegando muitas visitas para vê-lo. Meu pai cantava uma música de natal e eu deitei de bruços nos pés da cama e chorei. Como se lembrasse do sonho donde dissera que a idade das crianças era a representação de Deus na Terra, senti que a velhice também tinha esse potencial de representação. Ele estava fraco sobre uma cama e entoava um cântico tão emocionante que derrubava emocionalmente qualquer pessoa que estivesse forte de saúde. Vale explicar que esse contexto do sonho nada tem a ver com a realidade ocorrida no falecimento do meu pai. Depois fui jantar, pois preferia fazê-lo antes da minha irmã chegar.

A significação e presença de enfermos ou dos mortos nos sonhos, para mim, sempre envolve a nossa relação com o absoluto mistério da existência, a relação com o sagrado, a ambivalência entre a existência corpórea e a existência etérea, espiritual ou apenas simbólica.

Reaparecem as crianças e sua disposição afetiva. Continuo pensando em reconciliação consigo mesmo. É um acontecimento especial e essencial, porque com a reconciliação reconstruímos internamente nossa base, estrutura que referendará uma nova forma de relacionar-se com o mundo. E essa nossa base sendo construída a partir de uma relação afetiva harmoniosa consigo e com o mundo, abrirá a possibilidade de constituição de relações harmoniosas, e essencialmente gratificantes, pois construídas com o afeto na comunhão.

A imagem do pai enfermo que entoando cantos que despertam a sua emoção parece-me uma imagem arquetípica. Podemos considerar algumas possibilidades, isto quer dizer que não precisamos ficar presos em um significado, mas todos eles podem ser relevantes:

1. Já disse que o tempo psíquico, e a dimensão de tempo do universo, diferem da grandeza de tempo criado pelo homem. O tempo do homem é uma medida construída para orientar nossa realidade a partir da formação de nossa capacidade transcendental que nos permitiu pensar e apreender, conter, o passado já vivido, o presente que vivemos e o futuro que viveremos.

Mesmo que seu pai já tenha falecido a configuração psíquica não incorporou a sua ausência como morte, seu falecimento não foi configurado, não foi elaborado, apreendido. Isto pode ter ocorrido por defesa, para lhe proteger de descompensação, desestruturação, culpa, ou sofrimento pelo não vivido ou que pudesse lhe deixar lesões psíquicas em decorrência da incapacidade de elaborar, compreender o significado do fato na sua formação, na história da sua relação com seu “Pai”.

Assim a reconstrução da imagem (independente de realidade) do pai enfermo, lhe permite viver a separação, a partida, a despedida, envolvida pelo cântico numinoso, que rompendo as defesas, protetoras, desperta o sentimento, a emoção profunda, e permite-lhe, pelo quadro pintado, sentir e expressar a angústia, envolvida pelo cântico, e viver a dor da separação e da  morte anunciada do Pai;

2. O Cântico de Natal anuncia o nascimento do filho de Deus, o renascimento dos homens, é a pureza da emoção, o Júbilo pela graça, e no sonho é o canto que emociona, porque todos são encantados. O canto que invoca pode significar a diferença entre a capacidade de resistir e viver e a incapacidade de resistir e morrer. Mas no sonho parece-me que ele vem para romper as barreiras e as defesas do afeto, que no seu caso apareciam blindados. Nova consciência se forma abrindo espaço para se relacionar diferentemente com as emoções;

3. O Pai incorporado está enfermo e padece. Precisamos matar o pai, matar a mãe, sem suicidarmos. É preciso matá-los simbolicamente, para que possamos nascer como indivíduos livres, únicos e plenos;

4. O pai convida com o cântico, e mostra que o alvo é a emoção que precisa ser liberada, vivida. E na vida finita do corpo a importância de vivermos o aquilo que realmente importa e que faz sentido, o que é essencial;

5. Pode ser a resposta para a origem de sua passionalidade e emocionalidade, origem paterna;

6. Sinalização para fortalecer a sua resistência emocional, se preparando para os momentos futuros de grande impacto emocional, que são inevitáveis, lhe permitindo evitar que sucumba a estes momentos, ou para diminuir sua suscetibilidade emocional frente ao domínio do “encanto”.

O cântico envolve um efeito numinoso, um estado de encantamento, divino, transcendental, semelhante ao chamado das paixões, ao canto das sereias, que atrai e leva o homem a entrar e desaparecer, à noite, no mar. O encantamento é tão poderoso porque é como se sentimos o impacto de uma conexão especial com o universo. Sabemos que estamos ligados a um espírito universal, e geralmente nos entregamos a essa transcendência. 

E depois você foi jantar porque a vida continua e precisamos nos alimentar para manter acesa a chama viva.

Após momentos numinosos que envolvem tanto poder, magia e emoção, nunca mais somos os mesmos,
a consciência se transforma. e a vida vai cumprindo seus desígnios, porque é assim que a música toca.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ESPÍRITO DE CORPO



CARLA140

Essa noite sonhei com a mesma jovem do sonho de outrora, aquela que apanhara no rosto. Estávamos no meio de uma turma de 'amigos' e ela começou a chorar ao conversar com um rapaz dizendo que ele não quisera dançar com ela. Ele respondeu alguma coisa se justificando (algo que não recordo) e ela comentou que a 'Fulana' inclusive ficara chateada com ela por causa de alguma coisa que também não está lúcido em minha mente agora. Isso me pareceu uma sequencia ou explicação do sonho anterior, mas acabou ficando um tanto vago. Parece que havíamos acabado de sair de um local de dança, estilo boate, e eu inclusive nem gostara do mesmo. Achei a reação dela exageradamente carente, pidona e melosa, mas ao mesmo tempo sincera, expressiva e espontânea. Eu conservava apenas uma certa insatisfação, pois preferiria ter tido a chance de ter ido a outro local dançante que era mais do meu agrado, entretanto, me vira sem opção de carona e quisera experimentar de sair com tais 'amigas', ou seja, me ariscara ao desconhecido.

Depois disso eu já estava com uma mulher, a qual segurava uma criança que ia fazer um ano de idade e um homem, pai do menino. De repente ela entregou a criança para mim dizendo 'vai com sua mãe'. De certo modo eu sabia que o filho era meu, mas ao mesmo tempo era como se não fosse, pois eu sentia nossa ligação distante. Interessante que a mulher que o segurava era tia dele, mas não era a minha irmã. Talvez fosse uma babá e daí ser considerada uma 'tia' também. Peguei-o no colo e comecei a conversar com ele sobre sua festa de aniversário, se ele ia querer bexiga e o que mais ele ia querer. Ele respondeu que ia querer bexiga, mas estava um tanto disperso e pareceu não se agradar muito do meu colo. Também não existia da minha parte o sentimento terno da maternidade: era como se apenas naquele momento eu me desse conta daquela realidade de ter um marido e um filho, algo que me deixou confusa.

Por fim, ao menos das minhas lembranças, também sonhei que arrastavam alguns corpos que pareciam embalsamados com uma substancia amarelada. Os olhos estavam arregalados, os punhos e tornozelos atados com fita branca. Quem os carregava segurava-os atrás das costas (igual alguém algemado) nos punhos atados do cadáver. Assim os cadáveres eram carregados meio dependurados. Vi passar por mim dois corpos e alguém me disse que eram um casal de jovens, dando-me todas as características e informações de ambos. Eles mantinham os olhos arregalados como se me olhassem, embora nem parecessem mais com olhos humanos. Eles foram jogados sobre um monte de outros corpos já preparados. Acordei logo em seguida. Não foi um sonho tenso, mas muito intrigante. Eu não tive medo e nem senti pena, apenas fiquei curiosa para entender o que realmente era aquilo e por que motivo eu estava presenciando aquilo. Que simbolismo tais sonhos me trazem?

Essa jovem parece com você? “Achei a reação dela exageradamente carente, pidona e melosa, mas ao mesmo tempo sincera, expressiva e espontânea.” Ela não parece, ela pode ser você! Ela pode ser o espelho desse seu lado. Agora mais diferenciado, onde você consegue distinguir essa sua característica de relacionar-se com a realidade de uma forma um tanto quanto birrenta. Natural que o lado negativo seja sustentado por conteúdos manifestos positivos, assim uma característica justifica a outra, mais, alimenta a outra, pois o positivo serve de dreno, captando a energia que alimenta a vaidade, para sustentar esses núcleos autônomos..

A relação com a criança no seu caso se torna significativa pelo exercício do afeto. Sua dificuldade de expressar afeto era mais evidente do que as incursões afetivas que agora você se permite. Por outro lado parece-me também o estabelecimento de relações mais harmônicas consigo mesmo, como se reestabelecesse uma conexão afetiva, resgatando seu lado afetivo, se reconciliando com a esperança, que é projeção do afeto.. E finalmente, essas crianças representam conteúdos infantis, carente e dependente de cuidados alheios. Você acolhendo seu lado infantil, dando mais assistência, favorecendo o seu desenvolvimento, cuidando de si mesmo, esta é uma forma da psiquê operar a transformação de conteúdos, através de reconciliação, .

Rituais fúnebres sempre são intrigantes. Neste caso duas considerações:

Mortos já não possuem o “Élan”, são corpos desespiritualizados, que não realizam a função de casa dos espíritos. Não possuem a ânima que os anima, a alma que os movimenta. Inertes como massa, matéria inerte, que retorna a terra para ser o que é pó.

Como confronto, sua resistência é positiva, sinaliza mais força, resiste ao drama do fim da vida, e você observa mais diferenciada. Aceita a realidade, sem drama;

Os olhos são a janela da alma, para o espírito. Você observa olhos esbugalhados sem visão porque não há janela para mais ninguém, o divino se foi. Esses corpos podem representar conteúdos internos mortos em processo de transformação, retornando à origem, sendo dissolvidos, dissociados.

Questões: Falta-lhe espírito, alma? Você se sente morta? Morrendo? Ou já se sentiu assim, em passado recente? Será que você se esquece dessa nossa realidade cruel, sermos finitos, quando valoriza em excesso o banal?

Retornamos a uma questão essencial; é fundamental sabermos priorizar o que é importante nessa vida. Na sociedade moderna, sociedade narcísica, caprichosa, vaidosa, etc, muitos se enriquecem vendendo para os tolos o que não tem valor, ouro de tolos. Os tolos ficam como que encantados dando importância ao insignificante.

É preciso aprender a distinguir o que é essencial e o que não é. Colocar cada coisa no seu devido lugar para não ser massa de manobra de grandes corporações que vendem ilusões como se fosse preciosidades. É preciso aprender a separar o Joio do Trigo, eliminar o lixo, abandonar o insignificante e focar o olhar naquilo que enriquece e aprimora o espírito. E possível ter bens que tornam nossa vida mais confortável, mas eles não precisam nos aprisionar e ditar nossa vida.

Quando escolhemos uma estrada para seguir precisamos saber que essa escolha definirá o conforto emocional no futuro. Quando investimos no desenvolvimento pessoal, acumulamos instrumentos que serão preciosos no amanhã, porque inevitavelmente eles serão necessários. Quando investimos no inconsistente, amanhã ele se mostrará insignificante.

CAIXÃO NÃO TEM GAVETA.

Mas o espírito pode ser leve, criar asas e aprender a voar.

Reflita.

sábado, 24 de julho de 2010

ORÁCULO E MORTE





Carla 123

No quarto sonho eu estava numa espécie de velório. Um mendigo bebum havia acidentalmente morrido queimado e ninguém tivera coragem de o socorrer. Eu estava consultando uma espécie de oráculo com sementes bem pequenas de urucum, conchas, pedras e também havia uma garrafinha com um líquido vermelho (igual aquelas garrafas com molho de pimenta). Eu não via nada naquilo, mas conforme contava o número de sementes entre a posição das pedras e conchas, ia recebendo inspirações a respeito da alma do morto. Não lembro direito, mas creio que era isso o que eu estava tentando verificar. Haviam várias pessoas no local. Eu não era a única consulente mística que havia ali, mas era a única que estava com o oráculo aberto efetuando uma consulta.

O que essas quatro recordações significam?

Você diante da morte.

Representa a morte de algum conteúdo pessoal. No sonho há identidade entre sonhador e conteúdo (sonho): Um indivíduo entregue ao vício, abandonado, sem socorro e você rejeitada, abandonada e entregue ao vício da carência afetiva.

Mas se esse é o individuo que está morto, este pode ser um pouco desse lado que morre, que se transforma para renascer de outra forma.

Sementes são símbolos das forças latentes, não manifestas, esperança da renovação que tem seu potencial de transformação. É o princípio que associado à terra e à água fecundante se ativa iniciando a renovação da árvore da vida. A garrafinha é o instrumental da engenhosidade humana que acondiciona o tempero da vida; o urucum colore com a cor viva.E as conchas representam a vida marinha, o conteúdo do oceano primordial.

Você diante do oráculo sinaliza mediação entre o mundo dos homens e o mundo dos mortos. Seu crescimento e amadurecimento indicam essa possibilidade de destino como mediadora entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos. Aquele que consegue decodificar sinais e mensagens entre as diferentes dimensões para guiar e orientar a pessoas na travessia da vida. Pode ser este o seu Destino quando avançar na sua maturação.



terça-feira, 22 de junho de 2010

SAGRADO E PROFANO

CH 96
Sonhei que estava num recanto ao lado (ou aos fundos) do que parecia ser uma oficina de conserto de algo (não tenho certeza disso). Eu fechei o portão de ferro enferrujado e tentei encontrar alguma manga das que estavam caídas no chão, mas elas já estavam em processo de apodrecimento. Eram mangas da casca amarelada. Nisso, ainda agachada procurando uma manga boa, vi que havia alguém me olhando por baixo do portão. Peguei uma das mangas meio podre (não havia nenhuma boa) e joguei na direção como se dissesse 'quer manga, tome isso'. Como notei que a pessoa não saiu de trás do portão, ou seja, não parou de espiar-me nem com a manga podre que lhe joguei, fui na direção do portão e abri-o constatando que ali estava apenas uma cabeça e, embora pareça absurdo, ela parecia viva, mesmo que também em estado de apodrecimento. Fiquei um tanto com medo, mas pensei comigo que apenas uma cabeça não me faria mal algum e com um misto de revolta chutei-a varias vezes torcendo para que a alma dela nunca me encontrasse. Desprezei aquela cabeça com raiva. Depois eu já estava num local donde houvera tido um acidente e, embora não tenha visto, tive a impressão de que alguém, talvez uma criança, morrera atropelada. Havia uma mulher chorando muito e uma multidão de curiosos. Embora tranquila por não ter ligação direta com a cena, fiquei chocada pela dor que o momento e o fato expunham.
Por fim, pouco antes de acordar, sonhei que ia escrever algo no computador quando abri uma propaganda de dança do ventre ou de artigos para tal. Varias moças apresentaram dançando em imagens rápidas e dentre as belas roupas e adereços, fiquei atraída por uma de veludo estampado em tom verde musgo com pedrarias grandes. Para mim todas as roupas eram lindíssimas e foquei na verde porque ela combinava com a decoração do local e havia um tapete cuja estampa tinha daquela mesma tonalidade de cor. Essas são as pequenas lembranças que tive dessa noite.

No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. Gênesis 3:19

Os sonhos, por vezes, nos permitem traduzí-los numa mensagem. Além de sua possível significação, que se referencia em critérios. Ultrapassa o formal. Neste sonho por exemplo me permito traduzir-lhe numa mensagem que me veio de imediato:

A Dinâmica de expansão do universo nos coloca num sistema inexorável e impermanente, que divinamente anunciado pela religião e contextualizado cientificamente por Lavoisier que enunciou o princípio de conservação da matéria: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

No sonho você esta defronte à matéria orgânica em transformação, não apenas uma fruta ou uma cabeça, mas o que você é, o que nos somos. Matéria em transformação permanente. Hoje vivo, amanhã putrefato. Porque o desprezo? Porque a raiva? Negação deste destino trágico a que estamos submetidos.

Somos finitos, nascemos, vivemos e seremos, quando não pulverizados, transformados.

Se não nos transformamos naquilo que desejamos ou sonhamos, se não nos aprimorarmos, dia chegará em que a transformação definitiva finalizará aquilo que ansiamos conservar. Se aprimorarmos o que somos ou se não aprimorarmos, o fim será definitivo para todos. O que então muda? Porque então a busca do aprimoramento?

Se nos aprimorarmos temos mais chances de realizarmos uma jornada da vida mais harmoniosa, ou mais realizada, consistente e construída em bases e princípios universais.

Se não nos aprimorarmos, escolhemos a negação da impermanência, contrariamos os princípios de expansão do universo, sintonizamos o principio da retração, ficamos prisioneiros da negação, do retrocesso, da energia densa e bruta.

Portanto, elimine, se existir, os excessos: o controle presunçoso; a arrogância; a petulância dos egocentrados; a raiva dos desesperados; os medos; a ansiedades; o domínio; todo o excesso que carrega nos ombros. E principalmente purifique seu coração, tenha piedade e se afaste do mal. A maldade é viva e contamina. Purifique seus pensamentos, escute seu coração e busque o simples, o autêntico, a generosidade, a bondade, a amorosidade e caminhe em sintonia com o universo, o melhor de sua vida. E caminhe em direção à luz, e tenha compaixão e busque aplicar seus sonhos que na realidade seus sonhos, suas esperanças e pratique o que gostaria que praticassem com você.

É simplismos acreditar que não seremos encontrados. Todos pagam pelas consequências de seus erros. Não há escape para os equívocos, há apenas a conquista e a harmonia para os acertos. Para esses, a vida como que oferece a compaixão, negada para os que escolhem a escuridão. E cuidado com o “Belo” ele pode encantar pelo imediatismo, pelo foco estético, e cegar pelas aparências.

A imagem Visual ou Sonora pode esconder o que nos aprisiona, as amarras das quais precisamos nos libertar.

O sonho revela a sua forma de responder à essa dinâmica, profanando o sagrado, pois morto ou acabado. Ou sacralizando o profano com o simplismo dos descompromissados.

Veja: quando se defronta com a cabeça a desconsidera como representação de uma vida, de uma história, mas ao ver a mulher sofrida se condói, pois consegue enxergar a dor da perda. È capaz, a partir do lamento, de abstrair e compreender o sofrimento, mas deixa de perceber o sofrimento quando há silêncio na dor. Ou seja, sua visão só se completa quando associada ao lamento sonoro. Em leitura anterior relatei sinal de que fosse mobilizada pela visão. O inconsciente mostra que a audição é seu foco seletivo, a sua audição, o estimulo sonoro mobiliza sua compaixão e seus pensamentos de forma imperativa. É necessário que passe a pontuar seu pensamento para despertar outros sentidos e emoções.

Não podemos esquecer que os sons são imagens ou evocam imagens, tanto quanto imagens evocam sons.

É uma boa hora de rever seus conceitos idealizados e de passar a aplicá-los no seu dia a dia.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ESTRANHOS MORREM. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.


Luz - Linhas na Rede de energia da vida

Respondendo à questão do sonho no post sequencial  FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER :

                            O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

Sonhos não são espelhos da vida real, distantes ou aproximados. Sonhos são um canal de conexão entre a consciência que construímos, e o inconsciente que nos originou, ou que nos compõem. São, portanto, um ponto comum, um fluxo de conexão, um estado comum entre a consciência e o inconsciente, um lugar em que a consciência que somos, intermediadora com a realidade se conecta com o fluxo continuo de energia, com o núcleo de poder que ordena, configura, regula, e determina nossa essência como seres.

As dimensões, Interna e Externa, apesar de serem únicas, são diferenciadas, por realidades fenomenológicas específicas de cada realidade. Vejamos:

1. O tempo que a civilidade construiu na evolução da civilidade, da sociabilidade humana, é de dimensão diferenciada do tempo interno, o tempo de vivência psíquico e consequentemente do Momentumn" onírico;

2. A realidade tridimensional (quadridimensional se considerarmos o "tempo"), diferencia-se das dimensões físicas, biopsiquicas, do fenômeno onírico, que em geral pode ser vivenciado e percebido em duas dimensões  (bidimensão) ou monodimensão, ( sabemos que estamos lá,~sentimos, mas não temos referência visuais de plano físico. A imagem é evocada a partir de dados de memória;

3. Se na tridimensão temos largura X altura X profundidade, os sonhos podem ser construídos como imagens bidimensionais com altura X largura e a profundidade é sugerida na imagem e supostamente vivida na ampliação da imagem do profundo a partir do foco de atenção, ou da mobilização do Intento da Vontade. Por exemplo: numa imagem em que o individuo esta inserido como “um Olhar”, se ao olhar a imagem um ponto é focado pelo olhar, esse ponto é ampliado e o sujeito tem a ilusão de profundidade no sonho, consequentemente de viver a sensação de tridimensionalidade desta forma a psiquê consegue favorecer a ordenação da consciência nesta realidade bidimensional. Por isso muitas vezes as imagens passadas em velocidade sob esse olhar como que tentam manter certa linearidade que favorece e permite à consciência manter-se presente (existindo como fenômeno) em baixos níveis de tensão, frequência e memória linear. Este é um esforço excepcional que a psiquê faz uso para conseguir manter uma conexão com essa consciência, que somos nós, com o objetivo de interferir ou sinalizar para mudanças que necessitam ser realizadas na condução do organismo dentro da nossa realidade de consciência, na dimensão em que vivemos.

Perdoe-me ter que entrar nestes detalhes, mas como sei que profissionais e estudiosos acompanham minhas reflexões e leituras, e como a leitura de sonhos que faço é resultado de meus trinta e cinco anos de pesquisa, quando tenho a oportunidade de avançar para tentar mostrar os mecanismos e eventos que são significativos na construção onírica, a leitura se mostra mais compreensível, já que ela é feita considerando certos conceitos que são importantes. Quando sabemos como se constrói mais pertinente fica a desconstrução, ou compreender o significado, entender a mensagem.

4. O tempo como dimensão, no universo onírico, é abstrato (à médida em que é construção de referencia humana) e função por pulso, que pode ser longo ou curto dependendo do efeito que o sujeito como evento interage com o fenômeno. E é mais próximo de sua possibilidade como fenômeno, ou seja, é menos rígido como no mecanismo do nosso tempo real, que é tão evidente em decorrência da regularidade solar e da relação dia/noite pelas mudanças. No sonho não há tempo para a regularidade estelar. Os sonhos são construções rápidas e intensas, em estágios de repouso que permitem essa inserção psíquica. Portanto se fazem mais elásticos. A intensidade do vivido pode dar a impressão de ter sido longo o tempo de vivência; Estados de relaxamento também podem promover essa sensação de tempo longo; sonhos de confronto com múltiplos eventos ou conceitos e acontecimentos podem dar a impressão de tempo longo; e imagens rápidas a ideia de tempo breve.

Na especificidade acima, há uma diferença de destinos pós morte entre estranhos e indivíduos com vínculos genéticos. Há indicações possíveis de que as linhagens são separadas diferenciadas, como se cada linhagem constituíssem uma Linha da Rede na mesma dimensão. Mesmo que haja interação na rede entre linhagens, a linhagem é protegida e constitui uma indicação de evolução e estagio de desenvolvimento com sua especificidade. Neste caso a morte não significaria simplesmente um retorno à indiferenciação das águas primordiais, a diferenciação conquistada seria partilhada com o todo para a evolução do todo mas manter-se-ia diferenciada a matriz da conquista evolutiva na linhagem separada.

O que é preciso entender é que se Einstein já nos alertava que um evento reverbera, como uma onda, por todo o universo, como a morte, que é um corte intradimensional, o corte de conexão entre um corpo e sua manifestação fenomenológica, e que provoca mudanças drásticas nessa realidade, não determinará mudanças no universo? É preciso deixar o simplismo de lado. A morte é significativamente mais complexa do que a apenas a dissolução e pulverização do corpo, como poderiam pensar os sonhadores maconheiros dos anos 60', que se imaginavam virando apenas pó de estrelas. o corpo é pulverizado, fragmentado, mas sua manifestação fenômenológica possui vinculação extra corpórea. Não! Não somos apenas um simples corpo, somos uma construção complexa da natureza, interligados a uma Rede multidimensional absurdamente complexa.

E precisamos nos repensar, porque isto pode definir nossa relação com o mundo.



Observação.: Entre excepcionais pensadores do "homem",  no século XX, C.G.Jung nos brindou com sabedoria decifrando mistérios, entre tantas outras percepções sábias foi provavelmente o primeiro a abordar a  questão da multidimensionalidade da vida de forma cientificamente lúcida, sem recorrer à conceitos religiosos. Minhas buscas levaram-me a compreender e identificar-me com sua visão criteriosa. Os conceitos acima relatados são minhas percepções que acrescento com intuito de tentar colaborar para a comprensão do nosso significado como seres e eventos biofísicos originários da matéria inteligente do universo. Minha intenção é de tentar colocar luz em matéria tão árdua e inacessível. 

terça-feira, 27 de abril de 2010

A CAPITÃ DE CAPITÃO

Imagem de Fragata Pirata em mar calmo: 

CH54

Sonhos dessa noite. Primeiro: Eu passava por uma estrada quando visualizei uma senhora e uma jovem sentadas no meio do caminho. Havia irradiação luminosa nelas e outras figuras humanas de luz opacas que imaginei ser espíritos e, sem muito conhecimento, uma vez que nunca vi espíritos, deduzi que deveriam ser benévolos já que a luz era branca e clara. Nisso a senhora e a jovem também se transformaram em luz e saíram deslizando na minha direção. As figuras pereceram se misturar ou sumir de forma que ficaram apenas duas que se aproximaram de mim e depois já havia apenas uma mulher com um semblante irritadiço como se quisesse me matar. Perguntei o que ela queria comigo e ela respondeu em deboche e com raiva: ‘Você não está lembrando de mim? Pois vai lembrar agora’. Não sei o que ela fez comigo, mas eu comecei a reviver mentalmente milhares de cenas vivenciadas como se houvesse um filme sendo repassado em velocidade na minha cabeça, dentro da pálpebra dos meus olhos. Então eu me vi enquanto capitão ainda jovem de uma fragata (com roupas azuis e um chapéu preto estilo de pirata) e aquela mulher era um homem um pouco mais velho, um integrante de um posto maior da mesma tripulação e, não sei exatamente por qual motivo, eu não gostava dele, o via como inimigo. Mesmo me vendo e me sentindo num jovem rapaz, questionava interiormente se aquela regressão de memória seria real ou se era uma invenção de minha mente. Todas as cenas passaram-se muito rápido e quando voltei à realidade eu estava em casa e minha avó despejava todo o vidro de azeite em seu prato de comida. Desesperada eu corri para pegar o azeite e disse para minha mãe que não podia deixar determinadas coisas ao alcance de minha avó. Minha mãe pareceu não se importar, mas eu fiquei bastante irritada. Minha avó já está gagá a ponto disso, mas o que me atormentou no sonho não foi o descuido de momento, mas sim o descaso de minha mãe em relação á situação de cuidar da vovó. Essa ultima parte foi bem parecida com sonhos passados nos quais houve irritação da minha parte e descaso da parte dos outros. Os espíritos podem ser influência da nova novela das seis horas (Escrito nas Estrelas) a qual comecei a assistir. Mas me ver na pele de um capitão de fragata pareceu-me sem sentido. O que pode ser?

O inconsciente é a eterna fonte inesgotável de memória da espécie, Uma memória sem tempo. Os estímulos externos podem acionar imagens oníricas, ilusões e fantasias, mas o que acionam essas imagens, o que estas imagens podem representar e a respeito do que querem falar é a nossa grande questão, o nosso alvo.

Neste sonho se posso tirar de imediato um sentido, é a noção da relatividade do tempo. Ainda que vivamos aprisionados “num tempo ou num intervalo de tempo” ele é o que menos conta, primeiro porque o passado e o futuro se reúnem no presente, e quando pensamos no presente estamos mergulhados, como resultado que somos, num passado inimaginável, ali ao lado, dentro de um futuro impensável. Essa linha do tempo é relativa e não existe, ainda que para referência de consciência precisemos deste constructo de realidade que nos permite nos referendar para não mergulhar nessa inimaginável e múltipla dimensão cósmica mais próxima do caos e dos estados psicóticos fragmentados e desagregados.

Então, considere a relatividade do tempo, e o tenha apenas como referência de uma realidade que mais nos protege do que elucida sobre este mundo.

Assim, “a mulher” que lhe inquire pode ser de origem arquetípica já que faz aflorar uma memória de sua vida. O que ela lhe diz parece indicar um alvo específico, tem a ver com a figura do capitão ou sobre a relação de inimizade nutrida em seu passado? Eu tendo a considerar a incorporação de uma figura castradora de um homem (dentro de uma mulher, o capitão em você) que nutre desafeto por um homem mais velho de hierarquia superior. Não sei se pode ter sido resultado de um processo de formação subliminar que tenha sofrido (em decorrência de relação competitiva entre pai e mãe), falta-me subsídios e informações para afirmar. Seria a representação de seu Pai? Ou diz respeito apenas à sua dificuldade de relações harmoniosas com conteúdos masculinos introjetados e incorporados como ressentimentos ou fruto de mágoas. Mesmo que a origem não seja nas relações indiretas a partir de pai e mãe, podem estar relacionadas até à sua terceira geração ancestral. No seu momento, Já há algum tempo esses processos de reconciliação acontecem e tendem a continuar. Neste sonho há sinais de acionamento de conexões com seu passado, que pode ter sido seccionados em sua dinâmica de vida ou terem sido herdados já seccionados em decorrência de experiências de seus antepassados.

A figura da avó já surge como foco de afeto que precisa ser considerado, os cuidados com a grande mãe, a atenção às origens ancestrais em você, seu comportamento critico, de cobrança e julgamento que lhe norteiam. Ainda em relação à sua avó observo que ela derrama o azeite, e aí aparece você chorando pelo azeite derramado. Essa "avó" envolve um sentido de responsabilidade diante de sua vida e diante da evolução de sua estirpe familiar. Você é a pessoa que agora possui o instrumental para evoluir, para não repetir seus ancestrais para ajuda-los no processo de evolução da familia. E arquetipicamente ela surge como Figura de Senex decrépito que precisa ser considerado, focado.
 Será que tá na hora de deixar de chorar pelo seu passado, de parar de ficar catando coisas naquele passado de decrepitude, ou de interromper na sua vida os lamentos pelos acontecimentos já definidos no passado? E principalmente olhar para seus atos e ações ao invés de focar o alvo no outro. Comportamento que favorece a insatisfação e o foco permanente no outro, como resultado de uma transferência negativa. À medida em que não consegue um acordo tônico responde de forma severa e crítica ao outro, à sua presença.

Mas é interessante te ver como capitã, responsável pela rumo do seu barco de Guerra, conduzindo sua vida, o barco de sua vida nas águas do oceano primordial, nas águas turbulentas do inconsciente. Ainda que seu barco seja dominado por uma mulher macho guerreira e seu ornamento (o chapéu que cobre sua cabeça) seja de um pirata. Os resquícios da pirataria AINDA SOBREVIVEM. E você como “rapaz” deveria levá-la a se perguntar onde anda sua feminilidade? Sua postura é de guerra? Onde anda a mocinha em você? Será que você se faz mais homem e mais velha do que mocinha? Será que é necessário resgatar essa feminilidade? Será que você está precisando é da impetuosidade, vigor e ousadia de um rapaz para romper os entraves que te impedem de realizar seus desejos?
Fragata tambem é a denominação de ave da região costeira, o que pode singularizar a evidência de uma polaridade entre o conteúdo pesado de deslocamento (a NAVE ave de guerra), e a NAVE ave que plaina sobre as águas primordiais, neste caso o indicativo é de necessiadade de mudança de atitude e de postura diante da vida.
agora... se voce olhando este sonho perceber que você foi fragada. E só voce pode dizer, enriqueça-me me dizendo em que?


fragata


De qualquer forma, em raros indicios, este parece-me um sonho que aponto para um momento de Morte, Transição e... Renascimento.

PARA NASCER  É PRECISO MORRER
SEM SUICIDAR.

Reflita... Bye.

Perdoe-me, existem sonhos que parecem fechados, como o sonho acima, um verdadeiro deserto, mas dentro deles o oasis é rico, nós é que não vemos. Tentei tirar alguma riqueza deste poço. Se não fez sentido, perdoe-me a falha. Muitas vezes a calmaria do mar, a ausencia de sopro divino, nos faz paralisados. Sonhos intransponíveis não me fazem desistir, ao contrário, me mostram que sempre precisamos de humildade para suavemente acariciar sua magia e encontrar a compreensão.

terça-feira, 6 de abril de 2010

IMPREVISIBILIDADE I





      


Ch 42
 Novamente ao dormir, sonhei que eu estava com uma babá e havia um bebê e uma criança. Parece que eu era responsável pela criança e a babá pelo bebê, mas num determinado momento o bebê caiu da cama e literalmente se transformou num feto morto. Eu bem tinha visto que ele estava escorregando e fui ampará-lo, mas foi tudo muito rápido e não deu tempo. Não sei de quem eram as crianças. Outra vez um sonho de regressão física com criança/bebê. Fiquei tão impressionada que, ao olhar no espelho, meus lábios estavam trêmulos. Nisso minha irmã apareceu chamando-nos para jantar. Claro que eu estava completamente sem apetite mediante o ocorrido, mas além da babá eu era a única a lastimar o fato daquela morte. Quando fui sentar-me à mesa, alguém escorreu uma calda doce no arroz e eu recusei-me a comer aquela comida. Havia visita, mas não sei quem ou quantas pessoas eram. Estávamos aqui em casa, mas a disposição dos moveis era outra bem diferente, tanto que havia uma mesa grande na sala (na qual foi servido o jantar). Nisso minha irmã falou algo e eu respondi um tanto sem educação. Não lembro o assunto, mas era alguma coisa que não deveria ter dito na presença das visitas. Sempre detestei essas regras do que dizer ou não perante visitantes. Eu estava irritada e não estava disposta a medir palavras. Resolvi sair um pouco para dar uma volta. Estava frio e, não sei porque, eu estava nua ou tinha sensação disso. Passei por ruas desconhecidas da vida real donde havia uns bares, restaurantes e lojas. Num dos bares vários rapazes estavam com as mãos amaradas para trás e fiquei pensando que tipo de brincadeira seria aquela, pois só deveria ser uma brincadeira ou um desafio mental e psicológico qualquer. Segui adiante e passei por uma galeria. Não lembro muito bem, mas sei que pouco depois eu estava conversando com um desconhecido que parecia um drag queen. Nisso começou a chover e ele me chamou para ir com ele. Não lembro bem como foi o desenrolar dos fatos, mas sei que senti receio por desconhecê-lo, bem como vergonha por estar com ele fantasiado em pleno local público. Depois disso eu estava numa espécie de colégio interno. Um rapaz que, não sei se era o drag queen sem as fantasias, deixou-me numa sala donde um professor dava umas explicações para umas poucas pessoas e, dizendo para que eu o aguardasse lá, foi falar com outro professor. Tranqüila no ambiente, mesmo desconhecendo todos e não sendo aluna, eu notei que da janela da sala dava para se ver duas enormes piscinas. Havia umas crianças que nadavam como peixes mergulhando para o fundo da piscina que deveria ter muitos metros de profundidade. Havia vários professores de natação e os pais, embora preocupados, também pareciam confiantes e alegres com o desempenho de seus filhos. Encantada eu não perdi tempo e fui até lá dar uma nadada. Depois eu saí e fui para o quarto do rapaz. Comecei a arrumar minha mala, pois tinha que ir embora. O local estava uma super bagunça. Ele dividia o dormitório com uma jovem e uma mulher. Pensei que fossem sua irmã e mãe, mas não tive confirmação. Para meu espanto as minhas coisas estavam bastante esparramadas, mas, quando ele chegou, eu praticamente já tinha arrumado tudo na pequena mala. Ele me abraçou dizendo que estava com muita saudade e ficamos algum tempo abraçados num sentimento bem agradável. Falei que ele havia demorado e eu resolvera não esperá-lo indo até a piscina. Também disse que ia embora. Ele lamentou querendo que eu ficasse mais e expliquei que não podia, pois eu nem deveria ter me alojado ali com ele naquela noite. Depois disso ele acendeu um cigarro e chamei-o para um canto a fim de dizer-lhe que não aprovava de maneira alguma aquele vício. Entretanto, antes de repreendê-lo, o que eu pretendia fazer de modo afetuoso, eu vi que, ao lado da pia, a chama do forno do fogão (parecia industrial de tão grande) estava acessa. Ele foi tentar apagar, mas acabou acendendo outra chama e depois aquilo parecia emperrado.

sábado, 3 de abril de 2010

CALDEIRÃO DE EMOÇÕES

   
CH41
Essa noite eu sonhei muito!
Primeiro sonhei que estava numa casa muito grande e bonita, que inclusive parecia um palácio, na companhia de uma jovem e de seus dois irmãos mais velhos. Creio que eu não morava ali e, portanto, devia estar apenas de visita. Tenho certeza de que não foi à primeira vez que sonhei estar em tal lugar. Eu conversava com a jovem tranqüilamente enquanto mexia com massinhas sobre uma peça de ferro cor de bronze. Não sei se eu enfeitava a peça ou se a utilizava como um molde, mas estava gostando do trabalho, achando-o interessante e bonito. Não sei se a massa de modelar era biscuit ou daquela massinha infantil. Num certo momento apareceu uma mulher e todos desviaram o foco da minha pessoa para ela, a qual começou conversar alguma coisa que não recordo bem, mas creio que o assunto era tenso. A conversa entre eu e a jovem interrompeu-se abruptamente.
Depois disso foi pior. Eu estava em casa, a mesma que moro, enquanto minha mãe e irmã (não sei se havia mais alguém) haviam ido para a casa da vizinha dos fundos, embora no sonho a vizinha fosse outra pessoa. Ela havia contratado uma professora de dança ou ginástica e eu podia escutar a música e algazarra da minha casa. Eu me sentia enclausurada, não pelo fato de não poder sair, mas por ter que me contentar em ficar sozinha no meu quarto sem ter nada para fazer. Senti-me muito irritada e melancólica, tanto por não ter sido convidada, bem como por todos terem ido e eu ter ficado para trás completamente abandonada. Eu sentia todos se divertindo enquanto eu sofria uma espécie de indignação invejosa. Na vida real eu costumo lidar com isso dizendo para mim mesma que não preciso mendigar a atenção e o carinho de pessoas que não gostam de mim o suficiente para desejarem ou valorizarem a minha companhia, mas no sonho o sentimento negativo aflorou em proporções gigantes, tanto que comecei a falar sozinha esbravejando e esmurrando um armário da cozinha. Eu não estava descontrolada, apenas muito possessa de um total mal-estar perante a situação. Eu não tinha nada para fazer, mas mesmo que tivesse, a insatisfação era tanta que eu praticamente não ia conseguir fazer nada mediante aquela ira interior. Era um misto de desespero com profunda tristeza que se convertia numa raiva total. Eu me sentia desprezada e inferiorizada.
Essa indignação invejosa também está presente na minha vida quando sinto que os outros, por milhares de motivos que justos ou tolos, possam estar sendo mais felizes, se divertindo ou aproveitando mais a vida do que eu. Sem dúvida é um sentimento cruel, masoquista e que luto para não deixar me martirizar.
O que tal sonho está querendo me advertir com todo esse sentimento de profunda revolta?
Depois sonhei que uma conhecida da minha avó havia morrido e, logo após acordar pela manhã, minha avó pegou uma banana e jogou no meio do mato dizendo que era para a alma da falecida comer. Achei o cúmulo do absurdo pois, para mim, aquilo significava apenas o desperdício de uma banana. Aqui se repetiu o conflito com alguém mais velha do que eu, de modo que eu nada podia fazer além de respeitar. Depois o conflito voltou a ser com minha mãe e irmã. Por serem duas pessoas conhecidas, sem dúvida, elas são as que me causam piores pesadelos. Nós discutíamos, mas minhas palavras de nada valiam, pois embora elas não soubessem argumentar, a força da sentença mais velha tinha mais peso. Meus sentimentos pouco importavam perante a postura imponente e a vontade soberba das duas. Horrivelmente tive a sensação da minha irmã me sojigar numa luta injusta de níveis de forças diferentes. Cheguei quase a dizer para minha mãe: Um dia eu desapareço da sua vida e você vai morrer a mingua. Minha raiva dava para executar tal ameaça, mas minha coragem de filha não. Depois eu estava numa espécie de camarim de artistas penteando com os dedos uma peruca de cabelo liso, comprido e loiro quase branco. Não sei de quem era e nem quem a usaria. De todo modo eu parecia estar responsável por aquele apetrecho. Em seqüência eu acordei. Ainda estava de noite.

Para não considerar o conceito de energia em psicologia, vamos partir do princípio einsteiniano: existe uma equivalência entre massa e energia (E=mc²), Em 2008, fisicos do Centro de Física Teórica de Marselha, com o auxílio do supercomputador Blue Gene, confirmaram pela primeira vez na prática, que a massa do próton provém da energia liberada por quarks e glúons, provando que a massa provém da energia, conforme teorizado por Einstein há mais de cem anos.
Ou seja, não é demais considerar que: somos seres luminosos e energéticos, energia em forma de matéria. Consequentemente possuímos em formas diversas, diferentes fenômenos, em diversos níveis, ocorrendo no mesmo momento em nós, desde matéria sendo transformada em energia, energia sutil emanada, energia sendo consumida. Incorporação, transformação, trabalho e projeção.
Tudo isso para dizer que seu sonho é você, seu produto, seu resultado, sua manifestação. A forma como você vive, responde e o resultado desse processamento, dinâmica, metamorfose e transformação da libido.
Senão vejamos:
·         Massinha de modelar – fôrma de ferro cor de Bronze. A idade do ferro precede a idade do bronze, e sinaliza mudança, transição e evolução. Consolidação de formato, modelagem, construção;
  • ·         “Eu me sentia enclausurada, não pelo fato de não poder sair”;
  • ·         “Irritada”;
  • ·         “melancólica”;
  • ·         “abandonada”;
  • ·         “excluída”;
  • ·         “indignação invejosa”;
  • ·         “eu não preciso da atenção do outro”;
  • ·         “esbravejando” “Esmurrando”;
  • ·         “não descontrolada... mas possessa”;
  • ·         “insatisfação”;
  • ·         “Ira”;
  • ·         “desespero, tristeza e raiva”;
  • ·         “desprezada e inferiorizada”.

O caldeirão fervente das energias pulsantes e emocionais. E tudo isso por que se sentiu excluída e marginalizada. Excluída, Marginalizada, por quem? O sonho evidencia dois aspectos de grande importância:
·         O poder pessoal e individual de escolha e de resposta às exigências e acontecimentos da vida;
·         As consequências que sofremos pelas escolhas que fazemos.
No sonho o inconsciente te confronta com a profusão emocional que você produz por não ser o foco de atenção no cenário em que está inserida. Isto lhe remete para a sua dimensão narcísica, caprichosa, e autopunitiva. Você se marginaliza, se exclui da participação coletiva por que você é muito competitiva, compete com as pessoas e com os acontecimentos.
 Ser o centro das atenções não é o bastante.Busca ser o centro do mundo quando abre mão de sua vida pessoal, renuncia a si mesma e espera receber em contrapartida a renúncia dos outros à VIDA. Como eles não se renunciam, sua expectativa é frustrada e você entra num Looping, essa profusão emocional e de sentimentos que não consegue administrar.
Este é o preço que pagam aqueles que negociam suas vidas pela satisfação da demanda de afeto que supre suas carências. Já lhe indiquei em sonhos anteriores que a resposta a esse enigma não é o preenchimento desse vazio. Você nunca preencherá esse vazio, esse vácuo, esse buraco de fundo “fundo”. Ele é pessoal e coletivo. É cósmico. É arquetípico.
Esse “momentum” eu o considero especial e um ponto Fractal que surge como enigma que precisa ser superado e rompido.
A grande armadilha desse momento é que a sua configuração é paradoxal: Quanto mais você corre para satisfazer a carência, mais ela cresce. Quanto mais busca satisfazer sua demanda afetiva mais ela cresce. E o pior, como o vazio cresce, menos os outros parecem lhe dar, menos você sente receber, o que aumenta sua necessidade e sua cobrança e insatisfação. Um monstro voraz carente de afeto cresce dentro de você, aumenta a solidão, a dor, o sofrimento, as angústias. Looping fractal.
A solução é renunciar ao vazio afetivo, abandoná-lo e focar a satisfação no fortalecimento de sua individualidade. Nas mínimas coisas, nas mínimas ações. Descobrir o que lhe dá prazer e buscar a sua realização, para não ser engolida pela sua boca. Você imagina? Sua boca te comendo?

Para finalizar sua avó dá alimento para a falecida. Fantástico.  Precisamos alimentar nossos ancestrais, ter compaixão pelos mortos. Amanhã seremos nós os mortos. Precisamos alimentá-los, de saber, de afeto, de generosidade. A avó é arquétipo da Velha Sábia, ancestral arquetípico que se prepara para tomar lugar na condução de sua vida substituindo o “Puer aeternus”. Em geral esta substituição ocorre na metade da vida a partir de um período de transição e ocupa o seu lugar se o preparamos devidamente, caso contrário envelhecemos repetindo hábitos e comportamentos infantis. Daí a necessidade de amadurecermos. É relevante que reavalie seu comportamento lógico. Pessoalmente acredito que ele é fundamental como aquisição de consciência, mas você enquanto mulher tem sentidos fundamentais e fenomenais que precisam ser considerados e que não devem ser relevados ou esquecidos. Mantenha a sua lógica como referência, mas não abra mão de seus sentidos extras, eles definitivamente enriquecem sua vida.
A vida é absurda, 
muito mais absurda do que nossa vã consciência
 é capaz de enquadrar.
Neste sonho há recorrência de indicação da sua importância e necessidade de realizar escolhas e de não esperar que o outro te “conduza”. Tome atitude, vá em frente, corra atrás e busque o teu prazer ao invés de ficar na amargura invejando a felicidade dos que são capazes de buscar o que você não faz.