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sábado, 22 de janeiro de 2011

VERGONHAS SEM VERGONHAS






Sonhei que estava num local diferente, talvez no litoral. Eu caminhava numa parte com uma extensão muito grande de areia e haviam uma esculturas gigantes feitas com a própria areia do local. Admirada eu notei que estava sem os óculos e querendo enxergar direito aquelas paisagens artísticas distribuídas no local, saí pensando de ir pegar meus óculos, entretanto eu não sabia aonde exatamente poderia buscá-los.

Comecei a andar sem destino quando encontrei um conhecido e ele me chamou para comermos algo. Sentamos numa mesa com mais duas moças. Não era um restaurante, parecia um escritório particular. Foi-nos servido uma sopa de macarrão com açafrão que estava até gostosa. Eu comi tudo enquanto as duas outras moças comeram apenas um pouco e ficaram conversando e disputando atenção cada qual querendo mostrar que tinha mais razão que a outra em assuntos banais.

Aquele ambiente não estava agradável e fiquei aliviada quando o conhecido me chamou para irmos. Eu havia derramado um pouco da sopa no colo e notei que minha calça ainda estava suja. Notei o olhar observador desse conhecido constatando a mancha na minha roupa. Era desagradável estar com a calça suja de sopa e, enquanto retirava um fio de macarrão que grudara no tecido, senti que tanto não me importava com o fato, quanto me sentia uma desastrada ao vê-lo me olhando de modo sério e calado. Fomos para um banheiro público e ao vê-lo escovando os dentes tive pesar de não poder fazer o mesmo por não estar com minha escova em mãos. No banheiro entrava tanto homens quanto mulheres e a divisão era feita apenas nas repartições dos vasos sanitários, tendo um feminino e um masculino lado a lado. Aproveitei que estava ali e entrei numa das repartições femininas, e somente então notei que não havia papel higiênico. Haviam várias peças de roupas intimas lá dentro e fiquei me indagando quem deixara aquilo ali. Nisso entrou uma mulher grávida. Estariam todas as demais repartições femininas ocupadas? - foi o que me indaguei. Ela estava acompanhada de outra mulher que ficou esperando e conversando com ela do lado de fora. A repartição era muito pequena e eu não tinha como me mexer lá dentro junto com a mulher e seu barrigão. Ela começou a se depilar dizendo que ia fazer um exame. Por fim ela pegou um rolinho de papel higiênico que estava dentro da bolsa e então lhe pedi um pedaço. Ela prontamente me deu como se fosse um agradecimento por tê-la deixado usar o local comigo, sendo que eu ainda tive de esperá-la fazer as necessidades e sair, para somente depois fazer as minhas também.

Eu estava preocupada imaginando que meu conhecido depois de tanta demora já teria ido me deixando para trás. E caso ele estivesse me esperando, teria de me desculpar e explicar-lhe a situação chata que me acontecera. Outra vez eu ia ter de passar pelo “julgamento” dele e isso me incomodava, embora eu não me sentisse culpada pelo ocorrido em si. Minhas lembranças se interromperam aqui.

O início enfoca a perda visual. Não possuo informações sobre sua visão. Esse é mais um exemplo que mostra os limites de uma leitura de sonho sem informações do sonhador, já que a existência de déficit visual ou de algum problema oftálmico, tanto quanto a ausência de problemas, podem determinar o sentido ou a mensagem do sonho. Frente à dificuldade resta-me encaminhar:

. Existindo ou não existindo problema de visão procure um oftalmologista e faça um exame que lhe permita saber do estado em que está sua visão e preventivamente se cuidar em caso de diagnóstico que comprove alteração da função.

. Considerar a questão simbólica, sabendo que independente da existência ou não de alterações funcionais de sua visão o significado simbólico permanece e indica a possibilidade de “Falta de visão”, o olhar alterado sobre a realidade que mesmo estando realçada deixa de ser percebida ou considerada por você.

Mesmo que haja a intenção de ver, ou que a imagem possa estar realçada, ampliada, a sua dificuldade em enxergar o visível está evidenciado. Levando-a à necessidade de fazer uso de instrumento que lhe favoreça perceber aquilo que não enxerga, ou de enxergar os detalhes da visão que foca.

Há dificuldades na compreensão dos acontecimentos? A necessidade de ampliar o entendimento da realidade?

E sem dúvida a situação a deixa sem rumo, perdida, sem se situar adequadamente no espaço em que estás.

A sequência indica que existe fome, de alimento, de afeto, de compreensão, de sociabilidade, de participação, de interação e de aceitação do outro, mesmo que haja julgamento, condenação e distanciamento.

Sua criticidade condenando a “banalidade” das duas mulheres também a condena na excessiva preocupação com o macarrão ou com a roupa (padrão, imagem social, conteúdo de persona, máscara, fantasia) suja. A preocupação com o olhar, com a visão, com a falta de visão do outro no sentido de visão distorcida que julga e condena. Mas o que projeta no outro é o que pratica, é o que faz.

O constrangimento espelha a insegurança e o medo do julgamento alheio. Aquele que você pratica e que a leva ao distanciamento do outro (veja sonho anterior). O constrangimento que sente é o julgamento que realiza, é a severidade e o padrão classificatório que aplica ao coletivo.

Uma roupa suja pode ser desagradável, mas o acontecimento circunstancial não deve sê-lo, portanto a situação precisa ser assimilada, administrada e aprendida para ser evitada e não ser dolorosa, ainda que incômoda.

Naturalmente a situação mostra o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade. Aquele que deseja ser o centro das atenções não se aceita nestas condições a ser este centro, ou indica falta de espontaneidade, naturalidade, para lidar com o presente, com as mudanças, com o imprevisto e circunstancial.

O preparo para lidar com a impermanência, o imprevisivel, é fundamental na modernidade, para não se permitir ficar travado, paralisado. A resposta  padrão não atende à necessidade diante do mundo, é preciso um repertório amplo, criativo e diferenciado de respostas. Um repertório sustentado pela espontaneidade e pela segurança de se fazer mais do que aquilo que o banal possa sustentar.

É preciso aprender a lidar com o ridículo. Ridículos são os que perdem o rebolado, porque se acreditam rídiculos para si mesmo. É preciso aprender a rir de si mesmo. Aprender a ser humano com a humildade de quem se sabe pequeno diante do universo. Tudo é muito maior. É preciso superar o orgulho, a importância que damos a nós mesmos.

É interessante que quando mais você fica desapontada e perdida nos seus padrões de segurança, mais você fica "Mental" e quando você está completamente envolvida pelo inesperado o inconsciente te enreda, você fica paralisada frente ao espontâneo e chega a lidar bem com a situação.

A sequência do sonho é exemplar, fenomenal. Coloca-a num banheiro coletivo, misto, em situações excêntricas, inesperadas, extravagantes. Onde a privacidade existe delicadamente comprometida. E você é confrontada, levada ao extremo para viver o imponderável, o surpreendente, o assombroso.

Você exprimida dentro de um reservado reduzido, acompanhada de uma grávida que se depila, se higieniza, e lhe serve papel para a sua higiene.

Estamos todos submetidos a estas questões básicas, que sendo básicas e fundamentais para a manutenção do corpo, podem ser reservadas. emocionalmente tambem precisamos nos desfazer dos residuos, dos excessos, daquilo que não possui utilidades. Por isso foi encaminhada para o lugar onde se desfaz dos dejetos. O box dos dejetos.
Mas existem aspectos básicos que são fundamentais na sociabilidade, que favorecem a convivência, facilitam as relações e interações com o outro, e que exigindo classe ou formalismo quando submetidas ao imponderável não precisam ser motivo para o constrangimento ou o sofrimento emocional. Problemas e imprevistos precisam ser administrados, não devem envolver valores, princípios, banalização, inferiorização ou justificativas para desqualificação para sentir e menos para condenar.

Constrangidos devem ficar os "sem princípios", os imorais, os pervertidos, os corruptos, os bandidos, os assassinos, os desrespeitosos, etc. É preciso ter referências e bom senso para não se perder em conceitos sustentados pela vaidade ou pela baixa estima. Cuidado! Para que a preocupação com a imagem não se transforme numa aprisionamento da alma.

Essa preocupação excessiva com o outro precisa ser, resignificada, recontextualizada. Ao outro devemos respeito. A vaidade tem seu lugar na sociedade, mas é ardilosa e em excesso privilegia a imagem que mitifica a existência idealizando o banal e retirando o sujeito da naturalidade, do seu eixo central. A capacidade de operar o imprevisível é imprescindível.

A a psique exige-nos esse preparo para que possamos existir em equilíbrio e harmonia nos sistemas da corporalidade.

ADENDO
SOBRE O TÍTULO

Para esclarecer: O meu objetivo ao titular este Post é tentar diferenciar as vergonhas que merecem e que devem ser preservadas em função  da privacidade que protege o sujeito e sua individualidade. A importância do coletivo pode ser primordial mas a singularidade adiciona a única possibilidade que temos enquanto existência. E naturalmente essa singularidade precisa conviver com a privacidade. A possibilidade que possuimos de experimentar o sabor da individuação aprimorada que é o projeto de evolução do coletivo evoluido.

Essa diferenciação coloca a individualidade no eixo do qual não se deve sair, diferentemente das "Vergonhas" que realçam os orgulhos, a presunção, os caprichos, a vaidade, o narcissimo, a prepotência, a autoridade presumida na auto importância. Essas vergonhas merecem ser deletadas pois insignificantes no processo de aprimoramento podem se fortalecer e  se transformar em muros que bloqueiam o desenvolvimento do individuo j[a que deformam a referência do que é verdadeiramente importante, transformando o banal em prioridade.
Ψ

domingo, 30 de maio de 2010

O LÁPIS PRETO


CH 77

Pouco antes de acordar sonhei que estava numa piscina fazendo uma espécie de nado sincronizado e havia uma parte donde eu era empurrada para fora da água e depois caia nela indo até o fundo da piscina. Eu não sabia como eu conseguia fazer aquilo, mas eu fazia e isso era o importante. Nisso minha mãe chegou e, pela expressão nervosa de seu rosto, achei que ela fosse me dar uma bronca na frente de todos, mas calmamente ela disse que não estava brava por eu ter saído, mas sim por tê-lo feito sem avisá-la, sem deixar ao menos um bilhete para ela saber meu paradeiro. Embora nunca tenha gostado de dar satisfações, entendi o lado materno e preocupado dela ainda surpresa por sua fala tão mansa. Ao contrário disso, o professor foi até a sala do escritório e começou uma discussão com uma jovem que saiu falando alto até o local da piscina. O bate boca foi rápido, eu não sabia quem era ela, o que ela era dele e nem preocupei em entender o motivo da briga. Ao ver que ele ia embora, também quis fazer o mesmo e chamei minha mãe para irmos. Eu houvera saído no carro dela e, uma vez que ela estava ali, deixei-a dirigir no trajeto de volta. Na vida real minha mãe não tem carro, eu não sei dirigir e nem tenho carteira de motorista, mas no sonho, minha mãe tanto tinha carro como eu sabia dirigir, embora não tivesse ainda a minha habilitação. É estranho e interessante sonhar fora da perspectiva real da vida.

Ao chegar em casa, o professor colocou os dois carros dele dentro da garagem e a jovem entrou com o mine carro dela passando por debaixo dos outros dois carros normais. Achei aquilo o máximo e pensei que talvez aquele carrinho não precisasse de habilitação. Nisso minha mãe perguntou se cabia o carro dela na lateral do segundo carro e analisei o espaço respondendo que não. Era a garagem aqui de casa e minha mãe não tinha como guardar o carro dela na própria garagem. Não sei por que eles estavam guardando os carros aqui em casa e não lembro do desfecho, pois em seguida, eu estava num supermercado com minha mãe. Depois de olharmos várias coisas, ela encontrou um escritor e ele começou a fazer propaganda de um dos seus livros. Minha mãe foi com ele até a sessão de livros dizendo que estava pensando de comprar um livro tal e, embora eu admire os escritores, adore ler e olhar livros, no sonho eu me desinteressei por aquilo e larguei os dois indo até a sessão de produtos de beleza. Eu não ia comprar nada, mas queria experimentar as amostras gratuitas. Procurei um lápis preto para passar nos olhos e não encontrei. Fiquei muito indecisa e gastei um tempo escolhendo outra cor até que experimentei o marrom. Nisso veio uma atendente. Pensei que ela fosse achar que eu estava abusando no consumo dos produtos, já que eu estava ali a algum tempo e, preocupada, perguntei se não havia lápis de olho na cor preta. Parece que o sonho veio me mostrar que, embora eu esforce para não mentir, ainda tento omitir a verdade. Eu não estava interessada em comprar nada, apenas queria passar o tempo me distraindo naquela sessão e aproveitando a imensa variedade dos produtos expostos. O sonho também parece mostrar que sou uma pessoa oportunista e sei que sou, embora não goste de assumir isso.

A atendente chamou uma outra, falou algo e depois essa outra veio trazendo um produto que parecia ser ultimo lançamento. Ela incitou-me a experimentá-lo. Olhei para o produto sem entender se aquilo era de passar nos olhos, na boca ou no cabelo. Olhei o rotulo, mas estava tudo escrito em outra língua do tipo mandarim misturado com francês. Sem jeito de perguntar que tipo de produto era aquele, perguntei se era preto já me achando uma tola. Claramente vejo meu disfarce. Outra vez ela mandou eu experimentar para ver se gostava. Fiquei preocupada pensando em minha mãe, pois não havia avisado-a de que estaria na sessão de produtos de beleza (e ela acabara de conversar comigo sobre isso no sonho anterior). Pensei de fazer disso uma justificativa para sair daquela insistência desconfortável. Sem conseguir ter uma definição de escape e, necessitando esconder o problema de não saber que tipo de produto era aquele, perguntei qual era o preço daquilo enquanto fazia força para entender o rotulo do produto misterioso. Enfática ela falou para eu experimentar. Disse que não podia fazer isso, pois talvez não fosse ter dinheiro suficiente para levá-lo e aquele produto não parecia ser do mostruário. A atendente respondeu que eu não era obrigada a comprar nada do que eu experimentasse ali. Eu sabia disso, mas não queria ser abusada, embora quisesse sim experimentar os produtos de graça. Foi então que ela ofereceu-se para passar em mim e colocou as mãos sobre minha cabeça dando a entender que era um produto para o cabelo. Aliviada percebi que ela estava mais interessada de me mostrar o produto do que de me fazê-lo comprar. Soltei meu cabelo dizendo que ele estava super embaraçado e ela, como se quisesse testar o produto, pareceu achar ótimo o meu cabelo estar em tal condição.

Essa segunda parte foi muito esclarecedora! Embora tenha me dito para deixar a analise por sua conta, acho importante deixar claro o que senti dos mesmos enquanto um espelho a mostrar de forma mais nítida o que acontece comigo de 'errado'. É como se o sonho me mostrasse que o meu pensamento pode em nada condizer com a realidade. Vivo situações do gênero na vida real donde eu imagino o pensamento e a postura do outro e fico me camuflando com vergonha e medos que podem ser desnecessários.

Eu tive vergonha do meu oportunismo e tive medo de expressar que eu estava usando os produtos descompromissadamente apenas para passar o tempo enquanto minha mãe fazia as compras dela.

Eu perguntei sobre o lápis de olho preto apenas para disfarçar, pois embora preferisse tal cor, pouco me importava se havia dele na loja ou não. Quando me foi dado um produto estranho, não tive coragem de perguntar do que se tratava, embora tenha deixado claro que não queria abusar da generosidade da loja em oferecer o mostruário sem compromisso. Usar os produtos de graça sem intenção de comprá-lo para mim já era abusar, mas eu não queria que a moça me visse como uma abusada.

Nitidamente o sonho me fez perceber que eu sou minha própria juíza crítica. Eu me vejo mal e tento fazer com que os outros não tenham a mesma impressão que eu já tenho a meu respeito.