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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CONTINUUM PSÍQUICO



CONSCIÊNCIA E INCONSCIENTE -TEMPO E VAZIO

Como Faltou informação sobre o tempo de ocorrência dos sonhos que se seguem, acrescento as observações neste pré post.

Mesmo que eles tenham ocorridos num tempo sequencial e com interrupção, o segundo sonho parece a continuação do primeiro relatado. E mesmo que tenham ocorrido com intervalo, de um dia de vigília, ainda podem ser sequenciais da dinâmica psíquica.

A falta de informações deste detalhe me abre a possibilidade de fazer pequena observação neste tema.

Diferentemente de outros estudiosos não considero os sonhos como ocorrências separadas, distintas, que se encerram em si, mas como manifestações de uma dinâmica que existe num contínuo ainda que separados por vazios, lapsos e ausências.

C. G. Jung foi excepcional, inspirado e sofisticado em sua capacidade perceptiva como observador dos fenômenos psíquicos. Ao longo de sua obra ele nos brinda com pérolas e brilhantes que elucidam de forma sistêmica os mistérios que rondam a existência humana. Não é à toa que o considero um dos homens mais lúcidos da história das ciências humanas.

Ele foi Brilhante quando detecta, observa, e nos Alerta que a Consciência não é contínua, mas que funciona como ondas com ápices e vazios ou ausências, e acrescenta que os pensamentos preenchem esses vazios nos dando a noção de uma continuidade e linearidade de consciência.

Para que possam visualizar utilizo uma pequena e reduzida imagem de Eletroencefalografia (EEG) registro gráfico das correntes elétricas desenvolvidas no encéfalo. Esse registro das variações das tensões elétricas mostra o ápice da variações e seu vagalhões, depressão do funcionamento. O cérebro funciona em ondas variáveis.

Nós temos uma falsa ideia de uma consciência contínua que em realidade não existe. Os indivíduos se utilizam de recursos variados para preencher essas lacunas e vazios de consciência e se refugiam nesses esquemas para tentarem escapar do encontro inevitável que precisamos realizar com a consciência.

Ao longo de minha experiência clínica pude observar que quanto mais graves os processos de transtornos mentais maiores são os vazios de consciência e a sua descontinuidade e quanto mais saudáveis os indivíduos maior a estabilidade menores a instabilidade das ondas mentais.

O que faz sentido já que quanto mais o indivíduo se desequilibra maior o esforço que a estrutura mental necessita realizar para manter a estabilidade do sistema. Quanto maior a harmonia com que funciona, a estabilidade emocional e a relação com o meio, menores as variações e o esforço mental e os vazios ou ausências.

Existem outras variáveis que precisam ser consideradas, tais como: idade, hábitos que determinem a saúde ou a degradação precoce do sistema, ocorrências traumáticas que acionem defesas que protegem a estrutura mental.

Ainda que o inconsciente seja o oceano primordial, nada garante sua estabilidade, portanto ele como o universo e como a consciência é instável e descontinuo, podemos aumentando o estado de continuidade da consciência promover uma diminuição da instabilidade e da imprevisibilidade das funções do inconsciente.

Bem... Como dizia: diferentemente de outros estudiosos, necessariamente não considero sonhos de dias distintos como ocorrências distintas e separadas, mas como conteúdos que espelham um sistema, uma dinâmica única. Assim, todos os sonhos de um individuo estão conectados por um fio à esse sistema mesmo que seus temas sejam distintos. Isto dentro de um ciclo que define uma ocorrência temporal.

Assim ciclos distintos definem variações distintas de temas, ainda que possam incorporar temas de ciclos passados que não foram adequadamente superados ou transformados.

Poderia dizer que são variações em torno de um mesmo tema: a vida.

Segue o relato do sonho...

quarta-feira, 17 de março de 2010

TORMENTOS III



Something More -1989
 photo Tracey Moffatt - Austrália

“Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local.”
Este acontecimento eu considero excepcional e absolutamente sutil: Nos sonhos o aumento da consciência na realidade favorece o aumento da consciência e do poder de resposta a desafios em sonho. Isso quer dizer que ganhamos em controle, disciplina, observação e resposta. Deixamos de ser apenas reativos para sermos também agentes. Quando ocorre uma energia mobilizada para nos confrontar ou quando o inconsciente mobiliza, aciona um FLUX de energia, (um Quantum ou Quanta) para determinar uma construção de realidade onírica (imagens sucessivas dentro do roteiro dos sonhos, às vezes completados com mobilização da memória dos sons), essa mobilização permanece dentro de um ciclo intermitente de repetição (como um redemoinho) e somente é desmobilizado quando uma tensão igual, contrária ou superior consegue dissolver essa mobilização.
Neste sonho, os desastres iniciais são fluxos constantes e poderosos de energia que mobilizados no inconsciente afluem aos sonhos e mostram sua desorganização e a necessidade de serem ordenados, para que deixem de interferir na condução de sua psykhé como conteúdos autônomos. Na sequência, eles pausam, como que favorecendo um refresco para a consciência pessoal (inserida no sonho), aliviam a tensão para não devastar essa consciência e retornam no ciclo de repetição do fluxo. Quando você encara e assume o confronto, você superar o desafio a que foi convocada e aí a tensão se desfaz. Neste momento uma parte dessa energia, ou toda ela, é incorporada pela consciência. Se toda essa energia for incorporada o individuo se prepara para novos desafios já que será blindado e fortalecido em sua estrutura. Se só uma parte, dessa energia, for incorporada você se livra temporariamente do confronto, já que parte da desordem permanece autônoma afluindo à consciência. E se o confronto não se realiza pela fuga empreendida pelo individuo ele será permanentemente atormentado e solicitado a agir, se posicionar, não se esconder na omissão para que a reconfiguração psíquica possa ser realizada.
Nesse sonho parece-me que quando você é desmascarada em seu esconderijo e enfrenta a ameaça, você supera a angústia, desmobiliza o nível elevado da tensão dos opostos, transforma e metamorfoseia a realidade psíquica. O fluxo é desmobilizado e reaparecem os sinais de reencontro com o eixo do mundo:
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
Já fora da tensão dos Opostos, do fluxo e da dinâmica caótica, você caminha com a “Mãe” por um corredor (passagem, transição) ornado com a força vida da natureza (plantas), origem variada (riqueza), passa pelo túnel, gruta, gênese e moradia ancestral, encontra dois homens, energia Yang (transmutada?) e segue para o laboratório de plantas, lugar de análise, origens, conhecimento, estudo e sementes (poder germinador, nascimento, renascimento, transformação, vida). E você navega pelos ambientes, descobrindo novos lugares, novos espaços, experimenta o agradável e o confortável sem ameaças, o belo e o desconhecido mistério da vida.
              Muito mais teríamos, mas... por hora ...                    Bye.