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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

VOYAGE




Eu havia ido viajar com alguns conhecidos para um local e, por ser férias, mês de alta temporada, preferimos dividir um local barato. Ao chegar lá o quarto estava completamente mofado e as camas praticamente podres. Além do mais, tal quarto ficava no alto e era preciso subir perto de um pé de limão que atrapalhava a passagem com seus espinhos. Por fim a dona verificou que era impossível hospedar-nos lá e sem encontrar abrigo cabível ao que podíamos pagar, tivemos de voltar para casa.

Ao chegar na frente do local onde moro, fiquei surpreendida, pois ele não era o mesmo. Minha mãe o havia transformado num incrível prédio e já estava na fase do acabamento. Na parte de baixo havia uns andares com fachada abaulada e toda a parte da frente era feita sem parede, mas com duas camadas de vidro bem resistente preto, daqueles que enxerga-se tudo do lado de dentro e nada se enxerga estando do lado de fora. Uma camada do vidro ficava na parte interna e superior da varanda e a outra na parte esterna da mesma, ou seja, ampas as “paredes” de vidros podiam se abrir, mas sem prejudicar a segurança dos moradores. Sem dúvida foi o prédio mais chique e interessante que já vi na minha vida.
 
Ψ

Também sinto que o templo mais chic que podemos ter ou construir em nossa vida está relacionado à nossa vivência familiar, materna ou paterna. A origem de onde herdamos o material que nos permitirá construir o melhor do que aquilo que eles não conseguiram e abandonar o pior que os aprisionou em suas vidas.

O sonhos tem dois movimentos:

O primeiro movimento  foca os impedimentos;

O segundo  foca a referência familiar, sua matriz.

São as duas possibilidades: avançar naquilo que os nossos antepassados não avançaram, romper aquilo que eles não conseguiram romper, nos permitir ser a vanguarda do mundo. Por que neste aspecto ninguém é melhor do que ninguém. Cada um em sua singularidade é capaz de apresentar o melhor, mostrar o quanto está sintonizado com a vida, com a evolução e com a expansão do universo.

Ou...

Repetir o passado, repetir a tendência do passado. entrar no círculço compulsivo da repetição, abrindo mão do que temos de melhor, a vida e a capacidade de criar o novo, de projetar e experimentar a sintonia com o mundo com aquilo que o mundo quer de nós.

O sonho é isso: as dificuldades dos espinhos ou o belo agraciado. Renunciar aos espinhos e aceitar a riqueza do herdado. E o herdado nada mais é do que a vida daqueles de quem somos resultado.

Os espinhos, sabemos que existem, mas não precisamos fazê-los mais espinhentos. Precisamos rompê-los.

E para rompê-los podemos focar no que herdamos, valorizando o que os ancestrais nos legaram e avançando naquilo que damos conta. Sem precisar sofrer se as conquistas não são aquelas que almejamos. Elas podem representar mais do que ofereceremos aos nossos descendentes.

A dinâmica do inconsciente alerta: o passado não é apenas o negativo. Ele é também aquilo que somos. E o futuro será aquilo que conseguirmos realizar.

Será que realizaremos mais do que os nossos ancestrais realizaram?

Neste mundo moderno caótico, as nossas possibilidades são inumeráveis. Um bom caminho é a transparência dos vidros bem protegidos. São transparentes ainda que sejam vidros.


Ψ




sábado, 8 de janeiro de 2011

CAMINHOS RELIGIOSOS

A imagem ao fundo é a vista de um terreno onde espero
construir um Espaço para trabalhos Terapêuticos
e  Retiro Espiritual.


Feed Back:

Já tentei vários “caminhos” religiosos, mas nenhum deles me agrada cem por cento. Sinto falta de um exercício prático, como disse, e já experimentei um pouco de quase tudo, mas não permaneci por muito tempo. Gosto de ser cristã sem precisar ser dependente de uma determinada crença religiosa. Todas as religiões são válidas e sinto que umas complementam as outras, ao menos para mim. Encontro dificuldades exatamente por gostar de todas e, ao mesmo tempo, não encontrar uma que me preencha por completo. Pessoas restritas a uma única religião podem achar um absurdo, mas houve uma época em que eu saía da igreja católica na missa de sexta-feira, donde ajudava a cuidar da sacristia e organizava quem ia fazer as leituras da liturgia, e ia para o centro de umbanda donde ajudava como Iabá na cozinha e ainda era cambone. Daí eu ia no sábado para as reuniões da Seicho-No-Ie e no domingo ia ao culto da igreja quadrangular evangélica. Isso sem falar no centro espírita Kardecista que dia ou outro eu também frequentava e ajudava na campanha do quilo. Atualmente não estou tendo muito tempo para nada.



Nada de estranho. Apenas uma Católica Cristã Umbadista que em horas vagas bebe na fonte de Kardec e se regala na Seicho-no-ie. Isto é o que se pode chamar da riqueza do sincretismo brasileiro, amálgama de concepções heterogêneas que nem tão heterogêneas são. Assim como respeitamos todas as manifestações religiosas, Deus fala com todas as línguas, com todos os ritos e abre espaço para que os indivíduos possam se conectar com o divino independente de cor, raça, língua, ritos ou classe.

Eu por exemplo fui formado em Escola Católica, seria frade Franciscano e acabei como Psicólogo estudando religiões do mundo. Tento trazer para a minha vida o melhor do que aprendo vindo do Hinduísmo, Islamismo, do Budismo, do Zen Budismo, do Espiritismo Kardecista e até da Cabala.

O limite da minha ignorância é a insatisfação com o meu conhecimento.

Estamos no tempo da síntese. A Era de Aquárius ≈ exige-nos essa síntese, a integração do saber, e se no passado, na história humana, a verdade, foi captada de forma diferenciada resultando em múltiplas manifestações religiosas, no presente coube-nos o Holismo, Hoje a diferenciação foi superada, vivemos uma globalidade arquetípica, que tende a permitir aos homens uma aproximação de estados de consciência. O coletivo nos empurra para uma unificação? Não a unificação massifica que elimina a singularidade pessoal, mas a unificação que permite a todos a compreensão mais ampla e plena dos significados da existência e do universo.

Períodos de transição são assim: Muitos se encontram em um conceito, de uma forma tradicional, e são felizes com o que encontram. Muitos outros se encontram na busca permanente de sentido existencial, que os levam a múltiplas facetas e conceitos religiosos. E outros tantos rejeitam o tradicional e desacretitam na buscas, se encontram no vazio, na negação dos ritos e da tradição porque não conseguem se libertar de seus espíritos críticos ou da rigidez mental em que se protegem. Na transição somos assim... Múltiplas diferenças.

Há anos que acredito que o essencial é viver a Religiosidade, manifestar uma atitude religiosa, diante dos outros e da vida. E isto pode ser o bastant. Assim, por vezes, a vida nos dá a oportunidade de partilhar com os outros a fé comum diante do Divino... Um flash de magia universal. Um portal se abre, numa vibração estonteante, harmoniosa, uma sensação única,  e pessoal ou em conjunto experimentamos momento especial, transcendental, além dos conceitos e ritos das religiões construídas pelos homens.

É apenas uma chave que nos conecta diretamente com o divino.

Encontramos-nos, neste novo século, em busca de novas formas de viver mais plenamente essa religiosidade, mas antes de tudo, essencial é que possamos através de uma postura religiosa, diante do universo, encontrar as respostas que necessitamos para vivermos de forma integrada a existência pessoal.

Não podemos e não devemos relevar o passado e a construção arquetípica que herdamos. É uma referência extraordinária, que indica e prenuncia caminhos,  mas o nosso olhar pode ser liberto para focar objetivos, descobrir e conquistar outras formas de conexão com o divino que este presente nos possibilita, sem medo de sermos queimados na fogueira dos banidos. O conhecimento humano acumulado nos permitiu a sintese e a descorberta destas novas chaves, assim, cada um pode encontrar o caminho que melhor se adequa à sua natureza e singularidade. 

SOMOS TODOS FILHOS DO  PAI E DA MÃE DIVINA.

Ψ


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DESTINOS





PENSAR, REFLETIR... E NÃO PENSAR
Às vezes as pessoas brincam se perguntando:

ONCOTÔ?                           ONCOVÔ?                 QUEMCOSÔ?

Alguns clamam:

Oh Pai! Que faço de minha vida?

E nem sempre encontra-se uma resposta favorável.

Ao nascer caímos numa realidade estranha, disforme, onde aprendemos a nos moldar, nos construindo, onde aprendemos a perceber e distinguir o mundo fazendo-o menos estranho, mais palatável.

Muitos se apegam nessas construções para acreditarem num universo mais confortável. Mas, infelizmente, o mundo não é confortável, ele é impermanente, instável, e promove um desconforto num “continuum”, ainda que se reordene dentro do caos, constituindo um sistema desordenado que se reordena.

E A VIDA?

Não é diferente!

E NÓS?

Precisamos realizar um esforço diário, enquanto causa e efeito em nós mesmos. E o caminho é penoso.

Quando tomamos consciência dessa dificuldade, podemos começar a aprender a diminuir os riscos da imprevisibilidade realizando escolhas mais adequadas à realidade pessoal, deixando de estimular e semear ventanias, transtornos, confusão para o futuro. Este é um aprendizado penoso.

Muitas vezes nos descobrimos sem opções, ou entre escolhas que nos exigem renúncias. Muitas vezes escolhemos deixar de fazer escolhas, esperando que o tempo anuncie melhor os caminhos possíveis. Isso pode ser sensato, já que escolhas mal feitas, impensadas e aceleradas poderem ser ariscadas.

Mas quando passamos sistematicamente a adiar escolhas fundamentais, podemos ser lançados em situações de “curé”, como no Koan zen, sem tempo para elaborar respostas.

Um caminho bom, pode-se pensar, é o caminho do coração.

Mas como sabê-lo do coração ou se armadilha?

Muitos acham que caminho do coração é o caminho emocional.

Não o é!

É o caminho que nos indica o nosso interior, o espírito do tempo.

Para isso é preciso aprender a se ouvir, a identificar a voz da intuição, do guia interior.

Sem esquecermos que o destino na vida é o resultado das escolhas pessoais que realizamos.

Para fazer grandes escolhas bem feitas é necessário começar a fazer pequenas escolhas bem feitas, aprender a evitar a omissão, nos conhecermos um pouco melhor para identificar interesses com os quais nos identificamos, ações prazerosas, disponibilidade para o outro.

Existem aqueles que acreditam em suas mentiras ou que só encontram prazer centralizando a prosperidade, o poder, a atenção alheia, esses querem perceber o mundo girando ao redor de seus umbigos. Para estes as escolhas são mais fáceis, são egocentrados, só escolhem a partir do lucro que conquistam, do oportunismo. Se lucram escolhem, se não lucram desconsideram.

Os apegados sempre encontram dificuldades pois não conseguem renunciar aos projetos idealizados e irrealizados. Sofrem apegados a algo abstrato que os aprisionam e vivem o medo de renunciar se afundando no arrependimento.

Escolhas são escolhas. É preciso escolher e pagar o preço. É preciso aprender a escolher. deixar de lado o orgulho de quem tudo sabe, a armadilha da superestima, e ter humildade para pensar os cenários que nos exigem a tomada de decisões.

Na vida precisamos aprender a ser mais simples para não cair na armadilha do looping em que nos lançamos, ou que a vida nos lança. E nos lança para que confrontados nos libertemos do Sansara, da eterna repetição.



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO I



Essa noite sonhei que minha mãe brigava com um vizinho quando este começou a lhe tacar pedras. Mandei-a entrar dentro de casa, mas ela queria revidar. Entretanto ele estava num prédio enquanto ela estava no chão e, logicamente, as pedras dele eram arremessadas com muito mais força do que as dela. Eu fingi que tinha sido atingida no braço e comecei a gritar muito pensando que aquilo pudesse impedir a continuação da chuva de pedras, mas não adiantou. Quando notei que o barulho das pedradas havia parado, vi minha mãe desfalecida. Desesperada corri até o corpo dela já inerte. Nisso vi a aproximação de Bezerra de Menezes, Adolfo Fritz, Bittencourt Sampaio e vários outros espíritos com aparência humana normal, mas que eram denominados de orixás. Não sei explicar como eu os reconheci, pois eles estavam com uma aparência diferente e, ademais, o único cuja aparência me era conhecida antes do sonho era do Dr. Bezerra. Aliás, só fiquei sabendo se tratar deles pois no sonho eu gritei o nome de cada um desesperada ao ver minha mãe morta. Vendo que eles iam 'resgatá-la' afastei-me do corpo. Vi o espirito de minha mãe ser socorrido. Com um vestido branco esvoaçante e com aparência de jovem, ela se levantou mantendo uma espécie de grande tumor, parecia sangue coagulado, na altura do coração. Ver o lado espiritual foi um pequeno consolo no meio da tragédia.

Prefiro até sonhar com minha própria morte. Mas pensando bem, essa mãe por certo é uma representação minha, não é?

Mas por que motivo fui sonhar com essa tal equipe espiritual se nem lembrava direito de tais nomes, se nem conhecia a aparência deles e se nem pensava na possibilidade dos orixás serem espíritos de aparência humana normal?


MATER AETERNALE
Rápidas noções básicas sobre a construção da representação simbólica materna ou paterna:

A figura de mãe é uma representação pessoal de sua Mãe, da Mãe em você, da mãe como feminino, como proteção, como origem, como afeto, desafeto, de sua expectativa de mãe e da expectativa que nutre projetada em sua mãe, dos sentimentos e emoções que nutre pela Mãe que se origina dentro de você.

Ainda que nascidos da Mãe, também gestamos e promovemos o nascimento de uma Mãe dentro de nós, Homens e Mulheres. Essa Mãe que gestamos, transcende a dimensão sexual em decorrência de sua natureza eterna. Ela nasce a partir do arquétipo da Mater Aeternale, que vive em nós e participa como guia em nossas vidas, como um espírito do tempo a nos conduzir.

A partir do nascimento do indivíduo essa Mãe interna, nascida de dentro da mãe biológica, conduzida através da memória do tempo da natureza, encontra sua origem fora de si, encontra a criatura que o originou passando a estruturar o nascimento interno do sujeito.

A gravidez promove a construção do corpo e configura a base do nascimento de sujeito como entidade subjetiva a partir da memória genética que define o corpo e o substrato do sujeito.

Essa Mãe, quando Mãe Boa e do Bem, que oferece o leite quente, alimenta e dá vida, acolhe e promove o conforto irá favorecer o encontro e a sintonia entre o produto interno e a projeção externa a ser incorporada.

Mas quando a Mãe é retrativa, não afetiva, e promove a rejeição, ainda que ofereça o sustento e a sobrevivência, não permite o encontro e a sintonia entre a mãe interna e a externa, produzindo um sujeito desalinhado, fonte de graves distúrbios psicopatológicos.

Quando o processo é bem sucedido, o sujeito realiza seu desenvolvimento de forma equilibrada se referenciando na estrutura dos pais para construir a sua base de sustento psíquico. Base que na vida adulta será essencial para a maturação da individualidade constituída, quando a psique em sua dinâmica favorece o desligamento do cordão umbilical dissolvendo conteúdos que já pouco significam para a estrutura formada. Neste momento o individuo constituído tem sua relação com o mundo consubstanciada numa conexão plena com o universo. É a integração inicial como seres amadurecidos que nos permitirá atingir estágios mais completos de consciência e de harmonia na relação com o mundo, até que possa atingir a realização com a INDIVIDUAÇÃO.

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO II




O SONHO


Uma análise imediata do sonho indica o desejo de ver sua mãe morta.

Não se assuste! O desejo de morte dessa “mãe” pode ser confundido com o desejo de morte da mãe real, a progenitora. Quando o individuo não sabe diferenciar essas duas realidades: A progenitora e a representação simbólica da matriz, a indiferenciação, a confusão media a relação entre o indivíduo e a realidade.

Esse desejo de morte, excluindo casos patológicos, não faz referência à morte física da mãe, mas ao momento que estabelece o término, ou à fase inicial desse processo de desligamento:

1. Do poder de intervenção materno a partir da realidade desta entidade de força, deste indivíduo matricial construtor e formador do outro Ser.

2. Do poder de intervenção da representação simbólica materna constituída no inconsciente, originada da mãe real.

No inicio ocorre a diminuição desse poder de intervir até que este conteúdo seja dissolvido, restando apenas a representação do conteúdo afetivo de mãe.

Esse mecanismo é semelhante ao que ocorre com a representação e simbologia do Pai. Em ambos os casos, a partir do momento em que o indivíduo se constitui uma individualidade adulta maturada, esses conteúdos e representações são dissolvidos já que incorporados na constituição da personalidade do sujeito, não se fazem mais necessários como referências básicas de princípios, de conduta na relação com a realidade, ou de proteção à estrutura psíquica.

Assim, essa mãe pela qual se desespera é a sua mãe em você. Naturalmente há conflito entre a sua busca de consolidação como um individuo adulto, sua Singularidade, e a menina que resiste em abandonar o conforto e condição de estabilidade de filha dentro do seu cenário de vida juvenil.

Mas parece que a vida lhe empurra para a realidade, para o seu destino, para a consolidação de sua existência como uma mulher, lhe exigindo novas escolhas, novos caminhos, novas respostas. Empurra-lhe para que se assuma como mulher madura e para isso, agora, com seus conceitos pessoais incorporados aprendidos e herdados, deixe de se ancorar e de se proteger na barra da saia da mãe para prosseguir na construção de seu destino, na realização de seus desígnios.

Muitos nesta hora recuam e escolhem não avançar. Evitam crescer, amadurecer. Pagam o alto preço de contrariar a lei da impermanência da vida. Fixam-se no solo como árvores resistentes propensas a dobrarem apenas a cada tempestade cíclica do tempo. Pensam que escolhem o caminho mais confortável e às vezes nem descobrem o equivoco de suas escolhas, o equivoco de interromper o processo natural de desenvolvimento de suas existências fixando-se na segurança ilusória do passado de proteção familiar. Mas mesmo que não descubram seus equívocos são obrigadas a amargar o sofrimento sem saber o porquê de tão trágico destino.

Prefiro não pensar nas entidades que aparecem como reais, mas como símbolo, conteúdos e referências de sua vida de Adulta, que incorpora conceitos, princípios, doutrinas na formação pessoal.

Associo com conteúdos originários de sua formação pessoal que indicam a referência para que responda de acordo com a realidade.

No caso acima, a morte da mãe que representa a sua ascensão individual, lhe provoca medo, o medo de arriscar, o medo da transformação, e as entidades representantes da doutrina, seus conteúdos formados de conceitos incorporados, afloram como referência de resposta ao cenário de Morte.

Todos eles, são imagens, são referências significativas da Doutrina Espírita. Como se lhe dissessem:

“a doutrina indica a crença na imortalidade. Não há porque desesperar!” Integre seus conteúdos, alinhe-se aos preceitos nos quais acredita sintonizando-os com o comportamento e respostas adequadas. De que adianta conceber uma noção de mundo e agir como quem nega essa noção?

Neste aspecto o sonho confronta a ação, forma de resposta, com a idealização.

Inseridos neste contexto está o Apego. A importância de trabalhar o desapego, para que o impacto das perdas deixe de ser devastador em sua estrutura e na condução de sua vida.

Pela vida vemos indivíduos trabalhando para se apegarem como gosma a todo o tipo de ilusões, quando deveriam trabalhar o desapego para conquistar a libertação, único estado que nos permite a plena maturação.

De que adianta o conceito da vida como passagem se ficamos viciados, agarrados, apegados a cada estação que passamos. Como crianças fixadas em guloseimas que não conseguem perceber outras delícias.

E a questão que considero a chave primordial:

A ACEITAÇÃO DO DESTINO

Já me manifestei a respeito. Uma das grandes causas de sofrimento no mundo é a falta de aceitação dos limites da existência. As pessoas podem passar toda uma um vida estéril, sem que o saibam, lutando contra a condição definitiva da existência: Seus limites. A morte nesta dimensão. Deixam de acreditar em outras possibilidades porque lutam ao não aceitarem os limites desta realidade.

Em síntese:

Para crescer precisamos matar simbolicamente o pai, a mãe dentro de nós. Conservando apenas o vínculo afetivo, precisamos aceitar a realidade da existência para aprender a não sofrer com as perdas e para não transformar a existência numa projeção da tragédia pessoal e conceitual do mundo.

sábado, 23 de outubro de 2010

ESTRANHOS CAMINHOS ONÍRICOS




Depois disso tive um segundo sonho estranhíssimo. Eu estava dormindo na cama de casal da casa donde nasci e cresci na primeira infância. Entretanto eu não estava criança no sonho, mas sim na minha idade atual. Ao me despertar do sono senti que havia alguém deitado na cama comigo e que estava esperando eu acordar para me dar uma espécie de “bote”. Pensei que a casa houvesse ficado aberta e que algum estranho tivesse entrado. Pensando que fosse ser violentada, fingi estar dormindo enquanto tentava pensar calmamente o que fazer. A coberta estava sobre meu rosto de forma que eu não conseguia ver quem estava ali e, ademais, começava a me sentir sufocada.

Não encontrando opções simplesmente espreguicei dando a entender que estava despertando. A pessoa movimentou-se apressada ao meu redor e reagindo rápido segurei-a.

Para minha surpresa era minha mãe e não um homem tarado conforme imaginara. Entretanto, no sonho, eu considerei minha mãe como uma tarada e arrastei-a para a sala mandando minha irmã chamar a polícia. Minha mãe segurava algo perigoso nas mãos e, embora não lembre o que fosse, consegui retirar das mãos delas antes que ela se machucasse ou machucasse alguém. Eu segurava forte nos pulsos dela. Desesperada ela começou a chorar como se estivesse dentro de uma crise de loucura, como se fosse uma doente mental e não tivesse culpa. Senti pena e confusão, mas para o bem dela e de todos afirmei para minha irmã que podia chamar a polícia sim. Dentro do sonho eu parecia ter mais consciência do que estava acontecendo do que agora ao tentar descrevê-lo.

Só que no instante seguinte minha mãe se transformou num menino de mais ou menos um ano de idade. Segurei-o no colo e comentei que íamos cuidar dele e que já não seria preciso chamar a polícia, pois íamos educá-lo e, quando ele crescesse, esqueceria tudo aquilo. Entreguei-o a minha irmã e nisso ele começou a urinar. Daí ela largou-o e ele foi urinando à caminho do banheiro.

Quando acordei não lembrava do sonho, apenas tinha a sensação de que houvera tido um mega pesadelo. Só depois de algum tempo é que o sonho do nada me veio em mente. Realmente não consiguiria entender sozinha o significado de um sonho desse.

Seria interessante avaliar suas fantasias sobre ser vítima de violência sexual, já que disse nunca ter sido alvo de tal fato. Numa visão clássica esse medo poderia esconder um desejo de ser violentada. Mas como não tenho informações sobre sua vida sexual, a não ser que é um tema delicado, que envolve repressão moral e dificuldades de relacionamento. Fico como que limitado nesta leitura.

Naturalmente em caso de existência desse suposto desejo, podemos ir um pouco além e compreender como uma forma da psique contrapor a força da repressão com o oposto que rompe os padrões morais aceitáveis.

Neste caso o “Desejo” não seria o fruto de uma intenção pessoal mas o resultado de uma pulsão que incrementa uma polarização capaz de promover mudanças no seu comportamento, promovendo transformações que não exija que a energia seja deslocada para desvios morais que possam romper e superar a muralha da sua repressão, do seu controle.

Mas... Avancemos! Há mudanças na dinâmica de sonhos semelhantes acontecidos anteriormente. Você já não se perde nas fantasias dos medos, na “nóia” das ameaças, e consegue encenar uma resposta frente ao perigo e às ameaças. A resposta é mais adulta e mais adequada para a sua realidade. Tem a altura de sua condição. O que sinaliza fortalecimeto da segurança e da auto estima. Ainda que os medos persistam.

A indicação de você adulta dormindo na cama de criança pode ser a criança que ainda sobrevive em você. Não o aspecto lúdico da criança, mas a criança insegura e cheia de medos. Você continua carregando aquela criança na sua vida adulta.

Num segundo momento você descobre que seu oponente é sua mãe e que a batalha é com ela. Simbolicamente você distingue a ameaça e não a imagem ou a representação da mãe. Essa batalha diferencia a relação de simbiose, sua diferenciação de mãe. A mãe quando presença forte deixa de ser proteção e passa a representar ameaça à privacidade, à integridade. É quando o momento indica a necessidade de separação.

Novamente sua referência de limites define sua postura e suas atitudes no sonho. Independente da representação e do símbolo você não abre mão de controle da ameaça nem se deixa levar por sentimentos de culpa. A figura de autoridade sobressai.

Essa mãe vive dentro de você e só você pode transformá-la, discipliná-la, curá-la, amadurecê-la. Para que tenha a possibilidade de integrá-la ao seu universo psíquico. Integrando o melhor dela e se desfazendo do pior de sua origem.

A mãe regride à condição de criança. É como dissolver sua significação ou se defrontar com um lado pouco amadurecido dessa representação materna. Associo que essa relação se dá a partir da construção na sua infância. Você pode ainda viver na expectativa de ter uma mãe, ou uma irmã protetora, ou relacionar-se com essa mãe/irmã, que na sua expectativa proteja e sustente sua imaturidade (falta-lhe até o controle dos esfíncteres).

Poderia até pensar que sua grande dificuldade com sua irmã advenha da expectativa que tenha tido dela se comportar como sua mãe, e como ela não atendeu essa expectativa você acabou desenvolvendo e projetando uma relação transferêncial negativa com ela.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CAMINHOS


CARLA 103


Não sei se nessa sequência exata, fiquei hospedada na casa de alguém onde eu tinha de ajudar a fazer uma espécie de ritual ou macumba que era feita diariamente antes do sol nascer. Acho que era para um bebê crescer forte ou ficar saudável, mas não tenho certeza. Lembro que eu houvera pegado os materiais (eram sempre os mesmos) e nisso tive que retornar para buscar um tomate bem maduro que eu houvera esquecido. Eu parecia bem envolvida naquilo como se tivesse prática para tal, mesmo sendo eu apenas uma ajudante. Sentia como se além da ajuda em si eu estivesse contribuindo com minha própria energia. Eu me sentia útil, consciente do que fazia e isso era muito bom. Logo depois eu estava com uma jovem que segurava uma criança com pouco mais de um ano, mas ela teve de fazer algo e deixou a mesma comigo. Era uma criança tão esperta que parecia um adulto. Nisso ele se transformou num gato que parecia gente e inclusive estava segurando uma xícara com café do qual bebia. Esse gato me cheirou e com sua pata segurando em minha mão, puxou-me para um canto isolado. Lá ele se transformou numa mulher e ela pareceu-se muito interessada em mim, mas não recordo direito o que conversamos. Eu me sentia muito a vontade e de certa forma até mesmo agraciada. A mulher voltou primeiro para o local anterior e demorei para retornar, pois queria prender o cabelo e o prendedor não fechava. Quando lá cheguei, a jovem que segurava o bebê perguntou se eu gostava de beijar e respondi que sim, dizendo que inclusive beijaria uma outra mulher por questão de curiosidade. Saí com essas duas jovens e entramos num local dançante. Eu não lembro do que se passou por lá, mas ao sair perdemos o primeiro ônibus. Quando passou o segundo ela entrou, mas eu não consegui entrar nele também (não recordo por qual motivo, parece que eu perdera minha carteira). Logo em seguida a jovem que pegara o ônibus apareceu dizendo que descera no primeiro ponto e retornara, pois eu não sabia voltar sozinha para casa e, portanto, ela não poderia me deixar para trás. Isso fez-me crer que ela realmente era confiável. Nisso a outra mulher apareceu e querendo acertar as contas falou que minha despesa tinha ficado em quarenta e cinco reais. Achei muito caro, mas nisso outro ônibus veio e não tive como analisar os gastos direito. Sentei ao lado de um jovem que também havia estado no local. Comentei com ele que não gostava de dividir despesas, mas sim de pagar unicamente a minha própria despesa. Falei sobre uma viagem que fizera com uma amiga e a raiva que passara pelo fato dela impor a divisão de todas as despesas, mesmo àquelas donde ela gastava mais do que eu (isso é um fato real que me aconteceu). Perguntei para ele o valor da entrada no local dançante e ele respondeu que eram quarenta reais. Então aceitei melhor o valor que me fora cobrado, pois embora continuasse achando caro, sabia que ninguém houvera me explorado ou me trapaceado. Quando desci do ônibus com esse jovem, ele me levou para assistir um filme sobre seu futuro, o qual havia sido feito baseado em fatos reais ainda não acontecidos, mas revelados por um médium vidente de bastante prestigio. No filme esse jovem havia se tornado uma pessoa de grande importância em questão de trabalhos caritativos e possuía vários dons, dentre eles o de cura que era o mais utilizado. Fiquei impressionada e até mesmo com uma ponta de inveja. Eu adoraria que algo do gênero (uma revelação de um bom futuro, principalmente ligado a trabalhos de cunho religioso) me acontecesse também. Por fim eu estava perto de casa quando vi um avião caindo nas proximidades. Uma multidão de pessoas começou a correr e fiquei sem saber se corria também ou se ia para casa (na direção contraria da multidão) avisar quem lá estava sobre a tragédia e o provável perigo de uma explosão alastradora. Nisso fui me sentindo em minha cama (como se eu houvesse voltado para casa instantaneamente apenas com o pensamento de para ela voltar) e acordei assustada pensando se algum avião teria acabado de cair por perto. Com certo custo dei-me conta de que estava apenas sonhando e voltei a dormir. Não tenho certeza se os sonhos foram nessa ordem, mas fui escrevendo conforme lembrei. Foi uma noite muito longa.

pensamento mágico,
auto estima em equilíbrio,
adulto a cuidar da criança
criança que cresce
metamorfose em gato.

Parece-me que o sonho envolve a sua relação com o coletivo e os desafios que, como todos, tem que enfrentar. Aparece a curiosidade de beijar mulher, possivelmente pela identificação e pela dificuldade de relacionar-se com a figura masculina. À medida que os homens não realizam suas expectativas e não satisfaz sua necessidade de construção de um relacionamento consistente, você, como que, é empurrada para o relacionamento com o feminino que favorece a facilidade a partir da identidade de natureza. Mesmo que a autoestima favoreça esse envolvimento, e a curiosidade possa ser satisfeita, o medo e os bloqueios a impedem.

No inicio do sonho fica claro a proeminência do pensamento mágico e ritual (espécie de ritual ou macumba que era feita diariamente antes do sol nascer. Acho que era para um bebê crescer forte ou ficar saudável), ou é possível que a indicação desse caminho ritualístico seja sinal de desenvolvimento e crescimento para se libertar da conturbação que se segue e que pode espelhar a sua vida.

O gato, já foi visto, parece ser um espelho pessoal, pela mansidão, oportunismo, e por ser felino. Mas também indica movimentos de metamorfose de sua energética. Podem também sinalizar para o caminho de circular no cenário humano de forma mais sutil, já que a rigidez favorece o encontro de resistência e confrontos.

Você continua suscetível à sedução, seduzível. O que indica riscos. Observe o caminho do meio, nem tão defensiva nem tão seduzível, mas silenciosa como um felino.

É bom fica atenta para suas relações de troca e com o dinheiro. Você sempre aparece como aqueles que têm dificuldade em gastar, ou pagar, não sei se pela falta (miserê) ou pelo pão durismo (miserável). Nesta vida poucos são os miseráveis que prosperam sem aprender a compartilhar e a trocar, a maioria deles fica encalacrada na miséria que criam ao redor.

Partilhar e trocar são formas de comungar afeto, e mesmo que essa sociedade materialista e egocentrada conduzam as pessoas à possessividade material e acúmulo, o exercício da comunhão abre as portas para que penetremos no fluxo do rio da prosperidade, enquanto que os miseráveis, ainda que acumulem bens materiais, se tornam pobres e espiritualmente refratários. Cuidado!
É preciso articular bem os seus propósitos para superar as carências e romper com os obstáculos que impedem sua prosperidade para que o rio de sua vida corra de forma mais livre.

Será que há conflito entre qual caminho seguir: espiritualidade ou o anseio material? O futuro nos construimos no presente. tolos são os que buscam solucões instantâneas para problemas materiais, que em geral são resultantes de erros do passado.

O avião? Caia na real, caiu na terra! Ou... Caiu na terra, caia na real!

Entre outros, alguns dados significativos. Bye