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sábado, 15 de janeiro de 2011

DESEJO, INCESTO E VINGANÇA






Depois sonhei que chegava numa casa e meu pai veio me recepcionar. Disse-lhe que eu não podia demorar e ainda assim vi ele trancar o portão e guardar as chaves. Enquanto adentrávamos pelo quintal em direção a casa, pensei em como reagiria se ele quisesse fazer sexo comigo. Eu não saberia definir se havia algum interesse proibido em mim. Entretanto, numa sequência de pensamentos, eu já estava em dúvida e não sabia se tudo o que acontecera de incesto fora verdade ou apenas criação mental. Logicamente dentro do sonho o que estava em minha mente não era a vida real, mas os vários outros sonhos de conteúdo sexual tidos com meu pai. Era como se houvesse ocorrido uma sabotagem onírica.

O pai pervertido havia sido real mesmo dentro dos sonhos, teria alguma conotação com a realidade, ou tudo não passava de fantasia mental?

Quem ou qual tipo de pai era aquele?

Seria o pai real ou o pai interno pervertido projetado nos sonhos?

Enquanto pensava ele me deu um rádio antigo para segurar (igual a um rádio que meu pai teve na vida real) dizendo que o havia consertado. Realmente a música estava limpa, sem chiados ou ruídos. Ao invés de entrarmos na casa, a qual parecia estar trancada, meu pai pendurou o rádio num galho de árvore e começou a podar a mesma. Nesse momento contemplei o local e agradei-me de ali estar. Era um terreno bastante inclinado com uma construção de fundo, na parte mais alta. Interessante que só me dei conta da inclinação ao estar lá no topo, ou seja, não senti a subida em si. De lá até o portão havia um gramado com duas fileiras (no sentido atravessado do terreno) de arvores. Havia muito mato e as arvores realmente estavam precisando de poda. Não entendi o fato de justamente naquele momento ele ir serrar os galhos das árvores e remexer naquilo me deixando um tanto perdida sem saber o que fazer ou pensar. E mais um detalhe: lá embaixo havia um banheiro e observei duas mulheres adentrando nele, mas não dei importância ao fato, embora achasse curioso ter aquele banheiro lá.
Em principio a sua relação com seu pai não pode em tese ser separada da relação entre sua mãe e sua irmã. Desta forma seus desejos incestuosos seriam uma forma de estabelecer um pacto de proximidade e de cumplicidade com seu pai, satisfazendo um certo desejo mórbido de se vingar de sua mãe e de sua irmã sendo a amante de pai, a que rouba o homem da mãe e que estabelece uma relação mais profunda do que sua irmã poderia ter estabelecido com sua irmã.

Nesta ótica, o pai criado internamente é aquele que realiza o seu desejo mórbido e a perversão é do tamanho do ressentimento originado na exclusão da relação entre a mãe e a irmã e na necessidade de punir a mãe por ter-lhe entregue ao domínio da irmã.

Quando a mãe abre mão de ser a mãe que te conduz entregando-lhe ao poder de sua irmã, sua mãe consegue se safar da relação de competição e do embate travado e criado por você.

Quando você se envolve na competição com a mãe, num processo, até um certo limite, natural de diferenciação de sua individualidade você antecipa o seu processo de maturação sem estar devidamente preparada para essa ascensão. Você define, de certa forma, a atitude de sua mãe de renunciar à autoridade materna e de entregar essa responsabilidade à sua irmã.

No jogo das relações parece-me que você nunca aceitou este desfecho dado pela mãe, através da renúncia ao jogo competitivo. Ela não suportou o seu confronto e pediu socorro, ela precisava te "salvar" e se salvar.

Assim a presença do pai torna-se a sua possibilidade de vingança, frente ao resentimento que poderia estar te consumindo, decorrente da revolta, de ter ganho o jogo mas não ter levantado a taça da vitória.

Faço esta associação e considero sua negação de ocorrência real de um pai incestuoso.

O rádio é a ampliação da capacidade de perceber aquilo que instrumentalmente somos incapazes. Você ligada ao mundo, às ondas do mundo.

Enquanto seu pai realiza a poda, o corte dos excessos, o direcionamento do crescimento, a limpeza das árvores você já se encontra no topo.

A árvore é símbolo feminino e materno, referência da fixação na terra. Podemos pensar que este lado masculino do lenhador ou do castrador seja aquele que controla e administra a fecundidade, ou que impede a plena expansão do seu lado feminino. Ainda que possa ser o principio de realidade que a mantém ligada ao mundo.

As mulheres “lá embaixo” podem ser referência à sua irmã e à sua mãe, já que elas fazem irremediavelmente parte de um triangulo da qual participa junto delas, elas que são seu foco e referência de mãe.

O sonho ainda pode ser o encontro com o pai falecido. Neste caso, ele vindo do mundo dos mortos, pode estar lhe indicando a necessidade de focar sua ação em projetos mais definidos dentro da realidade, ou a importância de realizar em sua vida a poda dos excessos, a limpeza do campo no seu entorno, à importância de trabalhar a construção através da manutenção daquilo que é de sua responsabilidade cuidar e sua vinculação com a natureza.

Há o detalhe do seu incômodo  causado pelas mudanças que vão sendo realizadas, processadas, inicialmente tira-lhe as referencias e a deixa paralisada. È preciso assimilar essas novas mudanças, digerí-las e incorporá-las à sua vida. 
Além disso, a certeza de que na vida precisamos abrir mão de galhos para colher no futuro os frutos do renascimento.

Ψ

sábado, 2 de outubro de 2010

NEGATIVO DE PAI



Essa noite voltei a sonhar com a figura paterna que era e não era meu pai ao mesmo tempo. Ele queria maior intimidade física comigo e eu disse para ele não fazer aquilo, pois eu não queria. Daí ele quebrou o clima já não muito ameno e disse que ninguém além dele ia me querer, fazendo uma lista completa dos meus defeitos. Era como se ele estivesse fazendo um favor em me querer enquanto mulher. Irada deixei-o falando sozinho e saí de cena.

No post EROTISMO EDIPIANO escrevi: “Para avançar precisaria de dados sobre o histórico de suas vivencias edípicas, o que não tenho”. A situação é a mesma. Poderia lhe perguntar de acréscimo: Existe na sua história algum evento de abuso sexual na infância praticado por membro da família? Esta questão me aflorou de imediato, não sei se já havia levantado e se não abordei a questão me surpreendo que tenha passado despercebido. Além deste detalhe, vejamos outros:

Por outro lado vemos um evento espetacular na sua dinâmica. Você responde com limites, deixando de ficar suscetível à força do encantamento do apelo sexual, do apelo emocional relacionado à buraco fundo da carência.

A carência sempre faz o sujeito suscetível e seduzível, fragiliza-o deixando à mercê da força da pulsão interior e dos estímulos que satisfarão sua necessidade de prazer ou seus desejos.

Se o sujeito tem fome, a seletividade do inconsciente focaliza o alimento e o atrai tornando-se presa do objeto que sacia seu desejo. Se o sujeito está saciado a força do apelo enfraquece. Se a força da necessidade é grande ela define o desejo. Neste caso tendo a considerar a necessidade como um evento que antecede o desejo.

O sonho pode indicar que o buraco da carência, o vazio, já não está tão grande. Você se fortalece e sua resistência amadurece.

Na teoria do domínio, o dominador sempre subestima e desvaloriza aquele que quer controlar. Essa é a linha do dominador: desvalorizar o outro e se hipervalorizar.

Você responde como quem está blindando a estupidez do outro. Sua autoestima não se desconstrói. Já falamos a respeito do aumento da resistência mental e da capacitação para responder aos confrontos a que é submetida. No passado um fato como este te jogaria para baixo.

Você impõe seus limites e não se diminui frente à crítica desconstrutiva. Ótima evolução.

Seu passado de dramas e de vítima revoltada favorece o surgimento do confronto já que este tipo de acontecimento retroalimentava a sua necessidade de autopunição. A dinâmica parece-me em transformação, postura, atitudes e respostas. Isto pode sinalizar fortalecimentos dos princípios que referenciam suas escolhas, diminuição das carências e de fragilidades e dependências.

NEGATIVO DE PAI II


O PAI NEGAÇÃO


Como a figura paterna é representação de princípio de realidade, o confronto indica uma realidade que favorece a manipulação, o domínio, jogando o individuo para baixo. A negação do afeto, já que este principio de realidade é a forma do afeto masculino de fortalecer e preparar o sujeito para o mundo e com essa desconstrução o genitor boicota o descendente, desprepara-o, tira-lhe a chance.

Eu distingo o biótipo acima como “Pai Competidor”, aquele que compete com o filho tirando-lhe suas chances dentro da realidade, desfavorecendo, deixando de cumprir suas obrigações como pai. Por exemplo, quando o pai usa a filha como objeto sexual, dando-lhe o status de mulher e tirando-lhe o status de filha, ele reduz a filha, dependente do afeto e da proteção paterna, ao estado de orfandade e abandono aumentando-lhe as dificuldades no enfrentamento da realidade através da sua desconstrução.

O pai competidor introduz o filho de forma agressiva na realidade. Nega ao filho o afeto quando deveria ensinar-lhe o limite através do não. É uma desconstrução, pois potencializa o filho para a psicose.

E bom ressalvar que também mulheres se fazem de “Mães Competidoras” retirando dos filhos as chances através da atitude como mães abandônicas.

sábado, 12 de junho de 2010

PAI

Pai
Fábio Jr.

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo / Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos / Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta / Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta / Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem / Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo / Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo / Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor / Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa / Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida / Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança / Que eu não sou mais
Aquela criança / Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo / Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito / Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa / E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar / Ah! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido / Hoje é mais
Muito mais que um amigo / Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER


CH 69


Da noite de hoje, lembro de muitos sonhos, porém pouco de cada um. Já vou adiantar que em todos eles eu parecia muito mais uma outra pessoa do que eu mesma, principalmente pelo contexto dos mesmos. Tudo foi tão irreal perante a minha realidade! Não lembro a ordem dos sonhos, mas eis o que anotei ao acordar na sequencia das lembranças que me vinham em mente:

primeiro sonhei que estava com meu marido e duas filhas (essa coincidência parece recorrência da historia de minha mãe) num shopping. Eu ia simplesmente ao cinema, mas abracei minhas filhas muito emocionada e sensível como se estivesse fazendo uma longa viagem para outro país. Elas iam ficar com o pai passeando pelo shopping. Eu não sou mãe, mas ali eu senti um amor puro e diferente que só pode ser o amor materno. Não sei por que tanta sensibilidade emocional numa despedida aparentemente tão breve, já que um filme dura no máximo de duas a três horas. Também não sei por que somente eu entraria no cinema. Enfim, foi um sonho nada a ver com minha realidade, inclusive há anos não vou ao cinema por preferir assistir filmes em casa.

Na segunda lembrança eu estava com vários idosos e abracei um velhinho com muito carinho. Ele muito sorridente, ainda abraçado comigo, disse para as senhoras que estavam perto de nós, o quanto gostava de mim, pois eu os tratava como se eles fossem da minha família, mas eu realmente os sentia como pessoas muito próximas e queridas. Sempre me simpatizei muito com os idosos e esse foi um mimoso pedaço de sonho.

Na terceira lembrança o meu pai estava aqui em casa no lugar da minha mãe. Era como se ele não houvesse morrido, como se fosse ele quem houvesse ficado viúvo da minha mãe. Nos primeiros sonhos que tinha com ele eu estranhava o fato dele parecer estar vivo, mas a um bom tempo que já não sinto isso. É como se ele nunca houvesse morrido e isso obviamente é tão estranho quanto ter a sensação de estar vendo um morto-vivo.

Prosseguindo,

Na quarta lembrança, a minha sobrinha estava no colo da minha irmã e disse que eu era uma verdadeira filha de Deus. Ela falou isso como se fosse uma pessoa adulta, e não como uma criança de três anos. Comentei com minha irmã que via uma verdadeira filha de Deus como alguém extrovertida e comunicativa tipo minha sobrinha, e não alguém introvertida e calada feito eu. Falei isso por falar, apenas como uma modéstia minha, pois em verdade creio que todos somos filhos de Deus independente desse detalhe de personalidade. Minha irmã comentou que cada pessoa enxerga a vida e as pessoas de uma maneira e aquela era a forma da minha sobrinha perceber-me. Talvez ela me visse de tal modo exatamente pelo contraste de personalidade que existia entre nós e por geralmente acharmos que os outros são melhores. Não entendi por que minha sobrinha pensava daquela forma, mas fiquei feliz como se estivesse acreditando na sua fala. É como se eu me julgasse um monstro e percebesse-a me vendo como um ídolo. Não posso deixar de dizer que, por melhor que seja um sonho assim, também me pareceu muito estranho! É como se meu inconsciente, ou propriamente os meus sonhos, estivessem sendo bonzinhos comigo.

Na quinta lembrança eu tinha um gato muito dócil que dormia no meu colo, embaixo da coberta (eu não o via, apenas o sentia) e eu acariciava-o impressionada de ter encontrado um bichano tão manso, exatamente como muitas vezes quando criança desejara ter.

Na quinta e ultima lembrança, eu estava dançando com minha prima (que está nos EUA trabalhando no programa de Au Pair). Não sei se estávamos numa festa ou num clube dançante, mas sei que, assim como um dos sonhos anteriores, nossos passos não se encaixavam. Ela dançava num ritmo bem mais rápido. No começo achei a diferença de passos chata e até mesmo constrangedora, mas depois começamos a dançar divertidamente um pouco mais separadas e uma rodopiava a outra. Eu rodava com tanta desenvoltura que era como se estivesse flutuando sobre o chão. Eis outro sonho bom, mas completamente sem sentido. O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER II



CH 69

                                                              O Sonho Propriamente Dito


Quanto aos sonhos fragmentados relatados: todos possuem a singularidade do afeto manifesto em DINÂMICA FAMILIAR, e o último a recorrência da dança. Duas manifestações em mudança: Sua capacidade de expressar o afeto vem sendo transformada. Você se abre mais para as relações de afeto e a dança é o seu exercício de troca afetiva por excelência, seu símbolo de comunhão, aceitação, partilhamento, conjunção mente e corpo, quebra das defesas e das resistências, diminuição da severidade da autocrítica e do julgamento, melhora da autoestima, da confiança em si mesma, introdução do lúdico na sua vida. Não penso que seja apenas compensador (pode até sê-lo como exercício), mas penso com dinâmica de transformação de sua relação com o mundo.

A presença de seu pai é rica e importante. Pai e mãe devem ocupar o mesmo lugar de importância na vida dos filhos. Não há um mais importante do que o outro. Ele vem para ocupar o espaço que lhe cabe.

Estranhos morrem. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.

Os sonhos muitas vezes se fazem de canal para a convivência com entes queridos que mudaram de dimensão, ou que em outras dimensões anseiam por nossa evolução para que possam evoluir através de nós e com o nosso Saber. A evolução precisa ser realizada, se os ancestrais não evoluem nós passamos a Sermos os responsáveis por essa evolução. A existência exige isso de nós, e nossos mortos esperam essa realização, para que, cumprindo nosso dever, eles possam ser libertados do redemoinho espiral do Sansara.

A gata selvagem em você se amansa. Mantêm a característica original de felina sem o comportamento arredio e agressivo. Manifesta-se a suavidade felina, não ferina.

Como filha de Deus há sinais de sua inclusão após manifestação anteriormente realizada sobre o sentimento de exclusão familiar e de sentimento de rejeição na sua gravidez.

“Sonho 61 - Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido... Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo.”

O que mostra que o sentimento de exclusão pode estar relacionado à baixa estima, ao papel de vitima incorporado e não à fantasia de rejeição. E agora, neste sonho, o seu registro como filha de Deus, é como sua inclusão e aceitação no grupo familiar, por si mesma, já que voce é que se exclue e se marginaliza. Evento psiquico que muda a sua dinâmica interna, ou é resultante dessa mudança, e altera a escala de valorização em sua relação consigo mesma, com o grupo familiar e com o mundo.

E finalizando com a dança. O prazer aflora e se manifesta em forma da comunhão e sincronia dos conteúdos, a manifestação do comportamento lúdico e pleno, o retrato da celebração da vida.

Para finalizar, sua questão:
Serão esses sonhos verdadeiramente distantes de sua vida real?
-Eu não creio que o sejam.

Bye.

terça-feira, 11 de maio de 2010

RELAÇÕES INCESTUOSAS


CH 64


No segundo sonho

havia um casal de negros deitados nus sobre uma cama a contracenar um momento pós-intimidade. Inicialmente eu pensei no quanto deveria ser difícil ficar nu perante um parceiro irreal e todo o resto do pessoal que organizava a gravação da cena. Eu não sabia se a dificuldade maior seria em não ter vergonha da exposição ou em não se excitar diante daquela atuação de tanta intimidade. Ela estava deitada sobre ele e tinha a cabeça apoiada em sua barriga. Ele estava encostado num travesseiro de forma que ficava levemente inclinado a olhar para ela. Nisso ela comentou algo demonstrando grande preocupação e ele tentou tranqüilizá-la. Ambos tinham um sério problema a resolver sobre a própria união que pareceu comprometida ou até mesmo proibida. Nesse momento achei a cena artificial. Era como se não condissesse tratar daquele assunto naquele momento. Senti a cena falha como se faltasse alguma coisa ou como se algo estivesse errado, mas não sei ao certo explicar o quê. Também não sei o que eu fazia ali a ver aquela cena.

O primeiro sonho parece recorrência de outro antigo já analisado, mas o segundo eu não sei qual a motivação e mensagem sugerida pelo meu inconsciente.

NOTA sobre o sonho anterior: Estava vendo televisão e ao ver a propaganda do próximo capítulo da novela das oito o meu sonho clareou-se de forma que lembrei de um detalhe que talvez seja importante. No ultimo sonho que escrevi sobre um casal que contracenava nus, os atores eram Taís Araújo e César Melo. Na atual novela das oito da Rede Globo, ele atua fazendo o a papel de Ronaldo e ela vive a personagem Helena, sendo que ele é padrasto dela na história. Meu sonho inverteu os papeis, já que na novela a Helena se apaixona pelo filho de seu ex-marido. Por mais problemático que fosse a necessidade de revelar tal união dela com o padrasto, resolvendo de vez o conflito que esta geraria, senti que o amor dos dois era sincero, do mesmo modo como a novela transmite o envolvimento de Helena e seu atual companheiro, filho de seu ex-marido. Creio que foi essa inversão de parceiros e de relacionamento que me soou mal dentro do sonho, talvez como se a cena estivesse sendo gravada errada. Entretanto acho muito interessante minha mente ter montado esse tipo de cena. Se eu tivesse algum padrasto ficaria preocupada, mas isso nem é o meu caso. Por que fui sonhar com isso?

“Tá tudo certo...mas tá esquisito” esta frase antiga, primórdios das pichações urbanas, manifestação de anônimos que ainda eram instigantes e inteligentes, pode retratar o seu momento emocional dentro do sonho. Tinha alguma coisa de errado. Pensei em princípio que poderia ser a representação, o papel, a falta da autenticidade, mas a sua nota posterior parece esclarecer e colocar em pauta conteúdos que envolvem a sua relação Edipiana, ou melhor, “Electraniana”, entre você e seu Pai drasto. Volto a lhe dizer: neste cenário em que estamos existem limites que se mostram intransponíveis e que deixo a seu encargo. Para mim não é claro o bastante a sua relação com o seu pai, a vivida na infância, na adolescência ou no seu presente. Eu pré-sinto que existe algo nebuloso nesta relação que não se mostra. Poderia ser pela forte presença da mãe, mas parece-me uma relação que não se realiza, que não acontece, e o pai aflora como uma sombra na sua vida.

No sonho anterior seu pai aparece, entrando, no mar. O sonho introduz conteúdos de origem paterna contidos no inconsciente, e neste você assiste a uma performance de relação “incestuosa” ou de traição entre o marido da mãe e a filha da mãe. Tá tudo certo mas está esquisito. Faça um retrospecto na sua história, revisite essa relação Filha x Pai.

Resta esperar outros indicativos ou movimentos da dinâmica da psiquê.

O que estaria fazendo ali? Assistindo o que o inconsciente quer que veja.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A CAPITÃ DE CAPITÃO

Imagem de Fragata Pirata em mar calmo: 

CH54

Sonhos dessa noite. Primeiro: Eu passava por uma estrada quando visualizei uma senhora e uma jovem sentadas no meio do caminho. Havia irradiação luminosa nelas e outras figuras humanas de luz opacas que imaginei ser espíritos e, sem muito conhecimento, uma vez que nunca vi espíritos, deduzi que deveriam ser benévolos já que a luz era branca e clara. Nisso a senhora e a jovem também se transformaram em luz e saíram deslizando na minha direção. As figuras pereceram se misturar ou sumir de forma que ficaram apenas duas que se aproximaram de mim e depois já havia apenas uma mulher com um semblante irritadiço como se quisesse me matar. Perguntei o que ela queria comigo e ela respondeu em deboche e com raiva: ‘Você não está lembrando de mim? Pois vai lembrar agora’. Não sei o que ela fez comigo, mas eu comecei a reviver mentalmente milhares de cenas vivenciadas como se houvesse um filme sendo repassado em velocidade na minha cabeça, dentro da pálpebra dos meus olhos. Então eu me vi enquanto capitão ainda jovem de uma fragata (com roupas azuis e um chapéu preto estilo de pirata) e aquela mulher era um homem um pouco mais velho, um integrante de um posto maior da mesma tripulação e, não sei exatamente por qual motivo, eu não gostava dele, o via como inimigo. Mesmo me vendo e me sentindo num jovem rapaz, questionava interiormente se aquela regressão de memória seria real ou se era uma invenção de minha mente. Todas as cenas passaram-se muito rápido e quando voltei à realidade eu estava em casa e minha avó despejava todo o vidro de azeite em seu prato de comida. Desesperada eu corri para pegar o azeite e disse para minha mãe que não podia deixar determinadas coisas ao alcance de minha avó. Minha mãe pareceu não se importar, mas eu fiquei bastante irritada. Minha avó já está gagá a ponto disso, mas o que me atormentou no sonho não foi o descuido de momento, mas sim o descaso de minha mãe em relação á situação de cuidar da vovó. Essa ultima parte foi bem parecida com sonhos passados nos quais houve irritação da minha parte e descaso da parte dos outros. Os espíritos podem ser influência da nova novela das seis horas (Escrito nas Estrelas) a qual comecei a assistir. Mas me ver na pele de um capitão de fragata pareceu-me sem sentido. O que pode ser?

O inconsciente é a eterna fonte inesgotável de memória da espécie, Uma memória sem tempo. Os estímulos externos podem acionar imagens oníricas, ilusões e fantasias, mas o que acionam essas imagens, o que estas imagens podem representar e a respeito do que querem falar é a nossa grande questão, o nosso alvo.

Neste sonho se posso tirar de imediato um sentido, é a noção da relatividade do tempo. Ainda que vivamos aprisionados “num tempo ou num intervalo de tempo” ele é o que menos conta, primeiro porque o passado e o futuro se reúnem no presente, e quando pensamos no presente estamos mergulhados, como resultado que somos, num passado inimaginável, ali ao lado, dentro de um futuro impensável. Essa linha do tempo é relativa e não existe, ainda que para referência de consciência precisemos deste constructo de realidade que nos permite nos referendar para não mergulhar nessa inimaginável e múltipla dimensão cósmica mais próxima do caos e dos estados psicóticos fragmentados e desagregados.

Então, considere a relatividade do tempo, e o tenha apenas como referência de uma realidade que mais nos protege do que elucida sobre este mundo.

Assim, “a mulher” que lhe inquire pode ser de origem arquetípica já que faz aflorar uma memória de sua vida. O que ela lhe diz parece indicar um alvo específico, tem a ver com a figura do capitão ou sobre a relação de inimizade nutrida em seu passado? Eu tendo a considerar a incorporação de uma figura castradora de um homem (dentro de uma mulher, o capitão em você) que nutre desafeto por um homem mais velho de hierarquia superior. Não sei se pode ter sido resultado de um processo de formação subliminar que tenha sofrido (em decorrência de relação competitiva entre pai e mãe), falta-me subsídios e informações para afirmar. Seria a representação de seu Pai? Ou diz respeito apenas à sua dificuldade de relações harmoniosas com conteúdos masculinos introjetados e incorporados como ressentimentos ou fruto de mágoas. Mesmo que a origem não seja nas relações indiretas a partir de pai e mãe, podem estar relacionadas até à sua terceira geração ancestral. No seu momento, Já há algum tempo esses processos de reconciliação acontecem e tendem a continuar. Neste sonho há sinais de acionamento de conexões com seu passado, que pode ter sido seccionados em sua dinâmica de vida ou terem sido herdados já seccionados em decorrência de experiências de seus antepassados.

A figura da avó já surge como foco de afeto que precisa ser considerado, os cuidados com a grande mãe, a atenção às origens ancestrais em você, seu comportamento critico, de cobrança e julgamento que lhe norteiam. Ainda em relação à sua avó observo que ela derrama o azeite, e aí aparece você chorando pelo azeite derramado. Essa "avó" envolve um sentido de responsabilidade diante de sua vida e diante da evolução de sua estirpe familiar. Você é a pessoa que agora possui o instrumental para evoluir, para não repetir seus ancestrais para ajuda-los no processo de evolução da familia. E arquetipicamente ela surge como Figura de Senex decrépito que precisa ser considerado, focado.
 Será que tá na hora de deixar de chorar pelo seu passado, de parar de ficar catando coisas naquele passado de decrepitude, ou de interromper na sua vida os lamentos pelos acontecimentos já definidos no passado? E principalmente olhar para seus atos e ações ao invés de focar o alvo no outro. Comportamento que favorece a insatisfação e o foco permanente no outro, como resultado de uma transferência negativa. À medida em que não consegue um acordo tônico responde de forma severa e crítica ao outro, à sua presença.

Mas é interessante te ver como capitã, responsável pela rumo do seu barco de Guerra, conduzindo sua vida, o barco de sua vida nas águas do oceano primordial, nas águas turbulentas do inconsciente. Ainda que seu barco seja dominado por uma mulher macho guerreira e seu ornamento (o chapéu que cobre sua cabeça) seja de um pirata. Os resquícios da pirataria AINDA SOBREVIVEM. E você como “rapaz” deveria levá-la a se perguntar onde anda sua feminilidade? Sua postura é de guerra? Onde anda a mocinha em você? Será que você se faz mais homem e mais velha do que mocinha? Será que é necessário resgatar essa feminilidade? Será que você está precisando é da impetuosidade, vigor e ousadia de um rapaz para romper os entraves que te impedem de realizar seus desejos?
Fragata tambem é a denominação de ave da região costeira, o que pode singularizar a evidência de uma polaridade entre o conteúdo pesado de deslocamento (a NAVE ave de guerra), e a NAVE ave que plaina sobre as águas primordiais, neste caso o indicativo é de necessiadade de mudança de atitude e de postura diante da vida.
agora... se voce olhando este sonho perceber que você foi fragada. E só voce pode dizer, enriqueça-me me dizendo em que?


fragata


De qualquer forma, em raros indicios, este parece-me um sonho que aponto para um momento de Morte, Transição e... Renascimento.

PARA NASCER  É PRECISO MORRER
SEM SUICIDAR.

Reflita... Bye.

Perdoe-me, existem sonhos que parecem fechados, como o sonho acima, um verdadeiro deserto, mas dentro deles o oasis é rico, nós é que não vemos. Tentei tirar alguma riqueza deste poço. Se não fez sentido, perdoe-me a falha. Muitas vezes a calmaria do mar, a ausencia de sopro divino, nos faz paralisados. Sonhos intransponíveis não me fazem desistir, ao contrário, me mostram que sempre precisamos de humildade para suavemente acariciar sua magia e encontrar a compreensão.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

PATER NOSTRO

  

CH32
Essa noite sonhei com meu pai e tenho nítida certeza disso, mas não lembro do sonho em si. Entretanto, lembrar dele e pensar no sonho anterior aqui relatado, fez-me refletir o seguinte: minha parte animus enquanto inconscientemente uma projeção advinda da figura paterna, mantem-se presa as características que achava do meu pai (mesmo que só agora esteja me conscientizando a assumindo isso a mim mesma): alguém sensível, carente, indefeso,calado (por se julgar incompreendido), submisso (e consequentemente um tanto covarde), cheio de autopiedade, se sentindo constantemente desgastado e sem forças quando era impelido a se defender. é util tentar reavaliar o lado paterno que em mim ficou? isso me ajudaria a fortalecer-me para não ter essas caracteristicas negativas citadas acima? como de fato conseguir dar equilibrio e estabilidade a minha personalidade?
Vamos  refletir, a imagem abaixo é apenas para mostrar a ponta do iceberg da complexidade do tema. Você tem origem em:



Ou seja, seu conteúdo masculino arquetípico é constituído da dominância do masculino de Pai e do conteúdo masculino contido na origem materna.
Na união as dominâncias herdadas se revelam e redefinem o novo sujeito na constituição biológica, mas na dimensão psíquica esses conteúdos iniciam um movimento de integração que pode durar todo o processo de  maturação ao longo das etapas de desenvolvimento do individuo e dependendo da forma como lida consigo mesmo ele poderá não conseguir essa primeira fase de integração, e consequentemente não atingirá a segunda etapa que é a integração de masculino e feminino num momento único de unificação dos opostos.
O Pai é Símbolo da geração, da posse, da dominação, do valor, da autoridade. Neste sentido é pode representar uma figura inibidora; castradora. Como representação de autoridade pode simbolizar o Chefe, Patrão, Mestre, Deus. Como pai pode representar  a dominância superior que produz  dependência, subjuga, limita, priva, comanda, determina. Ele é a consciência lógica, racional, diante das pulsões instintivas e dos desejos manifestos do inconsciente. É a tradição conservadora, diante da impermanência.
A formação do animus tem origem arquetípica mas recebe intervenções do cenário de formação e desenvolvimento do individuo que pode ser determinação na configuração do arquétipo. Alem disso conteúdos incorporados autônomos podem se revestir e se mascarar de representações simbólicas e imagens. Intervindo na consciência, transvestido como conteúdo arquetípico sem sê-lo.
é util tentar reavaliar o lado paterno que em mim ficou? isso me ajudaria a fortalecer-me para não ter essas caracteristicas negativas citadas acima? como de fato conseguir dar equilibrio e estabilidade a minha personalidade?
 È mais do que útil, é essencial. Você não é apenas filha de uma mãe mas também de um pai. Ele é parte de sua constituição e de sua gênese. Independente do que ele representou como pai, como homem, como indivíduo, ele está definitivamente na sua constituição e nos enigmas que terás que solucionar no seu processo de maturação. Não há como negar a força de sua representação em sua vida. Você o repetirá, e terá que superar o que ele não superou ou então pagará o preço repetindo-o. Você trabalhará na identificação dele em você, dele contido em ti, e a partir do que identificar romper o que ele não superou e incorporar os aspectos positivos de sua natureza.


No livro "Viva Eu Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu" Roberto Freire nos brinda com uma pérola escrita por um jovem poeta, à época com 18 anos e estudante de psicologia - David Calderoni -1976 :

 "hoje encontrei com meu pai
E dói pensar
O quanto ainda sou filho.
É preciso matar meu pai
Teu, nossos pais.
Mas sobretudo é preciso
Sabê-los morrer
Para não cometer suicídio."

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