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sábado, 5 de fevereiro de 2011

LIBERDADE E TOTALIDADE PESSOAL





Creio que o sonho dessa noite foi uma resposta do meu inconsciente a respeito do sonho passado sobre “anorexia afetiva”. Eu estava junto com um homem, o qual me mostrava algo que não lembro o que era, quando o carro dele estilo Kombi começou a andar sozinho. Como se o veículo estivesse desengatado ele saiu correndo atrás do mesmo e chamou-me para ajudá-lo, mas eu fiquei quieta, sem reação, pois sabia que não ia conseguir parar e segurar o mesmo (seria um pré-julgamento?). Depois de algum tempo ele voltou num outro carro e comentou que tudo tinha acontecido dentro do tempo certo. Ao escutar isso eu desconfiei que tudo fora armação, que ele deixara o veículo aberto para o mesmo ser roubado e assim poder conseguir outro com o seguro (seria um segundo pré-julgamento?). Pensar nisso me fez ter medo do sujeito e saí correndo com medo que ele viesse atrás de mim . Além de sentir-me usada para um plano escuso, também senti-o como um perigo, pois ele poderia voltar-se contra mim ao constatar que eu não aprovava sua atitude (terceiro pré-julgamento?). Conforme corria, o medo foi se tornando tão intenso que por fim comecei a voar. Quando parei estava perto de uma fileira de caminhões. Enquanto tentava entender o que se passava naquele local interditado, também analisava (ou será que tentava me auto-justificar?) tudo o que acontecera comigo. Lembrei que estar com as pessoas era algo sem-graça. disse comigo mesma que antes negar-me aos outros do que ser derrotada pela insatisfação de não sentir-me bem perante os relacionamentos, as amizades e as vivências humanas de modo geral. Não senti que essa insatisfação estivesse ligada ao fracasso de não ser semelhante a uma idealização sociável de mim mesma, mas sim um desgosto causado por não ter afinidade com os outros, por não achar divertido estar com as pessoas. Eu preferia ser esquiva a ter que me frustrar passando por situações desagradáveis, pois esse é o sentimento que geralmente sinto em companhia alheia: desconforto.

Estaria meu inconsciente apenas reforçando a resposta e o entendimento de que o constrangimento que sinto é o julgamento que realizo, é a severidade e o padrão classificatório que aplico ao coletivo, é o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade? Mas como fazer se isso parece sempre ser mais forte do que eu?

Na relação com o mundo, apartir da construção do Eu, a justificativa funciona para todo neurotico como referência para atitudes que ampliem o conforto nas relações sociais. Assim o mentiroso encontra justificativas para mentir, o rato encontra justificativas para roubar, o assassino para matar, o oportunista para aceitar o assédio do corrupto, o imoral para transgredir,etc.

A justificativa tambem funciona como referência na construção da pessoalidade para a criação de defesas e resistências que protejam o sujeito de ameaças, distanciado-o da frustração. Em geral o limiar de resistencia à frustração é reduzido, em decorrência de hipersensibilidade ou de fragilidade emocional originada na imaturação neuropsiquica.

No seu caso existe tendência, e já comentei aqui, de predefinir os acontecimentos, antes que ocorram, para se precaver de frutrações e a sua justificativa é sempre a insatisfação de ter que conviver com o incômodo de relações que a “desagradam”. Há justificativa para proteger a individualidade que é ameaçada pela frustração de viver aquilo que não quer ou a expectativa que não se realiza.

É possivel que a frustração tenha se elevado a níveis de sofrimento quando voce passou a ser controlada e dominada na adolescência. Você “engoliu” o martírio de ser controlada pelo outro mas decisivamente rejeitou a submissão se tornando “Mal Criada” e evitando as situações que não atendiam sua expectativa severa e exigente.

Voce caiu na sua armadilha. Tentando se agarrar na sua suposta individualidade passou a se castrar antes que os outros o fizessem. E deixou de aceitar que todo processo de socialização é castrador. Que a maioria se submete a esse processo. Nos adequamos para que adaptados na sociabilidade possamos conquistar instrumentos que nos permitam reconquistar a Liberdade da natureza selvagem que impera no interior do ser.

Essa liberdade é possivelmente a grande reconquista do homem socializado. Está além de qualquer tipo de poder social, posses materiais ou fama. É a liberdade de poder transitar dentro do coletivo estando resguardado, com autonomia plena de sujeito, singularidade, individualidade.

A armadilha fez você renunciar ao que é inevitável: a interação, a relação com o coletivo. Há um momento em que isto é possível ao individuo liberto, se libertar do coletivo. Mas a conquista da libertação do coletivo é dada ao agraciado que conquista a liberdade do individual. E a liberdade do individuo se conquista através do sacrifício da entrega ao coletivo, à socialização que a civilidade exige.

Nos casos patológicos os que, não aceitam esses principios, seguem os caminhos da psicopatia, se perdem ao redor de seus anseios de centros deformados de carater, anseios de domínio, de ilhas absolutas de centro do mundo.

O sujeito egocentrado se entrega apenas à satisfação do desejo pessoal, nada oferece ao coletivo, nem mesmo a presença, a companhia, o compartilhar. Dessa forma suga o coletivo sem nada a oferecer. Seu castigo paradoxalmente é o aprisionamento no outro, no coletivo. Deixa de encontrar a liberdade pessoal, e não é libertado do coletivo.

Quando o medo supera seus limites, o voar, a ilusão, se torna a compensação da libertação, posto que o aprisionamento sufoca sua existencia.

Estaria meu inconsciente apenas reforçando a resposta e o entendimento de que o constrangimento que sinto é o julgamento que realizo, é a severidade e o padrão classificatório que aplico ao coletivo, é o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade?

Reforçando a mensagem de que o constrangimento é resultante de confusão conceitual, conflito entre o desejo de inclusão e o desejo de exclusão. É o ritual do sacrifício de se punir, punindo aqueles que te castraram e a “obrigaram” a renunciar ao projeto de autonomia pessoal. Projeto que se deforma no capricho de não se permitir socializável. O projeto pessoal se transforma em conteúdo autônomo revestido de orgulho, capricho, ressentimentos, competitividade, amor próprio, vaidade, petulância, ou como conteúdo inferioridade se compensando como superioridade, atuando e conduzindo seu comportamento.

É a rebeldia para não se entregar ao inevitável: o partilhar coletivo.
A ilha se constrói, mas não se basta.

Mas como fazer se isso parece sempre ser mais forte do que eu?

Dirigindo seu veículo, sua Kombi. O termo Kombi é originário do alemão Kombinationfahrzeug que quer dizer veículo combinado. Combina carro de passeio e utilitário. Mas seu veículo Kombinado está sem motorista, sem condutor, e desce a rua comandado pelas forças que atuam na naatureza.

A pulsão interior, originária de conteúdos inconscientes penetra na área de transferência e conduz o sujeito já que o individuo não tendo consciência acredita que tudo o que ocorre dentro dele é ele. Ele passa a ser conduzido por conteúdos autônomos do interior que tem vida própria, mas como não é capaz de se distinguir passa a ser resultado de sua sombra, deste lado obscuro do inconsciente.

O caminho é a consciência. A partir das pequenas escolhas focar a consciência, fortalecer a compreensão, assumir o comando da vida referendado em princípios que favoreçam distinguir comandos de comportamento pessoal e comandos de conteúdos internos de origem desconhecida. Isso permite a diferenciação interna entre o Joio e o trigo, atuando na dinâmica psíquica e é um longo trabalho de paciência e humildade, de vigilância e determinação. Caso contrário é seguir pelo caminho da indiferenciação, o caminho do simplismo, onde o individuo se consome fortalecendo seu ego e enfraquecendo seu espírito. Seu domínio.

Esta, possivelmente, é a tarefa mais árdua do ser humano, se constituir individualidade estruturada, em pleno domínio de si mesmo, de seu mundo interior e na forma como estabele as relações com o mundo. Hoje em dia, as pessoas por se acreditarem indivíduos constituídos de um “nome” e um número de identidade se pensam individualidades formadas e bem constituídas quando na verdade se dedicaram apenas a estabelecer um projeto idealizado de individualidade, sem nem mesmo se distinguirem internamente como personalidades bem constituídas. Se acreditam fantásticas porque se pensam maravilhosas, se idealizam perfeitas. Se satisfazem com o projeto que idealizam acerca de si e acreditam que isso é o bastante e porque mentem acabam acreditando nas mentiras que criam.

O SER HUMANO TECE A SUA TEIA

ENQUANTO SE ENREDA NELA.



Ψ

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DUELO E SACRIFÍCIO


Em terceiro me vi num ambiente com várias pessoas e haveria um duelo de dois homens por causa de um problema entre os filhos de ambos. Estava com grande pesar e um tanto inconformada com aquilo, pois sabia que dentre em breve, um daqueles dois ia morrer e, não aguentando, discursei falando firme e forte sobre o perdão. Eu não gritava, mas era como se houvesse um microfone na minha garganta. Falei que aquilo seria como um suicídio, pois já eram homens maduros intelectualmente para dominarem os sentimentos e se perdoarem. Disse que aquilo poderia gerar consequências negativas para as próximas vidas, inclusive para os próprios filhos, já que estes eram o motivo principal do dilema. Não lembro tudo que falei, mas as palavras fluíam, eu tinha muito domínio verbal e, embora soubesse que era praticamente impossível diminuir ou dissipar a ira daqueles homens, senti-me aliviada por ter feito minha tentativa, por ter dito o que pensava, por ter feito o que julgava meu dever. Achava-os insolente por querer fazer justiça pelos filhos com as próprias mãos, mas compreendia essa insolência por também já tê-la sentido milhares de vezes em situações passadas àquele contexto onírico. Enquanto conversava com um desses homens em particular, quase como numa despedida, meu sentimento era de que seria capaz de morrer para que ambos os homens permanecessem vivos e de bem um com o outro. Eu cheguei a imaginar me colocando na frente de um deles na hora do duelo para sensibilizar os dois corações amargos com a minha morte fatal, mas uma vez que não tinha certeza disso ser o suficiente, decidi que não me arriscaria. Infelizmente eu nada podia fazer além do que fizera ao oferecer meu conselho de perdão.

OBSERVAÇÕES

É interessante notar que a sua dinâmica psíquica vem ao longo deste último ano com mudanças significativas, da desordenação caótica para a ordenação harmônica, e o foco rompe a barreira pessoal para o espaço coletivo, familiar ou social. Você abandona a postura de apatia ou de incapacidade, de reatividade e de medo para a do sujeito que avalia o cenário, o comportamento, com criticidade e apresenta sua visão, seus princípios, sua ética, seu senso.

Se compararmos o presente ao passado, é visível sua ordenação e formação conceitual como consciência. Veja a importância do seu desenvolvimento: o esforço na busca de compreensão e o consequente amadurecimento aumentaram sua resistência mental (a capacidade de responder aos desafios que a vida lhe apresenta na realidade e no universo onírico).

Pessoalmente acredito que é muito mais difícil responder ao desafio onírico do que à realidade em que vivemos, já que o poder de responder na dimensão onírica só se constitui a partir da constituição e formação da consciência. Sem essa consciência ordenada não possuímos resistência mental, ou força de aglutinação necessária para nos situar na dimensão onírica.

E a consciência adquirida abre mais possibilidades para que vivemos como sujeitos, com capacidade de interagir e atuar no universo onírico, caso contrário somos conduzidos ao sabor das ondas no oceano primordial do inconsciente.

DUELO E SACRIFÍCIO II


O SONHO


O sonho parece de confronto. Um sonho de confronto se apresenta como o imponderável, já que o desafio é apresentado, você toma consciência do desafio e apresenta a resposta de acordo com a sua capacidade de resposta, consciência e consistência de propósitos estabelecidos pelo sujeito diante da vida. Alem dos conceitos, projetamos a carga emocional que o acontecimento promove, sentimentos, angústias, ansiedades, caprichos, vaidades, interesses pessoais e coletivos, medos, etc.

No sonho você esta defronte a um duelo. É manifesta a insanidade do comportamento de homes que deveriam se pautar pelo princípio de realidade, mas que se pautam pela força dos caprichos sustentados pela vaidade.

E você reponde de forma decisiva como a mulher que incorporou o senso de realidade, a lógica e as consequências possíveis para um comportamento tão insano (matar ou morrer em nome do orgulho e de vaidades). Essa mulher é a mulher que incorpora o melhor do seu Animus, o melhor de seu lado masculino, ainda que se defronte com um lado masculino insano e vaidoso.

Tentando clarear: Aquela mulher castradora e dominadora é a mulher que tentando aniquilar o lado masculino, se vê invadida e contaminada por um arquétipo que a masculiniza.

Eu costumo dizer que precisamos aprender a lidar é com o lado que não compõe nossa natureza.

A mulher já tem a natureza feminina original, precisa, portanto integrar a essa natureza o conteúdo de Animus, quando ela não faz isso, ela abre espaço para que esse animus contamine sua natureza feminina.

O Homem já tem a natureza masculina original, portanto precisa integrar a essa natureza o conteúdo de anima. Quando não faz, acaba abrindo espaço para que essa anima contamine sua natureza masculina.

Integrar o conteúdo oposto passa primeiro pela ordenação e identificação desse conteúdo e pela incorporação do melhor do conteúdo, transformando suas deformações (que em geral são conteúdos e princípios transitórios decorrentes do tempo e da cultura em que estamos inseridos).

No sonho vemos dois homens insanos, intolerantes, agressivos, inflexíveis e uma mulher que manifesta o melhor do conteúdo de animus, a lógica, o bom senso, a tolerância, o perdão, a compaixão, chamando-os para a consciência e responsabilidades do ato de insanidade.

Voce é confrontada com:

. A falta de lógica do masculino;

. A necessidade de ampliar a aceitação dos limites humanos frente à força do destino;

. A importância de intervir abandonando o conforto da omissão;

. A necessidade de aumentar a resistência mental frente aos impactos devastadores produzidos pela realidade em nosso sistema pessoal;

. A importância de transformar esses conteúdos internos de forma a poder incorpora-los transformados à sua personalidade.

Perceba que no confronto existe o conteúdo coletivo e o pessoal, o coletivo faz referência genérica a sua relação diante do mundo. E o pessoal faz referência à existência de conteúdos internos que anseiam por transformação. E só podemos transformá-los com a força dos princípios, com a generosidade da compaixão, com a humildade dos que abandonam caprichos, orgulhos e vaidades.

O caminho é um bom caminho, ainda que possa ser um looongo caminho.

Ah! O sacrifício, isso faz parte de sua natureza dramática, do mito da heroína, que ainda é capaz de doar sua vida como forma de contribuir para o coletivo se oferecendo como sacrificada. Não se engane! Há limites para o sacrifício, ultrapassar esses limites pode significar tolice, a tolice de acreditar que se sacrificar completa sua tarefa diante da vida. Não completa nem a realiza, apenas determina o seu fim incompleto.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

IESUS, SACRIFÍCIO E PECADO

O Sacrificio Feminino
 imagem criada para o blog aeternus femininus
Sonhei que via Jesus muito magro brincando carinhosamente com uma criança de uns nove meses de idade no colo: era seu filho. Ao lado dele estava uma mulher de cabelos compridos parecida com as imagens religiosas de Maria Madalena. Ao mesmo tempo em que via a cena, eu me sentia nela. Nisso ela abraçou-o num gesto de quem busca se conformar com o inconformável. Ela já sabia que ele ia morrer dentro em breve, assim como ele também. Entretanto, pareceu-me que ele ia morrer por questões de saúde. Foi um sonho rápido, pois acordei um tanto assustada e chocada logo depois.

O sonho é arquetípico, e inevitavelmente requintado. Suas amplas possibilidades de leitura levam-me à busca de algumas colocações que possam mostrar-lhe a força de seu sentido, ou abrir-lhe possibilidades de reflexão.

A Tríade está formada Pai, filho e espírito santo. Sim, não importa a madalena prostituta, profana, mas a madalena sagrada mãe do filho de Deus. A mulher sagrada que traz no seu interior o Don de matriz da vida, promotora da luz divina, a geração do novo ser, o espírito santo.

E a finitude define um aspecto da visão coletiva da imagem, a morte do pai, o futuro do filho órfão do pai e a realidade da família definida.

Conformar com o inconformável, é aceitar o imprevisível e o imponderável. Primeira lei da vida: a vida é impermanente e se aceito a impermanência não sofro pelo apego, pela posse, pela compulsão, renuncio ao embate com o destino aceitando os desígnios que a vida me propõe.

Aceitar a morte é aceitar o nosso destino trágico de retorno do corpo ao pó, é aprender a não sofrer pelo destino natural, aceitar o inevitável.

Naturalmente se olharmos o passado podemos ver na sua história essa realidade acontecida. Quanto ao passado nada há a se fazer, mas essa realidade pode se anunciar ao futuro, o que poderia indicar em sua vida, a tendência, de repetir o passado.

E nisso pode aparecer um Nó em sua linhagem que merece destaque. Desafios acontecem em duas vertentes, repetimos de forma coletiva conteúdos arquétipos em nosso desenvolvimento. Conteúdos e desafios pelos quais somos obrigados a passar.

Quando recebemos de nossos antepassados, em nossa configuração, a chave de superação desses desafios, eles se tornam estágios transitórios em nossa jornada, que são prontamente superados definindo nossos avanços.

Mas quando nossos antepassados não superam os desafios que deveriam superar, deixamos de herdar as chaves e passamos a herdar apenas o desafio, o que se torna enigma determinante em nossas vidas. Se nãos os superamos repetiremos nossos pais, avós ou bisavós, até a terceira geração.

Daí vem, possivelmente, questão chave desse sonho na sua dimensão pessoal. Dimensão pessoal, coletiva no sentido familiar. Qual a mensagem do sonho para que você não repita a história de seus pais?

Em um dos significados da representação de Cristo em nossas vidas, está a do filho de Deus, o homem, divino espírito, que morre como sacrifício para nos salvar. O primeiro sentido é o do homem que nasce para o Sacrifício, que se dedica e oferece a sua vida para salvar e libertar as pessoas do pecado e do seu destino trágico de pecadores.

No sonho associado à vida de madalena, a imagem nos remete ao lado profano da vida de Jesus, sua relação com a passionalidade, madalena e o filho nascido da relação pecaminosa com a prostituta, com a vida profana. O lado humana e terreno do filho de Deus aquele que também sucumbem aos pecados do corpo, do prazer e das paixões.

Podemos até pensar que a morte do homem cristo está associada à entrega, do espírito santo, aos prazeres do corpo. Ou seja, quando o individuo se entrega ao prazer do corpo ele paga com morte. Está pode ser uma forma disfarçada da repressão na tentativa de, culpabilizando, travar seus caminhos no reino dos prazeres terrenos.

A aceitação da morte do Homem/Pai/Santo como algo inevitável pode ser a indicação de uma mulher que anseia a morte do homem como forma de castrar a força de sua presença na tríade familiar. Neste sentido a possessividade, o poder de controlar do filho define a morte do pai como um ritual de sacrifício natural.

Este lado pode indicar uma tendência de mulheres que pouco se importam com os homens, mas que têm em seu alvo o propósito final, e o homem é apenas o objeto para a realização desses propósitos. Neste caso o Afeto sucumbe à força do controle e à necessidade da posse do filho. O que move essa mulher não é o sentimento, mas a natureza de mulher procriadora voltada para o seu objeto de criação: o filho.

Será ela uma pecadora pelo ato profano e sexual cometido com o filho de Deus (e todos os somos) ou será pecadora pelo sacrifício que impõe ao homem: a morte, depois que esse se entrega ao seu canto de sedução vaginal?

Veja que varias podem ser as possibilidades de mensagem.

Como conteúdo permanece a tendência de sacrifício dos conteúdos masculinos. A força do feminino prevalece sacrificando o masculino o que reforça a ideia central do homem que renasce de forma determinante se fazendo prevalecer e se manifestando de forma dominadora sobre a mulher.

Uma vertente interessante é a solução do dilema, onde o casamento e a procriação quando focados como propósito podem representar o sacrifício do homem, ou a morte do homem como espírito santo ou como mito e a ascendência da mulher que prevalece não como pecadora e profana mas como mãe e santa. O domínio feminino sobrevive ainda que carregado de culpabilidade. Em geral mulheres castradoras e dominadoras se articulam atraves da destruição do homem que as sustentam emocionalmente. É uma forma que elas encontram para prevalecer na competição que estabelecem com seus admiradores.


De qualquer forma, a solução passa pela integração e pela harmonia e nunca pelo embate, promotor de conflitos.
A mensagem?

O que escolher: Poder, Sacrifício e Culpa ou Afeto, Comunhão e Aceitação?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SACRIFÍCIU ÍGNEU

   Los Angeles - Fogo Coletivo - Ritual de Fuga
Carla 143

No terceiro sonho eu estava com minha mãe e irmã num local donde havia um grupo tribal fazendo um ritual penoso de elevação da alma, algo difícil de ser assistido, tanto que minha irmã recusou-se de presenciar o mesmo. Haviam dois gatos amarados por uma das patas e supunha-se que eles tinham de assistir o ritual, como se eles fossem prova do mesmo, ou talvez como se o ritual fosse feito para aquele casal de gatos, mas os mesmos não estavam nem aí para o que se passava ao redor, pareciam apenas estressados por estarem presos. O ritual era feito amarrando-se jovens numa espécie de maca e botando fogo, mas logo em seguida o fogo era apagado, ou seja, o processo ocasionava queimaduras terríveis, mas não chegava a matar ninguém. Também não quis assistir àquilo e assim que o primeiro jovem começou a gritar enlouquecidamente ao ser queimado, fiz questão de retirar-me indo embora com minha irmã e mãe.

Perceba que há pertinência, como sequência, do sonho anterior. A elevação da alma exige sacrifício, e entre os sacrifícios, o domínio do elemento fogo é essencial. Quem não aprende a lidar com o fogo acaba se queimando. No sonho podemos pensar no ritual como o domínio dos felinos, que envolve o domínio das pulsões, dos instintos selvagens, da força destrutiva, do egoísmo.

Em princípio os gatos representam apenas uma pequena manifestação desta força primitiva e selvagem. Poder que com o desenvolvimento, e aprimoramento, aprende-se a administrar e a dominar. Quando não há aprimoramento do espírito, lapidação da alma, essa força selvagem cobra seu preço de maneira destrutiva, o que produz sofrimento e desequilíbrio.

O fogo é agente de transformação, representa a energia em movimento, purificador, regenerador. Existem muitos rito que se utilizam do fogo no processo de purificação e regeneração, bem como festividades ígneas tradicionais como fogueiras de São João, passagem sobre as brasas, fogos de artifícios, que representam a purificação, a sacralização da fonte de calor que propicia a vida, a eliminação ou destruição do mal.

O ritual de sacrifício, de domínio das forças primitivas e purificação pelo fogo, produzindo a regeneração e a transformação da libido.

Ah! Não precisamos de compaixão para eliminar o mal. Quando ele se queima no fogo do inferno é para realizar seu sentido de purificação. Então não há porque ter compaixão pelos que precisam passar pelos rituais de fogo para se purificar. E a dor é a dor da limpeza.

O processo pessoal é assim, o fogo corre em nosso corpo de forma sutil, e quando movimentamos a energia DENSA que busca ressurreição, renovação, reviver, ela invade o sistema e muitas vezes nos queima esquentando áreas que antes eram gélidas.