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sábado, 11 de setembro de 2010

EROTISMO EDIPIANO I



Carla157
Essa noite lembro muito vagamente de duas situações: primeiro eu estava com meu pai. Já citei outrora de ter sonho estilo erótico com meu pai, ou a figura paterna de mim mesma. Sempre esses sonhos são perturbadores, claro. É o tipo de envolvimento pecaminoso que eu quero sem querer, por causa das criticidades interiores, mas me sinto forçada de uma forma desagradável e, ao mesmo tempo, instigante. Creio ser meu próprio lado paterno, pois a figura masculina vai além da representação física do pai real que tinha: é como se fosse uma outra pessoa com a aparência física paterna. Existe um ar de perversão e de subjugação desagradável.

Entretanto, essa noite o contexto foi diferente: eu estava completamente entregue e o fazia com aceitação do meu desejo, embora não fosse favorável ao jeito pervertido e abusado desse homem. Eu me dispus sem resistência alguma a estar com esse homem e, por incrível que pareça, a reação dele também foi diferente de todos os sonhos até então, pois ele não forçou nada comigo, ele apenas beijou-me, acariciou-me e foi embora, para meu alívio e desgosto ao mesmo tempo. Senti-me respeitada e compreendida de uma maneira praticamente milagrosa. Em tais sonhos geralmente me sinto forçada ao que fisicamente desejo, mas racionalmente não me permito, tanto por ele estar na pele paterna quanto pela postura de sordidez que me encoleriza. Não conservei direito as sensações do sonho, mas sei que ele foi incrível pela mudança aparentemente drástica de ambos os comportamentos.

Natural que cenários de relações e envolvimentos íntimos com familiares mais próximos possam causar incômodos e desconforto se mostrando essencialmente perturbadores, pelo menos em quem se referencia em princípios familiares, religiosos e morais. e que vivências edipianas, decorrentes de históricos mal resolvidos promovam instabilidade e polarizações ambivalentes, levando o emocional a oscilar entre desejos e repressão, morbidez, perversão e prazer.

Diferentemente de quem não possui princípios, ou afetividade, que consolide as relações, já que estes biótipos humanos sofrem profundos processos de desarranjo e desvios, resultando deformações no desenvolvimento do caráter, manifestações e comportamentos bizarros numa escala involutiva de volta aos primórdios da primitiva condição humana de trogloditas.

Naturalmente se a configuração se desarranja, a estrutura se refugia no seu espelho de origem, o primitivismo.

Neste momento, na atual circunstância e de acordo com sua dinâmica psíquica, parece-me que o sonho é esclarecedor e sinaliza mudanças significativas em sua dinâmica psíquica, portanto não se assuste mais do que o cenário merece.Vejamos:

Em sonhos, anteriormente relatados, detectamos uma forte presença de repressão sexual no seu comportamento. Foi possível perceber o excesso de criticidade, a dificuldade de se expor, o desejo e o medo, o exagero crítico, a agressividade, a revolta, o ressentimento, traços de inveja, a competitividade, todos como manifestações exageradas e determinantes na sua forma de conduzir sua vida.

Frente à dificuldade e à severidade que lhe aprisiona a psique tenderia a produzir no interior um cenário oposto, polarizando e compensando a severidade da repressão, lhe introduzindo dentro de cenários que pudessem reduzi-la ao nível de um ser humano comum, inclusive confrontando-a com desejos e atos pouco confessáveis.

 
continua...

EROTISMO EDIPIANO II




cont..
Como funciona: a força da autoridade, de julgamento moral e criticidade que o sujeito aplica nas suas relações sociais são compensadas, na tentativa de promover equilíbrio biopsicoenergético, introduzindo-a em vivências que descompense a configuração de perfeição idealizada pelo sujeito, mostrando-o como igual àquilo que julga.

Enquanto o sujeito se idealiza perfeito e banaliza os outros, a psique tenta quebrar a sua idealização, antes que esta se apodere e desconecte o individuo do seu eixo, mostrando-o identificado com aquilo que condena ou que nega em si mesmo.

Há também neste contexto a competição entre você e sua mãe. O pai, ou no caso do menino a mãe, funcionam como o objeto onde o sujeito projetando seus desejos consegue realizar a compensação de estima que lhe permite se libertar do jugo dos pais.

Filhos precisam se libertar de pai e mãe, para se tornarem adultos, e na manifestação do desejo são projetados num jogo de competição que lhes permite a demarcação dessa individualidade e de um território pessoal que somente a eles pertence. Como a tendência de identificação é com o mesmo sexo, o desejo é projetado no oposto, e a competição aflora de forma imaginária.

Em princípio penso que quanto maior a mistura de identidades entre pais e filhos, maior a necessidade de separação, a competição, e tanto maior a força dos desejos perturbadores, neste caso, a perversão pode aparecer como uma forma para manter a referência limite da realidade.

Ou seja, a perversão não viria necessariamente de alguma deformação de caráter, mas de uma intenção pré-anunciada do inconsciente de proteger o equilíbrio psíquico do individuo referendando com limites morais que o mantém referendado na realidade social em que está inserido e o impedindo de avançar para comportamentos que possam devastar a sua estrutura psíquica.

Um exemplo: esta semana em Belo Horizonte um jovem de 23 e três anos foi preso logo após ter estuprado a mãe de 73 anos. Ele foi denunciado já que repetia este comportamento há algum tempo. Neste caso específico, esse jovem fazia uso de Álcool, possivelmente fazia uso de Crack – que moralmente é devastador. São substâncias que, sabemos, tem o poder de promover a deformação de caráter, relativizando a moralidade, os preceitos sociais, eliminando filtros quaisquer princípios de referência ética, moral ou religiosa. Liberando o sujeito à sua animalidade e bestialidade.

Duas semans atrás na zona rural próximo à região que moro, um jovem de 24 anos, estuprou a mãe, matou, cravando-lhe duas pontas de espelho nos ovarios, colocou-a deitada  na posição de cruxificada,  formou uma cruz , a vertical entre os seios e a horizontal  de seio a seio, e saiu pela rua gritando, nu aos gritos: estou liberto! Como já lhe: disse precisamos matar os pais, mas... Sem suicidar.


No sonho são perceptíveis suas mudanças de atitudes frente a esses sonhos de confronto que podem indicar alterações em sua dinâmica. A psique desarma o gatilho de defesa que havia construído. E esse desarme já lhe disse é feito no caminho inverso, por onde passou na ida passarás na volta.

É transparente a existência do conflito: a força do desejo lhe empurra para o acontecimento que racionalmente rejeita e perturba. Há o principio moral e a referência de realidade, mas o desejo lhe impinge a submissão.

É o que tentei mostrar mais acima: quanto mais reprimimos os desejos naturais, mais sua força se manifesta, escapando entre os dedos. Assim, a repressão não é o caminho. Quando escapamos do exagero moral, suavizamos nossas defesas, permitimos a manifestação mais suave dos impulsos que querem se realizar e conquistamos a possibilidade de transformá-los retirando-lhes suas polarizações, deslocando essa energia para ações de construção e criação. Isto é, aplicamos de forma positiva esta poderosa força da sexualidade em ações de transformação. Quando não o fazemos o vulcão explode de forma descontrolada e devastadora.

Enquanto você fica aprisionada na competição com a mãe, a representação do pai ainda é objeto de foco do impulso, ou instrumento para que a psiquê faça uso de sua inconsistência, e não abrindo espaço para outros homens, você não se liberta desse artifício psíquico que lhe empurra para a necessidade de sua libertação. Não amadurece com mulher de outros homens, mantendo a velha parceria e as velhas respostas... mas as coisas estão mudando, há entrega e o conflito parece ceder.

Para avançar precisaria de dados sobre o histórico de suas vivencias edípicas, o que não tenho. Fiquemos no básic.

Não se esqueça: para crescermos precisamos abrir mão e renunciar aos velhos hábitos, respostas e defesas.

Eu Cheguei a uma frase que para mim é uma síntese graciosa de bons conhecimentos:



NOVOS CENÁRIOS EXIGEM NOVAS RESPOSTAS.

PRECISAMOS APRENDER A DESENVOLVÊ-LAS,

SE QUISERMOS SER BEM SUCEDIDOS

EM NOSSA EMPREITADA DE VIVER.

sábado, 10 de julho de 2010

ENERGIA, TRANSFORMAÇÃO, METAMORFOSE


CARLA 104 A
Sonhei que estava em casa com minha mãe e avó quando o fogo do fogão começou a ficar muito grande e não apagava. Havia uns pneus de bicicleta em baixo e fiquei com medo deles pegarem fogo. Pedi ajuda para minha mãe, mas ela e minha avó pareciam não estar nem aí. Tive de jogar água no fogo e com custo ele se apagou depois de uma explosão rápida que fez a chama azul ficar alaranjada e subir quase até o teto.

Esse sonho parece um contraste daquele sonho passado donde o gás acabou. Será que isso significa energia em excesso? Se for, faz sentido, pois ultimamente ando bastante agitada.

Não apenas energia em excesso. Costuma-se dizer que água de morro abaixo e fogo de morro acima ninguém segura. O fogo é elemento básico da vida, determinante em nossa natureza e resulta na vibração e em nossa capacidade de síntese. Em excesso é fogo que queima e que arde, fica destrutivo. Símbolo de transformação, purifica e eleva, queima os pecados, conduz a chama da paixão, acende o prazer do erótico. Vida e morte. Calor, que aquece e acende ao fogão de lenha feminino. Mas, precisa ser administrado, mesmo que experimentado. Muitas são as mulheres que temem esse fogo, que queima as entranhas e faz  o "domínio" perdido, liberando o pecado inundado a vida de prazer e orgasmos.
Em processos de transformação e metamorfose, mudanças psiquicas promovem a liberação de energia anteriormente bloqueadas ou densas e pesadas. Neste caso a transformação desses nós ou bloqueios liberam a passagem da energia.
Um exemplo:  Visiualize um cano de água do diámetro de um Mikrón, em vivências psicológicas traumáticas, o desenvolvimento de defesas bloqueiam os canais e impedem os fluxos de energia. Quando o individuo trabalha suas mudanças, esses bloqueios, ou Nó, são disolvidos e liberam maior fluxo de energia. Os sinais visíveis aparecem no aumento do ímpeto, dos desejos, do impulso sexual. A vida flui em sua força no instinto de procriação, no sentido do prazer, no rumo do prazer.


Fui para a sala e sentei no sofá ao lado do meu pai já idoso. Eu estava receosa dele querer relações sexuais comigo. Intrigante que, dentro do sonho, eu já houvera tido muitas relações com ele por vontade própria (e inclusive lembrava das mesmas como se elas houvessem sido sonhos anteriores), mas eu não queria mais tal envolvimento e intimidade incestuosa. Era como se eu me sentisse culpada por trair minha própria mãe e como se estivesse cometendo o maior pecado do mundo. Nisso ele se levantou e notei que o sofá e as almofadas estavam sujas de fezes mole. Ele foi se lavar reclamando do fato de não ter conseguido segurar as fezes outra vez (na vida real isso costuma acontecer com minha avó).

Isso simboliza um permanente Complexo de Édipo (ou Complexo de Electa como chamam alguns para o caso feminino)?

É, em princípio, uma associação pertinente pelo incesto anunciado na mensagem. Permanente,  no sentindo de eterno, não! Nesta vida, eterno... só a eternidade. Nada é permanente, tudo é transitório e impermanente. Quando se mantem o mesmo padrão naquilo que é transitório, é sinal de paralisação do fluxo natural de mudanças da vida.
Na sua história não tenho dados sobre a relação vivida com o seu pai, portanto não sei se sua vivência edípica ocorreu e se foi elaborada. No sonho é possível que se referencie à culpa de estabelecer um vínculo ao masculino e trair a relação do sacrifício oferecido à mãe. Reafirma a renúncia e o sacrifício sinalizados em sonhos anteriores. É interessante avaliar se a relação foi estabelecida e vivida com o pai ou se foi desviada e vivida inadequadamente com a mãe, á medida em que a simbiose com a mãe não superada pode ter impedido o afloramento dessa relação projetiva com o pai. Mas podem representar ensaios de separação entre seu universo simbiótico com a mãe, sinal de que pode estar rompendo com sua fixação na simbiose, fase de libertação como individuo.

Há histórico de abuso na infância?

Os excrementos indicam potência biológica, reserva de força, poder de transformação e a metamorfose de conteúdos simbólicos, conceitos, conteúdos transformados e eliminados.

Como em sonhos passados vimos a presença de Simbiose, neste é possível que haja a evolução para a fase Anal, em processo de regressão ou de desenvolvimento do controle dos esfíncteres. Neste caso, superando a simbiose, avança-se para esse estágio sequencial, com suas características específicas, uma delas a Retenção. Desenvolve-se o controle, exercita-se a retenção, aprende-se a disciplina, a troca e a renúncia ao produto original, o excremento. Alimenta-se o bom e eliminam-se os dejetos. Mantêm- se a vida. Tem relação com o sonho anterior de retenção material, egoísmo, posse. Em geral, vivências traumáticas nesta fase podem determinar indivíduos possessivos e retensivos. No sonho anterior fiz referencia ao pão durismo e ao Pão Duro Afetivo, miserável, que retém o afeto e não o partilha como o outro.

A dinâmica é permanente e sinaliza transformação, mudanças de fase, de estágios internos.