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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MORTE, MÁSCARA E RENASCIMENTO



Acordei assustada no meio da noite. Não lembro o sonho em si, mas o aviso dele ficou nítido na minha cabeça: a morte estava chegando. Como já foi dito outrora, creio ser a morte simbólica dos meus pais interiores.

Quando voltei a dormir tive um sonho bem bizarro. Eu estava com uma jovem e ela perguntou se eu queria viajar com ela para outro país. Era pegar ou largar exatamente naquele momento e, tresloucadamente (ao menos perante a vida real) aceitei. Eu carregava uma mochila. Não sei o que havia nela, mas sei que não levava absolutamente nenhum dinheiro. No aeroporto estava tendo um baile e dancei com um sujeito desconhecido bastante simpático. Depois de embarcarmos na viagem e termos um voo levemente turbulento, desembarcamos no outro país. Disse para ela que eu ia ter de arrumar um emprego e aguentar gostando ou não, pois eu não tinha nenhum dinheiro. Ela disse que isso era fácil e logo eu me acertaria de tais questões. Senti vontade de tirar foto, mas não tinha uma máquina fotográfica e comentei que seria o primeiro objeto que compraria. Além disso estava sentindo falta de um caderno de anotações para registrar a vivência inusitada. Pouco depois ela pegou a maquina fotográfica dela para tirar uma foto minha e toda contente busquei me posicionar frente a bela paisagem litorânea. Só que ao invés de bater a foto, ela preparou a câmera e abriu uma espécie de computador donde ligou um microfone e apresentou-se para todos os transeuntes e moradores que estavam sentados na causada de suas casas e lojas na rua da vila. Depois ela passou o microfone para mim e eu fiz o mesmo apresentando-me as pessoas, mesmo percebendo que elas não estavam nem aí para aquela cena um tanto tola. Ao menos para mim pareceu uma tolice da qual não entendi o fundamento.

Será que tal microfone tem recorrência, embora diferenciada, com o microfone do sonho de outrora?

Apresentando-me com tranquilidade eu anunciei que era mineira e brinquei dizendo que meu sotaque cantado acompanhado da gíria 'uai' ou 'ué' não negava minha origem. Comentei que estava gostando da viagem e que tinha certeza de que, igualmente, também iria gostar daquela cidade. Ao terminar devolvi o microfone para que ela guardasse sua engenhoca a fim de seguirmos a caminhada. Não sei que país ou cidade era aquela, mas parecia uma cidade pacata, tranquila e bela de se morar. Logo na sequencia eu estava sozinha e como já sabia, teria de contar apenas comigo mesma para me virar. O mais impressionante (e que provavelmente não ocorreria na vida real) é que eu, completamente só no sentido de ter que ser auto-suficiente, sentia-me livre, cheia de disposição e serena enquanto percorria as ruas desconhecidas.



A morte no sonho pode indicar processo, encaminhamento ou finalização de um período, um ciclo, um momento ou dinâmica psíquica, de um estado ou configuração gestaltica psy, a dissolução de conteúdo autônomo, a reconfiguração de significado simbólico, o prenúncio de um acontecimento, a manifestação premonitória de uma morte anunciada.

Em principio, mesmo que o possa ser, não me parece uma indicação de morte de alguém, ou premonição. Mas parece-me indicação de morte de condição, de “estado”, sinalizando consequentemente, mudanças, transformações, renascimento, alterações significativas de configurações psíquicas e de conteúdos.

Na sequência a viagem reafirma as transformações, agora projetadas nas mudanças de cenários, paisagens, ou de meio no qual está inserida. Mas essas mudanças passam pelo estágio do vôo e da fantasia, em dois tempos:

1. Aeroporto --- avião --- vôo turbulento = fantasia, elevação, voação, ilusão;

2. Chegada --- desembarque --- outro cenário, outra condição.

Assim surgem duas possibilidades:

1. A fantasia pode favorecer a turbulência ou criar um vácuo entre as duas realidades, entre o antes e o depois, o velho e o novo, uma suspensão que sustenta a transição e adia a transformação.

2. O novo estado, a nova condição continua sendo preparada para o momento em que esteja plenamente preparada para dar adeus ao passado.

Será que tal microfone tem recorrência, embora diferenciada, com o microfone do sonho de outrora?

Se você fala como símbolo fálico, sim! Mas diferentemente do sonho anterior a conotação pode ser no sentido de potência, força, energia que lhe será exigida. Tendo a pensar que para realizar a sua integração dentro deste novo cenário você precisará usar a sua condição de mulher corajosa e de forte presença, (seria a condição de mulher fálica?) prefiro não classificar essa condição. Usar potencialidades que lhe são naturais e que superam a Persona criada para intermediar a sua relação com a realidade.

Novos cenários exigem-nos adaptação e apresentação. Portanto também não vejo, mesmo que possa sinalizar indícios de vaidade e narcisismo.

Sinto que a nova dinâmica lhe exigirá: presença; coragem de se expor; coragem de arriscar, por a cara à mostra. E naturalmente para isto é preciso “peito”, força, coragem, que necessariamente não são atributos de homens, mas conteúdos de masculino que se impõe como principio de realidade e que projetam a condição de guerreiros que precisamos para atravessar essa selva de perigos que é a vida, para seguir nessa jornada de vida e morte.

Ser fraco. submisso, frágil, dependente é opção que todos temos mas é opção de quem não tem noção do significado de viver. 

Daí não dar importância a conteúdos que apareçam implícitos e que mascarados se projetem e traduzam a vaidade ou suas características narcísicas, que em geral são atributos de segunda categoria e que servem de armadilha para aprisionar os tolos e incautos.

  Vaidade e Narcisismo são funções e atributos auxiliares,
de segunda categoria, armadilha para tolos e incautos.

Minha tendência parece ser confirmada na sequência: você se desfaz do microfone e tem o felling:

Logo na sequencia eu estava sozinha e como já sabia, teria de contar apenas comigo mesma para me virar.

Essa a dinâmica da mensagem; No novo mundo, novo país, novo estado, nova margem, nova condição só lhe resta a INDEPENDÊNCIA, tomar conta de si, aprender a se cuidar, assumir e tomar conta de sua vida e assim se apresentar. Para completar a transição é necessário superar a armadilha dos perdidos: A fantasia. E na outra margem de consciência, do outro lado, encontrarás a singularidade.

A PERSONA SE SUPERA E ENCONTRA O SEU CRIADOR.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

VOAR... VOAR...VOAR...



 
Depois que voltei a dormir sonhei com uma jovem que ia cantar numa competição e ela já era bem afamada. Eles colocaram a música e, ainda nos bastidores, ela verificava que a plateia cantava aguardando sua entrada no palco. Sentindo-se a estrela do momento, ela começou a cantar indo em direção ao palco, mas quando lá chegou, para sua surpresa, já havia uma outra moça cantando. Não entendi se a outra moça fazia uma espécie de duble ou se o microfone da jovem que estava nos bastidores foi desligado. De todo modo percebi sua decepção quando ela me entregou o microfone e simplesmente se retirou do local. Embora ela tenha me dado apenas um microfone, logo depois eu segurava um em cada mão. Não sei por quanto tempo segurei aquilo, mas sei que em sequência comecei a voar. Primeiro voava sobre um gramado e depois já estava voando dentro de casa. Todos me olhavam como se eu estivesse fazendo algo perigoso ao subir nos móveis e mergulhar no ar, mas eu conseguia, embora com dificuldade, voar até o teto. Isso é o que lembro.

Existe em você uma ânsia de fama? Um desejo de ser famosa? Uma liderança latente que anseia um palco para dirigir e comandar multidões? E, se existe essa moça, porque ela não aparece para realizar o seu sonho? Existe ainda a necessidade de palco para exibir-se? há angústia pela falta de oportunidade de mostrar ao outro sua capacidade?

Há anseio, expectativa e frustração. O microfone pode representar grandes “Phallós”, membro viril, símbolo da fecundidade e do poder de penetração . Neste aspecto poderia pensar na minimização da força do masculino castrador e repressora e no fortalecimento do feminino e da sensibilidade representada pela musicalidade. Ou seja a mulher com grande phallós, masculina, castradora, perde força e cresce a presença da mulher feminina, sensível, encantadora, que procura o seu espaço para expressar-se.

Veja: falo como dinâmica. Há a intenção do canto, manifestação da sensibilidade, encantamento pela musicalidade e há a frustração representada pelo microfone não utilizado, entregue, objeto de renúncia, o amplificador da potencia de penetração, em suas mãos, onde controla o phallós.

Fora essaS variações podemos pensar na presença da vaidade e da força narcísica. Mas ainda a mistura, indiferenciação. A individualidade precisa ser fortalecida.

Em relação ao Vôo podemos pensar em:

1. Fuga e escape, fantasia ou compensação da inferioridade, diante da expectativa frustrada;

2. Aumento de tensões e conflitos que levam a compensação através da leveza do corpo, na elevação da condição fantasiosa;

3. Aumento da relação lúdica diante de uma realidade frustrante;

4. Aumento da confiança diante da realidade;

5. Aumento da necessidade de se expor ao outro;

6. Crescimento da necessidade de ser visível ao outro;

7. Necessidade de ariscar-se mais, de se lançar e mergulhar naquilo que lhe agrada.

Aí fico pensando: você segurando o microfone nas mãos, tendo o poder de controlar a ação lhe leva a níveis elevados de fantasia? Ou a condição de fantasiosa fica possível em decorrência da necessidade de compensar o estado de frustração que lhe impacta?

Por hora ficam essas possibilidade para refletir.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

RENASCER VOANDO OU MORRER PROTEGIDA

  Obra de  Salvador Dalí
Carla107


Sonhei que eu esperava uma amiga, pois íamos sair juntas para dançar. Estudei na vida real com essa amiga durante vários anos e ela, pelo que eu saiba, sempre foi crente e deve continuar sendo. Ela estava demorando e senti-me insegura pensando se ela teria desistido, se teria ido sozinha, se estava tentando me despistar por algum motivo ou o que acontecera. Eu estava na casa dela, mas no quarto de hospedes. Enquanto aguardava, eu joguei sobre mim mesma uma comida feita, como se fosse uma espécie de ritual. Não recordo direito, mas parece que tinha arroz, feijão e quiabo. Quando resolvi ir atrás dela, vi que sua mãe ia na mesma direção e preocupada pensei que a mesma não poderia ver aquela sujeira de comida que eu fizera no quarto. Voltei correndo para onde estava, deitei na cama e fiquei em silêncio para fingir que dormia. Ambas começaram a discutir muito alto. A mãe dela acusou-a de ter perdido o juízo depois de deixar a religião tradicional de berço e de família por outra que permitia a pessoa sair a qualquer hora da noite. A tal religião dela é daquelas que não permite a mulher usar calças (apenas saia), não usar roupa decotada, não usar esmalte, não pintar o cabelo (de preferência não cortá-lo também), não beber nada alcoólico, não fumar, não comer carne, não fazer absolutamente nada no sábado (a não ser rezar ou ler a bíblia), não ir a cinema, boates, etc. A discussão estava em torno do fato dela querer sair (parece que íamos fazer isso escondido da mãe dela) e também sobre sua troca de religião. Fiquei com muito medo da mãe dela vir tirar satisfações comigo ou dela própria ficar com raiva de mim por eu não ter ido lá defendê-la ou por eu ter influenciado-a de mudar seus padrões de comportamentos e de crenças. Fiquei acuada, atônita, sentindo uma ponta de culpa e ao mesmo tempo de raiva. De um lado estava a mãe cheia de limitações por pudores religiosos, do outro a filha querendo quebrar os vínculos que a prendiam em tais limitações sórdidas e, nesse meio, estava eu escondida me refugiando num meio-termo com medo de ambas virem descontar suas irritações sobre mim. Acordei assustada tentando entender o que tal sonho queria dizer sobre mim mesma. Existe algum conflito interior dentro de mim com relação ao sagrado e ao profano? Como lidar com isso se for o caso?

Iniciemos pelo insólito:

“Enquanto aguardava, eu joguei sobre mim mesma uma comida feita, como se fosse uma espécie de ritual.”

Alguém poderia pensar em núcleo potencial pré-psicótico. Não creio. Não iria tão longe. O cenário mobiliza, no sujeito, a insegurança, associada à máscara que funciona como refúgio na atitude de defesa como vítima, abandono, medo à rejeição e inferioridade. O que se segue é reativo e natural, podendo ser associado ao padrão com o qual sempre respondeu a essas ameaças em sua vida, “pensamento mágico”, pensamento ritualístico, sua tentativa de se defender dos seus fantasmas interiores e que ao longo do seu desenvolvimento lhe favoreceu e ajudou a evitando que sucumbisse à sensação de pânico pelo abandono.

Já vimos em leituras passadas a repetição do padrão, desta forma de responder às ameaças: o pensamento mágico. É nele que se refugia, é desta forma que encontra suporte para não sucumbir à tempestade emocional que lhe invade.

Possivelmente sua tendência na criação e produção de fantasias e ilusões tenha nascido neste padrão de defesa de sua estrutura psíquica e emocional. Mas com o tempo, este mecanismo que havia lhe favorecido a sobrevivência, passou a representar uma armadilha impedindo-a de estabelecer com o meio, com as pessoas, relações sociais mais próximas, aprisionando-a no casulo de que busca escapar.

Neste aspecto a sequência do sonho é preciosa, pois mostra a força do embate entre a vontade de voar e o medo de ser punida ao se libertar.

Fica evidente sua dificuldade em lidar com figura de autoridade. Há recuo, regreção, acionamento de defesas, repressão, inflição, punição e o baixo nível de auto estima.

É possível que haja conflito. São duas tendências, como jovem, naturalmente se é atraído para a vida mundana ou profana e o caminho interior chama para a religiosidade e para a renúncia.

Tenho preferência pela libertação após a saciação das pulsões internas. Mesmo sabendo dos ricos que corremos, quando nos permitimos experimentar os prazeres, de ficar aprisionado nas compulsões e paixões mobilizadas pelo prazer.

Quando nos amordaçamos, a fantasia do não vivido pode se mostrar pior carrasco.

Esse possível conflito aparece entre a atração pelo prazer e a moralidade religiosa repressora. Entre o prazer e o sacrifício. “... e, nesse meio, estava eu escondida me refugiando num meio-termo com medo de ambas virem descontar suas irritações sobre mim.”. Alguma semelhança não é mera coincidência. Você escondidinha entre esses dois mundos.

É importante que entenda que o significativo não é o conflito. Conflito é o embate entre dois lados, duas possibilidades, duas manifestações, duas escolhas possíveis, dois universos de polaridades opostas, repulsão e atração, nada mais natural!

Mas importante e mais significante é a postura, a atitude, a resposta diante do fato, a conduta, a ação, o movimento. A atitude do frágil nasce no medo, que nasce na defesa, que está ligada ao instinto de sobrevivência. Defesas são fundamentais, sem elas sucumbimos. Defesas neuradas são impeditivas e bloqueadoras na interação com o meio. Se o sujeito se apavora com uma formiga ele sucumbirá em cenários que lhe exijam mais.

Portanto, é necessário crescer, encarar os desafios, seus monstros, seus fantasmas, seus algozes. É preciso abandonar a pequena criança amedrontada que mora no medo, e crescer com dignidade, desenvolver o respeito pelos outros e por si mesmo. E fortalecer sua coragem, sua dignidade. Olhar de frente para os que te ameaçam. Desenvolver atitudes e posturas referendadas no direito tanto quanto nos deveres, na igualdade, para não sucumbir aos medos que destroem e aniquilam a alma.

Antes de ter que aprender a lidar com seus desejos parece-me que terás que aprender a lidar com força da repressão que a retém. Mas tem um detalhe favorável: é mais fácil aumentar os limites do reprimido do que fazer recuar os limites do pervertido.

VAI BORBOLETA, 

ARRISQUE O VÔO,

SE LANÇA...

E MERGULHE NO ESPAÇO VAZIO

 DESCUBRA

O PRAZER DE VOAR...

VIVER... E SER FELIZ.

domingo, 27 de junho de 2010

CONTURBAÇÃO


CH98


Essa noite sonhei que caminhava tranquilamente por um parque muito agradável quando resolvi mudar de caminho passando pelo meio de um milharal seco já tombado. Eu peguei um caminho estreito, a esmo e meio deserto, mas acreditava que fosse sair no mesmo final da trilha de caminhada do parque. Havia vários caminhos paralelos seguindo na mesma direção por mim escolhida, mas ao invés de sair onde supunha (aonde sempre chegava conforme costume por seguir sempre no mesmo caminho), tive de atravessar varias linhas de trens que vinham com total velocidade. Vi-me no meio de um caos inesperado. Além dos trens também tinham muitas carretas e os trilhos se misturavam com a avenida ao lado. Fiquei no meio deles fugindo ora para um lado e ora para outro. Quando consegui atravessar fiquei incrédula de ainda estar viva. Depois eu já estava deitada de bruços no topo de uma construção e via as pessoas voarem, inclusive passando pelo meio das copas das árvores. Eu estava com medo de cair dali, pois achava que não conseguiria voar também. Era como se eu estivesse viva, ou seja, com um corpo mortal, fazendo uma visita a um plano espiritual. Embora o topo da construção não fosse muito alto e houvesse esse medo de cair, estar lá era como estar nas nuvens. Não lembro direito, mas houve um momento em que pedi o beijo de três meninos (deviam ter de quatro a cinco anos) que estavam com o pai. Minha única intenção era demonstrar meu carinho e recebê-lo também.

Este é um bom retrato da vida, quando pensamos que estamos trilhando caminhos tranquilos nos descobrimos no olho do furação, no meio do turbilhão. E se não ficarmos focados naquilo que a vida exige corremos o risco de sucumbir frente ao impacto devastador da realidade ou das realidades.

O sonho soa, para mim, como um retrato cruel da realidade em que vivemos. Poderia considerar como fuga, como escape da realidade ameaçadora, mas não me parece. Posso compreender que a sensibilidade leva os sensíveis ao comportamento de evitação, mas a realidade exige de todos precisão nas atitudes e nas escolhas para se desvencilhar dos perigos e das ameaças da vida.

Você é levada de um nível baixo de tensão para o mais elevado, aquele que envolve risco de vida. Do relax para a alta tensão que lhe exige PRONTIDÃO (atenção, resposta, percepção da realidade, agilidade). Certezas, nem sempre indicam segurança, podem indicar limites e favorecer o conformismo. Nada nos garante que viveremos amanhã aquilo que projetamos, ao contrário, mais certa é a possibilidade de que amanhã iremos nos descobrir em algum lugar que nunca imaginamos ou sonhamos.

Voar em geral é associado a fuga de realidade e suspensão. Mas ficar no alto olhando outros voarem é atitude de observador, que percebe o peso do corpo, o peso da realidade, das forças que atuam em você. E os beijos já indicam mudança de atitude no comportamento e nas relações e interações. O afeto espontâneo. Belo sinal de transformação e mudanças.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

SONHO E CONFRONTOS II


    
O sonho lhe propõe um desafio coletivo: Competir. Competir é ação natural, retrato da sociedade moderna; retrato da presença humana na escala de evolução, na teoria evolucionista, retrato do mundo animal. Somos bem sucedidos como espécie porque a natureza nos brindou com uma capacidade competitiva que nos fez vitoriosos. Os princípios do teste, em equipe, são indicados: competência e afinidade.

Como exige afinidade posso pensar em suas relações sociais e possivelmente familiares. Entrar no túnel, já vimos, é ritual de passagem, transição, mudança de margem, de estado de consciência. SUPERMERCADO é mercado, relações sociais. Participação social, coletividade. Seu carro é você. Você está só... SÓ... Conta com você,

Primeiro desafio:
SE LANÇAR NO ESPAÇO!

AVENTURAR-SE!

Se jogar no espaço escuro. Não me parece que seja se jogar no espaço de seu lado escuro, isto você já faz, jogando luz no seu lado sombrio, no escuro. Tambem não parece-me que seja voar, como fuga. Se voar pode estar relacionado com fantasias e suspensão, se jogar poderia parecer intento de suicídio, coisa que não acredito. Parece-me mais o espaço desconhecido, arriscar-se no escuro, onde não tens controle da situação: A vida! Assim o sonho te confronta com seus limites, suas reistências.

VOCE RESISTE! Aparece sua resistência, suas defesas, seus medos, seus bloqueios. A força da resistência atua eliminando a GRAVIDADE, te segura, trava, impede seus movimentos, sua autonomia, suas escolhas. Lhe impede o risco, arriscar-se.

E a mensagem é clara:

“Foi então que apareceu um homem malvado e me disse que na vida eu não conseguia nada porque era daquele jeito: me jogava e não me permitia cair, pois ficava presa a superfície, ao passado, ao medo, às mágoas. Fiquei muito mal ao escutar ele dizendo aquilo e tentei fazer força emocional para desvencilhar-me de tudo.”

Sua consciência, sua lógica, representada pela figura masculina, princípio de realidade lhe traduz os acontecimentos, você reage e mobiliza energia para mudar a passividade, os limites, a incapacidade de mover-se. Busca forças para romper sua resistência.

Você rompe as amarras, se lança, supera seus limites e se lança no espaço e aí...:

Você abre mão do controle e encontra o domínio sobre si-mesma. Supera o medo de morrer e se descobre mais viva do que nunca, tendo o domínio em um cenário, em um meio que além do seu poder o AR e dentro de uma realidade que antes lhe era desconhecida. Voce se descobre nadando, no ar, ou voando, ou descobrindo um novo plasma no espaço que antes assustava mas que agora domina.

É exatamente essa a experiência que experimentamos quando nascemos, passamos por um túnel e ao invés de morrer nascemos num novo mundo. Também é assim que vivenciamos a ansiedade de aprender a andar, ainda bebês. E assim aprendemos a andar de bicicleta. Etc. Superar limites é sempre um desafio, é ter que superar nossas dificuldades e o despreparo pessoal.

Essa é a vida para romper com o passado,

precisamos nos arriscar no presente

e nos descobrimos transformados no futuro.

Nunca mais seremos os mesmos.

Eu me lembro de Kierkegaard:

“Arriscar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar é começar a morrer.”

A vida é assim!
Permanentemente nos exige.
 E quanto mais buscamos o conforto,
para fugir do desconforto, de ter que enfrentar os confrontos,
 mais nos matamos e nos anulamos.

Ah! um detalhe: todos nós estamos viajando no espaço, só não percebemos isso por estar limitados à realidade da terra e aos nossos filtros que nos protegem de um universo sensorial inimaginável. A psiquê tambem usa de atualização nesta relação do individuo com o seu espaço para regular as mudanças originárias a partir do sujeito. Neste caso, é como se o seu ponto de vista em mudança levasse a psiquê a refazer suas coanfigurações mentais para se adequar à novas referências de estado de consciencia. É como se um paraplégico voltasse a andar e a psiquê não se adequando continuasse a considerá-lo paraplégico.



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

VOAR












 
Terceiro sonho: este foi pouco antes de levantar. Eu estava com um grupo religioso e cantávamos uma musica suave e alegre. Atravessamos uma ponte muito comprida toda de madeira. Passamos por ela com velocidade voando na vertical, era como se estivéssemos deslizando levitados. O rio ficava a uma profundidade bem grande abaixo da ponte, a qual estava no nível do solo. Olhar para o rio era como olhar para um abismo e passei olhando apenas para frente. Depois de atravessá-la continuamos o trajeto andando calmamente. Verifiquei que estava descalça e com um vestido longo branco. Havia muita paz e harmonia em tudo. em sequencia estava em casa quando as luzes apagaram e observando pelo portão da garagem avistei uma enorme nave de extraterrestres. Era um disco voador brilhoso e iluminava fortemente por onde passava. Ele desceu na rua de casa e corri para os fundos. Vi um dos alienígenas andando pelo quintal. Ele era ou estava vestido como um astronauta todo de branco amarelado, da mesma cor da nave. No sonho fiquei com muito medo, pois achei que eu fosse ser levada embora. Enquanto isso minha mãe fazia deboche. Logo depois eu estava numa espécie de universidade e aguardava numa fila de pessoas que pareciam ser conhecidas, mas não lembro ao certo quem eram. A maioria era mulher e estavam bem vestidas, alias pareciam vestidas de noiva. Enquanto isso eu estava de biquíni, mas me sentia bonita no meu traje e não importei do contraste. Não sabia ao certo o que fazia naquela fila e a mulher que estava atrás de mim disse para eu escolher fazer o curso com a Ana. Mas eu não sabia quem era essa tal de Ana. Quando fui dar meu nome completo o homem custou muito para entendê-lo e tive que repetir inúmeras vezes. Diferente das demais eu não pude dizer com quem desejava fazer o curso, pois ao dizer que desejava uma instrutora mulher, uma das auxiliares já informou que eu ia fazê-lo com a turma da Juliana. Também não conheço nenhuma pessoa com esse nome, nem em realidade como também no sonho. No que me uni à turma, perguntei se aquilo era uma espécie de curso. Ela me explicou rapidamente que sim, era um curso para sermos voluntárias em hospitais. Achei que íamos ser levadas a algum laboratório, mas nos encaminharam a um local estranhíssimo. Inicialmente um galpão enorme e vazio coberto com lona azul. Ao final desse galpão havia um terreno muito inclinado e cuja terra coberta de grama ressecada era toda de morrinho. No meio das plantas havia uma vala que cortava toda a extremidade do terreno, mas não soube se aquilo era uma nascente ou apenas um buraco cavado para passar cano ou algo de gênero. Ao longe eu avistei duas pessoas remexendo com uma massa que parecia cimento, mas tudo era muito sem sentindo e ali fiquei esperando junto à turma sem entender nada. Por fim eu estava vendo a área de lazer de um presídio e fiquei espantada ao ver a piscina no meio do jardim bem tratado. Pensei comigo mesma: ‘não sabia que existia cadeia com interior desse tipo, parece mais um hotel’. Isso foi tudo o que lembrei. Porque sonho tantas coisas distintas e misturadas? Será que alguma coisa disso tudo pode ser destacado com algum significado importante? A impressão que tenho ao escrever tanto sonho é que vivo mais dormindo do que acordada, pois a vida real é uma rotina e os sonhos sao sempre cheios de aventuras, misterios e situacoes jamais ousadas de serem vivenciadas no dia-a-dia. Desde já obrigada.

Você oscila entre a necessidade de relaxar, e a de fugir (iludir-se, fantasiar) e a conturbação. Novamente o sonho de vôo agora acrescido de nave espacial. Na recorrência de seus vôos aparece como uma necessidade de libertar-se da gravitação, da realidade na qual se arrasta, da rotina que já não te alimenta. Neste aspecto o rio fluxo da vida sinaliza uma tentativa apenas no imaginário de mudança de margem, de mudança de consciência, de mudança de estado de consciência. No entanto a mudança apenas no idealizado obriga-te a cair no “no sense”, no sem sentido de uma dia a dia onde você é empurrada para ações que pouco têm a ver com sua natureza e sensibilidade. E você perplexa sem nada entender, empurrada, só encontra alento quando envolvida na idealização. Você está misturada, indiferenciada e conturbada de informações e fantasias. Muitos prisioneiros encontram justificativas que os façam permanecer prisioneiros, até mesmo acreditar que a prisão é um hotel, outros acreditam que na profusão de sensações e informações encontram a satisfação quando apenas encontram inquietação. Há sinais de que você se deixa levar, ser conduzida, sem entender muito “o que” acontece, como se quisesse se desobrigar da responsabilidade de se conduzir, como se cansada até mesmo de se ouvir. Seu inconsciente vem dando mostras de conturbação e sinalizando com símbolos de preservação da psique, por outro lado a alegria e o prazer encontrados na religiosidade sinalizam a possibilidade da prática religiosa favorecer o conforto. A ponte longa sinaliza a grande distância as margens. Margens distanciadas; estados distanciados; distância entre o que você é e o que você pensa que é? Isto produz dissociação. Pratique mais o que você idealiza. Aquiete sua mente, seus pensamentos, para redirecionar sua vida. Venho tentando fazer essa leitura para sabermos com mais segurança o que seu inconsciente vem tentando te dizer. Neste cenário, há limites para leituras já que o diálogo é limitado. Por hora Reflexão e paciência!