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quinta-feira, 22 de abril de 2010

CORNUCÓPIA I



     
CH52

Essa noite sonhei outra vez com um cachorro labrador branco. Havia dois homens no cenário: um rapaz que era o dono do cachorro e outro que estava perdido e pediu ajuda. Entretanto o rapaz disse que estava indo à casa de sua namorada e só poderia ajudar o homem depois. Para completar convidou o homem para ir também até a casa de sua namorada. Ambos usariam o ‘dom’ do cachorro de farejar até chegar ao local desejado. Portanto, era o cachorro que guiava e os homens apenas iam atrás. Não sei se o dono do cachorro era cego, mas mediante o contexto isso até faria sentido. Logo na seqüência eu estava noutro local com minha mãe quando minha irmã chegou com um cachorro poodle preto no colo. Incrível essa permanência repetitiva de cachorro nos sonhos! Ao soltar o animal ele correu até mim e subiu na cama. Fiz-lhe carinho e ele deitou levantando as patinhas. Fiquei acariciando sua barriga e ele ficou quietinho como se houvesse morrido. Nisso minha irmã comentou que ele estava muito preguiçoso e ele se levantou e sentou-se num banquinho. Estávamos distraídas conversando quando ela notou que o cachorro estava chorando e nesse choro ele se transformou no meu cunhado. Acho tão legal essas fantasias e mutações dos sonhos! Com dó de sua cara manhosa, minha irmã o pegou no colo (de forma que ele ficou sentado com as pernas cruzadas em sua cintura) e o levou para a sala (só em sonho mesmo para ela ter tanta força!). Fui atrás e ele falou que estava planejando um emprego autônomo para mim donde eu ia tirar minhas autofotos, estilo modelo, mas também responsável pela arte fotográfica, para fazer propaganda de roupas, adereços, sapatos, etc. Eu queria saber mais, pois o assunto me interessou, porém senti que ele nada ia me adiantar antes de ter tudo acertado e garantido. Parece que ele estava arrumando esse tipo de trabalho para mais alguém. O assunto minguou e retirei-me indo até o espelho. Nisso assustei-me muito: meus olhos estavam tampados de remela e cada pupila estava num canto do olho. Saí desesperada em busca de um banheiro para lavar os olhos e não encontrava. Nesse momento o local parecia uma escola, pois tinha grandes salas de aula, professores, alunos, mas também duas escadas rolantes e a que descia estragara de forma que os degraus estavam desmontando-se no final da mesma. Percebi que eu não era a única agoniada naquele momento. O cenário foi me parecendo caótico como se tudo fosse começar a desmontar. Algumas pessoas pareciam agitadas e outras nem se preocupavam mantendo uma tranqüilidade quase mórbida como se estivessem acostumadas a situações conturbadas. Eu enxergava tudo de maneira normal e não sentia nada diferente nos olhos, mas preocupada com o que vira, ia de um lado para outro a procura de um banheiro para lavar o rosto. Minha respiração estava ofegante e alta como se eu estivesse tendo um ataque asmático ou fosse desmaiar a qualquer momento. Acho que foi isso que chamou a atenção de uma jovem que me seguiu na intenção de perguntar se eu precisava de ajuda. Disse-lhe que precisava urgentemente de água e ela levou-me até um bebedor dando-me um copo grosso de vidro. Tinha muitas pessoas com garrafas esperando para enchê-las e, ao colocar água no copo, fiquei sem jeito de lavar os olhos e acabei bebendo a água. Claramente noto que disfarcei o tempo todo o meu problema, mesmo que tenha expressado meu desespero. Ninguém me olhava de modo estranho por causa dos olhos ou comentava sobre tal, e isso me deixava ainda mais confusa. Ao olhar para o lado, a jovem que me dera o copo estava aos beijos com um menino que teria idade para ser seu filho. Estranhei aquilo por causa da diferença de idade, mas o ambiente estava tão tranqüilo que me portei como as demais pessoas, ou seja, sem reparar a cena como uma anormalidade. O menino parecia oriental com os olhos puxados (vale notar que meu foco foi o olhar por conta do problema dos meus próprios olhos) e, embora bastante jovem, tinha um semblante de conquistador convencido.
Nisso ela levantou o copo dela me mostrando e ofereceu-me a bebida fazendo gesto com a cabeça na direção do bebedor. No que olhei já não era um bebedor, mas um arranjo de umbigos de cacho de bananeira (ou algo parecido) enfeitado com minúsculas flores amarelas claras e, no meio dessa composição, havia uma espécie de tonel com saquê. Ao aproximar-me fui servida com cerca de um dedo da bebida e tomei-a num único gole, mas não lembro que gosto tinha, era como se eu estivesse com o paladar desligado. Na vida real nunca provei saquê e até então nunca me interessara em saber que tipo de bebida é. Tomar aquilo pareceu cerimonioso, além do que, é algo que nada tem a ver com o contexto real da minha vida, ainda mais com aquela evidente ligação oriental.
Semelhante a um fechamento onírico, veio-me um flash de tudo o que eu sonhara e senti a precisão de acordar para não esquecer os detalhes. Forcei para acordar. Vi-me numa cama e enquanto tentava acordar eu conseguia mexer-me da cintura para cima em movimento lateral para a direita entre pontos luminosos dourados que formavam uma nevoa. Aquilo me assustou e comecei a chamar minha mãe, clamando por socorro e gritando para ela me acordar, mas como essas tentativas de acordar já me são conhecidas, eu sabia que minha voz não estava saindo o suficiente para ela escutar e que a peleja ia ser em vão. Eu estava muito pesada, com total dificuldade para acordar e sabia que só o conseguiria se me acalmasse e deixasse isso acontecer de modo natural. Eu sabia que se não conseguisse acordar provavelmente não me lembraria de nada depois. Foi então que parei de gritar e me entregando ao risco de não conseguir acordar e esquecer tudo, inesperadamente eu inspirei e expirei rápido como se fosse um soluço e acordei assustada como se houvesse caído na cama em cima de mim mesma. Tal tipo de despertar sempre me foi agonizante, mas dessa vez eu me senti mais controlada e compreensiva sobre tal maneira específica de despertar em mim mesma, o qual é impossível de se dar de forma forçada, por mais que continue sendo abrupto esse acordar para a realidade de forma desejosa e consciente. Era como se meu inconsciente e consciente estivessem trabalhando em equipe. No momento do flash eu me tornei consciente de que tudo era um sonho e tive a sensação de que cada detalhe tinha grande importância. Conscientemente eu queria despertar para anotar tudo, mas era como se meu inconsciente ainda em trabalho me pedisse para confiar no processo como um todo. Além de um sonho, pareceu-me uma experiência bem diferente, pois o desfecho foi forçado, mas não deixou de ser natural ao mesmo tempo. Posso dizer que consegui acordar de maneira mais fácil, rápida e tranqüila do que em todas as demais vezes que passei por isso, mesmo que ainda me seja um processo estranho. Exatamente pela necessidade do despertar, tenho para mim que esses sonhos são importantes, mas não sei decifrá-los. O que essa seqüência onírica pode representar?

CORNUCÓPIA II




   
CH52 - leitura

Como já disse, o cachorro é o guia dos homens após a morte, psicopompo, guia dos que “não enxergam”, e aparece no sonho como uma solução alternativa para os que estão perdidos, mesmo que a escolha pareça ruim, levar o desconhecido para casa da namorada ao invés de deixá-lo seguir seu caminho, trazê-lo para dentro do caminho pessoal, ao invés de dizer não à interpelação, levá-lo para a intimidade agregando o desconhecido perdido. Arriscar-se por ingenuidade? Independente do dono ser “cego”, um está perdido e o outro não sabe onde ou se guia como “cego”.
Você transformar o cachorro no cunhado é como perceber seu cunhado como cachorro, não no sentido ou de forma pejorativa mas como o elemento submisso ao domínio do outro, de um dono.,e ele lhe arrumar um emprego é como compensar (possivelmente) sua visão crítica sobre o outro dando-lhe importância e relevância no encaminhamento de sua vida. A compensação amortece sua criticidade ou julgamento do outro te colocando na condição similar de desempregada subjugada. Não fixe o olhar critico da condição alheia sem olhar sua realidade, seu aleijão. O “emprego autônomo” é essa conquista da individualidade, da autonomia, superando o estado de submissão.
 “O assunto minguou e retirei-me indo até o espelho”. Singular, não! Ao se olhar no espelho você será capaz de se identificar como quem precisa superar o nível do cão, fiel mas submisso. Mas seus olhos estão cheios de remela:

VOCÊ NÃO ENXERGA E NÃO SE VÊ.

 Se percebe no meio do caos, sob controle, mas... no caos, e permanece na ambivalência. entre as necessidades pessoais de amadurecimento e o equivoco de avançar na linha de manutenção de uma imagem vendida para o outro, no moelito mediano da sociedade marketeira. Com vergonha não resolve o seu problema, lavar o rosto, mas disfarça, dissimula, se esconde bebendo a água da lavação, louvação.
“nem se preocupavam mantendo uma tranqüilidade quase mórbida como se estivessem acostumadas a situações conturbadas.” Fico pensando se isso é exatamente o que você faz.
Ao olhar para o lado, a jovem que me dera o copo estava aos beijos com um menino que teria idade para ser seu filho. Estranhei aquilo por causa da diferença de idade, mas o ambiente estava tão tranqüilo que me portei como as demais pessoas, ou seja, sem reparar a cena como uma anormalidade. ... (vale notar que meu foco foi o olhar por conta do problema dos meus próprios olhos) e, tinha um semblante de conquistador convencido.

Aqui fica mais evidente sua criticidade e seus pré conceitos, com a diferença de idade, com as escolhas do outro, e a justificativa de olhar para o outro apenas por conta de suas dificuldades. Essa “normalidade” “normal idade” “idade normal” adequada para que as coisas aconteçam não existe. Cada um tem o seu tempo e suas escolhas e isso é que precisa ser entendido e superado. Precisamos aceitar as diferenças e não nos esconder nelas. Você precisa trabalha esses conceitos.
O Buda faz da Bananeira o símbolo da fragilidade, da instabilidade das coisas e que não merecem por conta disso absorver o interesse... “as construções mentais assemelham-se a uma bananeira”. É o símbolo da impermanência e da imprevisibilidade da vida. Algumas possibilidades de significado por sair disso:
Somos indivíduos em transição em um universo transitório. Só posso nos conceber como um processo em andamento, uma dinâmica dentro da dinâmica da vida.  Como o umbigo da bananeira prenuncia o desenvolvimento da fruta, o bebedouro, Fonte, renovação, purificação, seu propósito original se transforma ou dá origem ao surgimento da fruta, regenera-se e aflora como fruta. À medida que suas mudanças pessoais mudarem o foco e sua vida “do outro” para si você se reconstrói, regenera-se, superará a cegueira causada pelos miasmas em forma de remela (escória) e deixara aflorar em você o nascimento do fruto carnudo, a cornucópia da vida. Mas não se esqueça:

    É preciso deixar de ser cão para se tornar banana,
melhor,
 amadurecer para  frutar

sf (lat cornucopia) 1 Vaso, em forma de corno, cheio de flores e frutos, e que antigamente era o símbolo mitológico da fortuna ou abundância e hoje simboliza a agricultura e o comércio; corno da abundância, corno de Amaltéia. 2 Qualquer fonte de riqueza ou felicidade. 3 Bot Planta solanácea (Datura cornucopia).

Adendo: Como suas atitudes vem sendo transformadas, sua relação com a natureza os seus fenomenos corporais caminha para se tornar mais harmoniosa. A mudançade seu "Pãnico" modifica o cenário do seu terror, a perda de controle, do medo da morte, da necessidade de acordar. Já que você vem aos poucos acordando de seu sono profundo de pouca consciência.

  Bye.