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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

RISPIDEZ


  


Carlotinha 28
Essa noite tive um sonho que me deixou intrigada... Eu estava com minha irmã. Tudo parecia bem quando eu explodi em meus sentimentos e disse um monte de coisas para ela de uma maneira que só vivencio em sonhos mesmo. Não havia um assunto especifico sendo conversado, mas lembro de uma parte em que eu falava sobre a maneira dela fazer comida e dizia que não gostava do fato dela usar muitos produtos industrializados. Também sei que eu dizia isso de uma maneira muito grosseira e carregada de velhos sentimentos negativos. Eu não estava tecendo uma colcha de crítica, mas sim deixando muito claro todos os aspectos dela que me incomodavam e dos quais fazia eu desinteressar-me de sua pessoa. O interessante é que, fora do sonho, acho que nunca teria uma postura assim, até porque raramente tenho oportunidade de comer o que minha irmã cozinha e, por menos que eu goste, o mundo todo utiliza facilmente uma enorme variedade de produtos industrializados e, por bem ou mal, somos todos (inclusive eu) influenciados a esse consumo. Na continuação do sonho minha irmã ficou calada, ou seja, não se defendeu e nem reagiu. Foi como se ela assumisse minha postura de passividade e eu assumisse a postura dela de ser ativa e falar o que pensa e sente sem tolhimentos. Acabei ficando péssima pensando que não deveria ter dito nada (exatamente como minha irmã fica por ser impulsiva), mas ao mesmo tempo sabia que ser franca era positivo, pois não tinha que fazer de conta que gostava de coisas e situações provindas dela que de fato me desagradam. Pensei naquela frase ‘não atire pérolas aos porcos’, mas ela não se encaixava ao contexto, pois nitidamente minha irmã não apenas havia compreendido o que eu falara como se mostrava magoada com minhas palavras. Nessa inversão de papeis eu compreendi que ela sentiu-se exatamente como eu me sinto, ou seja, percebi que eu guardo magoa de muitas pessoas mesmo sem assumir para mim mesma que fico magoada com as pessoas que vivem falando comigo (ou sobre meu jeito de ser) de um modo grosseiro. Percebi que ela transpareceu tristeza pelo que eu dissera, mas assim como eu, tentou não demonstrar os seus sentimentos. Talvez sua mágoa demonstrasse o fato dela não estar pronta para a minha franqueza, mas a verdade é que, dentro do sonho, ela usou de uma passividade que eu não esperava. Fiquei realmente me sentindo mal por ter dito tanta coisa de forma tão pesada. No sonho eu parecia estar tendo a postura certa de deixar tudo a claro jogando as ‘cartas dobre a mesa’, mas ao mesmo tempo eu fiquei magoada comigo mesmo por ter sentido que magoara alguém. Mesmo tendo sido apenas um sonho, ele reflete muito de uma postura de sinceridade e espontaneidade que procuro ter e que, depois de tal sonho, mesmo que eu conseguisse ter tal postura com facilidade, demonstra que é preciso ter cautela e equilíbrio perante as palavras e diante de uma postura ativa de se comportar perante as desavenças ou antipatias das outras pessoas, sejam parentes próximos ou amigos distantes.
Porque no sonho eu assumi as características impulsivas de minha irmã de dizer o que pensa e sente de forma áspera e ela assumiu minha postura de nada retrucar e ressentir-se quieta?

RISPIDEZ 2

  
Carlot 28

Carlota eu gosto de ver sua reflexão, suas descobertas, este é o caminho... compreender, transformar, amadurecer. O caminho é árduo mas profundamente realizador e gratificante. Você esta certa é preciso ter cautela e equilíbrio perante as palavras e...cautela na postura ativa. As palavras podem ser profundamente, ferinas, ofensivas e violentas em situações que envolvem competição, diferenças e conflitos, elas em geral acabam sendo devastadoras. Toda a força agressiva é projetada no outro em forma de sons, e sons com formatos para destruir, dilacerar o “outro”. Eu percebo a agressividade como um produto defensivo, reativo e cumulativo, isto é, quanto mais você se utiliza desse mecanismo para relacionar-se, deste meio de defesa e ataque, desta maneira de se expressar-se, mais agressividade você será capaz de mobilizar. É como uma conquista, a cada vez maior será o poder de mobilizar essa força destrutiva. Mais força agressiva será acumulada e maior será sua capacidade, seu poder explosivo, sua tirania.
Ou seja, Caia fora desta fria. Não é por aí. A sociedade competitiva nos exige certa capacidade de mobilizar esse poder agressivo. O trânsito, por exemplo: se você não tiver essa disposição, o trânsito se fará assustador, você nem conseguirá circular dirigindo. Mas nem por isso você poderá sair por aí passando por cima dos outros, reagindo com seu cavalo de força, caso contrário acabará matando pessoas inocentes. A agressividade é uma força, um poder que precisa ser disciplinado a nosso favor, dominado e controlado dentro de certos limites do razoável e do aceitável.
No seu caso; Você reprime de maneira a se fazer passar por “boazinha”, e tem medo dessa força superar seu poder de controle. Ora, não há como engessar um vulcão. Uma hora a força reprimida, aprisionada é liberada e pode se manifestar de forma mais destrutiva. É preciso aprender a dosar esse veneno. Se for excessivo ele mata.  Somos recém-saídos das cavernas e ainda vivemos num mundo absolutamente selvagem, apesar de todo o verniz social conquistado.
Como dosar essa força? Primeiramente não a deixando se acumular; não promovendo “imputs” QUE PROMOVA O SEU CRESCIMENTO, que a  multiplique dentro de nós, canalizando-a para ações positivas e construtivas. Transformando e projetando esse poder de forma a promover e gerar retorno positivo.
Isto é um exercício excepcional. Quando você se diferencia do outro no seu processo de maturação, deixa de ser reativa ao que o “outro” faz. O “outro” deixa de mobilizar, a partir de suas ações, sua capacidade reativa, Ele não mais a atinge. Mas... se você estiver indiferenciada o espirro do outro fará cócegas no seu nariz, o drama alheio será devastador, o desequilíbrio do “outro” a sugará e a desequilibrará. Por isso o trabalho de aceitação do outro como ele é, é pré-requisito na diferenciação.
Eu acredito em “não ser omisso”. Em não permitir que o outro me bata na cara. Para quem se permite apanhar não sei dizer o que isso pode representar, cada realidade é uma. Muitos apanham e desenvolvem doenças fatais, muitos renunciam à vida se anulando, muitos viram santos, cada caso é um. A minha opção é não permitir que o outro “Me Bata”, isso não quer dizer que eu necessite bater, aprendi a manter o outro à uma certa distância para administrar minha força, e tenho trabalhado intensamente a compaixão que sinto pelo outro. A omissão promove a culpa no “outro” e resíduos reativos no sujeito. É fundamental avaliar a situação e responder ao que a realidade lhe exige. Para mim o caminho é o diálogo. Sempre o diálogo. Não permitir acumulo de ressentimentos e mágoas, amor próprio ofendido, orgulhos caprichos, vaidades essas misérias humanas que nos corroem como vermes.

O seu Sonho é claro, sua natureza é semelhante à natureza de sua irmã, sua irmã é você, e você sua irmã. Enquanto ela explode para fora, você explode para dentro. Ela faz mal ao “outro” destrói o “outro”, e você se destrói esperando que o outro se transforme. O bonzinho é tão mal quanto o mal, porque ele permite que o outro o destrua, ele se permite destruído para destruir o outro. O caminho pode ser não sendo ela e nem sendo o que você se tornou. Existe uma outra forma, um outro caminho, a firmeza, a autenticidade e isso não nasce como uma magia, é o resultado da transformação que processamos em nós. Manifeste-se. Experimente-se. Administre. Exercite-se.
O sonho é compensador mostrando-lhe suas semelhanças, e seus conflitos, sua capacidade de se colocar no lugar dela, seu julgamento e suas críticas, sua repressão seus desejos e suas identidades. Se ambas se assemelham, paradoxalmente se identificam, o crescimento não está no oposto mas na busca de transformação. Aprender a lidar com essa força e transformá-la a seu favor.