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sábado, 15 de janeiro de 2011

DESEJO, INCESTO E VINGANÇA






Depois sonhei que chegava numa casa e meu pai veio me recepcionar. Disse-lhe que eu não podia demorar e ainda assim vi ele trancar o portão e guardar as chaves. Enquanto adentrávamos pelo quintal em direção a casa, pensei em como reagiria se ele quisesse fazer sexo comigo. Eu não saberia definir se havia algum interesse proibido em mim. Entretanto, numa sequência de pensamentos, eu já estava em dúvida e não sabia se tudo o que acontecera de incesto fora verdade ou apenas criação mental. Logicamente dentro do sonho o que estava em minha mente não era a vida real, mas os vários outros sonhos de conteúdo sexual tidos com meu pai. Era como se houvesse ocorrido uma sabotagem onírica.

O pai pervertido havia sido real mesmo dentro dos sonhos, teria alguma conotação com a realidade, ou tudo não passava de fantasia mental?

Quem ou qual tipo de pai era aquele?

Seria o pai real ou o pai interno pervertido projetado nos sonhos?

Enquanto pensava ele me deu um rádio antigo para segurar (igual a um rádio que meu pai teve na vida real) dizendo que o havia consertado. Realmente a música estava limpa, sem chiados ou ruídos. Ao invés de entrarmos na casa, a qual parecia estar trancada, meu pai pendurou o rádio num galho de árvore e começou a podar a mesma. Nesse momento contemplei o local e agradei-me de ali estar. Era um terreno bastante inclinado com uma construção de fundo, na parte mais alta. Interessante que só me dei conta da inclinação ao estar lá no topo, ou seja, não senti a subida em si. De lá até o portão havia um gramado com duas fileiras (no sentido atravessado do terreno) de arvores. Havia muito mato e as arvores realmente estavam precisando de poda. Não entendi o fato de justamente naquele momento ele ir serrar os galhos das árvores e remexer naquilo me deixando um tanto perdida sem saber o que fazer ou pensar. E mais um detalhe: lá embaixo havia um banheiro e observei duas mulheres adentrando nele, mas não dei importância ao fato, embora achasse curioso ter aquele banheiro lá.
Em principio a sua relação com seu pai não pode em tese ser separada da relação entre sua mãe e sua irmã. Desta forma seus desejos incestuosos seriam uma forma de estabelecer um pacto de proximidade e de cumplicidade com seu pai, satisfazendo um certo desejo mórbido de se vingar de sua mãe e de sua irmã sendo a amante de pai, a que rouba o homem da mãe e que estabelece uma relação mais profunda do que sua irmã poderia ter estabelecido com sua irmã.

Nesta ótica, o pai criado internamente é aquele que realiza o seu desejo mórbido e a perversão é do tamanho do ressentimento originado na exclusão da relação entre a mãe e a irmã e na necessidade de punir a mãe por ter-lhe entregue ao domínio da irmã.

Quando a mãe abre mão de ser a mãe que te conduz entregando-lhe ao poder de sua irmã, sua mãe consegue se safar da relação de competição e do embate travado e criado por você.

Quando você se envolve na competição com a mãe, num processo, até um certo limite, natural de diferenciação de sua individualidade você antecipa o seu processo de maturação sem estar devidamente preparada para essa ascensão. Você define, de certa forma, a atitude de sua mãe de renunciar à autoridade materna e de entregar essa responsabilidade à sua irmã.

No jogo das relações parece-me que você nunca aceitou este desfecho dado pela mãe, através da renúncia ao jogo competitivo. Ela não suportou o seu confronto e pediu socorro, ela precisava te "salvar" e se salvar.

Assim a presença do pai torna-se a sua possibilidade de vingança, frente ao resentimento que poderia estar te consumindo, decorrente da revolta, de ter ganho o jogo mas não ter levantado a taça da vitória.

Faço esta associação e considero sua negação de ocorrência real de um pai incestuoso.

O rádio é a ampliação da capacidade de perceber aquilo que instrumentalmente somos incapazes. Você ligada ao mundo, às ondas do mundo.

Enquanto seu pai realiza a poda, o corte dos excessos, o direcionamento do crescimento, a limpeza das árvores você já se encontra no topo.

A árvore é símbolo feminino e materno, referência da fixação na terra. Podemos pensar que este lado masculino do lenhador ou do castrador seja aquele que controla e administra a fecundidade, ou que impede a plena expansão do seu lado feminino. Ainda que possa ser o principio de realidade que a mantém ligada ao mundo.

As mulheres “lá embaixo” podem ser referência à sua irmã e à sua mãe, já que elas fazem irremediavelmente parte de um triangulo da qual participa junto delas, elas que são seu foco e referência de mãe.

O sonho ainda pode ser o encontro com o pai falecido. Neste caso, ele vindo do mundo dos mortos, pode estar lhe indicando a necessidade de focar sua ação em projetos mais definidos dentro da realidade, ou a importância de realizar em sua vida a poda dos excessos, a limpeza do campo no seu entorno, à importância de trabalhar a construção através da manutenção daquilo que é de sua responsabilidade cuidar e sua vinculação com a natureza.

Há o detalhe do seu incômodo  causado pelas mudanças que vão sendo realizadas, processadas, inicialmente tira-lhe as referencias e a deixa paralisada. È preciso assimilar essas novas mudanças, digerí-las e incorporá-las à sua vida. 
Além disso, a certeza de que na vida precisamos abrir mão de galhos para colher no futuro os frutos do renascimento.

Ψ

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

MÉNAGE À TROIS



Sonhei que estava na casa de uma jovem morena que usava apenas uma calcinha fio-dental e tinha um corpo bem definido. Com ar de devoção ela disse que queria dar banho nele. Nisso entrou um homem com um cinto na mão, o qual colocou junto de uns outros instrumentos eróticos. Aproximando para ver melhor perguntei se eles realmente usavam aquilo ou se era apenas encenação. Ele respondeu que usavam sim, mas que era só para apimentar a relação. Eu parecia ser bem intima de ambos, pois estava bastante tranquila, tanto que tive a ousadia de perguntar se podia assistir a uma relação sexual deles para conferir de perto como era o tal de apimentar. Eles concordaram como se isso inclusive os provocasse mais excitação. Comentei que havia entre eles um jogo erótico muito sensual e divertido, mas que também havia nitidamente muito carinho e afetuosidade. Eles responderam que isso era o básico e me explicaram que o valor do relacionamento de ambos era a cumplicidade de agradar e cuidar um do outro sem cobranças. Não sei ao certo, mas pareceu-me que aquele era um caso extraconjugal da parte dele. Enquanto eles tomavam banho, saí para ver alguma coisa na casa e depois já não recordo o resto.

UM OLHAR

“Com ar de devoção ela disse que queria dar banho nele.” A descrição não me pareceu clara. Ela queria dar banho “nele” o que? Um homem? Um Pênis que olhava com devoção? No fio dental? Se ficou constrangida ao fazer o relatar, reavalie, o dado parece-me relevante. Se ocorreu filtro moral, supere-o e trabalhe a verdade, a transparência.

O Cinto segura, funciona como suporte, divide o corpo e separa inferior e superior, ou faz a conexão destes opostos. Ele dá segurança, representa força e poder, simboliza a punição e o comando, uma forma diferencial e ambivalente, funcionando como chicote e como acessório de composição de vestuário. Também pode ser relacionado com a castidade e com fecundidade. Suporte de armas, de bolsa para guardar bens e moedas, etc.

Na bíblia encontramos sua presença o diálogo de Cristo com Pedro quando lhe diz: “Quando jovem tu te cingias, mas haverá o tempo em que serás cingido”, que pode ser traduzido em: No início tu definirás o teu destino, mas depois o destino te definirá. Questões de escolha e poder.

Associado ao sexo fica o indício da liberação e da castração. Novamente a possibilidade de conflito entre o símbolo de poder, comando e submissão e a relação definida entre o masculino dominador e o feminino passivo.

Há a o afloramento dos conteúdos da mulher libidinosa e “Voyeur”, que aceita a participação como observadora e não como participante ativa. É uma forma mais aceitável de lidar com essa Mulher Devassa que pode existir dentro de você.

Na afirmação acima não considere a designação devassa no sentido Crítico moral, mas no sentido de permissivo. Todos precisamos aprender a lidar com esse ser sexualizado, com essa força poderosa dos desejos, com o libertino selvagem que anseia se expor e se realizar como pulsão. Excluo o sentido crítico moral porque só poderia considerá-lo quando manifestação de depravação e de ilegalidade judicial.

Hoje, entre adultos, considerando os direitos adultos, o termo pode e deve ser considerado sem o preconceito moralista.

Esta abordagem tendo a considera-la uma vertente mais tradicional, que permite ampliar a reflexão, mas a minha tendência é de focar a visão que se segue.

continua...

MÉNAGE À TROIS





OUTRO OLHAR

Uma vertente que prefiro priorizar como mais significativa é a do sonho como um resultado de uma intenção psíquica de ordenação, resignificação, e configuração da energia sexual. Penso numa dinâmica de ordenação dos conteúdos psíquicos e indicação de processo de elaboração de sua relação com a sexualidade, com o seu prazer e com os limites do aceitável frente as suas dificuldades resultantes da repressão moral.

Captou?

Quero tentar ser mais claro:

Os detalhes anteriores são importantes e significativos e merecem consideração, mas para mim a questão chave é a apresentação da transformação do seu olhar sobre a sexualidade, o que define suas escolhas, atitudes, conceitos e posturas espelhando a forma como se relaciona com a Sexualidade.

O olhar de observadora lhe dá uma distância de segurança e de diferenciação do acontecimento, favorecendo uma postura mais livre e menos suscetível ao apelo e encantamento sexual.

O cenário sexual e do jogo erótico te envolve, já que é intrínseco ao sonho, mas sinto que ele não conduz para o conteúdo puro da sexualidade e sim para a dinâmica que indica sua diferenciação, a elaboração e transformação de seus conteúdos libidinais.

O sexo é fundamental e envolve toda a nossa existência, origem e fim, mas... A casa é mais importante e o sexo com toda a erotização é deixado para trás. Somos mais do simples seres procriadores e erosbióticos

Há o confronto com conteúdos que moralmente poderiam, eu disse, poderiam ser criticados, mas que não devem sê-lo. Você se apresenta com uma atitude firme sem afetação e sem se encantar. Como uma jovem que descobre e amplia possibilidades para se situar dentro de sua realidade.

Há a ampliação dos conceitos de sexo, associado à afetividade à uma liberalidade amorosa, à ausência de controle e cobranças. Todos são conceitos fundamentos que precisavam, ou precisam, ser resignificados para que possa ter diante da sexualidade uma referência conceitual que lhe dê consistência e tranquilidade de mergulhar nesse lago de prazeres de uma forma mais espontânea e consistente, sem se confundir ou ter que se escorar em conceitos inadequados e defensivos para o seu momento.

Princípios morais e culturais, ao contrário do que se imagina, precisam ser flexíveis para que permitam uma adaptação mais adequada à realidade e ao cenário do momento, ainda que a base desses Princípios exija solidez conceitual, moral e ética, porque isso protege a Psiquê da devastação causada por conceitos confusos, severidade crítica e julgamento.

A base é o respeito, e a cautela é fundamental para não enfiar a mão na cumbuca e sair sem lucidez.
Precisamos evitar a rigidez moral que impede a adaptação as mudanças do meio e lançando o sujeito em conflitos desconstrutivos. A flexibilidade permite navegar com segurança em águas turbulentas e confusas até que se encontre um porto seguro para curtir com segurança a ditadura das pulsões e dos desejos. Aí, minha cara... O que resta, é saborear os prazeres da carne.


sábado, 4 de dezembro de 2010

ENLACE, AFETO E DESEJOS

        

 Satã Observando o Amor de Adão e  Eva
William Blake -Museu de Belas Artes Boston
                                                                   
Sonhei que havia entrado numa loja agropecuária na intenção de comprar (acho que) uma essência, mas eu precisava consultar minha mãe antes e nisso peguei a chave de um dos quartos do local planejando de lá dormir. Entretanto eu já estaria podendo ir dormir em casa. Parece que esta estava em reforma, mas não sei ao certo. Enquanto pensava se dormia lá e também se efetuava ou não a compra desejada, olhei para uma propaganda de lápis de cor aquarela e comecei a conversar com uma senhora que estava observando o estande de desenhos também. Disse-lhe que adorava trabalhos artísticos e não me imaginava sem lápis de cor em casa. Nisso parece que o sonho deu um avanço e logo na sequência sentei-me numa mesa aos fundos da loja. Havia um rapaz e duas moças na mesa e posicionei-me ao lado do rapaz. Nisso ele pegou minha mão e passando-a por trás das costas dele segurou-a do outro lado, de forma que fiquei abraçada a ele. No sonho ele pareceu-me um conhecido de longa data e, embora não compreendesse tal atitude de querer ficar abraçado a mim, notei que ele parecia menos arrogante e mais carinhoso. Pensei comigo no quanto é bom sermos passíveis de mudanças para melhor, pois eu também me sentia mudada: muito mais tranquila e segura de mim perante aquela situação. Vendo-me abraçada a ele pensei que os outros achariam que nós eramos um casal, já que eu usava um anel no mesmo lugar donde se usa aliança. Mas em seguida eu concluí o pensamento com a pergunta: e daí os outros e seus pensamentos?

Um vendedor veio nos atender e começou a conversar dizendo que me vira na rua quando fora fazer uma entrega e depois não parou mais de falar até o momento em que se retirou. Eu não estava interessada na conversa, apenas queria aproveitar aquela intimidade provinda do acaso. Estava aconchegante e fiquei abraçada sem saber quais seriam as reais intenções ou motivos que levara aquele rapaz a querer, inusitadamente depois de anos, ficar tão próximo. Desconfiada pensei que ele poderia estar com interesses maiores e busquei dentro de mim saber dos meus próprios interesses para com ele. Em verdade não consegui definir meus próprios interesses de antemão, pois tudo ou nada podia acontecer. Verifiquei que não poderia responder naquele momento sobre algo incerto que poderia ou não vir a acontecer no depois. Preferi deixar os fatos ocorrerem sem ficar matutando neles. Eu não queria desde tal momento dar uma de controladora da situação, nem muito menos me colocar na defensiva. Educadamente ele manteve-se abraçado a mim e sentada lado a lado, deitei a cabeça em seu ombro, coloquei pela parte da frente o outro braço em seu colo e fechei os olhos aproveitando o momento que embora misterioso parecia mágico. Nisso uma das jovens da mesa se transformou na minha avó e, em tom de crítica, comentou algo a respeito de trabalho. No sonho parece que eu estava desempregada, ou então seria o rapaz. Nisso a outra jovem respondeu que onde ela trabalhava estavam precisando de novos funcionários e num ar de sarcasmo perguntou se minha avó estava interessada de mandar um currículo para a empresa. Era como se ela quisesse dizer: se não é você quem está interessada, porque o comentário indireto? Eu estava tão bem que nem liguei para as indiretas de minha avó. Cada um com sua vida e coitada da vovó que julga os desempregados como vagabundos. Azar o dela em manter suas crenças destorcidas.

PSICOLOGIA E PSICÓLOGOS

Muitas vezes Psicólogos e Psicologia são criticados pelo tempo elástico de tratamentos. Críticas infelizes. Esse tempo terapêutico independe da ciência ou de profissionais, ele é ditado pelo “time” do sujeito que determina seu ciclo, sua dinâmica, seu movimento de mudança, o tempo de transformação. E se cada sujeito possui seu “time” a natureza tem seu ritmo em sincronia com o ritmo do mundo, do universo e determina em grande parte a consolidação das transformações que opera.

Neste sonho vemos algumas recorrências que me oferecem a chance de tentar mostrar o acontecimento, seu ritmo e intensidade.

Ainda que a sociedade humana contemporânea se caracterize pela aceleração, o “tempo” da vida não mudou, o tempo do universo continua o mesmo. Nós aceleramos nossa vida, nossos ritmos, nossas ações acreditando que mudamos a natureza. Mas o mundo e o seu Tempo permanecem o mesmo. Em equilíbrio rítmico e vibratório e quando o deixa de ser, em geral sofremos as graves consequências dessas transformações.

O corpo é lento e possui limites intransponíveis, altera-los pode significar promover desequilíbrio na delicada complexidade que sustenta os sistemas que nos dão a condição de natureza viva.

Vejamos o seu estado Onírico:

Você, ao longo desse ano vem registrando delicadas mudanças na sua configuração psy que refletem em seu comportamento em vigília e na dimensão onírica, indicam mudanças de atitudes, percepção, conceitos em decorrência de resignificação.

Pequenos acontecimentos que vão se transformando e que ao longo deste tempo já nos permite a percepção de transformações que posso qualificar como significativas. Principalmente porque não estamos em processo psicoterapêutico e com informações diminutas faço a leitura de seus sonhos indicando-lhe possibilidades, necessidades e alternativas de posturas diante de sua realidade.

Ainda assim podemos ver que ao longo destes meses seus sonhos mudaram significativamente, sinal da mudança psy.

Inicialmente uma fase superada foi a de pesadelos. Você os tinha numa recorrência preocupante, angustiante e desconfortável. Nos sonhos você sofria ameaças permanentes, inseguranças, medos, assaltos, roubos, assassinatos, sofrimento. Sempre a angústia, a ansiedade e o sofrimento. Dormir passou a se tornar ameaça de tormento e tormentas.

Mas você com inteligência, e necessitada, trabalhou para romper com esse quadro desagradável e infeliz. Soube ter paciência e humildade para considerar as indicações e realizar mudanças. Assim passou a obter resultados positivos em sua vida, administrando as disfunções e conquistando transformações, sinal significativo de sucesso.

Os pesadelos diminuíram ou praticamente desapareceram, passamos meses sem relatos de sonhos de angústia sinal de que a psique não tinha que intervir para proteger seus sistemas através de atualização, defesa e reequilíbrio.

Os pesadelos diminuíram porque a psique não precisa mais insistentemente regular os sistemas corporais, aumentar o limiar de sua capacidade de suportar as pressões internas, causadas por escolhas que a levavam permanentemente a situações de conflito, aflição e opressão, nem anunciar-lhe a iminência de situações de risco e de perigo. A instabilidade emocional foi sendo reduzida para níveis aceitáveis e você buscou estabelecer relações interpessoais mais aceitáveis e menos conflitantes.

Hoje a situação se difere do passado.

Sabemos que hoje você vive em dinâmica de transformação de símbolos, resignificação conceitual e reconfiguração na sua relação com a realidade, construindo padrões de comportamento menos reativos. E se vemos a recorrência de sinais ou temas isso decorre de:

1. Mudanças profundas exigem do sistema Psy alterações delicadas e pacientes, num ritmo que não coloque o organismo em risco ou ameaça de desconstrução;

2. Os ajustes se fazem em detalhes. Assim são as mudanças significativas. A codificação é alterada na especificidade.

3. Mudanças internas precisam ser assimiladas pelo sujeito para que se incorporem de forma consistente e sem conflitos, deixando de produzir sofrimentos em decorrência de valores e princípios resignificados.

Portanto não estranhe que uma leitura possa se aproximar de outras, isso demonstra a consistência do caminho que se percorre, tanto como pode reafirmar mensagens que precisam ser mais profundamente compreendidas. Mas não se deixe enganar, fique sempre atenta aos detalhes.

 
 
continua...

ENLACE, AFETO E DESEJOS


A Virgem - Gustav Klimt,
Galeria Narodni, Praga


O SONHO

O foco central do sonho é o afeto e a relação que estabelece com o seu desejo. Podemos pensar numa relação direta entre carência e desejo irrealizado. Quanto maior o desejo insaciado maior a carência ou a demanda por afeto. No seu caso, a força dos desejos é proporcional à força da repressão, e da expectativa de realiza-los sem precisar se comprometer. Como tudo o que envolvia relações e afeto lhe parecia confuso, maior podia ser a sensação de fracasso, a insatisfação, o isolamento e a frustração. E tanto maior a expectativa de saciar a fome do seu desejo.

Em geral quando isto ocorre, um dos desvios compensatórios pode ser a perversão o que também pode favorecer o aumento da repressão moral como forma do sujeito administrar a força de suas pulsões incontroláveis originárias do inconsciente.

No sonho você se aconchega, assume a atitude de aproximação, ainda não é capaz de assumir o seu desejo. Qual o seu desejo? Já lhe disse, distinga-o e procure a sua satisfação.

A postura defensiva se transforma, os conceitos são resignificados, mas permanecem resíduos de repressão, agora, revestido de “avó”. Velhos conteúdos, arcaicos, de referência feminina ou de mulheres do passado, que se contrapõe ao seu tempo, E você... Sem saber se segue a referência antiga, princípios de conduta social antiquados ou se liberta e assume a mulher que se permite seguir em busca da satisfação de seus desejos.

Sua tendência foi se proteger na repressão moral referendada em conceitos de gerações passadas.

Conceitos, preconceitos e novos conceitos. Esta é uma questão que envolve qualquer geração. Ser como a modernidade permite ou ser como foi a mãe, ou a avó? Arriscar a imagem pessoal e se mostrar como Devassa? Vender a imagem de Virgem Imaculada, ficando protegida socialmente mas sendo atormentada pelos desejos que corroem as entranhas?

Novamente a questão do Sagrado e do Profano.

Transformar-se no ideal de virgem santificada não acometida pela "sujeira" da sexualidade?

Arriscar-se no universo mundano, se permitindo a busca do êxtase carnal, se perdendo nos beijos profundos, na volúpia da  da carne penetrada, se entregando ao pecado e assumindo a mulher dona da própria vida, do destino e dos prazeres e da fantasia erótica?

Eu, pessoalmente, não vejo neste dilema um caminho fácil. Muitos apenas se lançam instintivamente realizando as pulsões da carne, mas para muitos isto pode significar um "suicídio". O dilema é crucial, renunciar ao pecado e viver a santidade, atormentada pelas fantasias do irrealizado? Ou se entregar à luxúria em busca de afeto, mergulhando no pecado e arriscando-se a se debater no inferno de Eros sem encontrar o caminho de volta para o sagrado? Ou acreditar que se pode megulhar na luxúria para arriscar encontrar o sagrado dentro do erotismo?

Não importa o caminho, cada um que escolha o seu, mas que seja um caminho vivido plenamente, para que no amanhã não exista o arrependimento do não vivido, que possa representar o grande fracasso e frustração. E óbvio, ter no mergulho o senso de se proteger porque o tempo é o senhor da razão, e ninguem deve ser tão tolo a ponto de acreditar que mergulhar nessa gosma de líquidos seminais e orgânicos não gera consequências indeléveis.

A questão do trabalho surge como o princípio de realidade que precisa ser considerado. É a grande referência, das conquistas pessoais: aprender a navegar nesta realidade para não morrer afogado na fantasia do irrealizado.

No sonho o trânsito pesssoal ainda indica rush, pouca luz sobre o tema, meia luz, as coisas não são muito claras, definidas. E as escolhas carregados de dúvidas ou conflitos. Comprar ou não comprar, trabalhar ou não, manifestar o desejo ou esconde-lo, etc. A estima ainda precisa ser consolidada e a libertação do julgamento alheio é o caminho para encontrar a maturidade.

A relação entre masculino e feminino vai sendo restaurada e caminha para relação interior mais harmonizada.
A jornada pelo aprioramento é assim, enquanto seguimos e rompemos as dificuldades mais suasve se torna a jornada mas mais dificeis e complexos se mostram os desafios a serem vencidos.

De resto uma certeza:

A vida é um grande desafio
para que se possa realizar os anseios do espírito.
É preciso arriscar,
É fundamental se lançar
para que possamos experimentar seus sabores e aromas,
Mas é imprescindível não se deixar morrer.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DESEJOS, CARÍCIAS E EROTISMO


Carla 151

Sonhei que estava com meu marido e ele era negro. Meus sogros também estavam no local (acho que estávamos na cozinha da casa), mas não os vi. Beijei meu marido e ele, muito assanhado (como uma criança que está prestes a ganhar um brinquedo), disse que ia me esperar no quarto. Antes que ele se retirasse fui dizendo que não era momento para sexo, pois eu ia ajudar minha sogra a preparar a janta. Ele voltou e compreensivo perguntou se mais beijos eram permitidos. Respondi que sim e ia lhe ressaltar algo que já cansara de explicar que não gostava (ele estivera acariciando minhas partes intimas durante o beijo) quando ele demonstrou que já sabia do que se tratava (ele levantou as mãos num gesto de desculpa e depois abraçou-me de modo comportado). Continuamos a nos beijar num cima muito agradável. Eu o sentia mais como um amigo-marido do que como um marido-amigo e isso gerava uma entrega muito tranquila, pelo menos da minha parte. Eu sentia como se estivéssemos há anos casados e gostava de fazer viver aquele clima não de marido e mulher, mas de amizade, romance e respeito mútuo.

De todo modo, acho que ainda há algo não esclarecido por trás da minha resistência interna de entrega sexual. Se a química dos beijos era tão boa, porque a severidade da minha parte de não permitir algo além? É como se eu estivesse testando minha parte masculina (na sua submissão) ou estivesse com meu lado feminino bloqueado por algo que não sei definir.

Essa negação parece-me a forma aceitável como você, no seu estado tradicional e conservador, idealiza  o comportamento social aceitável. Naturalmente isso funciona como um verniz que encobre o desejo erótico.

Qualquer adulo consegue localizar aquilo que lhe é fonte de prazer, no envolvimento sexual, e quanto mais detectamos essa fontes de prazer mais aumentamos as possibilidades de tirar da sexualidade o sumo do prazer, do erotismo e dos orgasmos, mesmo porque essas carícias quando afloram se mostram envolvidas por uma aura de mistérios, magia, cumplicidade no enamoramento e muitas vezes funcionam como preliminares do ato sexual propriamente dito.

O oposto é verdade, quanto menos abrimos possibilidades para esses envolvimentos, essas trocas, a cumplicidade dos apaixonados, e a manifestação dos desejos, mais empurramos a experiência da sexualidade para os quartos escuros restritos ao contato Pênis X Vagina, para os limites das castrações e para uma visão do sexo como pecaminoso, vergonhoso, e aceitável dentro de restrições morais.

Claro que essas trocas de carícias fora do quarto e da cumplicidade que envolve aproximam os enamorados de uma fronteira delicada entre o contato íntimo e pessoal e a manifestação coletiva, uma fronteira entre o desejo e a transgressão moral. E longe de mim querer incentivar o sexo explícito. Como o universo da sexualidade envolve uma complexidade moral, religiosa, ética, política e de direitos, é melhor que se tenha cuidado e cautela com esses limites, mas isso faz parte dos jogos amorosos, e é uma porta que pode ser aberta, mas que precisa ser administrada com perspicácia e inteligência.

Acredito que essas carícias como partes do jogo são aceitáveis e favorecem o despertar de uma sexualidade mais sadia do que outras mais tradicionais que apenas escondem sob o manto da rigidez a formação e o desenvolvimento de traços de perversões.

O sonho parece indicar o conflito entre o desejo e o medo de se soltar, a postura tradicional e conservadora e a necessidade do prazer. O um lado que lhe empurra para a realização do desejo e um que a puxa para a repressão moral aceitável. Escondendo a sexualidade você esconde o desejo e esconde a mulher adulta que existe em você. Dessa forma fica apenas a menina pura à espera do sonho, que nunca se realiza.

A imagem do homem negro, não precisa ser vinculada ao arquétipo sombra, mas reflita sobre a presença e significado do homem negro na sua vida. Pelo aspecto da reconciliação com o masculino é um grande avanço, como conteúdo oposto. Mas sem esquecer que é um oposto carregado de afeto e de sexualidade e reprimi e castrado pela força do feminino moral.

Você está precisando relaxar e... Aproveitar melhor as oportunidades de viver a vida adulta. A sexualidade é conteúdo que envolve o universo adulto, deixamos as bonecas e as brincadeiras de criançinhas e descobrimos as brincadeiras  e os jogos adultos. Ser adulto e não viver isso é cumprir com as obrigações, pagando o preço da responsabilidade do mundo adulto sem desfrutar o prazer e provar o manjar na noite da existência.

domingo, 11 de julho de 2010

DESEJOS OCULTOS



Diamente Wittelsbach
CARLA 105

Como ainda há 30 dias pela frente, tomo a liberdade de lhe enviar meus sonhos até quando der... Dessa noite só recordo os dois sonhos anteriores ao momento do despertar.

No primeiro eu lembro só da parte final: eu estava com uma turma e eu cheguei perto de um rapaz, abracei-o na cintura e disse que gostava muito dele como se ele fosse um irmão para mim. Como era amiga da namorada dele, sabia que ela não ia ficar com ciumes por conhecer minha índole moral. Não sei por que eu falei isso, mas sei que teve um motivo específico além do fato de realmente gostar dele: era como se eu não estivesse disposta a acatar seus conselhos ou algo assim. Era como se alguma coisa entre nós pudesse ameaçar nossa amizade (se acaso ele achasse ruim), algo que eu não desejava. É uma pena eu não lembrar sobre o que eu conversava anteriormente com ele e os demais do grupo. No que saímos caminhando, esse rapaz subiu no passeio (que era muito irregular) e eu o acompanhei. Estávamos indo para a rodoviária, pois eu ia viajar com minha mãe que houvera ficado hospedada num hotel. No meio do caminho, eu e ele encontramos umas pedras preciosas e cristais no meio de um monte de terra. Havia vários tipos de pedras com cores e tamanhos diferentes, mas todas de formato redondo a ovalar. A turma seguiu adiante. Ele catou algumas pedrinhas, mas eu queria catar tudo. Também havia umas sacolas com vários sabonetes, shampoos, condicionadores e demais coisas que eu também queria. Pedi-o para me ajudar a pegar as pedrinhas, mas ele não me ajudou como se eu estivesse exagerando em querer tudo (essa foi a minha impressão). Meu encanto era grande. Outra vez um sonho donde estou sendo agraciada com produtos de beleza.

Aqui parece-me uma recorrência de sua forte ligação com os objetos foco de seu interesse. Aparece a compulsão possessiva. Esse comportamento de querer tomar posse daquilo que lhe desperta o interesse. A dificuldade de escolher: quem tudo escolhe, tudo acolhe, tudo possui, porque não cosegue abrir mão do desnecessário, do excesso. Quer tudo, tudo quer. O impulso para suprir a carência, o vazio, o buraco impreenchível da falta. A voracidade.

Tendo a considerar de forma genérica os objetos, já que cremes e shampoos como objetos de seu interesse podem realçar a voracidade da conduta possessiva ou a carência que anseia satisfação, saciação.

Sua rigidez moral, mediador de sua relação ética com o mundo, não impede os desejos, a atitude de sedução ou a cobiça no boy da amiga. Mesmo que a intenção moral prevaleça, a segunda intenção parece estar implícita no contexto, ainda que protegida na indicação de irmandade da relação homem mulher. Não se superestime nem subestime o outro. As relações sociais afetivas, muitas vezes escondem desejos secretos moralmente inomináveis mas que realizam intenções subliminares nem sempre aceitáveis.

As pedras preciosas simbolizam a transmutação do opaco para a transparência, das trevas para a luz, do incompleto para o completo. É a grande Obra. Quando enveredamos nesta jornada nos descobrimos pedra bruta e com o trabalho de lapidação podemos nos transformar na pedra preciosa. Mas esse trabalho Lapidar nos exige renúncia, desapego, compaixão, purificação, maturação, preparação.

Não é pouco! Sempre penso na compaixão divina pelos pequenos. Somos frágeis, delicados, despreparados, entre outros detalhes, a preparação significa o fortalecimento da alma, do espírito para poder vislumbrar a força da luz divina. Esse fortalecimento como a lapidação, aumenta a nossa resistência ao sofrimento, aos desafios, às provações, aos confrontos e quando amadurecemos ficamos preparados para “ver” o indivisível sem sucumbir à força do seu brilho. Trabalhe o desapego, aprenda a solidão, fortaleça o espírito, consolide a paciência, renuncie à insignificância, ao encantamento, ao apego, etc. assim lapidamos o espírito.
De qualquer forma é visível que ocorrem mudanças na sua relação com o masculino e começam a aflorar os caprichos, desejos, seduções, manipulações e inteções escondidas e mascaradas pelos bloqueios que existiam e que impediam o desenvolvimento dessa relação e a visibilidade desses conteúdos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

DESEJOS E PECADOS


CH 80
Sonho dessa noite: Eu subia uma rua levemente inclinada e tinha uma longa parte toda coberta com um pé de maracujá cheio de frutos. Não resisti a tentação de querer levar uns para casa, mas parei na espera da rua ficar vazia. Fiquei sem graça pensando que alguém poderia me chamar a atenção. Embora houvesse muitos frutos, eu não sabia de quem exatamente eles pertenciam. Entretanto, como a rua nunca diminuía seu intenso movimento de pedestres passando nas calçadas, arrisquei-me e colhi três maracujás. Eles estavam grandes, compridos, pesados e variavam entre o tom bem amarelo para os mais lisos e um amarelo beje para os enrugado. Eu fiquei com as mãos um pouco cheias e pensei que seria muito bom se encontrasse ou conseguisse uma sacola. Eu já carregava um caderno e um envelope. Também estava com uma garrafa de água, mas no que fui apanhar os maracujás eu perdi-a. Não lembro o resto. Noutra parte de sonho eu fui encontrar com minha prima jornalista que está fora do Brasil num Au Pair. Parece que nós íamos ensaiar umas músicas para cantar em grupo ou algo do gênero. Ela estava terminando uma reunião com um monte de pessoas aparentemente importantes e que rapidamente me foram apresentadas. No que estávamos indo para sua sala, passamos por um grupo de crianças, provavelmente de cinco a seis anos, que pintavam auto-retratos perfeitos e me senti rebaixada em minhas capacidades artísticas. Aquele lugar que me era desconhecido parecia um grande núcleo encantado de artes variadas como música, dança, pintura, artesanato, etc. Infelizmente não lembro mais nada.

A fruta é símbolo do desejo, da satisfação do instinto de sobrevivência, o alimento da fome carnal, o alimento da carne e dos desejos da carne.

A imagem do seu desejo lembra-me o pecado original: Eva colhendo o fruto, experimentando o desejo, indo na busca de sua satisfação. A diferença? Eva colhe a maçã e você quer colher o maracujá.

Mas para cometer o pecado, você preocupada com a indiscrição e olhares alheios, não se arrisca. Se reprime, castra o desejo com medo da condenação coletiva. Mas a força do desejo pulsa e você consegue romper o bloqueio, o medo de ser descoberta pecando, e cata as frutas. Mas...

SURPRESA!!!

Suas mãos estão carregadas de coisas, são tantas que seu prazer é castrado. Carregadas de quê? Caderno e envelope; Conceitos escritos, principios registrados, linguagem e abertura ou fechamento. Envelope pode ser associado com virgindade. Possivelmente você não é mais uma virgem casta, já experimentou o sabor da “fruta”, o envelope, porta do pecado, foi aberto, mas... Faz-se virgem e casta, ou se comporta como uma. Pode também ser a origem do desejo do casamento (sonho anterior), já que no casamento o pecado é “permitido”.

A sequência do sonho te leva para a questão ainda em evidência de sua baixa estima. Associado, à sua dificuldade de realizar o prazer, podemos pensar que sua atitude, repressiva e castradora, reduz sua autoestima. E a questão das artes sinaliza sua dificuldade de sublimar seus desejos, ou seja, você não vem conseguindo sucesso na sublimação de seus desejos, ao contrário, se sente fracassada e inferiorizada.

A quantas anda sua questão sexual? está em dia? tem dificuldades de satisfazer seus desejos? Reflita.

O que me impressiona nesse sonho é a capacidade do inconsciente de construir a mensagem. Bela é a construção do seu sonho, não a leitura.

Ah! E a rua é a subida, o acesso à questões mais amplas, que merecem um olhar, consciência acrescida, ascensão, relação entre o indivídual e o coletivo.


quinta-feira, 27 de maio de 2010

FRAGMENTOS SENSAÇÕES

Branca de Noiva

CH76
Terceira sensação:

um casal de noivos recém-casados saíram da festa e foram para um quarto. O noivo queria dormir ali, mas ela achou que não seria bom, pois no dia seguinte todos estaria lá para acordá-los e tirar a privacidade deles querendo saber como havia sido a noite de núpcias. O vestido de noiva dela era muito bonito: todo branco, forro de cetim sobreposto com um segundo vestido de renda bordada e uma calda comprida leve. Eu assistia aquela cena como se eu fosse a noiva e ao mesmo tempo como se eu fosse apenas uma observadora.

Seu desejo manifesto é casar. O sonho compensa seu desejo. Fica a dúvida, casar pelo cenário, pela produção, para realizar e satisfazer sua autoestima de ser o foco das atenções, ou casar para realizar o encontro com a sua alma gêmea, o seu parceiro?

Qual o desejo? Inflar a autoestima ou realizar a integração de homem e mulher, masculino e feminino? Se o desejo é saciar o ego o movimento  é feito para realizar o sonho da princesa, aí o que conta é o cenário e o homem é apenas um objeto coadjuvante do filme que foi construído no imaginário. Se a busca é a integração não importa os outros, eles não têm acesso à privacidade do casal, não há como ocorrer uma invasão, o caminho é de integração.

Neste aspecto o medo, ou o desejo, de ser invadida pode estar associado à indiferenciação do individuo com o coletivo,  a construção de defesas se fazem necessárias já que o Intento individual é voltado como foco para satisfazer a imagem voltada para o coletivo.

Quarta sensação: eu estava ao lado de um homem casado que um dia havia gostado de mim. Senti-me melancólica não pelo fato dele ter casado, mas sim por ter deixado de gostar de mim igual anteriormente. De toda forma, eu não me arrependia de não tê-lo querido no passado e nem pensava em ter nada com ele além de amizade em respeito a seu atual casamento.

Quando o futuro é vacilante, o passado é resgatado como referência. Ou o passado surge para que possa reavaliar os princípios que determinam suas escolhas. Arrepende quem faz escolhas mal feitas, e se a escolha foi mal feita é porque não se pesou devidamente o que deveria ser pesado. No sonho uma característica salta: “Senti que eu poderia ter gostado dele se ele houvesse sido mais insistente.”, a sua vida e o seu futuro entregue ao poder do outro de decidir e escolher. Sua escolha é definida pela escolha que o outro faz. Você repete o velho padrão de quem sonha e deseja que o outro modifique e transforme a sua vida. Faça você essa transformação, para que no futuro não se arrependa por omissão ou falta de posicionamento.
Quinta sensação: eu estava num local donde acontecia um processo de exorcismo. Eu segurava uma janela pequena de madeira (ela era de frestas e por trás havia uma cortina preta), pois espíritos malignos queriam entrar e me atacar. Nisso uma ratazana furou a janela e mordeu meu dedo. Ao ver o sangue eu fiquei com raiva e enfiei um pegador de roupa na goela do bicho soltando-o pela janela do prédio. As demais sensações são tão vagas que nem vou tentar descrevê-las.

Eu gosto disso, quando provocada você consegue uma reação, a iniciativa de responder no mesmo tom. Penso que isto ultrapassa a simples reatividade, pois do âmago surge o que você é, por detrás da máscara, surge a pessoa que responde, que não se permite ser aniquilada, atacada, que não se importa com a imagem de perfeita e de boazinha. A energia, a iniciativa, a capacidade de mobilizar uma ação positiva, um ataque, existe, mas por enquanto existe por trás da janela. É preciso conhecer este lado forte, ativo, determinado, seguro, sem medos, para que possa tirar melhor proveito dele, para que deixe de ser um resultado apenas dessa capacidade reativa e pulsional.

Significativo é que os espíritos malignos são conteúdos do arquétipo Sombra, conteúdos de inconsciente ainda não integrados e que segundo Jung são “a coisa que uma pessoa na tem o desejo de ser” (CW16p470), este é o lado negativo da pessoa, a soma das qualidades desagradáveis que o individuo quer esconder, o lado inferior e primitivo da natureza do homem. Para Jung, todos têm esse lado sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do individuo mais negra e densa ela é. Quando a manifestamos podemos reordená-la, quanto mais a reprimimos mais a isolamos e mais forte ela se fortalece para romper a repressão e aflorar à consciência. Como um vulcão em erupção. Somo contituidos dessas duas naturas, luz e sombras, fazemos pouco quando nos escoramos na construções de imagens, do virtual, que nos espelha. Imagens não se sustentam, se mostram inconsistentes. Precisamos iluminar nosso lado sombrio para integrarmos os opostos.

Essa repressão voce exerce sobre esse seu lado a partir do seu perfeccionismo ou pela severidade de sua rigidez construída na imagem de perfeccionismo na sua vida. É como selar um vulcão com concreto armado. O individuo acaba pulverizado pela força que armazena, concentra e reprime.

Já próximo ao despertar, tive um sonhos que conservei melhor em mente. Minha mãe me chamou para ir com ela num banheiro público. Não sei em que tipo de local estávamos. Ao chegar no banheiro feminino haviam dois homens transitando lá dentro. Minha mãe sem ao menos fechar a porta, fez as necessidades dela enquanto eu, de longe, olhava a cena estando estarrecida pela tranquilidade de minha mãe e indignada pela presença (que parecia natural) dos homens. Nisso o local transformou-se noutro que não sei ao certo o que era. Visualizei uma grande quantidade de homens e mulheres, sendo que um deles se aproximou de mim. Era meu marido (incrível a recorrência de ser casada! Já estou perdendo a conta dos maridos oníricos que venho tendo ultimamente). Saímos conversando do local. Logo em seguida eu parei num campinho de futebol para jogar bola com alguns rapazes (eu jogando bola é hilário, pois nunca tive vontade de praticar tal esporte). Entretanto, eu estava terminando de comer um sorvete com sucrilhos e sentei-me para acabar de raspar o copo, pois estava complicado chutar a bola e comer ao mesmo tempo. Nisso eu já estava era no sofá de uma casa. Eu terminei de comer, joguei o copo descartável fora, peguei a chave, tranquei a porta e saí. Não lembro mais nada. Desculpe a sinceridade, mas me parecem sonhos tão tolos que só estou relatando-os por saber que talvez você possa me clarear o entendimento perante os mesmos. É possível?

O sonho retoma o tema anterior da privacidade. Enquanto no anterior aparece a busca de privacidade, neste a privacidade inexiste, e lhe mobiliza uma energia reativa, desconforto frente à exposição, independente do desejo mascarado em medo, ou da necessidade de se expor, o que poderia sinalizar um conflito moral entre um desejo de se expor e a repressão que leva ao recuo. interessante que o mostrado é a natureza animal, Natural, mas que registra nosso lado matéria. Não somos apenas o abstrato e a imagem, somos carne, desejo, fome, instintos e necessidades que precisam ser saciadas. Nós ja somos a matéria explicita pois resultamos dela.

Também aparece uma severidade que leva à regras de distanciamento entre masculino e feminino. Naturalmente as regras sociais fazem essa separação, mas realça aquilo que parece natural entre mulheres e a figura masculina como invasiva.

É interessante que o tema apareça na satisfação das necessidades básica do ser humano, exatamente as que experimentam regras mais rígidas, mas quando são manifestas em ambiente público e coletivo não há como não associar com o nosso diálogo: Quando você vem a este espaço expõe suas necessidade em ambiente coletivo. Neste caso é necessário lhe perguntar se há algum conflito neste quesito. Se Há o estarrecido aparente em você é expressão de sua mãe enquanto que sua mãe é você se expondo. Compreendeu?

Há desejos de casamento? Neste momento ocorre alguma vontade maior de encontrar um parceiro? Vem sentido necessidade de namorar? Ocorre falta de sexo na sua vida? Há carência de troca de carícias? Está se sentindo só? Pense porque em caso negativo a sinalização de casamento é apenas da dinâmica interna de conteúdos que já se configuram mais integrados.

E para completar: sua vida está sedentária? O corpo pode compensar sua necessidade de exercícios físicos devido ao sedentarismo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CARÍCIAS E ÊXTASE

Beijos orgásticos
CH 61

A segunda lembrança que tenho é de estar aos beijos com um rapaz em um local público, mas não lembro exatamente que tipo de lugar era. Havia outros casais, eu estava bem tranqüila e segura de mim. Eu beijava-o apenas com os lábios de maneira lenta e longa conforme o gosto dele, mas procurava me satisfazer também. Houve um momento em que eu tentei um beijo de língua, mas ele demonstrou desagrado e respeitei-o buscando outras formas de agradar-me do beijo e realmente eu conseguia isso. Era como se estivéssemos descobrindo maneiras agradáveis de nos beijar dentro do gosto pessoal de ambos e, assim, usufruir o momento para troca de prazer. Eu não sentia existir laço de compromisso entre nós, ou seja, não existia afeto de forma mais profunda (creio que de ambas as partes). Interessante notar que eu me sentia favorecida por isso e até posso dizer que essa era a minha segurança maior. Parece contraditório dizer que sentia segurança por não haver compromisso ou amor, mas eu focava a existência de liberdade, respeito e nenhuma cobrança. Embora no sonho ele fosse um rapaz desimpedido, esses sentimentos me remetem aos relacionamentos que já tive com homens casados. Outro ponto interessante é que eu me sentia no domínio da situação, não no sentido de posse ou de autoridade sobre ele, mas no sentido de autonomia, de coragem para me satisfazer, de capacidade de autodesempenho sem medo de desagradar. Essa sensação me é falha na vida real, não só em questão de relacionamentos, mas com tudo em geral. Também notei que sendo mais ativa do que passiva eu me sentia na posição de homem, não de forma literal, mas de forma crítica ao que eu estava fazendo, ao meu comportamento. Claro que no sonho isso não me incomodou e nem deveria, mas na vida real eu não sou tão ativa e atuante assim. Sei que é besteira, principalmente no século atual, separar ativo para masculino e passivo para o feminino, mas na prática isso sempre me freou as atitudes. Raras foram às vezes que consegui tomar iniciativa perante uma figura masculina, independente da idade. Talvez isso até indique submissão, mas creio ser uma rigidez de postura passiva que joga a obrigação sobre o mais forte. É como se eu fosse antiquada por vontade ou, ao menos, por culpa própria.
Houve um momento em que tive orgasmo apenas com os beijos e senti-me estranha por ter provocado, permitido e sentido aquilo antes da hora. Nisso começou a pingar muito de um liquido azul da minha vagina como se fosse tinta bem escura. Só dava para notar que era azul quando a mesma caia no chão e esparramava. Fiquei muito assustada com aquilo pela anormalidade do fato. Questionava-me se teria feito algo errado para aquilo estar acontecendo comigo. Existia um sentimento de culpa, mas eu também pressupunha que apenas sentia aquilo por causa de crenças castradoras que existiam em mim. Em seqüência jorrou uma bola do mesmo liquido na cor vermelha e pensando ser sangue coagulado fiquei tranqüila pois, embora aquilo não fosse normal, ao menos sendo vermelho eu sabia que era sangue. Depois disso eu voltei ao normal e então acordei.
Confesso que fico chocada com sonhos desse tipo, pois são muito estranhos e não sei o que representam. Pode parecer um absurdo, mas acho que eu sou machista por natureza. Estive pensando como eu seria se fosse um homem. Creio que eu buscaria uma mulher exatamente como sou, ou seja, mais recatada, caseira, que gosta de trabalhos manuais e que aprecia a natureza. Não que eu quisesse ser homem, mas sinto que enquanto sendo mulher eu sou agravada por minhas próprias crenças antiquadas.
Será que o sonho representa que ainda estou na tentativa de reconciliação de anima X animus?
Em terceiro eu não lembro ao certo que local eu estava, mas havia várias pessoas. Comentei da gravidez que deu errado e um rapaz ao escutar interessou-se pelo assunto e curioso perguntou se eu tentara ter um filho que sofrera aborto espontâneo. Respondi que não e minha irmã me olhou com ar de reprovação. Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido. Entretanto não estava disposta a falar mais nada na presença de minha irmã e só completei dizendo que era uma longa história. Ele perguntou se algum dia eu poderia lhe contar e disse que sim, talvez num momento mais propício. O ar de reprovação da minha irmã sentenciava que eu não devia contar minúcias da minha vida a um desconhecido. Embora não concordasse por não ver malefício algum em contar sobre meu nascimento, preferi fazê-lo quando sentisse livre da presença dela. Talvez minha irmã não concordasse com a idéia que eu refletia sobre meu próprio nascimento, mas não senti que seu olhar repreensivo tenha sido por isso.
Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo. Tal sonho me soa como um absurdo, mas se sonhei com isso deve haver alguma mensagem válida. Qual seria?


CARÍCIAS E ÊXTASE II



êxtase no orgasmo
CH 61
A atitude pode, sem dúvida, chamar de Proativa. Você se assume no seu desejo, rompe com o tradicionalismo, o conservadorismo, o Modelo de mulher incorporado, por você, como o adequado, o valorizado, o idealizado, o aceitado pelos seus princípios e valores, e exercita a sua experiência pessoal de ser mulher, como individuo que se dá o direito de se descobrir na busca do que lhe dá prazer, satisfação dos seus desejos, fantasias.

Sua experimentação pode deixar-lhe desconcertada, pois rompe com o seu modelito clássico de mulher, qu funciona focada no prazer do homem, como objeto de prazer dele, para avançar na busca de carícias que lhe satisfaçam sua demanda afetiva.

Poderíamos por exemplo pensar em possível fixação oral, ou numa demanda oral que satisfação sua carência oral, sua relação de simbiose não completada e não finalizada. Mas pessoalmente pensão que numa analise de sonhos podemos utilizar a referencia conceitual apenas como referência de leitura e não mais que isso já que o conceito pode ser reelaborado a partir da satisfação da demanda.

Pouco pode significar para você se descobrir conceitualmente prisioneira de uma fixação oral em decorrência de uma oralidade não satisfeita na fase de vivência simbiótica com a mãe. Mas muito pode significar, para você, a vivência oral realizada no exercício da sexualidade adulta que lhe permita viver o não vivido e se libertar ou liberar energias aprisionadas na frustração naquele momento do passado.

Para essa liberação não basta apenas viver a sexualidade de forma plena ou na expectativa de que o outro satisfaça o seu desejo. É necessário que você parta em busca do seu prazer, siga a referência íntima de sua necessidade, dos seus desejos e de seus impulsos.

Isto pode parecer assustador e chocante, primeiro por que nos colocamos alinhados, ou sob o poder da força dos desejos, na satisfação dos desejos e em geral nem sabemos de onde vêm e onde eles podem nos levar. Mas a consciência nos guia, pois permite, nesta jornada do imponderável, exercitar-se dentro de princípios e limites de segurança e do bom senso. Não como coletivamente como na música de Milton Nascimento: “Sede de viver tudo...” vivido no passado por uma geração. É preciso se permitir proativa, descobrir seus desejos e o caminho de saciá-los, sem colocar no outro a responsabilidade de que ele faça-a feliz e realizada.

A sexualidade está no seu corpo, na sua energia e é preciso se conhecer, para que até dela possa se libertar ou transmutar, no tempo devido, essa energia e transcender de forma plena.

A sociedade já vem rompendo com os modelos puros de homem e mulher, nas atitudes, rompendo com os modelos de ativo para falus e passivo para vagis. Mulheres que se responsabilizam pela satisfação do prazer permitem aos homens que se façam passivos e objetos de prazer para no momento seguinte serem ativos e que, ainda, satisfaçam as mulheres que gostam da virilidade máscula, ou como foco e objeto do prazer masculino. Não há modelos pré-definidos como no passado de o homem como comedor e a mulher como objeto de conquista.

Seja Livre para buscar sua satisfação e cuide da sua felicidade ou fique esperando, na janela, que o príncipe encantado apareça e que não seja castrado.

O sonho compensa seus desejos e mostra-lhe o caminho que podes seguir para encontrar sua satisfação ou para satisfazer seus anseios. Você não tem que ser mulher assim, ou homem assado. Você precisa encontrar o seu caminho pessoal para ser feliz, é o seu direito e é o seu dever, consigo mesma. Você precisa refazer conceitos, e deixar que essa mulher que existe em você aflore e mostre a sua força, beleza e determinação.

Parece-me que carrega há anos essa ideia de flagelo e culpa. Rompa com esses preceitos incorporados sabe-se lá de quem. Você está viva. Se não era para ter nascido, nasceu! Já que nasceu, cumpra seu destino de viva e não seu destino de morta, seu destino de viver e não o de morrer. Existem questões que não nos cabe pelo absurdo e insólito que se mostram. Se você vive é graça de direito divino... VIVA!!! RELAXE e... GOZE. Pois assim que o tempo passar a Madalena se santificará.

Quanto a isso é necessário que reflita uma questão básica; Se você não abre espaço para realizar sua demanda pessoal, você entra em um RUSH energético que pode lhe provocar doenças orgânicas de todos os matizes possíveis, distúrbios e transtornos. Enfim, infelicidade. É difícil, mas carregamos um corpo animal que anseia realizar instintos básicos e administrá-lo definirá sua transcendência. Há quem acredite em flagelo libertador, no chicote, no sofrimento, na punição, no castigo. A escolha é sua.

Viver, é o digo sempre, não é uma festa. Exige-nos, permanentemente, no limite. Mesmo em cenários de orgasmos, abandono e lassidão. E não nos resta, em consciência, outra atitude senão atravessar esse melancólico vale de sofrimentos. Dependendo da forma como o atravessamos temos a chance de aplacar as dores e encontrar caminhos sublimes e suaves, como agradáveis manhãs primaveris e até alongar esses momentos como se nos blindássemos por méritos e conquistas nos confrontos e no dever cumprido.

Mas não se esqueça: Não faça sua vida mais difícil com tanta severidade, punição e perfeccionismo. Você é apenas uma mulher... simplesmente uma pessoa...



sábado, 16 de janeiro de 2010

DESEJOS 1


   
Essa coisa de sonhar e analisar os sonhos está ficando cada vez mais interessante! Acho que nunca tive um sonho tão sensual e exatamente por isso tão agradável como o dessa noite. Eu estava num quarto muito sofisticado, parecia um motel feito especialmente para milionários. Eu retirei meu roupão e apenas com uma meia fina branca que batia pouco abaixo do joelho e salto alto, deitei na cama larga, alta e cheia de almofadas. O sonho pareceu muito real de forma que eu podia sentir confortavelmente o forro de cetim prata que cobria a cama como se eu também estivesse dormindo sobre um lençol de cetim. Nisso meu acompanhante apareceu: um deus de homem que trabalhava como fotógrafo e modelo. Não sei o que eu era, mas não tive a sensação de sermos famosos. De todo modo, mesmo que eu não fosse fotógrafa profissional, sabia que também ia tirar fotos dele posteriormente às minhas. Diante de um homem tão bonito olhei para mim mesma e verifiquei que meu corpo era escultural: músculos definidos, nenhuma celulite, estria ou gordura localizada. Eu era perfeita também e isso me deu segurança como se fosse uma surpresa ver-me tão bela. Sempre me achei bonita e, mesmo não sendo nada vaidosa, contraditoriamente busco realçar e aperfeiçoar mais minha beleza tanto interna quanto externa, pois gosto da beleza simples e acho que ela ajuda sim a dar segurança e alto-astral a uma pessoa. Geralmente eu costumo me imaginar fisicamente quase igual a como estava no sonho, pois isso me dá animo e alegria para as atividades físicas, além do que, realmente creio na possibilidade de mais bela ficar, embora não tenha idealização de ser tão perfeita fisicamente quanto no sonho. Voltando a este, tanto eu quanto ele éramos com certeza duas criaturas de desejo sexual para homens e mulheres por conta da beleza fora do comum. Eu sabia que ele gostava de tirar fotos minhas, pois estas não precisavam ser retocadas em programas de computador como o Photoshop. Em qualquer ângulo eu saia perfeita!

DESEJOS 2






  
No que ele apareceu eu levantei da cama e beijei-o nos lábios perguntando em seguida se ele estava pronto. Dentro do sonho eu não sabia o que ia suceder e fiz a pergunta baseada no ato sexual que por certo teríamos. Eu estranhei porque ele parecia distante e ainda não tirara o roupão. Levantando-se ele pegou a maquina fotográfica e respondeu: ‘Vamos tentar, se não der a gente deixa as fotos para o final’. Daí eu entendi o que estava se passando como se uma lembrança de que íamos tirar fotos houvesse vindo em mente. Visualizando tudo com mais entendimento pela lembrança sobre o fato de que íamos tirar algumas fotos antes, pensei que ele tinha de se segurar, pois eu não estava disposta a me maquiar e arrumar os cabelos outra vez, muito menos depois de liberar minhas energias sexuais, ou seja, eu ia perder toda a expressão física de excitação, exatamente o favorável para as fotos provocantes e semi-nuas. Pensando nisso comentei que ele dava conta tranqüilo de tirar as fotos antes, pois o mesmo acontecera no dia em que havíamos nos conhecido. Embora tenha dito isso, para mim não ficou claro ‘fora do sonho’ como havíamos nos conhecido, apenas o fato de que não fora através de fotografias tão ousadas. Foi como se eu houvesse falado sem relembrar-me da ocasião em si. Rindo ele respondeu: ‘Você que não sabe de nada. Vou te contar um segredo. Nunca houvera me sentido tão excitado e desestruturado em todos os sentidos como me ocorreu no momento em que lhe vi pela primeira vez’. Eu sabia e imaginava o quanto devia ser difícil para ele, pois eu já me sentia imensamente excitada, quase querendo desistir das fotos. Adiantando a urgência de acabar logo com a sessão fotográfica, ele arrumou o cetim embaixo de mim fazendo-o ficar levemente desarrumado e deu-me uma comprida e grossa estola de pluma cor de rosa. Ele pediu-me para abrir as pernas levemente flexionadas e arrumar a estola de forma a tampar a vagina, cobrir um seio, passar por trás da cabeça e terminar no outro seio, de forma que eu ia colocar cada mão de encontro a um seio para segurar a estola. Posicionei-me para a foto e, no momento em que ele bateu o primeiro flash, eu acordei. Foi impossível dormir outra vez, mesmo que eu quisesse adentrar no mundo onírico e lá ficar pelo menos mais algumas horas. Em quesito de erotismo e sensualidade, mesmo não sonhando com um ato sexual em si, esse sonho foi muito ousado, pois nem mesmo em sonho, ao menos que me lembre, tivera anteriormente me sentido vivendo momento tão fortemente desejável. Eu me sentia completamente bem com meu corpo, feliz com meu parceiro, com as fotos, já que adoro ser fotografada inclusive seminua, enfim, foi um sonho além de qualquer expectativa de sonho que eu pudesse desejar sonhar, quer dormindo ou acordada. Agora minha única curiosidade é: porque tive esse sonho? No sonho anterior você me disse que não o percebia apenas como compensatório, mas como indicativo de ajuste de equilíbrio entre meu lado masculino e feminino, de mudanças e progresso. O que no subconsciente poderia ter me concedido esse sonho?

DESEJOS 3 - Leitura



                                       

Vejo em seu relato crescimento na narrativa. Você avançou na descrição e relato de seus sonhos, já identifica sensações, emoções, conceitos, sentimentos, pensamentos, expectativas. Para ver a diferença basta rever os relatos iniciais e os recentes. Pode parecer pouco, mas não o é. Isso é maturação, facilita a sua percepção da experiência onírica, facilita a leitura do sonhos, consequentemente a compreensão, já que nos aproxima de sua experiência vivenciada. Isto é para mim sinal de consolidação e maturação no desenvolvimento.

Não tenho como avaliar se o sonho é compensatório, faltam-me informações quanto à sua vida sexual: hábitos; frequência das relações sexuais; tempo de envolvimento, hábitos de preliminares e ato propriamente dito; hábitos; desejos; fantasias; fantasias realizadas; parceiros ou tipo de envolvimento; pré-requisitos que lhe permitam chegar ao envolvimento sexual; etc. Por exemplo: existem mulheres que escolhem o homem vão pra cima, realizam a conquistam e “comem” o homem. Desculpe o uso da linguagem xula, mas é para dar uma ideia do exemplo. Essas mulheres são matadoras. E mesmo que tenham a saciedade, sexual e física, superalimentada, não quer dizer que não tenham sonhos sexuais compensatórios. Podem até não tê-los por estarem esgotando o desejo nos orgasmos ou a energia, mas necessariamente as matadoras podem não ser orgásticas. Podem apenas ser “Don Juans” femininas, conquistadoras, e exercerem a sexualidade como forma de competição e de exercício de poder. Ou seja, mesmo que andem por aí “comendo” os homens podem ser sexualmente insatisfeitas (a sexualidade envolvem outras dimensões relacionais).

Você mesma pode avaliar se seu sonho, no aspecto sexual, está sendo compensatório, não é necessário me dizer. Mas o sonho pode ser compensatório em outros aspectos, como tentarei lhe mostrar na leitura.

Naturalmente vivemos em uma Sociedade Narcísica Moderna (veja sobre o narcisismo no Blog “Jornada D’alma”, o link está ao lado, pesquise espelho, narcisismo, autoestima). Qualquer associação ou semelhança com o passado é passível de erros já que o momento histórico que vivemos é único na jornada humana e, se o passado serve de referência, não pode ser mais do que isto ao fazermos uma leitura dos fenômenos psicossociais que nos envolvem. E se vivemos nessa Sociedade Narcísica Moderna é necessário entender essa natureza Narcísica Coletiva que envolve todos numa onda de vaidades, caprichos, fantasias, deleites, luxuria, prazer e poder, para compreender um lado da representação no seu sonho. Nesta dimensão coletiva, você está absolutamente dentro do contexto desta Sociedade Sexualizada, tendo suas fantasias como mulher moderna sendo compensadas. Veja bem! A mulher atingiu um nível de igualdade com o sexo oposto que podem (e devem) experimentar, vivenciar e conhecer este universo sexual na profundidade e na liberdade que o tempo permite. Se o passado fez a mulher objeto passivo, o presente permite à mulher se fazer objeto, mas não mais passiva e sim como elemento ativo na busca de satisfação dos prazeres carnais, afetivos emocionais, sensoriais, dos êxtases, em todos os níveis, dos orgasmos e do conhecimento de sua exuberante natureza feminina. Neste aspecto o sonho pode compensar suas buscas de realizações e fantasias.

Ficam evidentes duas características de sua natureza: A vaidade (ainda que o negue); seu componente Estético. Se fosse homem poderia chamar-lhe voyeur. Lembre-se que esse tipo é predominantemente estético, e não se reduz à visão do nu alheio, mas à composição estética em que está inserido. Para mim este aspecto ainda é realçado por uma fase de desenvolvimento pessoal – pelo qual todos passam- e que me aparece como sinal de mudança de estágio de desenvolvimento da consciência. Exemplo: Na adolescência, em geral, o adolescente passa pela fase da vergonha (já vi isso acontecer com pobres, médios, ricos e milionários), ou seja, o fator determinante não é apenas a autoestima ou a condição social, mas é um das primeiras pulsões que levam o sujeito a sair de si (da introspecção, ensimesmamento) atraído pelo cenário externo associado à sua condição de circular neste cenário. Este é para mim um dos primeiros sinais da construção do senso estético do individuo (o que não quer dizer que não haja pessoas com capacidade perceptiva acionada em etapas de desenvolvimento anteriores). Essa é  uma construção que puxa o individuo para fora de si acionando seus filtros de seletividade na relação com o exterior que determinarão por toda a vida a intermediação entre ele e o mundo.

Assim o seu sonho aparece-me como uma sinalização deste processo característico de seu desenvolvimento, você compensa sua necessidade estética, sua demanda pessoal, sua visão de mundo. Ah! Poderia fazer uma associação imediata entre o fotografo, a imagem, o espelho e a vaidade. É desnecessário, já está implícito. A vaidade ela pode ser olhada como uma característica que pode se transformar em armadilha, mas também, em determinados estágios, isso faz parte de um processo de desenvolvimento.

Agora... se a vaidade te impede  acontecimentos  se desenrolarem em tua vida, aí cuidado! No sonho o senso estético é priorizado ao ato sexual. No nosso tempo as pessoas usam muito a fala para compensar a sexualidade. Fala-se mais em sexo do que se faz. Vê-se mais e fantasia-se mais do que se faz. Isto pode ser o ficar mais no conceito, na intelectualização, na idealização do que fazer.

Vamos dizer que haja três estágios: o antes, as preliminares; o durante, o ato sexual, o envolvimento na pulsão e no desejo; e o depois, a satisfação. Muitos vêm se contentando com as preliminares, pulando o Ato, e se separando na satisfação. Encontram a satisfação não no encontro, mas na ideia do encontro.

Neste aspecto seu sonho me pareceu relativamente um “COITO INTERRUPTO”, foi interrompido pelo Flash, pela lente, pela luz do fotografo. Veja que a luz tem representação ativa, é masculina e fálica e realiza a penetração do “Falo”, não pela Vagina, mas pela vagina da menina dos olhos. O que é uma penetração tão definitiva que pode cegar ou acordar a princesa do sonho de realizar, com seu homem perfeito, a  união sexual divina. Mesmo que sua satisfação já pudesse ter se realizado com os preliminares.

Assim para finalizar (mais poderíamos investigar), me passa que você deve ficar atenta aos seus propósitos, cuidar para que a vaidade, as expectativas, as fantasias não te impeçam de realizar na realidade a satisfação de seus desejos. Às vezes esquecemos que podemos ir muito mais além, porque nos contentamos apenas com o princípio, com a ideia do acontecimento. E mais, buscar a satisfação de desejos além da estética, já que esta pode também impedir o fluxo natural dos acontecimentos. Reavalie suas priorizações. Por ora é o que me passa.

                                                                                  Bye 


AH! Obrigado por partilhar seu sonho, independente do tema sexual, melhor dizendo, da sensualidade que exala, é enriquecedor.