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domingo, 12 de dezembro de 2010

ALTA TENSÃO




Depois um vizinho apareceu desmontando os fios de eletricidade do padrão para ver como eles estavam ligados, pois na sua casa estava sem energia e provavelmente os fios deviam ter se soutado. Logo veio a mãe dele com uma conhecida e a filha. Essa conhecida ficou me interrogando sobre Portugal, se eu já fora muito lá e contando de suas constantes viagens ao exterior me fez sentir humilhada e triste com minha dupla nacionalidade que em nada me favorece, já que eu nem viajo para lá. Eu estava na casa dos fundos, a qual estava alugada, quando notei que havia na varanda da casa superior, a qual também estava alugada, cinco vacas na varanda e dois porcos. As vacas pulavam na porta de vidro como se fossem cachorros. Elas mal cabiam no espaço. Achei aquilo um absurdo e não entendia como minha mãe dera sua permissão para tal. Nisso um dos porcos filhotes pulou para baixo e começou a correr atrás de mim. Comecei a correr pedindo para que tirassem aquele porco de trás de mim, mas era só brincadeira, pois depois eu mesma agachei e passei a mão nele não me importando com seu corpo melecado de sujeira. Notei que dois ou três homens estavam tentando colocar uma caixa de correio no portão da garagem e já haviam retalhado (na minha visão estavam destruindo) o portão praticamente todo. Subi a escada que dá acesso ao sobrado e encontrei minha mãe e irmã dormindo, cada uma deitada para um lado e dividindo o mesmo sofá improvisado. Também sem local de ficar, elas estavam dormindo na casa superior junto com os inquilinos. Fechei a porta com cuidado para não acordá-las, e desci as escadas enquanto o tapete de retalho com figuras de mosaico que cobria toda a extensão da mesma escorregou e de péssimo humor recoloquei-o no lugar. Haviam uns cobertores que também rolaram escada abaixo e sem paciência apenas os joguei para cima. Eu queria desabafar, contar minhas tristezas para alguém, falar que estava detestando não dormir em casa, que era péssimo durante o dia ficar num local tão conturbado, mas ninguém podia me ouvir naquele momento. Não segurei as lágrias e chorei sozinha.

A vaca é a nutriz do mundo, símbolo da Terra Nutriz, ama de leite que amamenta tanto a sua cria como as crias humanas. Mas não alimenta apenas com o seu sumo, seu soro leite, mas é o animal que alimenta com sua carne, com o seu corpo a fome humana dos carnívoros.

Na índia é a vaca sagrada, e em muitos lugares é o símbolo da fertilidade, da riqueza, e da renovação. Mãe Celeste.

Animal pacífico, símbolo celeste e da iluminação representa a natureza humana e a sua capacidade de aprimoramento e transformação.

O Porco simboliza a comilança, a voracidade, ele é um sorvedouro. È símbolo das tendências obscuras, ignorância, gula, luxúria e egoísmo. È libidinoso e a ingestão de sua carne representa a estimulação da sensualidade. O seu significado oposto em algumas sociedades é a representação da abundância e prosperidade. Porcos charfudam na lama.

Corra “Lola”, corra para que a bestialidade não se apodere de você.

Existem conexões energéticas que estão sendo refeitas, religadas. Neste sentido a imagem e auspiciosa. Conexões de rede sendo plugadas podem sinalizar amadurecimento neurogenético e consequente liberação energética. Você pode precisar de energia.

Em contraposição, a falta pode ser sinal de que está gastando mais do que possuis. Se isto acontece pode ser indicação de sintomas de angústias ou depressão aflorando. Se observe no seu funcionamento para ver se não está se levando ao limite do desgaste.

O desgaste pode favorecer o afloramento de conteúdos e pulsões incontroláveis (o porco), já que caracteriza a suscetibilidade e quebra de filtros de defesa e proteção.

A sequencia do sonhos mostra que há tensão elevada. Severidade consigo mesma. Elevado grau de exigência e tentativa de controle do seu entorno. E preciso diminuir esta tensão, pelo gasto de energia, pela tensão que ocasiona, pelo desgaste do corpo e da saúde.

Uma caixa de correio é uma boa indicação de comunicação, mas na atual circunstâncias ainda pode ser pouco. Se faz necessário avançar nesta comunicação, se abrir para o mundo, abrir possibilidades de descoberta e de cotatos, sair do isolamento e se entregar ao envolvimento social, para que realize o destino coletivo que anseia se comtemplar.

E uma questão importante:

“Eu queria desabafar, contar minhas tristezas para alguém, falar que estava detestando não dormir em casa, que era péssimo durante o dia ficar num local tão conturbado, mas ninguém podia me ouvir naquele momento. Não segurei as lágrias e chorei sozinha.”

Indica que o sonho é catártico, que a tensão está elevada, que o choro regula o equilíbrio, mas que a resposta pode ser de autocomiseração.

Tudo bem! Existem momentos em que o choro é livre, que uma angústia pode tomar conta e choramos nossa solidão, porque somos pequenos diante do universo, por que somos sós, porque o esforço é excessivo, porque a vida muito nos exige, e nem sempre os projetos se realizam e ficamos impacientes, esperneamos... Mas a vida é isso e mais um pouco.

Precisamos permanentemente ir de encontro aos nossos propósitos, e nem sempre somos fortes, ou quase sempre somos frágeis, delicados e também precisamos de colo. E... se cada um está envolvido com sua vida, porque cada um tem o seu momento, e esse é o seu tempo de se descobrir cansada.

Abandone a auto piedade, seu momento de ficar com pena de si mesma passou... É hora de levantar a cabeça e seguir porque assim é o nosso destino. E mesmo que não pareça... Tenha a certeza, nós não estamos sós, há sempre um caminho ou algo para partilhar com alguém que vive ou que já viveu este mesmo momento. Porque isto independe de nós, isto faz parte das forças poderosas que nos envolvem este universo e nos tocam para que amaciemos nossa arrogância, para que possamos no amanhã sermos um pouco melhor do que conseguimos ser no hoje.





quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ALTA TENSÃO


No dia dois desse mês venci meu contrato de experiência no trabalho e essa noite sonhei que para continuar nele precisava passar num teste. Eu estava certa de que passaria, pois a mulher que me aplicaria-o disse se tratar de uma avaliação da minha índole moral. Ela ia encenar uma situação qualquer e queria analisar minha reação natural, dizendo que era para eu reagir como se aquilo estivesse de fato ocorrendo na minha vida. Assim ela fingiu ser uma criança fazendo bagunça e entre revoltada e irritada começou a arrastar uma mesa. Levei-a para um canto, coloquei-a de castigo e disse energicamente que não ia lhe dar aquela boneca que ela tanto estava querendo ganhar de presente no dia das crianças, explicando-lhe o porquê.

Daí um monte de portas se abriram e adentrou no local uma multidão de pessoas, a maioria eram homens. Agarrei-me a um deles que dentro do sonho parecia ser um namorado. Ele ia passando sério e nem ia me notar se não fosse essa outra reação natural e inesperada de o agarrar. Nisso o ambiente outra vez se transformou e notei estarmos dentro de um grande elevador. Não sei se ele subia ou descia, mas permaneci abraçada ao homem enquanto ele segurava-se com as duas mãos no apoio do teto do elevador. Nos beijamos e ainda acariciava as costas dele quando acordei sem entender absolutamente nada do sentido desse confuso sonho de três momentos em um.

O que tal sonho pode representar?

Inflexibilidade, punição, busca de uma salvação, apoio e deslocamento através de outrem?

Seria, no mínimo, interessante saber de você quando criança. Como era, tranquila inquieta, retraída hiperativa, disciplinada desorganizada, sem limites. Como adulto é perceptível que não suporta crianças sem limites e se apresenta como autoridade assumida.

A proposta é clara, ser testada, confrontada. Sua resposta é de controle e domínio da criança rebelde.

Qual seria o foco do sonho?

A criança rebelde dentro de você?

A autoridade repressora e castradora?

A tensão ou a angústia produzida pelo medo de ser rejeitada e excluída?

Não sei o significado ou importância do emprego, do seu trabalho, na sua vida. Como se relaciona com essa realidade, sua necessidade, ou como lida com o seu “fazer”. Se é sobrevivência, se o trabalho oferece-lhe oportunidades de crescimento, prosperidade.

O sonho indica uma realidade comum de conquista a partir do esforço pessoal, o presente recebido ou a exclusão como punição. E... o elevado nível de tensão provocado pela situação.
Naquele momento já havia a decisão de seu contrato? Se sim, o sonho se explica como o desmonte do nível de tensão.

O sonho:

A primeira parte realça dois aspectos: há o confronto, você é chamada a responder e responde dentro de sua necessidade de controle, domínio e organização. A resposta é assertiva, resultado de conceitos claros e limites definidos.

A severidade consigo mesma fica em realce, e mostra a insegurança e o nível elevado de tensão e angústia porque passou. Você se sentiu como uma criança e pune aquela que te submete ao teste. Sua revolta é projetada punindo aquele que te submete à condição de inferioridade e de submissão.

Falta-lhe humildade?
O patrão é opressor?
A condição como subalterna a incomoda? Seria sua vontade chutar o balde?

A segunda parte, o nível de tensão se eleva e o socorro vem no seu "se agarrar" às barras da calça da figura masculina.

Help!!

O cenário de ameaça a leva a se agarrar e a se entregar à submissão. O seu movimento é de fuga, de inferioridade, sendo levada, conduzida.

Fico refletindo sobre as portas, e a entrada de pessoas. Se ela representam a possibilidade de sua passagem ou de mudanças, neste caso elas servem para uma invasão coletiva, como uma onda que entra em sua vida e ocupa de forma tão marcante o espaço que a sua atitude parece-me regredida e submissa. Resta a questão: coletivamente o que invade e ocupa seu espaço, seu território de forma tão decisiva?

Como podes ver, eu tenho mais perguntas do que respostas. Mas nem sempre os sonhos são claros. Isto significa esperemos que os seguintes possam completar a ideia do sentido e do significado deste.

Ah! A parte final das carícias e dos toques, reequilibram seus níveis de tensão. Te trazem para a dimensão corporal, para o universo das sensações reintegrando seu sentido compensando a tensão elevada. O afeto compensa  o cenário "Sem Rumo" promovido por uma realidade que lhe exige, promovendo instabilidade emocional, e que a insere na rota de fuga. Este afeto compensa e lhe favorece o reequilíbrio.

by



terça-feira, 25 de maio de 2010

COLISÃO


  
CH 74                 
Essa noite tive muitos sonhos negativos e creio que, exatamente por isso, não consigo lembrar direito. Vou chamá-los de sensações, pois não lembro o começo e nem o desfecho, apenas um entremeio vago.

Primeira sensação: eu estava dentro de um carro que, ao ser retirado da garagem, foi batido por outro carro e empresado contra um caminhão. Fiquei num espaço muito apertado na direita traseira e, agoniada, queria sair rápido dali, mas alguém me disse que não era para sair, pois o pior já acontecera e o perigo já passara. Eu estava muito assustada e essa pessoa dizia que sair correndo desesperada e sem rumo seria em vão, mas todos os meus impulsos eram para agir em fuga e seria o que faria se não sentisse autoridade e confiança (cujo meu medo quase se fazia maior) por parte da pessoa que me falava. De todo modo, apesar da hesitação, não sei se fiquei ou não.

O SONHO

Vou chamar meus comentários de impressão, a expressão de minhas sensações:

Colisão -colidir, ir de encontro, abalar.

O nível elevado de tensão do sonho anterior se mostra mais uma vez neste sonho. O conflito (batida), pressão elevada a que está submetida (por exigência externa ou severidade das cobranças pessoais). Sonhos de batida, trombadas espelham esses conflitos e tensões e manifestam as angústias ou depressões mascaradas.

No sonho aparece o conflito a conturbação e sua resposta de fuga. Possivelmente sua necessidade de fuga seja a resposta que desenvolveu para lidar com o nível de conturbação que você se induz.

Você se conturba... Atormenta-se e... Foge (para as suas fantasias).

Neste momento a psique lhe indica que é necessário interromper este ciclo, parar de se induzir ao tormento que justifiquem comportamento de SCAPE, de fuga da realidade.

Outro as aspecto é que o cenário atual exige-lhe mais do que vem sendo capaz de suportar, o que aumenta a sua demanda para escapes.

Pode haver referência à sua condição de dependente, O carro foi retirado da garagem – sujeito indeterminado - sua condição de dependência é situação que exerce um aumento de pressão e aumenta a complexidade de sua vida.



OBSERVAÇÕES TEÓRICAS

A psique possui mecanismos que nos protegem de estados de desordem. Temos um limiar de resistência que nos protege dos impactos da realidade sobre nós. À medida que esses impactos aumentam sua pressão, nosso limiar de resistência aumenta para resistir e proteger o sistema dentro de um determinado nível de segurança para manutenção do equilíbrio.

O sistema sofre dois tipos de pressão:

1. Interno - originário da consciência, de núcleos compulsivos que acionamos ou mobilizamos, de núcleos autônomos que invadem a cãmara do pensamento;

2. Externo. – originários no meio externo, fatos e exigências de realidade e de fontes diversas.

O Mecanismo de adaptação biopsicofísico, detecta a necessidade de aumento do limiar de resistência, mas não detecta a origem, interna ou externa, da pressão. Possivelmente por que para a psiquê essa diferença não exista de forma fenomenológica, ou não haja a possibilidade de diferenciação entre o que é interno ou externo ao organismo. Outra possibilidade é que a consciência seja considerada um produto externo, um conteúdo em princípio Invasor e não uma aquisição superior.

Como dizia, como não há detecção da origem da pressão, a psique que possui o comando geral do organismo aumenta o limiar de resistência e altera as configurações de detecção de descompensações biofísicas, produz consequentemente, num ciclo vicioso, aumento dos níveis de tensão interna. Neste aspecto as mudanças também alteram os ciclos biofísicos aumentam o desconforto físico, quando alteram ciclos hormonais, e ampliam sensações que promovem desconforto corporal.

Como se a psique fosse ficando encantoada.

O resultado? Aumento das angustias, da ansiedade, de alterações dos ciclos biológicos e do desconforto psíquico, que podem aparecer nos sonhos como uma forma da psique tentar compensar o equilíbrio espelhando sua vivência. Funciona como uma forma dela se regularizar anunciando o seu desconforto.

Por isso a forma como conduzimos a nossa consciência é determinante para não ser gerador de aumento dos desequilíbrios internos. Mesmo que o cenário externo seja de tranquilidade a consciência conturbada pode sinalizar para a psiquê um cenário de ameaça, e a psique reage em estado de alarme, aumentando seu limiar de resistência frente ao impacto da pressão que sofre da consciência conturbada.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

FRAGMENTOS


CH 73 Fragmentos


Os sonhos seguintes me pareceram confusos. Lembro de cinco partes cuja ordem não sei se está correta:

Na primeira, eu estava andando no meio de um local florido, parecia uma praça, quando houve um tiroteio entre bandidos e policiais. Eu saí apressada tentando me esconder.

Nível elevado de tensão, conflitos, ansiedade, angustia, conturbação, tormento. Momento de proximidade ao perigo. Parece que em momentos de tensão elevada você sonha com bandidos e tiroteios. Angústias? Cenário de realidade ameaçadora? A praça simboliza a configuração mandálica ordenada... Flores indicam polarização para equilibrar a tensão representada pelo conflito entre a transgressão e a repressão pelos mecanismos referenciais de sociabilidade, defesa, princípios morais e éticos. Tendências de transgressão e repressão de desejos, e a psique equilibrando o conflito.

Na segunda, eu estava junto de uma turma que ia viajar e fui chamada para assinar um papel. Parece que a viagem um tanto surpresa tinha sido paga junto com o boleto de pagamento da faculdade. Perguntei para quando ia ser a mesma e a moça informou-me que seria na próxima semana. Era uma viagem internacional e além de ansiosa eu fiquei bastante feliz.

Viajar, neste caso compensa a tensão elevada, novamente aparece a ansiedade como indicativo dos limites corporais e a necessidade de fuga do cenário de tensão para compensar a tensão. Há polarização.

Na terceira, eu andava por uma espécie de bosque com um senhor (era o ator Stênio Garcia com seus 78 anos) e uma jovem, quando eu disse que tinha direito a ter uma segunda chance. A mulher não era muito de acordo, mas o senhor sim. Depois eu já estava com os dois dentro de um shopping. A mulher circulava entre as prateleiras olhando uma galeria enorme de roupas de frio e bolsas, e eu a seguia admirada com a quantidade e variedade de tudo, embora desinteressada de fazer compras. Ele andava tendo a cabeça deitada em meu ombro e, pela idade, eu o sentia como se ele fosse meu pai, mesmo que a aparência fosse diferente. Houve um momento que ele cheirou meu pescoço e eu perguntei se ele gostava do meu perfume. Ele disse que sim e continuamos andando. Num momento seguinte ele já não era um senhor idoso, mas sim um homem, e meu marido. A mulher tinha se transformado numa criança que ao cair chorou e foi acudida pelo pai, ou seja, meu marido.

Reaparece seu foco voltado para conflitos que envolvem seus direitos individuais e seu papel de vítima, seja por manipulação ou senso de justiça. Conflito, tensão, disputa, competição, defesa. As compras podem aparecer em variantes:

Compulsão de comprar para compensar a ansiedade; diminuir a tensão; preencher o vazio decorrência da angústia gerada pelo conflito que produz a tensão; conquistar e incorporar objetos que compensem a solidão, etc.

A transformação do ator em pai compensa a necessidade de proteção nos momentos de perigo. Isto pode indicar sua facilidade de se relacionar com homens mais velhos, já que satisfazem sua demanda por segurança, ou por referencias de proteção. Neste caso você busca um pai não um homem, daí a confusão de um pai marido para viver a sua vivência edípica. Tem-se que considerar o papel de ator representado pela figura masculina, Um Camaleão que assume formas diversas, característica do oportunismo de representar aquilo que lhe interessa, de pensar aquilo que lhe interessa.
A ação do pai socorrendo a criança pode ser projeção de sua necessidade de ser acudida.

Na quarta, estava eu com minha irmã e uma criança de três anos idêntica a mim em tal idade. Nisso passou um pensamento repentino pela minha cabeça e eu disse para minha irmã que eu não podia ser filha de uma criança de três anos. A menina se aborreceu e vendo-a prestes a chorar, peguei-a no colo, falando que eu estava apenas brincando ao dizer aquilo, acalmei-a e levei-a para dormir. Em seguida voltei para continuar o assunto com minha irmã. Estava intrigada pensando em como descobrir quem seriam os meus pais. Entretanto, eu não tinha ponto de partida. Minha irmã disse que era para eu fazer o exame e verificar se a mãe dela não seria a minha mãe. No sonho era como se minha irmã e mãe fossem apenas duas conhecidas. Daí ela completou a fala dizendo que o difícil seria descobrir o pai, já que sua mãe tivera muitos homens durante o decorrer da vida.

Veja que existe confusão conceitual e, possivelmente, de identidade. Conturbação mental.

A NEUROSE SE JUSTIFICA,

Para manobrar e manipular o meio, a si mesma ou às pessoas. O neurótico cai na armadilha de justificar as ações que lhe interessam, de realizar o que lhe é oportuno e que satisfaça seus desejos e não percebe que engana apenas a si mesmo, perdendo referências conceituais, se perdendo em códigos básicos, e referências sociais, familiares, de relações afetivas. A armadilha de se lançar em confusão se acreditando mais.

Internamente você ganha consciência, põe luz na escuridão, mas tudo isso é apenas o principio de uma caminhada.

Na quinta eu estava com uma jovem que tirou seu bebê no carrinho para amamentar. Ele ainda dormia, mas aceitou o alimento. Depois ela o colocou em pé para arrotar e, estranhando que ela não o segurasse, fiquei apoiando-me atrás para ele não cair.

Culpa e necessidade de se proteger da vida, insegurança, falta de confiança, domínio e controle excessivo. As recorrências de relações maternais se fazem permanentes, e me faltam, informações para associações seguras sobre a dinâmica de inconsciente no presente momento. O que a leva a uma reflexão sobre seus conceitos nas relações afetivas, familiares, como filha, como mãe simbólica, ou como futura Mãe. Reflita sobre esses conteúdos em tua vida. Como já lhe disse, há limites nesta leitura.

Que sonhos bizarros! Qual o sentido deles?

Arrisquei-me a apontar significâncias nestes fragmentos, mas são simples observações já que em dinâmica de reorganização do inconsciente até a leitura deve ser paciente e cautelosa à espera de melhores momentos. Sonhos como os fragmentos acima precisam ser olhados com paciência, cuidado, delicadeza e atenção.

Para mim eles apontam para um momento específico de reconfiguração psíquica. Ou seja de ordenação psíquica, ou de transição e passagem de um estado para um novo momento psíquico.

Necessariamente não posso considerar bizarros sonhos, ainda que os sejam indecifráveis ou se mostrem impenetráveis e sem sentido. Prefiro pensar na minha incapacidade ou incompetência em compreendê-los.

Por exemplo: seus sonhos anteriores foram, para mim, absolutamente lúcidos e claros. Se no momento seguinte não o são, é preciso compreender que eles são resultantes da dinâmica de sua vida, de suas escolhas, de sua realidade, aquela que te cerca e que te envolve emocionalmente, afetivamente como filha, como família, socialmente, nas escolhas de trabalho, de convívio social, nos sonhos que quer realizar, nas expectativas pessoais.

A Vida é Insólita e possivelmente sejamos, todos nós, bizarros, mas sonhos são apenas um movimento da alma em busca de luz e de consciência, quando envolta na bruma nebulosa da noite de nossas vidas.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

ABANDONO I


CH 65


Essa noite sonhei que minha mãe passava mal e minha irmã extremamente ágil pegou o carro para irmos fazer umas compras para ela. Mal tive tempo de apagar a luz e a televisão que ela deixara ligada. Mamãe ia ficar sozinha a vomitar no banheiro. Minha irmã pareceu tão apressada que eu nem tive tempo de raciocinar o que estava acontecendo. Alguém comentou que melancia era boa para aquele enjôo. Eu não entendia aquela pressa, pois mamãe vomitava, mas isso não significava que ela estivesse correndo risco de vida e nem entendia por que aquela urgência de comprar frutas exatamente naquele instante em que deveríamos ficar lá, ao lado dela. Fiquei receosa dela estar com alguma complicação séria.

Quando fui entrar no carro notei que havia uma conhecida de minha irmã no banco da frente e então tive que entrar atrás. As duas conversavam cochichando e eu só entendia o que falavam por fazer uma leitura labial de ambas através dos vidros do carro que estavam fechados e as refletiam. Entretanto não lembro da conversa e sim que minha irmã corria muito e receosa coloquei o cinto de segurança mesmo sabendo que já estávamos praticamente chegando ao supermercado. Entretanto minha irmã não foi a nenhum supermercado e sim a uma loja de artigos para bebês. Nesse momento desconfiei que minha mãe estava grávida (isso é incabível com a realidade). Fiquei muito chocada sentindo enorme melancolia e pensando que eu não seria mais a caçula e teria de dividir tudo o que era (ou seria) meu com essa outra criança. Seria apenas mais uma pessoa no mundo para me criticar e não gostar de mim. Eu não queria ter de sofrer tudo isso outra vez (confesso que senti esse medo de ser desprezada com relação a minha sobrinha adotiva, pensando comigo que ela seria apenas mais uma na família para me esnobar). Eu não estava irritava, apenas pesarosa e triste, mas fazendo força para pensar de maneira positiva. Eu sabia que tudo o que estava pensando e sentindo era um monte de bobeiras, mas ainda assim era real dentro de mim. Eu precisaria de um tempo para sentir o oposto e buscava me autoconceder essa precisão.

Quando fomos passar no caixa uma jovem negra (não sei se tem importância, mas era a atriz Aparecida Petrowky) comentou que fizera os exames de gravidez e descobrira que perdera o filho homem ficando apenas com a menina. Embora não houvesse dito, ficou claro que até então ela estava esperando filhos gêmeos. Ela falou com alívio, achando o fato bom. Estranhei aquela postura materna e pensei que talvez ela não tivesse condições financeiras favoráveis para dois filhos de uma vez. Na hora em que estávamos indo embora eu tive de retornar para pegar meus óculos que esquecera na loja. Minha irmã bastante apressada já estava chegando no carro e eu ia logo atrás, dando passos largos, acompanhando a outra mulher que fora conosco. Foi para ela que comuniquei a precisão de voltar à loja, pedindo a ela que pedisse para minha irmã me esperar. Com tamanha pressa eu tinha quase certeza de que não seria esperada e continuava a não entender aquela correria, bem como o que minha irmã tinha em mente. Ao chegar de volta na loja a mesma já havia fechado, mas daí um senhor que trabalhava nela e conversava com uns amigos na calçada comentou que podia ir lá dentro pegá-lo para mim. Fiquei na espera e depois eu já estava era nas ruas de São Paulo. Eu peguei um ônibus qualquer e queria ir para a casa da minha irmã, mas não conseguia lembrar nem mesmo do bairro que ela morava. Nisso me veio o nome Tabajaras na cabeça (minha irmã reside no Tatuapé) e perguntei a uma das senhoras que estava sentada se aquele ônibus ia para lá. Ela estranhou como se não existisse tal bairro e respondeu que não, perguntando para a cobradora depois. Como eu estava um pouco distante, resolvi passar na roleta e assim falaria melhor com a mesma. Questionei se o ônibus chegaria a um ponto final ou terminal, pois embora dispusesse de mais dinheiro, não estava disposta a pagar outra passagem de ônibus, ou seja, eu queria sair daquele ônibus e pegar o certo independente da baldeação, mas contando que o passeio não saísse caro. Eu não estava preocupada de me perder, pois além de estar encarando aquilo como um passeio, tinha dinheiro suficiente para dormir em um hotel e, ademais, se eu conseguisse chegar nas proximidades do bairro da minha irmã, poderia ligar para ela me buscar de carro. Nisso a cobradora não quis me devolver o troco todo, dizendo que ia ficar com uma moeda para ela em troca do serviço prestado de informação. Embora parecesse justo, não gostei da ousadia dela. Pouco depois o ônibus chegou ao seu ponto final e fiquei dentro do veículo a esperar que ele fizesse o trajeto de volta para um suposto terminal. Eu nem sei como funciona os ônibus de São Paulo, mas aqui em Uberlândia é assim.

Nesse ínterim, a cobradora começou a se debater e logo incorporou vindo para o meu lado. Eu sabia que ‘aquilo’ seria comigo. Eu estava sentada e ao meu lado estava o motorista e uma fiscal. Nesse momento já não parecíamos estar dentro de um ônibus, mas de toda forma não dei atenção ao local em si. Ela aproximou-se e fiquei me indagando se ela estaria mesmo incorporada ou apenas fingindo aquilo tudo por algum motivo pessoal que não saberia deduzir. Perguntei quem era ele e de forma imprecisa a resposta foi: ‘Pode ser um caboclo’. Seus modos aparentemente discretos não se enquadravam no perfil de um caboclo e a resposta não me foi convincente. Ele perguntou se eu lembrava o que ele avisara da outra vez e a pergunta me soou com ar de cobrança, reprovação e advertência. Perguntei por parte de quem era o aviso, pois dentro do sonho eu vagamente poderia lembrar de muitos avisos, mas não sabia qual caboclo era ele e, logo, não tinha como saber de qual aviso ele se referia. O mais interessante é que eu não me senti intimidada e sabia que nem teria motivo para tal, mesmo que eu estivesse ali na condição de devedora ou de alguém desobediente que não cumprira algo. Senti que na verdade eu não tinha costume de dar importância suficiente àquelas comunicações. Tenho a sensação de que comentei sobre não gostar de gastar dinheiro com entidades. Infelizmente não lembro o resto. outra vez um sonho com caboclo...

ABANDONO II



Atitudes de submissão favorecem a omissão. Omissos se fazem de submissos e submissos em geral são omissos, entregam a responsabilidade de ações, iniciativas, intervenções ao outro, desta forma ficam à parte da tomada de decisões importantes e são levados por aqueles que se responsabilizam, se comprometem e não se omitem, por proteção ou por medo, em ações e escolhas de posicões.

Neste aspecto o sonho te confronta com suas atitudes de dominada e submissa já que realçam sua impotência e a condução de sua vida em momentos chaves pelo “outro”. No caso sua irmã. Assim aquela que acusa de abandono, sua mãe, é abandonada por você.

Muitas vezes em comportamentos manipulativos deixamos que o outro faça o que gostaríamos de fazer. Assim não colocamos a cara na frente, ficamos protegidos e deixamos o outro se expor e carregar a pecha daquilo que evitamos. Assim é mais fácil condenar o outro, julgar o outro e ficar escondido atrás do muro.

A realidade nos exige que saíamos detrás das máscaras, das defesas neuróticas, e que nos exponhamos aos impactos e acontecimentos da vida, já que não dá para ficar escondido dentro de casa e a realidade exige-nos posicionamento e maturação. Que curtamos a pele de cordeiro no sol da realidade.

O sonho anuncia ansiedade, angústia, tensão e fuga. E o grande risco de que possa estar agindo da forma como condena nos outros, abandonando-os. Esta implícito que o maior abandono é o que comete com os seus propósitos, com a condução da sua vida, mas este abandono é projetado no outro em forma de carência pessoal e julgamento e criticidade.

A segunda parte já se mostra a vinculação neurada de sua dependência afetiva. Crescer significa abandonar a pele velha para deixar a nova nos revestir. Morrer o velho para permitir o nascimento do novo. E mesmo que conceitualmente você já saiba que é irracional se sentir ameaçada pelo nascimento de uma criança, a atitude infantilóide é competitiva, resultante de quem se recusa a se assumir como adulto, se escondendo na necessidade de se manter criança, mesmo que como filha mal amada. Desta forma busca manter a dependência de sua mãe mantendo a culpa e a responsabilidade dela nos seus cuidados.

Entendeu? Mantendo-se criança, dependente, submissa, carente, frágil, você encontra a justificativa para aprisionar a mãe como objeto de seu domínio.

O momento em que você se “desliga” de sua irmã é o momento em que você tem que recuar para resgatar seus óculos. Este resgate, a busca, é o regaste do seu ponto de vista, da sua forma de olhar o mundo, do instrumento que lhe permite olhar a realidade com os seus olhos. Abandonando a cegueira. Assim você toma atitude e... Sai da proteção familiar. Ainda que esqueça a sua mãe ou a necessidade dela, justificativa pra ficar vinculada na simbiose, você se lança no mundo.

No inicio é assim, o individuo se lança no mundo e se descobre perdido, sem rumo. Paradoxalmente, neste momento começa a jornada de retorno à casa. O bom filho a casa torna. Precisamos encontrar o caminho de volta para casa. Voltar para a nossa CASA. É o resgate do pessoal, da referência pessoal. Já não mais como a casa da criança dependente, mas a casa do adulto que encontrou parte do seu destino, sua individualidade, sua pessoalidade.



No sonho 56, Sonhos e Confrontos, aparece o seguinte: “Foi então que apareceu um homem malvado e me disse que na vida eu não conseguia nada porque era daquele jeito: me jogava e não me permitia cair, pois ficava presa a superfície, ao passado, ao medo, às mágoas. Fiquei muito mal ao escutar ele dizendo aquilo e tentei fazer força emocional para desvencilhar-me de tudo.”

Não sei se a referência do aviso é o acima ou se houve outro aviso. Mas pode ter a ver com o risco que precisa correr, de se lançar na sua jornada pessoal. O cabloco neste caso entre outras significações possíveis tem a ver com conteúdos de inconsciente que estão tentando focar sua atenção no seu compromisso de realizar as mudanças que se fazem necessárias, na sua vida, para que possa realizar plenamente sua maturação.

terça-feira, 4 de maio de 2010

UMA FACE



CH 59

Segundo sonho - Tem recorrência com festa e espíritos, mas num contexto muito diferente. Eu estava sentada numa quina de muro a desenhar. Comigo estavam três espíritos (assim eu identifiquei inicialmente): uma mulher branca, um menino negro e o terceiro não recordo como era. Agora não lembro dos detalhes, mas sei que eles eram parentes da mulher dona daquela casa que estava dando aquela festa muito chique. Todos os três espíritos enquanto vivos haviam sido mortos por essa mulher a troco de interesses escusos. No sonho eu sabia da saga melhor, mas agora tudo é meio vago. Sei que a mulher branca ficou comigo e os outros dois adentraram na festa. Eu me sentia uma discriminada, rechaçada, desprezada. Eu me sentia uma insana, mas que tinha sanidade. Por vezes eu me sentia negra e não parecia ser eu com a minha atual aparência. Fiquei pensando no que estariam fazendo os outros dois espíritos lá dentro da casa. Eles não estavam ali para se divertirem e imaginei na hipótese deles se empolgarem com a festa e me esquecerem ali largada. Nisso a mulher da festa veio conversar comigo. Por certo ela foi influenciada pelos dois espíritos que haviam ido lá dentro. Eu sabia que ela era muito perigosa. Sentia medo, mas estava livre de julgamentos, pois fazia da humildade a minha força. Não recordo bem o inicio da conversa, mas sei que, ainda sentada no chão, encostei a cabeça no joelho dela e humildemente desabei a chorar e dizer que estava muito triste. Eu estava triste com ela, mas não cheguei a ser tão direta de início. Eu não tinha pretensão de convencê-la ou sensibilizá-la, queria apenas desabafar o que sentia com tanta força dentro de mim e dar a ela a oportunidade de se arrepender. Interiormente eu sentia que estava agindo por influencia espiritual da mulher que estava comigo. Era como se fosse ela quem estivesse chorando através de mim. Eu comecei a falar não lembro o quê e a mulher foi ficando histérica. Apesar de sentir medo eu parecia confiante. Embora ela tentasse não demonstrar sua ira, eu fui sentindo seus olhos ficarem agitados e sua mudança ficou nítida para mim. Percebi que corria perigo e quando ela fez venha de me matar na explosão de seus ímpetos instintivos de autoproteção, eu disse o nome dos três espíritos. Extremamente agitada pelo peso da própria culpa maligna que ninguém podia descobrir, ela começou a sentir-se sufocada e a ter um ataque dos nervos que a fez desmaiar (ou morrer, não sei). Eu sentia que todos da casa e conseqüentemente da festa me discriminavam como se eu fosse uma negra, mendiga ou louca, como se eu fosse a vilã mais repugnante do mundo, mas naquele momento isso não me importou, pois independente do que eu fosse, ainda assim eu tinha uma força poderosa dentro de mim que me protegia. Eu tinha a influência espiritual que não era mal, mas que buscava justiça, que queria esclarecer os fatos.
Na seqüência eu fui buscar ajuda e deixei o corpo da jovem, ou seja, em tal momento eu era o espírito. Não era meu próprio espírito desprendido do corpo, de forma que depois de acordar não entendi a cena. No interior da casa donde a festa acontecia, pedi socorro dizendo que houvera ocorrido um mal entendido fora da casa e duas pessoas precisavam de ajuda, mas ninguém me escutava. Eu não me sentia mal por ninguém me escutar, mas por não estar conseguindo a ajuda que tinha de ser urgente. Fui gritando até que um homem, provavelmente o marido dela, sentiu vontade de ir atrás da mesma. O outro homem que conversava com ele foi junto segurando seu copo de bebida. Eu acompanhei. Os dois homens ao ver que algo houvera acontecido foram socorrê-la imediatamente enquanto a jovem (que até então pensava ser eu) tremia rocha de frio encolhida e embrulhada numa coberta fina. Ela também estava muito mal a ponto de morrer, mas ninguém se preocupou com ela. Então me aproximei e acalentando-a senti que tudo ia ficar bem.
Nisso acordei assustada. Foi um sonho dramático, pesado, intrigante. A cena da mulher desprezada chorar humildemente prestes a falar de suas dores sentimentais para a dona da casa, a qual por um momento fez lembrar-me de minha irmã, parece refletir meu medo de ser injustiçada e agredida de uma maneira geral pelas pessoas incompreensíveis. De toda forma eu não compreendo o resto. Eu era uma espécie de médium e depois eu parecia ser apenas um espírito. Seria eu em verdade um pouco de cada personagem, inclusive da mulher que era dona da casa? O que tal sonho pode significar?


A OUTRA FACE



Para Jung os espíritos vistos pela ótica da psicologia “seriam complexos autônomos inconscientes que aparecem como projeções porque não estão associados ao ego” (CW9i, p285), para ele as intervenções dos chamados espíritos parecem corresponder a necessidades de ampliação da consciência. Para ele as aparições de espíritos evidenciam a existência de um nível elevado de tensão entre os mundos materiais e imateriais, fenômenos que existem na fronteira destes mundos e que querem aflorar e ganhar existência.

Ainda em Jung, para ele, sonhos e visões são um dos fenômenos de grande importância e evidência da existência de um reino diferente do reino material e corpóreo, seja relatado pelos primitivos ou pelo homem ocidental. Ele se usava do termo “espírito” para referir-se ao aspecto não material de uma pessoa viva (Intento, Pensamentos,) bem como a um ser incorpóreo desligado do corpo (fantasma, sombra, espectro, alma ancestral). Concebe o espírito como o oposto da matéria, conteúdo que não pode ser descrito ou definido, infinito. Sem forma, aflora sem controle ou solicitação e provoca uma resposta afetiva positiva ou negativa. Sua obra sobre os fundamentos psicológicos da crença do homem em espíritos chamava a atenção para a necessidade humana de um relacionamento consciente com o “Espírito”.

Recorro a alguns conceitos de Jung para indicar minha identidade com sua cosmovisão, ainda que hoje possamos ter uma compreensão mais completa desta relação do homem com o seu mundo, universo externo e interno. E esta imagem de um “Espírito” que sobrevive em todos simboliza um evento de conexão do indivíduo com o universo. Não precisamos entrar em nenhum conceito religioso, de qualquer lugar ou de qualquer tempo, para sabermos que, como seres vivos, participamos de uma rede universal conectada, interligados. Portanto não somos ilha, fragmentos de vida, esquizo fragmentos, e possuímos mecanismos que nos mantêm, como estrutura micro universal, unidos ao “Grande Espírito Santo do Universo”, ou como se queira nominar. Visto isto...

No sonho há confronto, compensação e catarse. Mas mais importante, vejo dois fenômenos singulares que merecem referência:

1. Você se defronta com a mulher maligna, sua sombra, agressiva, irritada, atacada, nervosa, histérica, possessa, possuída, agitada, impulsiva, descontrolada, e com a humildade necessária, independente do medo, enfrenta o embate e derruba o Dragão;

2. Você busca socorro para seu lado que sucumbe, por compaixão.

O sonho retrada a sequência de sua jornada. É preciso descer ao fundo do mundo das sombras para enfrentar nossos próprios demônios, criados e relevados por nossos ancestrais, revelado para nós em vida para que superemos aquilo que eles não deram contra de superar. Neste caso os espíritos funcionam para lhe servir, pra ir buscar, aonde você não tem acesso, aquilo com que você precisa se defrontar. Você só consegue entrar naquele espaço que não tinha acesso quando a compaixão a faz superar suas dificuldades, sua inferioridade.

Seu choro é catártico e ocorre em decorrência da bipolarização energética no contato com as forças de inconsciente. Isto é fenomenal. Estou pensando no mecanismo que o inconsciente nos mostra neste momento. Você é levada a um condição de tensa, o choro, que prepara-a e a coloca em um nível vibracional ajustável para que possa sintonizar uma vibração específica do corpo etéreo, psíquico,que a leve ao encontro com conteúdos de inconsciente sem que sucumba à força destes conteúdos, em decorrência de desajuste de sintonia e que permite à construção o inconsciente não se dissolver frente à força da tensão em que funciona psiquicamente. Fantástico!

E tudo isso para permitir este encontro entre você e conteúdos de origem inconsciente que estão em fase de transformação em decorrência de mudanças de estados da consciência na sua relação com o mundo, que provoca um reajuste de conteúdos arquetípicos ou ancestrais em metamorfose.

É relevante a força espiritual e a busca de justiça. É necessário rever conceitos e não se esquecer de que é preciso ter compaixão, mas também é preciso aprender a aceitar o destino do mundo sem sucumbir por excesso de compaixão.

Preste atenção: não tenho dúvida da dramaticidade e da força de um sonho desta magnitude, Mas você superou a primeira batalha, isto significa que se o conteúdo foi dissolvido você o integrou. Se não o foi, novos encontros ocorrerão. Mantenha-se firme no seu propósito e mudanças. Transforme seu lado sombrio em iluminado, e para fazermos isso precisamos nos armar de humildade e coragem e olhar no espelho aquilo que renegamos, o que somos.

Por hora... relaxe.



Bye.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SIMBIOSE



               
CH55

Segundo: Eu tinha um menino no colo e sua mãe à minha frente. O menino chorava, pois sua mãe o culpava indiretamente da morte de seu irmão mais velho, mas era claro para mim que o menino não tinha culpa nenhuma. Não lembro dos detalhes direito. Eu sabia que ela dizia aquilo sem de fato o querer dizer, como se fosse apenas uma reação explosiva de seu nervosismo. Com muito carinho eu lhe dizia enxugando-lhe as lágrimas e acariciando seu rosto, para que ele não ficasse com raiva de sua mãe e nem desse importância ao que ela dizia a ponto de ficar revoltado ou triste com a situação. Expliquei-lhe que ela ainda não havia se conformado com tal acontecido, que ela não soubera lidar emocionalmente com o fato e, nos momentos de tensão, descarregava nele dizendo um monte de tolices para se sentir menos culpada, para extravasar sua revolta e pesar da suposta perda. Eu estava ali para aliviar o mal, para confortar o menino e fazê-lo entender que não podia entrar no clima ignorante da mãe e aceitar aquela projeção de revolta, remorso e tristeza. A mãe escutava tudo calada e eu não me importava. Eu não dizia aquilo tentando mostrar a mãe a sua postura errada de agir para com o filho mais novo, pois eu também tinha compreensão para a dificuldade da mesma perante a morte do outro filho e queria passar isso para o menino que estava no meu colo de forma que ele se fortalecesse para entender a mãe em seus despautérios e ataques de culpa. Não cabia ao filho mudar a mãe, mas unicamente compreendê-la e ter-lhe piedade ao invez de raiva, revolta ou tristeza. Foi assim que eu participei e vivi tal cena. O que isso reflete de mim?

O que isto espelha? A realidade ambivalente de sentimentos em relação à sua mãe? A criança que vive em você chora essa amargura? Chora alguma culpa? E nasce em você uma atitude que busca compreensão para se libertar de sua visão critica à mãe?

O que me passa é dinâmica do processo, sinal de libertação! Diferenciação! Elaboração! Em duas vertentes:

  • Você se liberta de sentimentos, afetos projetados em sua mãe, advindos de uma relação simbiótica indissolúvel;
  • Você se liberta da criança ressentida, carente e sofrida que vive em você.
Podemos pensar que mudanças de consciência, ou da luz jogada em conteúdos que antes eram ignorados, indicam uma construção, e objetivação dessa realidade antes diferenciada e que agora se mostra em forma projetada.

Outro aspecto é a possibilidade de sonho catártico e compensador. Frente a uma elevação de seu nível de tensão a psiquê lhe favorece:

A elaboração a partir da construção de imagens. Essas imagens já surgem como gestalt de conteúdos que antes eram fragmentados e que agora já formam um mosaico da integração destes fragmentos.

A catarse para reequilibrar sua tensão, criada e mobilizada na sua relação com a realidade Filha X Mãe.

Possivelmente, se a relação com a mãe é complexa, lhe envolve em uma tensão que tende a descompensá-la. Neste caso ela ainda mobiliza na criança em você uma tensão elevada, e reativa e significativamente neste momento surge um grande diferencial:

Uma jovem mulher mais amadurecida, mas postada, mais consistente que busca compreender a realidade da relação, desfavorável ou ainda indiferenciada, E que sente e identifica o impacto desta relação no seu humor e no seu equilíbrio emocional mas considera a verdade das responsabilidades tentando se desvencilhar de julgamento e culpas.

Neste caso os indícios são de que você começa a sentir os resultados de sua mudança de consciência, Já que a partir de sua compreensão, a consciência diferenciada começa a ordenar os conteúdos passionais e pulsionais, elaborando os sentimentos, administrando as emoções, superando a reatividade e reordenando conceitos que redefinem a sua relação Filha X Mãe.

É interessante, já que no final do sonho anterior este cenário havia sido mostrado na formação do triangulo Avó X Mãe X Filha e agora aparece no triangulo: Mãe X Filho X Filha, onde você já diferenciada aparece na vinculação como estranha. É quase uma reafirmação do mesmo triângulo relacional. E você realiza a vivência do idealizado superando os conteúdos formadores e geradores desta transferência negativa.

Em relação aos sentimentos projetados na mãe, é interessante saber se você cultua a ideia de que seu amadurecimento e libertação desperta na sua mãe um sentimento de perda da filha. Neste caso, este fato pode ser apenas uma justificativa para que você mantenha-se no vínculo simbiótico, na dependência, sob a barra da saia, ou o jogo realmente pode existir (em geral as mães exercem esse domínio fascínio sobre os filhos aprisionando-os em nome do sentimento sagrado da maternidade) o que caracteriza e define o seu aprisionamento.

Obs.: A imagem do post vem como ilustração desta realidade que pode se fazer trágica quando não conduzida com sabedoria afetiva e libertadora, o cordão umbilical simbolo magistral do nascimento mesmo cortado permanece materializado não evoluindo e se transmutando para a dimensão simbólica como afeto como amor. A mãe se assegura da manutenção dos vinculos de dependência e o filho se debate em águas tormentosas na busca da libertação, prouzindo desafetos, resistências, amores irrealizados.

AVANCE!

BYE

terça-feira, 20 de abril de 2010

SONHOS e REFLEXÕES II

 CH52

Interessante a recorrência dos risos.



Essa noite sonhei que estava dentro de uma padaria, não sei se sozinha ou acompanhando alguém. Não sei bem o que fora comprar, mas enquanto aguardava na fila do caixa, reorganizei um punhado de ramos de alecrim bem viçoso que segurava na mão esquerda e que, pelo visto, já carregava comigo antes de entrar naquele local. Nisso uma mulher da fila olhou para os ramos, não me importei. Aproximando do balcão, o atendente ao invés de registrar minha compra, perguntou o que eu fazia com alecrim. Disse-lhe que podia fazer banho e todos riram. Nesse momento já não era mais uma fila, pois as pessoas haviam se espalhado ao redor do balcão. Disse que dava para fazer chá e foi mais uma gargalhada geral. Eu não me incomodei com os risos e achei legar estar sendo engraçada, embora nao identificasse o que teria de cômico naquela cena tão banal. Disse que dava para fazer emplasto, essência, defumação, qualquer coisa que se quisesse. Daí o atendente pegou o molho de alecrim e começou a fazer uma espécie de ilusionismo, mas não lembro direito. Sei que eu comentei que já tentara muito fazer aquilo também com o alecrim, mas ainda não conseguira. Daí os risos cessaram, a atenção voltou-se para o homem tentando improvisar seu ‘show’ e as lembranças ficaram apenas nisso. O que um sonho desses pode representar?

Nos últimos sonhos é perceptível uma atualização e regulação dos níveis de tensão intrapsiquicos. Isto quer dizer que o Inconsciente apesar de compensar seu elevado nível de tensão, aproveita o momento para liberar energias bloqueadas pela rigidez de personalidade e pelos limites impostos pela repressão ao longo de seu desenvolvimento. Parece-me tambem exercícios de reeducação na sua relação com o mundo, e principalmente mudanças na sua auto estima, ou suscetibilidades que a faziam defensiva, regredida e inferiorizada. O grau de importancia diminui, diminuição de caprichos e vaidade que deformam o amor próprio, enquanto consolida uma relação mais natural com o seu entorno. BELEZA PURA!

O Alecrim, é uma planta que aquece e estimula o cérebro e o corpo, é ótimo como cardiotônico, estimulante, antirreumático, resolve rapidamente dores de estômago e asias, restitui a energia dos estressados por muito esforço mental. É bom para tosses, bronquites, e problemas respiratórios. Usado externamente limpa feridas de pessoas que tem dificuldades de cicatrização. E reconstitui rapidamente a energia perdida, fortalece a estrutura mental, é uma das ervas que diminui sintomas de depressão e neurastenia.

Favorece os que têm  emocional passivo, submisso, aos indivíduos que não respondem de forma concreta às agressões da vida. Aumenta a capacidade de aprendizado. É a planta chave da falta de autoestima. Atua nos desconfiados, nos que não acreditam em si mesmos, nos que não têm coragem de se lançar em novos projetos. É a erva da coragem.

sábado, 17 de abril de 2010

CARÊNCIAS

  
CH50


No segundo sonho eu estava na casa de alguém sentada num sofá. Eu estava triste, parece que até escondendo ou segurando um choro, quando uma criança de óculos, provavelmente com uns três anos, veio me alentar. Primeiro era um menino com feições também tristes, mas depois já era uma menina loirinha sorridente.

Quando criança meus cabelos eram loiros e lisos, mas ficaram castanhos e cacheados com o passar do tempo. Entretanto eu só vim a necessitar de óculos na adolescência. A menina não era eu quando pequena, mas talvez ambos possam ser uma representação minha. Não lembro muito ao certo o que se passava.

Na seqüência, ainda no mesmo local, foi servido um banquete. Haviam duas enormes mesas rodeadas de pessoas comendo quando apareceram alguns mendigos pedindo comida. Não sei se alguém lhes negou ou como foi, mas num repente os mendigos começaram a invadir a mesa para pegar comida. Nisso um homem da outra mesa pareceu irritar-se e jogou no mendigo uma travessa de feijão. Começou uma guerra de comida e horrorizada com aquela cena, não querendo me sujar com aquela baderna, agachei-me num canto até que todos começaram a sair do local e, já por ultimo, fiz o mesmo. Parece que todos ficaram com medo dos mendigos e confesso que eu também, embora houvesse por trás outro tipo de medo: o de chegar na condição daqueles mendigos.

Achei interessante o contraste entre a fartura de comida (banquete) e a falta dela (mendigos). Sei que parece uma coisa absurda, mas um dos maiores medos que já tive e, cuja explicação não tenho para dar por nunca ter sofrido disso, é a possibilidade de passar fome e não ter onde morar, ou seja, me tornar uma mendiga. No sonho isso pareceu explicito no meio do contraste dos que têm muito com aqueles que nada têm, mas que violentamente agem na intenção de sobreviver. Os sonhos me pareceram reveladores por indicar que talvez eu ainda tenha problema com os dois tipos de contextos. Será isso? Que mensagem eles podem me passar?

Veja o insólito: Há fartura, há fome, mas as pessoas não saciam suas necessidades, elas jogam fora o alimento sagrado. Ter fome, ter o que comer, mas se submeter à força da irracionalidade, impulsividade, agressividade e à vingança. O insano permite que aflore a insanidade e desperdiça a chance de saciar a fome. A dele e a do outro. Assim são as respostas impulsivas. A perda do foco, a satisfação da necessidade, em função da competição.

Quando a competição é “sem Limites” o jogo deixa de ser jogo para se transformar numa “batalha”, perde-se a possibilidade de interação e leveza do momento para se produzir o confronto, a guerra.

Se perdermos o foco no que é essencial, abandonamos a referência do eixo da vida para orbitar o “no sense”. E qual é o eixo? O sentimento, a fome de afeto, a relação natural com o universo de emoções que nos envolvem.

“Eu estava triste, parece que até escondendo ou segurando um choro, quando uma criança de óculos, provavelmente com uns três anos, veio me alentar. Primeiro era um menino com feições também tristes, mas depois já era uma menina loirinha sorridente”.

Há uma tensão no ar, uma angústia mascarada, escondida, reprimida. Alguém que sofre calado, escondido, inseguro, abandonado (para receber alento de outra criança, o adulto é ausente). Há angústia no feminino e no masculino, a compensação surge na menina loirinha sorridente que reequilibra as polaridades. Neste aspecto o sonho expressa uma manifestação catártica que alivia a tensão. O quadro é redesenhado com a fome dos mendigos, a fome de comida (afeto) e a resposta reativa e agressiva do confronto. Nessa linha podemos pensar num comportamento reativo que expressa o descontentamento pela carência do afeto.

O afeto não alimentado não saciado se transforma no gesto impulsivo, agressivo e irracional. Quando o indivíduo não se sente compreendido em sua expectativa emocional, sua resposta tende à reatividade. A libertação do nó é a expressão autêntica do afeto, do sentimento, da necessidade. Não esconder o desejo ou a necessidade como em geral se faz, mas expressá-la, projetá-la no espaço.

Um detalhe é a incorporação do comportamento de vítima que envolve a situação. O incompreendido e carente faz o papel de vítima do mundo. O vitimizado. Assim pode responsabilizar o outro pela insatisfação de não ter suas necessidades satisfeitas, características dos indivíduos que se fazem passivos e submissos quando o que querem é submeter o outro aos caprichos dissimulados que orbitam a fantasia dos mal amados.

Grite sua fome, expresse suas necessidades, busque a satisfação dos seus desejos e principalmente, liberte-se de si mesma e das amarras que se impõe criando expectativas de fazer o mundo girar ao redor do seu umbigo. Quando fortalecemos nossa individualidade nos tornamos mais consistentes e abandonamos as necessidades que passamos a carregar e na infância perdida. A carência é o vazio que criamos quando projetamos no outro a satisfação de nossas necessidades. A ausência da carência é o resultado da consciência de sermos seremos únicos e singulares neste universo infinito.

A diferença entre os dois sonhos sequências são variações de um mesmo tema, de uma mesma necessidade.

           Bye.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MÃE E COBRA

  

Ch 47
Sonhos dessa noite:

Primeiro sonhei que minha mãe foi pegar o tapete da porta do banheiro e havia uma cobra dentro dele, entre o tecido de cima e o forro. Ela achou que a cobra não ia sair dali de dentro. Mas a cobra não apenas saiu como picou o pé dela e ficou agarrada a seu pé sem se soltar. Fui buscar um vidro para capturar a cobra pensando que ia ter de levar minha mãe num médico e mostrar-lhe a espécie a fim de que ela pudesse ser medicada corretamente.

Embora exista a repetição da cobra nos sonhos, nesse caso a ameaça e tensão pareceu estar mais voltada para a figura materna do que para mim. Há alguma diferença de significado a ser analisada?

Em geral fico fascinado com o universo onírico, e com a sutileza com que nos coloca de frente para o sentido primordial da vida. Veja esse sonho, em principio, um sonho curto, parecido com qualquer outro sonho que envolva um reptil tão “comum” como a cobra, mas... Recentemente postei no Blog Jornada d’Alma “André Jararaca” (23.03), não sei se você acompanha o Jornada, se acompanha seu Incs pode ter puxado dali a construção do sentido da mensagem que quer realçar. Se não viu o post, eliminamos o evento mesmo que consideremos a relativa simultaneidade de fatos tão próximos (um acontecimento real em minha vida e o seu sonho). É necessário considerar isto já que existe um diálogo entre Inconscientes, e este diálogo transcende as referências básicas da realidade como a conhecemos.

Não considerarei a simbologia de uso corrente, apenas a primordial. Mãe e cobra são símbolos arquetípicos fundamentais, origem da energia, mediadora e a energia propriamente dita.


  • Há dinâmica de libido em movimento, natural. Energia primordial se mobiliza, desprende-se das sombras e aflora à realidade. Movimento de integração de energia ainda selvagem e bruta que se agrega à consciência;

  • A energia surge como sinal na extremidade do corpo, na ponta dos pés, indicando que precisará ser tratada e trabalhada para atingir níveis mais elevados da consciência;

  • Essa energia elevará suas polarizações (tensão), anunciando a necessidade de cautela, calma, resposta ativa, iniciativa, para que consiga superar a transição nas mudanças que se operam na sua dinâmica corporal. Lidar com energias primordiais exigem sempre muito cuidado, entre outras coisas, indico-lhe aumento do tempo de resposta frente aos acontecimentos diários na sua vida, para diminuir a reatividade e ter mais tempo para elaborar respostas menos tempestivas e impulsivas;

  • Simbolicamente para crescer é preciso matar os pais dentro de nós, abre espaço para a maturação pessoal, o sonho indica a inicialização desse processo da transformação da mãe para uma significação abstrato e simbólico (no divino).
O sonho sinaliza a necessidade de se preparar para a sua separação da mãe, na realidade, a morte da mãe. Já que uma perda deste naipe tenderá a provocar-lhe um aumento de tensão num nível perigoso. E pode fazer referencia à sua natureza de mulher como mãe, Geratriz e fonte de vida. O momento pode ser indicativo de maiores possibilidades para fecundação.

Gosto da resposta de procura do vidro (Transparência), para a captura da cobra e não a ação de morte à cobra. E uma busca sensata frente ao imprevisível, ao invés de uma resposta emocional passional e de desespero.

  Bye.

quarta-feira, 17 de março de 2010

TORMENTOS III



Something More -1989
 photo Tracey Moffatt - Austrália

“Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local.”
Este acontecimento eu considero excepcional e absolutamente sutil: Nos sonhos o aumento da consciência na realidade favorece o aumento da consciência e do poder de resposta a desafios em sonho. Isso quer dizer que ganhamos em controle, disciplina, observação e resposta. Deixamos de ser apenas reativos para sermos também agentes. Quando ocorre uma energia mobilizada para nos confrontar ou quando o inconsciente mobiliza, aciona um FLUX de energia, (um Quantum ou Quanta) para determinar uma construção de realidade onírica (imagens sucessivas dentro do roteiro dos sonhos, às vezes completados com mobilização da memória dos sons), essa mobilização permanece dentro de um ciclo intermitente de repetição (como um redemoinho) e somente é desmobilizado quando uma tensão igual, contrária ou superior consegue dissolver essa mobilização.
Neste sonho, os desastres iniciais são fluxos constantes e poderosos de energia que mobilizados no inconsciente afluem aos sonhos e mostram sua desorganização e a necessidade de serem ordenados, para que deixem de interferir na condução de sua psykhé como conteúdos autônomos. Na sequência, eles pausam, como que favorecendo um refresco para a consciência pessoal (inserida no sonho), aliviam a tensão para não devastar essa consciência e retornam no ciclo de repetição do fluxo. Quando você encara e assume o confronto, você superar o desafio a que foi convocada e aí a tensão se desfaz. Neste momento uma parte dessa energia, ou toda ela, é incorporada pela consciência. Se toda essa energia for incorporada o individuo se prepara para novos desafios já que será blindado e fortalecido em sua estrutura. Se só uma parte, dessa energia, for incorporada você se livra temporariamente do confronto, já que parte da desordem permanece autônoma afluindo à consciência. E se o confronto não se realiza pela fuga empreendida pelo individuo ele será permanentemente atormentado e solicitado a agir, se posicionar, não se esconder na omissão para que a reconfiguração psíquica possa ser realizada.
Nesse sonho parece-me que quando você é desmascarada em seu esconderijo e enfrenta a ameaça, você supera a angústia, desmobiliza o nível elevado da tensão dos opostos, transforma e metamorfoseia a realidade psíquica. O fluxo é desmobilizado e reaparecem os sinais de reencontro com o eixo do mundo:
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
Já fora da tensão dos Opostos, do fluxo e da dinâmica caótica, você caminha com a “Mãe” por um corredor (passagem, transição) ornado com a força vida da natureza (plantas), origem variada (riqueza), passa pelo túnel, gruta, gênese e moradia ancestral, encontra dois homens, energia Yang (transmutada?) e segue para o laboratório de plantas, lugar de análise, origens, conhecimento, estudo e sementes (poder germinador, nascimento, renascimento, transformação, vida). E você navega pelos ambientes, descobrindo novos lugares, novos espaços, experimenta o agradável e o confortável sem ameaças, o belo e o desconhecido mistério da vida.
              Muito mais teríamos, mas... por hora ...                    Bye.


quarta-feira, 3 de março de 2010

ORALIDADE


  

O sonho dessa noite: Eu desci do carro com minha irmã e cunhado (não sei se minha mãe e sobrinha estavam juntos) na porta de um restaurante e, logo na entrada do mesmo, encontramos com alguns amigos deles que jantariam conosco. Depois de arrumarmos uma mesa fomos nos servir. Eu peguei o prato e me servi com uma rodela de pepino, outra de tomate e então notei que não havia mais nada natural, apenas vidros com conservas. Nem mesmo o básico arroz com feijão havia no local e fiquei por entender que tipo de restaurante era aquele. Sem encontrar mais opção para por no prato, coloquei mais rodelas de tomate com pepino e uma colherinha de um creme branco que estava misturado numa conserva de pimenta. Nisso servi-me de iogurte, mas logo em seguida verifiquei que aquele iogurte fazia parte da sobremesa e eu não devia levá-lo para a mesa uma vez que o combinado era ir para uma sorveteria quando dali saíssemos. Dentro do sonho eu não pensei em confrontar os acompanhantes e fiquei olhando para o iogurte pensando no que fazer. Deixá-lo esquecido ali não seria o correto. Enquanto pensava um tanto apurada, a mulher que pesava os pratos pareceu perceber que algo estava errado comigo e sugeriu que, caso eu quisesse lavar algo, havia uma pia no cômodo da cozinha. Mais do que rápido eu fui para a cozinha e encontrei lá dentro um rapaz que terminava de lavar algumas louças e uma mulher que fazia um recheio de bolo com leite condensado cozido. Expliquei a situação para o rapaz e calmamente ele disse que eu podia despejar o iogurte num copo descartável e lavar a vasilha, amenizando a situação com a explicação de que depois comeria o iogurte ou colocaria-o em alguma sobremesa. Enquanto lavava percebi que estava me sentindo muito constrangida e pensava no quanto àquela situação me faria ficar mal-vista e mal-falada pelos dois ou por todos os funcionários do restaurante. Também pensava que minha irmã já devia estar sentindo minha falta na mesa e isso me deixou ainda mais tensa. Uma vez já estando encrencada na visão do meu próprio lado emocional, percebi que podia ser mal-vista de duas formas: 1. Por transparecer a imagem de pessoa calada e cheia de vergonha pela situação desconfortável que criara; 2. Por transparecer a imagem de uma pessoa extrovertida e meio estabanada, sendo o mais verdadeira possível, ou seja, eu não tinha intenção de usar mascara para aparentar o que não era, mas sim tentar ser o que não era e gostaria de ser naquele momento. Pensei comigo: ‘tem pessoas que extravasam suas tensões falando incansavelmente e outras como eu, se bloqueiam por completo’. Resolvi que ia dar uma de louca e extravasar meu constrangimento falando um monte de besteiras (já que em verdade eu não tinha nada sério a dizer naquele momento) e, realmente me sentindo uma doida, fui falando tudo o que vinha em mente. Comentei que trabalhar na cozinha de um restaurante deveria ser ótimo para ficar provando de tudo, disse que adorava tortas mas infelizmente não tinha boas receitas, falei que aprovava recheios com leite condensado cozido contando que quando criança minha mãe costumava cozinhar leite condensado para comer puro e, em cada fala, eu ria bastante de mim mesma naquela ousadia maluca de tanta besteira falar e, por incrível que pareça, eles também riam como se estivessem me adorando ou, no mínimo, me achando super divertida. Transformando a sensação inicial de desconforto em alivio e um feliz estranhamento de mim mesma, aproximei-me da mulher e elogiei as duas pequenas verrugas de seu rosto dizendo que não pareciam ser verrugas e sim duas sardas que faziam seu rosto ficar bonito e diferente. Eu não estava mentindo e nem tão pouco sendo verdadeira, estava apenas comentando aquilo que vinha em minha mente como se não quisesse mais parar de falar, pois, quanto mais falava, mais destravada e livre de mim mesma eu me sentia, além do que, percebi que se alguém fosse falar de mim posteriormente, não seria pela besteira cometida com a sobremesa, mas sim pelas besteiras que ali houvera falado. Eu sentia que eles estavam se agradando do meu jeito comunicativo (embora disfarçadamente forçado), mas o melhor era sentir que eu estava me amando enquanto uma maritaca.
Não sei se os meus sonhos estão se formando baseados nos meus pensamentos e sentimentos, ou se são estes que estão influenciando meus sonhos. A questão é que por várias vezes tentei me visualizar sendo comunicativa e, para tal, eu teria que agir idêntico ao sonho, ou seja, falar sem pestanejar (mas com bom-senso, claro) e ter de suportar a minha sensação inicial de estar me comportando como uma doida que não sabe de qual hospício saiu. Um ponto do sonho é muito real: geralmente a timidez é mantida por receio da desaprovação alheia e, daí, uma vez que ser tímido também é visto de forma negativa por praticamente todo mundo, por que não arriscar sofrer uma desaprovação por ser alguém desinibida e um tanto extrovertida? A principio qualquer tanto de palavras vai me fazer sentir uma tagarela, mas com o tempo, o equilíbrio do que dizer ou não e a espontaneidade perante uma conversa serão itens naturalmente conquistados. Foi sem dúvida um sonho bem interessante! O que acha?

ORALIDADE II




  


Inicialmente aparece a inadequação, tensão, ansiedade, perda da espontaneidade. O sonho parece compensador de sua necessidade de comunicação. Você precisa romper o compromisso de não falar porque as pessoas não merecem te ouvir, romper o medo de falar, superar a severidade de sua crítica e de seu julgamento, encontrar sua natureza espontânea, sua naturalidade.
Você se defronta com a “neurose”. A neurose é a perda da espontaneidade. Supera-la é o reencontro com sua natureza original, espontânea, autêntica. Mas para reencontrar essa naturalidade é necessário se desvencilhar das armadilhas, ou você acabará sendo arrastada para dentro da patologia revestida de outras manhas, artimanha, máscaras. Neste caso você aparentemente rompe com a neura instalada, mas acaba envolvida pela neura que se reconfigura em novo formato para permanecer ativa, viva, atuando e te comandando com manifestações autônomas de inconsciente.
Eu costumo dizer que as doenças são vivas. Em geral as pessoas pensam na doença como uma manifestação estática, apenas sintomática de um desarranjo. Mas, não! As doenças são vivas, querem permanecer vivas, porque conquistaram uma forma de viver, ainda que seja como uma entidade invasora no corpo em que se formou e instalou.
O fenômeno me parece excepcional. A patologia resiste de todas as formas possíveis e se faz MUTANTE, oportunista, abandonando uma configuração constituída para se rearranjar de outra forma. Nesta hora, a máxima cristão se faz presente: Orai e Vigiai. Não se iluda rompa paradigmas, evite a mesmice, o caminho simplista e aniquile o dragão, a patologia, transforme essas energias densas e as incorpore à sua dinâmica, não perca de vista a possibilidade de ser autêntica.
Como? O seu momento é de reconceituar sua relação com a realidade, não escapar para respostas comuns. Evite a repetição de hábitos, se permita se redescobrir, retire essas carapaças que te envolviam e se permita livre. O que fazer? Compartilhe, divida, escute quando tiver que escutar, fale quando sentir vontade de falar e principalmente: não saia de um extremo para se exigir em outro. A uma longa estrada para você percorrer; Não se apoie em conceitos deformados, refaça-os; Não se escore em modelos, você blindará novamente sua liberdade.
Houve um momento em sua vida que para se proteger você encontrou uma forma que lhe permitiu se relacionar com relativo sucesso com o mundo. O tempo passou, e suas respostas já não se mostravam mais tão eficientes como no passado. Surge um novo momento. Descobrir como responder às exigências do mundo, às suas demandas pessoais, ao seu novo momento, à sua nova idade, realidade. Um trabalho hercúleo, onde você será exigida. Mas as perspectivas são favoráveis. Só não caia na armadilha da enganação, de se forjar dessa ou daquela forma. Se permita “Ser”. O Ser esta além do certo ou do errado. A referência são os princípios e a ética, assim você se forja com uma consistência maturada. Não precisamos nos moldar em uma armadura. Não se permita imaginária, se fazendo parecer, resultado de idealização, da sua fantasia de seduzir e dominar os outros. Você não precisa de justificativas para expressar seus sentimentos, emoções, pensamentos, crenças, conceitos, visão do mundo, percepções, descobertas, conhecimento, informação. Você não precisa de se esconder na fala para desviar o foco dos outros de seus constrangimentos ou inadequações. Você precisa de leveza... Apenas levemente Ser. Somos todos índios, humanos, todos em processo de aprender a viver de forma mais autêntica para que possamos expressar a riqueza que carregamos em nosso espírito do tempo, na alma.

Se nunca realcei, um detalhe cada vez mais foi ficando saliente e se soltando ao olhar, sua dificuldade em relação à fala intrinsecamente pode estar ligada não apenas ao processo de repressão, por você vivenciado, mas a algum desacerto gerador de distúrbio vivido na sua relação com sua mãe em fase de amamentação. Já havia lhe sinalizado sobre a recorrência de imagens de alimentos e de sua relação de constrangimentos com foco em alimentos em seus sonhos. Possivelmente existe algum nó formado e desenvolvido a partir do período da relação simbiótica vivida no primeiro ano de vida da criança com a mãe. É interessante, caso não saiba, que busque informações sobre sua fase de amamentação, quanto tempo durou, se foi amamentada, como sua mãe viveu este período, se teve depressão pós parto, a relação com o pai, o pai com a mãe. Investigue o que rolou no seu primeiro ano de vida.


Pela boca, após o corte com o cordão umbilical, estabelecemos a manutenção da vida. A criança estabelece vários tipos de conexão com a mãe: pelo olhar o contato visual; identificando e codificando sons maternos e os diferenciando de sons ameaçadores; pelo tato no sutil toque das mãos com os seios, rosto, e outras partes do corpo; pelo olfato na identificação dos cheiros primordiais da mãe associados ao prazer, ao conforto; pelo paladar com o sabor do leite, textura e posteriormente com os outros sabores, etc. Nos alimentamos não apenas de soro materno,  mas de amor, proteção, segurança, confiança, aconchego e inundados com esses alimentos, nesse universo sensorial de prazeres e êxtase, construímos nossos vinculos, a conexão com a realidade e a relação com o mundo.

A fala é antes da comunicação o resultado da construção do simbólico e do desenvolvimento da relação do indivíduo com a mãe. Essa dinâmica se espelhará, se projetará, na relação com o mundo. É neste ponto, nestaa conexão é que aparece a maioria de seus embaraços. Nesta ponte entre a margem do imaginário, do simbólico, de codificação com a realidade que aparecem as interrupções, defesas, resistências, ou seja, o fluxo é descontínuo, e instável que vives. Captou?

Eu sinto que foi um sonho mais do que interessante, um sonho transformador e elucidador. Sinto que o inconsciente responde favoravelmente ao seu esforço de transformação.

DETALHE:   o yogurte  é em tese o leite coalhado, o que nos remete à relação do soro materno. Héracles suga o leite da Imortalidade no seio de Hera. O  leite é simbolo lunar, feminino, ligado à renovação, abundancia, fertilidade, caminho da iniciação e simbolo do conhecimento. 

Caetano Veloso já cantava:



 "Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada...
...Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas"

Todos querem sarver o leite bom, para voce ele é a sobremesa, que sentes não ter direito de consumir, o que te deixa encalacrada, defensiva poi acuada, como se o direito não houvesse.


 
                                                                       BYE