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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PÁSSARO AZUL




Sonhei que estava com Albert Einstein em um galpão de experimentos em sua casa. Ele estava sendo desafiado a descobrir ou inventar algo e eu estava aprendendo e ajudando-o. Ele estava criando (reproduzindo) cobras e jacarés em seu laboratório caseiro. Creio que as cobras e os jacarés eram geneticamente modificados. Interessante que, se não me engano, ele criava os jacarés para alimentar as cobras. Houve um momento em que ele me pediu para segurar uma bandeja de barro cheia de cobrinhas com cerca de uns quinze centímetros. Eu sabia que elas eram inofensíveis, pois ainda eram praticamente larvas. Só que em questão de instantes elas começaram a sair da bandeja (o ninho) e esparramarem-se subindo e descendo em meu corpo. Devolvendo a bandeja para ele, já agoniada com aquilo, retirei com cuidado cada uma das cobrinhas devolvendo-as. Notei que elas grudavam umas as outras e onde elas haviam passado no meu corpo estava babando como se elas soutassem uma gosma. Não achei nojento e nem tive medo, apenas não esperava que as cobras fossem ter aquela reação. Era legal conquistar jeito para lidar com aquilo e tive o cuidado de retirar todas devolvendo-as intactas. Então Albert me explicou que eu só podia estar com cheiro de carne e isso era perigoso. Estranhei, pois além de ser vegetariana eu não mexera com carne alguma. (1)

Nisso ele se retirou para fazer uma receita de um bolo com farinha de milho e eu estava recolhendo uma das vasinhas de farinha com leite que caíra do nada no chão quando apareceram três pessoas conhecidas que me levaram até um parque. Logo na entrada havia uma piscina muito grande e funda que estavam enchendo de água. Embora fosse feita apenas de cimento, a água refletia o céu num azul límpido. Na parte mais funda havia uma grande escada de ondas e várias pessoas sentadas no ultimo degrau. Fiquei a pensar que se aquelas pessoas escorregassem da escada e não soubessem nadar para a parte rasa, provavelmente afogariam de imediato. Então entrei por uma rampa na lateral e fiquei olhando lá de cima para a piscina. Só que foram subindo mais pessoas e fui aos poucos meio que empurrada para o fim da rampa donde adentrava-se numa espécie de túnel-piscina-labirinto. Como se estivesse numa boia dentro de num amplo tobogã coberto (haviam mais pessoas comigo), fui deslizando e já estava achando que ia me sentir sufocada ali dentro quando saí num local completamente diferente. Levantando e saindo da boia, caminhei por uma espécie de mesquita. Percebendo que nada daquilo estava normal, perguntei para uma jovem que lugar era aquele. Sem saber me explicar direito ela respondeu que era um parque onde tinha algumas praças. Que era um parque eu já sabia, mas não estava achando que fosse um parque qualquer. Então perguntei para ela se não achava perigoso estar num local que não sabia exatamente o quê era e onde ficava. Senti-a confusa, mas ela definitivamente parecia não se importar. (2)

Foi então que dei-me conta de estar sonhando. Fiquei maravilhada por ter consciência do fato. Explorei o local olhando para o exterior. De uma janela enxerguei vastas dunas de areia com pessoas passeando de elefante, camelo, dromedário e cavalos. Achei muito divertido estar ali.(3)

Caminhei para um jardim (ou seria uma praça?) dentro da construção. Havia na parede alguns andares abertos (estilo pé direito) e num destes haviam dois homens reunidos descansando sobre almofadas, conversando e dividindo uma shisha (ou narguilé - descobri o nome através da internet). Como não havia escada, supus que eles só poderiam ter chegado lá voando e constatando que realmente era apenas um sonho, comecei a voar e isso era muito divertido. O local era encantador e fui ver um pequeno pássaro que estava preso numa gaiola num dos cantos. Enquanto eu voava o pequeno e belo animal estava preso. Comecei a conversar com ele carinhosamente quando notei que a comida dele estava mofada. Indignada com aquilo notei que ele estava quieto de mais e olhando bem para sua penugem azul brilhante, dei-me conta de que ele também começava a mofar e por certo deveria estar morto. Então comentei com a jovem, a qual ficara me observando, que aquele local estava precisando de funcionários melhores. Chocada com o fato me retirei do ambiente e nisso acordei.(4)

Ψ


EM 4 TEMPOS

PRIMEIRO TEMPO

No post, que pode ser revisto, Serpente e kundaline, no link


ou no indicador temático "kundalini" ou "serpente", o leitor poderá encontrar conteúdo relacionado, de onde pincei o seguinte trecho de sonho anteriormente relatado do mesmo sonhador:

“...e então deparei com um jacaré fino e comprido, parecia um filhote. Comentei que aquilo não era uma cobra e então me disseram que logo eu veria a cobra. Realmente, logo depois uma cobra de cor verde claro começou a sair de dentro do jacaré como se este tivesse uma bolsa nas costas.”

O relato acima se contrapõe ao atual onde as cobras se alimentam de jacarés.

No primeiro a cobra sai de dentro do jacaré neste o jacaré penetra a cobra.

A associação que me vem é imediata.

No post indicado escrevi que: “O Jacaré ocupa o terreno de mediador entre os elementos Terra e Água. O que faz dele o elemento que simboliza as contradições. Possui o mesmo simbolismo do Dragão, daí a força negativa de sua presença, agressividade, ameaça originária do inconsciente coletivo.”

Portanto, a dinâmica da psique pode estar indicando que seus centro energéticos incorporam, assimilam, atualizam, energias acumulativas voltadas para respostas reativas de defesa e de ataque contra o meio ameaçador.

O encontro com A. Einstein e a ocupação de assistente, pode ser referência da presença de ordenação de conteúdos masculinos agora comandados pelo pensamento lógico, pela elaboração de conteúdos e raciocínios, observação e o desenvolvimento de atitudes menos impulsivas e mais trabalhadas em objetivos.

Duas observações:

1. As cobras subindo e descendo podem indicar fluxo de energia que rompe os estados de maior densidade e paralisia para estados energéticos mais dinâmicos.

Quando as energias são densas ficam localizadas em estado mais profundos do corpo, consequentemente para serem acionadas exigem maior polarização e grande diferença de potencial elétrico, daí a presença de comportamentos mais explosivos e agressivos. A energia para ser acionada precisa de reações poderosas que quando atingidas resultam em explosões emocionais reativas e descontroladas. Há ausência de controle emotivo e de domínio de pulsões.

A introdução da consciência disciplinada, e analítica favorece o reordenamento dessas energias densas e que escapavam ao poder de controle do indivíduo;

2. A dinâmica da Kundalini se apresenta-se circulando pelo corpo. E a sua atitude é de domínio, e controle pegando cada fluxo e colocando-o no lugar devido, devolvendo-o ao controle do mestre do pensamento físico.

Você pode não se alimentar de carne, mas é constituída como carne. O cheiro é cheiro de vida, de desejos, de mulher carnal, sexual que atrai a “cobra” masculina.

As energias liberadas, liberam o poder de atração feminino. Se prepare para o assédio masculino.


A imagem acima e a anterior é uma singela lembrança e homenagem a Antoine de Saint- Exupéry

SEGUNDO TEMPO

Voce bem percebeu:

“Percebendo que nada daquilo estava normal,...”

A construção parece-me uma atualização psíquica que quebra a rigidez de seu controle perceptivo. Sua forma de funcionar, não escapa ao padrão coletivo, ordenando a percepção para uma classificação do cenário que está inserida para obter controle e eliminar a ameaças que coloquem em risco o seu entendimento do mundo. Você se refugia na construção de um mundo que lhe seja mais confortável mentalmente.

O sonho quebra esse padrão, e já vem fazendo isso a um longo tempo, para compensar sua rigidez mental e para prepará-la para poder avançar para outros estágios de percepção e de compreensão da realidade do mundo. A fase continua sendo de preparação e transição. Se antes você aprendeu a nadar, agora já possui instrumento, boia, para flutuar. E transpor o túnel, a transição.



TERCEIRO TEMPO

O estado de consciência é conquistado. A consciencia do Presente. A visão do SER

“Foi então que dei-me conta de estar sonhando. Fiquei maravilhada por ter consciência do fato. Explorei o local olhando para o exterior. De uma janela enxerguei vastas dunas de areia com pessoas passeando de elefante, camelo, dromedário e cavalos. Achei muito divertido estar ali.”

Elefante – símbolo do poder real, Xiva, prosperidade, estabilidade, força, longevidade e capacidade destrutiva quando descontrolado e pulsional;

Camelo (Camelus bactrianus, duas corcovas no dorso), Dromedário (Camelus dromedarius, com uma só corcova no dorso) – simbolo da sobriedade e do caráter difícil. Atributo da Temperança, a capacidade de resistência, o aliado na travessia do deserto.

Cavalo – símbolo do psiquismo inconsciente. A sublimação do instinto, a força domesticada a serviço do ser humano. Ver indicador temático.

A consciência pode não estar consolidada, mas já é experimentada, sentida, vivida. Se conquista a observação. Inicia-se a exploração e descoberta do mundo.

O Deserto se mostra rico e esplêndido, cheio de vida, o humour é agradável. Há harmonia e o equilíbrio é positivo. O individuo se aprimora, amadurece, a consciência se amplia.


QUARTO TEMPO

O pássaro é o símbolo da Alma, a representação da alma que se liberta do corpo.

Símbolo celeste e dos estados espirituais, o estado superior, representa a personalidade do sonhador.

No sonho você adquire a capacidade de romper com as barreiras e forças que a puxam para baixo, e subindo encontra seu pássaro azul aprisionado, seu espírito azul brilhante aobrevivendo às custas de alimentos estragados.

Olhando por esse prisma a imagem é infeliz, mas ao contrário do que parece, considero o encontro auspicioso, porque o que encontras e vês pode ser o estado do espírito que sofria o impacto do aprisionamento e agora podes ter o domínio para realizar as ações que levem à libertação deste espírito aprisionado.

Bem, em princípio é isso. Penso que pode favorecer sua reflexão e entendimento de seu momento. Outros acréscimos poderiam ser feitos, mas por hora é o que a situação me permite.

Ψ

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MÃE E COBRA

  

Ch 47
Sonhos dessa noite:

Primeiro sonhei que minha mãe foi pegar o tapete da porta do banheiro e havia uma cobra dentro dele, entre o tecido de cima e o forro. Ela achou que a cobra não ia sair dali de dentro. Mas a cobra não apenas saiu como picou o pé dela e ficou agarrada a seu pé sem se soltar. Fui buscar um vidro para capturar a cobra pensando que ia ter de levar minha mãe num médico e mostrar-lhe a espécie a fim de que ela pudesse ser medicada corretamente.

Embora exista a repetição da cobra nos sonhos, nesse caso a ameaça e tensão pareceu estar mais voltada para a figura materna do que para mim. Há alguma diferença de significado a ser analisada?

Em geral fico fascinado com o universo onírico, e com a sutileza com que nos coloca de frente para o sentido primordial da vida. Veja esse sonho, em principio, um sonho curto, parecido com qualquer outro sonho que envolva um reptil tão “comum” como a cobra, mas... Recentemente postei no Blog Jornada d’Alma “André Jararaca” (23.03), não sei se você acompanha o Jornada, se acompanha seu Incs pode ter puxado dali a construção do sentido da mensagem que quer realçar. Se não viu o post, eliminamos o evento mesmo que consideremos a relativa simultaneidade de fatos tão próximos (um acontecimento real em minha vida e o seu sonho). É necessário considerar isto já que existe um diálogo entre Inconscientes, e este diálogo transcende as referências básicas da realidade como a conhecemos.

Não considerarei a simbologia de uso corrente, apenas a primordial. Mãe e cobra são símbolos arquetípicos fundamentais, origem da energia, mediadora e a energia propriamente dita.


  • Há dinâmica de libido em movimento, natural. Energia primordial se mobiliza, desprende-se das sombras e aflora à realidade. Movimento de integração de energia ainda selvagem e bruta que se agrega à consciência;

  • A energia surge como sinal na extremidade do corpo, na ponta dos pés, indicando que precisará ser tratada e trabalhada para atingir níveis mais elevados da consciência;

  • Essa energia elevará suas polarizações (tensão), anunciando a necessidade de cautela, calma, resposta ativa, iniciativa, para que consiga superar a transição nas mudanças que se operam na sua dinâmica corporal. Lidar com energias primordiais exigem sempre muito cuidado, entre outras coisas, indico-lhe aumento do tempo de resposta frente aos acontecimentos diários na sua vida, para diminuir a reatividade e ter mais tempo para elaborar respostas menos tempestivas e impulsivas;

  • Simbolicamente para crescer é preciso matar os pais dentro de nós, abre espaço para a maturação pessoal, o sonho indica a inicialização desse processo da transformação da mãe para uma significação abstrato e simbólico (no divino).
O sonho sinaliza a necessidade de se preparar para a sua separação da mãe, na realidade, a morte da mãe. Já que uma perda deste naipe tenderá a provocar-lhe um aumento de tensão num nível perigoso. E pode fazer referencia à sua natureza de mulher como mãe, Geratriz e fonte de vida. O momento pode ser indicativo de maiores possibilidades para fecundação.

Gosto da resposta de procura do vidro (Transparência), para a captura da cobra e não a ação de morte à cobra. E uma busca sensata frente ao imprevisível, ao invés de uma resposta emocional passional e de desespero.

  Bye.

terça-feira, 30 de março de 2010

COBRAS E LAGARTOS I





  


CH39
Como sonhos não tem fim, eis mais alguns:
Sonhei com muitos casais de cobras finas na garagem que, esticadas, se encontravam cabeça com cabeça formando várias linhas de cobras paralelas num alinhamento diagonal. Havia alguém lavando a garagem, acho que era a faxineira do inquilino da casa de cima, e minha mãe olhava essa pessoa da porta de entrada daqui de casa. Perguntei a minha mãe se não iam matar as cobras e ela respondeu que não sem dar maiores explicações. Nisso eu quis acordar e não conseguia. Chamava pela minha mãe para ela me acordar. Minha voz saia sôfrega e rouca. Sabia que me desesperar era pior. Eu precisava me acalmar se quisesse acordar e, como em todas as vezes que sonhei com isso, tentei manipular a situação não forçando o despertar para ele vir a ocorrer de modo natural. É como se de certa forma eu estivesse com meu cérebro acordado, mas todo o resto do meu corpo não me obedecesse estando em profundo sono. Isso continuou desesperador até que de fato consegui acordar bastante assustada.
 Quando voltei a dormir sonhei que meu dente canino esquerdo estava mole e quebrado enquanto havia outro torto e pequeno nascido por dentro. Eu estava de luva preta rendada e conforme mexia no dente para analisá-lo, a luva sujava com bastante sangue. Por fim eu tirei a luva suja ainda perplexa e penalizada tentando entender como meu dente ficara daquela forma.
Sonhar com tudo isso foi horrível e eu me sentia sem ter o que fazer para mudar ou sanar os problemas. Será que isso tem referência a esse mesmo sentimento com relação a situações concretas da vida?

COBRAS E LAGARTOS II

           
 
As cobras podem ser vistas sob a lente de aumento dos sonhos, Sabia? No sonho uma imagem invísivel ao nosso olhar comum pode ser amplificada pela psiquê e em caso de distorção se constroi a imagem em cima de representações e códigos de imagens mais próximos do que seria a imagem autêntica.  Neste caso é importante que considere a possibilidade de representação simbólica de infestação microbiana. Face exame de fezes para tirar dúvidas de contaminação e infestação, ou fique atenta à possibilidades de infecções por vírus e bactérias.
As cobras possuem múltiplas, importantes e vastas significações,  abordarei significados que considero essenciais mesmo pareçam básicos: Tenho visto ao longo dos anos significações desse símbolo que estão relacionados à sua dimensão pessoal e ao coletivo. Faltando-me a possibilidade de averiguação e a proximidade que me permitissem a busca do significado pessoal (absolutamente restrito) resta-nos considerar a compreensão do coletivo que, pela quantidade de possibilidades, me exigem um foco mais sintético.
A cobra encarna a psique inferior, o psiquismo obscuro, misterioso, incompreensível, raro. As serpentes formam a multiplicidade primordial, indivisível, que nunca encerra o desenrolar-se, desenroscar-se, desaparecer e renascer. O homem aparece numa ponta da escala de evolução e as serpentes na outra ponta.
Como símbolo da energia vital (a kundaline) que ascende a partir do cóccix pela coluna vertebral, subida da libido, renovação da vida e atinge os chacras superiores para levar o indivíduo à individuação ou à insanidade.
            No sonho relatado parece-me uma indicação de atualização de seus mecanismos psíquicos, Principalmente creio, o processo e dinâmica de desenvolvimento da resistência necessária para suportar o impacto da realidade ou do que a vida lhe exigir.
Veja só: para sermos bem sucedidos em nosso processo de desenvolvimento precisamos nos preparar, ou estar preparados, para suportar o impacto devastador da realidade sobre nós. Impacto diário e inevitável que vivemos com essa realidade, apenas por estarmos vivos. Se, a cada mudança da realidade sofrermos como os escalpelados que sucumbem, com o impacto de uma leve brisa, à dor, acabaremos desmoronados e devastados por esse impacto- realidade. Tenho visto pela vida, pessoas sucumbindo por despreparo, indisciplina, fragilidade, resistência à mudanças, delicadeza, evitação, desorganização, falta de planejamento, super-estima, orgulho, falta de humildade, arrogância, etc.

                   A REALIDADE É IMPERMANENTE E DESCONTÍNUA.

É difícil aceitar, nos exige humildade, e definitivamente nós não temos escape.
Por exemplo: Como a morte é definitiva e atingirá com sua mão a todos, é necessário trabalhar a aceitação deste desígnio e fortalecer a resistência psíquica a essa realidade para que a morte de um ente querido deixe de representar o fim do “outro” afetivo e passe a significar a morte pessoal, transformando um desígnio coletivo em um suicídio pessoal.
Desta forma, é necessário que trabalhemos todas as possibilidades devastadoras da realidade para não sermos pegos despreparados pela imprevisibilidade da vida.
É isto que eu chamo de um processo onírico de atualização psíquica. A psique nos coloca em situação propícia, de confronto, para que trabalhemos mudanças necessárias ou para que exercitemos e ampliemos respostas possíveis diante da imprevisibilidade dessa realidade devastadora.
            Em segundo lugar, além da atualização, e da necessidade de se trabalhar a relação pessoal com forças internas propulsoras, pulsionais, instintivas, de origem inconsciente surge a tendência coletiva e instintiva de matar a “serpente”. É uma relação arquetípica a que vivemos em relação a esses vertebrados, eles sempre apareceram como ameaçadores principalmente porque, no passado, quando peçonhentos não ofereciam possibilidade de sobrevida quando inoculavam a sua peçonha, representavam a morte. É o encontro com a morte ameaçadora, com o imponderável, com aquilo que foge ao controle pessoal. Sinaliza seus temores.
É inevitável lembrarmos-nos da serpente que insinua a transgressão, o pecado original, a mulher ao pecado:
1 Ora, a serpente mostrava ser o mais cauteloso de todos os animais selváticos do campo, que  Deus havia feito. Assim, ela começou a dizer à mulher: “É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?” 2 A isso a mulher disse à serpente: “Do fruto das árvores do jardim podemos comer. 3 Mas, quanto [a comer] do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Não deveis comer dele, não, nem deveis tocar nele, para que não morrais.’” 4 A isso a serpente disse à mulher: “Positivamente não morrereis. 5 Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.”

Ao comermos o fruto do conhecimento, incorporamos a responsabilidade da consciência e não temos mais a chance de escapar usando a ignorância de nossos atos.
A dificuldade do despertar define sua ansiedade e a profundidade do sono, já que não aparece como sinal de patologia. Neste aspecto é fundamental que aumente a sua disciplina pessoal, o autocontrole, para evitar angústias e pânico em situações, em principio, naturais. Quando o corpo funciona dentro de seus padrões de “normalidade”, nós não somos exigidos, mas quando o somos temos de estar preparados para lidar com o imponderável.

“Sabia que me desesperar era pior. Eu precisava me acalmar se quisesse acordar e, como em todas as vezes que sonhei com isso, tentei manipular a situação não forçando o despertar para ele vir a ocorrer de modo natural. É como se de certa forma eu estivesse com meu cérebro acordado, mas todo o resto do meu corpo não me obedecesse estando em profundo sono. Isso continuou desesperador até que de fato consegui acordar bastante assustada.”

 Você deve ter percebido a associação entre os dois cenários: as cobras e a angústia para despertar, são variações de um mesmo tema. E tens consciência da importância de trabalhar seu domínio, controle e calma dentro de cenários desfavoráveis. Existem certos momentos, em que não nos cabe o “ fazer”, apenas nos cabe a atitude, a postura para que não sejamos pulverizados pelo impacto devastador da vida.
Dente canino... Mole e quebrado (sem poder de mordedura, mastigação). Dente pequeno nascendo dentro do dente. Sangue na luva (proteção de mão) preta rendada.
Primeira associação; Menstruação. Você esta em período pré-menstrual, ou menstrual? TPM? Algum evento relacionado? Apenas para avaliação de cenário.
Perder dentes está relacionado à perda de força, de agressividade, resistências, defesas. Símbolo de frustração, castração. Para os Bambarras os caninos simbolizam o encarniçamento e ódio.
As luvas representaram o instrumento de desafio nas situações de defesa da honra e dos princípios moral e religioso. Vestimenta das mãos, funciona como defesa por intermediar a relação com o meio.
No sonho podem significar a introdução de um mecanismo ou instrumento que intermédia a sua força agressiva, que media a sua relação com a realidade ou introduz um filtro nesta relação. Considerando sua característica (rendada) podemos pensar em refinamento nesta intermediação. Só parece-me impreciso a cor preta, já que pode sinalizar um instrumento ainda não purificado (branco), não desenvolvido plenamente, ou em fase de formação (saído das sombras).

  BYE.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Charlot6




Olá, o que pode significar esse sonho? Estava numa espécie de sala grande donde havia alguns cobertores no chão e outras coisas que não lembro exatamente do que se tratava. Haviam alguns escorpiões pretos andado pelo local. A principio eu os queria matar como se fossem baratas, ou seja, com uma sapatada. Entretanto eles eram espertos e se escondiam. Eu estava receosa de ser picada, mas levantava as cobertas e abanava estas praticamente sem nenhuma cautela. Eu os vi com muita perfeição dentro do sonho. Em seqüência não sei bem o que aconteceu, mas eu me transformei numa espécie de leão e dei uma bocada na cabeça da mulher que estava me ajudando a tentar matar os escorpiões. Pareceu uma cena de filme de ficção. Era como se de um momento para outro eu houvesse tomado as dores dos escorpiões para mim e decidisse protegê-los. Embora seja muito estranho se ver transformando num leão, isso me fez sentir forte, temida e no comando dentro daquela situação onírica. Havia mais pessoas no local que não lembro quem eram. Quando fui sair da sala, que neste momento mais parecia um templo abrigando pessoas desapropriadas ou carentes, eis que na porta havia um monte de ratos grandes mortos já apodrecendo. Entre eles algumas cobras se mexiam como para mostrarem que estavam vivas. Eu sentia certo receio, mas sabia que elas não me fariam nenhum mal se eu respeitasse o espaço delas e por isso não me aproximei muito. De toda forma não entendi porque aquilo estava na porta daquele local. Isso é tudo o que lembro de um sonho bastante animal”.


A Psiquê é fantástica na sua capacidade construtiva. Imagens de animais sempre nos remetem à identidade que partilhamos com eles. Assim de imediato me surgem associações entre você e características que possui de escorpião, leão e cobra. Faça uma reflexão sobre esses lados obscuros ou não. Me chama a atenção a dinâmica inicial em que você se defronta com o escorpião e reage de forma natural tentando matá-los, e eles fugindo. Passa-me a possibilidade de você estar trabalhando para eliminar características associadas a esse aracnídeo (volto a pensar numa questão de ameaça à saúde em forma microbiana( você avaliou alguma infestação ou contaminação?). A psique sempre cria confrontos que nos favoreçam enfrentar fragilidades que possuímos. Frente a uma situação de perigo você incorpora a atitude de enfrentamento, o que é absolutamente favorável como resposta. A força incorporada de sua reação de defesa mostra a atitude ativa de quem não sucumbe ao medo ao pavor, ao imprevisível. Mas abocanhar a mulher em defesa pode ser o sinal de atitudes de identidade com aquilo que você deseja eliminar. No primeiro momento você esta diferenciada e no segundo você está identificada. Mas tudo isto é realçado na sua força leonina e máscula. O leão comedor de mulher. A força do poder e a supremacia do masculino que domina o feminino.O leão soberbo que frente ao poder feminino vira macho falastrão releva sua força relativa. Todos são momentos decisivos que sinalizam um poder de energia capaz de ser mobilizado no ataque e na defesa, força agressiva. Pode ser que tudo isto esteja camuflado na sensibilidade e no excesso de compaixão. Ratos na concepção freudiana evidenciam conotação fálica e anal associados à natureza retensiva. Considerando os ratos mortos podemos pensar em superação de estágios e de resíduos primitivos. Passar a porta, o portal, pode significar mudanças de atitude ou a necessidade delas, já que sempre que isto acontece se faz necessário enfrentar obstáculos para ultrapassa-los.. Novamente reaparecem os conflitos, paradoxos e ambigüidade: ATAQUE X DEFESA; AGRESSIVIDADE X COMPAIXÃO; MASCULINIDADEXFEMINILIDADE. As cobras me levam à associação entre a forças internas que precisam ser controladas, administradas, conhecidas, dominadas, comandas, dirigidas para superar as atitudes impulsivas, as pulsões descontroladas e explosivas. Precisamos trabalhar o aprimoramento para superar os resquícios da natureza animal. O movimento é de que você está viva, e energias dinâmicas se mobilizam. ATENÇÃO! Sigamos. Ver Glossário.

sábado, 5 de setembro de 2009

GLOSSÁRIO

ARROZ: é Simbolo que representa a riqueza, a abundancia, a pureza, fecundidade e felicidade. Possui origem divina e sua cultura laboriosa é consecutiva à ruptuta das relações entre o Céu e a Terra.

CÃO: a função mítica o cão é servir de guia na noite da morte (psicopompo). Heroi civilizador, ancestral mítico, simbolo de potencia sexual, símbolo de perenidade, sedutor, incontinente. No Islã o cão possui a imagem de ser VIL, símbolo de avidez, gula. Simbolo do divino e do satânico.

CALÇADO – Liberdade, sentido simbólico ligado ao dos pés; mediador do corpo com a terra, proteção, instrumento extensivo do corpo, vestimento e órgão de força.

CARRO - Na China o carro é o símbolo do mundo. Símbolo do Ego; o carro só existe em função do conjunto de peças que o formam; assim como o ego é apenas uma designação funcional. O conjunto das forças cósmicas e psíquicas a conduzir; o condutor é o espírito que o dirige; representa a natureza física do Homem, seus apetites, seu instinto de sobrevivência e de destrutividade, suas paixões inferiores, seus poderes de ordem material sobre aquilo que é material; Como o veículo de uma alma em experiência, ele transporta essa alma pelo tempo que dura uma encarnação.

No Tarô o carro é a sétima carta e está ligada ao homem que superou as oposições e unificou as tendências contrárias através de sua força vontade. Neste caso, estamos no domínio da ação pessoal situada no espaço e no tempo. A Fatalidade foi ultrapassada.


CHAVE: A chave simboliza Poder, o chefe, o senhor, o iniciador, aquele que detém o poder de decisões e a responsabilidade. É o instrumento que fecha e que abre. Que protege o guardado do desejo alheio. A chave é também símbolo do mistério a ser desvendado, e o instrumento que lhe permite avançar por etapas de transição entre o inicio e o propósito final.

COBRA – Pulsão. Energia vital, Kundaline.Encarna a psiquê inferior, o psiquismo obscuro, o raro, incompreensivo, misterioso. A serpente encarna um complexo arquetípico, ligado à noite, às sombras e aos subterrâneos de nossas origens”todas as serpentes formam juntas um conteúdo primordial, indivisível, que não cessa na aspiral da vida a dinâmica de nascer e morrer. Símbolo da energia da vida que serpenteia pelo universo.

ESCORPIÃO - Animal noturno, vive nas sombras, arisco, de natureza venenosa, pulsional, reativa e maternal. Instrumento de justiça e vingança, a capacidade de se sacrificar.

EXCREMENTO - “segundo Freud em sua experiência psicológica, com frequência associa-se o mais desprovido de valor ao mais valioso”. Considerados como receptáculo de Força, eles simbolizam uma potencia biológica sagrada que reside no homem, é produzida por ele e mesmo depois de descartada ainda pode ser aproveitada. Na fase do desenvolvimento humano desempenha fator da mais alta relevância na constituição de caracteres da personalidade que podem definir toda a história de uma pessoa pela vida. Ele é a síntese daquele que come e do que é comido.


FALO – Símbolo do poder gerador, enquanto princípio ativo. A representação não é necessariamente esotérica (Linga; Ônfalo) nem sexual ou erótica. Significa simplesmente a potência geradora. O falo representa um princípio equilibrador na dinâmica do homem e na ordem do mundo. Força criadora e origem da vida.

GATO: símbolo com características opostas, variando entre, o bem e o mal, qualidades benéficas e maléficas. Predador Manso. Animal doméstico e impulsivo, com propósitos definidos enquanto animal. Dissimulado, fingido, agressivo, furtivo. Não confiável, no sentido em que aparente domesticidade, mas mantém a característica do animal felino e predador, a sua origem, a sua natureza (neste aspecto ele não é fingido mas é oportunista, se passa por doméstico na convivência mas mantém sua natureza como à espreita. Diferentemente do cão que sociabiliza sua natureza e aceita sua condição de submissão ao poder humano. Nas sociedades budistas é olhado com desconfiança por ter sido junto com a cobra os dois animais que não se comoveram com a morte de Buda. O que por outra lado evidencia o animal que mantém diferenciado e não se mistura na conturbação dos sentimento. Eu faço inclusive uma comparação de sua frieza com a dos PSICOPATAS ( animal frio, insensível, a não ser para satisfazer seus próprios desejos , interesses e propósitos). Na cabala, como no budismo o gato é associado à serpente, ao pecado, ao materialismo. Para índios americanos do norte o gato é símbolo de Sagacidade, engenhosidade, espreitador, malícia, e ponderado, realizando sempre seus propósitos.

LEÃO – Poder, soberano, símbolo solar e luminoso, rei os animais. Simboliza o pai que encantado com a própria força se torna tirano. Encarnação do poder e da justiça pode caracterizar o excesso, o orgulho, a petulância, a arrogância. A armadilha da Inflação.

MAR – “Símbolo da dinâmica da vida. “Tudo sai do mar e tudo retorna a ele; lugar dos nascimentos, das transformações e dos renascimentos”.

NUDEZ: A nudez pura de adão se transforma na ponte para o pecado, na descoberta do prazer a partir da transgressão e do rompimento das fronteiras do conhecimento. Duplicidade de significados: o natural, o encontro, o amor, a troca e a vaidade, as paixões, o realce dos sentidos, o corpo sedutor que atrai os olhares e os desejos. Representa o ser original , o ser antes da aculturação, o selvagem, o primordial.

ONDAS – “O mergulho indica mudança radical nas idéias, nas atitudes, no comportamento, na existência. Simbolismo que se aproxima da representação do Batismo em duas fases: Imersão e Ressurgência”;
- “As ondas levantadas pela tempestade foram comparadas aos dragões das profundezas. Simbolizam as súbitas irrupções do inconsciente, outra massa, de ordem psíquica, de uma inércia enganadora, impelida pelas pulsões instintivas a atacar o espírito, o ego dirigido pela razão”.

RAIO – “Símbolo da atividade celeste.O poder infinito do Deus supremo. Fogo celeste de força irresistível. Bipolar ele simboliza de modo geral o poder criador e destruidor da divindade. O raio gera e destrói ao mesmo tempo, ele é vida e é morte. A criação que surge do nada em estado caótico”.

RATO – Símbolo Ctônico. Esfomeado, noturno, prolífico, ágil, propagador de peste. Imagem da avareza e da cupidez.

TEMPESTADE- “Símbolo teofânico manifestando a temível onipotência de Deus. Enquanto a tormenta pode prenunciar revelação, a tempestade é uma manifestação da cólera divina e, às vezes, um castigo”.

TERRA- Princípio passivo em oposição ao princípio ativo, feminino em oposição ao masculino. Conteúdo feminino, materno, que fixa a árvore, que é fecundada pela chuva. Identificada com a mãe, símbolo da fecundidade e da capacidade de regeneração. Dá à luz todos os seres, alimenta-os, depois recolhe e acolhe o germe fecundo e transforma todos em pó, reabsorve o que formou. Matriz que concebe os minerais, os metais, a água, as fontes, a vida. Símbolo do consciente e de seus conflitos, dos desejos, da possibilidade de transformação, sublimação e perversão. Arena dos conflitos da consciência do ser humano.

TIGRE: Segundo E. Aeppli, "nos sonhos ele representa um conjunto de tendência que se tornaram completamente autônomas e que estão sempre prontas para nos atacar inesperadamente e para nos despedaçar. Sua poderosa natureza felina encarna um conjunto de forças instintivas, cujo encontro é tão inevitável quanto perigoso; essa natureza é astuciosa, menos cega do que a do Touro, mais feroz do que a do cão selvagem, apesar de igualmente inadaptada. Esses instintos mostram-se sob o seu mais agressivo aspecto, porque, presos na selva tornaram-se completamente desumanos. O Tigre fascina, no entanto: é grande e poderoso, embora não tenha a dignidade do Lewão. É um pérfido déspota que desconhece o perdão. Ver aparecer um tigre nos seus sonhos significa estar perigosamente exposto à bestialidade dos seus impulsos instintivos (Ernest Aeppli - Les Rêves et Leur Interprétation, Paris 1951)"

VIAGEM - “ A viagem exprime um desejo profundo de mudança interior, uma necessidade de experiências novas, mais do que um deslocamento físico, indica uma insatisfação que leva à busca e à descoberta de novos horizontes”(Jung)