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quarta-feira, 17 de março de 2010

TORMENTOS I






Charlot36
Como sonhei muito essa noite! Obviamente não lembro de tudo, mas vou tentar resgatar algumas partes. Lembro de estar dentro de um carro, que estava estacionado, conversando com um amigo muito querido. O clima era muito agradável e me sentia muito bem até que um carro colidiu exatamente ao lado. Uma vez que a rua era muito movimentada, senti que correríamos perigo se ficássemos dentro do carro e dizendo isso fui saindo desesperada do veículo, inclusive descalça e pesarosa por deixar meu tênis novo para trás. Não sei por que eu não estava calçada. Não tenho certeza se meu amigo conseguiu sair também, pois tudo foi muito rápido e outros veículos, incluindo ônibus e enormes carretas foram literalmente passando por cima de todos os carros que estavam na frente, inclusive os estacionados. Foi um massacre total e me deram como morta. Eu fui tentar convencer minha mãe de que eu não morrera e, dentro de um ônibus, observei que ela levava flores e alguns sapatinhos de crochê (que faço para doar a mães carentes) a fim de colocar dentro do meu caixão em representação minha. Cheguei até ela e disse que eu não havia morrido, mas ela não acreditou que eu fosse eu. Achei estranho e fiquei desesperada pensando que tinha de fazer algo. Nisso me falaram o nome de uma amiga que estava ajudando casos semelhantes e corri até ela cheia de esperança. Ela estava incorporada de preta velha e encontrei junto dela algumas outras pessoas conhecidas, inclusive, se não me engano, o amigo do carro que não sabia se houvera sobrevivido. Perguntei a preta velha se era verdade que eu morrera (mesmo tendo certeza de que estava viva) e ela confirmou que eu ainda não havia morrido. Pedi ajuda e ela disse que ia fazer sua mandinga. Não lembro muito dessa parte.
Desci do ônibus com o suposto amigo.
Nos pusemos a caminhar e outra vez sentia-me muito bem por estar ao lado dele. Ele não me passava sensação de segurança ou paixão (embora desse um excelente namorado), mas sim de cumplicidade. Algo nele me atraía bastante e me fazia ficar encantada e alegre. Fomos caminhando até a casa de uma pessoa conhecida dele. Entramos e sentamos na sala. Fiquei observando para meus pés que estavam calçados com algo improvisado e, embora não me agradasse muito, estava sem outra opção melhor. Ele trabalhava com arrumação de festas para a mulher que morava na casa em que estávamos e relatou-me que para algumas festas era convidado, mas para outras, como a daquela noite, infelizmente o convite não era feito. Ficamos conversando amigavelmente, mas também não recordo muito dessa parte. Sei que depois eu estava andando pela rua normalmente quando começou a acontecer um verdadeiro caos. Explosões, tiros, um enorme avião que foi decolar e caiu assim que saiu da pista provocando uma torrente de fogo que começou a se alastrar nos carros e casas, uma loucura sem tamanho. Pus-me a correr e tinha que tomar cuidado para não ser atingida pelas tampas dos bueiros que saiam fortemente voando enquanto jatos de ar eclodiam por debaixo da terra. Nisso adentrei num local e me escondi com uma jovem. Estávamos bem até que entraram duas mulheres e, desesperadas, nos vendo como sinal de ameaça (não sei por que) tentaram nos matar com facas. Em defesa, mesmo me machucando, enfrentei a briga e consegui matar as duas com a ajuda dessa amiga. Nisso desci para a parte de baixo pulando por uma grade. Parecia um deposito e havia varias caixas. Escondi-me entre elas tentando não ser vista pelas pessoas que já estavam ali escondidas, pois não queria ter de matar mais ninguém. De repente vieram alguns homens investigadores e saí fugida entrando numa sala de aula universitária. Eu estava desesperada achando que estavam me procurando por causa das mulheres que eu havia matado. Nisso a jovem que estava comigo deu-me cobertura e falou para me esconder embaixo do banco no qual ela estava sentada e assim, escondeu-me com sua saia rodada. Continuaram na procura e eu não cabia totalmente em baixo do banco. Desconfiado começaram a espetar um ferro passando-o pelo chão. Eu levantava o corpo apoiando apenas nas mãos e fazia de tudo para dar a impressão de que não havia nada ali. Insatisfeitos, mas sem poder levantarem a saia da jovem, pegaram um rodo e aí conseguiram me descobrir. Achei que eu fosse ser levada presa ou até que fossem me matar, mas unicamente avisaram que eu ia ser deportada. Fiquei aliviada. Abracei a jovem feliz pela nova amizade tão necessária naquele momento desesperador. Ela me consolou sobre a deportação e eu disse que estava tudo bem, até porque, o que mais queria era sair daquele caos. Deixaram-me reclusa até o dia seguinte dentro da suposta universidade e, durante a madrugada, encontrei um casal de assaltantes querendo roubar o local. Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local. Isso pareceu me dar crédito. Ao menos pessoalmente eu me sentia favorecida com aquela segunda situação de enfrentamento corporal.
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
O resto eu não lembro. Por que essa mistura de pessoas tão amigas e outras tão ameaçadoras? Por que a diferença de ambientes torturantes e outros agradáveis? O que faz um sonho ter essas características contrastantes? Por que sonhar com tantas pessoas que só as conheço dentro do sonho?

TORMENTOS II




Charlot36

Desastre,
 “enormes carretas foram literalmente passando por cima de todos os carros” Foi um massacre total e me deram como morta.” “eu não havia morrido, mas ela não acreditou que eu fosse eu.”... Fiquei desesperada...  Tinha de fazer algo. Perguntei a preta velha se era verdade que eu morrera... Eu ainda não havia morrido. Pedi ajuda.
Um acontecimento que ronda a fantasia de muita gente, é morrer e ser enterrado vivo. Ou seja, morrer para os outros, ter a consciência de estar vivo, mas ser considerado como morto. Não é apenas morrer, mas morrer sabendo que morreu sem morrer. No caso de ser enterrado o desespero aumenta porque o enterro define a impossibilidade de escape da situação, o que implicará em ter que morrer novamente, o que pode significar muita punição. No seu sonho é morrer sem ter morrido. O que nos remete a morte em vida. Esse o grande risco que corremos: estarmos vivos, mas simbolicamente não representarmos mais do que uma lembrança para os outros, e principalmente, independente do outro, viver sabendo que na vida estamos mortos, que a nossa dinâmica está paralisada, que pouco representamos, pouco realizamos, que nada somos. Vivos mortos, mortos vivos.
Veja que interessante: Após o “Grande Desastre” nas imagens iniciais do sonho, ocorre uma pausa e a mensagem parece clara: “Fiquei OBSERVANDO para meus pés que estavam calçados com algo improvisado...”.

 Duas possibilidades:
            1. Insatisfação pessoal. Você gostaria de estar calçada (diante da realidade) com outro calçado. Sua realidade é precária e te deixa insatisfeita. Seu foco é estético e não é funcional, te faltando pragmatismo, objetividade, pés na realidade;
            2. Há ocorrência de inadequação entre suas atitudes e os instrumentos que você utiliza para  se apresentar dentro do que lhe exige a realidade. Você observa, “O Olhar” para sua realidade, “seus pés”, e se percebe usando instrumental improvisado.

“... e relatou-me que para algumas festas era convidado, mas para outras, como a daquela noite, infelizmente o convite não era feito.” 
Lembre-se da música de Cazuza: “Não me covidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer... quero ver quem paga prá gente ficar assim”. A festa tá rolando e você não foi covidada, não se Sente covidada a participar. Eu pressinto mudanças de autoestima frente a este confronto: A necessidade de festas como demanda para aliviar seu elevado nível de tensão (ocorrências em sonhos anteriores) deixa de ser o foco e você independente dos fatos consegue manter-se diferenciada continuando o diálogo amigavelmente.
E aí, volta a confusão:
“...eu estava andando pela rua normalmente quando começou a acontecer um verdadeiro caos. Explosões, tiros, um enorme avião que foi decolar e caiu”
A mudança é que você apresenta postura, e PRONTIDÃO, iniciativa, se mobiliza para a sua proteção corre, se esconde, se protege. Mas... Sonhos são assim... Enquanto não nos diferenciamos em consciência a profusão dos acontecimentos nos envolvem de forma tão avassaladora que passamos para um estágio em que não sabemos o que fazemos, nem porque fazemos. Perdemos o fio da meada. Ocorre relação com a realidade? Sim, na vida, no dia a dia é assim, se não nos diferenciamos e se não mantemos nossas referências, os acontecimentos podem ser tão avassaladores que esquecemos a razão de nossas respostas, perdemos o fio da meada, perdemos a compreensão para o sentido de nossas respostas. Passamos a agir e a responder sem saber por que assim fazemos, sem termos a conexão com o fato determinante. Nos perdemos na profusão dos acontecimentos, passamos a ser apenas a reatividade, a resposta sem conexão com o evento desencadeador.
Você Foge. De que Foge? Porque foge? Você apenas foge para se proteger de uma ameaça abstrata, de uma realidade desfavorável. Foge para evitar ter que se mostrar, para não encarar o que você realmente é, e não sua idealização. Foge para se esconder na idealização do que quer parecer.
“Nisso a jovem que estava comigo deu-me cobertura e falou para me esconder embaixo do banco no qual ela estava sentada e assim, escondeu-me com sua saia rodada. Continuaram na procura e eu não cabia totalmente em baixo do banco.” Você se esconde por debaixo na barra da saia de uma mulher jovem. Frágil e ameaçada. Mas você é confronta até o seu limite de angústia e descoberta, desmascarada.
“Achei que eu fosse ser levada presa ou até que fossem me matar, mas unicamente avisaram que eu ia ser deportada.” Esse o seu medo: Se mostrar e ser marginalizada, excluída do meio, condenada, deportada para o desterro, lugar ermo, solitário, solidão. Condenada sem crime, culpada, submissa e escapista por medo de sofrer o degredo.
O aprisionamento em seguida dá mostra de que nem aprisionada você se livra do confronto e da ameaça.

A FUGA APENAS ADIA O ENCONTRO INEVITÁVEL COM O DESTINO



TORMENTOS III



Something More -1989
 photo Tracey Moffatt - Austrália

“Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local.”
Este acontecimento eu considero excepcional e absolutamente sutil: Nos sonhos o aumento da consciência na realidade favorece o aumento da consciência e do poder de resposta a desafios em sonho. Isso quer dizer que ganhamos em controle, disciplina, observação e resposta. Deixamos de ser apenas reativos para sermos também agentes. Quando ocorre uma energia mobilizada para nos confrontar ou quando o inconsciente mobiliza, aciona um FLUX de energia, (um Quantum ou Quanta) para determinar uma construção de realidade onírica (imagens sucessivas dentro do roteiro dos sonhos, às vezes completados com mobilização da memória dos sons), essa mobilização permanece dentro de um ciclo intermitente de repetição (como um redemoinho) e somente é desmobilizado quando uma tensão igual, contrária ou superior consegue dissolver essa mobilização.
Neste sonho, os desastres iniciais são fluxos constantes e poderosos de energia que mobilizados no inconsciente afluem aos sonhos e mostram sua desorganização e a necessidade de serem ordenados, para que deixem de interferir na condução de sua psykhé como conteúdos autônomos. Na sequência, eles pausam, como que favorecendo um refresco para a consciência pessoal (inserida no sonho), aliviam a tensão para não devastar essa consciência e retornam no ciclo de repetição do fluxo. Quando você encara e assume o confronto, você superar o desafio a que foi convocada e aí a tensão se desfaz. Neste momento uma parte dessa energia, ou toda ela, é incorporada pela consciência. Se toda essa energia for incorporada o individuo se prepara para novos desafios já que será blindado e fortalecido em sua estrutura. Se só uma parte, dessa energia, for incorporada você se livra temporariamente do confronto, já que parte da desordem permanece autônoma afluindo à consciência. E se o confronto não se realiza pela fuga empreendida pelo individuo ele será permanentemente atormentado e solicitado a agir, se posicionar, não se esconder na omissão para que a reconfiguração psíquica possa ser realizada.
Nesse sonho parece-me que quando você é desmascarada em seu esconderijo e enfrenta a ameaça, você supera a angústia, desmobiliza o nível elevado da tensão dos opostos, transforma e metamorfoseia a realidade psíquica. O fluxo é desmobilizado e reaparecem os sinais de reencontro com o eixo do mundo:
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
Já fora da tensão dos Opostos, do fluxo e da dinâmica caótica, você caminha com a “Mãe” por um corredor (passagem, transição) ornado com a força vida da natureza (plantas), origem variada (riqueza), passa pelo túnel, gruta, gênese e moradia ancestral, encontra dois homens, energia Yang (transmutada?) e segue para o laboratório de plantas, lugar de análise, origens, conhecimento, estudo e sementes (poder germinador, nascimento, renascimento, transformação, vida). E você navega pelos ambientes, descobrindo novos lugares, novos espaços, experimenta o agradável e o confortável sem ameaças, o belo e o desconhecido mistério da vida.
              Muito mais teríamos, mas... por hora ...                    Bye.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TORMENTO

O Pesadelo -  Johann Heinrich Füssli -1781
The Institute Of Arts - Detroit

Charlot 30

Que noite horrível! Tive uma seqüência de pesadelos e, pelo pouco que consigo lembrar, tenho quatro contextos péssimos para relatar. Vou enumerá-los:

1. Sonhei que estava numa arquibancada de madeira e, no meio de um conflito policial que surgiu do nada, um homem começou a atirar balas explosivas na minha direção. Eu as tirava jogando longe antes de explodirem, mas foi até que uma incendiou-se antes de conseguir tirá-la. Daí eu fui obrigada a fugir agarrada na vertical por uma tela que havia por trás. O local parecia uma quadra de esportes, mas não tenho certeza. Passei por várias janelas experimentando em qual conseguia passar e, numa delas, a qual mal cabia minha cabeça, eu consegui fugir sem nem mesmo entender como conseguira tamanha proeza. Não sei se pulei ou se desci escalando a parede, pois o lugar da janela era muito alto. Perambulei a rua preocupada por não ter donde me esconder. Busquei refúgio numa casa me oferecendo para trabalhar. Não sei que casa era aquela, mas parecia um convento ou algum local religioso que abrigava mulheres por algum motivo. Uma das mulheres me acolheu e me mostrou o local que era imenso (com vários quartos, salas e jardins internos). Achei bonito e agradável o local, o qual tinha acabamento e decoração num estilo barroco conservador. Tudo parecia bom demais, porém eu continuava com muito medo e, embora me vendo posteriormente disfarçada com peruca e uma horrível roupa masculina meio esfarrapada, sabia que ia ser procurada pelo homem mal e desconhecido.

2. Eu escutava barulhos em casa e fiquei com medo pensando que era ladrão. Não estava com medo de roubo, mas de algo ruim me acontecer. Entretanto, saiu do banheiro o espírito de uma criança. Inicialmente continuei com o mesmo medo, mas depois percebi que, mesmo não a conhecendo, ela me era familiar e querida. Interrogando-a, fiquei sabendo que se chamava Isabel (ou Izabele, não lembro direito) e que, embora não pudesse me contar donde ou desde quando me conhecia, garantiu que gostava muito de mim e senti isso verdadeiramente ao abraçá-la. Ela disse morar no espaço junto de uma legião infantil que muito bem me queria. Nisso ela começou a cantar e, nos meus braços, foi se transformando num bebê. Vale lembrar que, conforme já relatado, não é a primeira vez que tenho um sonho de regressão física de uma criança se tornar um bebê.

3. Eu estava numa praça escura quando alguns homens e mulheres que pareciam drogados vieram em minha direção e me cercaram. Eu dava socos neles, mas era como se eles nem sentissem. Daí eles me prenderam numa espécie de jaula, cobriram com um pano preto e me levaram, mas depois alguém com muito custo concordou e conseguiu me soltar. Eu saí voando (e todos pareciam surpreendidos de eu voar) de um lugar que parecia uma creche ou abrigo de crianças. O estranho é que as crianças pareciam estar com medo de mim ou, então, não gostar da minha presença. Eu podia ver e sentir isso pelo rosto delas enquanto voava me retirando do local. Obviamente esse sonho é um contraste com o anterior pelo fato de haver crianças amigas e, posteriormente, outras aparentemente inimigas.

4. Para finalizar com chave de fel, sonhei que estava dormindo com muito sono como se estivesse dopada, mas precisava levantar, reagir, identificar se o meio estava ameaçador. No que levantei e fui para a cozinha, minha mãe, irmã e cunhado estavam montando um complô para me transformar noutra pessoa e me forçar a ser e usar o que eu não queria. Ao me ver minha mãe deu um dinheiro para meu cunhado comprar um desodorante para mim, mas ele disse que não ia ter tempo e ela se encarregou da tarefa. Comecei a chorar, mas o fazia completamente constrangida, dizendo muito irritada que não queria que minha mãe e nem ninguém comprasse desodorante para mim, porém, ninguém queria respeitar meus gostos pessoais. Era em vão meu desespero, pois eles queriam fazer de tudo para impor-me exatamente o que eu menos gostasse. Pareciam agir por maldade. Embora num contexto totalmente diferente, essa sensação de estar completamente indefesa perante essas três pessoas sempre me causou pânicos reais que, de tempos em tempos, vive me atormentando em sonhos de briga ou de submissão como esse. Enquanto discutiam sobre o desodorante que me comprariam, eu via energias malévolas em forma de bolhas que saiam do meu cunhado e adentravam invisivelmente no peito da minha mãe fazendo-a tossir. Eu comuniquei-a disso, mas ela não ligou a mínima. Minha ira era tanta que, se pudesse, explodiria o mundo naquele momento.

TORMENTO 2

 
De tanto pesadelo formulo a pergunta: o que me leva a ter esses sonhos negativos de submissão, raiva, tristeza, fuga, medo e sensação de tortura por acaso seria o fato de sentir tudo isso na vida real, mas num contexto inconsciente ou não assumido? Ou seria consciente e assumido, mas com sentimento de impotência à superação? Tais sonhos, embora não sejam iguais a outros tidos anteriormente, me parecem muito repetitivos em quesito emocional e, particularmente, parecem me pressionar sobre meus próprios conflitos interiores. É por aí ou estou enganada?

Penso que posso compreender seu senso de “humour” sarcástico, e ao que me parece: sua impaciência. Mas existem momentos que podem verdadeiramente ser exaustivos.
Não! Você não está enganada. O momento indica sonhos de confronto, que não estão apenas te confrontando, mas lhe colocando em uma posição de desconforto e a obrigando a reavaliar, rever, seus conceitos, suas atitudes e sua forma de se relacionar com o mundo. Ou seja: “Você está num mato sem cachorro. Se correr o Bicho vai te pegar... Se ficar... o bicho vai te comer.”.
É importante diferenciar certos detalhes e características do fenômeno onírico: As emoções são suas; são suas a forma como responde à ameaças; como responde ao confronto, ao desconforto em que esta sendo colocada; São seus os sentimentos que se manifestam no sonho; É sua a postura e as atitudes que apresenta diante do desenrolar dos acontecimentos. O Sonho é seu. Ele é resultante da tentativa que seu inconsciente realiza para regular suas funções orgânicas e psíquicas. A parte orgânica que independe de sua ação, os mecanismos cerebrais regulam, e lhe indicam sinais de mudanças necessárias em suas atitudes, comportamentos e escolhas. A parte referente ao seu poder de intervenção nos mecanismos e configurações de respostas realizadas através da vontade, ele lhe sinaliza para que você possa reestruturar e transformar.
Se você realiza uma ação de repressão, se você se engessa, não é o corpo ou o inconsciente que te torturam, e você que se tortura. ? Captou? Se você é severa, exigente e perfeccionista, é você quem se cobra quem se exige.
E a Psyquê possui mecanismos cíclicos, como tudo o é, neste universo ordenado. Nós estabelecemos nosso patamar de vivências. Se superamos nossos desafios, novos desafios se apresentam em novos estágios. Se não os superamos, os velhos desafios se reapresentam e os confrontos se repetem. É fatal se não superarmos nossas dificuldades, nossos erros, ficamos como enredados nos fios invisíveis que nos colocam no eterno mito do refazer.
Quando consideramos a ordenação do universo, sabemos que novas configurações podem ser criadas nesse processo de ordenação, mas isso não impede que a tendência do universo seja se referendar no que já existe. E em geral somos atraídos para realidades já vividas se não superarmos nossos desafios. Quando o sujeito se assusta ele está na eterna repetição, ou porque repete padrões de escolha, de conduta, de priorização, de respostas, de estética.
Para deixarmos de repetir padrões que nos levem à mesmice, precisamos nos surpreender. Não precisamos encantar ou surpreender o “outro” mas a nós mesmos. Nós só dependemos de nós para sermos plenos.
Se eles não respeitam seus desejos, suas vontades, Os responsáveis são eles ou é você?
Na cozinha, minha mãe, irmã e cunhado estavam montando um complô para me transformar noutra pessoa e me forçar a ser e usar o que eu não queria.
Eu poderia pensar em núcleos autônomos que atuam e te comandam. Mas o que eles fazem é reduzir seu poder pessoal, sua auto estima. Te reduzem ao insignificante, te anulam. Mas não é isso o que você se faz? Você fortaleceu esses núcleos, possivelmente na busca de encontrar uma realidade mais favorável. Deixou de se posicionar, se permitiu omissa, relevou os acontecimentos, suas escolhas e construiu a realidade em que vive. Ele é um produto pessoal da sua tentativa de solucionar um desafio com “simplismo”.

Em síntese: 1º - Disfarce e fugas não funcionam quando tentamos nos disfarçar de nós mesmos ou fugir (me esconder de mim). Como posso me esconder de mim? Na loucura, na descompensação; 2º A criança que existe em você, busca proteção e tem medos e regride. Ela precisa ser mais bem protegida, fortalecida, ela é aquilo que você possui e mais puro, mais autêntico, mais natural, sua essência; 3º Praça, busca de ordenação arquetípica, atualização de equilíbrio e proteção. Voar, voar, escapar pelo ar. Porque as crianças têm medo de ti? 4º Respeito não se ganha, se conquista com a maturação. É preciso se fazer respeitar. Assim podemos evitar nossos tormentos ou superar nossos piores demônios. Bye

domingo, 21 de fevereiro de 2010

MASCULINO


Carlot 30
Ah, Também lembro de sonhar que fazia uma reportagem entrevistando um homem na praia e todos olhavam para mim. Eu fiz a primeira pergunta e o homem começou a falar, não lembro sobre o quê, e ele falava tanto que me dispersei da reportagem olhando para os demais homens do local imaginando qual seria o próximo. Depois de um bom tempo sem nem prestar atenção no que o sujeito falava, o qual me desgostara por completo, fiz sinal de tempo para o homem da câmera e ele encerrou a gravação cortando a fala do homem, o qual ficou sem entender o que acontecera. Não sei se antes ou depois de tudo isso eu estava numa cidade diferente, mas parecia conhecê-la como se nela morasse. Eu peguei dinheiro com minha mãe para tomar ônibus e fui dar umas voltas em algumas lojas do centro. Eu continuava me vendo e me sentindo bem mais jovem. Aliás, eu nem parecia ser eu mesma em todos esses sonhos. Em verdade eu queria ir à casa de uma conhecida, mas não tinha o endereço dela e, sem ter como descobrir, fui apenas dar umas voltas. Estranhamente fui atraída para uma enorme loja de calçados, mas que vendia praticamente de tudo como se fosse um supermercado. Eu subi a escadaria e comecei a ver os cadernos, livros, cds, etc. me perguntando porquê tinha entrado naquela loja se não estava interessada de comprar absolutamente nada. Nisso escutei alguém me chamar e, por coincidência, era a amiga cujo endereço eu não tinha. Achei o acaso incrível e fiquei calada, pois se dissesse ela ia achar que eu descobrira seu local de trabalho. Somente então descobri que ela fora contratada por outra amiga cujo pai era dono daquela enorme loja, provavelmente uma das maiores da cidade. Pensei que poderia arrumar emprego ali também, mas logo em seguida não gostei da idéia.
Na seqüência essa minha amiga colocou
um montinho de palha numa das prateleiras e, disfarçando, disse para eu pegar a palha e segui-la. Sem entender para quê aquilo, eu fiz o que ela falou e pegando a palha segui-a até a rua. A outra amiga, filha do dono da loja, também saiu e ficamos do outro lado da rua, no que parecia ser um ponto de ônibus, conversando coisas que, por certo, eram sem importância, mas não lembro da conversa em si. Percebi que, pela amizade, o trabalho das duas não era rigoroso, pois elas podiam estar lá atendendo ou não na hora que quisessem. Talvez a palha fosse apenas uma espécie de sinalização, mas não cheguei a perguntar, pois ao sair da loja, joguei-a no jardim e ficou por isso mesmo. Depois saímos às três para ir a algum outro lugar que parecia uma feira de artesanato ou um mini-shopping, mas não lembro o resto, só lembro de estar preocupada uma vez que havia anoitecido e eu precisava avisar minha mãe que ainda ia demorar um tempo imprevisto para voltar. Pelo visto eu não tinha como avisá-la e isso me deixou atormentada, já que eu continuei preocupada tanto com minha mãe quanto por pensar que voltar sozinha para casa à noite era perigoso. Isso é o que lembro dessa noite.
 Será que tudo é apenas um amontoado de confusão mental ou possui algum significado?  

Não! Não é confusão! Sonhos podem parecer intransponíveis, mas os limites são nossos para compreendê-los. De maneira alguma o sonho relatado é um amontoado de confusão mental, como pensas. Ele tem uma sequência e passa uma ideia de um encontro que você tinha a intenção de realizar.
O fragmento inicial parece-me interessante, pois a imagem é de uma figura masculina que tem um discurso, e fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala, fala até você se cansar e dispensá-lo. Sua atenção não está voltada para a escuta que se fazia necessária, mas para o momento seguinte, para o próximo falante. Você não gosta, e se irrita, despreza, interrompe, finaliza. Provavelmente porque ele é a sua negação. Você não Fala o que precisa ser dito. E ele fala demais. É interessante porque essa é a habilidade que precisa ser desenvolvida e você vai encontrar no principio masculino, no princípio de realidade, na lógica, a força necessária para te impulsionar no movimento de resposta ao que a realidade lhe exige. Sintonize essa sua força Yang, para fazer seu movimento. É verdade que a fala exige certa agressividade, exige energia, coordenação, atenção, concentração, raciocínio lógico, abstrato, verbal, espacial, memória, domínio do presente para administrar o que pode ser dito e o que não deve ser dito, conteúdo (consequentemente muita leitura), etc. E tudo isso associado te permite o domínio do cenário, do tema, e do seu instrumental (corpo) para realizá-lo. Energia Yang. Em principio as mulheres são mais desenvolvidas no verbal, possuem mais fluidez verbal, falam mais. E essa é uma característica que você não aprova, já que a travou com sua criticidade. Mas possivelmente no seu intento masculino, no seu ANIMUS (sua alma masculina) você poderá encontrar essa força.
Para isso você precisará prestar atenção em si, no seu diálogo interno, se escutar para realizar a sua fala, para soltar sua voz.
“O verbo se fez carne e habitou entre nós”. O verbo é a palavra de Deus, é movimento ou vida da divindade. Todas as línguas residem no verbo, na palavra.
A palavra simboliza a manifestação da inteligência na linguagem. Ela é a verdade e a luz do ser.
Excluindo o fragmento inicial, a 2ª parte inicia-se no seu movimento de pegar um ônibus e acaba na mesma intenção de volta para casa. Você sai de casa e volta para casa. A imagem é bacana. É bom sair, mas melhor é voltar para  casa, sua vida, seu corpo, tomar posse do seu rumo, ir e vir. Você saí com intento, um propósito, sabe o que quer mas não sabe ONDE. Faltam-lhe informações. Você tem um propósito, mas não sabe como realizá-lo. E a vida lhe mostra que mesmo que não saibamos como, quando iniciamos nosso movimento, ela o realiza. Este é o milagre. Mas é necessário atenção aos rumos que você escolher, para deixar de ser "perdida".
 Dois detalhes: neste sonho parece-me que há repetição da imagem da loja grande de amiga em sonho do ano passado; Também ocorreu a imagem da palha, em sonho passado, a palha pega fogo. Não me foi possível voltar para rever sonhos.
Palha pode representar a cobertura, ou o poder inflamável, “dar uma palha” é dar uma canja, trabalhar um pouco, fumo ruim, fumo paia, fumo de xuxu, que não liga. De qualquer forma parece o contrário já que a palha podia ser o sinal para a saída do trabalho. Eu continuo sentindo que a sua severidade e a sua rigidez estão sendo confrontadas. Severidade de julgamento, medo de cobrança, dificuldade com a figura de autoridade, tensão, preocupação, angústia. Seu nível de tensão parece ainda significativamente elevado. Tem um uma questão aberta, um estar desconectado, sem foco, sem objetividade no seu intento. Ele existe mas precisa ser mais focado, objetivado.
            Bye.



domingo, 6 de dezembro de 2009

TORMENTOS


Olá, Estou tendo muitos sonhos tumultuados e confusos. Essa noite eu sonhei que estava num grande tanque de água, muito fundo, mas eu parecia um isopor na água e sem fazer nada me conservava facilmente a flutuar. A água estava manchada de azul numa parte, como se fosse uma tinta que não se misturasse em toda a água e ficasse apenas numa parte do reservatório. Não sei porque, mas havia uns desenhos de baleias e eu disse a minha mãe que ela havia matado um dos filhotes de uma baleia ao fazer o parto do animal, pois eram dois filhotes e não apenas um. Voltei a sonhar com água outras vezes, mas não recordo.


Olá! Sonhos tumultuados e confusos muitas vezes refletem estado emocional conturbado em nossa realidade ou cenário complexo de pressão atuando sobre você.

A associação que me vem é de que quem flutua no tanque d’água está ao sabor das ondas. Considerando que é um tanque com correntes (de água) inexistentes você não corre perigo mas o perigo pode estar na mudança da realidade. Veja bem: Se você já boiou no mar você sabe que as correntes te levam para onde elas se direcionam e não para onde você quer ir. Tábua na água, para onde a corrente levar ela vai. Isto pode significar que você está “BOIANDO”, precisando tomar a direção de sua vida, ser a agente Ativa e não Passiva. O mar como a água representa o ambiente do estado primordial. Neste aspecto o sonho pode estar apenas compensando um ambiente carregado de pressão te situando num cenário uterino de proteção e segurança. Aquele ambiente onde bastava ficar e viver. Naturalmente o tanque de água remete ao útero materno onde o feto flutua, estado regredido. E este é um mecanismo que a psique utiliza, recua para proteger. O momento evidencia necessidade de proteção? voce está insegura? se sentindo só? desprotegida? precisando de um lugar de conforto? O que você sabe de sua gestação? Há ocorrências de gêmeos na família? Sua mãe teve natimorto? Investigue.