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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CULPAS FAMILIARES, PUNIÇÃO E IMOLAÇÃO




Eu estava num palácio com decoração de sorvete de creme com passas (tudo era pintado de amarelo com manchas pretas) quando saí e fui para casa. O caminho era escuro e já estava chegando quando esbarrei com um bêbado e ele quebrou uma garrafa vazia sobre mim. Para me defender usei a mão direita e notei que ficou um hematoma de sangue coagulado na extremidade da mesma. Então eu corri dele e tranquei-me dentro de casa. Indo para o quarto tranquei-me dentro deste também, mas enquanto dava a segunda volta na chave e tirava-a da fechadura, notei que aquilo era uma armadilha, pois eu não tinha costume de deixar a chave do lado de dentro. Já abrindo apressada para sair dali, notei que havia alguém dentro do quarto e era uma mulher. Ao abrir a porta para fugir me deparei com um homem e dois jovens que pareciam ser seus filhos. Eu estava cercada. A mulher disse que era para eu tomar o veneno e nisso notei que o homem tirava de uma botija um liquido colocando-o para me servir. Tive vontade de revidar e dizer que se eu tomasse aquilo e morresse ela nunca mais teria sossego na existência dela, mas acabei escolhendo me humilhar e pedi-a para me perdoar. (Como posso ter tanta facilidade para pedir desculpa nos sonhos?) Ela parecia inflexível. Dentro do contexto eles pareceram ser espíritos obsessores. Disse-lhe que se eu estava viva tendo uma nova chance era porque Deus já me perdoara e insisti para que ela fizesse o mesmo e não o fizesse por mim, mas por ela, pois eu já estava pagando pelos meus atos desajustados (não sei o que eu lhe fizera, mas sei que assumia minha culpa). Disse-lhe que ainda queria nos ver de bem e que ainda os poderia ajudar muito (não disse como, mas pensei que o faria através de um centro espírita). Abracei-a sem importar-me com seu jeito esquivo e notei que ela ficara balançada. Ele comentou que eu estava querendo fazer a cabeça dela apenas para que ela desistisse de me dar o veneno. Isso não era verdade. Minhas intenções era realmente de reconciliação. Senti que tudo ia ficar bem e, por mais que quisesse continuar o sonho, acordei nesse exato momento.

Ψ

Palácio de sorvete é palácio de fantasia, construção da ilusão para acolher a Princesa do Creme com Passas. Ilusão. Fragilidade. Dessa forma a psique te introduz aprisionando o seu foco de atenção: através da ilusão da gostosura. Te seduz pela oralidade, polarização gerada pela ansiedade do afeto que conforta e protege. O afeto que compensa o seio materno. É também a energia densa e paralisada que precisa ser acionada para ser dissolvida ou para entrar em movimento.

Aí... de volta para casa o choque com a realidade. O caminho sombrio do real, o bêbado, a ameaça e a agressão.

A casa é refúgio, defesa, proteção, resistência. Mas o suporte da proteção doméstica já não existe. Há a dificuldade de defender-se, sem apoio. Insegurança? Fragilidade? Medo?

É bom ficar atenta, a defesa pode ser a armadilha que aprisiona ou que esconde o risco. Quando o individuo se defende em excesso a "suposta" proteção serve para proteger a ameaça, para camuflar o perigo.

Medo de ser devastada. Qual a culpa? Você se sente culpada? Que erro cometeu para ser condenada à morte?

Você não se sente uma pessoa merecedora. Precisa pagar, mesmo que já tenha pago, mesmo não tendo o que pagar. Mas essa é uma característica da natureza feminina. Cobrará pela eternidade do homem, que para ela, errou. Pobre do homem que não atender à expectativa feminina, será empurrado eternamente para o cadafalso da punição, eternamente condenado. E assim as mulheres fazem consigo mesmo. Mesmo que tenham dificuldades em aceitar que cometem erros, se punem com a culpa pela eternidade. Estão sempre culpadas, pelos filhos, pela família, pelos amigos, e... Por estranhos.Triste sina! carregar a cruz da culpa pelos caminhos da vida.

Neste aspecto a Cruz não é a horizontalidade da calmaria nem a verticalidade da ascensão mas a  encruzilhada do destino, o conflito sem saida. O medo de arriscar e se deparar com o inferno, o medo de acertar o caminho e não suportar as delícias do paraíso sabendo do sofrimento dos que vivem no purgatório.
*****
Existem vários tipos de medo, mas o medo de morte é um medo especial, porque antes de ser egóico é resultante do instinto de preservação do sistema, da vida, de sobrevivência. Muitas vezes mascara a angústia ou o senso de não ter cumprido em vida o que devia ter sido realizado ou vivido. Esconde expectativas do não vivido.

Tradicionalmente pode-se pensar no desejo da morte. Há o desejo mascarado de morrer? Há o medo de ser envenenada? De servir como sacrificada?

Uma fala pode esclarecer:

Disse-lhe que se eu estava viva tendo uma nova chance era porque Deus já me perdoara e insisti para que ela fizesse o mesmo e não o fizesse por mim, mas por ela, pois eu já estava pagando pelos meus atos desajustados (não sei o que eu lhe fizera, mas sei que assumia minha culpa).

Mas se Deus a perdoou e se você já pagava pela prática dos “atos desajustados”, seus pecados, quem a condena?

Você se culpa. Mergulhada na culpabilidade se condena, e se oferece ao sacrifício não por amor como a Julieta, que perde o sentido da vida por acreditar no seu Romeu morto, mas por culpa de ter, em algum tempo, em algum lugar, cometido os erros ou de não ter atendido à expectativa do outro, de ser aquilo que esperavam de você. A tendência é de sacrificar-se, punir-se, fazer-se de vítima à espera da santificação ou da salvação.

Quanta severidade. Quanto sofrimento. Quanto perfeccionismo. O caminho não é bom!
Tudo bem que o palácio de sorvete seja ilusão, seu refúgio, compensador da carência, energia gelada, mas em nome de que tanta condenação?

Seria essa mulher a sua irmã? Aquela que a pune, que a condena? Seria a culpa por não perdoá-la?

Há mistura: a mulher que te condena é você que condena a irmã pelos erros cometidos ao te colocar numa camisa de força. Mas essa mulher também pode ser sua irmã te condenando.

Essa mulher pode representar o medo de ser punida pela irmã em decorrência do sentimento cultivado por ela, e a possibilidade da reconciliação, a mudança que precisa realizar, abandonando o passado de mágoas e resentimentos? O pedido de desculpas poderia ser a sua necessidade de ver sua irmã se desculpando, mas espelha a culpa que sentes pelos sentimentos negativos dos quais não consegue se libertar.

Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa! Antes de tudo você precisa se perdoar, ter compaixão por si mesmo e compreender que é chegada a hora de reconciliar-se consigo mesmo e com aqueles que estão dentro de um passado que precisa ser passado a limpo.

O veneno destilado a ser tomado pode esconder a verdadeira ameaça: a submissão. Cercada por 4 ou por cem, qual a diferença? A dignidade da autonomia. Ninguém pode tirá-la a não ser você mesmo.

Você continua funcionando sendo comandada por estranhos, ainda que na ameaça, e o que a leva a implorar, e a tentar seduzir o outro é o medo de ter que fazer o que o outro obriga. Abrir mão da autonomia é entregar ao outro o direito de te comandar. Você ainda funciona comandada pelo outro.

Não adianta fugir de seu dever consigo mesmo. É fundamental aceitar a realidade de seus limites ou se verá obrigada a ceder ao controle do outro. É preciso abandonar a fantasia e aprender a se proteger sem se aprisionar nas armadilhas do simplismo. Desenvolva e amplie o repertório de respostas para não ficar perdida no passado de ressentimentos e mágoas.

Ah!
O PIOR DE NOSSOS ERROS APARECE
QUANDO NOS VEMOS OBRIGADOS
 A PROVAR O PRÓPRIO VENENO.

Implorar e suplicar e se desculpar pode ser um ótimo curativo, mas o melhor é interromper e superar os equivocos.

Ψ

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SECRETU




Feed Back:

"Vou contar um segredo que nunca disse a ninguém..."

"...Conscientemente é isso. Não tenho dúvidas de quem é minha mãe biológica, do mesmo modo como não tenho dúvidas de que o papel responsável pela minha educação ficou com a pessoa errada, ou seja, minha irmã, a qual não tinha a sensibilidade emocional materna para cuidar de mim com 13 anos."

Pois é... Segredos, Segredos são!

Portanto...

Obrigado pela confiança e pelo relato. Enriquece a minha compreensão da dinâmica do inconsciente.

Em relação a sua mãe que bom que não tenha mais dúvidas quanto à sua filiação. E com certeza uma menina (a irmã) nunca poderia estar preparada para educar e formar outra criança. Sinal de que sua carência pode advir de uma mãe abandônica em sua história.

Não cabe julga-la, condena-la, critica-la. No universo pessoal muitas são as variáveis que podem nos levar a cometer erros. A infalibilidade na vida real não existe e não resiste, a não ser na idealização.

A visão que condena a família como uma grande fonte de neurose e dos problemas das pessoas, para mim,  é fundamentalmente equivocada. Acredito mais no poder construtivo familiar, nos pontos positivos do que de pontos negativos traumáticos e desconstrutivos.

Ficar culpando pai e/ou mãe por nossas dificuldades é ficar focado nos erros e esquecer a força e o poder dos acertos. Em geral as dificuldades são coletivas e envolvem toda uma geração social.

Em trinta anos de escuta psicoterapêutica posso dizer-lhe com tranquilidade que todos erram, uns mais outros menos. Portanto essa é uma variável pouco determinante, e só o é, quando ultrapassam os limites sociais do aceitável. Aí a devastação psíquica e arrasadora.

Mas de forma genérica, a presença dos pais tende a ser mais promotora de organização, referência, afeto, disciplina, formação, do que o contrário.

A sociedade hoje mostra que a desagregação tende a gerar, promover, produzir, indivíduos com mais dificuldades de socialização, individuos mais perdidos e sem referências afetivas, individuos com maior tendência à sociopatia, destrutivos, revoltados, com mais dificuldades de estabelecerem vínculos afetivos.

Portanto, houve uma mãe boa, ainda que possa ter sido abandônica, e uma mãe severa. É mais sábio aproveitar o melhor daquilo que lhe passaram, do que são. Se possível supere-as, vá além, realize mais do que elas conseguiram, corra atrás de seus sonhos e encontre a sua forma de ser feliz.

 
 
 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

FRAGMENTOS


CH 73 Fragmentos


Os sonhos seguintes me pareceram confusos. Lembro de cinco partes cuja ordem não sei se está correta:

Na primeira, eu estava andando no meio de um local florido, parecia uma praça, quando houve um tiroteio entre bandidos e policiais. Eu saí apressada tentando me esconder.

Nível elevado de tensão, conflitos, ansiedade, angustia, conturbação, tormento. Momento de proximidade ao perigo. Parece que em momentos de tensão elevada você sonha com bandidos e tiroteios. Angústias? Cenário de realidade ameaçadora? A praça simboliza a configuração mandálica ordenada... Flores indicam polarização para equilibrar a tensão representada pelo conflito entre a transgressão e a repressão pelos mecanismos referenciais de sociabilidade, defesa, princípios morais e éticos. Tendências de transgressão e repressão de desejos, e a psique equilibrando o conflito.

Na segunda, eu estava junto de uma turma que ia viajar e fui chamada para assinar um papel. Parece que a viagem um tanto surpresa tinha sido paga junto com o boleto de pagamento da faculdade. Perguntei para quando ia ser a mesma e a moça informou-me que seria na próxima semana. Era uma viagem internacional e além de ansiosa eu fiquei bastante feliz.

Viajar, neste caso compensa a tensão elevada, novamente aparece a ansiedade como indicativo dos limites corporais e a necessidade de fuga do cenário de tensão para compensar a tensão. Há polarização.

Na terceira, eu andava por uma espécie de bosque com um senhor (era o ator Stênio Garcia com seus 78 anos) e uma jovem, quando eu disse que tinha direito a ter uma segunda chance. A mulher não era muito de acordo, mas o senhor sim. Depois eu já estava com os dois dentro de um shopping. A mulher circulava entre as prateleiras olhando uma galeria enorme de roupas de frio e bolsas, e eu a seguia admirada com a quantidade e variedade de tudo, embora desinteressada de fazer compras. Ele andava tendo a cabeça deitada em meu ombro e, pela idade, eu o sentia como se ele fosse meu pai, mesmo que a aparência fosse diferente. Houve um momento que ele cheirou meu pescoço e eu perguntei se ele gostava do meu perfume. Ele disse que sim e continuamos andando. Num momento seguinte ele já não era um senhor idoso, mas sim um homem, e meu marido. A mulher tinha se transformado numa criança que ao cair chorou e foi acudida pelo pai, ou seja, meu marido.

Reaparece seu foco voltado para conflitos que envolvem seus direitos individuais e seu papel de vítima, seja por manipulação ou senso de justiça. Conflito, tensão, disputa, competição, defesa. As compras podem aparecer em variantes:

Compulsão de comprar para compensar a ansiedade; diminuir a tensão; preencher o vazio decorrência da angústia gerada pelo conflito que produz a tensão; conquistar e incorporar objetos que compensem a solidão, etc.

A transformação do ator em pai compensa a necessidade de proteção nos momentos de perigo. Isto pode indicar sua facilidade de se relacionar com homens mais velhos, já que satisfazem sua demanda por segurança, ou por referencias de proteção. Neste caso você busca um pai não um homem, daí a confusão de um pai marido para viver a sua vivência edípica. Tem-se que considerar o papel de ator representado pela figura masculina, Um Camaleão que assume formas diversas, característica do oportunismo de representar aquilo que lhe interessa, de pensar aquilo que lhe interessa.
A ação do pai socorrendo a criança pode ser projeção de sua necessidade de ser acudida.

Na quarta, estava eu com minha irmã e uma criança de três anos idêntica a mim em tal idade. Nisso passou um pensamento repentino pela minha cabeça e eu disse para minha irmã que eu não podia ser filha de uma criança de três anos. A menina se aborreceu e vendo-a prestes a chorar, peguei-a no colo, falando que eu estava apenas brincando ao dizer aquilo, acalmei-a e levei-a para dormir. Em seguida voltei para continuar o assunto com minha irmã. Estava intrigada pensando em como descobrir quem seriam os meus pais. Entretanto, eu não tinha ponto de partida. Minha irmã disse que era para eu fazer o exame e verificar se a mãe dela não seria a minha mãe. No sonho era como se minha irmã e mãe fossem apenas duas conhecidas. Daí ela completou a fala dizendo que o difícil seria descobrir o pai, já que sua mãe tivera muitos homens durante o decorrer da vida.

Veja que existe confusão conceitual e, possivelmente, de identidade. Conturbação mental.

A NEUROSE SE JUSTIFICA,

Para manobrar e manipular o meio, a si mesma ou às pessoas. O neurótico cai na armadilha de justificar as ações que lhe interessam, de realizar o que lhe é oportuno e que satisfaça seus desejos e não percebe que engana apenas a si mesmo, perdendo referências conceituais, se perdendo em códigos básicos, e referências sociais, familiares, de relações afetivas. A armadilha de se lançar em confusão se acreditando mais.

Internamente você ganha consciência, põe luz na escuridão, mas tudo isso é apenas o principio de uma caminhada.

Na quinta eu estava com uma jovem que tirou seu bebê no carrinho para amamentar. Ele ainda dormia, mas aceitou o alimento. Depois ela o colocou em pé para arrotar e, estranhando que ela não o segurasse, fiquei apoiando-me atrás para ele não cair.

Culpa e necessidade de se proteger da vida, insegurança, falta de confiança, domínio e controle excessivo. As recorrências de relações maternais se fazem permanentes, e me faltam, informações para associações seguras sobre a dinâmica de inconsciente no presente momento. O que a leva a uma reflexão sobre seus conceitos nas relações afetivas, familiares, como filha, como mãe simbólica, ou como futura Mãe. Reflita sobre esses conteúdos em tua vida. Como já lhe disse, há limites nesta leitura.

Que sonhos bizarros! Qual o sentido deles?

Arrisquei-me a apontar significâncias nestes fragmentos, mas são simples observações já que em dinâmica de reorganização do inconsciente até a leitura deve ser paciente e cautelosa à espera de melhores momentos. Sonhos como os fragmentos acima precisam ser olhados com paciência, cuidado, delicadeza e atenção.

Para mim eles apontam para um momento específico de reconfiguração psíquica. Ou seja de ordenação psíquica, ou de transição e passagem de um estado para um novo momento psíquico.

Necessariamente não posso considerar bizarros sonhos, ainda que os sejam indecifráveis ou se mostrem impenetráveis e sem sentido. Prefiro pensar na minha incapacidade ou incompetência em compreendê-los.

Por exemplo: seus sonhos anteriores foram, para mim, absolutamente lúcidos e claros. Se no momento seguinte não o são, é preciso compreender que eles são resultantes da dinâmica de sua vida, de suas escolhas, de sua realidade, aquela que te cerca e que te envolve emocionalmente, afetivamente como filha, como família, socialmente, nas escolhas de trabalho, de convívio social, nos sonhos que quer realizar, nas expectativas pessoais.

A Vida é Insólita e possivelmente sejamos, todos nós, bizarros, mas sonhos são apenas um movimento da alma em busca de luz e de consciência, quando envolta na bruma nebulosa da noite de nossas vidas.



sábado, 24 de abril de 2010

A BRUXA NO ESPELHO

      Ticiano Vecellio, 1514, Amor Sacro e Amor Profano
Galeria Borghese, Roma
“MdeLON”

sonhei que entrava numa casa pela porta dos fundos,ao entra me vi numa biblioteca, comecei a procurar livros quando surgiu uma mulher que parecia uma pessoa muito sabia,que me falou que se era conhecimento que eu queria deveria sair da casa dar a volta e entrar na casa pela porta da frente.Imediatamente fiz o que falou. Ao abrir a porta da frente, havia um pequeno corredor ao entrar a minha direita na parede tinha um espelho o qual me olhei vi refletida a imagem de uma bruxa com os olhos cor de fogo, corredor que dava acesso a uma sala que mais parecia um consultório.Tinha varias pessoas com capuz todas de cinza,e a primeira pessoa se levantou sem capuz veio em minha direçao e vi que era meu filho e me dizia :
- Mãe eu te perdôo.

O sonho parece-me instigante, mas alguns detalhes não favorecem:

A leitura de um sonho pode ser feita independente do tempo em que ocorreu, mas tem relação com aquele momento específico, com o cenário em que o sonhador estava inserido, com as atitudes desenvolvidas pela pessoa para as exigências da realidade naquele tempo. Portanto considere estas variáveis para tirar proveito de algum conteúdo que ainda se mantém ou que ainda se repete no seu repertório de respostas dentro de sua realidade. No caso de existência de conflitos a referência é o passado passado, não diz respeito à realidade presente. Realço pela citação: ‘...na época desse sonho eu fazia...”.

Outro detalhe: Identifico-me com os estudiosos que acreditam que o inconsciente nada tem a esconder, e que, portanto nâo se esconde em imagens, subterfúgios ou símbolos para dizer alguma coisa. Ele diz dentro de seus limites, o que aponto como primordial para que o individuo reavalie a rota de sua vida previna-se com mudanças necessárias e evite desastres e sofrimentos desnecessários. Neste aspecto o sentido do sonho é funcionar como instrumento de atualização, reestruturação, compensação e em situações de urgência, Confronto. Estes, os confrontos, podem surgir de forma suave ou intensa e dependerão da posição, em estágio de desenvolvimento, em que o individuo se encontra. Quanto maiores se anunciam os perigos do individuo atravessar a faixa de segurança definidas pela psiquê a partir de referências instintivas e codificadas geneticamente mais intensas as evidências, maiores os confrontos. Como se o rompimento das margens de segurança fortalecessem conteúdos autônomos ameaçadores à psiquê.

Considerando estes detalhes, sua reflexão deverá levar em conta as variáveis citadas na sua avaliação e busca de compreensão.

Entrar pela casa pela porta dos fundos é exatamente escolher portas secundárias de entrada na sua casa, subterfúgios, dissimulações, máscaras. Entrar por trás. A mulher que surge parece-me imagem arquetípica que te orienta a refazer sua entrada, seu comportamento, referenciada no eixo de sua vida. Disse-lhe parece-me porque pode ser um lado pessoal que conduz e referência moral, de princípios, de ética, e que lhe aponta   a nova entrada para não incorrer em erros que possam ser devastadores na tua vida.

Voce aceita a condução deste princípio, deste lado e refaz sua entrada pela frente.

Você entra se depara com um corredor, transição, instabilidade, período de travessia, de mudança de margem. E aí...SURPRISE!!!!

Você vê um espelho com a imagem de uma bruxa. Você se depara com seu lado sombra, a bruxa espelhada. Seria ela narcísica? Possivelmente pode ser uma evidência de um momento narcísico, egocentrado. Um momento em que poderia estar voltada para vivências de grupo, ou coletivas que espelhassem, Exoterismo, Hermetismo, Privacidade, segredos inconfessáveis, buscas que poderiam contrariar princípios severos de formação. Por exemplo: Uma pessoa de formação familiar, cristã, ortodoxa, poderia desenvolver conflitos ou ser confrontada de acordo com a rigidez da formação, se passasse a buscar grupos religiosos alternativos. Captou?

E do meio do grupo surge o filho te perdoando. Cristãos em geral já nascem do pecado, carregando a culpa, mas mulheres tendem, em decorrência da pressão social histórica, a carregar mais culpas do que os homens. A culpa da mulher nasce na ambivalência do conflito entre a os conceitos e a imagem de pureza virginal e sagrada e de pecadora e fonte de prazer do profano e do pecado.

Ou seja, a mulher se liberta na maternidade. Vive a luxuria, peca é fecundada, e a gestação, imagem exposta do pecado é sacralizada na maternidade. Aí minha cara, a mulher passará a vida frente ao produto do pecado sacralizado. Inevitavelmente e dificilmente as mulheres conseguem se libertar da culpa, principalmente porque não abrem mão da ideia mítica do sagrado. Dificilmente a mulher se torna humana e, portanto carrega pela vida a culpa quando foca a construção de sua individualidade e de sua maturação. Correm o risco de fortalecer conteúdos psíquicos do imaginário, ilusórios e infantis, não atingindo a plena maturação.

O sonho pode espelhar essa ambivalência, o conflito entre suas buscas no presente e seu passado, o seu fortalecimento enquanto pessoa, a sua maturação humana como individuo pleno e o seu papel maternal e sagrado, mas aprisionador porque apenas fruto de expectativa ancestral. Neste aspecto o trabalho no presente pode transformar esses conteúdos míticos que anseiam se transformar e se realizar.



Alguns trechos da leitura será post na reflexão do Blog Aeternus Femininus

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DESCENDO DA CRUZ

  
FEED BACK 13

REFLEXÕES DE UMA JOVEM MULHER CHAMADA CARLOTA

 
"Sinto que quando agimos e mentimos por medo, damos mais força ao medo e as ilusões em nós do que a nossa coragem que precisa ser desenvolvida. Encarar o medo ou ignorá-lo é difícil, parece comprometedor demais, chega a parecer uma irresponsabilidade como se não estivéssemos dispostos a nos autodefender.


Mas percebo que muitas vezes queremos nos defender de neuroses que só existem em razões de nós as mantermos em nossa mente por conta de nosso ego disfarçado.

Muitas vezes nos complicamos numa perdição completa ao tentarmos apenas nos defender de um medo imaginário que nem sabemos se um dia se fará de fato real.


Nos boicotamos sem nem termos ciência disso.


Não é a toa que somos nosso pior rival, nosso principal inimigo.
Mas eu quero ser a minha mais sincera amiga, a minha melhor amante.


Eu quero ter a simplicidade de uma criança que inocentemente não se atormenta pensando em perigos daqui ou dali, que não se exige masoquistamente pensando que não sou boa o suficiente perante o mundo, que não se culpa quando faz uma travessura.
Eu quero me sentir segura por saber que sou protegida pelas leis da vida.

Eu quero me deixar livre para viver o que gosto com o senso de responsabilidade de ter optado por isso conscientemente, mesmo que minhas escolhas não satisfaçam as expectativas alheias e os outros me critiquem ou se apiedem de mim.

Eu quero ser mais mocinha do que vilã de mim mesma.

Eu quero apenas ter a certeza de que estou agindo de maneira correta perante os meus princípios e sentimentos, de que estou crescendo, amadurecendo, deixando as ilusões e carapuças para trás.

Eu quero apenas me encontrar no autodescobrimento e apaixonar-me pelo que sou em essência, pela criança que existe dentro de mim.

Quero apenas ter a pureza de coração que é inseparável da simplicidade e da humildade, que exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho..."

******

  LÚCIDO!
BRAVO!!!!

VIVA A LUCIDEZ DA SAÚDE MENTAL!

Esse é o “CAMINHO”.

A vida só faz sentido quando vivemos

Em harmonia e plenitude sua significação.

E necessário interromper a celebração da crucificação,
onde nos sacrificamos num ritual arquetípico
de negação de nós mesmos.

                                                    Continua...

domingo, 6 de dezembro de 2009

CAMPÂNULAS



Depois disso sonhei com campânulas. Dentro do sonho elas eram multicoloridas em tons rosa, azul e amarelo. A terra era arenosa e peguei três bulbos que pareciam beterraba para plantar em casa, mas eu não podia sair com eles na mão, pois as pessoas iam ver e poderiam pensar mal de mim. Eu estava no quintal casa de alguém, mas aquela planta ali nem parecia ser importante para a pessoa dona ou residente daquele local. Depois disso eu estava numa escola desconhecida e queria dizer o quanto o local melhorara e das lembranças que tinha da infância ali, mas no que comecei a falar alguém me interrompeu e disse que era para eu fazer uma comparação sobre as águas quentes de Caldas Novas e de outros países. Pensei e não sabia o que responder, pois só conhecia as águas quentes de Caldas. Nisso alguém cochichou no meu ouvido: fala sobre os Cânions, mas eu nem sabia onde ou como era tal lugar. Quando acordei fiquei sem entender como meu sonho poderia envolver flor e um lugar que desconheço na realidade. o que pode representar?

Não sei se quando você se refere a outros sonhos se foram sequências ou em noite distintas. Pois aí vem o sonho das flores.

FLOR: “a floração é o resultado de uma alquimia interior, da união da essência (tsing)e do sopro (k’i),da água e do fogo. A flor é idêntica ao Elixir da vida; a floração é o retorno ao centro, à unidade, ao estado primordial...Com efeito , muitas vezes a flor, apresenta-se como figura-arquétipo da alma, como centro espiritual.”

As cores revelam a orientação das tendências psíquicas: O amarelo revela o simbolismo solar, o rosa simbolismo sanguíneo e o azul o simbolismo de sonhadora irrealidade.

Veja que há conexão deste sonho com o anterior da água no tanque. Vejo dinâmica de mudança, fase de transição, metamorfose e dificuldade de você de acionar mecanismos que movimentem este processo. Segue algumas variáveis em que você deve avaliar melhor suas atitudes para romper essas dificuldades.

A Sociedade “muderna” pode parecer simples mas trouxe complexidade para nossas vidas. Um exemplo é o “Conhecimento”. Conhecemos mas não conhecemos. Conhecemos por que vimos, em fotos vídeos, às vezes até ouvimos os sons do lugar, mas não sentimos os cheiros, não tocamos ou pisamos o lugar. Então, conhecemos com alguns sentidos e não conhecemos com outros. E ainda temos que considerar a possibilidade de estarmos em alguns lugares com a capacidade transcendental dos sonhos e das viagens astrais, além do Google Earth que nos permite virtualmente ir ao local, realizar voo panorâmico ou se movimentar ao nível próximo da terra em todas as direções. Como a psique lida com isso? Ela sabe distinguir o real do irreal? O mundo chamado de virtual é apenas um acréscimo ao nosso mundo real e a experiência de viver, está dentro dele e, apenas relativamente, é virtual.

O sonho parece que lhe confronta com a realidade do seu saber, ou por outro lado a desafia com possibilidades de realizar ações e tarefas. Não podemos relevar a possibilidade de que ele sinaliza para sua preocupação com a imagem pessoal e com sua referência comparativa. Uma pergunta surge: Quem é você e quem “você” vende em imagem para os outros? Como o sonho aparece em fragmentos me chama a atenção: A recorrência de culpabilidade da mãe; A recorrência de estar num lugar que não lhe pertence; A recorrência de passagem pela escola; A recorrência do medo de pensarem mal de você; Lembre-se de fatos semelhantes em sonhos anteriores. Esta na hora de fortalecer suas referencias fortalecendo a sua relação com a sociedade e sua auto estima.

Se lhe vier novas associações me comunique para que possamos vaminhar juntos. Bye