Mostrando postagens com marcador auto punição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador auto punição. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CULPAS FAMILIARES, PUNIÇÃO E IMOLAÇÃO




Eu estava num palácio com decoração de sorvete de creme com passas (tudo era pintado de amarelo com manchas pretas) quando saí e fui para casa. O caminho era escuro e já estava chegando quando esbarrei com um bêbado e ele quebrou uma garrafa vazia sobre mim. Para me defender usei a mão direita e notei que ficou um hematoma de sangue coagulado na extremidade da mesma. Então eu corri dele e tranquei-me dentro de casa. Indo para o quarto tranquei-me dentro deste também, mas enquanto dava a segunda volta na chave e tirava-a da fechadura, notei que aquilo era uma armadilha, pois eu não tinha costume de deixar a chave do lado de dentro. Já abrindo apressada para sair dali, notei que havia alguém dentro do quarto e era uma mulher. Ao abrir a porta para fugir me deparei com um homem e dois jovens que pareciam ser seus filhos. Eu estava cercada. A mulher disse que era para eu tomar o veneno e nisso notei que o homem tirava de uma botija um liquido colocando-o para me servir. Tive vontade de revidar e dizer que se eu tomasse aquilo e morresse ela nunca mais teria sossego na existência dela, mas acabei escolhendo me humilhar e pedi-a para me perdoar. (Como posso ter tanta facilidade para pedir desculpa nos sonhos?) Ela parecia inflexível. Dentro do contexto eles pareceram ser espíritos obsessores. Disse-lhe que se eu estava viva tendo uma nova chance era porque Deus já me perdoara e insisti para que ela fizesse o mesmo e não o fizesse por mim, mas por ela, pois eu já estava pagando pelos meus atos desajustados (não sei o que eu lhe fizera, mas sei que assumia minha culpa). Disse-lhe que ainda queria nos ver de bem e que ainda os poderia ajudar muito (não disse como, mas pensei que o faria através de um centro espírita). Abracei-a sem importar-me com seu jeito esquivo e notei que ela ficara balançada. Ele comentou que eu estava querendo fazer a cabeça dela apenas para que ela desistisse de me dar o veneno. Isso não era verdade. Minhas intenções era realmente de reconciliação. Senti que tudo ia ficar bem e, por mais que quisesse continuar o sonho, acordei nesse exato momento.

Ψ

Palácio de sorvete é palácio de fantasia, construção da ilusão para acolher a Princesa do Creme com Passas. Ilusão. Fragilidade. Dessa forma a psique te introduz aprisionando o seu foco de atenção: através da ilusão da gostosura. Te seduz pela oralidade, polarização gerada pela ansiedade do afeto que conforta e protege. O afeto que compensa o seio materno. É também a energia densa e paralisada que precisa ser acionada para ser dissolvida ou para entrar em movimento.

Aí... de volta para casa o choque com a realidade. O caminho sombrio do real, o bêbado, a ameaça e a agressão.

A casa é refúgio, defesa, proteção, resistência. Mas o suporte da proteção doméstica já não existe. Há a dificuldade de defender-se, sem apoio. Insegurança? Fragilidade? Medo?

É bom ficar atenta, a defesa pode ser a armadilha que aprisiona ou que esconde o risco. Quando o individuo se defende em excesso a "suposta" proteção serve para proteger a ameaça, para camuflar o perigo.

Medo de ser devastada. Qual a culpa? Você se sente culpada? Que erro cometeu para ser condenada à morte?

Você não se sente uma pessoa merecedora. Precisa pagar, mesmo que já tenha pago, mesmo não tendo o que pagar. Mas essa é uma característica da natureza feminina. Cobrará pela eternidade do homem, que para ela, errou. Pobre do homem que não atender à expectativa feminina, será empurrado eternamente para o cadafalso da punição, eternamente condenado. E assim as mulheres fazem consigo mesmo. Mesmo que tenham dificuldades em aceitar que cometem erros, se punem com a culpa pela eternidade. Estão sempre culpadas, pelos filhos, pela família, pelos amigos, e... Por estranhos.Triste sina! carregar a cruz da culpa pelos caminhos da vida.

Neste aspecto a Cruz não é a horizontalidade da calmaria nem a verticalidade da ascensão mas a  encruzilhada do destino, o conflito sem saida. O medo de arriscar e se deparar com o inferno, o medo de acertar o caminho e não suportar as delícias do paraíso sabendo do sofrimento dos que vivem no purgatório.
*****
Existem vários tipos de medo, mas o medo de morte é um medo especial, porque antes de ser egóico é resultante do instinto de preservação do sistema, da vida, de sobrevivência. Muitas vezes mascara a angústia ou o senso de não ter cumprido em vida o que devia ter sido realizado ou vivido. Esconde expectativas do não vivido.

Tradicionalmente pode-se pensar no desejo da morte. Há o desejo mascarado de morrer? Há o medo de ser envenenada? De servir como sacrificada?

Uma fala pode esclarecer:

Disse-lhe que se eu estava viva tendo uma nova chance era porque Deus já me perdoara e insisti para que ela fizesse o mesmo e não o fizesse por mim, mas por ela, pois eu já estava pagando pelos meus atos desajustados (não sei o que eu lhe fizera, mas sei que assumia minha culpa).

Mas se Deus a perdoou e se você já pagava pela prática dos “atos desajustados”, seus pecados, quem a condena?

Você se culpa. Mergulhada na culpabilidade se condena, e se oferece ao sacrifício não por amor como a Julieta, que perde o sentido da vida por acreditar no seu Romeu morto, mas por culpa de ter, em algum tempo, em algum lugar, cometido os erros ou de não ter atendido à expectativa do outro, de ser aquilo que esperavam de você. A tendência é de sacrificar-se, punir-se, fazer-se de vítima à espera da santificação ou da salvação.

Quanta severidade. Quanto sofrimento. Quanto perfeccionismo. O caminho não é bom!
Tudo bem que o palácio de sorvete seja ilusão, seu refúgio, compensador da carência, energia gelada, mas em nome de que tanta condenação?

Seria essa mulher a sua irmã? Aquela que a pune, que a condena? Seria a culpa por não perdoá-la?

Há mistura: a mulher que te condena é você que condena a irmã pelos erros cometidos ao te colocar numa camisa de força. Mas essa mulher também pode ser sua irmã te condenando.

Essa mulher pode representar o medo de ser punida pela irmã em decorrência do sentimento cultivado por ela, e a possibilidade da reconciliação, a mudança que precisa realizar, abandonando o passado de mágoas e resentimentos? O pedido de desculpas poderia ser a sua necessidade de ver sua irmã se desculpando, mas espelha a culpa que sentes pelos sentimentos negativos dos quais não consegue se libertar.

Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa! Antes de tudo você precisa se perdoar, ter compaixão por si mesmo e compreender que é chegada a hora de reconciliar-se consigo mesmo e com aqueles que estão dentro de um passado que precisa ser passado a limpo.

O veneno destilado a ser tomado pode esconder a verdadeira ameaça: a submissão. Cercada por 4 ou por cem, qual a diferença? A dignidade da autonomia. Ninguém pode tirá-la a não ser você mesmo.

Você continua funcionando sendo comandada por estranhos, ainda que na ameaça, e o que a leva a implorar, e a tentar seduzir o outro é o medo de ter que fazer o que o outro obriga. Abrir mão da autonomia é entregar ao outro o direito de te comandar. Você ainda funciona comandada pelo outro.

Não adianta fugir de seu dever consigo mesmo. É fundamental aceitar a realidade de seus limites ou se verá obrigada a ceder ao controle do outro. É preciso abandonar a fantasia e aprender a se proteger sem se aprisionar nas armadilhas do simplismo. Desenvolva e amplie o repertório de respostas para não ficar perdida no passado de ressentimentos e mágoas.

Ah!
O PIOR DE NOSSOS ERROS APARECE
QUANDO NOS VEMOS OBRIGADOS
 A PROVAR O PRÓPRIO VENENO.

Implorar e suplicar e se desculpar pode ser um ótimo curativo, mas o melhor é interromper e superar os equivocos.

Ψ

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ANOREXIA AFETIVA




Sonhei que minha irmã, cunhado e sobrinha estavam aqui em casa com mais uma turma de amigos. Eu permanecia esquiva na garagem quando minha mãe veio conversar comigo. Havia uma viagem programada para Caldas Novas, mas eu não queria ir, pois não achava que fosse um passeio agradável se ia ter que aguentar a “convivência familiar”. Nisso a turma de amigos já de saída para irem embora vieram se despedir de mim. Enquanto apertava na mão de algumas senhoras, uma delas perguntou algo que não lembro, e minha resposta um tanto objetiva demais foi: “porque assim tenho sossego”. Havia um homem já de meia idade que invocado queria dançar comigo, mas eu não estava interessada e me esquivava. Nisso uma jovem me abraçou para se despedir e percebendo que meu abraço era com descaso ela mandou-me abraçá-la forte. Embora também não estivesse interessada em tal abraço, o fiz pensando que assim ela me largaria logo. Entretanto ela não se desabraçava de mim e cheguei a comentar isso em voz alta quando simplesmente me desabracei dela, embora continuasse presa no abraço. Achei aquilo chato, mas ao mesmo tempo era curioso e tentava desvendar que motivo a fazia comportar-se daquele modo. Os demais não estranharam o fato e talvez ela realmente tivesse mania de “se grudar” aos outros. Mas o que a levava a isso? Estaria ela tentando conquistar minha consideração? Estaria ela achando que eu precisava de afeto? Estaria ela querendo ser caridosa? Estaria ela numa crise de carência da minha pessoa, mesmo tendo acabado de me conhecer? Como eu não estava por conta de ficar abraçada a ela, fiz mais força para desvencilhar-me e assim que consegui retirei-me para beber água. Minha sobrinha foi atrás de mim e suspirando fundo, como que para espantar a irritação de não conseguir ficar sozinha, esquivei-me outra vez e não lhe dei atenção.

O vocábulo esquivo nos dá a dimensão do comportamento e da emoção que mapeia o sentimento do sonhador. Esquivo- adj (germ *skiuh) 1 Que se esquiva. 2 Que rejeita afetos ou carinhos; arisco. 3 Reservado, retraído; insociável. 4 Irritável. 5 Rude. 6 Aborrecido. Var: esquivoso. (Michaellis - português)


Distanciamento crítico, afetivo, afetuoso, social.

O papel de quem chama a atenção para si, porque não consegue partilhar o convívio? Insociabilidade.

Deseja a convivência, mas dentro de seus limites, de acordo com a forma preestabelecida nas relações. Se relaciona com o outro com a negação

O sonho indica o apelo coletivo pela sua inclusão nas relações, sendo solicitada para interagir e você respondendo com a negação, a esquiva e a Rejeição. Lamenta a rejeição, mas atua rejeitando, se distanciando, se excluindo e excluindo, desprezando, criticando. Como já lhe disse anteriormente: Segregando e se segregando.

Deseja o convívio, mas se isola, como numa ilha, onde se basta. A convivência familiar se torna um martírio. As pessoas lhe tiram o “sossego” . Mas onde reside o desassossego?

Você reafirma o pensamento existencialista Sartreano: “O inferno são os outros”

Mas... Não apenas os outros.
 O mercado está dentro de si mesma.
O inferno é criação pessoal.
O sujeito se inferniza e se atormenta.
Cria e projeta sua criação.
O mundo que escolhe viver.

A viagem é a indicação de mudança que você evita por capricho, desinteresse ou porque para realiza-la se faz necessário aceitar um pré requisito básico: a inclusão social, a participação no coletivo, o abandono dos ressentimentos e mágoas do passado, o abandono da “vendetta” afetiva, a rejeição.

A dança que é parece-me a maior expressão lúdica do seu afeto, pelo movimento e desafio e pelo seu lado exibido que anseia aceitação também é rechaçada. Ou seja, envolvida na ação de exclusão e de rejeição da irmã e da mãe, todo o coletivo é contaminado e você atinge a si mesmo se boicotando em possibilidades de laser e elação. Prevalece o foco na negação.

Voce abandona suas possibilidades de realização e mergulha na punição do outro e de si mesmo, no mundo do NÃO!

Um lado interessante do “não” é a ação contaminadora que aciona. O sujeito passa a retirar prazer do “não dito”, da punição que inflige ao outro. O não passa a ser uma forma de poder de frustrar o outro. O sujeito entra num estado compulsivo negativo em que se aprisiona num Looping enredando os fios de seu destino. Quanto mais diz não, mais nãos dirá.

Frustrando o outro ele obtém prazer NA NEGAÇÃO, mesmo que também se puna, se impedindo de outros prazeres. A ação se envereda na compulsão negativa, “o impedimento”, fazendo do sujeito um ANOREXICO AFETIVO. Ao invés de se alimentar do afeto e do prazer da comunhão ele se alimenta na negação do afeto.

O anorexico não deixa de se alimentar,
simbolicamente se alimenta do prazer em se punir
em nome da vaidade.

Costumo ressaltar os perigos e as armadilhas com as quais nos defrontamos em nosso dia a dia. Praticamente tudo tem armadilha quando a consciência se perde, quando o sujeito abandona o senso crítico e se torna resultado dos movimentos que não soube limitar.

Os limites são fundamentais na formação de uma pessoa, no estabelecimento de sua conduta, na disciplina de seus hábitos, mas se tornam uma armadilha quando passam a limitar a expansão da pessoa, impedindo-lhe de realizar aquilo que lhe é imprescindível realizar.

O seu destino lhe empurra para a vivência coletiva, que significa os rituais de crescimento, amadurecimento e transposição para a vida adulta. Quando se perde em velhos hábitos ou formas de responder aos reclames da vida, como por exemplo na negação, você se boicota e se impede de interagir de forma mais ampla com as pessoas do seu entorno. Se fecha numa ilha e se alimenta do isolamento que se impõe e do prazer de se negar ao outro.

Neste momento a resistência prevalece, seu mundo se contrai, você se paralisa encantada com o seu poder de frustrar, os sinais indicam perigo de retrocesso prevalência das velhas formas de se manifestar no mundo.

Você nega o afeto,
abandona a “Viagem” ,
se alimenta do não alimento.
Se perde no não.


Adendo - Criei a denominação e estou usando pela primeira vez,  o termo Anoréxico afetivo  para me referir à negação afetiva e à negativa de interação, como  forma do sujeito se esvaziar do sentimento e dos afetos que dentro dele deixam de se realizar e cumprir o seu destino de projeção no mundo. oportunamente descreverei mais este conceito que para mim bem caracteriza determinados Labirintos Afetivos nos quais mergulhamos.
Em caso de já ter sido utilizado por outra pessoa, perdoe-me a desinformação.

Ψ

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CARÍCIAS E ÊXTASE

Beijos orgásticos
CH 61

A segunda lembrança que tenho é de estar aos beijos com um rapaz em um local público, mas não lembro exatamente que tipo de lugar era. Havia outros casais, eu estava bem tranqüila e segura de mim. Eu beijava-o apenas com os lábios de maneira lenta e longa conforme o gosto dele, mas procurava me satisfazer também. Houve um momento em que eu tentei um beijo de língua, mas ele demonstrou desagrado e respeitei-o buscando outras formas de agradar-me do beijo e realmente eu conseguia isso. Era como se estivéssemos descobrindo maneiras agradáveis de nos beijar dentro do gosto pessoal de ambos e, assim, usufruir o momento para troca de prazer. Eu não sentia existir laço de compromisso entre nós, ou seja, não existia afeto de forma mais profunda (creio que de ambas as partes). Interessante notar que eu me sentia favorecida por isso e até posso dizer que essa era a minha segurança maior. Parece contraditório dizer que sentia segurança por não haver compromisso ou amor, mas eu focava a existência de liberdade, respeito e nenhuma cobrança. Embora no sonho ele fosse um rapaz desimpedido, esses sentimentos me remetem aos relacionamentos que já tive com homens casados. Outro ponto interessante é que eu me sentia no domínio da situação, não no sentido de posse ou de autoridade sobre ele, mas no sentido de autonomia, de coragem para me satisfazer, de capacidade de autodesempenho sem medo de desagradar. Essa sensação me é falha na vida real, não só em questão de relacionamentos, mas com tudo em geral. Também notei que sendo mais ativa do que passiva eu me sentia na posição de homem, não de forma literal, mas de forma crítica ao que eu estava fazendo, ao meu comportamento. Claro que no sonho isso não me incomodou e nem deveria, mas na vida real eu não sou tão ativa e atuante assim. Sei que é besteira, principalmente no século atual, separar ativo para masculino e passivo para o feminino, mas na prática isso sempre me freou as atitudes. Raras foram às vezes que consegui tomar iniciativa perante uma figura masculina, independente da idade. Talvez isso até indique submissão, mas creio ser uma rigidez de postura passiva que joga a obrigação sobre o mais forte. É como se eu fosse antiquada por vontade ou, ao menos, por culpa própria.
Houve um momento em que tive orgasmo apenas com os beijos e senti-me estranha por ter provocado, permitido e sentido aquilo antes da hora. Nisso começou a pingar muito de um liquido azul da minha vagina como se fosse tinta bem escura. Só dava para notar que era azul quando a mesma caia no chão e esparramava. Fiquei muito assustada com aquilo pela anormalidade do fato. Questionava-me se teria feito algo errado para aquilo estar acontecendo comigo. Existia um sentimento de culpa, mas eu também pressupunha que apenas sentia aquilo por causa de crenças castradoras que existiam em mim. Em seqüência jorrou uma bola do mesmo liquido na cor vermelha e pensando ser sangue coagulado fiquei tranqüila pois, embora aquilo não fosse normal, ao menos sendo vermelho eu sabia que era sangue. Depois disso eu voltei ao normal e então acordei.
Confesso que fico chocada com sonhos desse tipo, pois são muito estranhos e não sei o que representam. Pode parecer um absurdo, mas acho que eu sou machista por natureza. Estive pensando como eu seria se fosse um homem. Creio que eu buscaria uma mulher exatamente como sou, ou seja, mais recatada, caseira, que gosta de trabalhos manuais e que aprecia a natureza. Não que eu quisesse ser homem, mas sinto que enquanto sendo mulher eu sou agravada por minhas próprias crenças antiquadas.
Será que o sonho representa que ainda estou na tentativa de reconciliação de anima X animus?
Em terceiro eu não lembro ao certo que local eu estava, mas havia várias pessoas. Comentei da gravidez que deu errado e um rapaz ao escutar interessou-se pelo assunto e curioso perguntou se eu tentara ter um filho que sofrera aborto espontâneo. Respondi que não e minha irmã me olhou com ar de reprovação. Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido. Entretanto não estava disposta a falar mais nada na presença de minha irmã e só completei dizendo que era uma longa história. Ele perguntou se algum dia eu poderia lhe contar e disse que sim, talvez num momento mais propício. O ar de reprovação da minha irmã sentenciava que eu não devia contar minúcias da minha vida a um desconhecido. Embora não concordasse por não ver malefício algum em contar sobre meu nascimento, preferi fazê-lo quando sentisse livre da presença dela. Talvez minha irmã não concordasse com a idéia que eu refletia sobre meu próprio nascimento, mas não senti que seu olhar repreensivo tenha sido por isso.
Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo. Tal sonho me soa como um absurdo, mas se sonhei com isso deve haver alguma mensagem válida. Qual seria?


CARÍCIAS E ÊXTASE II



êxtase no orgasmo
CH 61
A atitude pode, sem dúvida, chamar de Proativa. Você se assume no seu desejo, rompe com o tradicionalismo, o conservadorismo, o Modelo de mulher incorporado, por você, como o adequado, o valorizado, o idealizado, o aceitado pelos seus princípios e valores, e exercita a sua experiência pessoal de ser mulher, como individuo que se dá o direito de se descobrir na busca do que lhe dá prazer, satisfação dos seus desejos, fantasias.

Sua experimentação pode deixar-lhe desconcertada, pois rompe com o seu modelito clássico de mulher, qu funciona focada no prazer do homem, como objeto de prazer dele, para avançar na busca de carícias que lhe satisfaçam sua demanda afetiva.

Poderíamos por exemplo pensar em possível fixação oral, ou numa demanda oral que satisfação sua carência oral, sua relação de simbiose não completada e não finalizada. Mas pessoalmente pensão que numa analise de sonhos podemos utilizar a referencia conceitual apenas como referência de leitura e não mais que isso já que o conceito pode ser reelaborado a partir da satisfação da demanda.

Pouco pode significar para você se descobrir conceitualmente prisioneira de uma fixação oral em decorrência de uma oralidade não satisfeita na fase de vivência simbiótica com a mãe. Mas muito pode significar, para você, a vivência oral realizada no exercício da sexualidade adulta que lhe permita viver o não vivido e se libertar ou liberar energias aprisionadas na frustração naquele momento do passado.

Para essa liberação não basta apenas viver a sexualidade de forma plena ou na expectativa de que o outro satisfaça o seu desejo. É necessário que você parta em busca do seu prazer, siga a referência íntima de sua necessidade, dos seus desejos e de seus impulsos.

Isto pode parecer assustador e chocante, primeiro por que nos colocamos alinhados, ou sob o poder da força dos desejos, na satisfação dos desejos e em geral nem sabemos de onde vêm e onde eles podem nos levar. Mas a consciência nos guia, pois permite, nesta jornada do imponderável, exercitar-se dentro de princípios e limites de segurança e do bom senso. Não como coletivamente como na música de Milton Nascimento: “Sede de viver tudo...” vivido no passado por uma geração. É preciso se permitir proativa, descobrir seus desejos e o caminho de saciá-los, sem colocar no outro a responsabilidade de que ele faça-a feliz e realizada.

A sexualidade está no seu corpo, na sua energia e é preciso se conhecer, para que até dela possa se libertar ou transmutar, no tempo devido, essa energia e transcender de forma plena.

A sociedade já vem rompendo com os modelos puros de homem e mulher, nas atitudes, rompendo com os modelos de ativo para falus e passivo para vagis. Mulheres que se responsabilizam pela satisfação do prazer permitem aos homens que se façam passivos e objetos de prazer para no momento seguinte serem ativos e que, ainda, satisfaçam as mulheres que gostam da virilidade máscula, ou como foco e objeto do prazer masculino. Não há modelos pré-definidos como no passado de o homem como comedor e a mulher como objeto de conquista.

Seja Livre para buscar sua satisfação e cuide da sua felicidade ou fique esperando, na janela, que o príncipe encantado apareça e que não seja castrado.

O sonho compensa seus desejos e mostra-lhe o caminho que podes seguir para encontrar sua satisfação ou para satisfazer seus anseios. Você não tem que ser mulher assim, ou homem assado. Você precisa encontrar o seu caminho pessoal para ser feliz, é o seu direito e é o seu dever, consigo mesma. Você precisa refazer conceitos, e deixar que essa mulher que existe em você aflore e mostre a sua força, beleza e determinação.

Parece-me que carrega há anos essa ideia de flagelo e culpa. Rompa com esses preceitos incorporados sabe-se lá de quem. Você está viva. Se não era para ter nascido, nasceu! Já que nasceu, cumpra seu destino de viva e não seu destino de morta, seu destino de viver e não o de morrer. Existem questões que não nos cabe pelo absurdo e insólito que se mostram. Se você vive é graça de direito divino... VIVA!!! RELAXE e... GOZE. Pois assim que o tempo passar a Madalena se santificará.

Quanto a isso é necessário que reflita uma questão básica; Se você não abre espaço para realizar sua demanda pessoal, você entra em um RUSH energético que pode lhe provocar doenças orgânicas de todos os matizes possíveis, distúrbios e transtornos. Enfim, infelicidade. É difícil, mas carregamos um corpo animal que anseia realizar instintos básicos e administrá-lo definirá sua transcendência. Há quem acredite em flagelo libertador, no chicote, no sofrimento, na punição, no castigo. A escolha é sua.

Viver, é o digo sempre, não é uma festa. Exige-nos, permanentemente, no limite. Mesmo em cenários de orgasmos, abandono e lassidão. E não nos resta, em consciência, outra atitude senão atravessar esse melancólico vale de sofrimentos. Dependendo da forma como o atravessamos temos a chance de aplacar as dores e encontrar caminhos sublimes e suaves, como agradáveis manhãs primaveris e até alongar esses momentos como se nos blindássemos por méritos e conquistas nos confrontos e no dever cumprido.

Mas não se esqueça: Não faça sua vida mais difícil com tanta severidade, punição e perfeccionismo. Você é apenas uma mulher... simplesmente uma pessoa...