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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

CONSCIÊNCIA DESPERTA





“Então sonhei que havia um ninho de aranhas venenosas em baixo da cama e eu precisava acordar antes delas subirem em mim. Tentei gritar, mas a voz não saía. Psiquicamente (não sei ao certo como explicar) eu me mexia com desespero, mas isso não causava movimento no corpo em si. Depois veio minha mãe com o celular que estava pegando fogo. Ela precisava da minha ajuda, mas nada me acordava, sendo que fora da dimensão física corporal eu me sentia completamente acordada. Eu permanecia conscientemente acordada, mas sem a percepção de que todas aquelas situações e acontecimentos dramáticos eram ilusórios, irreais, meramente oníricos.”

Sonhos são assim, a cada noite nos mostram que a realidade em que vivemos é relativa. Só nós não o somos, ainda o sendo como finitos.

Você tinha a consciência de estar acordada, mas não tinha a consciência diferencial entre o sonho, a alucinação e a realidade. A sua consciência era parcial por que não há diferença de realidades ou pelo limite da experiência?

O sonho pode ter ocorrido num intervalo de tempo fundamental para que você pudesse de forma integral memoriza-lo. Você foi “acordada” porque precisava memorizar o sonho, ver o sonho acordada para não esquecê-lo. O inconsciente queria que você visse o sonho

Na necessidade de ser protegida você se angustia querendo proteger. Você é filha em busca de proteção ou se arvora em ser mãe da sua mãe?

O telefone é a possibilidade de comunicação entre mãe e filha. Será que a falta de comunicação angustia a mãe, o instrumento se queima por que o diálogo inexiste? Enquanto você sofre as ameaças das aranhas venenosas.

Em sonho anterior veja o sentido de aranha, no Indicador Temático ou click


Mas nesse sonho, o que salta são as aranhas venenosas, portanto agressivas e pode-se associar a ameaça, a agressividade como conteúdo que existe entre você e sua mãe e que dificulta a comunicação?

O comportamento agressivo te angustia, porque você projeta veneno na relação? E isso dificulta a comunicação de sua mãe para você?

Reflita!

CONCLUSÃO

Você foi acordada num momento de relaxamento profundo, num dia em que o corpo mais cansado estava mais “ausente” E o inconsciente te acordou. Você experimenta a imobilidade, a incapacidade e a impotência de acionar através da vontade o domínio do corpo.

Mas o importante pode ser o sonho, a mensagem de que existem duas mulheres angustiadas que não conseguem se comunicar, ambas se necessitando. Você precisando da blindagem protetiva materna, e a mãe precisando de paz por te saber bem diante da vida, mas sem instrumento para chegar até você. A responsabilidade pode ser sua. É de quem descobre primeiro o nó. Procure-a, busque a proximidade e lhe dê chance para proteger e mostrar-se sua mãe.

Ψ

sábado, 15 de janeiro de 2011

DESEJO, INCESTO E VINGANÇA






Depois sonhei que chegava numa casa e meu pai veio me recepcionar. Disse-lhe que eu não podia demorar e ainda assim vi ele trancar o portão e guardar as chaves. Enquanto adentrávamos pelo quintal em direção a casa, pensei em como reagiria se ele quisesse fazer sexo comigo. Eu não saberia definir se havia algum interesse proibido em mim. Entretanto, numa sequência de pensamentos, eu já estava em dúvida e não sabia se tudo o que acontecera de incesto fora verdade ou apenas criação mental. Logicamente dentro do sonho o que estava em minha mente não era a vida real, mas os vários outros sonhos de conteúdo sexual tidos com meu pai. Era como se houvesse ocorrido uma sabotagem onírica.

O pai pervertido havia sido real mesmo dentro dos sonhos, teria alguma conotação com a realidade, ou tudo não passava de fantasia mental?

Quem ou qual tipo de pai era aquele?

Seria o pai real ou o pai interno pervertido projetado nos sonhos?

Enquanto pensava ele me deu um rádio antigo para segurar (igual a um rádio que meu pai teve na vida real) dizendo que o havia consertado. Realmente a música estava limpa, sem chiados ou ruídos. Ao invés de entrarmos na casa, a qual parecia estar trancada, meu pai pendurou o rádio num galho de árvore e começou a podar a mesma. Nesse momento contemplei o local e agradei-me de ali estar. Era um terreno bastante inclinado com uma construção de fundo, na parte mais alta. Interessante que só me dei conta da inclinação ao estar lá no topo, ou seja, não senti a subida em si. De lá até o portão havia um gramado com duas fileiras (no sentido atravessado do terreno) de arvores. Havia muito mato e as arvores realmente estavam precisando de poda. Não entendi o fato de justamente naquele momento ele ir serrar os galhos das árvores e remexer naquilo me deixando um tanto perdida sem saber o que fazer ou pensar. E mais um detalhe: lá embaixo havia um banheiro e observei duas mulheres adentrando nele, mas não dei importância ao fato, embora achasse curioso ter aquele banheiro lá.
Em principio a sua relação com seu pai não pode em tese ser separada da relação entre sua mãe e sua irmã. Desta forma seus desejos incestuosos seriam uma forma de estabelecer um pacto de proximidade e de cumplicidade com seu pai, satisfazendo um certo desejo mórbido de se vingar de sua mãe e de sua irmã sendo a amante de pai, a que rouba o homem da mãe e que estabelece uma relação mais profunda do que sua irmã poderia ter estabelecido com sua irmã.

Nesta ótica, o pai criado internamente é aquele que realiza o seu desejo mórbido e a perversão é do tamanho do ressentimento originado na exclusão da relação entre a mãe e a irmã e na necessidade de punir a mãe por ter-lhe entregue ao domínio da irmã.

Quando a mãe abre mão de ser a mãe que te conduz entregando-lhe ao poder de sua irmã, sua mãe consegue se safar da relação de competição e do embate travado e criado por você.

Quando você se envolve na competição com a mãe, num processo, até um certo limite, natural de diferenciação de sua individualidade você antecipa o seu processo de maturação sem estar devidamente preparada para essa ascensão. Você define, de certa forma, a atitude de sua mãe de renunciar à autoridade materna e de entregar essa responsabilidade à sua irmã.

No jogo das relações parece-me que você nunca aceitou este desfecho dado pela mãe, através da renúncia ao jogo competitivo. Ela não suportou o seu confronto e pediu socorro, ela precisava te "salvar" e se salvar.

Assim a presença do pai torna-se a sua possibilidade de vingança, frente ao resentimento que poderia estar te consumindo, decorrente da revolta, de ter ganho o jogo mas não ter levantado a taça da vitória.

Faço esta associação e considero sua negação de ocorrência real de um pai incestuoso.

O rádio é a ampliação da capacidade de perceber aquilo que instrumentalmente somos incapazes. Você ligada ao mundo, às ondas do mundo.

Enquanto seu pai realiza a poda, o corte dos excessos, o direcionamento do crescimento, a limpeza das árvores você já se encontra no topo.

A árvore é símbolo feminino e materno, referência da fixação na terra. Podemos pensar que este lado masculino do lenhador ou do castrador seja aquele que controla e administra a fecundidade, ou que impede a plena expansão do seu lado feminino. Ainda que possa ser o principio de realidade que a mantém ligada ao mundo.

As mulheres “lá embaixo” podem ser referência à sua irmã e à sua mãe, já que elas fazem irremediavelmente parte de um triangulo da qual participa junto delas, elas que são seu foco e referência de mãe.

O sonho ainda pode ser o encontro com o pai falecido. Neste caso, ele vindo do mundo dos mortos, pode estar lhe indicando a necessidade de focar sua ação em projetos mais definidos dentro da realidade, ou a importância de realizar em sua vida a poda dos excessos, a limpeza do campo no seu entorno, à importância de trabalhar a construção através da manutenção daquilo que é de sua responsabilidade cuidar e sua vinculação com a natureza.

Há o detalhe do seu incômodo  causado pelas mudanças que vão sendo realizadas, processadas, inicialmente tira-lhe as referencias e a deixa paralisada. È preciso assimilar essas novas mudanças, digerí-las e incorporá-las à sua vida. 
Além disso, a certeza de que na vida precisamos abrir mão de galhos para colher no futuro os frutos do renascimento.

Ψ

sábado, 11 de dezembro de 2010

MÃE DRÁSTICA, MÁ DRÁSTICA

 A Bruxa - 1640 -
 Salvator Rosa - Milão -
Pinacoteca Privada

Depois eu estava na casa da minha prima, pois não estava mais tendo condições de morar em casa (não sei por qual motivo, pois não recordo muito bem dessa parte). Nisso minha prima e eu fomos para a casa donde minha mãe estava e, muito nervosa não lembro por que, mamãe maltratou até mesmo a própria sobrinha.

A casa é símbolo do corpo, nossa casa, nosso templo, o repouso, a intimidade, a privacidade, o lugar do recolhimento, o espaço da pessoalidade, extensão da individualidade.

Uma hora a pessoa cresce, abandona o casulo materno e parte para a construção do seu casulo. O movimento é natural e manifestação da expansão, do crescimento, é projeção da separação, origem da necessidade de diferenciação, que faz de cada um uma dimensão da singularidade da matéria.

É o fim do longo processo de simbiose iniciado na casa do corpo materno, no útero. A consolidação da separação da mãe, do pai, da casa grande, da família. É o início da projeção de formação da individualidade diferenciada e conquistada. É o princípio da conquista da libertação.

Muitos poderão perguntar: fim da simbiose? Sim, fim da simbiose iniciada no interior do corpo materno, consubstanciada na fase oral, na indiferenciação corporal, sustentada ao longo do desenvolvimento infantil, da adolescência e finalizado a partir do inicio da vida adulta para uns, e ao longo da vida adulta para outros. Neste longo processo muitos são os que não conseguem se libertar do poder presencial e permanente da MÃE.

Já lhe disse anteriormente: Precisamos matar a mãe, o pai, eliminar as amarras que nos condenam a viver a eterna repetição dos dependentes. Matar simbolicamente sem cometer suicídio. Matar para que morra o infantilóide em nós, para permitir a morte do filho, da criança carente, amedrontada, sem recursos, sem poder de defesa para que se possa postar-se diante da realidade com individuo maturado.

A mãe madrasta já desvia o olha punitivo para o outro. Você não é mais o foco de sua repressão, condenação. Mas a mãe ainda é madrasta, “maltrasta” a prima. O seu olhar ainda a teme, mas essa mãe em você é fonte de sua reatividade, do seu “nervosismo”, da pulsão agressiva e destrutiva. Essa agressividade você projeta na mãe ou a ela projeta em você?

Há o confronto e há o recuo, a regressão, a volta à condição de filha submetida ao poder materno, mas há a aquisição da consciência da necessidade de se libertar, mesmo que, ainda, a filha pulse como se quisesse não crescer, se mantendo a filha criança. E essa necessidade de se libertar repousa no conceito de que o outro com sua grosseria lhe empurra para a sua decisão.

Importante é a consciência de que não se precisa de justificativas para crescer ou para se libertar da mãe. A dificuldade de avançar nesta direção pode indicar culpabilidade no ato de crescer, como se ao sustentar este cenário, esta realidade, se fizesse possível a manutenção do conforto do outro, do conforto da mãe.

Se isto existe, rompa com esse dilema.

Para as mães filhos são sempre “meu bebê”, nunca deixam de serem filhos, nunca crescem, porque é assim que mantêm o conforto de continuar lhes dedicando tempo e preocupação, sem terem que se defrontar com outras realidades em suas vidas.

Daí, filhos tendem a ser o único sentido de vida de mulheres. Como se elas tivessem nascido apenas para procriar, realizando a perpetuação da espécie. E claro, essa é uma forma de negar a maternidade pró criativa cujo sentido da vida é apenas dar vida ao outro, negando a própria vida. E este sentido lhes é confortável, protege-as do insólito da existência, de ter que encarar o não sentido da existência. Diferentemente da cruel realidade em que os homens mergulham no “Sem Sentido” da realidade.

Portanto, reavalie essa culpa ou a justificativa para recuar e não avançar no seu processo maturação. Isto não significa que abandonará a mãe. E desnecessário pensar a mãe como Madrasta para ter a justificativa de seguir o caminho da independência e poder encontrar o sentido de sua vida.

ADENDO:

Ademais, não há porque temer e se assegurar no amanhã de que um filho não a faça se sentir abandonada. Se os tiver crie-os para a liberdade com afetividade, paradoxalmente eles se mostrarão presentes, mais felizes e libertos de manipulações. Assim não precisa temer estar abandonando a mãe com medo de ser abandonada no amanhã por suas crias.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SECRETU




Feed Back:

"Vou contar um segredo que nunca disse a ninguém..."

"...Conscientemente é isso. Não tenho dúvidas de quem é minha mãe biológica, do mesmo modo como não tenho dúvidas de que o papel responsável pela minha educação ficou com a pessoa errada, ou seja, minha irmã, a qual não tinha a sensibilidade emocional materna para cuidar de mim com 13 anos."

Pois é... Segredos, Segredos são!

Portanto...

Obrigado pela confiança e pelo relato. Enriquece a minha compreensão da dinâmica do inconsciente.

Em relação a sua mãe que bom que não tenha mais dúvidas quanto à sua filiação. E com certeza uma menina (a irmã) nunca poderia estar preparada para educar e formar outra criança. Sinal de que sua carência pode advir de uma mãe abandônica em sua história.

Não cabe julga-la, condena-la, critica-la. No universo pessoal muitas são as variáveis que podem nos levar a cometer erros. A infalibilidade na vida real não existe e não resiste, a não ser na idealização.

A visão que condena a família como uma grande fonte de neurose e dos problemas das pessoas, para mim,  é fundamentalmente equivocada. Acredito mais no poder construtivo familiar, nos pontos positivos do que de pontos negativos traumáticos e desconstrutivos.

Ficar culpando pai e/ou mãe por nossas dificuldades é ficar focado nos erros e esquecer a força e o poder dos acertos. Em geral as dificuldades são coletivas e envolvem toda uma geração social.

Em trinta anos de escuta psicoterapêutica posso dizer-lhe com tranquilidade que todos erram, uns mais outros menos. Portanto essa é uma variável pouco determinante, e só o é, quando ultrapassam os limites sociais do aceitável. Aí a devastação psíquica e arrasadora.

Mas de forma genérica, a presença dos pais tende a ser mais promotora de organização, referência, afeto, disciplina, formação, do que o contrário.

A sociedade hoje mostra que a desagregação tende a gerar, promover, produzir, indivíduos com mais dificuldades de socialização, individuos mais perdidos e sem referências afetivas, individuos com maior tendência à sociopatia, destrutivos, revoltados, com mais dificuldades de estabelecerem vínculos afetivos.

Portanto, houve uma mãe boa, ainda que possa ter sido abandônica, e uma mãe severa. É mais sábio aproveitar o melhor daquilo que lhe passaram, do que são. Se possível supere-as, vá além, realize mais do que elas conseguiram, corra atrás de seus sonhos e encontre a sua forma de ser feliz.

 
 
 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MIRA E AD MIRA


 


Art em Cerâmica de Minas Gerais 


Sonhei que estava a minha irmã com o marido num local com várias outras pessoas. Eu estava logo atrás quando uma mulher chamou-a num canto querendo conversar algo. Na frente de todos minha irmã respondeu que não ia ir ao encontro dela pois seu noivo (não sei porque ela chamou o marido de noivo) e irma estavam presentes e ela não tinha nada a esconder dos mesmos. Daí, como se lembrasse de algo, perguntou se ela estava querendo saber sobre os preços. A outra concordou e disse que nem parecia minha irmã falando daquele jeito. Minha irmã balançou o cordão do chaveiro na mãe enquanto respondia: “É que eu sou a racional lá de casa”.

O mais interessante do sonho é que eu não olhava para ela com olhos críticos, pois entendia que qualquer postura, fala ou atitude da parte dela que eu não gostasse seria apenas um reflexo, uma representação, uma parte de mim mesma projetada. Uma vez que ela “era eu em outro ser”, existia ali uma afinidade virada ao avesso e, portanto, naturalmente senti a criticidade se transformar em admiração. Fosse ela o que fosse, eu gostasse ou não, ali eu estava apenas para orgulhar-me da irmã que eu tinha enquanto um espelho mais ousado de mim mesma.

Parece mágico essa nova significação que começa a ocorrer ao entender que aquilo que não gosto nos outros é apenas parte de minha “sombra”.

BRAVO!


A “coisa” funciona mais ou menos desse jeito.

Bem percebido. Isto é RESIGNIFICAR. Por isso a reconstrução conceitual  é tão importante. Reintroduzimos IMPUTS conceituais, princípios éticos,  que depois de processados nos permitem novas respostas, novos OUTPUTS, o organismos se prepara para responder ao mundo de forma renovada.
A vida é Mágica. Mesmo que a enquadremos em conceitos que nos são confortáveis e que aumentem a confiança e diminuam o desconforto de viver num mundo inimaginável.

Talvez nisso esteja uma armadilha: Quando nos blindamos diante do mundo deixamos de perceber a magia de um mundo subjetivo e incontrolável ainda que aumentemos o conforto e o controle ao redor do umbigo, nos aprisionamos num mundo limitado e nos tornamos o nosso próprio algoz. Mas quando sintonizamos a sutil energia que envolve a vida, sem medo, confiantes na força do universo, portais afloram se abrem e podemos perceber o milagre da vida se desenrolar.

O sonho faz referência aos segredos possíveis em sua vida ou às suas fantasias de origem. Mesmo que sua mãe seja sua mãe e sua irmã seja a sua irmã a simbologia do sonho reforça a ideia da admiração ou do desejo de que sua verdadeira mãe fosse sua irmã. Neste caso mais do que a identificação, haveria o desejo simbolizado de ter como mãe a irmã, independente da forma severa como ela conduziu sua formação ou sua educação, ou de ter sido pela firmeza uma mãe simbólica.

Tudo, é claro, escondido pelo olhar critico, pelo julgamento e pela frustração de não ser ela sua verdadeira mãe.

Até mesmo a sua forma de se relacionar com as crianças parece um espelho de como sua irmã a conduziu. Sua referência de autoridade.

A compreensão da identidade projetada favorece a formação de sua consciência e sobre ela transforma a sua atitude, rompendo com as defesas neuradas que a levavam à severidade crítica, ao julgamento e ao distanciamento da irmã.

Como dizia o francês André Lapierre: Quando não vivemos o acordo Tônico com o outro, desenvolvemos uma reatividade agressiva diante dele.

Na verdade mesmo a sua severidade ou o seu julgamento projetado na sua irmã sinalizam uma identidade tão significativa já que essa sua atitude a protegia, diferenciando-a a da irmã e permitindo-lhe um pouco de construção pessoal.

Entenda: para não ser apenas o reflexo ou o espelho dela, a sua “antipatia” aflora, ou aflorava, como uma tentativa desesperada de se diferenciar daquela que é o seu grande modelo de identidade, distanciando do modelo.


*****
Depois sonhei que meu pai ia pagar umas contas e ajudando-o procurava um dos papeis de boleto, mas como eu estava demorando a achar o papel específico, ele me olhou enfezado e pegando o monte de papeis começou a remexer neles sozinho negando a minha ajuda. Não achei ruim a atitude dele, só me desagradou não poder mais ajudá-lo. Foi um olhar bastante severo e não ousei dizer algo ou insistir em ajudá-lo.

No segundo sonho, que me parece um sonho de confronto, o olhar severo da autoridade poderia desmontá-la, mas não o faz. Você resiste diferenciando a severidade do olhar com a afetuosidade da relação.

Você não sucumbe ao olhar de cobrança do outro. Aumenta a resistência mental, maior consistência emocional, menos fragilidade, autoestima mais fortalecida, maior segurança afetiva e além disso:

Uma postura mais natural, menos misturada, mais espontânea.

Os sinais são de uma menina moça que se centrando amadurece como mulher consistente. Sabe diferenciar a hora do embate e o momento de aceitar os limites. Ainda que haja uma submissão consentida a referências masculinoa de autoridade.

São sinais auspiciosos para quem está em jornada buscando equilíbrio e felicidade.



FELICIDADES!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AFETO... LEITE SAGRADO - I



CARLA 148
Primeiro sonhei que estava chegando em casa quando vi o carro da minha madrinha estacionado na garagem. Como não gosto de visitas e sabia que aquela em específico era para mim, fui insatisfeita direto para o banheiro limpar meus óculos de sol. Conforme eu limpava a lente ela ia clareando como se realmente saísse a cor. Nisso minha mãe foi me chamar tentando dar a entender que eu não percebera ainda a presença da minha madrinha. Sem solução fui cumprimentá-la. Ela abraçou-me e já foi chorando, dizendo que sentia muita falta de mim, do meu abraço, e foi falando um monte de coisas. Pude notar com o sonho que, embora tenha meu lado carente, não tenho coragem de expressá-lo como fez minha madrinha no sonho. Achei a postura dela exagerada, muito carente, quase me colocando num pedestal. Eu não me sentia nada do que ela falava. Eu não me sentia como alguém que pudesse provocar tanta saudade e, ademais, por mais falta que ela me fizesse, eu não estava derramando nenhuma lágrima por ela, pois isso em nada mudaria a realidade da nossa distância.



O sonho traduz que sou uma pessoa fria, distante, com minhas reservas e, ademais, posso ser carente, mas não gosto de gente carente em volta de mim.

Madrinha é mãe substituta. Parece que apesar de sua carência,  não é a carência de mãe o foco do dilema. Isto pode reforçar a compreensão de que a existência do triangulo familiar, Filha X Mãe X Irmã, não envolve a questão da carência do seu afeto, e nem faz de sua mãe uma “Mãe Abandônica”. Já que o problema não é a carência o nó pode estar na competição que voce projeta e nos conteúdos ligados a essa disputa com sua irmã: inveja, egoísmo, caprichos, birra, vaidade, possessividade, ciúme, insegurança, fragilidade, infantilidade, etc.

Perceba a lucidez psíquica, mas não a pense como consciência. Essa lucidez é o senso do espírito do universo que nos chama permanentemente para a possibilidade de nos agregar ao seu eixo. Este espírito do universo que em nós pode ser traduzido como alma, necessita daquilo que desenvolvemos: A consciência, que quando agregada a esse espírito favorece a evolução e o sentido da existência. Sua psiquê amplia a indicação de sua questão primordial, aquele que pode estar definindo seu destino. E amplia essa compreensão quando nos clareia, num grau mais abrangente, a indicação do alvo onde está localizado o NÓ, independente dos outros que existam.

Naturalmente uma pessoa carente se alimenta de afeto e do carinho que lhe chega, se você escolhe uma fonte do afeto e despreza outras fontes, o problema “carência” se mostra pouco provável. Então essa suposta carência pode estar servindo para que você tenha sempre justificativas para sustentar determinados comportamentos, atitudes, caprichos, inseguranças, indisponibilidade, falta de afeto, distanciamento. Ou seja, serve para que você se esconda atrás desta máscara de carência. Serve para que você manipule as pessoas com esta suposta fragilidade.

É claro que se essa leitura estiver sintonia com a mensagem do seu inconsciente você pode parar de rodar ao redor do seu umbigo e encontrar um caminho, uma referência para sustentar suas mudanças. O caminho onírico é assim nos tateamos enquanto o Inc. vai nos indicando o rumo.

No momento seguinte você limpa seus óculos. Veja só: os óculos são protetores visuais e ampliadores de imagens. Você limpa os seus óculos de sol, não são óculos ampliadores, são protetores, e a cada limpada mais claros ficam seus óculos, o verniz é retirado, a defesa é retirada, a proteção excluída e o que acontece? Sua visão esta se ampliando, clareando.. Sem defesas você vai ao encontro da sua mãe substituta para receber e dar o abraço, que você nega. Ela realça a sua importância, valoriza a sua existência, e você que tem duas mães é que se dá ao direito de dispensar o amor e o carinho de uma delas.

A sequência do sonho é singular porque espelha a “carência” que você usa como instrumento e com a qual não se identifica, até mesmo se incomoda.

Bem, aqui pode aparecer uma incoerência: Geralmente tendemos a nos incomodar com o nosso espelho. É fatal: Se o outro te incomoda em alguma característica é muito provável que o outro seja aquilo que você é, e que te incomoda. O carente não suporta o carente, não suporta a carência de outro carente.

É possível que o surgimento da mãe postiça venha para suprir aquilo que sua mãe não lhe dá, mas sua obsessão só foca sua satisfação na sua mãe biológica. A vida muitas vezes nos ajuda a solucionar nossas carências por varias vias que não a original. É inteligência saber distinguir este apoio e aceitar a oferta para que possamos abandonar estes miasmas de um passado mal resolvido.

Sendo assim, não se pode descartar uma das possibilidades, elas podem estar corretas. Uma característica é autêntica e a outra pode ter sido uma produção incorporada como defesa. Quando construímos defesas a partir do idealizado, nós incorporamos aquilo em que acreditamos.

Vou citar um exemplo, sem segundas intenções, faço uso do exemplo para mostrar o raciocínio e não quero dizer que é o seu caso:

O mentiroso produz um grave problema. Cada vez que produz uma realidade imaginária para atender sua necessidade de manipulação dos eventos, aquilo que vai transformá-lo numa pessoa emocionalmente inconsistente é que com o passar do tempo ele vai incorporando suas mentiras, acreditando nelas, até que chega num ponto sem retorno quando perde as referências do real e do irreal, produzindo uma dinâmica de instabilidade e de insustentabilidade, a neurose.

Voltando ao tema: possivelmente você pode ter incorporado essa suposta carência como uma “verdade” que hoje não te larga. Uma referência de fragilidade, de falta, de ausência. E aquilo que era apenas um artifício, um instrumento se transformou numa encrenca, num conteúdo autônomo que hoje define sua forma de responder à realidade mas que não atende sua necessidades.

AFETO... LEITE SAGRADO - II



PEQUENA  MENSAGEM ONÍRICA


Mas se existe uma mensagem neste sonho ela pode ser um aprendizado: Antes de querer receber aprenda a dar, aprenda a amar independente de ser amada. Aprenda a abraçar, a distribuir carinhos e carícias, e também a aprenda a receber, seja de quem for. Não abrace apenas o belo, o jovem, o novo, o bonito, a estrela. Um dia a beleza acaba, a saúde acaba, a juventude vai embora, mas o amor, para aqueles que aprenderam a ser amorosos, fica.

Abrace com amor, como se estivesse distribuindo riquezas. Abrace de verdade, com autenticidade, com disponibilidade. Distribua amor. Quando tocar no outro toque com carinho, delicadeza, toque solidária, com compaixão.

Neste mundo hoje, onde há tanto sofrimento, dor, dificuldades, angústias, seja afetuosa com os menores, com os pobres, com os carentes, com os que sofrem, porque essa é a melhor forma de termos compaixão, de aliviar a dor dos necessitados. Estamos todos no mesmo barco, e a existência é uma jornada que muito exige de todos, e cada vez mais perceberemos o sofrimento ao nosso redor. Por isso procure ser leve, com carinho a gente consegue. Dê um pouco de si. O universo agradecerá lhe inundando de amor, suprindo suas carências. Deus é madrinha.

Quando ficamos muito focados na falta que vivemos, na falta do que temos, o sofrimento que sofremos parece que cresce, a dor aumenta, a solidão não cabe no coração, mas quando doamos um pouco de carinho, nossa dor se alivia, e a jornada se torna mais suave. É assim que me sinto.

sábado, 17 de julho de 2010

TERRA MATRIS DEI

Carla115


Em oitavo eu fui para perto de minha mãe e avó e perguntei algo sobre Tupaciguara (não tenho certeza se era essa cidade). Minha avó comentou que era a segunda cidade que ela mais gostava, pois ao menos na época dela, era uma cidade rural com muitas fazendas. Na vida real minha avó nem se quer conhece Tupaciguara. Não sei por qual motivo fui lhe perguntar sobre tal cidade, mas era como se algo do meu passado estivesse relacionado ao assunto.

Você pergunta para a Mãe da Mãe, e veja só Tupaciguara é considerada a "TERRA MATRIS DEI", Terra da Mãe de Deus. Naturalmente o nome registrado no inconsciente salta e chama-lhe a atenção para o significado, focaliza sua atenção.


Terra da Mãe de Deus pode ser referência à Terra Santa. Se for sonho pessoal pode ser referência à relação com a religiosidade ou com a proximidade à  terra santa. Se coletivo, pode fazer referência ao Campo Santo associado à avó.

Terra é a matriz, representa a mãe, simboliza a fecundidade e a regeneração, nosso pouso, nosso elemento, fonte de nosso alimento. É a perfeição passiva fecundada  pela ação do principio ativo. É o pó em que nos transformaremos... De onde viemos e para onde nosso corpo irá para ser transformado.

Símbolo do consciente, dos desejos terrenos, das nossas possibilidades de sublimação e de perversão, no sentido de transgressão, transformar no rumo oposto, na oposição. É o espaço de nossas vidas, o lugar dos conflitos e das batalhas, dos embates, fracassos e vitórias do ser humano. Nossa casa, nossa estação de parada, na viagem cósmica de nossas vidas.

Terra é representação do princípio de realidade, do sustento, pés no chão, do presente e chamada para essa realidade onde mora a vida. Neste aspecto contrapõe o ilusório, o imaginaria, a idealização e o aéreo, o suspenso, o etéreo.
Eu não sei a quantidade de terra na sua vida, mas se o inconsciente te foca nela, resta a questão, Está faltando este principio, este elemento em sua vida?   

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SIMBIOSE



               
CH55

Segundo: Eu tinha um menino no colo e sua mãe à minha frente. O menino chorava, pois sua mãe o culpava indiretamente da morte de seu irmão mais velho, mas era claro para mim que o menino não tinha culpa nenhuma. Não lembro dos detalhes direito. Eu sabia que ela dizia aquilo sem de fato o querer dizer, como se fosse apenas uma reação explosiva de seu nervosismo. Com muito carinho eu lhe dizia enxugando-lhe as lágrimas e acariciando seu rosto, para que ele não ficasse com raiva de sua mãe e nem desse importância ao que ela dizia a ponto de ficar revoltado ou triste com a situação. Expliquei-lhe que ela ainda não havia se conformado com tal acontecido, que ela não soubera lidar emocionalmente com o fato e, nos momentos de tensão, descarregava nele dizendo um monte de tolices para se sentir menos culpada, para extravasar sua revolta e pesar da suposta perda. Eu estava ali para aliviar o mal, para confortar o menino e fazê-lo entender que não podia entrar no clima ignorante da mãe e aceitar aquela projeção de revolta, remorso e tristeza. A mãe escutava tudo calada e eu não me importava. Eu não dizia aquilo tentando mostrar a mãe a sua postura errada de agir para com o filho mais novo, pois eu também tinha compreensão para a dificuldade da mesma perante a morte do outro filho e queria passar isso para o menino que estava no meu colo de forma que ele se fortalecesse para entender a mãe em seus despautérios e ataques de culpa. Não cabia ao filho mudar a mãe, mas unicamente compreendê-la e ter-lhe piedade ao invez de raiva, revolta ou tristeza. Foi assim que eu participei e vivi tal cena. O que isso reflete de mim?

O que isto espelha? A realidade ambivalente de sentimentos em relação à sua mãe? A criança que vive em você chora essa amargura? Chora alguma culpa? E nasce em você uma atitude que busca compreensão para se libertar de sua visão critica à mãe?

O que me passa é dinâmica do processo, sinal de libertação! Diferenciação! Elaboração! Em duas vertentes:

  • Você se liberta de sentimentos, afetos projetados em sua mãe, advindos de uma relação simbiótica indissolúvel;
  • Você se liberta da criança ressentida, carente e sofrida que vive em você.
Podemos pensar que mudanças de consciência, ou da luz jogada em conteúdos que antes eram ignorados, indicam uma construção, e objetivação dessa realidade antes diferenciada e que agora se mostra em forma projetada.

Outro aspecto é a possibilidade de sonho catártico e compensador. Frente a uma elevação de seu nível de tensão a psiquê lhe favorece:

A elaboração a partir da construção de imagens. Essas imagens já surgem como gestalt de conteúdos que antes eram fragmentados e que agora já formam um mosaico da integração destes fragmentos.

A catarse para reequilibrar sua tensão, criada e mobilizada na sua relação com a realidade Filha X Mãe.

Possivelmente, se a relação com a mãe é complexa, lhe envolve em uma tensão que tende a descompensá-la. Neste caso ela ainda mobiliza na criança em você uma tensão elevada, e reativa e significativamente neste momento surge um grande diferencial:

Uma jovem mulher mais amadurecida, mas postada, mais consistente que busca compreender a realidade da relação, desfavorável ou ainda indiferenciada, E que sente e identifica o impacto desta relação no seu humor e no seu equilíbrio emocional mas considera a verdade das responsabilidades tentando se desvencilhar de julgamento e culpas.

Neste caso os indícios são de que você começa a sentir os resultados de sua mudança de consciência, Já que a partir de sua compreensão, a consciência diferenciada começa a ordenar os conteúdos passionais e pulsionais, elaborando os sentimentos, administrando as emoções, superando a reatividade e reordenando conceitos que redefinem a sua relação Filha X Mãe.

É interessante, já que no final do sonho anterior este cenário havia sido mostrado na formação do triangulo Avó X Mãe X Filha e agora aparece no triangulo: Mãe X Filho X Filha, onde você já diferenciada aparece na vinculação como estranha. É quase uma reafirmação do mesmo triângulo relacional. E você realiza a vivência do idealizado superando os conteúdos formadores e geradores desta transferência negativa.

Em relação aos sentimentos projetados na mãe, é interessante saber se você cultua a ideia de que seu amadurecimento e libertação desperta na sua mãe um sentimento de perda da filha. Neste caso, este fato pode ser apenas uma justificativa para que você mantenha-se no vínculo simbiótico, na dependência, sob a barra da saia, ou o jogo realmente pode existir (em geral as mães exercem esse domínio fascínio sobre os filhos aprisionando-os em nome do sentimento sagrado da maternidade) o que caracteriza e define o seu aprisionamento.

Obs.: A imagem do post vem como ilustração desta realidade que pode se fazer trágica quando não conduzida com sabedoria afetiva e libertadora, o cordão umbilical simbolo magistral do nascimento mesmo cortado permanece materializado não evoluindo e se transmutando para a dimensão simbólica como afeto como amor. A mãe se assegura da manutenção dos vinculos de dependência e o filho se debate em águas tormentosas na busca da libertação, prouzindo desafetos, resistências, amores irrealizados.

AVANCE!

BYE

terça-feira, 27 de abril de 2010

A CAPITÃ DE CAPITÃO

Imagem de Fragata Pirata em mar calmo: 

CH54

Sonhos dessa noite. Primeiro: Eu passava por uma estrada quando visualizei uma senhora e uma jovem sentadas no meio do caminho. Havia irradiação luminosa nelas e outras figuras humanas de luz opacas que imaginei ser espíritos e, sem muito conhecimento, uma vez que nunca vi espíritos, deduzi que deveriam ser benévolos já que a luz era branca e clara. Nisso a senhora e a jovem também se transformaram em luz e saíram deslizando na minha direção. As figuras pereceram se misturar ou sumir de forma que ficaram apenas duas que se aproximaram de mim e depois já havia apenas uma mulher com um semblante irritadiço como se quisesse me matar. Perguntei o que ela queria comigo e ela respondeu em deboche e com raiva: ‘Você não está lembrando de mim? Pois vai lembrar agora’. Não sei o que ela fez comigo, mas eu comecei a reviver mentalmente milhares de cenas vivenciadas como se houvesse um filme sendo repassado em velocidade na minha cabeça, dentro da pálpebra dos meus olhos. Então eu me vi enquanto capitão ainda jovem de uma fragata (com roupas azuis e um chapéu preto estilo de pirata) e aquela mulher era um homem um pouco mais velho, um integrante de um posto maior da mesma tripulação e, não sei exatamente por qual motivo, eu não gostava dele, o via como inimigo. Mesmo me vendo e me sentindo num jovem rapaz, questionava interiormente se aquela regressão de memória seria real ou se era uma invenção de minha mente. Todas as cenas passaram-se muito rápido e quando voltei à realidade eu estava em casa e minha avó despejava todo o vidro de azeite em seu prato de comida. Desesperada eu corri para pegar o azeite e disse para minha mãe que não podia deixar determinadas coisas ao alcance de minha avó. Minha mãe pareceu não se importar, mas eu fiquei bastante irritada. Minha avó já está gagá a ponto disso, mas o que me atormentou no sonho não foi o descuido de momento, mas sim o descaso de minha mãe em relação á situação de cuidar da vovó. Essa ultima parte foi bem parecida com sonhos passados nos quais houve irritação da minha parte e descaso da parte dos outros. Os espíritos podem ser influência da nova novela das seis horas (Escrito nas Estrelas) a qual comecei a assistir. Mas me ver na pele de um capitão de fragata pareceu-me sem sentido. O que pode ser?

O inconsciente é a eterna fonte inesgotável de memória da espécie, Uma memória sem tempo. Os estímulos externos podem acionar imagens oníricas, ilusões e fantasias, mas o que acionam essas imagens, o que estas imagens podem representar e a respeito do que querem falar é a nossa grande questão, o nosso alvo.

Neste sonho se posso tirar de imediato um sentido, é a noção da relatividade do tempo. Ainda que vivamos aprisionados “num tempo ou num intervalo de tempo” ele é o que menos conta, primeiro porque o passado e o futuro se reúnem no presente, e quando pensamos no presente estamos mergulhados, como resultado que somos, num passado inimaginável, ali ao lado, dentro de um futuro impensável. Essa linha do tempo é relativa e não existe, ainda que para referência de consciência precisemos deste constructo de realidade que nos permite nos referendar para não mergulhar nessa inimaginável e múltipla dimensão cósmica mais próxima do caos e dos estados psicóticos fragmentados e desagregados.

Então, considere a relatividade do tempo, e o tenha apenas como referência de uma realidade que mais nos protege do que elucida sobre este mundo.

Assim, “a mulher” que lhe inquire pode ser de origem arquetípica já que faz aflorar uma memória de sua vida. O que ela lhe diz parece indicar um alvo específico, tem a ver com a figura do capitão ou sobre a relação de inimizade nutrida em seu passado? Eu tendo a considerar a incorporação de uma figura castradora de um homem (dentro de uma mulher, o capitão em você) que nutre desafeto por um homem mais velho de hierarquia superior. Não sei se pode ter sido resultado de um processo de formação subliminar que tenha sofrido (em decorrência de relação competitiva entre pai e mãe), falta-me subsídios e informações para afirmar. Seria a representação de seu Pai? Ou diz respeito apenas à sua dificuldade de relações harmoniosas com conteúdos masculinos introjetados e incorporados como ressentimentos ou fruto de mágoas. Mesmo que a origem não seja nas relações indiretas a partir de pai e mãe, podem estar relacionadas até à sua terceira geração ancestral. No seu momento, Já há algum tempo esses processos de reconciliação acontecem e tendem a continuar. Neste sonho há sinais de acionamento de conexões com seu passado, que pode ter sido seccionados em sua dinâmica de vida ou terem sido herdados já seccionados em decorrência de experiências de seus antepassados.

A figura da avó já surge como foco de afeto que precisa ser considerado, os cuidados com a grande mãe, a atenção às origens ancestrais em você, seu comportamento critico, de cobrança e julgamento que lhe norteiam. Ainda em relação à sua avó observo que ela derrama o azeite, e aí aparece você chorando pelo azeite derramado. Essa "avó" envolve um sentido de responsabilidade diante de sua vida e diante da evolução de sua estirpe familiar. Você é a pessoa que agora possui o instrumental para evoluir, para não repetir seus ancestrais para ajuda-los no processo de evolução da familia. E arquetipicamente ela surge como Figura de Senex decrépito que precisa ser considerado, focado.
 Será que tá na hora de deixar de chorar pelo seu passado, de parar de ficar catando coisas naquele passado de decrepitude, ou de interromper na sua vida os lamentos pelos acontecimentos já definidos no passado? E principalmente olhar para seus atos e ações ao invés de focar o alvo no outro. Comportamento que favorece a insatisfação e o foco permanente no outro, como resultado de uma transferência negativa. À medida em que não consegue um acordo tônico responde de forma severa e crítica ao outro, à sua presença.

Mas é interessante te ver como capitã, responsável pela rumo do seu barco de Guerra, conduzindo sua vida, o barco de sua vida nas águas do oceano primordial, nas águas turbulentas do inconsciente. Ainda que seu barco seja dominado por uma mulher macho guerreira e seu ornamento (o chapéu que cobre sua cabeça) seja de um pirata. Os resquícios da pirataria AINDA SOBREVIVEM. E você como “rapaz” deveria levá-la a se perguntar onde anda sua feminilidade? Sua postura é de guerra? Onde anda a mocinha em você? Será que você se faz mais homem e mais velha do que mocinha? Será que é necessário resgatar essa feminilidade? Será que você está precisando é da impetuosidade, vigor e ousadia de um rapaz para romper os entraves que te impedem de realizar seus desejos?
Fragata tambem é a denominação de ave da região costeira, o que pode singularizar a evidência de uma polaridade entre o conteúdo pesado de deslocamento (a NAVE ave de guerra), e a NAVE ave que plaina sobre as águas primordiais, neste caso o indicativo é de necessiadade de mudança de atitude e de postura diante da vida.
agora... se voce olhando este sonho perceber que você foi fragada. E só voce pode dizer, enriqueça-me me dizendo em que?


fragata


De qualquer forma, em raros indicios, este parece-me um sonho que aponto para um momento de Morte, Transição e... Renascimento.

PARA NASCER  É PRECISO MORRER
SEM SUICIDAR.

Reflita... Bye.

Perdoe-me, existem sonhos que parecem fechados, como o sonho acima, um verdadeiro deserto, mas dentro deles o oasis é rico, nós é que não vemos. Tentei tirar alguma riqueza deste poço. Se não fez sentido, perdoe-me a falha. Muitas vezes a calmaria do mar, a ausencia de sopro divino, nos faz paralisados. Sonhos intransponíveis não me fazem desistir, ao contrário, me mostram que sempre precisamos de humildade para suavemente acariciar sua magia e encontrar a compreensão.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MÃE E COBRA

  

Ch 47
Sonhos dessa noite:

Primeiro sonhei que minha mãe foi pegar o tapete da porta do banheiro e havia uma cobra dentro dele, entre o tecido de cima e o forro. Ela achou que a cobra não ia sair dali de dentro. Mas a cobra não apenas saiu como picou o pé dela e ficou agarrada a seu pé sem se soltar. Fui buscar um vidro para capturar a cobra pensando que ia ter de levar minha mãe num médico e mostrar-lhe a espécie a fim de que ela pudesse ser medicada corretamente.

Embora exista a repetição da cobra nos sonhos, nesse caso a ameaça e tensão pareceu estar mais voltada para a figura materna do que para mim. Há alguma diferença de significado a ser analisada?

Em geral fico fascinado com o universo onírico, e com a sutileza com que nos coloca de frente para o sentido primordial da vida. Veja esse sonho, em principio, um sonho curto, parecido com qualquer outro sonho que envolva um reptil tão “comum” como a cobra, mas... Recentemente postei no Blog Jornada d’Alma “André Jararaca” (23.03), não sei se você acompanha o Jornada, se acompanha seu Incs pode ter puxado dali a construção do sentido da mensagem que quer realçar. Se não viu o post, eliminamos o evento mesmo que consideremos a relativa simultaneidade de fatos tão próximos (um acontecimento real em minha vida e o seu sonho). É necessário considerar isto já que existe um diálogo entre Inconscientes, e este diálogo transcende as referências básicas da realidade como a conhecemos.

Não considerarei a simbologia de uso corrente, apenas a primordial. Mãe e cobra são símbolos arquetípicos fundamentais, origem da energia, mediadora e a energia propriamente dita.


  • Há dinâmica de libido em movimento, natural. Energia primordial se mobiliza, desprende-se das sombras e aflora à realidade. Movimento de integração de energia ainda selvagem e bruta que se agrega à consciência;

  • A energia surge como sinal na extremidade do corpo, na ponta dos pés, indicando que precisará ser tratada e trabalhada para atingir níveis mais elevados da consciência;

  • Essa energia elevará suas polarizações (tensão), anunciando a necessidade de cautela, calma, resposta ativa, iniciativa, para que consiga superar a transição nas mudanças que se operam na sua dinâmica corporal. Lidar com energias primordiais exigem sempre muito cuidado, entre outras coisas, indico-lhe aumento do tempo de resposta frente aos acontecimentos diários na sua vida, para diminuir a reatividade e ter mais tempo para elaborar respostas menos tempestivas e impulsivas;

  • Simbolicamente para crescer é preciso matar os pais dentro de nós, abre espaço para a maturação pessoal, o sonho indica a inicialização desse processo da transformação da mãe para uma significação abstrato e simbólico (no divino).
O sonho sinaliza a necessidade de se preparar para a sua separação da mãe, na realidade, a morte da mãe. Já que uma perda deste naipe tenderá a provocar-lhe um aumento de tensão num nível perigoso. E pode fazer referencia à sua natureza de mulher como mãe, Geratriz e fonte de vida. O momento pode ser indicativo de maiores possibilidades para fecundação.

Gosto da resposta de procura do vidro (Transparência), para a captura da cobra e não a ação de morte à cobra. E uma busca sensata frente ao imprevisível, ao invés de uma resposta emocional passional e de desespero.

  Bye.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A BRUXA DO BEM

Louis Maurice Boutet de Monvel , 1880,
A Aula Antes do Sabá
Castelo Nemours 

CH45

Sei que estou deixando muitos sonhos aqui, mas não precisa pressa para responder. É que a cada sonho me interesso mais em desvendar meu inconsciente. Dos sonhos dessa noite, o primeiro foi assim:
Eu estava na cozinha de uma casa e havia uma televisão do outro lado da mesa. Era uma cozinha apertada e a mesa ficava praticamente encostada ao fogão. Minha irmã ajudava um homem a fazer a comida (e não era meu cunhado). Na televisão começou a passar um filme infantil de um cavalo que contava a sua historia. Comecei a ver o filme sem muito interesse. De repente o cavalo entrou num túnel e se transformou numa senhora idosa que parecia uma bruxa do bem. Enquanto ela caminhava apareceram duas pessoas amigas ou assistentes (um homem e uma mulher ainda jovens) dentro daquele túnel de tijolinhos de barro com água escura parada que batia quase no joelho (parecia esgoto ou água misturada com piche). Ao chegarem na porta redonda da casa da senhora bruxa, a qual ficava nesse mesmo local subterrâneo, apareceram dois policiais e uma denunciante que começaram a revirar tudo, a bater na senhora e fazer muito deboche. Nisso a energia teve queda rápida por duas vezes apagando a televisão. Por fim minha irmã disse que eu não ia gostar daquilo e não entendi se ela se referia ao filme, a comida, a queda de energia ou a alguma outra coisa implícita que não captei do sonho. Quando fui perguntar ela falou: ‘Não faz mal. Não tem nada que aconteça que não seja bom para alguma coisa’. Acordei com essa frase tão nítida na cabeça como se eu inclusive houvesse-a dito enquanto sonhava.



Voltei a dormir depois de anotar algumas palavras chaves do sonho acima e voltei a sonhar novamente. Dessa vez eu estava numa sala de aula quando deu intervalo. Ao sairmos uma jovem começou a conversar comigo e pareceu encantar-se com algo meu, mas que não lembro o que era, de modo que ficou me dando atenção o tempo todo. Acho que ela era de outra sala, mas não tenho certeza. Quando acabou o intervalo, ela me deu alguma coisa dela e dei-lhe aquilo que ela havia interessado, mas não lembro praticamente nada dessa parte. As lembranças maiores se fizeram no momento em que voltei para a sala de aula. Minha carteira e meus pertences haviam sumido. Enquanto procurava alguém me deu dois cadernos, um não era meu e o outro, embora fosse, estava cheio de escritas que não eram minhas. Um jovem arrumou-me uma cadeira de braço e sentei para acompanhar a aula inicialmente não querendo atrapalhá-la, mas eu precisava dos meus óculos, das canetas e enfim, queria minhas coisas. Enquanto isso as meninas que estavam sentadas no lugar onde eu tinha minha carteira começaram a rir baixinho em tom debochado. Fiquei nervosa e interrompendo a aula pedi desculpas para a professora explicando a situação em voz alta e firme perante todos os alunos da sala. Por fim arrematei dizendo que se não aparecesse de volta todos os meus pertences eu ia mandar minha mãe chamar a polícia (eu ainda era menor de idade e, talvez por isso, tenha colocado a figura materna no meio).

Há nos dois relatos uma mesma linha que salta e se realça mais que outras evidências: Você indo na onda de um acontecimento que te confronta e que lhe exige uma resposta frente a sua passividade, que lhe exigem uma atitude mais presente, mais ativa. No primeiro momento você é apenas passiva e no segundo momento você consegue expressar sua frustração, seu desconforto, ainda que se escore na presença da mãe como força de autoridade.

Você se equivoca, não é porque a sua imagem de menor de idade recorre a figura materna. É o adulto que se porta como menor de idade (imaturo) e se reporta à mãe de forma regredida ou acordes ao seu estado de maturação

Chama-me a atenção como que seu intento é facilmente desviado. Parece-me uma fragilidade e uma suscetibilidade por onde mecanismos de inconsciente deslocam seu foco de atenção e te subjugam. Você se torna presa fácil. Mostra-se desinteressada, sem foco, mas se encanta facilmente pelo entorno, como que sendo levada e se deixando ser levada.

O cavalo é símbolo de força masculino e de suas pulsões de inconsciente, passa pelo túnel da transição e se transforma na senhora Bruxa idosa do bem. Essa velha bruxa pode nos remeter à mudanças arquetípicas que prenunciam novos comandos internos na psique. A velha bruxa do bem é símbolo da velha sábia “Senex” que vem para ocupar seu lugar na segunda metade de sua vida, substituindo o “Puer aeternus” no comando de sua vida. Sinal da ação que precisa ser realizada, de superação da imaturidade, a partir do momento em que assumes o comando e as escolhas de sua vida, rompendo com a tradição da infância omissa e do conforto de filha da mãe para a posição de mulher que assume os rumos de sua vida. As forças impulsivas caminham para a transformação arquetípica que se faz necessário neste momento a partir das ações que realiza dentro de sua mudança de conduta e de foco na realidade.

A ação de conteúdos impulsivos de origem agressiva, autônoma e masculina que ainda tentam impedir essa transição e transformação, essa conquista. Mas parece-me que ações psíquicas mais favoráveis já promovem o corte de energia, o enfraquecimento dessas pulsões, desmobilizam essas ações de boicote ao seu processo de amadurecimento.

  ‘Não faz mal.

  Não tem nada que aconteça

que não seja bom para alguma coisa’.

A frase é singular e excepcional. Excepcional porque retrata uma sintonia com os desígnios da vida. Não precisamos e não devemos nos esconder atrás de dramas. É necessário compreender esses desígnios para montar o mosaico do nosso destino. Nada é separado, tudo faz parte de uma mesma e infinita dinâmica. A nós cabe-nos aceitar esse destino, nos prepararmos para que nos momentos adequados, quando os portais se abram, possamos transformar nossas vidas e permitir que o universo realize em nós seu projeto divino.

O segundo momento reforça o primeiro no sentido de buscar uma ação mais ativa e de atitudes em sua escola da vida, sem ter que se socorrer na “mãe”, mas confiando em si, e aprimorando o instrumental necessário para que possa conquistar a sua realidade.

Ah! Comece rindo e debochando de si mesma, da importância que se dá. Desça de seu trono. E não foque a ação alheia, o que promovam e projetam , o escárnio, o deboche, o riso crítico, o julgamento. Você pode ficar muito defensiva com relação a esses comportamentos dos outros pela própria forma como criticamente julgava (julga e critica?) os outros. Deixando de fazê-lo avance para aceitar a miséria humana e o seu escárnio. É preciso ter humildade, antes de ver e aceitar no outro, aceitar que existe em nós e que precisamos dissolver. Comece rindo de suas bobagens, de como podes ser ridícula. Todos os somos.

Somos um mix de tragédia e comédia divina.


Precisamos perceber o quanto somos ridículos


  para aprender a rir de nós,

antes de rir dos outros.


quarta-feira, 17 de março de 2010

TORMENTOS III



Something More -1989
 photo Tracey Moffatt - Austrália

“Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local.”
Este acontecimento eu considero excepcional e absolutamente sutil: Nos sonhos o aumento da consciência na realidade favorece o aumento da consciência e do poder de resposta a desafios em sonho. Isso quer dizer que ganhamos em controle, disciplina, observação e resposta. Deixamos de ser apenas reativos para sermos também agentes. Quando ocorre uma energia mobilizada para nos confrontar ou quando o inconsciente mobiliza, aciona um FLUX de energia, (um Quantum ou Quanta) para determinar uma construção de realidade onírica (imagens sucessivas dentro do roteiro dos sonhos, às vezes completados com mobilização da memória dos sons), essa mobilização permanece dentro de um ciclo intermitente de repetição (como um redemoinho) e somente é desmobilizado quando uma tensão igual, contrária ou superior consegue dissolver essa mobilização.
Neste sonho, os desastres iniciais são fluxos constantes e poderosos de energia que mobilizados no inconsciente afluem aos sonhos e mostram sua desorganização e a necessidade de serem ordenados, para que deixem de interferir na condução de sua psykhé como conteúdos autônomos. Na sequência, eles pausam, como que favorecendo um refresco para a consciência pessoal (inserida no sonho), aliviam a tensão para não devastar essa consciência e retornam no ciclo de repetição do fluxo. Quando você encara e assume o confronto, você superar o desafio a que foi convocada e aí a tensão se desfaz. Neste momento uma parte dessa energia, ou toda ela, é incorporada pela consciência. Se toda essa energia for incorporada o individuo se prepara para novos desafios já que será blindado e fortalecido em sua estrutura. Se só uma parte, dessa energia, for incorporada você se livra temporariamente do confronto, já que parte da desordem permanece autônoma afluindo à consciência. E se o confronto não se realiza pela fuga empreendida pelo individuo ele será permanentemente atormentado e solicitado a agir, se posicionar, não se esconder na omissão para que a reconfiguração psíquica possa ser realizada.
Nesse sonho parece-me que quando você é desmascarada em seu esconderijo e enfrenta a ameaça, você supera a angústia, desmobiliza o nível elevado da tensão dos opostos, transforma e metamorfoseia a realidade psíquica. O fluxo é desmobilizado e reaparecem os sinais de reencontro com o eixo do mundo:
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
Já fora da tensão dos Opostos, do fluxo e da dinâmica caótica, você caminha com a “Mãe” por um corredor (passagem, transição) ornado com a força vida da natureza (plantas), origem variada (riqueza), passa pelo túnel, gruta, gênese e moradia ancestral, encontra dois homens, energia Yang (transmutada?) e segue para o laboratório de plantas, lugar de análise, origens, conhecimento, estudo e sementes (poder germinador, nascimento, renascimento, transformação, vida). E você navega pelos ambientes, descobrindo novos lugares, novos espaços, experimenta o agradável e o confortável sem ameaças, o belo e o desconhecido mistério da vida.
              Muito mais teríamos, mas... por hora ...                    Bye.


domingo, 10 de janeiro de 2010

O JULGAMENTO



Estou curiosa em saber mais do meu processo de transformação atraves de outro sonho que tive: Sonhei que minha irmã estava fazendo a cabeça de minha mãe contra mim sobre algo relacionado ao quintal. De tempos em tempos costumo ter algum pesadelo familiar desse tipo. O diferencial da realidade é que, na maioria dos sonhos, eu exponho o que penso e sinto, enfrentando os outros até mesmo com gritos quando meu nervosismo é grande. Nesse sonho nós estávamos dentro de um ônibus quando eu combati minha irmã com uma fala que todos que estavam dentro do veículo silenciaram e nos olharam, não porque eu houvesse gritado, mas por ter dito algo um tanto chocante. Eu havia dito ‘Quero ver quando ela – a mãe - ficar doente e alguém tiver de cuidar dela. Quem vai estar com ela nessa hora? Eu sei que tudo é dela, mas quem cuida sou eu, porque ela já está idosa – disse isso querendo mostrar que eu cumpria meus deveres e exigia meus direitos de ter ou fazer algo do meu agrado como uma troca justa. - Quem está morando com ela sou eu...’ e fui falando todas as minhas justificativas e argumentações. Conseqüente a essa discussão nós fomos parar num tribunal. Eu entrei pelo local e parecia ter permissão para adentrar em todas as salas. Depois de passar numa sala donde estava sendo feita uma reunião eu fui para a sala donde seria julgada. Estava super tranqüila e fiquei ainda mais quando o juiz cumprimentou-me num aperto de mão e disse que ia ser fácil deferir meu ponto de vista, trabalhar em tal causa e ficar a favor de uma mulher como eu. Agradeci-o enquanto ele beijava minha mão e em gesto de gratidão beijei a mão dele também. Não nos conhecíamos, mas fiz isso como se fossemos grandes amigos. Esse ponto do sonho também demonstra uma atitude que difere muito da realidade, tanto da parte do juiz quanto da minha em retribuir beijando-lhe a mão. Seria me desconhecer muito se tivesse tal tipo de atitude na vida real. Porque os sonhos apresentam esses contrastes de personalidade?
Na seqüência eu já estava numa sala donde íamos assistir a repetição de um filme infantil ou algo do gênero. Tirando as crianças, todos os demais eram casais, de forma que a única pessoa não acompanhada era eu. Achei aquilo estranho e fiquei meio que esperando, como se eu tivesse um acompanhante que ainda não estava ali e que de um momento para outro fosse chegar.
De repente apareceu um homem malvado e disse que queria a mulher que estivesse sozinha. Eu saí correndo e subi numa espécie de mirante de madeira ainda em construção. Eu pensei que o homem mal não fosse me encontrar ou conseguir chegar lá em cima, mas magicamente ele foi se aproximando e subindo na rampa feita com taboas de madeira. Nisso eu bravamente peguei uma comprida lasca de madeira e tentei empurrá-lo. Ele segurava uma espécie de lâmina de barbear e aquilo parecia um instrumento tão pequeno que não tive medo, mas quando ele encostou-a no pedaço de madeira, este se desintegrou como se estivesse podre. Entretanto, não sei ao certo se ele desequilibrou ou o quê aconteceu, mas logo em seguida ele caiu do local, o qual era alto o suficiente para fazê-lo desfalecer.

Se bem entendi, o sonho parece-me de compensação: A psique atualiza os mecanismos descompensados aplicando as atitudes que você precisa aplicar, desenvolver e não o faz. Como você não responde na realidade, em sonho sua falta de atitude é compensado com a presença de atitude.
O inconsciente vai mais longe e antecipa o seu julgamento e lhe dá mostras referenciais do acerto da atitude. Podemos considerar o “Juiz” como uma estrutura interna do psiquismo que atua como um interventor, autoridade referenciado em regras e leis. Este interventor lhe alivia a tensão é indica o acerto da atitude. Naturalmente se somos omissos pagamos o preço da omissão, mas se não somos omissos pagamos o preço de ter que nos responsabilizarmos por nossas atitudes. Não há escape. Se responder, paga. Se não responder também paga. A questão é: na omissão pagamos um preço que a princípio parece-me maior do que não sendo omisso. E porque? Sendo omissos, impedimos a dinâmica de equilíbrio no universo externo. Optamos por uma intervenção simplista não intervindo, evitamos o conflito que precisa ser solucionado. Pode-se até mesmo acreditar que o conflito poderá ser resolvido de forma mais fácil pela omissão, ou não aumentando o nível de tensão. Mas se assim fosse seria realmente mais fácil. Não o é. Quando se coloca pano quente no conflito, ele cresce como massa de pão. O conflito é fermentado. Estimula-se a prepotência alheia, a arrogância, a vaidade, o autoritarismo, o crescimento do monstro.
Ser omisso não é deixar  rolar para ver como é que  fica. Ser Omisso esconde uma ação: estimular o crescimento do conflito. O bonzinho, estimula o outro a se acreditar maior, não mostra-lhe que limites precisam ser considerados e respeitados. Naturalmente se optamos por não intervir, criamos internamente um  conflito. Então, além de aumentar o conflito externo ainda criamos um conflito interno, já que impedimos através da evitação que a dinâmica pudesse chegar a um ponto de solução.
Veja a equação: deixar de enfrentar um conflito pode significar aumentá-lo externamente e internamente. Enfrenta-lo é dar chance para que ele se realize cumprindo sua função.
A função do conflito é solucionar o desequilíbrio do sistema. Muitos podem pensar que o conflito é a geração do desequilíbrio. Para mim ele é a consequência de um desequilíbrio no cenário, nas relações, que já existe e que vem sendo evitado.

O beija mão parece-me manifestação do afeto. É claro que existe beijão mão de puxa saquismo, babação. Mas este me parece conciliação, entre masculino e feminino, conteúdos de super-ego e ego, e manifestação de afeto, expressão de afeto. Em principio a conciliação de afeto prenuncia a projeção amorosa no cenário externo. Que pode ser sinal de que seu crescimento pessoal favorecerá a afetividade, autenticidade, amorosidade em suas relações. Ser verdadeiro significa isso, a possibilidade de se expressar sem medo, de realizar seu INTENTO interno e pessoal.
E o homem malvado é uma consequência. O lado sombra precisa ser confrontado, encarado, transformado, iluminado, morto. Se o foco, anteriormente, era a solidão: A menina solitária e abandonada. Agora não pode mais ser isso, É necessário crescer para abandonar e superar as carências, o sofrimento, a dor. Este é o prêmio. Fortalecidos, abandonamos a autocomiseração e enfrentamos os desafios que são inerentes à jornada da vida. Conquistamos a LIBERDADE. Este é o seu desafio!


terça-feira, 1 de setembro de 2009

SONHO IVANI




















olá, poderia me dizer se tais sonhos possuem algum significado: Primeiro: Eu estava brigando com minha mãe, mas não era a minha mãe atual e real. Eu estava emudecida igual uma pessoa que perde a fala ao ter uma crise nervosa e falava praticamente só mexendo os lábios. Eu perguntava a ela o motivo dela fazer aquilo comigo e dizia que sua atitude estava me causando graves problemas visuais e na fala. Ela tinha o cabelo cortado muito curto, como se houvesse tido a cabeça raspada há alguns meses atrás. No que ela começou a dar indícios de arrependimento do que fizera outra vez comigo (não consegui identificar exatamente o quê) e foi para me abraçar, eu afastei cheia de receios e desconfiança. Nisso apareceu outra mulher e me levou com ela. Eu apoiei-me nela quase desfalecida, mas com o decorrer da caminhada fui me sentindo melhor. Num determinado momento começamos a passar pelo entremeio de várias construções que mais parecia uma construção gigante. Havia algumas partes sem saída e para não perder o rumo certo comecei a seguir rapidamente uns rapazes que também passavam por ali. Acabei deixando-a para trás e fui sair num local do qual fiquei sem graça de estar, pois parecia uma propriedade particular da qual não fora convidada para entrar. Enquanto olhava o local fiquei esperando pela mulher que, nesse momento do sonho, relacionei-a a palavra tia. Eu estava numa espécie de rampa. Se descesse ia sair numa área com uma piscina linda e, se subisse, ia sair num restaurante donde algumas pessoas alimentavam-se. As pessoas estavam bem aparentadas e não entendi se aquele local era o interior de alguma mansão, uma espécie de shopping, uma universidade ou quem sabe até uma casa de encontros. Nisso eu acordei. Eram duas horas da madrugada.
Nem sempre as figuras com as quais sonhamos tem a ver com a realidade, mas com a representação (o que a pessoa significa) e seu sentido simbólico. Outras vezes dizem respeito ao significado do conceito para nós e a representação de conteúdos psíquicos que possuímos. Ou seja: A sua mãe, nem sempre é a sua mãe verdadeira, pode ser uma mãe incorporada ou uma referencia à sua relação com sua mãe. Neste caso: Você briga com sua mãe e ela te causa mal estar, opressão. Possivelmente se existir algum conflito com sua mãe real você pode estar sendo alertada para a dificuldade de se expressar para a sua mãe. Você pode considerá-la responsável pelo seu estado, você se sente vítima e fica travada, não consegue se manifestar. Se não houver no real esta dificuldade, então a sua dificuldade é de conviver com uma mãe interna que você criou para se proteger ou para compensar a ausência ou negação de sua mãe real. Neste caso sua mãe interna se transformou num conteúdo que te oprime, trava, bloqueia, reprime. Naturalmente este conteúdo precisa sobreviver então ele te esgota e lhe rouba energia, você alimenta-o e se desfalece. É preciso investigar para saber o que você vem ganhando com isso. Possivelmente você se alimenta de auto piedade, fazendo papel de vitima. No momento seguinte você caminha por lugares que te oprimem, pareceu um labirinto urbano. Você tem um rumo, tem noção espacial, sabe para onde quer ir, procura uma saída, mas há sinais de formação de angustia, níveis de tensão elevado, angustia, ameaça que são compensados catarticamente, no momento seguinte, quando lhe é dada uma saída, um lugar de lazer, prazer (shopping, piscina, universidade, casa de encontros). É tempo de refazer conceitos construído no passado para te proteger. Essa outra mulher é um lado feminino que te acolhe e te guia mesmo que de origem familiar(conteúdos genéticos). Na rampa se descer regride para o conforto do útero, se subir encontra o conforto do alimento. A vida sempre nos exige escolhas: Voltar; seguir; regredir, ascender. Você pode estar no meio do caminho. Dificuldade de escolher? Mudez? Precisa, soltar sua fala, comunicar-se, manifestar-se, agrados e desagrados. Mas FALE! Vença este bloqueio, vença o ressentimento, a mágoa. Expresse o prazer, as dificuldades, as dores. Se liberte. Não permita a alguém que a oprima, nem a você mesma. Supere vergonhas, a timidez, supere suas limitações, fortalece sua autoestima. Não temos tempo a perder enfrentado muros que nós mesmos nos impomos.