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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"MANDATUM NOVUM DO VOBIS" - LAVA MÃOS I

 
Outra vez sonhei com Jesus. Ele estava diferente, com aparência de ter provavelmente a mesma idade que eu. Seus olhos mais claros que o azul do céu continuavam a me fascinar de maneira impressionante. Eu estava no banheiro de casa lavando minhas mãos quando ele aproximou-se e lavou as dele também. Terminando antes que eu, pegou a toalha e enxugando as mãos compartilhou-a comigo. Eu queria tocar as mãos dele, mas não tive coragem. Durante todo esse processo de lavar as mãos, perguntei-lhe a respeito de algo que houvera estragado, não lembro exatamente que aparelho era, talvez um computador. Não sei por que, mas me sentia um tanto culpada e temerosa de que ele pudesse estar chateado comigo. Sentia-me um tanto sem graça e outro tanto pesarosa. Ele falou sobre a peça do aparelho que havia estragado e perguntei quanto custava. Era um valor muito caro. Fiquei ainda mais pesarosa, pois era como se não pudesse ajudá-lo, independente de eu ter culpa ou não. Nisso ele perguntou se minha intenção era aquela ou se havia uma segunda intenção. Não entendi de que intenção ele falava e fiquei muda tentando entender sua pergunta. Então ele me abraçou. Seu abraço, diferente de tudo o que já experimentei, deixou-me dopada de uma paz e bem-estar inexplicável, algo jamais sentido. Ele voltou a repetir a pergunta. Continuei não entendendo-a e mergulhada nas sensações do abraço ficava muito mais difícil conseguir raciocinar. Como minha única intenção era estar de bem com Ele, respondi que aquela era a única intenção, mas ainda sem saber de que intenção Ele falava. Permanecemos abraçados durante mais algum tempo. Por mim ficaria o resto da eternidade rendida àqueles braços. Depois disso ele se foi e eu acordei. Foi muito difícil conseguir dormir novamente, pois conservava em mim as sensações inexplicáveis daquele abraço.

Quais as mensagens de um sonho como esse?



Os sonhos para mim sempre representaram e ainda representam a Esperança. Esperança? Alguém pode se perguntar. Sim esperança, penso eu.

A vida é um fenômeno muito estranho. Podemos passar por ela acreditando no seu absoluto “Non Sense” ou acreditando num sentido fenomenológico para a sua existência, seja esse sentido, religioso, existencial, filosófico, psicológico.

Os sonhos para mim representam essa esperança como porta aberta para o fenomenal, conexão com o Divino e com um sentido que antecede a existência de cada um de nós. E se permaneço acreditando nisso é por que mesmo que não pareça ainda encontro sentido no “sem sentido” da vida.

Naturalmente não me prendo mais a ideias estéticas, a ideias de poder, ao contrário, quanto mais passam os anos, mais tenho a certeza de que amadurecer e aprofundar a consciência que conquistamos seja a única coisa que valha a pena nesta dimensão, é claro, acrescida do amor, da compaixão e da compreensão de que nossas possibilidades são muito menores do que poderia imaginar na juventude.

Digo isso porque um sonho como este, pela riqueza simbólica que oferece, abre a possibilidade de nos referendar naquilo que é significativo.

A representação simbólica de Jesus, como o pescador de almas que veio para nos salvar na Era de Peixes, Era que neste tempo finda e cede espaço para a era de Aquárius, também transforma o sentido simbólico do Cristo.

Seu simbolismo na era de Peixes, conhecido de todos, acompanhou a humanidade nestes últimos dois mil anos. Mas e agora, na Era de aquárius? Podemos intuir essa representação simbólica de Jesus amplificada, se isso for possível. Mas acredito que podemos saborear um pouco desse significado, dessa representação, que se transformará nestes próximos dois mil anos dessa nova era.

"MANDATUM NOVUM DO VOBIS" - LAVA MÃOS II

   imagem do livro
Tantra o Caminho da Aceitação
 Osho - Ed Cultrix

LAVA PÉS


O sonho pode indicar uma das transformações dessa representação no seu significado coletivo. O tempo não é mais apenas do lava pés.

O lava-pés é um rito litúrgico, realizado na Quinta Feira Santa, na missa da Ceia do Senhor, Jesus ao lavar os pés dos discípulos quer demonstrar seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de sua mensagem. “Eu vim para servir”.

O lava-pés era muito usado no tempo de Jesus e até mesmo antes do seu nascimento. Era um trabalho feito por escravos, que consistia em lavar os pés dos patrões da casa e de daqueles que chegavam de viagem.

O nome do rito do lava-pés era "Mandatum", tirada da palavra inicial da antífona que acompanhava o rito, cantada em latim: "mandatum novum do vobis..." Dou-vos um novo mandamento. A mudança do paradigma da era anterior para a era de peixes, a mudança das relações de supremacia para o tempo da igualdade e da fraternidade.

O rito do lava-pés é um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus, é simbolizado como compromisso de estar ao serviço da comunidade, para que todos sejam purificados e salvos.

A celebração do Lava-Pés é a maior explicação para o grande gesto de Jesus que é a Eucaristia, "Assim como Jesus se doa a nós, inteiramente, também somos chamados a nos doar para o irmão".

O LAVA MÃOS

A imagem do Lava-Mãos aflora, na minha compreensão, como um dos símbolos que bem pode indicar o novo tempo, a Era de Aquárius. Depois da humildade e da servidão aflora o tempo do encontro, do partilhamento, da troca, da comunhão. Estamos saindo do nível terreno dos pés para o nível aéreo das mãos, para os domínios das habilidades, do desenvolvimento da coordenação psicomotora especializada, do refinamento dos movimentos. Não mais a atitude arrogante e agressiva, mas o gesto delicado e amoroso, a troca, o compartilhamento, o encontro, a doação. Gestos sob o domínio da consciência.

No sentido pessoal, talvez não tenha percebido que sua segunda intenção não manifesta, mas pensada, era a de tocar o filho do Divino, mas mais do que o toque nas mãos ele lhe da chance de manifestar seu desejo e frente à sua dificuldade ele a abraça, acolhendo a filha, dando-lhe o afeto. O milagre do Afeto, o abraço, símbolo do amor.

Outra variante é a figura do homem santo, que lhe oferece amor quando considerado, dando-lhe sustento e prazer. O animus quando reprimido é aquele que aflora e contamina a feminilidade, mas quando considerado e respeitado se manifesta feminino, de forma sensível e amorosa. Manifesta o seu amor sem medo de rejeição.

Uma possibilidade negativa é a relação que podemos fazer com o lavar as mãos em Pôncio Pilatos, que entrega Jesus à barbárie humana. Haveria em suas atitudes a omissão, o descompromisso? Você vem lavando as mãos, se escondendo, para acontecimentos que lhe exigem um posicionamento? Existe relação entre o lavar as mãos e sua carência? Sua carência vem definindo suas atitudes? Ou seja... Não seja Pôncio!

Naturalmente que o lava pés, realizada na última Santa Ceia, antecipa o lava mãos de Pôncio Pilatos e contrapõe  o gesto de omissão com o de comprometimento. Já na era de aquarius esse lavar as mãos não precisa ser visto como omissão mas como preparo para o encontro, purificação.

ADENDO EM 30.09. - para reflexão:  Pôncio Pilatos assim como Judas serve de instrumento para sacramentar o destino de Cristo, Judas o entrega aos romanos e Pôncio o entrega aos humanos, ambos cumprem o ritual dos que são utilizados como instrumentos para o intento  Divino, pela omissão ou pelo simplismo se tornam instrumento para os designios do Coletivo. Este é um detalhe interessante, pois quando avançamos na maturação da consciencia deixamos de ser massa de manobra para interferir a favor de propósitos mais construtivos e menos suscetíveis às forças polarizadas de oposição no universo.
Sinceramente, ainda hoje tenho duvidas se o pai entrega o filho ao sacrifício ou se ele deixa o filho às forças do mal para focar a existencia do universo sombrio.

Há outras leituras, mas essas me pareceram focos interessantes.

SOBRE AS INTENÇÕES E AMBIVALÊNCIAS

Possivelmente, entre tantos equívocos que as pessoas cometem um dos maiores seja o de acreditar que tudo quanto pensam é produto delas como entidade única e singular. Entre os equívocos, uma das grandes dificuldades é a de identificar intenções subjacente, ou em baixo limiar de consciência, originadas no inconsciente.

Quando o individuo não consegue diferenciar a vivência psíquica do meio e ou em si mesmo, tende a misturar o que é, o que pensa ser, o que idealiza ser e as manifestações de inconsciente que afloram à câmara do pensamento. Nesta situação o sujeito dificilmente diferencia suas intenções reais de segundas intenções, intrínsecas aos acontecimentos e determinantes em suas atitudes e em suas escolhas.

No sonho acima quando o “Senhor” pergunta sobre as suas intenções ele focaliza e indica a necessidade do sujeito de prestar atenção e considerar, no sentido de consciência, as manifestações subjacentes na câmara do pensamento. Porque este é um estágio que nos permite separar o Joio do Trigo, o que somos daquilo que acreditamos ser ou daquilo que o nosso inconsciente indica, originados de conteúdos arquetípicos ou de conteúdos autônomos. Daí a importância do desenvolvimento da atenção, da disciplina, do foco e do encontro de nosso eixo. Se não tivermos a lucidez para identificar a multiplicidade de fenômenos que se desenrolam em nossa consciência, como poderemos ter referência daquilo que somos. Não se pode nesta vida ser simplista, o preço, a ser pago, pode ser muito elevado.


quarta-feira, 17 de março de 2010

TORMENTOS II




Charlot36

Desastre,
 “enormes carretas foram literalmente passando por cima de todos os carros” Foi um massacre total e me deram como morta.” “eu não havia morrido, mas ela não acreditou que eu fosse eu.”... Fiquei desesperada...  Tinha de fazer algo. Perguntei a preta velha se era verdade que eu morrera... Eu ainda não havia morrido. Pedi ajuda.
Um acontecimento que ronda a fantasia de muita gente, é morrer e ser enterrado vivo. Ou seja, morrer para os outros, ter a consciência de estar vivo, mas ser considerado como morto. Não é apenas morrer, mas morrer sabendo que morreu sem morrer. No caso de ser enterrado o desespero aumenta porque o enterro define a impossibilidade de escape da situação, o que implicará em ter que morrer novamente, o que pode significar muita punição. No seu sonho é morrer sem ter morrido. O que nos remete a morte em vida. Esse o grande risco que corremos: estarmos vivos, mas simbolicamente não representarmos mais do que uma lembrança para os outros, e principalmente, independente do outro, viver sabendo que na vida estamos mortos, que a nossa dinâmica está paralisada, que pouco representamos, pouco realizamos, que nada somos. Vivos mortos, mortos vivos.
Veja que interessante: Após o “Grande Desastre” nas imagens iniciais do sonho, ocorre uma pausa e a mensagem parece clara: “Fiquei OBSERVANDO para meus pés que estavam calçados com algo improvisado...”.

 Duas possibilidades:
            1. Insatisfação pessoal. Você gostaria de estar calçada (diante da realidade) com outro calçado. Sua realidade é precária e te deixa insatisfeita. Seu foco é estético e não é funcional, te faltando pragmatismo, objetividade, pés na realidade;
            2. Há ocorrência de inadequação entre suas atitudes e os instrumentos que você utiliza para  se apresentar dentro do que lhe exige a realidade. Você observa, “O Olhar” para sua realidade, “seus pés”, e se percebe usando instrumental improvisado.

“... e relatou-me que para algumas festas era convidado, mas para outras, como a daquela noite, infelizmente o convite não era feito.” 
Lembre-se da música de Cazuza: “Não me covidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer... quero ver quem paga prá gente ficar assim”. A festa tá rolando e você não foi covidada, não se Sente covidada a participar. Eu pressinto mudanças de autoestima frente a este confronto: A necessidade de festas como demanda para aliviar seu elevado nível de tensão (ocorrências em sonhos anteriores) deixa de ser o foco e você independente dos fatos consegue manter-se diferenciada continuando o diálogo amigavelmente.
E aí, volta a confusão:
“...eu estava andando pela rua normalmente quando começou a acontecer um verdadeiro caos. Explosões, tiros, um enorme avião que foi decolar e caiu”
A mudança é que você apresenta postura, e PRONTIDÃO, iniciativa, se mobiliza para a sua proteção corre, se esconde, se protege. Mas... Sonhos são assim... Enquanto não nos diferenciamos em consciência a profusão dos acontecimentos nos envolvem de forma tão avassaladora que passamos para um estágio em que não sabemos o que fazemos, nem porque fazemos. Perdemos o fio da meada. Ocorre relação com a realidade? Sim, na vida, no dia a dia é assim, se não nos diferenciamos e se não mantemos nossas referências, os acontecimentos podem ser tão avassaladores que esquecemos a razão de nossas respostas, perdemos o fio da meada, perdemos a compreensão para o sentido de nossas respostas. Passamos a agir e a responder sem saber por que assim fazemos, sem termos a conexão com o fato determinante. Nos perdemos na profusão dos acontecimentos, passamos a ser apenas a reatividade, a resposta sem conexão com o evento desencadeador.
Você Foge. De que Foge? Porque foge? Você apenas foge para se proteger de uma ameaça abstrata, de uma realidade desfavorável. Foge para evitar ter que se mostrar, para não encarar o que você realmente é, e não sua idealização. Foge para se esconder na idealização do que quer parecer.
“Nisso a jovem que estava comigo deu-me cobertura e falou para me esconder embaixo do banco no qual ela estava sentada e assim, escondeu-me com sua saia rodada. Continuaram na procura e eu não cabia totalmente em baixo do banco.” Você se esconde por debaixo na barra da saia de uma mulher jovem. Frágil e ameaçada. Mas você é confronta até o seu limite de angústia e descoberta, desmascarada.
“Achei que eu fosse ser levada presa ou até que fossem me matar, mas unicamente avisaram que eu ia ser deportada.” Esse o seu medo: Se mostrar e ser marginalizada, excluída do meio, condenada, deportada para o desterro, lugar ermo, solitário, solidão. Condenada sem crime, culpada, submissa e escapista por medo de sofrer o degredo.
O aprisionamento em seguida dá mostra de que nem aprisionada você se livra do confronto e da ameaça.

A FUGA APENAS ADIA O ENCONTRO INEVITÁVEL COM O DESTINO