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sábado, 18 de dezembro de 2010

MENINA... MULHER

 
       Sex and the City,  detalhe de imagem do filme      

                
Num terceiro sonho eu me justificava e ao mesmo tempo parecia influenciar uma outra jovem dizendo que não gostava de atividades repetitivas, que tinha o meu valor e que este era insubstituível, portanto eu não aceitava simplesmente ser substituída sem a mínima consideração. Além do mais, não gostava de parecer um robô fazendo algo mecânico, ou seja, merecia algo melhor. Essas são as únicas lembranças dessa noite.

Já não temos dúvidas que você ao longo deste período vem realizando mudanças significativas em sua vida ou na sua relação com o mundo. Isto mostra que você possui uma personalidade mais positiva, segura e afirmativa ou pró-ativa do que antes poderia parecer.

A característica dominadora aflora superando a menina que se mostrava frágil e vendia a imagem de submissa. É o que você é, mais forte e determinada, mais segura e afirmativa. Sabe o que quer para a sua vida.

Fica mais transparente a presença do conflito que lhe possuía. Você apresentava-se diante do mundo como uma menininha coitadinha, porque essa era a forma que acreditava que poderia conquistar a satisfação dos seus desejos, adquirir a aceitação dos outros e evitar a rejeição social. Mas provavelmente esta forma que encontrou para se relacionar com o mundo lhe fazia se sentir manipuladora, dissimulada, fingida, e naturalmente isto poderia lhe contrariar, profundamente, fazendo-a passar por um "tipo" que não espelhava adequadamente o que você é. Pensava uma coisa, mas dizia outra, sentia um sentimento mas expressava outro, vez por outra explodia numa reatividade descontrolada, em atitudes agressivas, revoltada consigo mesma mas projetando sua insatisfação e responsabilidade nas pessoas do seu entorno.
Duas mulheres em uma. Uma real e aprisionada, reprimida e outra construída para se relacionar com o mundo. A aprisionada nunca aceitou a sua condição de aniquilada, e a idealizada nunca se encontrou no papel de mulherzinha.

Depois de tanto sofrimento, começa a aflorar aquela que você é, a mulher segura que sabe o que quer, mas que ainda tem dúvidas e precisa se fortalecer para consubstanciar a mulher madura que anseia se mostrar.

E preciso se impor. Ser flexível, mas sem abrir mão daquilo que lhe é importante. Abandonar as praticas medianas e repetitivas, a repetição da ação inútil de Sísifo.

Não tenha duvidas: você merece o melhor. Nós merecemos o melhor. Porque o melhor é o resultado de nossas conquistas, do esforço, da dedicação, da determinação, da ação impecável do guerreiro.

Fico feliz de ver uma mulher aflorando. Você merece, a vida agradece.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

NAVEGAR NO MAR DA VIDA


   
Lembro apenas de dois dos sonhos que tive essa noite. No primeiro eu segurava algo nas mãos, acho que era uma foto ou algo parecido, e nisso me transportei mentalmente para o ambiente da mesma. Sei que existe um nome para esse tipo de fenômeno, mas não recordo agora. Acho que eu estava ajudando a investigar sobre alguém ou recorrente a algum fato acontecido. Fui parar dentro de um quarto de um navio. O quarto era muito pequeno, a cama mais parecia um berço e a janelinha era minúscula. Pensei comigo como a pessoa teria conseguido ficar ali dentro. Não sabia ao certo se ela estivera ali fazendo uma viagem conforme era de se imaginar, pois aquele navio não oferecia nenhum conforto com cabines tão apertadas. Arredei a cortina que tampava a janela e então vi que o navio se afastava do cais. Nesse momento pude trazer para mim ou ligar-me as sensações e sentimentos que a suposta pessoa ali sentira. Eu me sentia eufórica como se fosse fazer a primeira viagem dos sonhos. Lá fora um homem acenava para o navio e parecia dizer varias coisas. Tive a sensação de que ele estava acenando tanto para o comandante do navio quanto para mim, mas estaria ele me vendo ali naquela pequeníssima janela? Fiquei confusa e tentei identificar o que ele falava, mas não consegui. Por fim deduzi que ele deveria estar apenas se despedindo, pois mandou-me beijos. Eu sabia, não sei como, que era comigo aqueles gestos, ou melhor, com a pessoa que ali estivera outrora. Assim devolvi-lhe o beijo como se estivesse repetindo exatamente o que a pessoa investigada fizera. Conforme o navio foi se afastando do cais e as águas foram se movimentando atrás daquela janelinha, o local foi se transformando e logo em seguida o navio ganhou rodas e a água se tornou em ruas sólidas. Foi muito estranho e não recordo o que sucedeu depois.

REPRESENTAÇÃO, CONTEÚDOS E SIMBOLOGIA.

O sonho me dá uma oportunidade singular de esclarecer conceitos como representação, conteúdo e símbolo, de forma simples, objetiva, veja porque:

Foto é registro de imagem do passado. Mas não apenas da imagem, porque ela não se esgota na representação de um tempo, de um espaço ou de um cenário registrado.

Quando vista pela primeira vez uma imagem permite a sua caracterização e o registro associado aos conteúdos que desperta. Essa caracterização poderá, dependendo do tipo de resposta do individuo se fazer fechada ou aberta. Quando fechada o registro se torna inviolável e não atualizado. Quando aberto, o sujeito se permite a possibilidade de ampliar os seus significados ou até preservar o primeiro registro e criar imagens associadas, advindas da imagem original, registradas com outros sentidos, significados, decorrentes de novas emoções, sentimentos e sensações.

Como escrevi acima, a imagem do sonho não é apenas uma imagem, uma representação, uma cópia de um cenário, imaginário ou real. Essa imagem é simbólica, pois contem conteúdos, indica conteúdos, sejam eles, emoções, sentimentos, sensações, registro de memória arquetípica, impressões, interação.

O SONHO

Independe a denominação do fenômeno que a transporta para dentro da imagem, já que denominação varia com a abordagem, mas a imagem te captura e esse é um evento significativo.

O que pode indicar suscetibilidade imaginária, tendência de se deixar-se prender a fantasias já num nível diferenciado da suscetibilidade do “encantamento” frente a um objeto.

Quando ocorria o encantamento por um acontecimento, paisagem, objeto, ou pessoa, a relação direta a envolvia de forma indiferenciada, sua resposta ocorria em decorrência de uma fantasia pré-existente, de uma predisposição em decorrência de fantasia, produzindo um universo de sentimento e sensações que atendia às suas expectativas de uma realidade mais interessante ou excitante.

No sonho acima, diferentemente, a sua captura pela imagem ainda pode decorrer de padrões estéticos ou de anseios juvenis, mas independem de um encantamento, mesmo que possa indicar forte tendência ainda existência de se deixar levar por pensamentos, imagens, fantasias, ou seja, de se deixar levar pelo imaginário.

voce diz: “acho que era uma foto ou algo parecido, e nisso me transportei mentalmente para o ambiente da mesma.” Me transportei. Você conduz. A nisso uma condição sutil de aumento do poder pessoal de focar e intervir na realidade onírica. Essa é, aliás, uma das possibilidades que temos de alterar a realidade de um sonho transformando-os em sonhos lúcidos, com consciência pessoal capaz de realizar alterações em sua dinâmica e resultante do aumento do poder pessoal de consciência.

Na dimensão simbólica, você se transporta para a sua Nau. Você está sobre as águas, navegando no oceano primordial, não nada, ou flutua, mas navega em um navio.

Seu espaço ainda é “apertado”, e o navio não lhe oferece muito conforto. Você ainda está contida, limitada, mas... Navega dentro do seu quartinho. Seria o quarto o seu navio que lhe permite navegar pelo mundo?

Bem... Já você avança, afastou os véus e cortinas que escondiam seu olhar, já consegue ver ao seu redor, olhar e perceber o seu em torno. Até consegue se separar, afastar, se distanciar da margem de segurança do seu universo afetivo.

A libertação provoca uma excitação, a sensação de euforia. É a conquista pessoal da viagem pessoal, o amadurecimento.

A escotilha pequeníssima pode indicar, ainda, a pequena consciência conquistada, o reduzido grau de percepção ou a atitude diante do mundo, no sentido do retraimento, do recuo, do distanciamento.

O sonho reforça visão dada anteriormente sobre o momento de mudança de margem. E viagem é sinal de mudanças. Neste sonho o tema central é a saída, a partida o movimento de separação, o distanciamento da margem. Você navega para outra margem ou lugar, para a viagem de seus sonhos. Você viaja a viagem de sua vida, no seu movimento, na sua dinâmica, no seu processo de amadurecimento, de libertação e de encontro ao seu destino.


Para navegar nas ondas da vida basta nascer.
Para navegar em sintonia com nossos anseios
Precisamos crescer,
 Aprender a renunciar quando necessário
 e nos libertar de  "Portos Seguros"
 Para descobrir novos desafios, lugares, pessoas.


Enquanto vivos,

Somos como flexas lançadas,

Viajando, num espaço desconhecido e misterioso.

 Se não nos lançamos neste mar da vida

 Ficamos aprisionados na margem dos esquecidos.




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO I



Essa noite sonhei que minha mãe brigava com um vizinho quando este começou a lhe tacar pedras. Mandei-a entrar dentro de casa, mas ela queria revidar. Entretanto ele estava num prédio enquanto ela estava no chão e, logicamente, as pedras dele eram arremessadas com muito mais força do que as dela. Eu fingi que tinha sido atingida no braço e comecei a gritar muito pensando que aquilo pudesse impedir a continuação da chuva de pedras, mas não adiantou. Quando notei que o barulho das pedradas havia parado, vi minha mãe desfalecida. Desesperada corri até o corpo dela já inerte. Nisso vi a aproximação de Bezerra de Menezes, Adolfo Fritz, Bittencourt Sampaio e vários outros espíritos com aparência humana normal, mas que eram denominados de orixás. Não sei explicar como eu os reconheci, pois eles estavam com uma aparência diferente e, ademais, o único cuja aparência me era conhecida antes do sonho era do Dr. Bezerra. Aliás, só fiquei sabendo se tratar deles pois no sonho eu gritei o nome de cada um desesperada ao ver minha mãe morta. Vendo que eles iam 'resgatá-la' afastei-me do corpo. Vi o espirito de minha mãe ser socorrido. Com um vestido branco esvoaçante e com aparência de jovem, ela se levantou mantendo uma espécie de grande tumor, parecia sangue coagulado, na altura do coração. Ver o lado espiritual foi um pequeno consolo no meio da tragédia.

Prefiro até sonhar com minha própria morte. Mas pensando bem, essa mãe por certo é uma representação minha, não é?

Mas por que motivo fui sonhar com essa tal equipe espiritual se nem lembrava direito de tais nomes, se nem conhecia a aparência deles e se nem pensava na possibilidade dos orixás serem espíritos de aparência humana normal?


MATER AETERNALE
Rápidas noções básicas sobre a construção da representação simbólica materna ou paterna:

A figura de mãe é uma representação pessoal de sua Mãe, da Mãe em você, da mãe como feminino, como proteção, como origem, como afeto, desafeto, de sua expectativa de mãe e da expectativa que nutre projetada em sua mãe, dos sentimentos e emoções que nutre pela Mãe que se origina dentro de você.

Ainda que nascidos da Mãe, também gestamos e promovemos o nascimento de uma Mãe dentro de nós, Homens e Mulheres. Essa Mãe que gestamos, transcende a dimensão sexual em decorrência de sua natureza eterna. Ela nasce a partir do arquétipo da Mater Aeternale, que vive em nós e participa como guia em nossas vidas, como um espírito do tempo a nos conduzir.

A partir do nascimento do indivíduo essa Mãe interna, nascida de dentro da mãe biológica, conduzida através da memória do tempo da natureza, encontra sua origem fora de si, encontra a criatura que o originou passando a estruturar o nascimento interno do sujeito.

A gravidez promove a construção do corpo e configura a base do nascimento de sujeito como entidade subjetiva a partir da memória genética que define o corpo e o substrato do sujeito.

Essa Mãe, quando Mãe Boa e do Bem, que oferece o leite quente, alimenta e dá vida, acolhe e promove o conforto irá favorecer o encontro e a sintonia entre o produto interno e a projeção externa a ser incorporada.

Mas quando a Mãe é retrativa, não afetiva, e promove a rejeição, ainda que ofereça o sustento e a sobrevivência, não permite o encontro e a sintonia entre a mãe interna e a externa, produzindo um sujeito desalinhado, fonte de graves distúrbios psicopatológicos.

Quando o processo é bem sucedido, o sujeito realiza seu desenvolvimento de forma equilibrada se referenciando na estrutura dos pais para construir a sua base de sustento psíquico. Base que na vida adulta será essencial para a maturação da individualidade constituída, quando a psique em sua dinâmica favorece o desligamento do cordão umbilical dissolvendo conteúdos que já pouco significam para a estrutura formada. Neste momento o individuo constituído tem sua relação com o mundo consubstanciada numa conexão plena com o universo. É a integração inicial como seres amadurecidos que nos permitirá atingir estágios mais completos de consciência e de harmonia na relação com o mundo, até que possa atingir a realização com a INDIVIDUAÇÃO.

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO II




O SONHO


Uma análise imediata do sonho indica o desejo de ver sua mãe morta.

Não se assuste! O desejo de morte dessa “mãe” pode ser confundido com o desejo de morte da mãe real, a progenitora. Quando o individuo não sabe diferenciar essas duas realidades: A progenitora e a representação simbólica da matriz, a indiferenciação, a confusão media a relação entre o indivíduo e a realidade.

Esse desejo de morte, excluindo casos patológicos, não faz referência à morte física da mãe, mas ao momento que estabelece o término, ou à fase inicial desse processo de desligamento:

1. Do poder de intervenção materno a partir da realidade desta entidade de força, deste indivíduo matricial construtor e formador do outro Ser.

2. Do poder de intervenção da representação simbólica materna constituída no inconsciente, originada da mãe real.

No inicio ocorre a diminuição desse poder de intervir até que este conteúdo seja dissolvido, restando apenas a representação do conteúdo afetivo de mãe.

Esse mecanismo é semelhante ao que ocorre com a representação e simbologia do Pai. Em ambos os casos, a partir do momento em que o indivíduo se constitui uma individualidade adulta maturada, esses conteúdos e representações são dissolvidos já que incorporados na constituição da personalidade do sujeito, não se fazem mais necessários como referências básicas de princípios, de conduta na relação com a realidade, ou de proteção à estrutura psíquica.

Assim, essa mãe pela qual se desespera é a sua mãe em você. Naturalmente há conflito entre a sua busca de consolidação como um individuo adulto, sua Singularidade, e a menina que resiste em abandonar o conforto e condição de estabilidade de filha dentro do seu cenário de vida juvenil.

Mas parece que a vida lhe empurra para a realidade, para o seu destino, para a consolidação de sua existência como uma mulher, lhe exigindo novas escolhas, novos caminhos, novas respostas. Empurra-lhe para que se assuma como mulher madura e para isso, agora, com seus conceitos pessoais incorporados aprendidos e herdados, deixe de se ancorar e de se proteger na barra da saia da mãe para prosseguir na construção de seu destino, na realização de seus desígnios.

Muitos nesta hora recuam e escolhem não avançar. Evitam crescer, amadurecer. Pagam o alto preço de contrariar a lei da impermanência da vida. Fixam-se no solo como árvores resistentes propensas a dobrarem apenas a cada tempestade cíclica do tempo. Pensam que escolhem o caminho mais confortável e às vezes nem descobrem o equivoco de suas escolhas, o equivoco de interromper o processo natural de desenvolvimento de suas existências fixando-se na segurança ilusória do passado de proteção familiar. Mas mesmo que não descubram seus equívocos são obrigadas a amargar o sofrimento sem saber o porquê de tão trágico destino.

Prefiro não pensar nas entidades que aparecem como reais, mas como símbolo, conteúdos e referências de sua vida de Adulta, que incorpora conceitos, princípios, doutrinas na formação pessoal.

Associo com conteúdos originários de sua formação pessoal que indicam a referência para que responda de acordo com a realidade.

No caso acima, a morte da mãe que representa a sua ascensão individual, lhe provoca medo, o medo de arriscar, o medo da transformação, e as entidades representantes da doutrina, seus conteúdos formados de conceitos incorporados, afloram como referência de resposta ao cenário de Morte.

Todos eles, são imagens, são referências significativas da Doutrina Espírita. Como se lhe dissessem:

“a doutrina indica a crença na imortalidade. Não há porque desesperar!” Integre seus conteúdos, alinhe-se aos preceitos nos quais acredita sintonizando-os com o comportamento e respostas adequadas. De que adianta conceber uma noção de mundo e agir como quem nega essa noção?

Neste aspecto o sonho confronta a ação, forma de resposta, com a idealização.

Inseridos neste contexto está o Apego. A importância de trabalhar o desapego, para que o impacto das perdas deixe de ser devastador em sua estrutura e na condução de sua vida.

Pela vida vemos indivíduos trabalhando para se apegarem como gosma a todo o tipo de ilusões, quando deveriam trabalhar o desapego para conquistar a libertação, único estado que nos permite a plena maturação.

De que adianta o conceito da vida como passagem se ficamos viciados, agarrados, apegados a cada estação que passamos. Como crianças fixadas em guloseimas que não conseguem perceber outras delícias.

E a questão que considero a chave primordial:

A ACEITAÇÃO DO DESTINO

Já me manifestei a respeito. Uma das grandes causas de sofrimento no mundo é a falta de aceitação dos limites da existência. As pessoas podem passar toda uma um vida estéril, sem que o saibam, lutando contra a condição definitiva da existência: Seus limites. A morte nesta dimensão. Deixam de acreditar em outras possibilidades porque lutam ao não aceitarem os limites desta realidade.

Em síntese:

Para crescer precisamos matar simbolicamente o pai, a mãe dentro de nós. Conservando apenas o vínculo afetivo, precisamos aceitar a realidade da existência para aprender a não sofrer com as perdas e para não transformar a existência numa projeção da tragédia pessoal e conceitual do mundo.

domingo, 27 de junho de 2010

AFETO E AMADURECIMENTO

The Love Embrace of The Universe
Frida Kahlo
CH 100


Por fim eu queria ir a praia com minha mãe (da janela do apartamento eu podia avistar as ondas), mas daí minha irmã disse que ambas iam sair juntas para procurar uma empregada doméstica. Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã (não quis chorar na presença dela) que, sentando-se ao meu lado, colocou a cabeça no meu ombro. Além da presença dela reprimir a expressão do que eu sentia, ela também tolheu a minha liberdade de estar a sós com minha mãe e pareceu fazer-se de carente por mim. Apesar do incomodo, eu não sentia nada contra minha irmã, mas estava pesarosa por não ter nenhuma companhia para ir à praia. Eu parecia já cansada de fazer isto sozinha. É isso, não me lembro dos demais sonhos.

Existem observações que não registro para não parecer que vejo com o olhar da generosidade, aquela que parece parcial sem verdadeiramente ter que sê-lo. Mas um sonho como esse, depois de ter conhecido mais de 100 sonhos seus, levam-me a romper com os limites, pela delicadeza do sonho e pela delicada emoção que me despertou. Senti-me inexplicavelmente agraciado pela sensibilidadede tocar num sonho que evoca o limite extremo do amor.

“Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas... Contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã”

Houve um momento em que você se descobre mãe, mas agora você é apenas uma filha que chora, que sente e que se aconchega, se acolhe, no afeto da mãe. Como filho é assim que somos. Chorar no colo da mãe é chorar calado, porque som nenhum é capaz de expressar, a maior dor do mundo. Um dor que pode ser expressa porque quem lhe abre caminho para se mostrar é a mãe que acolhe o filho, que tem compaixão e amor o suficiente para não julgar, mas coração infinito para acolher.

Para crescer é preciso se permitir filho, e se permitindo filho, abandonar o passado para se encontrar individuo.

A consciência nos trouxe conquistas e liberdade, mas também nos inundou de emoção, e entre elas uma mais profunda, uma que revela a dor de nossa angústia de sermos passageiros em uma viagem que desconhecemos a origem e o destino. Uma angústia que é resultado da grandeza da vida que se abate sobre nossa pequenez, frente ao infinito e inimaginável mundo em que nos encontramos. Mas que também é fonte inesgotável de criação, esperança e amor. No colo da mãe podemos chorar a tragédia de nosso destino frente aos sonhos não realizados, os amores perdidos, as dores dos beijos não dados, a solidão e a pena que sentimos de nós mesmos.

Sem a presença da mãe, em princípio somos órfãos, abandonados, somos solitários, mas a vida é generosa e nos oferece a Mãe Divina, e a solidão finda pois seu colo também nos acolhe e seu manto nos protege. E quando nos permitimos filhos descobrimos que não precisamos temer a vida pois as mães divinas, e todas podem sê-lo, nos acolhe para que cresçamos e realizemos nosso destino.

Perdoe-me, seu delicado sonho envolveu-me numa aura de suavidade e delicadeza afetiva, para lhe dizer que ele é retrato de seu avanço afetivo e que o caminho que nos resta é o amor, é a delicadeza do afeto, a suavidade de ser amoroso, sem medo. Você não precisa competir com sua irmã e afastá-la, mas aceitá-la como alguém que como você também precisa de amor e de colo. Todos precisamos. E quando partilhamos nos amamos, a nós mesmos e ao outro, e assim podemos ser um pouco mais felizes.

Independente se o sonho compensa a tensão e produz o conforto catártico, ele abre a porta de sua sensibilidade para mostrar-lhe que ao expressar ou manifestar seus sentimentos, suas emoções, você deixa fluir o melhor do que existe em seu espírito, em sua alma, você encontrará a humanidade que existe em todos os que seguem os caminhos do coração, os caminhos do afeto e que se permitem se tornarem seres amorosos, melhores pessoas, indivíduos mais plenos.

Se reparou, anteriormente sua resposta de revolta ou agressão levava-a à conturbação, agressividade, e outras emoções e sentimentos densos, mas nesse momento você expressa apenas a dor e a angústia do abandono. Este sentimento é autêntico, ele está na origem de respostas que determinam o seu conflito na relação e no seu desagrado com o mundo, a sua dificuldade de aceitar o não. Agora você chora o abandono.
Só nos é permitido crescer quando nos defrontamos com nossas dificuldades, quando tomamos consciência de nossa angústia, quando abandonamos as respostas reativas, agressivas, de manipulação e chantagem, quando nos resignamos em nossa insignificância. Paradoxalmente, este é o ponto crucial da mudança aquele que nos permite arrancar para um novo momento. A partir de agora minha cara, você nunca mais será a mesma, tão pouco o mundo será o mesmo.

Uma Bela manhã de domingo para todos... Há esperança no mundo, a energia do amor é viva!

terça-feira, 18 de maio de 2010

GATA BORRALHEIRA


"Cinderella" John Everett Millais (1829-1896)
Oil on canvas, Public collection

CH 68

No sonho seguinte, depois que voltei a dormir, eu estava num apartamento que era da minha irmã. Tanto ela quanto meu cunhado estavam lá e eu fazia um vestido azul para uma boneca Barbie que, provavelmente, deveria ser da minha sobrinha. Meu cunhado saiu para trabalhar e minha irmã também. O clima estava bem ameno, ou seja, não me senti incomodada com nenhum dos dois como se ambos fossem meus amigos, algo que até então nunca senti, principalmente nos sonhos. Surpreendi-me com isso! Eles não me pareceram dois conselheiros críticos (quase insuportáveis) destinados a pegarem no meu pé como até então sempre foram para mim. Eu me sentia relaxada perto deles, o que foi muito bom e, ao mesmo tempo, perante a realidade, me soa como uma incógnita. Ao sair minha irmã recomendou que eu juntasse os lixos e jogasse fora, mas eu estava entretida e afobada com o tanto de coisa que tinha para fazer e não prestei atenção a explicação tão detalhada que ela deu. Fiquei com a recomendação do lixo na cabeça e depois não sabia bem como era para recolher o mesmo. Pensei em juntar tudo num saco só, mas não achei nenhum e logo minha tia (irmã mais velha de minha mãe) apressou-me com a comida. Atarantada deixei o lixo para depois e fui esquentar a comida, mas tendo em mente a preocupação de não me esquecer de recolher o lixo. Coloquei varias panelas com restos de comida sobre as quatro trempes do fogão e mal havia começado a esquentá-las quando o gás acabou. Minha avó sentindo o cheiro do gás comentou que o mesmo deveria ter acabado. Enquanto isso eu desligava todas as chamas já apagadas. Minha avó e tia não estavam na cozinha, mas noutro cômodo, de modo que eu não as via, mas escutava o que ambas conversavam. Interessante que eu não me sentia uma visita na casa da minha irmã e muito menos sentia minha tia e avó como visitantes também. Era como se elas lá morassem e eu fosse apenas uma serviçal da casa, destinada exatamente a cumprir tais funções. Eu tinha aquelas tarefas como minha responsabilidade diária. Relembrando tal sonho sinto o quanto é estranho vivenciar algo tão ilógico. Sei que o inconsciente tem uma linguagem simbólica que mistura as pessoas e situações formando contextos completamente estranhos, mas cujos significados não são estapafúrdios. Pareceram sonhos bons, mas chocantes ao mesmo tempo. Acordei com a firme lembrança do gás acabando e parecia mais assustada em pensar o que isso poderia significar do que com o próprio sonho em si. Não tenho ideia do que meu sonho possa querer me dizer, mas deduzo que não deve ser boa coisa. Ao menos acordei com essa impressão. Ambos os sonhos me causaram uma sensação intrigante. O que acha? Lembrei uma parte do ultimo sonho. Depois do gás acabar, não demorou e minha tia apareceu na cozinha dizendo que seria preciso fazer um 'mexidão' e esquentar no microondas. Eu achei uma boa ideia, pois sempre gostei da praticidade de tal aparelho.

O sonho, não sei bem o porquê, lembrou-me a Gata Borralheira, só faltou o príncipe encantado, o sapatinho, a carruagem. Você brincando de boneca, (qual a idade da sua sobrinha?) concentrada costurando, nos afazeres da casa, o casal indo prá rua, para o mundo, e você recolhendo o lixo e preparando os alimentos, atarefada. Parece estado de fantasia e regressão, ou sinal de não vivido. Solidão, abandono. Mas... Avancemos....

Nada demais nesses afazeres, muito ao contrário são sagrados. Preparar o alimento para alimentar a vida do outro, preparar a casa, para viver bem e com conforto. Mas eles podem sinalizar duas variantes:

1. O movimento pessoal de domínio de sua dinâmica de vida. Cuidar de sua casa, seu templo, sua vida, limpar, eliminar os lixos, os resíduos. Preparar seu sustento; se cuidar; se alimentar. Conduzir a sua vida.

Pessoalmente penso nessas tarefas como essenciais no processo de amadurecimento. Para mim uma pessoa só amadurece quando consegue cuidar de si mesma, e não quando compra esse “cuidar”.

2. Indicação de desgaste, excesso de dever, responsabilidade. Falta de gáz, seria indicação de falta de fogo? Energia? Desgaste? Esgotamento? Há excesso de preocupação? Tensão? Ou é compensação pela ausência de comprometimento com as tarefas do dia a dia?

Para Refletir!


a Borallheira transformada em Rainha

Queen Cinderella - Art Print 
by Howard David Johnson