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sábado, 28 de agosto de 2010

EVA E MAÇAS ENVENENADAS


Carla 152

Tenho dormido menos quantidade de horas por noite e isso, como já disse outrora, faz-me ter um sono pesado e com menos lembranças oníricas. Entretanto, 'por acaso', tive uma ajudinha hoje pela manhã e minha mente clareou-se:

Estava terminando minha corrida no parque quando vi um carro estacionado e haviam várias maçãs dentro dele, bem no para-brisa. Brinquei comigo mesma dizendo: hum que delícia, quero uma! Achei estranho alguém ter deixado cerca de uma dúzia de maças daquele jeito largado dentro do carro, mas nisso veio um lampejo na minha mente e, sincronicamente, lembrei de um sonho lúcido que tive durante a noite. Eu estava no meio de um campo amplo quando deparei-me com uma macieira carregada de belas maçãs. Como nunca estive diante de uma macieira, senti que aquilo era um sonho. Temendo que o mesmo pudesse acabar, colhi uma maça e fiquei observando o que acontecia, mas nada aconteceu. Dei uma mordida, esperei, e tudo continuou calmo. Então colhi outra maça e nada aconteceu. Dei uma mordida na outra maça e tudo permaneceu normal. Feliz como se estivesse recebendo uma bençãos do céu, talvez a benção de comer aquela divina fruta sem ser arrebatada do paraíso interno que aquele meio externo me proporcionava, colhi outra fruta e conscientemente fiz questão de apanhar quatro maçãs, pois lembrei que o número quatro é o representante da perfeição (interessante que sempre fui atraída pelo três, mas no sonho eu ultrapassei o misticismo do três). Pensei dentro do sonho que, quando acordasse e fosse analisar o mesmo, o fato de ter tido concedimento e intenção de pegar quatro frutas faria diferença. A suculenta fruta me fez ter a sensação de estar recebendo uma dádiva indescritível, mas não recordo nada além disso. Ah, enquanto apanhava a primeira maça eu lembrei dos sonhos anteriores com frutas e, uma vez consciente, fiz questão de provar a maçã. Embora estivesse cautelosa pensando que algo trágico pudesse ocorrer, ainda assim o fiz e com bom apetite. Eu queria ter a certeza de que estava sendo agraciada, de que podia suprir meu desejo e sentir-me abençoada exatamente por me permitir saborear o prazer daquela bela fruta.

O que um sonho desse pode dizer de fato?

EVA E MAÇAS ENVENENADAS II




Voce o diz: “... fiz questão de provar a maçã. Embora estivesse cautelosa pensando que algo trágico pudesse ocorrer, ainda assim o fiz e com bom apetite.”

A primeira associação que faço é com a A Branca de Neve “Bela Adormecida”. Eu escolheria não me referenciar nesta associação, mesmo que a pensasse, mas sua observação registrada não me permite desconsiderar que o temor pode ocorrer por associação interna de medo de morder a maça envenenada. Medo, desejo ou consciência?

Não há, portanto, como não fazer as duas associações básicas:

1. A Eva que prova a fruta da árvore do conhecimento, se deliciando pelo prazer da descoberta;

2. A Branca de Neve que provando da fruta envenenada cai em sono até que possa realizar o destino de ser acordada como A Bela Adormecida pelo beijo de amor dado pelo príncipe, decorrente do encantamento que o subjugou e o fez beijar a bela jovem morta, acionando o sopro vital que a traz de retorno à vida.

O amor rompe barreiras, supera sacrifícios, dá vida aos mortos, realiza o milagre divino da existência.

Vemos portanto dois movimentos, duas dinâmicas:

1. Ao provar o gosto prazeroso do saber, você é inundada pela consciência, organização racional (número 4) e inundada de prazer, alegria, júbilo e encantamento

Provar o gosta da fruta da árvore do conhecimento, e o pecado original que todos carregamos, é a aquisição da consciência. Perde-se a pureza, a inocência, a ingenuidade. Passa-se a ter a consciência do pecado.

Sinal de crescimento, da chegado ao mundo adulto, ao mundo dos pecadores, ao mundo do prazer, do gozo, dos sabores, das paixões, dos desejos.

Mas Eva é também representação dos instintos e da sexualidade. E a base do desenvolvimento, a saída do paraíso paterno, que nesse caso pode ser relacionado com o paraíso materno, pois na escala do desenvolvimento ontológico, nós saímos do útero materno para o nascimento da consciência. Quando aceitamos simbolicamente o nascimento, ou nos fartar da consciência do prazer, nos libertamos do paraíso materno e assumimos as responsabilidades por nossas escolhas, abandonamos o paraíso uterino. Mas esse é apenas o primeiro grau da dinâmica da tomada de consciência, outros virão e se farão necessários no processo de aprimoramento.

No início essa consciência é indiferenciada, e fica, portanto, suscetível às forças que atuam na preparação do seu desenvolvimento. Assim o sujeito tem que se defrontar com uma consciência do “Real” e com outra que é do “Imaginário”. Avançar na consciência passa pela diferenciação dessas nuances de realidade, o que é um desafio fenomenal. O imaginário nos chama, atrai, encanta, mas aprisiona, mistura e promove o indistinto, não nos diferencia da massa amorfa.

2. Ainda que você haja como a branca de neve ingênua que prova a fruta envenenada, Há uma diferença. Você já não é tão tola ou ingênua quanto a Você tem consciência do perigo, sabe dos riscos e rompe com a fantasia infantil, mesmo sabendo do risco ou temendo repetir o conto infantil.

Aqui reside possivelmente a dinâmica que se contrapõe ao seu desenvolvimento pleno, ainda que você avance e rompa com o aprisionamento no imaginário. Você já não é mais a desavisada (o louco do Tarô) com um pé na realidade e outro no abismo, agora já tem a consciência do medo, sabe dos riscos, tem o saber, mas ainda é suscetível ao encantamento, se entrega. Você se encaminha em direção aos abismos dos prazeres.

Mas... Não há como evitar essa etapa. Esse é o seu próximo dragão: se entregar aos prazeres da carne. Se souber fazer uso da consciência, poderá viver o prazer com o mínimo risco, se relevar essa pequena consciência só o tempo poderá libertá-la depois das amarguras, das frustrações e do sofrimento.

O número quatro é o quadrado, os pontos cardeais, a cruz, o número das realizações tangíveis. Símbolo da terra, do espaço terrestre e da organização racional. Simboliza a plenitude e a universalidade, é totalizador.

Para Jung a quaternidade representa o fundamento arquetípico da psique humana, a totalidade dos processos psíquicos conscientes e inconscientes.

De forma geral para esotéricos e exotéricos, a quaternidade representa ao longo da filogênese humana o axioma fundamental na jornada da alma, na busca e no encontro do do sentido pleno da vida e da realização como existência Totalizada.

Acredito que o sonho tenha sido uma experiência excepcional de satisfação e prazer, a vida é assim, acima e abaixo. E estar sob a força de arquétipos pode ser uma experiência Numinosa. O sonho indica essa dinâmica de transformação e de crescimento. A evolução e o aprimoramento exigem a dinâmica da expansão, de avançar e conquistar transformações ou ficar parado na beira da estrada implorando carona prá Deus.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ADÃO E EVA
















No terceiro sonho eu estava saindo com minha mãe quando peguei minha chave. Fomos à casa de um casal conhecido nosso e que há muito tempo não sabemos notícia. Eles davam um curso aqui perto de casa. As duas filhas do casal também participavam do estudo e no sonho encontrei-as dormindo. Lembro que ficamos um tempo conversando na sala, mas não sei nada da conversa em si e nem das pessoas que realmente ali estavam. Só lembro que, quando fomos embora do local, as meninas acordaram para dar um recado à mãe sobre a escola na qual ela estava esperando uma vaga para lecionar. De fato essa mulher é professora. Em seqüência foram as duas que saíram, pois a mais nova ia à natação. No sonho, tanto uma quanto a outra estavam cerca de uns cinco anos mais jovens. Em verdade nem sei por que sei que aquelas pessoas eram as que eu conheço na realidade, pois dentro do sonho a aparência era diferente em todos. No que fui sair verifiquei que estava com dois molhos de chaves iguais. Ganhei meu chaveiro de uma tia quando me formei e ele tem meu nome grafado. Achei estranho ver outro chaveiro idêntico ao meu, mas soube diferenciá-los pela quantidade de chaves. Um deles, o que certamente não era o meu, havia uma chave a menos. Fiquei sem entender aquela confusão e imaginando de quem seria o outro molho de chaves. No que saí com minha mãe ela quis passar em um supermercado e então me dei conta de que estava nua. Era como se ela não houvesse me aguardado vestir a roupa. Embora constrangida eu reagia normalmente, pois em todos os sonhos de nudez, sempre penso dentro deles que existe de fato pessoas que culturalmente adotam esse estilo de vida ‘sem roupa’ e, sendo assim, o problema seria dos outros se me achassem uma louca, despudorada, esdrúxula, etc. De tempos em tempos sonho que estou em locais públicos e me encontro nua, por vezes enrolada num cobertor ou toalha, ora só com a parte superior ou inferior e, até mesmo, só com peças intimas. Por mais chato que isso possa ser, nos sonhos eu sempre me forço a agir normalmente como se isso de fato fosse super normal. Parece que o pensamento influencia em sentir mais ou menos vergonha. Sei que sonhei mais coisas, porém novamente as lembranças ficaram apenas nisso. Ah, e quanto ao sonho das lesmas que comentei outrora?O simbolismo da nudez pode ser relacionado em dois aspectos que estão intrínsecos no mito cristão da criação. A nudez pura de Eva e Adão se transformam na ponte para o pecado, na descoberta do prazer a partir da transgressão e do rompimento das fronteiras do conhecimento. Pode-se pensar que este aspecto religioso se afigura como distante de nossas vidas, mas veja bem: Quando criança experimenta-se a nudez com naturalidade e espírito desarmado, puro, inocente, sem “maldade”, mas a partir da adolescência, bebemos da árvore do conhecimento e somos relançados no universo do prazer originado nas carícias táteis, gustativas, olfativas, com o “outro”. Nasce o pecado, o proibido, a vergonha (mesmo que no processo de desenvolvimento a repreensão cultural já tenha se manifestado). Daí a duplicidade de significados: o natural, o encontro, o amor, a troca e a vaidade, as paixões, o realce dos sentidos, o corpo sedutor que atrai os olhares e os desejos. O corpo que aprende a seduzir para manipular, dominar, que instiga o desejo do outro, as compulsões, as fragilidades, as carências, o sonho do prazer, da comunhão, da integração para tomar posse do outro. Mas também para saciar sua sede de prazer arquetípica, já que somos mobilizados por pulsões e compulsões instintivas registradas na Matrix de nossas origens. Acrescenta-se a necessidade de se exibir, o que é manifesto natural na sociedade Narcisa-conservadora, que não deixa de ser ambivalente e cínica: abre as portas para os exibidos mas responde com dubialidade cobrando, execrando, exaltando, consumindo, desejando e repudiando moralmente.