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sábado, 30 de janeiro de 2010

TORMENTA 1




Carlotinha24

Acabei de acordar e estava tendo pesadelos horríveis. Primeiro sonhei com vários casais que eram meus pais,
como se fosse em minhas várias vidas. Para com alguns eu sentia muita raiva, para com outros sentia medo. Ia passando um monte de casais falando como se fosse um filme saído de dentro da minha mente, mas ao mesmo tempo era real e eu estava dentro desse filme. Eu me sentia mexendo muito na cama e escutava trovões muito fortes. Agora que acordei constato que caiu um pé d’água mesmo. De certa forma eu sabia que a chuva era fora do sonho, mas ela parecia me amedrontar com seu barulho como se estivesse lá dentro. Numa dessas famílias eu tinha muitos irmãos e fui dar um danoninho para um bebe que só devia tomar leite pelo seu tamanho. Ele comeu algumas colheres e não quis mais. Era uma irmã minha e dele que o segurava e ao lado havia outra jovem e um rapaz que também eram nossos irmãos. Contando assim parece um sonho normal, mas existia muita tensão, raiva e medo, mas não sei definir o motivo em si, mas sei que havia um motivo especifico para os maus sentimentos perante cada casal de pais. Num deles eu brigava com minha própria mãe e dizia para ela que eu também preferia ser uma pessoa muito resolvida e bem de vida, mas essa não era a realidade e eu dizia isso como se para mim fosse impossível fazer qualquer coisa para mudar os fatos. Foi uma briga horrível e não lembro mais os detalhes do que disse, só tenho a sensação vaga que após a discussão ela fez algo bem desagradável para me implicar.
Depois disso eu estava numa espécie de local que não sei explicar o que era. Estava com alguns amigos e quando aproximei de um que estava mais isolado, fiquei horrorizada
com a quantidade de lagartas amareladas que andavam no chão saindo de uma possa de água muito suja. Questionei a esse amigo como ele conseguia ficar ali e ele disse que já estava quase indo embora. Nisso veio outra moça que parecia ser sua namorada e saímos os três de lá. Nisso adentramos numa espécie de jardim que, embora parecesse ser algo comum, deu-me a impressão de ser maldito. Eu ia ir por um caminho quando esses amigos me convidaram para ir para algum outro lugar. Eu sentia algo muito estranho em todo aquele lugar, mesmo as pessoas parecendo tranqüilas. Não sei o que sucedeu depois, mas sei que apareci noutro local horrível. Havia uma casa construída no meio de uma espécie de floresta, embora tudo parecesse fazer parte de um palco de teatro e, no que fui entrar nessa casa, passei por uma gigantesca teia de arranha. Quando passei não sabia o que era aquilo e me desesperei, pois comecei a sentir inúmeras pequenas ferroadas nas mãos e rapidamente meu corpo todo começou a ser envolto por fios de teia até que os mesmos cobriram minha boca e nariz impedindo a respiração. Era impossível gritar e em segundos eu me vi morta quando uma mulher me pegou e puxou todas aquelas camadas de teias tecidas sobre minha boca. Nessa parte tem uma confusão, pois não sei se essa mulher era uma rival que queria me matar por conta própria de outra maneira ou se existia um homem que era o vilão a nos ameaçar. Só sei que por todos os lados aviam teias de aranhas e só restava eu e outra pessoa no local. Analisei tudo. As aranhas eram minúsculas, menores do que formigas, amarelas e de grande quantidade em cada teia. As teias grudavam no corpo como se estivessem com cola invisível e rapidamente as aranhas picavam e teciam a presa. Tentando sair do local que parecia uma armadilha, entrei em combate com esse homem ou mulher que queria me matar. Eu fiz de conta que entrei na casa, mas em verdade me escondera na lateral desta. Havia uma prateleira cheia de injeções amarelas e eu não sabia para que aquilo servia. Nisso a pessoa veio trazendo uma vasilha com um liquido também amarelo, acho que para jogar em mim. Desesperada eu peguei uma das injeções e caminhei passando por trás de uma das enormes teias que havia mais adiante. No que a pessoa correu atrás de mim ela sem perceber passou pela teia e instantaneamente parecia morta. Ainda para garantir joguei o conteúdo da seringa sobre seus olhos e cautelosamente procurei sair daquele local sem esbarrar em nenhuma teia. Ao sair eu adentrei num corredor estreito e ao final dele havia uma tabua pintada de vermelho com a escrita ‘teto solar 6 ½’ junto com a assinatura de seu criador e a data ‘5 anos’. Ali não havia nenhum teto solar no sentido literal do termo e achei tola à data de 5 anos, uma vez que não se sabia quando aquilo fora ali escrito. Também havia outras assinaturas que deveriam ser de pessoas amigas ou companheiros de trabalho da época. Meu nome não constava lá, embora eu tivesse a sensação de ter participado do grupo na época. Tive essa sensação pois, se assim não fosse, eu não saberia de tal passagem secreta. Era do lado dessa tabua vermelha, ou seja, na lateral do corredor que havia uma estreita fresta e foi por ali que eu fugi. Estava me sentindo como num filme de terror com final feliz. Acordei muito tensa e achei melhor escrever tudo isso antes de esquecer. Outra vez não entendo o que esses sonhos simbolizam.

TORMENTA 2





Dormir não significa que o corpo não mantenha um fio de conexão com a realidade. O Sono mantém o corpo em baixa frequência de funcionamento, processamento, e avaliação de estímulos externos, mas a vida pulsa, e é fundamental para a nossa sobrevivência. Essa conexão com o mundo nos permite avaliar e processar estímulos, sons, umidade, temperatura, odores, luz e provocam sensações térmicas, táteis, olfativas, visuais, auditivas que podem ser incorporadas aos sonhos, como símbolos ou interferências ou serem, a partir de pré-avaliações pela psiquê, acionarem dispositivos de defesa e sobrevivência.
Estou me lembrando de ter visto na MTV na semana passada um programa exibindo vídeos em que “jovens” entram no quarto escuro em que um “amigo” dormia, levantam pela cabeceira a cama até ela ficar na vertical e a empurram até a parede à frente. Isto aconteceu em no máximo 5 segundos. O menino que dormia levantou-se, gritando e em pânico, enquanto os carrascos gargalhavam. Pura crueldade! Ao levantar a cama, eles deslocaram o sensor de equilíbrio do corpo e no momento em que o corpo do menino começa a escorregar pela ação da gravidade e se choca com a parede, alem de provocar um choque de estresse e pânico, retirou da psique toda a referência espacial de segurança, de repouso, horizontalidade e de apoio do corpo. O resultado, não há dúvidas, foi devastador. A psique deve ter avaliado a situação como de risco e ameaça à integrida, à vida e deve ter produzido uma leitura entre a realidade e a vigília, uma queda real em um abismo. O menino que sofreu a crueldade recebeu um impacto mental devastador que vai refletir em sua saúde mental por toda a sua vida. 
No seu sono, você estava inserida dentro de um cenário de instabilidade que não favoreceu ao corpo o repouso adequado, já que o reconhecimento dos sons de Trovão não alivia a ameaça externa, já que a cada estouro, a realidade é avaliada e reavaliada no momento em que o evento acontece. O corpo não se fia na avaliação do reconhecimento. Ele reavalia as informações (proximidade, intensidade, risco, continuidade, tempo, etc.) a cada nova ocorrência. Assim a inquietação é resposta de defesa. E os conteúdos arcaicos mobilizados são significativos, já que o conforto conquistado pela civilização, ao longo de nossa evolução, para nos proteger das intempéries, não nos afasta da ameaça permanente que representam as forças da natureza.
Frente ao exposto grande parte do sonho conturbado pode estar relacionado à este cenário inquietante de uma noite de tormenta. O que também não exclui a possibilidade de afloramentos de conteúdo de inconsciente ameaçadores, já que a fase é de transição e instabilidade.

TORMENTA 3




O sonho evidência conturbação. Devemos primeiramente considerar os acontecimentos externos, o cenário de tempestade. O conflito familiar reaparece e suas dificuldades relacionais com a família, com o mundo e com o a ameaça masculina.
Lagarta: é símbolo de transmigração, e transmigração representa a persistência do desejo, seja qual for a sua forma. O ser em que a alma pode transmigrar revela o nível do desejo a que sua alma se encontra apegada. A transmigração é uma forma de expressar a lei da justiça imanente e das consequências dos atos humanos. Se a lagarta amarela é do tipo que se transforma em borboleta, então representa estado de metamorfose, fase de transição entre um estado e outro. Neste caso a transmigração se justifica, ela não  é referencia de morte e renascimento real mas tem sentido simbólico. Ela aparece em forma de larva (não desconsidere a possibilidade de infestação física. Sua saúde está Boa? Alguma mudança na sua função intestinal? Alguma possibilidade de contaminação?)
A aranha e a teia fazem sentido. A teia porque está associada à rede da vida, representando vida e morte, ou morte, prisão e liberdade. Estamos todos presos à teia da vida, o que não quer dizer que sejamos todos prisioneiros, já que prisioneiros são os que se permitem ser aprisionados ou se aprisionar nos medos, no conforto, no conformismo.
A aranha e seu fio, sua teia, sinalizam fragilidade e evoca realidade de aparências ilusórias, enganadoras. É a aranha a artesã do tecido do mundo, do véu das ilusões que esconde a realidade suprema, e pode representar o criador cósmico e supremo. Tecelã da realidade, senhora do destino da qual não se pode fugir. Muitos analistas consideram a aranha símbolo do Narciso, aquele que gira ao redor do próprio umbigo, que se permite ser absorvido pelo próprio centro. Interessante é que frente ao tormento aparece o cinco que é símbolo da ordem e da organização ( reequilibrando o des-equilibrado). Já o SEIS é a marca da oposição da criatura ao Criador, posição de EQUILÍBRIO INDEFINIDO.
Existe um destino que não conseguimos nos esquivar, que precisa ser cumprido, só podemos transformar nossas vidas cumprindo esse destino, superando os nossos desafios, superando nossos aprisionamentos. Não há ESCAPE.