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domingo, 25 de julho de 2010

PSICOLOGIA E O FEED BACK


O FEED BACK
Abaixo  a avaliação de Carlotinha depois da leitura de 100 sonhos. 
Creio que não são os fatos em si que mudam uma pessoa, mas sim a maneira como ela os vê e consegue vivenciá-los. Algumas vezes sinto como se a vida fosse a mesma e eu fosse outra pessoa já mais amadurecida. Noutras vezes, sinto como se a vida houvesse mudado e eu fosse a mesma de sempre. Em verdade, acho que eu mudei e a vida também, pois nada é estático, ao menos não por muito tempo. Eu ganhei mais disposição para enfrentar meus conflitos internos e externos, para expor meus pontos de vista e ao menos tentar impor respeito sem ficar constrangida. Estou buscando a autoaceitação sem criticidade. Esforço-me a não ficar autocentrada demais. Estou compreendendo melhor meu lado sombra que precisa existir sem ser represado. Entendi que devo me expor sem medo da vulnerabilidade. Compreendi que sentimentos como carência ou ciúme são ilusórios, pois fazem parte do inconsciente coletivo, e que os caprichos nunca poderão ser supridos. Tenho buscado a simplicidade, tenho tentado ter mais autonomia para minhas decisões e iniciativas baseando-as no que eu sinto ou desejo e não colocando-as como consequência da postura alheia. Finalmente consegui dar valor a importância de ser autentica, mesmo que ainda tenha bastante dificuldade de ser espontânea, pois meu instinto é querer ter controle de tudo e preferencialmente de antemão. Tenho sentido diferença na minha autoestima, mesmo que ela ainda tenha seus momentos de recaída. Entendi que tenho arquétipos dentro de mim e muito dos conflitos externos são projeções de algo mal resolvido dentro de mim. Tudo isso, e com certeza muito mais que agora não me veio em mente, tomei conhecimento através dos sonhos e as análises dos mesmos. Como disse certa vez, se alguém me aconselhasse a efetuar essas mudanças eu talvez deixasse a opinião alheia de lado e ficasse até nervosa, mas através dos sonhos a flexibilidade de aceitação é maior. Eu sei que a análise deles não provém de uma mera opinião alheia a meu respeito, mas sim de um estudo de muitos anos a respeito da linguagem onírica, a qual tanto encantou-me, e sei que ainda pode me surpreender muito. Sempre fui resistente a tratamentos que lidam com o psicológico e com o lado emocional, pois não acreditava no efeito dos mesmos. Talvez eu ainda tenha essa mesma opinião, mas não com relação a psicologia Junguiana ou analítica. O autoconhecimento que isso me proporcionou realmente mudou meus conceitos, fez-me ter postura diferente com relação a detalhes do cotidiano. Percebi que sou mais do que imagino ser, tanto em termo positivo quanto negativo, e desejo descobrir isso cada vez mais a fundo, com cautela, claro. Quero continuar empenhando-me para ser mais ousada e menos fantasiosa. Desejo desvendar continuamente os mistérios do meu inconsciente e granjear aos poucos a construção da minha individualidade. Talvez eu leve uma vida para conseguir, mas o importante é nunca desistir. É isso. 
Obrigado pelo retorno e por sua sinceridade!
Seu processo de maturação se mostra perceptível, no discurso, na linguagem, na elaboração e na compreensão, além naturalmente, de suas percepções de mudança.
A PSICOLOGIA

Entre as ciências do homem, possivelmente no século vinte nenhuma outra ciência tenha contribuído para a saúde psíquica da humanidade como a Psicologia. Enquanto o mundo se desequilibra a Psicologia reconstrói. Um trabalho silencioso feito em pequenas salas espalhadas pelo mundo. Uma contribuição que enriquece a grande maioria das profissões, com conceitos, visões, referências, e principalmente que auxiliam a humanidade no momento desta transformação política, cultural, religiosa, na saúde e na Ecologia humana, como referência nessa grande transição da civilização humana.

Possivelmente, mais próximo de nossa experiência, apenas a sociedade renascentista e iluminista tenha vivido, na história humana, uma transformação tão paradigmática como a que hoje vivemos. Estes momentos são coletivamente “Sem Noção”, somos levados por uma transformação, por uma passagem, onde nos cabe apenas andar, seguir e realizar a travessia. Só o tempo filtrará o essencial e eliminará os excessos e inutilidades.

Neste momento coletivo onde somos como que empurrados, só nos resta na dimensão pessoal, cautela, referências seguras, aprimoramento e compromisso consigo mesmo, para cumprir seu destino, principalmente porque não sabemos quantas gerações viverão esta transição.

No mar bravio a impecabilidade é fundamental para que, se ainda vivos, rompamos os desafios com sanidade. Caminhar sozinho é prerrogativa de solitários, ou de arrogantes, prepotentes, presunçosos, e dos “Sem Opção”, mas contar com o conhecimento e com apoio alheio é mais do que inteligência e se fazer flexível para aprender com o outro e se permitir receber do espírito humano a benevolência a que todos temos direito como auxilio na missão para cumprir os nossos desígnios.

A Psicologia e os estudiosos mudaram a minha vida, assim como tenho certeza, a de milhões de pessoas. Os recursos estão aí para quem se dispor a usá-los. A psicologia, antes de ser profissão é uma ciência humana voltada para compreender nossa natureza e auxiliar nesta complexa travessia que é a vida.

A Psicologia, como Ciência Humana de ponta, posso considerá-la como uma dádiva da vida. Espertos são os que recorem ao seu saber através dos seus profissionais e estudiosos. Estou aproveitando esta oportunidade, porque ao longo de minha vida tenho escutado as dificuldades das pessoas de recorrerem aos Psicólogos. A Psicologia é um recurso excepcional, e um instrumento fantástico. Nascida através de grandes pensadores humanos vem se desenvolvendo como através da observação perspicaz de seus profissionais e sendo oferecida à humanidade. Nesses tempos modernos, cada vez mais, se mostra à frente de nosso tempo, nos dando, através dos Psicólogos, suporte humanístico, conceitual, afetivo, de proteção psíquica, terapêutico, reeducador, reconstrutor. É uma Referência excepcional neste momento conturbado da sociedade humana.

Eu, por enquanto, aqui vou seguindo, cumprindo meus desígnios, até que a missão pessoal possa se cumprir, e novos caminhos me levem a seguir.

Ah! Esse Blog é minha humilde tentativa de tambem partilhar, saber e percepções, com profissionais e estudiosos dedicados, muitas vezes solitários, e com iniciantes, nessa difícil tarefa de acompanhar terapeuticamente essa atormentada sociedade humana. Eles conhecem a pedreira que enfretamos em nossa jornada.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

LEVEZA DE SER

  Branca-Rosa meditativa
Salvador Dali
CH101

Eu estava aguardando para ser chamada para algo em que era muito difícil conseguir vaga. Haviam me dado uma ficha com meu nome escrito errado (haviam colocado o sobrenome Virgínia). Enquanto aguardava fui caminhar pela redondeza. O local era cheio de casinhas cercadas com placa de muro baixas e de uma podia-se avistar e inclusive alcançar as plantas do jardim das casas à volta. Embora houvessem as placas de muro dividindo, elas não impediam o livre acesso por todas as casas e caminhei entre elas admirando os lindos pés de roseiras cor de rosa (só vi rosas dessa cor). Haviam rosas miúdas com muito espinhos no talo, outras rosas grandes e aveludadas, umas em botões pouco fechados e outras totalmente abertas, mas todas sobretudo lindas e em grande quantidade. Também havia plantação de hortaliça e cobicei de pegar uma muda de couve, mas não o fiz. Gostei muito daquele lugar de casinhas simplórias enfeitadas com a natureza rica de vitalidade. Nisso começou a escurecer e para não me perder naquela porção de casinhas eu tratei de retornar logo para o local anterior. Ao chegar, alguém comentou que eu havia conseguido a vaga desejada e que meu nome já tinha sido chamado. Pegando a ficha com meu nome escrito errado, fui até o guiché e lá escreveram meu nome certo. Menti que não havia ido no momento chamado por conta de ter recebido um nome errado e por crer que seria chamada pelo tal nome escrito na ficha. Parece que já era a segunda vez que escreviam meu nome errado na ficha de entrega, mas eu não tinha dado importância, pois poderia argumentar qualquer coisa sobre o erro do nome na intenção de conseguir a vaga. As atendentes ficaram surpresas por constatar que outra vez haviam escrito meu nome errado e brincamos com o fato. Notei que eu já as conhecia, ou seja, não estava ali a primeira vez. Fiquei feliz ao ter conseguido a tal vaga (não sei para o que era, mas parecia um tratamento ou um curso). Sentia-me uma sortuda que consegue várias coisas ao mesmo tempo, pois tanto esperei minha vez de ser atendida quanto conheci as casinhas da redondeza.



Ao retornar com duas amigas dentro de um ônibus eu cai do assento de costas para trás e com as pernas abertas para cima. Não me machuquei e dei risada do acontecimento divertindo com aquela cena absurdamente ridícula. Eu permaneci na posição sem pressa para levantar como se quisesse primeiro esgotar o riso meu e de todos os passageiros (o ônibus estava meio vazio) e foi incrível não ter me sentido constrangida. Eu me sentia muito leve e tranquila para me deixar abater por uma queda mais engraçada do que envergonhante. Nisso lembrei de uma feira de sofás que havia visitado e comentei algo sobre um sofá marrom redondo. Isso é tudo o que lembro.

A rosa é símbolo mandálico, entre o vermelho e o branco reside a cor rosa, entremeada entre significados alquímicos de purificação da matéria, nem tão puro ou purificada, nem tão matéria sacrificada, ou plásmica como o sangue. Espinhos podem indicar o inevitável ou a proteção e as defesas que ainda protegem  conteúdos autênticos e originais, sua essência.

Para mim são indicações de limites pessoais que podem impedir seu processo de maturação, vícios, desvios, defesas, neuras, que aparecem em forma de mentira.

O nome errado é equivoco de realidade, de denominação, erro, mentira. A mentira é defesa, espinho interposto nas interações. Você mente, o outro mente, todos mentem, todos se enganam. Se mente, antes de mentir para o outro mente para si, se engana, engana seu espírito, tira-lhe a referência, mergulha-o no sem noção, sem rumo. Se promove como doente.

A neurose se justifica na mentira, a Psiquê doente se justifica na mentira.

Não há como ter uma psiquê saudável, construir uma personalidade consistente, navegar pelo mundo com equilíbrio emocional se a referência é a mentira. Esta é uma grande coroa de espinhos, como aquela imposta pelos homens ao Cristo, que as pessoas se coroam para se auto infligir uma flagelação, um sacrifício que as impeçam de se realizar como indivíduos plenos.

O caminho da mentira é o caminho do engano, da dissimulação, do fingimento, da ilusão, da falsidade, do fracasso pessoal. Não existem meias verdades, mentiras sociais, mentiras aceitáveis, justificáveis. Tudo que é mentira, mentirinha, mentirão, pequena ou grande é mentira, o caminho do equivoco, da ludibriação, do boicote a si mesmo.

A Única referência é a Verdade, sem ela, os caminhos são espinhosos. Podem ser difíceis, mas se completam, se contemplam.

O tombo para trás, indica mudança na sua conduta de amor próprio ferido, na vaidade ameaçada, no narcisismo ofendido, no capricho reativo, no orgulho contaminado. Essa mudança é fantástica. Todos estamos sujeitos ao “ridículo”, mas ridículo é apenas a reação do perfeito quando confrontado com sua imperfeição ou com o imprevisível. O conceito equivocado do defensivo e do preconceituoso que pune o outro pela imprevisibilidade da vida. Ridículos somos todos nós. E quando aceitamos este lado descobrimos que precisamos aprender a rir de nos mesmos, antes de rir do outro. O sinal é de movimento e de recuperação de respostas naturais, joviais. Já reparou como os adolescentes riem? Acho fantástico. Pena que quando vão envelhecendo vão ficando sisudos, como se a seriedade fosse a medalha da conquista pela vida adulta. Puro engano.

Precisamos encontrar essa alegria autêntica dentro de nós, aquela original. E só conseguimos isso abandonando as máscaras de seriedade, auto importância,  autoridade, e perfeição que nos impomos. Essa é a leveza que importa, para que possamos passar por essa vida sem deixar rastros de retrocesso.

domingo, 27 de junho de 2010

AFETO E AMADURECIMENTO

The Love Embrace of The Universe
Frida Kahlo
CH 100


Por fim eu queria ir a praia com minha mãe (da janela do apartamento eu podia avistar as ondas), mas daí minha irmã disse que ambas iam sair juntas para procurar uma empregada doméstica. Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã (não quis chorar na presença dela) que, sentando-se ao meu lado, colocou a cabeça no meu ombro. Além da presença dela reprimir a expressão do que eu sentia, ela também tolheu a minha liberdade de estar a sós com minha mãe e pareceu fazer-se de carente por mim. Apesar do incomodo, eu não sentia nada contra minha irmã, mas estava pesarosa por não ter nenhuma companhia para ir à praia. Eu parecia já cansada de fazer isto sozinha. É isso, não me lembro dos demais sonhos.

Existem observações que não registro para não parecer que vejo com o olhar da generosidade, aquela que parece parcial sem verdadeiramente ter que sê-lo. Mas um sonho como esse, depois de ter conhecido mais de 100 sonhos seus, levam-me a romper com os limites, pela delicadeza do sonho e pela delicada emoção que me despertou. Senti-me inexplicavelmente agraciado pela sensibilidadede tocar num sonho que evoca o limite extremo do amor.

“Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas... Contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã”

Houve um momento em que você se descobre mãe, mas agora você é apenas uma filha que chora, que sente e que se aconchega, se acolhe, no afeto da mãe. Como filho é assim que somos. Chorar no colo da mãe é chorar calado, porque som nenhum é capaz de expressar, a maior dor do mundo. Um dor que pode ser expressa porque quem lhe abre caminho para se mostrar é a mãe que acolhe o filho, que tem compaixão e amor o suficiente para não julgar, mas coração infinito para acolher.

Para crescer é preciso se permitir filho, e se permitindo filho, abandonar o passado para se encontrar individuo.

A consciência nos trouxe conquistas e liberdade, mas também nos inundou de emoção, e entre elas uma mais profunda, uma que revela a dor de nossa angústia de sermos passageiros em uma viagem que desconhecemos a origem e o destino. Uma angústia que é resultado da grandeza da vida que se abate sobre nossa pequenez, frente ao infinito e inimaginável mundo em que nos encontramos. Mas que também é fonte inesgotável de criação, esperança e amor. No colo da mãe podemos chorar a tragédia de nosso destino frente aos sonhos não realizados, os amores perdidos, as dores dos beijos não dados, a solidão e a pena que sentimos de nós mesmos.

Sem a presença da mãe, em princípio somos órfãos, abandonados, somos solitários, mas a vida é generosa e nos oferece a Mãe Divina, e a solidão finda pois seu colo também nos acolhe e seu manto nos protege. E quando nos permitimos filhos descobrimos que não precisamos temer a vida pois as mães divinas, e todas podem sê-lo, nos acolhe para que cresçamos e realizemos nosso destino.

Perdoe-me, seu delicado sonho envolveu-me numa aura de suavidade e delicadeza afetiva, para lhe dizer que ele é retrato de seu avanço afetivo e que o caminho que nos resta é o amor, é a delicadeza do afeto, a suavidade de ser amoroso, sem medo. Você não precisa competir com sua irmã e afastá-la, mas aceitá-la como alguém que como você também precisa de amor e de colo. Todos precisamos. E quando partilhamos nos amamos, a nós mesmos e ao outro, e assim podemos ser um pouco mais felizes.

Independente se o sonho compensa a tensão e produz o conforto catártico, ele abre a porta de sua sensibilidade para mostrar-lhe que ao expressar ou manifestar seus sentimentos, suas emoções, você deixa fluir o melhor do que existe em seu espírito, em sua alma, você encontrará a humanidade que existe em todos os que seguem os caminhos do coração, os caminhos do afeto e que se permitem se tornarem seres amorosos, melhores pessoas, indivíduos mais plenos.

Se reparou, anteriormente sua resposta de revolta ou agressão levava-a à conturbação, agressividade, e outras emoções e sentimentos densos, mas nesse momento você expressa apenas a dor e a angústia do abandono. Este sentimento é autêntico, ele está na origem de respostas que determinam o seu conflito na relação e no seu desagrado com o mundo, a sua dificuldade de aceitar o não. Agora você chora o abandono.
Só nos é permitido crescer quando nos defrontamos com nossas dificuldades, quando tomamos consciência de nossa angústia, quando abandonamos as respostas reativas, agressivas, de manipulação e chantagem, quando nos resignamos em nossa insignificância. Paradoxalmente, este é o ponto crucial da mudança aquele que nos permite arrancar para um novo momento. A partir de agora minha cara, você nunca mais será a mesma, tão pouco o mundo será o mesmo.

Uma Bela manhã de domingo para todos... Há esperança no mundo, a energia do amor é viva!

SANATÓRIO GERAL


CH 99

Logo em seguida eu já estava dentro de um local que verifiquei ser um hospital. Depois de acordar me pareceu mais ser um sanatório. Eu parecia inteira e bem fisicamente, mas estava desmemoriada querendo saber quem me levara para aquele local. Perguntei ao médico se fora 'ele' quem me levara para lá (me referia a algum outro homem que não estava ali), mas não poderia super quem era esse tal sujeito referido como 'ele'. Uma enfermeira queria coletar meu sangue para fazer exames, mas eu dizia não precisar. Eu me sentia bem e não queria dar trabalho a ponto de precisar tirar sangue (não sei se eu estava num hospital e julgava desnecessário o exame ou se estava num sanatório e o via como uma espécie de 'injeção castigo' aplicada em quem dava muito trabalho). Mergulhada no contexto onírico eu acreditava estar desmemoriada num hospital, mas analisando o sonho depois de acordada, eu parecia mais uma louca que enxergava tudo por uma ótica pessoal desconfigurada e, exatamente por isso, julgava-se desmemoriada e largada num hospital. Depois de insistir suplicando minha insatisfação e recusa de tirar sangue, a enfermeira me deu uma cumbuca com uma bebida avinagrada e tomei com gosto, não por ser gostosa, mas por preferi-la à coleta de sangue ou suposta injeção (deu para brincar dizendo que aquilo estava ótimo, que era bem melhor). Embora eu não soubesse nada de mim mesma, não conseguisse entender que local era aquele e nem como fora parar ali, eu conversei com o médico e a enfermeira dando a impressão de já os conhecer a tempos (era como se não estivesse desmemoriada deles), e isso intensifica a sensação de que estava num hospício e não num simples hospital, mesmo que dentro do sonho aquilo me tenha parecido um mero hospital. Porque meu sonho apresentou essa dualidade de contexto e configuração?

Em princípio chama-me  a atenção  que mesmo em uma situação de confronto a sua referência cada vez fica mais fortalecida  em você mesma, no seu eixo. A força do outro diminui presença na determinação do que você pensa. Você evita dar trabalho, mas se condena como muito custosa. Contradição? Ainda existe esta estima comprometida. Mas sua negação e recusa frente à ameaça indica a tomada de posição, firmeza, escolha, a manifestação do seu incômodo. Você se coloca e coloca a cara à mostra. A bebida envinagrada me lembra do cristo crucificado, com sede, sendo saciado com vinagre. Possivelmente sua atitude é de sacrifício.

Espero que as leituras feitas aqui neste espaço não a tenha levado a se acreditar sem chão, ou incomodada com as conclusões. Você pode não ser melhor do que outros, mas com certeza não é a pior das pessoas. A tônica do sonho parece-me a disfunção da memória. A memória é a referência do que somos, de onde viemos, e sem essa referência tendemos ao perdido, vagando no presente, sem passado e sem futuro. O sonho reforça a ideia da importância do Foco, da atenção, da ligação em você, no mundo e na sua história.

E quero crer que sua questão é a busca de suas referências. O antes significou a perdição e o presente significa a tomada de consciência do sanatório que construiu na sua vida. E essa consciência é o inicio do caminho da tomada  em suas mãos de sua vida.

CONTURBAÇÃO


CH98


Essa noite sonhei que caminhava tranquilamente por um parque muito agradável quando resolvi mudar de caminho passando pelo meio de um milharal seco já tombado. Eu peguei um caminho estreito, a esmo e meio deserto, mas acreditava que fosse sair no mesmo final da trilha de caminhada do parque. Havia vários caminhos paralelos seguindo na mesma direção por mim escolhida, mas ao invés de sair onde supunha (aonde sempre chegava conforme costume por seguir sempre no mesmo caminho), tive de atravessar varias linhas de trens que vinham com total velocidade. Vi-me no meio de um caos inesperado. Além dos trens também tinham muitas carretas e os trilhos se misturavam com a avenida ao lado. Fiquei no meio deles fugindo ora para um lado e ora para outro. Quando consegui atravessar fiquei incrédula de ainda estar viva. Depois eu já estava deitada de bruços no topo de uma construção e via as pessoas voarem, inclusive passando pelo meio das copas das árvores. Eu estava com medo de cair dali, pois achava que não conseguiria voar também. Era como se eu estivesse viva, ou seja, com um corpo mortal, fazendo uma visita a um plano espiritual. Embora o topo da construção não fosse muito alto e houvesse esse medo de cair, estar lá era como estar nas nuvens. Não lembro direito, mas houve um momento em que pedi o beijo de três meninos (deviam ter de quatro a cinco anos) que estavam com o pai. Minha única intenção era demonstrar meu carinho e recebê-lo também.

Este é um bom retrato da vida, quando pensamos que estamos trilhando caminhos tranquilos nos descobrimos no olho do furação, no meio do turbilhão. E se não ficarmos focados naquilo que a vida exige corremos o risco de sucumbir frente ao impacto devastador da realidade ou das realidades.

O sonho soa, para mim, como um retrato cruel da realidade em que vivemos. Poderia considerar como fuga, como escape da realidade ameaçadora, mas não me parece. Posso compreender que a sensibilidade leva os sensíveis ao comportamento de evitação, mas a realidade exige de todos precisão nas atitudes e nas escolhas para se desvencilhar dos perigos e das ameaças da vida.

Você é levada de um nível baixo de tensão para o mais elevado, aquele que envolve risco de vida. Do relax para a alta tensão que lhe exige PRONTIDÃO (atenção, resposta, percepção da realidade, agilidade). Certezas, nem sempre indicam segurança, podem indicar limites e favorecer o conformismo. Nada nos garante que viveremos amanhã aquilo que projetamos, ao contrário, mais certa é a possibilidade de que amanhã iremos nos descobrir em algum lugar que nunca imaginamos ou sonhamos.

Voar em geral é associado a fuga de realidade e suspensão. Mas ficar no alto olhando outros voarem é atitude de observador, que percebe o peso do corpo, o peso da realidade, das forças que atuam em você. E os beijos já indicam mudança de atitude no comportamento e nas relações e interações. O afeto espontâneo. Belo sinal de transformação e mudanças.

terça-feira, 22 de junho de 2010

SAGRADO E PROFANO

CH 96
Sonhei que estava num recanto ao lado (ou aos fundos) do que parecia ser uma oficina de conserto de algo (não tenho certeza disso). Eu fechei o portão de ferro enferrujado e tentei encontrar alguma manga das que estavam caídas no chão, mas elas já estavam em processo de apodrecimento. Eram mangas da casca amarelada. Nisso, ainda agachada procurando uma manga boa, vi que havia alguém me olhando por baixo do portão. Peguei uma das mangas meio podre (não havia nenhuma boa) e joguei na direção como se dissesse 'quer manga, tome isso'. Como notei que a pessoa não saiu de trás do portão, ou seja, não parou de espiar-me nem com a manga podre que lhe joguei, fui na direção do portão e abri-o constatando que ali estava apenas uma cabeça e, embora pareça absurdo, ela parecia viva, mesmo que também em estado de apodrecimento. Fiquei um tanto com medo, mas pensei comigo que apenas uma cabeça não me faria mal algum e com um misto de revolta chutei-a varias vezes torcendo para que a alma dela nunca me encontrasse. Desprezei aquela cabeça com raiva. Depois eu já estava num local donde houvera tido um acidente e, embora não tenha visto, tive a impressão de que alguém, talvez uma criança, morrera atropelada. Havia uma mulher chorando muito e uma multidão de curiosos. Embora tranquila por não ter ligação direta com a cena, fiquei chocada pela dor que o momento e o fato expunham.
Por fim, pouco antes de acordar, sonhei que ia escrever algo no computador quando abri uma propaganda de dança do ventre ou de artigos para tal. Varias moças apresentaram dançando em imagens rápidas e dentre as belas roupas e adereços, fiquei atraída por uma de veludo estampado em tom verde musgo com pedrarias grandes. Para mim todas as roupas eram lindíssimas e foquei na verde porque ela combinava com a decoração do local e havia um tapete cuja estampa tinha daquela mesma tonalidade de cor. Essas são as pequenas lembranças que tive dessa noite.

No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. Gênesis 3:19

Os sonhos, por vezes, nos permitem traduzí-los numa mensagem. Além de sua possível significação, que se referencia em critérios. Ultrapassa o formal. Neste sonho por exemplo me permito traduzir-lhe numa mensagem que me veio de imediato:

A Dinâmica de expansão do universo nos coloca num sistema inexorável e impermanente, que divinamente anunciado pela religião e contextualizado cientificamente por Lavoisier que enunciou o princípio de conservação da matéria: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

No sonho você esta defronte à matéria orgânica em transformação, não apenas uma fruta ou uma cabeça, mas o que você é, o que nos somos. Matéria em transformação permanente. Hoje vivo, amanhã putrefato. Porque o desprezo? Porque a raiva? Negação deste destino trágico a que estamos submetidos.

Somos finitos, nascemos, vivemos e seremos, quando não pulverizados, transformados.

Se não nos transformamos naquilo que desejamos ou sonhamos, se não nos aprimorarmos, dia chegará em que a transformação definitiva finalizará aquilo que ansiamos conservar. Se aprimorarmos o que somos ou se não aprimorarmos, o fim será definitivo para todos. O que então muda? Porque então a busca do aprimoramento?

Se nos aprimorarmos temos mais chances de realizarmos uma jornada da vida mais harmoniosa, ou mais realizada, consistente e construída em bases e princípios universais.

Se não nos aprimorarmos, escolhemos a negação da impermanência, contrariamos os princípios de expansão do universo, sintonizamos o principio da retração, ficamos prisioneiros da negação, do retrocesso, da energia densa e bruta.

Portanto, elimine, se existir, os excessos: o controle presunçoso; a arrogância; a petulância dos egocentrados; a raiva dos desesperados; os medos; a ansiedades; o domínio; todo o excesso que carrega nos ombros. E principalmente purifique seu coração, tenha piedade e se afaste do mal. A maldade é viva e contamina. Purifique seus pensamentos, escute seu coração e busque o simples, o autêntico, a generosidade, a bondade, a amorosidade e caminhe em sintonia com o universo, o melhor de sua vida. E caminhe em direção à luz, e tenha compaixão e busque aplicar seus sonhos que na realidade seus sonhos, suas esperanças e pratique o que gostaria que praticassem com você.

É simplismos acreditar que não seremos encontrados. Todos pagam pelas consequências de seus erros. Não há escape para os equívocos, há apenas a conquista e a harmonia para os acertos. Para esses, a vida como que oferece a compaixão, negada para os que escolhem a escuridão. E cuidado com o “Belo” ele pode encantar pelo imediatismo, pelo foco estético, e cegar pelas aparências.

A imagem Visual ou Sonora pode esconder o que nos aprisiona, as amarras das quais precisamos nos libertar.

O sonho revela a sua forma de responder à essa dinâmica, profanando o sagrado, pois morto ou acabado. Ou sacralizando o profano com o simplismo dos descompromissados.

Veja: quando se defronta com a cabeça a desconsidera como representação de uma vida, de uma história, mas ao ver a mulher sofrida se condói, pois consegue enxergar a dor da perda. È capaz, a partir do lamento, de abstrair e compreender o sofrimento, mas deixa de perceber o sofrimento quando há silêncio na dor. Ou seja, sua visão só se completa quando associada ao lamento sonoro. Em leitura anterior relatei sinal de que fosse mobilizada pela visão. O inconsciente mostra que a audição é seu foco seletivo, a sua audição, o estimulo sonoro mobiliza sua compaixão e seus pensamentos de forma imperativa. É necessário que passe a pontuar seu pensamento para despertar outros sentidos e emoções.

Não podemos esquecer que os sons são imagens ou evocam imagens, tanto quanto imagens evocam sons.

É uma boa hora de rever seus conceitos idealizados e de passar a aplicá-los no seu dia a dia.

sábado, 19 de junho de 2010

DESÍGNIOS



CH93

Assim que comecei a dormir, parece que no estado de torpor da consciência, sonhei que estava incorporando (naquele momento mesmo de sono) por algo desconhecido como se fosse uma força estranha e forte que eu temia, talvez por não saber se teria controle sobre o que estava se passando comigo. Senti calor e parecia estar acordada mesmo dormindo, pois podia enxergar mesmo de olhos abertos. Acordei com a sensação de pavor experimentada por relutar com tal força que parecia eclodir de mim ou para dentro de mim.

Seria vivencia transpessoal? Saída do corpo astral? Quem avançou na pratica meditativa sabe que a transparência do mundo é real. A física fala nos espaços que existem entre os átomos, e Lao Tse já anunciava (Tao the king) há mais de 3000 anos antes de cristo a Invisibilidade do mundo. Mas mesmo assim a experiência pode assustar os incautos, ou os que tentam manter o controle do mundo em suas cabeças. É como disse William Shakespeare: Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã philosofia.

Depois de voltar a dormir sonhei com um casal de gatos e um gatinho filhote. Nisso olhei ao lado nuns trapos e meio escondido encontrei uma outra gata com um monte de gatinhos recém-nascidos que mamavam. Estranho que achei aquilo nojento ou repulsivo e me afastei, algo que com certeza não faria na vida real. A gata com os gatinhos eram de cor cinza rajado e os filhotes estavam tão pequenos que me pareceram ratinhos. Eis a recorrência dos mesmos animais.

O que foi que achou nojento e repulsivo? Os gatinhos mamarem? A ninhada esfomeada enroscada nas tetas? A gosma do líquido amniótico? O cenário? Não sei se a referência a “nojo”, a repulsão, é ao incomodo causado pela animalidade, a reprodução animal, a fome ou a carência dos bichanos, ou se essa repulsão é apenas a projeção da rejeição que aprendeu a refletir.

Penso em duas variantes:

1. Sempre que saímos da fantasia para a realidade precisamos de fortalecimento de nossa resistência mental e sensorial para suportar o impacto da realidade. Neste aspecto, quanto mais diferenciados somos menos repulsão ou nojo sentimos e o oposto é verdade, quanto mais indiferenciados mais são os estímulos que puxam para a realidade terrena e sensorial mais despertam essa repulsa.

Paradoxalmente, esta reação pode ser indicativo de estado, ou nível, de maturação. Quanto mais maturados mais o sistema nervoso resiste ao impacto de realidades “repulsivas” e quanto menos maduros mais o estimulo é capaz de mobilizar reações psico somáticas de descarga ou enjoo.

Muitas vezes não ocorrem respostas somáticas e as respostas são apenas defensivas, já que apenas imagens (nível visual) já podem produzir a resposta negativa, a repulsa e o afastamento. Neste caso uma única imagem é capaz de evocar estímulos associados ao negatico: Cheiro; Liquido pegajoso; Gosmento; Sensação de sujeira, etc. Assim o estimulo visual mobiliza a propriocepção e o sujeito, mesmo sem contato físico, age como se imerso ou inserido no contexto – na indiferenciação.

Você indica: “algo que com certeza não faria na vida real”, Mas conta a postura. Há atitude de repulsa em relação à realidade? Em relação à sua forma de interagir com as pessoas ou com os acontecimentos.

É necessário fortalecer sua resistência aos eventos que busca evitar e que lhe levam ao ao comportamento de escape, à fuga, à evasão. É necessário aumentar essa resistência para que possa suportar os trancos da vida que ainda virão, fazendo isso você ficará menos suscetível, menos à flor da pele, com um sistema nervoso mais resistente e menos frágil. Considere essa mensagem.

Por fim sonhei que conversava com uma mulher que estava incorporada com uma entidade que provavelmente deveria ser de uma pomba-gira, mas ela não era espalhafatosa e tinha um jeito sério de falar. Eu não entendia direito o que ela falava por causa de seu linguajar. Ela falava que eu não podia passar para (ou por) debaixo da terra sem cumprir alguma coisa. Na minha cabeça eu raciocinava o meu desejo de um envolvimento conjugal, mas não entendi se ela estava falando disso e nem sabia se passar para debaixo da terra se referia a morrer. Imaginando e querendo que aquilo tivesse ligação com a preocupação que eu mantinha em mente sobre a possibilidade de um futuro envolvimento amoroso, tentei descobrir do que ela estava falando através da seguinte pergunta: 'mas como eu vou conseguir isso?' Ela respondeu: 'você consegue tudo o que quer' e calou-se como se tivesse dado todo o recado. Disse-lhe que nem tudo dependia apenas do querer e perguntei se eu não teria uma ajuda do destino, mas nisso chegou um homem também incorporado e ambos começaram a conversar de forma que acordei ficando sem uma resposta. O que me diz sobre essas lembranças?

Quanto mais avançamos nossa compreensão da linguagem dos sonhos, quanto mais consideramos o nosso universo interno, mais ele se ordena e mais nos aproximamos de um diálogo com o nosso inconsciente. Os sonhos tendem a ficar menos assustadores, pois os conteúdos vão se realizando na sua dinâmica de transformação e as mensagens mais claras são como sinalização de que a psiquê se ordena. Só podem se comunicar os que têm disposição e disponibilidade para empreender um diálogo, e para isso é precisso escutar, refletir, comunicar. É necessário entendimento, e quando a consciência faz seu movimento e mostra sua disponibilidade o inconsciente também mostra sua tendência voltada para o encontro e sua linguagem também se transforma, amadurece.

É o caso desse sonho, a mensagem é o que é: “Ela falava que eu não podia passar para (ou por) debaixo da terra sem cumprir alguma coisa. ...'mas como eu vou conseguir isso?' Ela respondeu: 'você consegue tudo o que quer' e calou-se como se tivesse dado todo o recado.”

A maturidade é a resultante da configuração de inúmeros eventos psíquicos, entre eles a mudança de postura, de atitudes, de escolhas, de referências, da consistência dos princípios pessoais diante da realidade.

Todos somos capazes. Conquistamos o direito à vida e temos que honrar os compromissos diante dela. A vida não nos pertence. Por isso precisamos “dizer a que viemos” e cumprir com nossos desígnios.

A mensagem é essa: Cumpra e realize os desígnios de sua vida. Pare de esperar tudo nas mãos. Corra atrás da realização desses desígnios. Cresça. A lei básica é essa: Nascer, crescer, se desenvolver, amadurecer e morrer em paz. Enquanto ficar fixada na realização do sonho de casar você esquece que precisa se tornar uma mulher adulta, capaz de cuidar de si e de dirigir a sua vida. Cumpra se destino.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

PROJEÇÕES

   



           
CH 91
Depois sonhei que eu estava andando em um parque com minha mãe quando ela viu um homem de meia idade segurando uma grande fruta verde amarelada. Ao aproximar ele mostrou varias outras no pé não muito alto e descobrimos que eram abacates. Eles eram do tamanho de uma bola de futebol, embora houvesse outros menores e mais verdes no pé. O homem deu a fruta que segurava para minha mãe e nos levou até um coqueiro donde retirou vários cocos para nós. Eles já estavam com a casca escura e pensei que a castanha deveria estar bem grossa, no ponto de ser saboreada. Não lembro se cheguei a ajudar minha mãe a segurar as frutas, mas creio que sim. Nisso veio um segurança com ar irritado, mas o homem não se intimidou dizendo que tinha permissão para fazer o que estava fazendo. Também me lembro de estar jantando à mesa com minha mãe, sobrinha e um menino (de nove ou dez anos) que no sonho era meu sobrinho adotivo. Haviam outras pessoas também, mas não sei quem eram e nem lembro quantas exatamente estavam ali. Não sei sob qual motivo disse-lhe brincando que falaria para minha irmã devolvê-lo. Ele ficou emburrado (não aparentou estar com medo, irritado ou triste, mas apenas emburrado comigo). Desfiz a fala dizendo que estava brincando e que minha irmã não o daria nem mesmo a nós (tia e mãe). Nisso a minha sobrinha pediu para falarmos mais baixo e alguém comentou que ela fazia aquilo igual a mim quando criança: uma vez que não conseguia se meter na conversa dos adultos, fazia o possível para atrapalhá-la. Não lembrei do fato, mas fiquei surpresa por descobrir isso de mim mesma. Nós não estávamos falando tão alto, mas não senti que ela com seus três anos estivesse fazendo aquele pedido por más propósitos. Era como se a conversa não estivesse lhe agradando ou como se ela estivesse mal por algum motivo. Para mim o educado pedido não era uma atrapalhação, mas talvez uma suplica de atenção pela não interação. Talvez cada um tivesse um palpite e nenhum deles coincidisse com o verdadeiro motivo da criança.

O inferno está cheio de pessoas bem intencionadas ou com bons propósitos.

Boas frutas, bons frutos, carnudos, suculentos. Como já disse, em algum momento, é o símbolo da cornucópia da vida, símbolo mitológico da fortuna, da riqueza e de felicidade.

O sonho reforça a ideia contida no último, com alguns acréscimos que merecem um olhar, e o reforço sistemático na projeção:

1. Há projeção na intimidação no momento de prazer e usufruto. A intimidação projetada, agora, na figura masculina que serve como blindagem para a sua proteção. Esse é uma das características dos conteúdos masculinos na psiquê feminina.

Essa blindagem é o fortalecimento da capacidade de assimilação de impactos da realidade sobre a sensibilidade feminina, do principio de realidade, da lógica masculina, da capacidade de responder à realidade sem sucumbir ao impacto de ameaças, diminuição do pensamento fantasioso ou mágico, etc.

É verdade que a postura firme e protetora pode ser uma compensação de sua necessidade de proteção pela figura masculina. É o que de imediato podemos pensar. Mas quando penso na dinâmica do seu inconsciente, sinto que é mais plausível como resultante da incorporação à dinâmica da psiquê dos conteúdos que antes afloravam de forma ameaçadora. À medida que você vai incorporando e abrindo espaço para agregar conteúdos de origem de sua alma masculina à sua vida, os conteúdos antes ameaçadores afloram como proteção, pois ampliam a construção de seu projeto pessoal como personalidade e aparece como sinal de seu movimento de transformação e maturação.

Você não precisa ser homem, mas integrando masculino ao feminino favorecerá o processo de desenvolvimento de sua individualidade. Se não integrá-lo favorecerá a divisão, conteúdos distintos produzindo conflitos de interesse e lhe deixando no meio de um cabo de guerra.

Por isso no primeiro momento o sonho é como um reforço da ideia contida no sonho anterior.

A presença da culpa que, intrinseca, aflora em situações de prazer pode estar ligada à escolha do papel de vítima. Como vítima você promove a incompatibilidade com o prazer, já que vivendo o prazer deixa de sustentar a justificativa como vítima sofredora, no sacrificio. Esta é a armadilha que vivem os que escolhem o papel de vítima: precisam renunciar ao prazer, já que vivendo o prazer precisariam renunciar ao papel de vítima. Assim se escolhem o papel de vítima acabam se tornando vítimas delas mesmas, ainda que queiram imputar ao outro a responsabilidade pelo que vivem.

2. Há projeção da rejeição na criança. Novamente vemos o mesmo mecanismo aparecendo. Aquilo que estava introjetado e agarrado como gosma, agora já aparece projetado no outro, no órfão símbolo do abandono e da rejeição. E você ainda se permite a morbidez ameaçando rejeitar o rejeitado (veja que isso reforça a conclusão do parágrafo anterior). Ele é você com seu emburro, seus caprichos ou suas dificuldades, quando não consegue, como narcisista, ser o centro das atenções, se impinge a rejeição. Mas sua dinâmica muda, o sentimento de rejeitada já aparece em forma de elaboração, de transformação, projetado no conteúdo representado, mas já diferenciado.

Quando tomamos consciência de nossos jogos infantis, podemos abrir mãos deles. Eles já não se prestam aos novos momentos.

E essa consciência aparece denunciando a menina que chama a atenção para si. Quando não consegue participar, egocentrada e manipuladora, objetiva concentrar a atenção nas suas carências, como pedinte de atenção. A criança é bem intencionada, e o que você quer acreditar, se justificar na sua inocência, mas levando essa atitude para a vida adulta, renuncia à independência e acaba se percebendo rejeitada quando não consegue controlar todos os eventos e exigências da realidade, e quando não consegue estabelecer níveis de interação adequados à sua vida enquanto adulta.

O VISGO DOS CONTEÚDOS AUTÔNOMOS.


CH92
Por fim sonhei que eu era preferida e minha irmã (não era a irmã real que tenho) era preterida por quase todos. Eu gostava disso mesmo sentindo pena dela, e pensava que era seu jeito irônico que fazia as pessoas não gostar dela e, portanto, a culpa era toda dela. Em verdade real eu sempre me senti preterida perto da minha irmã por achá-la mais auto-suficiente do que eu. Eis as lembranças dessa noite.

Para finalizar o ápice da projeção, a rejeição projetada na sua irmã, você ocupando o lugar dela e a condenando à tragédia do destino que se impõe. Ao não se espelhar nela como modelo, você escolheu o caminho da amargura e da disputa, o caminho desconstrutivo, o caminho de ressentida, de magoada.

É a pena que sempre sentiu de você mesma. Esta é sua realidade, seu processo de autopiedade que carrega a tantos anos nas costas. Suas amarras. É o que sua Psiquê anseia superar, para que você possa se libertar dessa armadilha emocional que conduz ao sofrimento, à insatisfação, à infelicidade e à eterna infantilidade.

O VISGO

Esses fatos que nominei de projetivos, e que se repetem em três momentos, são uma consequência do desprendimento, liberação, de conteúdos ou resíduos, que como Visgo, se mantinha vivos como conteúdos autônomos que se manifestam na consciência em forma de conceitos (pensamentos), imagens e induzem o individuo a comportamentos (emocionais e sentimentos, afetos). Quando conseguem essa insurgência à consciência, eles favorecem a liberação de energia que necessitam para manterem-se vivos e para serem incorporadas permitindo-lhes manterem-se como conteúdos autônomos.

Por isso quando através da consciência, temos uma individualidade consistente, que não abre espaço para atividades mentais descompassadas ou descompensadas, esses conteúdos não conseguindo interferir no comportamento, não conseguem a liberação de energia que os mantêm vivos, assim, ou se dissolvem em resíduos que serão agrupados a outros conteúdos, ou passam a formar novos conteúdos que serão incorporados à consciência, ampliando sua maturação.

terça-feira, 15 de junho de 2010

TRIÂNGULO AMOROSO


CH 89


Tenho sonhado bastante com minha mãe e irmã em situações desgastantes donde, ora minha mãe está do meu lado, ora fica do lado da minha irmã contra mim.

No primeiro caso sonhei que minha irmã estava dentro de um quadrado de vidro, mais ou menos posicionado na altura do ombro de minha mãe, e lá de dentro ela dizia algo que não lembro o que era. Só recordo da minha mãe lhe respondendo que o mesmo bem estar que ela me proporcionava enquanto mãe, eu também proporcionava a ela enquanto filha.

No segundo caso, minha irmã houvera chegado de viagem e junto com minha mãe foram para meu quarto. Eu queria dormir, mas minha irmã deitou-se na minha cama e ficou lá toda tranquila. Enquanto visitante não quis mandá-la se retirar do meu quarto. Nisso ela e minha mãe começaram a fazer um monte de perguntas tão tolas que eu nem sabia o quê responder.

Parece um sonho pequeno, mas não teria pesadelo pior para mim do que desse gênero. Geralmente os sonhos com minha irmã são bem desagradáveis, inclusive os que minha mãe se coloca no meio como defensora minha (o que faz eu tornar-me uma criança indefesa), e acho que daria para contar nos dedos da mão a quantidade de sonhos bons que já tive com ambas.

Por quê minha irmã é a minha assombração onírica?



Veja a frase do primeiro sonho:

“Só recordo da minha mãe lhe respondendo que o mesmo bem estar que ela me proporcionava enquanto mãe, eu também proporcionava a ela enquanto filha.”

Este é o retrato das relações interpessoais, o intercâmbio a troca. Um sujeito interfere no outro, um acrescenta ao outro. Ambos são importantes e a relação só existe como opção mútua.

Como é há indicação que sua relação simbiótica com a mãe não foi superada ou abandonada, é natural que exista uma competição com sua irmã, ou dela com você pelo seu estado emocional possessivo, e ela é a assombração que você criou. Mas me falta dados para avaliar esse triângulo familiar.

No segundo sonho sua irmã e sua mãe aparecem como invasoras do seu espaço privativo.

Você age como uma criança defensiva, não indefesa, incomodada. Não se manifesta, pois suas intenções são obscuras. São relações afetivas complicadas na sua vida, relações que não se realizam. E não se realizam porque você continua a agir como vítima, carente e dependente.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

VAGINA EM FOGO


CH 84
Essa noite acordei várias vezes e sempre com a cabeça cheia de lembranças oníricas. Tive sonhos bons, outros que não lembro e um que me pareceu uma extrema aberração, mas já estou achando todos os sonhos muito válidos, pois analisando-os compreendo que o importante é o que eles têm a dizer e não a sensação em si que me provocam.

Vou começar por esse que pareceu uma aberração: eu queria acordar e não conseguia. Só que não foi um daqueles sonhos de costume donde tenho a sensação de que quero acordar de verdade e inclusive acordo no final. Em tal sonho era como se eu também estivesse dormindo noutra dimensão e fosse apenas nela que eu quisesse acordar (e não na dimensão da realidade, pois nesta eu não sabia conscientemente que estava sonhando). No meio do meu desespero para acordar, veio alguém e me mandou beber água enquanto eu passei a achar que estava falecendo ou que ainda iria de fato morrer. Eu bebia e tentava arrotar como se estivesse inchada de ar. Meu coração batia tão forte que eu me sentia um tambor sendo utilizado e, uma vez sem camisa, sentindo pela mão o peito pular, nitidamente dava para constatar que eu era um homem ou estava num corpo masculino. Era como se eu estivesse sofrendo um ataque tipo convulsão ou sei lá o que poderia ser. Nisso eu desisti da ideia de acordar (já que não adiantava a mera vontade) e fui obrigada a vencer o temor da morte. Tinha momentos que eu parecia não conseguir respirar direito e pouco conseguia mover os membros superiores. Fiquei me contorcendo inteira sobre a cama até que peguei no sono outra vez. Nisso sonhei (já não é a primeira vez que tenho sonho dentro de sonho) o que jamais poderia supor que um dia sonharia: veio um cachorro (eu não o vi, mas podia senti-lo) e eu subi em cima dele e praticamente o ataquei sexualmente. Nessa parte eu já era mulher normalmente e só não pareceu um estupro canino porque ele parecia gostar também. Ao acabar o ato, não sei se eu também fui acordando do sonho ou não, consegui visualizar o cachorro: era um rottweiler preto. Ainda esfregando as partes intimas do animal, mandei-o ir chamar seu pai, pois eu estava precisando dele também e pensei comigo 'o material dele é bem melhor do que o seu'. Eu não me referia ao pai cão biológico, mas sim ao seu dono que no sonho pareceu ser meu marido, o qual estava chegando com as compras e, embora sem ver, eu sabia ser um homem malhado e tão forte quanto o porte do cachorro.

Embora seja super esquisito, no sonho eu me sentia potente e gostava daquele prazer que não estava envolvido pela minha dose natural de carolice. Não sei por que, mas vendo o sonho por fora dele, essa sensação de domínio um tanto agradável parece estar sobre uma base de indiferença para com os sentimentos alheios, o que me espanta e talvez me bloqueie. Em verdade sempre admirei e desprezei ao mesmo tempo essa postura autoritária de quem decide, ordena e realiza a liderança. Estou com conflitos nisso? Será que eu tenho essa fome sexual e não sei por não me permitir ou por não assumir conscientemente? Por que no sonho eu deixei vir à tona minha parte de mulher líder, insaciável e libidinosa?

Devido à complexidade do sonho focarei apenas alguns aspectos para evitar equivocos e o simplismo, considerarei em “tese”, e não afirmativamente.

A primeira parte do sonho parece sinalizar conteúdo de origem histérica, uma convulsão histérica. Apesar de você não apresentar um quadro clássico de neurose histérica, há núcleos, existem núcleos já detectados em sonhos anteriores, que ainda podem existir, ou que não tendo sido pulverizados ou integrados ainda se manifestam numa tentativa de se manterem vivos como núcleos autônomos com poder de interferência na personalidade.

Em segundo lugar, pode ser um movimento excepcional do inconsciente de reordenação mostrando que existe uma força de conteúdo masculino na sua origem, que independente de seu poder de controle, limitado, ocupará seu espaço devido, e realizará seu movimento para se manifestar. Já vimos anteriormente essa indicação. Mas nesta parte do sonho essa força obsessão, como que incorpora e ocupa o comando do corpo independente de suas fugas, sua evitação, seus escapes, suas artimanhas. Esse poder, essa força supera os orgulhos, a moralidade excessiva, os limites da repressão, a moral religiosa, a sociabilidade padrão, os princípios legais e sociais. Incorpora o corpo e assume o poder de seu comando.

Já lhe indiquei que possivelmente se realiza a repressão de seus desejos sexuais você tenta bloquear uma força poderosa, que, se manifesta, será projetada de forma incontrolável ou provocando desvios de comportamento não tão padronizados ou aceitáveis.

O seu poder de controle falha, quando supostamente “desiste” do comando. A força da natureza não pode e não deve ser subestimada. Se não desiste do combate você sucumbe, será reduzida, subjugada.

No momento seguinte o masculino incorporado se manifesta na explosão do desejo sexual incontrolável, ainda que no corpo de mulher.

O cão é historicamente associado à morte (como guia dos mortos), aos infernos, ao mundo subterrâneo, aos impérios regidos pelas divindades Ctonianas ou Selênicas. Está ligado aos elementos terra e água, tem significação sexual, divinatória e a conteúdos arquetípicos de inconsciente. Alem de guia dos mortos na noite escura, é intercessor entre as múltiplas dimensões, entre os múltiplos mundos inferiores e superiores. Símbolo da potência sexual, sedução e do apetite sexual é notório animal compulsivo sexual.

A imagem é a de que sua força sexual subjuga a força potente do “Canis Lupus” e a supera. Neste caso se você subjuga sua força, ela aflora como pulsão Yang, masculina e “descontrolada”, já que projetada de forma “animal”.

Há novamente evidência de dificuldades para lidar com essa sua natureza.

Você não fez referência, mas houve orgasmo? Ou foi só a manifestação do Fogo?

“Será que eu tenho essa fome sexual e não sei por não me permitir ou por não assumir conscientemente?”

Voce merece se responder. Eu tenho a imagem, você possui o corpo.

“Por que no sonho eu deixei vir à tona minha parte de mulher líder, insaciável e libidinosa?”

Ela está dentro de você. Você pensa que tem esse poder de deixar ou não vir à tona essa mulher poderosa. Você não o tem. Aprenda a administrar essa força sexual, a força do seu desejo, para aprender a ter domínio sobre si mesmo. Mas, principalmente,

APRENDA A SACIAR SEU DESEJO

PARA PODER CONHECER SUA FOME.


VAGINA GELADA



CH85
II- No segundo sonho eu estava chegando num local de neve e, como nunca estive num local desses, fiquei admirada e feliz. Eu ia fazer umas fotografias profissionais e estava numa especie de turnê. Do local donde eu estava, o qual parecia a sacada de uma construção subterrânea coberta de neve, eu podia ter uma vista linda e também teria boa parte do dia de folga para passear pelo local.

O tema se contrapõe à fornalha sexual do sonho anterior. Pode ser referência a uma noite fria ou à repressão e contenção sexual. Se o sonho foi sequência do anterior, uma baixa de pressão, tipo hibernação, após a força do sonho anterior, o esfôrço, o gasto energético é significativo. Tendo a considerar apenas o universo sensorial determinando as sensações e a vivência.

III - No terceiro eu e minha mãe havíamos ido a um local de umbanda, mas não ia ter atendimento naquele dia e, voltando para casa, reclamei dizendo: 'está vendo por que não gosto desse lugar, é desorganizado, não havia as coisas com antecedência. Já pensou se eu houvesse trazido os materiais? Até o dia de atendimento já teriam se estragado e eu teria de trazer tudo outra vez'.

Neste sonho você pontua sua mãe, cobra dela mais atenção, organização. Mostra-se atenta às exigências da realidade e aos compromissos. É a sua postura? Ou voce se corrige e se compensa? A postura é ativa e não mais a passiva que gosta de ser conduzida, mas é castradora e exigente. Papéis trocados, a filha fazendo o papel da mãe e a mãe fazendo o papel de filha. Você cobra de sua mãe um comportamento que não é capaz de praticar? Ou essa é somente sua forma de conduzir sua mãe? Reflita sobre a relação e sobre sua conduta.

IV - No quarto sonho, minha sobrinha adotiva era minha filha e alguém comentou que eu poderia ter tido ela sem me lembrar. Interessante que a minha irmã nem apareceu no sonho. Pensei na possibilidade da minha gravidez, uma vez que eu a sentia de fato como minha filha, mas como eu iria ter um surto de esquecimento de nove meses ou mais? Estariam todos escondendo isso de mim ou todos teriam tido o mesmo surto de amnesia do passado?

Avalie a relação com sua sobrinha e as consequências em você da gravidez de sua irmã. Você a invejou? Como viveu a gravidez dela? Você a critica, ou a julga, enquanto mãe? Ou você realiza a maternidade na maternidade de sua irmã? Essa é uma forma de compensar aquilo que não consegue realizar.

V - No quinto eu estava num local donde iam tirar minha medida corporal (não sei exatamente para quê). Nisso a mulher mediu e disse que eu tinha corpo de dezesseis anos. Confessei que eu me sentia bem mais nova do que a minha idade natural e, por certo, isso tinha reflexos no corpo em si também. Pensei que essa deveria ser a minha idade de maturação interior. Daí comecei a dançar com um senhor e não recordo o resto.

È essa a sua idade mental? Você se comporta como uma adolescente nessa idade? Já vimos em sonhos anteriores dessa fixação na adolescência quando optou renunciar à libertação evitando seu amadurecimento, ficando na barra da saia da mamãe. O corpo já não é de uma menina, a idade é inevitável, dançando com o mais velho o corpo mostra que se equivale. A personalidade não amadurece, mas o corpo envelhece. Quando o individuo escapa de sua maturação resta a personalidade infantil no corpo envelhecido. Escolha infeliz.

VI - No sexto eu andava por umas ruas desertas na noite escura e tocava um instrumento que parecia um bumbo. Eu parecia saber tocar aquilo e me divertia nas modalidades de sons que os batidos diferentes produziam. Eu estava bem tranquila quando apareceu um militar e me deu fuga de um monte de indígenas (ou talvez alienígenas) que foram aparecendo por causa do barulho. Deixei de tocar o instrumento e andei rápido toda receosa. Fui para um barraco que parecia ser minha moradia e a todo momento conferia na rua se não havia nenhum dos seres estranhos vindo atrás de mim.

Essa parece a sua tônica, quando encontra o prazer se vê obrigada a se refugiar para escapar das ameaças advindas da consequência do que pratica realiza. O medo reaparece associado ao seu desejo de prazer. A justificativa para a defesa é a ameaça alienígena, indígena, estrangeira. O militar neste caso é a figura da autoridade que protege, ou que reprime? A cobrança surge disfarçada de autoridade para lhe proteger das ameaças, e você se refugia, temerosa, recolhida em sua casa.


MELANCOLIA PÓS SEXO


CH86

VII - No sétimo eu estava num local com várias piscinas que ficavam a muitos metros abaixo do nível donde eu pisava. Havia uma moça e alguém tentava pegar a cabeça dela por uma espécie de pinça gigante. Só que, de repente, ela resolveu pular e todos ficaram preocupados e bravos, pois não era para ela ter feito aquilo. Nisso eu passei por uma espécie de portal e fui para outra parte de piscinas. Sentei-me numa janela redonda cujo vidro estava vedado e lá fiquei encostada nesse vidro. O local era levemente escuro e eu parecia muito triste, mas não sei por qual motivo. Nisso apareceram os cantores Zezé de Camargo e Luciano que passaram pelo portal vindo em minha direção. Pensei comigo que eles deveriam estar procurando pela moça que havia se jogado na piscina. Fiquei surpresa quando eles pareceram preocupados comigo e me tiraram daquele local como se estivessem fazendo um resgate. Por que eles? - Eu me perguntava como se não merecesse tamanha honra. Será que eles ainda não perceberam que eu não sou aquela moça? - eu parecia não entender o que de fato acontecia. Eu me sentia muito abatida. Eles me levaram para um local mais seguro e observaram que eu tinha comigo uma tesoura metálica pequena e uma garrafa com um conteúdo verde escuro que parecia venenoso. Eles começaram a falar que aquilo deveria ser coisa de um terceiro sujeito (um homem), mas antes que eles saíssem pensando em acerto de contas, eu reagi colocando-me na frente deles e dizendo que esse tal sujeito não tinha nada a ver com o caso e que a culpa fora toda minha. Eles diziam como se esse sujeito (não lembro o nome e nem me veio à mente nenhuma imagem física) houvesse me induzido a querer um suicídio, mas eu assumia a responsabilidade dizendo que eu estava ali por minha conta própria. Além do mais, eu não associava tudo aquilo com um suicídio, mas com algum grande sofrimento do qual eu estava naturalmente tendo de superar. Foi um sonho muito distante, tanto que eu parecia uma outra de mim que nada tivesse em comum comigo mesma, entende?

Há a indicação de “tristesse”, angústia, melancolia, autocomiseração. A pobre menina, digna de dó, sendo salva, resgatada pelos heróis que a protegem do mundo ameaçador. É como se vivesse na fronteira onde num lado mora o desejo de ser salva e de ser descoberta pelo príncipe (cantador de multidões) e no outro mora a mulher que supera a baixa estima enquanto mira seu alvo com ânsia participar do mundo.

Não percebo tendências autodestrutivas, mesmo que todos as tenhamos. Mas se pensar no aniquilamento de sua individualidade ao evitar sua maturação, podemos considerar o boicote como uma forma de suicídio.

A baixa estima, O poder e a força do mundo, ou dessa realidade, continuam a te subjugar.

VIII - No oitavo eu estava assistindo uma apresentação da Sheila Carvalho e do Tony Sales. Eles dançavam acrobaticamente dentro de um bloco transparente feito com diversos tipos de espelhos que refletiam várias cores formando um espetáculo incrível. Acho que tal bloco era cheio de água gelatinosa.

Precisaria saber o que essas pessoas representam para você. A Sheila Carvalho parece uma mulher determinada que conquistou seu espaço e superou as barreiras para o sucesso se tornando uma Sex Simbol. Mas tem-se que considerar o que eles representam para você para extrair algum significado. Fama? Visibilidade? Sucesso? Poder de atração e sedução? Fantasia sexual? Dinheiro? Prosperidade? Determinação? Coragem? Força? Segurança? Avalie, reflita.

Por que ando sonhando com artistas de televisão? pelo sonho com Sandy e Junior sei que isso tem relevância. qual seria nesse caso? Só você para me ajudar a entender tudo isso. É o que lembro por momento.

Veja o comentário sobre Autoestima, e se quiser siga os links para avançar no tema. Bye


quarta-feira, 9 de junho de 2010

CASAMENTO


CH83
Sonhei que eu estava chegando em casa e vi meu marido abrindo o portão. Como eu estava sem chave aproximei-me rápido. Nisso conversamos alguma coisa que não lembro e eu passei a mão com carinho no rosto negro dele, dizendo que, embora não fossemos realmente marido e mulher, gostava muito de tê-lo como meu companheiro. Ele me perguntou se eu estava dizendo aquilo só por não termos envolvimento sexual. A resposta era sim, mas nem cheguei a responder, pois fiquei admirada ao perceber que ele realmente se considerava meu esposo ainda que não tivéssemos maiores intimidades. Eu não me considerava de fato casada, pois para mim o nosso casamento era apenas de aparência e houvera sido feito por conveniência de ambos. Entretanto, para ele, o casamento era real e verdadeiro independente de sexo, talvez por existir total respeito e cumplicidade. Fiquei indecisa sem saber até que ponto eu realmente era ou não uma mulher casada.

Não sei por que sonhei com isso, mas dias atrás estive me questionando até que ponto é ou não é traição um homem casado ter amizade com uma terceira mulher e só não se envolverem sexualmente por recusa dela. Parece que tanto no sonho como na vida real eu não sei até que ponto o sexo é indicativo de matrimonio ou de traição.


O SONHO
A dinâmica de inconsciente parece indicar movimentos de incorporação de conteúdos opostos, masculino e feminino. Essa incorporação, agregação não se dá de imediato e completamente na extensão dos conteúdos, eles vão se ajustando, e agregando, à medida que são acionados, ou que o sujeito é exigido. O processo é uma MetaMorfose delicada e longa. Configurações ou códigos são reescritos e novas ordenações se constroem. Neste aspecto a imagem da vivencia de casamento pode indicar essa tendência à integração de conceitos e conteúdos, a partir de mudanças de sua conduta, de sua reavaliação conceitual e de novas respostas que o individuo passa a apresentar. A realização desse encontro, masculino e feminino, é essencial para um equilíbrio emocional. Um não prepondera ou se sobressai ao outro, participam de um mesmo projeto alquimico: Você.

E como sonho compensatório o casamento, a união, realiza seus anseios, de integração, acasalamento e de vida afetiva a dois.

COMENTÁRIOS EXTRAS

As relações humanas na modernidade se definem e se redesenham em alta velocidade, um flash, ou num suspiro de interesses e desejos. Transformando a sociedade em um sistema instável, em estado de transição. Podemos ter a certeza de onde viemos, mas nunca para onde iremos parar. Por isso, os conceitos e princípios parecem relativos, mesmo que não o sejam. Relativos são apenas os nossos interesses, a forma como lidamos com essa realidade, com a sociedade em transição, em mutação. Relativa é a nossa capacidade que nos permite sermos flexíveis e desenvolvermos respostas adequadas para as exigências dessa realidade social sem sofrermos o impacto das transformações, sem que nos desarticulemos.

Muitos se refugiam na rigidez dos preceitos morais para se defender das mudanças de costumes, perdem as possibilidades de acompanha-las de forma mais tranquila e sem sofrimento. É preciso aprender a lidar com a impermanência, aceitar que as mudanças são inevitáveis e sem perder o moral, participar quando possível e saber se distanciar quando necessário. O Nosso tempo não foi o ontem nem será o amanhã, é o hoje que podemos viver, escolhendo como viver.

Assim princípios de formação da sociedade podem, e devem permanecer como referências significativas onde possamos nos remeter em situações críticas ou duvidosas.

Mas os costumes mudam com tanta rapidez que se não ficarmos atentos deixamos de reconstruir conceitos que nos norteiam apenas como referências relativas.

Definitivos devem ser os princípios básicos, que nos permitem viver em sociedade: Os princípios éticos; Os preceitos jurídicos que nos dão a referência de leis que definem deveres e direitos; Os princípios religiosos que nos acrescentam respeito ao subjetivo e ao divino, e às origens; O saber científico que pode pautar melhores escolhas a partir do conhecimento, etc.

Quanto à conduta sexual. O leque se abriu de tal forma, que há espaço para as mais variadas manifestações. Vivemos uma sociedade multidiferenciada. O que não impede o sucesso de muitos nessa areia movediça ou que outros acabem por se afogar na falta de cautela, na rigidez dos pré conceitos ou nos mal entendidos dos precipitados. Antes de tudo é preciso cautela, e bom senso para pautar sua conduta. Ir contra princípios pode ser perigoso, mas não romper o conforto da tradição pode significar inadequação à essa realidade que muito nos exige. Por isso converse e escute outras pessoas que te cercam. Apresente suas dúvidas, avalie os conceitos que emitem e cuidado com aqueles que têm muita certeza, duvide, e... Nunca deixe seu bom senso, nunca abandone sua capacidade de refletir com profundidade sobre os temas inquietantes. Evite posições apressadas. Aprenda a desenvolver seus pensamentos, seus conceitos e faça escolhas que a afastem da inflexibilidade, o caminho do meio pode ser mais sensato. Mas, atenção, isso não é ficar em cima do muro.
PS.: Os comentários em itálico são apenas para diferenciar da leitura específica do sonho.


terça-feira, 8 de junho de 2010

FRAGMENTOS I

Santuário do Caraça - MG
Visão da ala do Internato

CH 82


Gostaria que esse blog nunca chegasse ao fim... mas compreendo. Enquanto isso vou postando meus sonhos...

Hoje a noite foi longa. Embora eu não me sinta vitoriosas com relação às mudanças que pretendo realizar na minha personalidade podem dizer que meus sonhos já não são os mesmos.

Obrigado pela confiança e pela generosidade.
Seria interessante saber: Porque, para você, “seus sonhos” já não são os mesmos?

Novamente vou relatar por lembranças:
I
Na primeira eu estava participando de uma reunião num local que parecia uma escola. Estava chovendo e no momento de ir embora calcei minha meia e tênis que estavam ensopados. Não tinha como eu ir embora descalça e o jeito era ficar com o pé molhado. Como a chuva não cessava, fui conversar com a professora de educação física para passar o tempo até acabar a aula de uma colega que poderia me dar carona. Falei com a professora sobre as mudanças tidas, pois antes os alunos tinham aula de natação ou esporte, mas em tal momento, estavam tendo apenas aula de artes. Eu não considerava que artes fosse educação física e comentei que gostava da natação. Não me lembro dos detalhes da conversa, mas depois de algum tempo fui procurar pela suposta colega. No que saí por um corredor, verifiquei que não havia salas de aulas, mas sim quartos. Notei que ali era um internato e não apenas uma escola. Nisso foram aparecendo vários adolescentes e me senti perdida no local enquanto lembrava de que, quando jovem, tivera vontade de estudar num colégio interno. O local me pareceu bem interessante.

O sonho remete possivelmente a esse tempo em que aflora sua vontade ou intenção de estudar em um internato. Como foi esse tempo em sua vida? o que aconteceu de significativo? Se estivesse em um processo psicoterapêutico esse poderia ser um alvo da investigação. Pode ter sido um momento marcante que define a sua relação com o coletivo. Porque a escolha de se enclausurar, ou seria a fantasia de viver coletivamente com outros iguais que sofresse a mesma pressão, o mesmo isolamento, o mesmo cenário. Considerando esses detalhes é possível que essa vontade compensasse já naquele momento a pressão que sofria e o internato pudesse ser a busca de relações de igualdade.

II

Na segunda eu caminhava por uma feira de pássaros e tinha um passarinho amarado a uma coleira (como se fosse um cachorro). Nisso tive que passar por uma checagem de pontos e alguém disse que eu houvera sido desclassificada e não participaria da festa. Não aceitei aquilo e disse que eu pagara pela festa e ninguém me falara sobre regras de classificação. Falei várias vezes sobre a exigência dos direitos que eu tinha já com a certeza de ganhar a causa e participar da festa. Algumas pessoas do estabelecimento concordavam comigo, mas não lembro o restante.

Passarinho na coleira é elemento fora de sua natureza, passarinho fazendo papel de cachorro. Passarim que  não canta mas que late. Desconhecimento de identidade, espírito aprisionado e não identificado. Como sonho de confronto te expõe ao desafio de ter que defender seus direitos, há mudanças nessa dinâmica, na sua forma de responder, deixa de ser a agressiva brigona, ou o espírito aprisionado na corda guia para ser o sujeito que se utiliza das armas da lógica para fazer valer seus direitos. A dinâmica indica  mudança.

FRAGMENTOS II


CH 82
III
Na terceira meu pai me trouxe duas rolinhas que havia conseguido pegar no quintal. Segurei-as cada uma numa mão, mas elas queriam escapar e meu pai, junto a outras pessoas que estavam pertos, acho que minha mãe e não sei quem mais, começaram a dizer que eu não sabia segurar direito e a darem palpite. Meu pai me chamou de parva repetindo a maneira como eu deveria segurá-las. Achei chato todos quererem impor um jeito ideal e correto de segurar as rolinhas, pois, estando com as duas mãos ocupadas, ficava difícil segurá-las de outra forma. Enquanto eu pelejava para segurar da maneira como eles queriam, vi as rolinhas transformarem-se em dois grandes ratos. Continuei segurando-os com cuidado e encantada com os mesmos, ou seja, no sonho os dois ratos me pareceram tão interessantes quando as rolinhas.

A metamorfose da rolinha Franciscana em Rato. Possivelmente foi mais apropriado, adequado, em seu comportamento defensivo, ser fugidia como um rato do que ser prisioneira como um pássaro. De qualquer forma esquecendo a transformação, prefiro focar o rato nas mãos: que pode ser indício de ter em mãos sob o seu controle esse animal símbolo do submundo, da sarjeta, das sombras, pestilento, e o mais importante na situação: Defensivo; Desconfiado; Esperto; Oportunista.

O espírito jovem e ingênuo da rolinha se transforma no rato, amargo e sombrio. O rato que agora passa a ter sob o seu controle, em suas mãos, para dar a esses conteúdos o destino que escolher. Por enquanto o encanto da vitória e da descoberta.
                                                                             
IV

Na quarta eu fazia parte de uma comissão organizadora de formatura da escola e, depois de nos reunirmos para planejar várias coisas, fomos para a sala de aula. Lá foi sorteado alguns potes de sorvete e acho que isso já fazia parte de uma rifa para arrecadação de dinheiro. Havia três potes de sorvete de chocolate, que foram distribuídos primeiro, e vários de creme. O engraçado e inédito foi que um dos rapazes que ganhou comeu um pouco e depois me deu o restante. Alguém comentou que não entendia por que ele havia dado o restante justamente para mim. Eu também fiquei surpresa e feliz. Quando fui comer percebi que o sorvete em verdade era ou parecia um arroz doce de chocolate. Era gostoso, mas um tanto enjoativo. Comi um pouco e deixei com que as colegas mais próximas saboreassem do mesmo também, até que me senti satisfeita e deixei para elas. Foi um sonho muito agradável onde eu me senti prestigiada e exerci a generosidade da partilha. Embora fosse um sorteio, havia um clima de desprendimento, amizade e confraternização muito agradável. Por fim lembro-me de alguém sugerir que os dinheiros arrecadados deveriam ser empregados na Petrobras até que chegasse a organização prática da formatura em si.

Parece-me que com o crescimento e com a transformação ocorrem a descoberta e a libertação. A libertação do aprisionamento na fantasia. A criança encantada com doce, quando satisfaz o desejo se liberta porque percebe a saturação do paladar.

O desejo enquanto fantasia aprisiona, mas vivido pode ser libertador. Assim quando vivemos na época certa a satisfação de nossos desejos nos libertamos para poder buscar novas realizações, assim fica mais fácil partilhar e permitir que outros possam também experimentar para se libertar satisfazendo seus desejos.

Quando esses desejos ficam camuflados eles se agigantam e podem se tornar desvios desastrosos na vida de um individuo.