Mostrando postagens com marcador ansiedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ansiedade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de maio de 2010

ANSIEDADE



CH 75
Segunda sensação: eu estava numa escola enorme, numa parte que parecia um museu cheio de tapetes, cortinas e moveis de madeira escura repletos de relíquias (bonequinhos de cerâmica) que num pequeno esbarrar poderiam se quebrar aos montes. Eu estava com pressa e quase deixei quebrar alguns. Eu não deveria estar transitando por ali. Entretanto, por mais que eu conhecesse toda a escola, fiquei perdida, pois estava escuro e eu não conseguia encontrar a saída que dava acesso à outra parte do local. Fui ficando muito aflita, pois eu estava atrasada e acabaria perdendo a prova. Seria um bom sonho, por causa do local interessante, se não fosse minha agonia para conseguir sair dele e chegar na sala de aula.

Sonhos bons para você são apenas os sonhos agradáveis, em locais ordenados, que lhe dão prazer. Quem dera a vida fosse de orgasmos e êxtases. Neste conceito pode existir um vício e uma suscetibilidade que a fazem focar apenas o agradável.

A vida exige cuidado, cautela, atenção, foco, rumo, norte para que em momentos de necessidade saibamos como sair das situações que nos exigem atitudes positivas.

A angústia permanece, tensão presente, a ansiedade parece instalada e o desconforto te confronta. As cobranças se fazem mais permanentes, testes, confrontos e... agonia, aflição.

Desassossego, ausência de sincronia entre o que você vive e a forma de lidar com as exigências da realidade. Severidade, tensão, cobranças, atraso, presente inquietante, voce perde seu eixo, o meio determina seu foco, sua ansiedade determina seu mal estar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ABANDONO I


CH 65


Essa noite sonhei que minha mãe passava mal e minha irmã extremamente ágil pegou o carro para irmos fazer umas compras para ela. Mal tive tempo de apagar a luz e a televisão que ela deixara ligada. Mamãe ia ficar sozinha a vomitar no banheiro. Minha irmã pareceu tão apressada que eu nem tive tempo de raciocinar o que estava acontecendo. Alguém comentou que melancia era boa para aquele enjôo. Eu não entendia aquela pressa, pois mamãe vomitava, mas isso não significava que ela estivesse correndo risco de vida e nem entendia por que aquela urgência de comprar frutas exatamente naquele instante em que deveríamos ficar lá, ao lado dela. Fiquei receosa dela estar com alguma complicação séria.

Quando fui entrar no carro notei que havia uma conhecida de minha irmã no banco da frente e então tive que entrar atrás. As duas conversavam cochichando e eu só entendia o que falavam por fazer uma leitura labial de ambas através dos vidros do carro que estavam fechados e as refletiam. Entretanto não lembro da conversa e sim que minha irmã corria muito e receosa coloquei o cinto de segurança mesmo sabendo que já estávamos praticamente chegando ao supermercado. Entretanto minha irmã não foi a nenhum supermercado e sim a uma loja de artigos para bebês. Nesse momento desconfiei que minha mãe estava grávida (isso é incabível com a realidade). Fiquei muito chocada sentindo enorme melancolia e pensando que eu não seria mais a caçula e teria de dividir tudo o que era (ou seria) meu com essa outra criança. Seria apenas mais uma pessoa no mundo para me criticar e não gostar de mim. Eu não queria ter de sofrer tudo isso outra vez (confesso que senti esse medo de ser desprezada com relação a minha sobrinha adotiva, pensando comigo que ela seria apenas mais uma na família para me esnobar). Eu não estava irritava, apenas pesarosa e triste, mas fazendo força para pensar de maneira positiva. Eu sabia que tudo o que estava pensando e sentindo era um monte de bobeiras, mas ainda assim era real dentro de mim. Eu precisaria de um tempo para sentir o oposto e buscava me autoconceder essa precisão.

Quando fomos passar no caixa uma jovem negra (não sei se tem importância, mas era a atriz Aparecida Petrowky) comentou que fizera os exames de gravidez e descobrira que perdera o filho homem ficando apenas com a menina. Embora não houvesse dito, ficou claro que até então ela estava esperando filhos gêmeos. Ela falou com alívio, achando o fato bom. Estranhei aquela postura materna e pensei que talvez ela não tivesse condições financeiras favoráveis para dois filhos de uma vez. Na hora em que estávamos indo embora eu tive de retornar para pegar meus óculos que esquecera na loja. Minha irmã bastante apressada já estava chegando no carro e eu ia logo atrás, dando passos largos, acompanhando a outra mulher que fora conosco. Foi para ela que comuniquei a precisão de voltar à loja, pedindo a ela que pedisse para minha irmã me esperar. Com tamanha pressa eu tinha quase certeza de que não seria esperada e continuava a não entender aquela correria, bem como o que minha irmã tinha em mente. Ao chegar de volta na loja a mesma já havia fechado, mas daí um senhor que trabalhava nela e conversava com uns amigos na calçada comentou que podia ir lá dentro pegá-lo para mim. Fiquei na espera e depois eu já estava era nas ruas de São Paulo. Eu peguei um ônibus qualquer e queria ir para a casa da minha irmã, mas não conseguia lembrar nem mesmo do bairro que ela morava. Nisso me veio o nome Tabajaras na cabeça (minha irmã reside no Tatuapé) e perguntei a uma das senhoras que estava sentada se aquele ônibus ia para lá. Ela estranhou como se não existisse tal bairro e respondeu que não, perguntando para a cobradora depois. Como eu estava um pouco distante, resolvi passar na roleta e assim falaria melhor com a mesma. Questionei se o ônibus chegaria a um ponto final ou terminal, pois embora dispusesse de mais dinheiro, não estava disposta a pagar outra passagem de ônibus, ou seja, eu queria sair daquele ônibus e pegar o certo independente da baldeação, mas contando que o passeio não saísse caro. Eu não estava preocupada de me perder, pois além de estar encarando aquilo como um passeio, tinha dinheiro suficiente para dormir em um hotel e, ademais, se eu conseguisse chegar nas proximidades do bairro da minha irmã, poderia ligar para ela me buscar de carro. Nisso a cobradora não quis me devolver o troco todo, dizendo que ia ficar com uma moeda para ela em troca do serviço prestado de informação. Embora parecesse justo, não gostei da ousadia dela. Pouco depois o ônibus chegou ao seu ponto final e fiquei dentro do veículo a esperar que ele fizesse o trajeto de volta para um suposto terminal. Eu nem sei como funciona os ônibus de São Paulo, mas aqui em Uberlândia é assim.

Nesse ínterim, a cobradora começou a se debater e logo incorporou vindo para o meu lado. Eu sabia que ‘aquilo’ seria comigo. Eu estava sentada e ao meu lado estava o motorista e uma fiscal. Nesse momento já não parecíamos estar dentro de um ônibus, mas de toda forma não dei atenção ao local em si. Ela aproximou-se e fiquei me indagando se ela estaria mesmo incorporada ou apenas fingindo aquilo tudo por algum motivo pessoal que não saberia deduzir. Perguntei quem era ele e de forma imprecisa a resposta foi: ‘Pode ser um caboclo’. Seus modos aparentemente discretos não se enquadravam no perfil de um caboclo e a resposta não me foi convincente. Ele perguntou se eu lembrava o que ele avisara da outra vez e a pergunta me soou com ar de cobrança, reprovação e advertência. Perguntei por parte de quem era o aviso, pois dentro do sonho eu vagamente poderia lembrar de muitos avisos, mas não sabia qual caboclo era ele e, logo, não tinha como saber de qual aviso ele se referia. O mais interessante é que eu não me senti intimidada e sabia que nem teria motivo para tal, mesmo que eu estivesse ali na condição de devedora ou de alguém desobediente que não cumprira algo. Senti que na verdade eu não tinha costume de dar importância suficiente àquelas comunicações. Tenho a sensação de que comentei sobre não gostar de gastar dinheiro com entidades. Infelizmente não lembro o resto. outra vez um sonho com caboclo...

ABANDONO II



Atitudes de submissão favorecem a omissão. Omissos se fazem de submissos e submissos em geral são omissos, entregam a responsabilidade de ações, iniciativas, intervenções ao outro, desta forma ficam à parte da tomada de decisões importantes e são levados por aqueles que se responsabilizam, se comprometem e não se omitem, por proteção ou por medo, em ações e escolhas de posicões.

Neste aspecto o sonho te confronta com suas atitudes de dominada e submissa já que realçam sua impotência e a condução de sua vida em momentos chaves pelo “outro”. No caso sua irmã. Assim aquela que acusa de abandono, sua mãe, é abandonada por você.

Muitas vezes em comportamentos manipulativos deixamos que o outro faça o que gostaríamos de fazer. Assim não colocamos a cara na frente, ficamos protegidos e deixamos o outro se expor e carregar a pecha daquilo que evitamos. Assim é mais fácil condenar o outro, julgar o outro e ficar escondido atrás do muro.

A realidade nos exige que saíamos detrás das máscaras, das defesas neuróticas, e que nos exponhamos aos impactos e acontecimentos da vida, já que não dá para ficar escondido dentro de casa e a realidade exige-nos posicionamento e maturação. Que curtamos a pele de cordeiro no sol da realidade.

O sonho anuncia ansiedade, angústia, tensão e fuga. E o grande risco de que possa estar agindo da forma como condena nos outros, abandonando-os. Esta implícito que o maior abandono é o que comete com os seus propósitos, com a condução da sua vida, mas este abandono é projetado no outro em forma de carência pessoal e julgamento e criticidade.

A segunda parte já se mostra a vinculação neurada de sua dependência afetiva. Crescer significa abandonar a pele velha para deixar a nova nos revestir. Morrer o velho para permitir o nascimento do novo. E mesmo que conceitualmente você já saiba que é irracional se sentir ameaçada pelo nascimento de uma criança, a atitude infantilóide é competitiva, resultante de quem se recusa a se assumir como adulto, se escondendo na necessidade de se manter criança, mesmo que como filha mal amada. Desta forma busca manter a dependência de sua mãe mantendo a culpa e a responsabilidade dela nos seus cuidados.

Entendeu? Mantendo-se criança, dependente, submissa, carente, frágil, você encontra a justificativa para aprisionar a mãe como objeto de seu domínio.

O momento em que você se “desliga” de sua irmã é o momento em que você tem que recuar para resgatar seus óculos. Este resgate, a busca, é o regaste do seu ponto de vista, da sua forma de olhar o mundo, do instrumento que lhe permite olhar a realidade com os seus olhos. Abandonando a cegueira. Assim você toma atitude e... Sai da proteção familiar. Ainda que esqueça a sua mãe ou a necessidade dela, justificativa pra ficar vinculada na simbiose, você se lança no mundo.

No inicio é assim, o individuo se lança no mundo e se descobre perdido, sem rumo. Paradoxalmente, neste momento começa a jornada de retorno à casa. O bom filho a casa torna. Precisamos encontrar o caminho de volta para casa. Voltar para a nossa CASA. É o resgate do pessoal, da referência pessoal. Já não mais como a casa da criança dependente, mas a casa do adulto que encontrou parte do seu destino, sua individualidade, sua pessoalidade.



No sonho 56, Sonhos e Confrontos, aparece o seguinte: “Foi então que apareceu um homem malvado e me disse que na vida eu não conseguia nada porque era daquele jeito: me jogava e não me permitia cair, pois ficava presa a superfície, ao passado, ao medo, às mágoas. Fiquei muito mal ao escutar ele dizendo aquilo e tentei fazer força emocional para desvencilhar-me de tudo.”

Não sei se a referência do aviso é o acima ou se houve outro aviso. Mas pode ter a ver com o risco que precisa correr, de se lançar na sua jornada pessoal. O cabloco neste caso entre outras significações possíveis tem a ver com conteúdos de inconsciente que estão tentando focar sua atenção no seu compromisso de realizar as mudanças que se fazem necessárias, na sua vida, para que possa realizar plenamente sua maturação.

quarta-feira, 3 de março de 2010

ORALIDADE


  

O sonho dessa noite: Eu desci do carro com minha irmã e cunhado (não sei se minha mãe e sobrinha estavam juntos) na porta de um restaurante e, logo na entrada do mesmo, encontramos com alguns amigos deles que jantariam conosco. Depois de arrumarmos uma mesa fomos nos servir. Eu peguei o prato e me servi com uma rodela de pepino, outra de tomate e então notei que não havia mais nada natural, apenas vidros com conservas. Nem mesmo o básico arroz com feijão havia no local e fiquei por entender que tipo de restaurante era aquele. Sem encontrar mais opção para por no prato, coloquei mais rodelas de tomate com pepino e uma colherinha de um creme branco que estava misturado numa conserva de pimenta. Nisso servi-me de iogurte, mas logo em seguida verifiquei que aquele iogurte fazia parte da sobremesa e eu não devia levá-lo para a mesa uma vez que o combinado era ir para uma sorveteria quando dali saíssemos. Dentro do sonho eu não pensei em confrontar os acompanhantes e fiquei olhando para o iogurte pensando no que fazer. Deixá-lo esquecido ali não seria o correto. Enquanto pensava um tanto apurada, a mulher que pesava os pratos pareceu perceber que algo estava errado comigo e sugeriu que, caso eu quisesse lavar algo, havia uma pia no cômodo da cozinha. Mais do que rápido eu fui para a cozinha e encontrei lá dentro um rapaz que terminava de lavar algumas louças e uma mulher que fazia um recheio de bolo com leite condensado cozido. Expliquei a situação para o rapaz e calmamente ele disse que eu podia despejar o iogurte num copo descartável e lavar a vasilha, amenizando a situação com a explicação de que depois comeria o iogurte ou colocaria-o em alguma sobremesa. Enquanto lavava percebi que estava me sentindo muito constrangida e pensava no quanto àquela situação me faria ficar mal-vista e mal-falada pelos dois ou por todos os funcionários do restaurante. Também pensava que minha irmã já devia estar sentindo minha falta na mesa e isso me deixou ainda mais tensa. Uma vez já estando encrencada na visão do meu próprio lado emocional, percebi que podia ser mal-vista de duas formas: 1. Por transparecer a imagem de pessoa calada e cheia de vergonha pela situação desconfortável que criara; 2. Por transparecer a imagem de uma pessoa extrovertida e meio estabanada, sendo o mais verdadeira possível, ou seja, eu não tinha intenção de usar mascara para aparentar o que não era, mas sim tentar ser o que não era e gostaria de ser naquele momento. Pensei comigo: ‘tem pessoas que extravasam suas tensões falando incansavelmente e outras como eu, se bloqueiam por completo’. Resolvi que ia dar uma de louca e extravasar meu constrangimento falando um monte de besteiras (já que em verdade eu não tinha nada sério a dizer naquele momento) e, realmente me sentindo uma doida, fui falando tudo o que vinha em mente. Comentei que trabalhar na cozinha de um restaurante deveria ser ótimo para ficar provando de tudo, disse que adorava tortas mas infelizmente não tinha boas receitas, falei que aprovava recheios com leite condensado cozido contando que quando criança minha mãe costumava cozinhar leite condensado para comer puro e, em cada fala, eu ria bastante de mim mesma naquela ousadia maluca de tanta besteira falar e, por incrível que pareça, eles também riam como se estivessem me adorando ou, no mínimo, me achando super divertida. Transformando a sensação inicial de desconforto em alivio e um feliz estranhamento de mim mesma, aproximei-me da mulher e elogiei as duas pequenas verrugas de seu rosto dizendo que não pareciam ser verrugas e sim duas sardas que faziam seu rosto ficar bonito e diferente. Eu não estava mentindo e nem tão pouco sendo verdadeira, estava apenas comentando aquilo que vinha em minha mente como se não quisesse mais parar de falar, pois, quanto mais falava, mais destravada e livre de mim mesma eu me sentia, além do que, percebi que se alguém fosse falar de mim posteriormente, não seria pela besteira cometida com a sobremesa, mas sim pelas besteiras que ali houvera falado. Eu sentia que eles estavam se agradando do meu jeito comunicativo (embora disfarçadamente forçado), mas o melhor era sentir que eu estava me amando enquanto uma maritaca.
Não sei se os meus sonhos estão se formando baseados nos meus pensamentos e sentimentos, ou se são estes que estão influenciando meus sonhos. A questão é que por várias vezes tentei me visualizar sendo comunicativa e, para tal, eu teria que agir idêntico ao sonho, ou seja, falar sem pestanejar (mas com bom-senso, claro) e ter de suportar a minha sensação inicial de estar me comportando como uma doida que não sabe de qual hospício saiu. Um ponto do sonho é muito real: geralmente a timidez é mantida por receio da desaprovação alheia e, daí, uma vez que ser tímido também é visto de forma negativa por praticamente todo mundo, por que não arriscar sofrer uma desaprovação por ser alguém desinibida e um tanto extrovertida? A principio qualquer tanto de palavras vai me fazer sentir uma tagarela, mas com o tempo, o equilíbrio do que dizer ou não e a espontaneidade perante uma conversa serão itens naturalmente conquistados. Foi sem dúvida um sonho bem interessante! O que acha?

ORALIDADE II




  


Inicialmente aparece a inadequação, tensão, ansiedade, perda da espontaneidade. O sonho parece compensador de sua necessidade de comunicação. Você precisa romper o compromisso de não falar porque as pessoas não merecem te ouvir, romper o medo de falar, superar a severidade de sua crítica e de seu julgamento, encontrar sua natureza espontânea, sua naturalidade.
Você se defronta com a “neurose”. A neurose é a perda da espontaneidade. Supera-la é o reencontro com sua natureza original, espontânea, autêntica. Mas para reencontrar essa naturalidade é necessário se desvencilhar das armadilhas, ou você acabará sendo arrastada para dentro da patologia revestida de outras manhas, artimanha, máscaras. Neste caso você aparentemente rompe com a neura instalada, mas acaba envolvida pela neura que se reconfigura em novo formato para permanecer ativa, viva, atuando e te comandando com manifestações autônomas de inconsciente.
Eu costumo dizer que as doenças são vivas. Em geral as pessoas pensam na doença como uma manifestação estática, apenas sintomática de um desarranjo. Mas, não! As doenças são vivas, querem permanecer vivas, porque conquistaram uma forma de viver, ainda que seja como uma entidade invasora no corpo em que se formou e instalou.
O fenômeno me parece excepcional. A patologia resiste de todas as formas possíveis e se faz MUTANTE, oportunista, abandonando uma configuração constituída para se rearranjar de outra forma. Nesta hora, a máxima cristão se faz presente: Orai e Vigiai. Não se iluda rompa paradigmas, evite a mesmice, o caminho simplista e aniquile o dragão, a patologia, transforme essas energias densas e as incorpore à sua dinâmica, não perca de vista a possibilidade de ser autêntica.
Como? O seu momento é de reconceituar sua relação com a realidade, não escapar para respostas comuns. Evite a repetição de hábitos, se permita se redescobrir, retire essas carapaças que te envolviam e se permita livre. O que fazer? Compartilhe, divida, escute quando tiver que escutar, fale quando sentir vontade de falar e principalmente: não saia de um extremo para se exigir em outro. A uma longa estrada para você percorrer; Não se apoie em conceitos deformados, refaça-os; Não se escore em modelos, você blindará novamente sua liberdade.
Houve um momento em sua vida que para se proteger você encontrou uma forma que lhe permitiu se relacionar com relativo sucesso com o mundo. O tempo passou, e suas respostas já não se mostravam mais tão eficientes como no passado. Surge um novo momento. Descobrir como responder às exigências do mundo, às suas demandas pessoais, ao seu novo momento, à sua nova idade, realidade. Um trabalho hercúleo, onde você será exigida. Mas as perspectivas são favoráveis. Só não caia na armadilha da enganação, de se forjar dessa ou daquela forma. Se permita “Ser”. O Ser esta além do certo ou do errado. A referência são os princípios e a ética, assim você se forja com uma consistência maturada. Não precisamos nos moldar em uma armadura. Não se permita imaginária, se fazendo parecer, resultado de idealização, da sua fantasia de seduzir e dominar os outros. Você não precisa de justificativas para expressar seus sentimentos, emoções, pensamentos, crenças, conceitos, visão do mundo, percepções, descobertas, conhecimento, informação. Você não precisa de se esconder na fala para desviar o foco dos outros de seus constrangimentos ou inadequações. Você precisa de leveza... Apenas levemente Ser. Somos todos índios, humanos, todos em processo de aprender a viver de forma mais autêntica para que possamos expressar a riqueza que carregamos em nosso espírito do tempo, na alma.

Se nunca realcei, um detalhe cada vez mais foi ficando saliente e se soltando ao olhar, sua dificuldade em relação à fala intrinsecamente pode estar ligada não apenas ao processo de repressão, por você vivenciado, mas a algum desacerto gerador de distúrbio vivido na sua relação com sua mãe em fase de amamentação. Já havia lhe sinalizado sobre a recorrência de imagens de alimentos e de sua relação de constrangimentos com foco em alimentos em seus sonhos. Possivelmente existe algum nó formado e desenvolvido a partir do período da relação simbiótica vivida no primeiro ano de vida da criança com a mãe. É interessante, caso não saiba, que busque informações sobre sua fase de amamentação, quanto tempo durou, se foi amamentada, como sua mãe viveu este período, se teve depressão pós parto, a relação com o pai, o pai com a mãe. Investigue o que rolou no seu primeiro ano de vida.


Pela boca, após o corte com o cordão umbilical, estabelecemos a manutenção da vida. A criança estabelece vários tipos de conexão com a mãe: pelo olhar o contato visual; identificando e codificando sons maternos e os diferenciando de sons ameaçadores; pelo tato no sutil toque das mãos com os seios, rosto, e outras partes do corpo; pelo olfato na identificação dos cheiros primordiais da mãe associados ao prazer, ao conforto; pelo paladar com o sabor do leite, textura e posteriormente com os outros sabores, etc. Nos alimentamos não apenas de soro materno,  mas de amor, proteção, segurança, confiança, aconchego e inundados com esses alimentos, nesse universo sensorial de prazeres e êxtase, construímos nossos vinculos, a conexão com a realidade e a relação com o mundo.

A fala é antes da comunicação o resultado da construção do simbólico e do desenvolvimento da relação do indivíduo com a mãe. Essa dinâmica se espelhará, se projetará, na relação com o mundo. É neste ponto, nestaa conexão é que aparece a maioria de seus embaraços. Nesta ponte entre a margem do imaginário, do simbólico, de codificação com a realidade que aparecem as interrupções, defesas, resistências, ou seja, o fluxo é descontínuo, e instável que vives. Captou?

Eu sinto que foi um sonho mais do que interessante, um sonho transformador e elucidador. Sinto que o inconsciente responde favoravelmente ao seu esforço de transformação.

DETALHE:   o yogurte  é em tese o leite coalhado, o que nos remete à relação do soro materno. Héracles suga o leite da Imortalidade no seio de Hera. O  leite é simbolo lunar, feminino, ligado à renovação, abundancia, fertilidade, caminho da iniciação e simbolo do conhecimento. 

Caetano Veloso já cantava:



 "Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada...
...Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas"

Todos querem sarver o leite bom, para voce ele é a sobremesa, que sentes não ter direito de consumir, o que te deixa encalacrada, defensiva poi acuada, como se o direito não houvesse.


 
                                                                       BYE