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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PÃO E ESPÍRITO

   Cesto de pão - Antes a Morte Que a Mácula
   Corbeille de pain - Plutôt la mort que la souillure
Salvador Dali 1945


Sonhei que eu estava no quintal de uma casa que era minha e, com o desmatamento da região próxima, dois tucanos lá estavam a se abrigar. O tucano menor que parecia filhote tinha a penugem de uma coruja, enquanto o maior tinha penas verdes como de um papagaio. Por vezes eu levantava a mão e o tucano maior, que por certo seria a mãe, vinha pousar no meu braço. De leve ele bicava-me como a dizer que estava com fome e eu o alimentava com pedaços de pão. Foi um sonho muito bom, pois era como se eu pudesse dar não apenas abrigo e comida, mas também consolo àqueles animais. Eu senti os tucanos desolados por terem perdido o habitat natural, por estarem emocionalmente machucados com a realidade de se sentirem inadaptados à existência e ao todo, exatamente como geralmente me sinto, por sentirem falta dos seus amigos iguais de espécie.

Os sonhos são assim, às vezes se revestem de múltiplos conteúdos que dificultam a sua compreensão, ou espelham o momento pelo qual passamos, momentos confusos e atormentantes... Sonhos inquietantes. Outras vezes os sonhos se mostram límpidos e transparentes, e a leitura é imediata e a compreensão instantânea. Essa é a graça que se pode receber quando focamos o olhar no interior, quando consideramos o eixo interior que nos guia. Ficamos mais próximos de nosso espírito e o diálogo se faz natural.

A leitura já compreendida por você é direta e transparente, sua identidade com os excluídos, com os marginalizados, com os sofredores, perdidos, isolados, lançados no desolamento. Encontrando-se no abandono. Mas este é apenas uma face do conteúdo.

EU LHE APRESENTO OUTRA FACE DESSA MOEDA.

Você no quintal de sua casa – seu interior, sua vida, seu templo, sua alma.

O pássaro é o espírito – seu espírito santo, livre. O filhote é o espírito renovado. O pássaro adulto e o velho espírito que se transforma com o tempo.

A fome do pássaro é saciada com o pão – Assim como o pão é o alimento do espírito. Símbolo do alimento essencial. “Nem só de pão vive o Homem”, Pão é o nome que se dá ao alimento espiritual. Símbolo do corpo de cristo na eucaristia, “o pão da vida”. O Pão combina com a vida ativa, mas também se relaciona com os mistérios da consagração.

A fome do espírito é saciada com o alimento espiritualizado, com o Sagrado, Consagrado.

O trigo debulhado, a matéria bruta, é refinada e assim unida a água e ao princípio ativo, o fermento, o conteúdo que dá liga, aciona a alquimia, a conjunção dos elementos. Assim se metamorfoseia a matéria, e ela cresce como que fecundada, se transforma em repouso.

E no momento seguinte ao milagre da transformação ainda se faz necessário a união com o Fogo. o calor da vida, a vibração Elemental que aquece e mais uma vez transforma a matéria e finalmente realiza o milagre do pão.

O alimento está pronto, para o corpo e para o espírito. O pássaro se aproxima e pousa no seu braço, não tem medo de você. Solicita-lhe o alimento e você o alimenta, alimenta o seu espírito. Dá-lhe vida com o alimento sagrado. Abriga o seu espírito no templo consagrado.

Não há porque focar o negativo, o abandono, a tristeza. Quando estamos sintonizados como o nosso espírito, estamos juntos ao eixo do mundo, ao eixo da vida, estamos unidos, em conexão com o Divino. Olhe para frente e abandone o olhar do passado. Você está chegando em casa.

Em casa não existe solidão. A solidão é o sofrimento gerado pela expectativa não vivida. O sofrimento é imagem do desconforto por não participar do que se credita essêncial. Já nascemos na solidão, mas quanto mais nos aproximamos do eixo mais nos afastamos desse desconforto.
Ah!  abandone o seu isolamento ao invés de lamentar abandono alheio. Corra atrás de sua TCHURMA!    Sua tribo!   Encontre uma. Confie em sua natureza. Confie em sua vida. Se dê uma chance de conviver, aceitando o outro e permitindo ao outro que a aceite como és. Nada há a se perder!



  photo do Blog Jornada Alma -  acesso restrito

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

NOVOS CENÁRIOS EXIGEM NOVAS RESPOSTAS


Num segundo sonho eu estava numa casa que dentro do sonho fora deixado por meu pai e minha mãe houvera mandado reformá-la. Ela ficara muito grande, todos os cômodos com moveis novos, ar condicionado e aparelhos de ultima tecnologia. Entretanto, senti-me péssima dentro daquele “luxo” e ainda conhecendo os novos cômodos da casa, saí da vista familiar e comecei a chorar desesperada. Um mal-estar sentimental muito grande e inexplicável tomou conta de mim. Eu não queria ter que morar ali. Aquela sofisticação me deixava figurativamente sem ar, me incomodava demais. Nisso encontrei um cômodo todo enfeitado que era um quarto de animal. Dentro dele havia uma barraca com vários brinquedos e apetrechos. O quarto saía para uma espécie de varanda e lá havia um cachorro e um gato filhotes. Passando por dentro da barraca – ela funcionou como uma passagem, um labirinto, um portal – fui ao encontro dos animais. Nisso alguém trouxe um pouco de comida própria para gato e começou a colocar na boca do gatinho. Disse a essa pessoa que não precisava colocar na boca dele daquele jeito, pois ele instintivamente já sabia comer sozinho. Naquele local que antes não fazia parte de casa, senti a presença paterna e isso aliviou o sentimento desagradável que outrora senti.



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A SUSCETIBILIDADE EMOCIONAL

Ocorre um fenômeno interessante, vejamos se consigo lhe transmitir minha percepção:

Em geral a catarse reequilibra as tensões e polarizações do corpo e da psique. Mas em situações específicas, o inconsciente eleva o nível da sensibilidade pessoal e aflora a Suscetibilidade, as defesas morais e couraças são rompidas. A elevação da sensibilidade provoca uma descarga energética que se sobressai devido a suscetibilidade, ou seja, através da sensibilidade o individuo sofre o impacto do estímulo, o impacto aciona a reatividade, o individuo é dominado por uma inflação emocional, um carga de sensações e encantamentos e o fenômeno favorece uma reconfiguração psíquica e de defesas repolarizadas. Ele sai fortalecido em sua capacidade de resistência, o que aumenta o limiar de resistência aos impactos de realidades.

Este universo sensorial contem seus riscos.

Por exemplo: O choro como manifestação catártica que protege o individuo do impacto devastador de cenários descompensadores, em princípio é resposta a acontecimentos que promovem instabilidade no sistema pessoal e que poderiam ser devastadores. Acontecimentos como perdas afetivas, separações, ameaças à estabilidade, agressões, violência que promovem respostas emocionais reativas de choro podem levar o sujeito da dor ao prazer. Ou seja, a dor que promove o choro, pode ser em superada e o individuo passa a sentir prazer na resposta catártica produzida para protegê-lo.

Quando isto acontece, a armadilha se instala, o prazer pode se tornar a chave que mantém acionada a fragilidade emocional, paralisando o processo de desenvolvimento e maturação do indivíduo. O sujeito passa a se predispor como frágil e suscetível impedindo a consolidação da maturação de seu sistema psíquico.

O SONHO

O sonho, com algumas variáveis extras, parece-me catártico e reequilibra o elevado nível de tensão e a hipersensibilidade que às vezes você projeta.

Um lado

Há um desconforto implícito. Como se fora do eixo você estivesse. Você esta na casa que seu pai lhe deixou e se sente desconfortável frente às transformações realizadas por sua mãe.

Essa casa pode ser sua herança, seu lado de origem paterna. Lado transformado pela força da intervenção materna, pela predominância da mãe.

E o desconforto aflora quando não há espaço para que características de um lado se manifestem ou encontrem possibilidades de aflorar. Sinal de conflito.

Isto não é estranho, já que o trabalho do individuo é administrar essas duas heranças transformando-as num resultado único e original, pleno.

É interessante notar que no sonho anterior o tema já havia aparecia.

O desconforto a leva a buscar uma saída. Você atravessa o portal. Percebe que precisa de autonomia, que o movimento é de busca de autonomia. Apresenta a necessidade de limites ao indicar a importância de deixar o animal se alimentar por si mesmo. Recusa o tratamento regredido, de subestima, submissão, dependência.

Sente a presença paterna e o alívio da tensão. Você encontra a solução do enigma entrando no caminho da autonomia, encontra a leveza necessária para viver abrindo espaço para que seu lado originado de pai possa se manifestar.

Outro lado

O sonho é apenas catártico, anuncia o nível elevado de tensão, evidencia sua suscetibilidade, coloca-a em situação de desconforto que a obriga a procurar uma solução para o problema e atualiza seu sistema quando atravessa o portal e passa a agir de forma autônoma, mostrando sua visão ao outro, se manifestando.

De qualquer forma sinto que a casa nova é uma indicação de vida nova, de transformações se operando.

Na casa nova não há sentido em agir como na velha casa. É o que digo às pessoas:


NOVOS CENÁRIOS EXIGEM  RESPOSTAS NOVAS
 
Quando apresentamos as velhas respostas em novas realidades, elas sempre se mostram inadequadas.
Reflita.


ADENDO: Quando digo novas respostas não descarto a experiência conquistada na lida da vida. Essa experiência pessoal, ao contrário, é instrumental importantissimo para que possamos criar novas respostas nesses novos cenários. Quero dizer que  em cada novo cenário que entramos, precisamos avaliar a realidade, detectar o "momentun", estudar entraves e bloqueios que porventura possam nos impedir ações e avanços, definir o que a realidade nos exige, e desenvolver respostas específicas para esse novo momento. Assim deixamos de ser simplistas usando velhos instrumentos dentro de novos realidades.




 

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PORTAS PORTAIS



C155

Sonhei que eu e minha mãe estávamos numa casa nova, diferente, recém-construída, cujas decoradoras ainda se encontravam fazendo uns últimos ajustes. O tamanho era aconchegante, tudo tinha aspecto de estar limpa, arejada, clara e agradável, entretanto, a porta da cozinha, local donde estávamos, era muito pequena na altura e comentei que para passar por ela eu teria que agachar. Fiquei a me indagar se ninguém tivera atenção com algo tão obvio. Todos os armários da cozinha e inclusive essa porta eram de vidro. A transparência dava a boa sensação de acesso rápido por estar tudo às vistas, o único inconveniente era a porta.

O que ela significa dentro desse contexto?

Conheço uma história sobre um fiel que disse que Deus já não escutava os homens, e o rabino disse que os homens é que não se silenciavam mais para escutar a Deus.

A primeira associação que me veio neste sonho é sobre a necessidade de agachar, abaixar, ser humilde.

A porta limitada, restrita, exige esforço para ser transposta e esse esforço pode ser a necessidade de humildade.

A porta é literalmente o portal, a passagem, a mudança de estado de consciência, a transição entre o antes e o depois, entre uma margem e a outra margem, entre um estado e o outro estado, entre um sistema e outro.

Nesta última colocação, quero indicar a relação entre a realidade interior e a exterior, e os impedimentos que impedem o fluxo natural das trocas.

A casa é nova, está bem organizada, clara e transparente.

Dificuldades para sair e para entrar na sua casa.

Ótimo! Mas não é o bastante, a necessidade de transformação permanece na jornada pessoal. Não basta a transparência, você podia estar rodeada de transparência, mas como numa bolha de vidro se manter blindada de contatos e de relações com o exterior. Foco a necessidade de mudança nas relações interpessoais e avalie a relação com a sua mãe.

Na dimensão somática avalie o sistema respiratório, capacidade aeróbica e suas funções digestivas e excretoras.

Avalie a motivação e mobilidade sexual, já que o nível elevado de tensão pélvico pode indicar repressão sexual e consequentemente o fechamento da porta para o prazer, restrição, ou dificuldades de recepção e passagem para a visita do falus “erectus”. É claro que a casa não precisa ser uma casa com portas grandes para a passagem pública, mas a guardiã precisa aprender a administrar essa porta para o prazer, liberando a entrada de uns e proibindo a de outros.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

MINHA CASA

Imagem de apartamento em São Paulo

Carla 120

Tenho algumas recordações superficiais.
Primeiro eu estava chegando com minha mãe num apartamento enorme que houvera acabado de ser pré-decorado. Minha mãe disse que antes de terminarem o serviço não aceitavam visitantes, mas eu adiantei-me para pedir ao funcionário que lá estava e ele deixou-nos entrar para ver o apartamento. Parece que era o primeiro andar. Tudo era muito amplos e cada cômodo possuía dois ambientes, um mais sofisticado e outro mais usual. Entretanto, num deles minha mãe já não era ela, mas sim um homem que perguntou se naquele cômodo (era uma espécie de sala escritório) não daria para inverterem os ambientes, ou seja, trocarem a mobília de lugar. Achei estranha a pergunta, pois não tínhamos interesse de comprar um apartamento daqueles. Nisso olhei para o exterior. O prédio fora construído num local que possuía uma antiga mansão, a qual fora demolida, mas ainda se podia ver a piscina velha de azulejos azuis não desmanchada. Pensei que talvez eles fossem apenas reformá-la ou deixar aquela mesma, mas isso seria muito descabível. Ver um apartamento novo tão bem decorado com uma piscina velha e feia fez-me ter uma má impressão dos responsáveis daquele projeto.

Casa nova, renovação, piscina nova. Novas formas de se divertir, de viver, novos instrumentos, novos, espaços.


Uma renovação chama outras, ou exige que outras sejam realizadas. Caso contrário, renovamos o conceito, mas mantemos a mesma conduta, a mesma postura, o mesmo tipo de atitude diante da realidade.

O novo exige uma nova repaginação. Casa nova, cabeça nova, novas formas de ver o mundo, novos conceitos, novas atitudes, novas respostas.

A casa, o apartamento, a morada, diz respeito a nós, nosso corpo, nossa vida, nossa forma de postarmos no mundo. Como um projeto arquitetônico. Deus Cria, nos decoramos, eliminamos o lixo, os excessos, escolhemos a disposição dos móveis, acrescentamos os objetos e os conteúdos que espelham nosso prazer, o cuidado, a proteção, o estilo pessoal, nossa marca.

A sociedade de massa é complexa e tende a nivelar pelo mediano. O individuo tem chances iguais diante do mundo, informações básicas, conhecimento básico, vida padronizada, sofre percalços como qualquer outro mortal, encontra as mesmas dificuldades, corre os mesmos riscos... estamos no mesmo mundo, vivendo a mesma vida e diferenciados apenas por cenários, fantasias, posses que facitam certas realidades. Mas no frigir dos ovos estamos na mesma encrenca.

Apesar disto o mundo moderno permite ao mortal comum uma distinção magistral: Somos uma unidade Única, e se quisermos podemos nos diferenciar além da media geral, criar o seu estilo pessoal, romper com o padrão e o comum, o mediano.

Especialmente, agora me lembro de Ludwig Rei da Baviera que construiu castelos belíssimos a partir de conceitos que espelhavam sua forma de ver a vida. A elite tinha essa possibilidade de realizar o idealizado. Hoje, guardados os limites, cada vez mais, o anônimo pode ter este prazer de materializar sua criação, provando que constrói sua maior riqueza, sua individualidade.

Isso é o primordial, hoje se pode ter acesso ao que é essencial para construir a nossa casa, a vida pessoal. Hoje podemos nos construir melhores, diferenciados, plenos, realizados, independente de ter ou não ter grandes posses ou de exibi-las.

O sonho parece dizer isto. No lugar de uma antiga mansão, construiu-se a morada moderna, mas a piscina ainda é a velha piscina, manteve-se uma linha do passado, o padrão . O empreendedor pode estar economizando, sendo pão duro, ou tendo pouca visão na aplicação de seus recursos por economia ou falta de visão.

É preciso transformar o velho, renovar, renascer com o frescor do novo ou apenas para repetir o velho, o passado. O processo da renovação foi iniciado, mas não plenamente completado, a necessidade da transformação continua. Não adianta puxar os olhos, esticar a pele, tingir os cabelos, usar roupa nova, comprar carro novo, ficar peituda, bunduda, ou botocar os lábios e as bochechas, se a piscina continua a velha piscina. É preciso acondicionar bem o recheio, cuidar do principal, a postura que desenvolvemos diante da magnitude da vida. Cuidar integralmente do Ser. Esta coisa de ir para o salão repaginar o visual é fantasia do simplismo. Não há perfume que supere o cheiro do bolor, do passado esquecido nas sombras, das roupas guardadas. As transformações precisam ultrapassar os limites da casca.



terça-feira, 18 de maio de 2010

GATA BORRALHEIRA


"Cinderella" John Everett Millais (1829-1896)
Oil on canvas, Public collection

CH 68

No sonho seguinte, depois que voltei a dormir, eu estava num apartamento que era da minha irmã. Tanto ela quanto meu cunhado estavam lá e eu fazia um vestido azul para uma boneca Barbie que, provavelmente, deveria ser da minha sobrinha. Meu cunhado saiu para trabalhar e minha irmã também. O clima estava bem ameno, ou seja, não me senti incomodada com nenhum dos dois como se ambos fossem meus amigos, algo que até então nunca senti, principalmente nos sonhos. Surpreendi-me com isso! Eles não me pareceram dois conselheiros críticos (quase insuportáveis) destinados a pegarem no meu pé como até então sempre foram para mim. Eu me sentia relaxada perto deles, o que foi muito bom e, ao mesmo tempo, perante a realidade, me soa como uma incógnita. Ao sair minha irmã recomendou que eu juntasse os lixos e jogasse fora, mas eu estava entretida e afobada com o tanto de coisa que tinha para fazer e não prestei atenção a explicação tão detalhada que ela deu. Fiquei com a recomendação do lixo na cabeça e depois não sabia bem como era para recolher o mesmo. Pensei em juntar tudo num saco só, mas não achei nenhum e logo minha tia (irmã mais velha de minha mãe) apressou-me com a comida. Atarantada deixei o lixo para depois e fui esquentar a comida, mas tendo em mente a preocupação de não me esquecer de recolher o lixo. Coloquei varias panelas com restos de comida sobre as quatro trempes do fogão e mal havia começado a esquentá-las quando o gás acabou. Minha avó sentindo o cheiro do gás comentou que o mesmo deveria ter acabado. Enquanto isso eu desligava todas as chamas já apagadas. Minha avó e tia não estavam na cozinha, mas noutro cômodo, de modo que eu não as via, mas escutava o que ambas conversavam. Interessante que eu não me sentia uma visita na casa da minha irmã e muito menos sentia minha tia e avó como visitantes também. Era como se elas lá morassem e eu fosse apenas uma serviçal da casa, destinada exatamente a cumprir tais funções. Eu tinha aquelas tarefas como minha responsabilidade diária. Relembrando tal sonho sinto o quanto é estranho vivenciar algo tão ilógico. Sei que o inconsciente tem uma linguagem simbólica que mistura as pessoas e situações formando contextos completamente estranhos, mas cujos significados não são estapafúrdios. Pareceram sonhos bons, mas chocantes ao mesmo tempo. Acordei com a firme lembrança do gás acabando e parecia mais assustada em pensar o que isso poderia significar do que com o próprio sonho em si. Não tenho ideia do que meu sonho possa querer me dizer, mas deduzo que não deve ser boa coisa. Ao menos acordei com essa impressão. Ambos os sonhos me causaram uma sensação intrigante. O que acha? Lembrei uma parte do ultimo sonho. Depois do gás acabar, não demorou e minha tia apareceu na cozinha dizendo que seria preciso fazer um 'mexidão' e esquentar no microondas. Eu achei uma boa ideia, pois sempre gostei da praticidade de tal aparelho.

O sonho, não sei bem o porquê, lembrou-me a Gata Borralheira, só faltou o príncipe encantado, o sapatinho, a carruagem. Você brincando de boneca, (qual a idade da sua sobrinha?) concentrada costurando, nos afazeres da casa, o casal indo prá rua, para o mundo, e você recolhendo o lixo e preparando os alimentos, atarefada. Parece estado de fantasia e regressão, ou sinal de não vivido. Solidão, abandono. Mas... Avancemos....

Nada demais nesses afazeres, muito ao contrário são sagrados. Preparar o alimento para alimentar a vida do outro, preparar a casa, para viver bem e com conforto. Mas eles podem sinalizar duas variantes:

1. O movimento pessoal de domínio de sua dinâmica de vida. Cuidar de sua casa, seu templo, sua vida, limpar, eliminar os lixos, os resíduos. Preparar seu sustento; se cuidar; se alimentar. Conduzir a sua vida.

Pessoalmente penso nessas tarefas como essenciais no processo de amadurecimento. Para mim uma pessoa só amadurece quando consegue cuidar de si mesma, e não quando compra esse “cuidar”.

2. Indicação de desgaste, excesso de dever, responsabilidade. Falta de gáz, seria indicação de falta de fogo? Energia? Desgaste? Esgotamento? Há excesso de preocupação? Tensão? Ou é compensação pela ausência de comprometimento com as tarefas do dia a dia?

Para Refletir!


a Borallheira transformada em Rainha

Queen Cinderella - Art Print 
by Howard David Johnson

sábado, 24 de abril de 2010

A BRUXA NO ESPELHO

      Ticiano Vecellio, 1514, Amor Sacro e Amor Profano
Galeria Borghese, Roma
“MdeLON”

sonhei que entrava numa casa pela porta dos fundos,ao entra me vi numa biblioteca, comecei a procurar livros quando surgiu uma mulher que parecia uma pessoa muito sabia,que me falou que se era conhecimento que eu queria deveria sair da casa dar a volta e entrar na casa pela porta da frente.Imediatamente fiz o que falou. Ao abrir a porta da frente, havia um pequeno corredor ao entrar a minha direita na parede tinha um espelho o qual me olhei vi refletida a imagem de uma bruxa com os olhos cor de fogo, corredor que dava acesso a uma sala que mais parecia um consultório.Tinha varias pessoas com capuz todas de cinza,e a primeira pessoa se levantou sem capuz veio em minha direçao e vi que era meu filho e me dizia :
- Mãe eu te perdôo.

O sonho parece-me instigante, mas alguns detalhes não favorecem:

A leitura de um sonho pode ser feita independente do tempo em que ocorreu, mas tem relação com aquele momento específico, com o cenário em que o sonhador estava inserido, com as atitudes desenvolvidas pela pessoa para as exigências da realidade naquele tempo. Portanto considere estas variáveis para tirar proveito de algum conteúdo que ainda se mantém ou que ainda se repete no seu repertório de respostas dentro de sua realidade. No caso de existência de conflitos a referência é o passado passado, não diz respeito à realidade presente. Realço pela citação: ‘...na época desse sonho eu fazia...”.

Outro detalhe: Identifico-me com os estudiosos que acreditam que o inconsciente nada tem a esconder, e que, portanto nâo se esconde em imagens, subterfúgios ou símbolos para dizer alguma coisa. Ele diz dentro de seus limites, o que aponto como primordial para que o individuo reavalie a rota de sua vida previna-se com mudanças necessárias e evite desastres e sofrimentos desnecessários. Neste aspecto o sentido do sonho é funcionar como instrumento de atualização, reestruturação, compensação e em situações de urgência, Confronto. Estes, os confrontos, podem surgir de forma suave ou intensa e dependerão da posição, em estágio de desenvolvimento, em que o individuo se encontra. Quanto maiores se anunciam os perigos do individuo atravessar a faixa de segurança definidas pela psiquê a partir de referências instintivas e codificadas geneticamente mais intensas as evidências, maiores os confrontos. Como se o rompimento das margens de segurança fortalecessem conteúdos autônomos ameaçadores à psiquê.

Considerando estes detalhes, sua reflexão deverá levar em conta as variáveis citadas na sua avaliação e busca de compreensão.

Entrar pela casa pela porta dos fundos é exatamente escolher portas secundárias de entrada na sua casa, subterfúgios, dissimulações, máscaras. Entrar por trás. A mulher que surge parece-me imagem arquetípica que te orienta a refazer sua entrada, seu comportamento, referenciada no eixo de sua vida. Disse-lhe parece-me porque pode ser um lado pessoal que conduz e referência moral, de princípios, de ética, e que lhe aponta   a nova entrada para não incorrer em erros que possam ser devastadores na tua vida.

Voce aceita a condução deste princípio, deste lado e refaz sua entrada pela frente.

Você entra se depara com um corredor, transição, instabilidade, período de travessia, de mudança de margem. E aí...SURPRISE!!!!

Você vê um espelho com a imagem de uma bruxa. Você se depara com seu lado sombra, a bruxa espelhada. Seria ela narcísica? Possivelmente pode ser uma evidência de um momento narcísico, egocentrado. Um momento em que poderia estar voltada para vivências de grupo, ou coletivas que espelhassem, Exoterismo, Hermetismo, Privacidade, segredos inconfessáveis, buscas que poderiam contrariar princípios severos de formação. Por exemplo: Uma pessoa de formação familiar, cristã, ortodoxa, poderia desenvolver conflitos ou ser confrontada de acordo com a rigidez da formação, se passasse a buscar grupos religiosos alternativos. Captou?

E do meio do grupo surge o filho te perdoando. Cristãos em geral já nascem do pecado, carregando a culpa, mas mulheres tendem, em decorrência da pressão social histórica, a carregar mais culpas do que os homens. A culpa da mulher nasce na ambivalência do conflito entre a os conceitos e a imagem de pureza virginal e sagrada e de pecadora e fonte de prazer do profano e do pecado.

Ou seja, a mulher se liberta na maternidade. Vive a luxuria, peca é fecundada, e a gestação, imagem exposta do pecado é sacralizada na maternidade. Aí minha cara, a mulher passará a vida frente ao produto do pecado sacralizado. Inevitavelmente e dificilmente as mulheres conseguem se libertar da culpa, principalmente porque não abrem mão da ideia mítica do sagrado. Dificilmente a mulher se torna humana e, portanto carrega pela vida a culpa quando foca a construção de sua individualidade e de sua maturação. Correm o risco de fortalecer conteúdos psíquicos do imaginário, ilusórios e infantis, não atingindo a plena maturação.

O sonho pode espelhar essa ambivalência, o conflito entre suas buscas no presente e seu passado, o seu fortalecimento enquanto pessoa, a sua maturação humana como individuo pleno e o seu papel maternal e sagrado, mas aprisionador porque apenas fruto de expectativa ancestral. Neste aspecto o trabalho no presente pode transformar esses conteúdos míticos que anseiam se transformar e se realizar.



Alguns trechos da leitura será post na reflexão do Blog Aeternus Femininus

terça-feira, 13 de abril de 2010

O SOBRADO MOFADO

O sobradinho  

CH 46

2ª parte de 45

Vale dizer que isso já aconteceu comigo algumas vezes em época de escola e faziam isso por mal e não para roubarem o que era meu. Eu nunca tinha reação além de ficar desesperada com vontade de chorar e, quando tinha coragem de contar a professora, pouco adiantava, pois se não achavam ficava por isso mesmo. No sonho eu não desesperei, pois sabia que, caso não achassem meus pertences, ficaria pior para todos e eu não ia ser a única prejudicada na história como de fato já me aconteceu algumas vezes quando criança. Foi então que, no sonho, uma jovem escreveu num papel: ‘Argumentação convincente’ e mostrou para todos da classe. Foi então que cada um dos alunos começou a tirar alguma coisa minha que havia escondido na carteira e a professora foi pegando e me entregando. Havia até um chapéu estilo caubói que ela colocou na minha cabeça depois de beijar minha testa. Então percebi que essa professora era muito parecida com a jovem que conhecera no intervalo, mas não posso garantir que eram a mesma pessoa. Embora ainda estivesse irada, acalmei-me vendo que tudo não passara de uma brincadeira de exagerado mau gosto. O sonho continuou, mas não recordo o que veio depois.

   
*****
O SONHO DO SOBRADO

Por último veio o sonho que tive ao amanhecer. Vale explicar que minha irmã nunca morou em sobrado, a não ser na época em que morava aqui em casa com mamãe e meu pai (que não é o mesmo dela e já faleceu há nove anos).

Pois bem, no sonho ela havia morado no sobrado aqui de casa (que atualmente está alugado) e se mudara há algum tempo. Olhando da parte térrea (a qual moro atualmente, mas que no sonho estava vazia) o teto estava todo mofado, tanto que o branco se transformara quase todo em preto, principalmente nos cantos. Eu subi para conferir como estava lá em cima. O chão parecia encharcado e não lembro se havia água sobre o mesmo. Ainda havia alguns móveis e eu comecei a assistir a televisão que estava ligada quando resolvi ir ao banheiro dar uma conferida em como ficara tal cômodo. Ao chegar lá me deparei com muitas coisas da minha irmã, tantas que era como se ela não houvesse mudado ou então houvesse esquecido de levar seus pertences do banheiro. Havia uma bancada diferente na pia e tinha uma infinidade de cremes e perfumes. Pensei comigo que se ela de fato não fosse querer aquelas coisas eu ia pegá-las todas para mim. Vale dizer que, como meu cunhado é transferido de cidade de tempos em tempos por causa da profissão (agora isso parou um pouco pois ele tem viajado bastante, ficando em hotel mesmo, e está quase aposentando), eles sempre mudaram muito e, quase em todas às vezes, minha irmã tinha mania de querer renovar tudo e então de fato costuma dar, vender ou deixar para trás algumas coisas. Senti-me uma criança perto da esperança de poder ganhar um prêmio pensando que, provavelmente, tudo aquilo ia ficar para mim. Fui lavar a mão e a rosca de cima da torneira saiu, de forma que a mesma não fechava, mas com jeitinho consegui parafusá-la outra vez, mesmo sem ter uma chave de fenda. Nisso alguém me chamou da sala dizendo que já estava passando na televisão não me lembro o quê. Fui para a sala e fiquei assistindo televisão enquanto comentava o programa com a tal mulher.

Para mim cada sonho é mais interessante que o outro, mas são daquele tipo que só alguém que entende como você para me ajudar a decifrá-los melhor...


ADENDO AO CH 45
A ideia do sonho se mantém, o sÍmbolo do chapéu é de soberania, poder, representa a cabeça, o cabelo e os pensamentos. Você recebe seu chapéu, recebe o signo de poder e de autoridade, como pessoalidade, individuo que resgata o seu poder. Parece-me um ritual de apresentação tribal e introdução à vida adulta.

O SONHOS do SOBRADO MOLHADO

No seu quarto existe “mofo”? Pode ser que a existência real tenha desencadeado a manifestação no sonho, em decorrência de cheiro, ou presença no ar. Cheiro de velho. Essa é a irmã que faz dupla com a mãe? No período ela está mais próxima? Interferindo indiretamente na sua relação com sua mãe? É possível que queira seu afastamento e distanciamento? Reflita!


Casa é referência básica de nós mesmos, nosso templo, nossa vida, nosso corpo. O sobrado apresenta mofo e vazamento (você se menstruou? Vontade de urinar?). Problema que você detecta e corrige (concerto da torneira). O Prêmio é a satisfação de ganhar presente, cheiro bom, pele cuidada, alegria, individualidade.
Eu foco um detalhe que salta no sonho: Lavar as mãos, a torneira se desarranja, você, com calma, consegue parafusá-la. Possuímos dois dedos que funcionam como pinça a partir da maturação neuro-psico-motora. Penso numa sinalização de maturação, em suas respostas frente à realidade e na sua dinâmica de desenvolvimento. Se considerarmos os 3 últimos sonhos, ocorre a Passividade, o reclame na sala como atitude ativa, e a correção do estrago do enguiço... Um avanço na sua capacidade de responder à exigência da realidade. O sonho pode aparecer como compensação de sua necessidade, ou como sinal de transformação de suas respostas. Tendo a preferir a segunda possibilidade. Principalmente porque o nível de tensão é reduzido após o confronto, ou após sua resposta, o sonho se fecha você indo se informar ou se divertir em frente à TV.

Percebo o sonho acima como MUITO significativo, em decorrência da mudança de postura no seu universo onírico. O sonho fala por si. O PROBLEMA É A SOLUÇÃO. O fato de muito ter-mos de caminhar não quer dizer que tenhamos que ficar tristes com os desafios, prefiro a alegria das conquistas à tristeza de ter que cumprir os desígnios. E essas mudanças são sinais de suas conquistas na sua jornada.

SUA CASA ESTÁ SENDO CONCERTADA,
 REVISADA, VISITADA, RECONSTRUIDA
 POR VOCE MESMA.

Para mim cada sonho é mais interessante que o outro, mas são daquele tipo que só alguém que entende como você para me ajudar a decifrá-los melhor...

Tenho o intento de decifrar, mas me considero apenas um sujeito sensível e bom investigador! De qualquer forma, obrigado pela deferência.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

BEIJO


Tenho aqui mais um sonho: Não lembro o que sonhei inicialmente, mas pouco antes de acordar eu estava numa casa bonita, mas bem diferente. Não sei de quem era, mas eu parecia tranqüila lá dentro até o momento em que entrei por uma espécie de cômodos secretos cujas portas de levantar estavam um pouco emperradas e eu tinha que agachar para passar. Achei interessante aquilo e não me importei, mas na volta, quando estava indo embora, percebi que a passagem da escada, a qual impressionantemente era feita de tecido, estava despregando a costura e não dava para pular, de forma que eu fiquei presa sem ter como sair. Mas eu estava disposta a dar um jeito e sair dali de qualquer maneira. Não seio que sucedeu, mas depois disso eu estava noutro cômodo, não sei se na mesma casa, e troquei vários beijos com um homem de uma forma muito intensa e até lasciva. Senti inveja de mim mesma naquele beijo como se soubesse que aquilo era só um sonho. Havia outro casal que se preparava para tomar banho e eu me sentia bastante natural e à vontade. Quando o homem com quem eu trocava beijos foi embora ou foi buscar algo, não sei, eu procurei água para beber, mas daí eu notei que só havia um ultimo copo de água filtrada. Não quis tomar, pois eu me sentia como uma visitante e não tinha tal liberdade. Também não sei o que aconteceu nesse meio tempo de sonho, mas na seqüência eu fui à padaria acompanhando alguma pessoa que não sei definir quem era. Essa pessoa, que era uma mulher, comprou algumas quitandas e na volta ofereceu-me um café e eu aceitei. O café ali saia da maquina de graça e por isso, muitas pessoas faziam o lanche no próprio lugar. Apesar de termos tomado o café, ela disse que iríamos comer em casa. No que terminei de tomar meu café percebi que havia perdido um pé do meu chinelo e já era o segundo par que perdia ali, sinal de que era a segunda vez que ia naquela padaria. Nisso ela me mostrou uma caixa de achados e perdidos e lá encontrei tanto o pé do chinelo com que estava quanto o outro par perdido outrora. Fiquei feliz por encontrá-los e poder pegá-los de volta, só que, enquanto tentava guardar o chinelo que perdera outrora na bolsa e me retirava da padaria, a mulher que estava comigo já havia ido embora e, apesar de saber que já tinha ido ali outra vez, não lembrava o caminho de volta para a casa dela. Fiquei olhando para a rua inclinada. Tinha impressão que o caminho era descendo, mas também tinha a sensação de que deveria ser subindo e não conseguia de forma alguma saber para onde ir e nem entender porque ela não me esperara. Nisso acordei.

Neste sonho aparecem alguns sinais interessantes, mesmo que possam sinalizar representações aparentemente simples. A casa parece-me o reencontro com sua casa, mesmo que ainda não a identifique como sua, mas já surgem sinais de afeto (reconciliação afetiva com o masculino, ainda que a aproximação seja carregada de energia sexual). Tudo bem, o beijo você o sente como excepcional, e mesmo que ele seja compensatório de carência (afetiva, emocional ou sexual), ou compensação por estar, na realidade, beijando alguém que não faz a sua cabeça, ele sinaliza uma reconciliação com o masculino que transpassa a distância, a resistência e defesas anunciada anteriormente em sonhos. Outro sinal afetivo: partilha de alimentos. Associo o encontro do chinelo com o reencontro do caminho da humildade. Foi perdido e parece-me que está sendo rencontrado, ou a necessidade de reencontrar esse caminho para calçar e proteger sua caminhada. Como o momento é de transição, nada mais natural poder descer como poder subir, mesmo que a passagem, a escada, a transição, ainda seja um caminho delicado e frágil. O movimento esta sendo feito e a dinâmica favorece a volta para casa, para você mesma.