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terça-feira, 9 de novembro de 2010

PERDIDAS NA NOITE

 Duodécima Figura do
  Pequeño Tratado Sobre La Piedra Filosofal -
Lambsprinck - traducido de la edición de 1677
del Museum Hermeticum -

Em segundo sonhei que estava perdida com uma outra jovem e no escuro da noite subíamos um morro. Imaginei se ela realmente existia ou se seria um anjo em forma de pessoa que aparecera para me ajudar. Quando chegamos no topo do morro, ela entrou numa casa cuja porta estava aberta. Parecíamos buscar um abrigo e agindo às escondidas (ao menos eu sentia assim) demos de cara com a moradora. Era uma senhora já idosa, a qual dançou na nossa frente. A jovem dançou para ela e a velha pensou que fôssemos almas de outro mundo, não imaginando que éramos estranhas que havíamos adentrado em sua residência. Nisso a jovem se fantasiou com uma blusa e uns colares da velha e, achando aquilo divertido, fiz o mesmo, mas nisso chegou o filho da velha e rapidamente me escondi. Pensei que a outra jovem também se escondera, mas não, ela conversara com o homem e ele se interessara de nos deixar morar com a senhora mãe dele. Era bom demais o fato de, aparentemente do nada, termos conseguido um local para habitar. Realmente imaginei que essa jovem deveria ser um anjo. Nisso fomos conhecer o resto da casa e no quintal havia uma piscina enorme. Lá várias pessoas se divertiam. Pareciam pessoas famosas. Dois homens pareciam brigar, ou estavam brincando disso. Também entrei na piscina que era bastante funda e me questionei como pessoas tão simples (não sei porque as julguei de simples) tinham chegado tão longe a ponto de possuírem fama.

Dois aspectos significativos:

1. Estar perdida;

2. Escalar, subir o morro.

Não parecem antagônicos, paradoxais, mas o são. A não ser que definam o antes e o depois, ou o passado e o presente. Se não estiver relacionado ao tempo, o paradoxo é visível já que a subida indica caminho de percepção, luz, conhecimento, consciência, não estar perdido.

A imagem é clara: perdidas na noite escura. A imagem fala por si. Refere-se ao passado ou ao presente.

Se a referência é ao passado o foco do inconsciente ilumina a “subida” que representa o presente. A saída do caminho perdido, do estado de perdição, de não consciência, de escuridão..

Se a referência é ao presente o foco pode ser referência aos hábitos noturnos. Como não tenho informações sobre sua vida noturna, avalio a primeira possibilidade.

Perdido é perdido, na realidade ou no mundo interior. E a subida é ascensão que permite a consciência se situar no espaço. Vê melhor e mais amplamente quem vê de cima. Enfiado no vale, no buraco, o olhar é limitado e obscurecido, o olhar é bloqueado pelas interferências e pela proximidade. Quem vê de cima, do morro, vê mais longe.

Simbolicamente você caminha para poder ter uma visão mais clara do cenário de te circunda, onde você está. Mas pode se acreditar ainda perdida.

Um detalhe, você repete um velho padrão:

“Imaginei se ela realmente existia ou se seria um anjo em forma de pessoa que aparecera para me ajudar.”

É perceptível a repetição, em vários sonhos, de um padrão em que você para se proteger ou para acreditar que tem o controle da situação, recorre em avaliações precipitadas e diagnóstico precoce do cenário em que está inserida.

Quando detecta perigo iminente, ou quando a situação foge de seu controle, imediatamente você define e classifica o outro, dentro do que lhe parece mais conveniente e confortável. Assim o homem ameaçador se torna protetor, a menina desconhecida se torna anjo, o rapaz que chega se torna ameaça, etc. Essa atitude que anteriormente defini com ansiosa, leva-a a realizar o enquadramento do cenário em uma realidade que lhe favorece o conforto e o escape.

Às vezes o artifício se transforma em medo, acionado por mecanismos que a leva a evitar uma atitude mais ativa, “Pró-Ativa”. Você se esconde, se protege, se defende, evita se expor, se comprometer. A realidade lhe aparece ameaçadora, mesmo não o sendo, e você se esconde, recua, acuada com um bichinho assustado que não que enfrentar uma realidade que a assusta, que a desagrada. A inferioridade e a baixa estima comandam sua resposta de evitação, e aflora a menina manipuladora, controladora que se engana.

Uma mensagem possível do inconsciente seria: Para avançar em seu processo de maturação é necessário parar de fugir, parar de temer as cobranças, abandonar a severidade que a reveste com “CULPADA” “ERRADA”. Está na hora de assumir uma postura mais ativa, deixar de antecipar a sua condenação pelo outro, abandonar o “Pré Conceito”.

A velha pode ser referência da Velha Sábia, o arquétipo que se prepara para ocupar o espaço de comando se a o Puer, a eterna criança, se permitir se transformar deixando de se fixar na repetição do eterno irrealizado.

E a fama te coloca em situação de suscetibilidade frente à sua grande necessidade de superar suas dificuldades. Neste aspecto a fama lhe aparece como uma possibilidade compensatória nesta condição de inferioridade. O único portal, sua única chance de realizar sua libertação.

 

terça-feira, 31 de agosto de 2010

DIVINA GRAÇA E ÊXTASE




Carla153

Eu estava no meio de um grupo de ciganos, mas em verdade parecíamos mendigos. Um senhor aproximou-se de mim mostrando que havia ganho um creme de leite e ofereceu-me. Eu peguei a embalagem e agradeci-o dizendo que não estava com apetite. Meu tom de voz era muito suave e calmo, eu sentia uma doce paz dentro de mim e nada me amedrontava ou desconfortava-me. Nisso uma jovem do bando aproximou-se como se estivesse com ciúmes e retirou-o de perto de mim. Afastada do pessoal eu me despedi e comecei a passar pelo meio de uma multidão de pessoas que transitavam numa espécie de mercado-feira. Nisso me deu vontade de dançar. Firmei o pensamento e comecei a me ver e sentir-me dentro de um lindo vestido rodado vermelho-vinho de veludo e renda. Conforme eu levantava a roda da ultima saia, aparecia a parte de baixo feita de cetim branco plissado. Eu rodava com velocidade para ambos os lados e sapateava os pés, mesmo estando apenas com uma sapatilha. Olhei para um dos cantos e vi um jovem recolhendo as moedas que alguns passantes jogavam-lhe no chão. Pensei que poderia ganhar dinheiro com minha dança, entretanto, ninguém parecia estar nem aí para mim. Ninguém me olhava ou parecia se interessar com minha apresentação. Não me senti mal com isso, era como se já estivesse acostumada e soubesse que a realidade era aquela. Pensei comigo mesma que, por mais belo que fosse aquele vestido tão cheio de saias rodadas, preferiria uma roupa de dança do ventre, pois não teria o peso daquele vestido. O mesmo era tão pesado que dificultava meus movimentos. Não sei exatamente por que sonhei com isso. Depois eu estava em um templo, mas ciganos não podiam entrar em tais locais e eu o fazia escondido. Indescritível buscar palavras para o que senti dentro do sonho. Era como se eu estivesse diante de todos os santos, anjos e personagens bíblicos celestes e puros. Era como se eu fosse a criatura mais pequena do universo e, ao mesmo tempo, a mais íntima da realeza divina. Ali eu esquecia o fato de nada ser perante os homens da Terra, pois aquela sensação de paz profunda me levava a sentir que eu era uma parte ativa da luz do Céu.

Como disse, acho que faltam palavras para descrever algo que, de tão grandioso e bom, me faz questionar: como tive a graça de um sonho desses?

Infelizmente eu lembro muito pouco do sonho, mas ainda conservo a sensação inexplicável de bem-aventurança. É algo tão indescritível e mágico que até me perturba por provocar uma vontade de quero mais, de querer sentir isso para sempre. Sei que sonhei bastante essa noite, mas isso é tudo o que recordo.

 

DIVINA GRAÇA E ÊXTASE II

Raquel Brice


Salvo engano, no último ano seus sonhos deixaram de ser angustiantes se transformando em sonhos mais serenos, agradáveis e dadivosos. Este é uma ótima referência do significado de suas transformações internas. Quando a dinâmica onírica se mostra conturbada, promovendo angustias e sofrimentos, desconforto e até receios do repouso é sinal de que o fluxo do rio da vida está sendo desviado, produzindo desconforto, caos e desordem.

A tônica deve ser o bem estar. Eu não tenho dúvidas de que a vida não é uma festa, mas isto não quer dizer que ela tenha que ser um martírio.

Quando sintonizamos o fluxo da vida, interrompemos o processo de desordem e desequilíbrio que produzimos com as inquietações, os tormentos, as revoltas e as escolhas insensatas, apressadas, que relevam o importante e prioriza o insignificante.

Quando paramos de produzir transtornos e seguimos em consonância com o espírito, o caminho fica mais leve, mais suave e o sofrimento não se impõe. O sofrimento se impõe quando queremos conduzir a vida sem considerar seus pressupostos básicos.

Sua sensibilidade se mostra e você começa a entender o “espírito da coisa”, a ideia, o princípio. A vida pode ser um mar de lama ou de graças alcançadas, a escolha é pessoal. Seu esforço pessoal neste último ano dá mostras de que avançou, e sabemos do avanço pela agradável sensação de sermos agraciados com as graças divinas, com o prazer da harmonia, com a força do numinoso que aflora e se deixa ser experimentado.

Nestes tempos de tormentas, onde os desesperados buscam amortecedores nas drogas lícitas e ilícitas, a busca pelo prazer se mostra imperativa e projeção do sofrimento. Quanto mais tormentos mais drogas, mais amortecedores para aliviar o desconforto de viver, as cobranças, a competição, a frustração, a infelicidade.

Quando escolhemos caminhos verdadeiros, trabalhamos em prol dessa harmonia e a vida nos agracia com prazeres inimagináveis e sensações de alegria, satisfação e felicidade.



O SONHO

"Pensei comigo mesma que, por mais belo que fosse aquele vestido tão cheio de saias rodadas, preferiria uma roupa de dança do ventre, pois não teria o peso daquele vestido. O mesmo era tão pesado que dificultava meus movimentos."

A pele do humano civilizado se reveste do socialmente aceitável, mas muitas vezes o aceitável pode ser uma roupagem mais leve que não impeça seus movimentos, sua dança, seus passos, sua graça ou sua capacidade e poder de sedução.

O movimento indica mudança de atitude

Abandonar, pois pesada, a velha roupagem e abrir espaço para a tendência de se mostrar leve, flexível, em movimento. Pouco esforço, mais resultados, mais alegria e menos sofrimento.

Depois eu estava em um templo, mas ciganos não podiam entrar em tais locais e eu o fazia escondida. Indescritível buscar palavras para o que senti dentro do sonho. Era como se eu estivesse diante de todos os santos, anjos e personagens bíblicos celestes e puros. Era como se eu fosse a criatura mais pequena do universo e, ao mesmo tempo, a mais íntima da realeza divina.

Ciganos são povos nômades, livres, e identificados com os seus valores singulares. Vale a pena investigar se tens origens nômade, indígena ou europeia. Pode clarear o significado de algumas tendências. Se não há origem, então considere o simbolismo de um povo corajoso, unido em tribos, que celebra a força da paixão, do amor e da alegria, sem se fixar, aprisionar, ou abandonar a referência ancestral,

A consciência da insignificância do ser humano frente a grandeza do universo é um passo favorável para encontrar o tamanho que temos ou que somos. A auto estima se reconfigura, se resignifica.

A força da vaidade ainda se exibe, a necessidade de reconhecimento ainda remanesce.

Veja: somos pequenos, mas o alvo indica o realce do filtro. Independente da humildade de reconhecer a pequenez diante do universo, o foco nesse pequeno realça a condição que causa desconforto. A mudança é plena e ocorre com a consciência da relatividade dessa pequenez. Pequenos diante do universo, grandes frente ao microcosmo. Quando essa consciência se instala não existe o grande nem o pequeno apenas o que existe. E neste aspecto a consciência como aquisição excepcional não se restringe à dualidade das diferenças entre o pequeno e o grande.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

DANÇA E CIUME


Carla113


Em sexto eu estava procurando um terreiro de Umbanda por umas vilas. Eu parecia tranquila com o pessoal desconhecido. Estava de noite e a claridade das luzes eram fracas, mas ainda assim pude notar a beleza dos moços e homens morenos e negros. Nisso fui informada de que o terreiro era ali mesmo e que logo começariam a trabalhar. Fiquei esperando e de fato não demorou, mas antes houve uma espécie de dança teatral um pouco exagerada. Era uma cena sobre ciúmes. De um lado havia um casal dançando e bailavam com tanta velocidade que começaram a derrubar os copos e algumas coisas de comer que estavam numa mesa no centro do local. Parece que eles esbarravam na mesa de propósito. Do outro lado da mesa chegou um rapaz numa moto e ele acelerava muito para demonstrar seu ciúme. Achei aquela encenação bastante carregada e não entendia, pois parecia muito real como se não fosse apenas um mero teatrinho dançante.

Existe um “intento”, voltado para o ritual religioso, para o trabalho religioso. A pré ocupação, O FOCO  está voltado para localizar o lugar no espaço onde a intenção se realiza. A atenção aprendida você é lançada  noalvo do sonho:

E neste momento ocorre o imprevisível, a dança, o movimento desconstrutivo, impulsivo, caótico, destrutivo. O embate, a competição.

Você define o evento como ciúme. Podem ser conteúdos de inconsciente, pulsões, fora de controle que acionam a competição em você, uma competição destrutiva, desconstrutiva. O ciúme é armadilha da vaidade, do egoísmo, da possessividade.

O sujeito incorpora o equivoco de que é o único sentido na vida do outro, o melhor, sem perceber que passa por cima do direito alheio de realizar outras escolhas. A insegurança, inferioridade, medo à rejeição se realçam e são projetados de forma possessiva e agressiva. É a forma de domínio pela imposição, a autoridade que se impõe para realizar seu desejo ou mostrar sua insatisfação. Pode ser uma outra faceta da 'Justiceira".

Outro detalhe que me chama a atenção é a velocidade. Observe se sua forma de realizar as coisas é acelerada, descontrolada ou, impaciente, ou se há comportamento dispersivo, falta de atenção, de eixo. O que favorece ou é resultado de ações impensadas, obsecadas.

Se pudesse chegar a uma mensagem, eu diria: existem atitudes e comportamentos, e preços que pagamos que podem ser mais altos e produzir mais consequências do que poderíamos imaginar ou querer. É preciso interromper e paralisar essas respostas para que parem seu processo de crescimento, ou antes, que se tornem monstros destrutivos pela vida afora.

sábado, 15 de maio de 2010

A DANÇA DO TEMPO II


CH 66


Sonhei que algumas pessoas me explicavam sobre o sono e numa de suas fases, exatamente a do sonho, o individuo era levado a um compartimento redondo com infinitas super dimensões que atraiam situações difíceis que visavam à superação, bem como situações fáceis e agradáveis que serviam de prêmio e conforto meritório perante as superações virtualmente adquiridas. Assim aquela câmara individual interagia com a pessoa que nela entrava para viver os fatos, os quais posteriormente poderiam ser vagamente lembrados em forma de sonhos. Explicaram-me que a função ali era ganhar tempo de superação e interagir com fatos benéficos ao desenvolvimento pessoal (mesmos que sob forma de pesadelos). Os fatos eram divididos em três categorias:

1. Os improváveis de ocorrer na realidade da pessoa;

2. Os prováveis de acontecer futuramente, fosse de forma parecida ou idêntica (este último ligado a pessoas com dons especiais de premonição); e

3. Os impossíveis de se tornarem reais (por irem além das leis físicas).

Seria como viver uma semana de condicionamento emocional e psíquico a cada noite bem interagida naquele compartimento. Ali o tempo se tornava elástico e as projeções multidimensionais vivenciadas eram completamente especificas a cada individuo. Ali era possível sentir dor sem estar de fato ferido, sentir frio sem de fato estar na neve, sentir a água sem de fato estar molhado, etc. mesmo podendo crer piamente estar ferido, na neve ou na água da chuva. A interatividade manipulava a pessoa de forma a fazê-la vivenciar o irreal como sobrenaturalmente real. O esquecimento do que se passava lá dentro ocorria pela grande quantidade de ‘vivência’ tida numa simultaneidade complexa de ser entendida, a qual exigia muita concentração no desenrolar dos fatos, fazendo os mesmos serem rapidamente armazenados após a automação irreal vivenciada, surgindo assim a dificuldade da lembrança consciente.

Sei que passei por muitos sonhos (vivências) dentro da tal câmera ou compartimento redondo e lembro vagamente o conteúdo dos sentimentos aflorados. Acho que a raiva (sensação de estar sendo afrontada) foi à emoção mais sentida, porém não lembro das experiências em si, apenas a última que veio como um desfecho:

eu estava numa esquina segurando um papel que continha a escrita de uma declaração de amor. Do outro lado da rua havia um local de música. Senti vontade de dançar, mas eu estava sozinha e pensei que os homens daquele local (provavelmente um bar dançante) deveriam estar bêbados e os sóbrios deveriam estar acompanhados. A minha melancolia misturou-se ao ambiente que era escuro com a leve penumbra de uma noite de luar. Nisso a cantora saiu na porta e vieram cinco homens com trajes sociais pretos e gravatas em tons de prata, dourado e cobre vindo em minha direção. Eram todos lindos e eu senti-me lisonjeada. Eles atravessaram a rua estando três à frente e dois atrás, andando com classe, ao ritmo da musica. Da mesma calçada donde eu estava, vieram mais dois homens no mesmo estilo. Não houve disputa como se todos soubessem que teriam sua chance de dançar comigo. O que chegou primeiro, por coincidência o mais belo de todos os sete incrivelmente belos, estendeu-me a mão com galanteria e imergidos em profunda magia começamos a dançar. Notei que ele não parecia bêbado, mas dançava de uma forma completamente diferente. Tentava acompanhá-lo e aprender aquele jeito novo e inédito para mim de dança de salão. Não senti constrangida e nem ele pareceu se atrapalhar ou ficar impaciente pelo fato de eu não conseguir seguir seus passos. Era como se nós sentíssemos extremamente honrados em dançar um com o outro, independente da dança em si. Os demais sorriam numa alegria contagiante como se estivessem aguardando cada um o seu momento de glória. Minha auto-estima parecia reluzir interiormente.

Ao fim de cada vivência o pessoal me passava uma espécie de relatório com meu desempenho ou a aprendizagem que eu devia captar, algo muitíssimo interessante.

Como só recordo dessa ultima vivência, a mensagem era: ‘Se você focar a diferença dos passos na dança dos relacionamentos, sentir-se-á inadequada e inferior, mas se souber relevar e aceitar isso (e o mesmo deve se dar por parte do outro), curtirá uma agradável dança, mesmo que cada um tenha seu modo conhecido e preferido de conduzir os passos. Muitos novos aprendizados são bons, mas não são obrigatórios, portanto, não os tema. Não se prive de estar a bailar por conta das diferenças, pois você pode surpreender-se com o que existe por trás das mesmas a lhe favorecer. Também não julgue todos separando entre bêbados ou acompanhados, pois a generalização apressada é sempre uma falsa indução. Sem dúvida, embora eu só recorde isso, acho que foi um dos sonhos mais maluco e maravilhoso que já experimentei de uma forma muito real e ao mesmo tempo conscientemente irreal.

Por que sonhei com isso?

A DANÇA DO TEMPO II


Fred e a gravata dourada, com Ginger

É uma excelente pergunta! Não sei se saberei responder o porquê, posso tentar, mas a mensagem está expressa, e isso é o que importa, essa é a riqueza do sonho. Sua psiquê lhe transmite uma mensagem como um input para que você se reeduque na forma de conduzir, de se relacionar com o mundo, consigo mesma e na forma de usar o filtro de seleção do interesse, suas defesas, resistências, e aprenda a responder de forma mais positiva ao que a vida lhe propõe e não na mesmice e no simplismo de sempre.

Diante de um sonho me coloco como um adolescente experimentando pela primeira vez a descoberta do amor. Para falar a verdade, tenho esta forma de lidar com a vida a cada dia, como um frescor que me predispõe, como uma experiência única, especial, que mesmo repetida nunca será a mesma, mas vivida de outra forma. É assim que estou me sentindo diante de seu sonho.

Alem da mensagem se mostra visível, e possível, outros conteúdos, e outros mais que pela significância, relevância e profundidade as limitações nos impedem tocar.

O sonho posso considerá-lo como um presente pela mensagem transmitida e por acrescentar e agregar saber sobre mecanismos, constituição de diálogo, e pela troca, retorno, ao mostrar a capacidade do inconsciente de interagir com o individuo, de construir um diálogo quando é considerado e respeitado.

Compartilho sua sensação de encanto, pois o percebo e recebo como feed back da dinâmica de seu inconsciente.

O sonho é construído em duas fases: a primeira lhe introduz numa dinâmica em que você se mostra suscetível e conduzível: sua curiosidade e seu interesse voltado para a descoberta do novo definem suas características de seleção e filtros de escolhas. Assim o inconsciente oferece mel para quem gosta de açúcar e carinho para quem demanda carência, carro para quem gosta de engenharia ou velocidade, e por aí. No seu caso parece-me que sua criticidade excessiva só enfraquece a sua resistência e defesa quando encontra o inusitado, o fantástico, o incrível. E a psiquê lhe oferece o fantástico para que sua resistência e defesas reduzidas possam permitir sua fixação de atenção, aumento da capacidade de memória e de fixação da memória, para que a segunda parte do sonho ocorra.

Ou seja, a primeira parte lhe prepara as condições biofísicas para que a segunda metade se realize dentro de condições que você esteja em condições de ser linkada e comunicada do intento do inconsciente.

O sonho pode ocorrer independente do sonhador, seja no processo de reajuste, alinhamento e atualização dos mecanismos biofísicos. Mas quando mudanças de atitude se fazem necessárias no seu comportamento, a partir de seu comando mental, você deixa de ser um objeto passível de mudanças para ser responsável pelos inputs que determinam essa mudança. Neste caso a psiquê precisa dialogar com você, lhe comunicar onde é necessário que você realize mudanças para que interrompa o processo de impedimento, desmobilização e boicote da psiquê na sua busca de transformação ou de realizar seu intento original, aquilo para o qual esta configurada a fazer.

O primeiro caminho que a psiquê utiliza são os sonhos. Quando esse caminho se mostra inviável por impedimento do diálogo, ocorrem as invasões no pensamento. Uma tentativa do inconsciente de interferir no seu comportamento independente da sua vontade, ou sobre o poder de sua vontade, isso ocorre com fluxos de pulsões de impulsos. Se o individuo continua se acreditando superior esta força impulsiva aumenta e invade com mais intensidade e determinação a consciência. E aí... Todo o tipo de desvios e de comportamentos podem aflorar, determinando novos estados de “equilíbrio” mental, de relação com o sujeito (interna) e na relação com o mundo.

Quando o individuo restabelece a conexão cosigo mesmo, abrindo espaço para compreender “o que é este interior”, seu “espírito”, sua “alma”, reabre o dialogo com seu fluxo interior, com essas forças desconhecidas e as invasões na Câmara do Pensamento e da Consciência diminuem reestabelecendo a construção do diálogo através dos sonhos.

Definitivamente, o mecanismo do sonho é de atualização quando só depende de si próprio, da psiquê, e de interação como referência de comando do corpo quando exige sua participação. Caso contrário o sonho como mecanismo não precisaria se realizar, se a psiquê não tivesse o intento de comunicar sua mensagem. Neste caso o sonho seria um mecanismo inútil. Como isso é tolo, não é assim que ocorre, ele precisa lhe preparar, biofísica e mentalmente, para que esteja em condições de participar deste diálogo, e não precise interferir no seu comando de consciência que lhe é primordial e sua única possibilidade de sai da escuridão do tempo, na morada da inconsciência, da prisão do desconhecido.

Deixando de lado o conteúdo como resultante do mecanismo e olhando-o apenas como conteúdo, diria que a primeira parte a psiquê lhe alerta para a importância de diferenciar o real do imaginário e insere uma dinâmica de transmutação e metamorfose da libido. Neste caso a energia acumulada em forma de raiva ou ira se transmuta e pode ser, ou o é, reabsorvida para ser aplicada em ações mais positivas, lúdicas, ou que favoreçam a interação e a inserção no ambiente coletivo, como, por exemplo, a Dança

A ideia do tempo elástico é fenomenal, já me manifestei sobre isto, se não o foi aqui, possivelmente no blog Jornada da alma. Venho escrevendo sobre este fenômeno e o creio magnífico, e para mim definem a forma saudável ou doentia com que nos relacionamos com o universo. Agora aqui não há como avançar neste tema. Mas é admirável esta dica do seu inconsciente. Pensando bem.... uma dica:

Em síntese: É preciso que repense sua relação com o mundo através da dinâmica do tempo, pode haver equívocos nesta dimensão, presença de ansiedade ou ausência daquela que se faz importante, que nos impulsiona para a ação. É necessário que se liberte da prisão do tempo, ou da rigidez que ele favorece. Em princípio reavalie essa sua relação.

Ah! Sonhos premonitórios são bons indicativos de acontecimentos, o que não faz todos os sonhos o serem, o diferencial é a referência de realidade, a fantasia e aprender a lidar com os eventos para desenvolver a habilidade de diferenciá-los, para que não se perca na ilusão do tempo, em Maia.

A dança sempre lhe aparece com uma possibilidade de interação, envolvimento. Ja fez Dança? Danças? gostas? Parece-me que pode ser um elemento forte  para lhe favorecer o equilibrio.
Um detalhe: a mensagem pode ser indicativo de que a forma como avalia seu cenário define o sucesso ou o fracasso de suas relações interpessoais.


Bye

sábado, 6 de fevereiro de 2010

IRMANDADE E DANÇA 1



Fred Astaire e Ginger Rogers  
carlotinha 26

Olá.. meus sonhos parecem estar num patamar sentimental repetitivo. Primeiro sonhei que abraçava um rapaz meio franzino, mas que eu gostava muito e o chamava de meu irmão. Ele não era um irmão estilo protetor que muitas vezes idealizei de ter, mas eu sentia que isso pouca importância tinha, pois naquela cena senti que a protetora podia ser eu e senti-me bem. Eu queria passar carinho a ele, não porque ele explicitamente precisasse, mas porque eu sentia vontade disso e fazia-me bem demonstrar que queria seu abraço, bem como abraçá-lo e vê-lo bem. Eu estava sendo sincera perante meus sentimentos e sabia que aquela troca de afetos era benéfica para ambos e que, como qualquer ser humano, ambos precisávamos disso e nos sentiríamos melhores com isso. Interessante que eu repeti por três vezes a sentença ‘meu irmão’ como se para mim fosse inacreditável estar com ele naquele momento ou como se eu sentisse muita saudade dele. Embora na vida real esse irmão não exista, acho que poderia efetuar isso com qualquer pessoa que gostasse e bem quisesse de verdade, pois sempre acreditei muito nessa questão de irmandade humana.
Em segundo eu estava dançando com outro homem que, pelos meus sentimentos, deveria ser apenas um amigo. Eu me sentia tranqüila mesmo que ele não fosse o melhor companheiro ‘pé de valsa’ do local, pois estava na posse de minha liberdade de expressão, de decisão e na autonomia de mim mesma por completo. Também sonhei que conversava com outras pessoas, mas não lembro direito. Só sei que os sonhos continuam sendo cheios de energia amistosa que me fazem acordar com uma sensação muito agradável. Isso é apenas compensação do que ainda não vivo, uma vez que ainda não sou alguém completamente expressiva e afetuosa, ou será um indicio favorável de que estou me fortalecendo para as mudanças necessárias de que tanto me empenho para conseguir?

IRMANDADE E DANÇA 2

Nina Kaptsova - Bolshoi Ballet

Porque apenas uma e não as duas possibilidades?  Compensa e prepara! Considere também que o “irmão” pode estar relacionado a:

·         Seu lado masculino, como conteúdo interno;
·         A sua relação consigo mesma;
·         À compensação de seu desejo de manter níveis afetivos nas relações de irmandade ou familiares.
·         À configuração de relações afetivas com a figura masculina na realidade interna e externa;
·         O encontro da autonomia e da segurança de expressão e manifestação afetiva.

Irmandade é estabelecimento de relações fraterna, seja nos laços consanguíneos ou não, nas manifestações afetivas, baseadas na mútua proteção, na construção de vínculos estáveis e consolidados, estabilidade, segurança, confiança, disponibilidade, amizade, compartilhamento e intimidade. Ou seja, laços que não envolvem competição, disputa, ainda que essas relações permitam jogos de competição ou exercícios que não ultrapassem limites demarcados de irmandade, onde os interesses são mutuamente guardados.
Quando relações de irmandade ultrapassam esses limites de mútua proteção, os irmãos passam a privilegiar e resguardar apenas interesses pessoais. Neste caso a irmandade deixa de ser uma irmandade afetiva para se fixar apenas como irmandade “formal”, para não dizer que morreu. Geralmente as pessoas gostam de considerar essa irmandade formal já que assim mantém a idealização de uma continuidade de irmandade consanguínea. Não enterram a irmandade que fracassou.
No seu sonho volto a pensar em reconciliação com conteúdos de ordem familiar. Necessariamente não envolve a família, mas o seu reencontro com o conceito, com os conteúdos arquetípicos que envolvem a sua linhagem familiar. Conteúdos que poderiam estar sendo desconsiderados e que envolvem uma importância incomum no seu processo de libertação e crescimento. Podemos nos libertar (e devemos) da ideia de família, ou da família propriamente dita, nas relações coletivas, mas esta é uma libertação que se faz necessária no processo de constituição da individualidade, é uma libertação simbólica e conceitual, já que a nossa vinculação com a família transcende o passado e o futuro. Não há como romper essa conexão, com aqueles que nos antecedem ou com os que nos precederão. Esses vínculos dizem respeito à própria formação da natureza da vida.
O sonho pode parecer simples, mas envolve, pelo que percebo, uma importância fenomenal no estabelecimento de suas relação com suas origens, com seus princípios de gênese e com seu futuro. Na construção de nossos caminhos futuros não há como relevar a importância da irmandade, já que esse conceito, e esse significado simbólico definirá toda a relação com o mundo.
O que quero dizer é que a irmandade originada no seio familiar é a experiência que definirá as relações do sujeito com o coletivo, as sua relação com o mundo. Se os antecedentes de sua vida não favorecerem essa construção, essa projeção, toda a sua relação com o mundo e com as pessoas estará desacertada, contaminada.
Eu sinto (feeling) que é esse o processo por que passa, essa reconstrução, e a psique dá sinais de que o seu caminho vem sendo um bom caminho ( formação de atitudes, transformação,  mudanças, revisão conceitual nas relações com o coletivo) ainda que tudo possa ser um projeto em processo ou dinâmica de experimentação.
Mas a vida é assim, a mudança é anunciada, nos preparamos, as configurações se acasalam e um dia... rompemos as amarras que nos aprisionam em atitudes e respostas caducas.
A sequência do sonho (sendo um único sonho ou outro) é interessante: Voce encontra um parceiro e dança. Você relata : “Eu me sentia tranquila mesmo que ele não fosse o melhor companheiro ‘pé de valsa’ do local, pois estava na posse de minha liberdade de expressão, de decisão e na autonomia de mim mesma por completo.Este é o alvo, esta me parece a mensagem, este me parece um destino de quem se realiza plenamente: Tranquilidade, liberdade, capacidade de decidir e de escolher, autonomia e...TOTALIDADE.
Não tenha dúvidas, cultive a paciência, o tempo da estação de flores uma hora se apresenta, o caminho? O SER AMOROSO! AFETIVIDADE!
                                                 
Obs.: A bailarina é a imagem da mulher guerreira, que tem a consciência e o dominio do corpo. Símbolo da maturação. É uma homenagem à conquista, pelo individuo, da autonomia plena. 
                                                                         Bye.