sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO

                                                                         
     Celebremos!

Chegamos ao final de mais um ano,
felizes ou sofridos, mas ainda vivos! 

Por enquanto...Celebremos a travessia.






 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

SISTEMA SERPENTEADO


O Escudo da Medusa -
caravaggio (Michelangelo Merisi)
Galeria Degli Uffizi, Florença XVII  


Essa noite tive mais um sonho tenso com cobras. Eu estava num ambiente donde havia várias cobras de espécies diferentes e tamanho não muito grande. Geralmente nos sonhos com cobras eu as pego como se fosse uma alternativa sem escapatória para não ser picada. Então eu peguei uma das cobras e extraí-lhe uma tigelinha (dessas de sobremesa) de veneno. O liquido espirava com tanta força que tive de fechar os olhos com medo de algum acidente. A cobra pareceu ficar mais tensa do que eu depois de todo o processo e em nenhum momento deixou de tentar me picar fazendo uma grande força para revirar a cabeça, a qual eu segurava com jeito e mais força do que ela. Por fim, quando ela pareceu se acalmar, devolvi-a ao chão e ainda lhe joguei um monte de caramujos para que se alimentasse.

Parece-me um sonho simbolicamente especial. Não tenho a intenção de diferenciar sonhos, seria um equivoco. Os sonhos per si já são especiais, ainda que alguns sejam esplêndidos e outros possam espelhar um momento “absoluto” na vida psíquica de uma pessoa.

Este é um sonho que envolve a esplêndida essência da vida, da existência e a conexão dessa essência com a consciência que origina, formata, desenvolve e consolida.

O sonho foca um detalhe fundamental: São várias cobras. São várias e diferenciadas manifestações. Em um processo de totalidade e de integração eu poderia fazer duas associações com essa imagem:

1. A primeira está no Post Serpente e Kundaline

A relação direta com a kundaline já foi falada procure no indicador temático “kundaline”. É propício rever o conteúdo.



Rede Nervosa - pulsos elétricos, sinapses, neuronios

2. A segunda, acrescento:

As cobras geralmente são sempre associadas à libido, à energia. Neste sonho eu mantenho essa associação e a complemento como representação simbólica do sistema nervoso.

Observe que a imagem das conexões nervosas que apresento acima mostra profunda semelhança com cobras diferenciadas em formato e tamanho.

Não e demais concluir que a psique pode estar fazendo referência ao domínio que aplica sobre as funções e desenvolvimento do seu sistema nervoso. Há, portanto, indicação de ação, movimento, atitude, formas de configurações na recepção, compreensão e respostas diante da realidade, diante do mundo.

A sua dinâmica psíquica indica maturação e consciência propícia ao autodomínio, disciplina, controle de pulsões, de reatividade envolvida por niveis elevados de tensão.

Essa elevado nível de tensão acionado por mudanças internas ou por dificuldades em apresentar respostas mais seguras diante de uma realidade que lhe parece muito exigente. Há um esfôrço para romper com as dificuldades pessoais e atender expectativas de participação, aceitação e interação mais adeuadas com o meio.

O veneno aspergido, através de suas atitudes, nas interações com o meio, está sob controle e domínio.

O caracol surge de forma especial: É símbolo Lunar, teofania (manifestação de Deus) lunar, indica regeneração periódica, receptáculo análogo com a vulva. No Antigo Egito o caracol simboliza a espiral evolutiva. Neste aspecto, quando oferece os caracóis permite ao sistema o alimento de aprimoramento. A cobra se alimenta com conteúdos que elevam sua condição evolutiva.

Natural a associação, cobra, falus, se alimenta com caracol, vulva. Sua demanda sexual precisa ser atendida. A propensão à fertilização, fecundação, uma tendência do encontro entre mulher e homem, masculino e feminino.

Lembrando ainda que a ascensão da Kundaline é a subida espiralada dos níveis inferiores para os estágios superiores do desenvolvimento.

O caracol também simboliza o movimento na permanência, a temporalidade, a existência do ser na impermanência do universo.

Concluindo:

Eu não vejo possibilidade de aprimoramento ou evolução sem transformação do sistema nervoso, sem sua evolução, sem sua maturação.

É essa maturação que permite que a força do impacto da realidade sobre o sistema de rede nervosa que nos da a capacidade de apreender, assimilar e interagir com o mundo, não sucumba. A maturação do sistema nos dá condição de amortecer a marca imperativa e por vezes caótica da presença do universo atuando em nós. Seja pela hipersensibilidade, pela emocionalidade ou pela rigidez mental. Com a maturação do sistema temos o poder de administrar essa intervenção do universo, a realidade desse universo, e assimilá-lo nos blindando de ações negativas na nossa capacidade de processamento e de interação com o mundo.

Se pudesse falar metaforicamente diria que com a maturação podemos atravessar com classe a onda que se abate sobre nossas cabeças mantendo-nos no domínio na flutuação no oceano, e sem a maturação rodopiamos, como num caldo, como areia revirada, sem sabermos onde iremos parar e acabamos como que afogados.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AUTONOMIA E REALIDADE





Não lembro muito bem o que aconteceu, mas num sonho seguinte que pareceu-me uma sequencia, eu estava procurando informações sobre uma segunda oportunidade de emprego, a qual fora oferecida por um deputado. Digo segunda pois parece que eu já estava praticamente empregada numa vaga que surgira inicialmente (acho que de uma empresa) e, dentro do sonho, isso parecia ter relação com o meu atual emprego. A principio achava a ideia de trabalhar para um deputado ousada demais para mim, mas procurei até encontrar uma jovem que conhecia a família do mesmo, que já fora empregada dele e que se ofereceu de me dar algumas dicas. Inicialmente achei-a “patricinha”, toda produzida e chique sobre um salto alto. Embora tenha surgido de minha parte uma comparação, não quis diminuir-me por ter um jeito simplório e isso não inibiu-me de pensar que poderia sim trabalhar para o deputado. Além disso percebi que, embora fosse “patricinha”, a jovem era legal. Quis saber que tipo de emprego era e ela explicou-me que seria contratada uma pessoa para cuidar da sogra dele, disse-me que a “velha” era cheia de manias, mas que se ela gostasse de mim poderíamos ser boas amigas e daí eu só teria o trabalho normal de lidar com uma pessoa nas devidas debilitações naturais da idade. Senti-me certa de que a “velha” ia gostar de mim. Como se estivesse me dando um treinamento a jovem ensinou-me onde e como levar a velha para passear, o modo para ajudar-lhe a sentar e levantar-se. Depois de uma hora ela olhou para o relógio dizendo que tinha um compromisso. Daí marcamos de nos ver no dia seguinte para outra aula. Além disso ela garantiu que me recomendaria ao “cargo”. Despedindo-me dela disse que ia imediatamente procurar o deputado para dizer que aceitava a oferta de emprego. Não recordo do resto.

Considerações:

A situação e o cenário podem envolver angústia latente e conflito. Angústia porque envolve o trabalho que é principio de realidade e exigência do mundo adulto. Assumir-se como adulta capaz de conquistar o seu sustento, superando a dependência, abrindo caminhos para superar a submissão abandonando expectativa de ter provedor na vida. A inserção na realidade exige de todos um esforço associado a rituais de conquista do mercado e rompimento com a adolescência, a fantasia e a ilusão, associados ao descompromisso e ao desconhecimento do “mundo”.

Ainda que os tempos modernos tenha aberto possibilidades para que o homem aumentasse suas opções de sustento, a batalha pela sobrevivência exige e torna o sustento uma grande conquista. A luta do adulto por seu espaço no mercado competitivo, o se assumir como profissional, definindo área de atuação, aprendizado de atividades, a conquista de mercado e obtenção de remuneração como mão de obra e operário, é imperativo. Uso o termo porque como trabalhadores autônomos ou não, funcionários, ou prestadores de serviço somos todos operários. Operários de toda uma vida em busca do sustento e da sobrevivência digna.

Pressinto polarização que eleva a tensão, o que é sinal de duas forças: uma tendência expansiva que a leva em busca de sua autonomia e uma retensiva ou retroativa que tende a te desmobilizar emocionalmente, promovendo baixa estima e bloqueios em sua busca de libertação e independência.

Como disse a baixa estima, ou algum núcleo de inferioridade aparece em forma de pré-conceito, defesa, resistência colocando em risco a sua ação pró ativa, em sua busca de colocação no mercado de trabalho.

Mas há sinais positivos:

Indicação de humildade, a postura que lhe permite receber do outro o treinamento, preparo e qualificação;

O trabalho de cuidar do mais velho, no sentido de mais custoso, ou difícil, a disposição ou disponibilidade de se envolver nos cuidados dos mais necessitados;

Há mais aceitação de sua condição natural ou de sua realidade e a dinâmica é positiva, otimista e de sucesso na busca ou no movimento que lhe é proposto;

O foco do movimento é mantido (a ocupação) e não desviado pela baixa estima (ousadia de procurar uma boa ocupação, ou de trabalhar para um político).

Neste último tópico veja que interessante: Se estou me lembrando com precisão, no passado as fantasias compensadoras conduziam-na para realidades de poder e riqueza. Você conseguia se fantasiar de rica e poderosa, mesmo que compensatoriamente. Mas apresenta dificuldade de ser escolhida para trabalhar para alguém que tem status e poder político, como se fosse ocupação além do seu merecimento ou capacitação.

Cuidado com o preconceito e com as avaliações e classificações precipitadas do “outro”, este é um comportamento defensivo que impede relações e interações mais naturais. As dificuldades ou armadilhas em que o “outro” se encalacra não devem ser justificativas que a impeça de tomar atitudes mais maduras, respeitosas e autênticas na interação social.

Como lhe disse no sonho anterior, vencendo a fantasia, a realidade está na outra margem, e essa outra margem lhe abre as portas para que encontre o seu lugar no mercado, o seu espaço. Para que conquiste o sustento e a realização de seus propósitos.

O caminho é de autonomia e de independência responsável. Neste cenário os voos são rumo à liberdade e às conquistas abandonando o passado e o padrão de submissão.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MORTE, MÁSCARA E RENASCIMENTO



Acordei assustada no meio da noite. Não lembro o sonho em si, mas o aviso dele ficou nítido na minha cabeça: a morte estava chegando. Como já foi dito outrora, creio ser a morte simbólica dos meus pais interiores.

Quando voltei a dormir tive um sonho bem bizarro. Eu estava com uma jovem e ela perguntou se eu queria viajar com ela para outro país. Era pegar ou largar exatamente naquele momento e, tresloucadamente (ao menos perante a vida real) aceitei. Eu carregava uma mochila. Não sei o que havia nela, mas sei que não levava absolutamente nenhum dinheiro. No aeroporto estava tendo um baile e dancei com um sujeito desconhecido bastante simpático. Depois de embarcarmos na viagem e termos um voo levemente turbulento, desembarcamos no outro país. Disse para ela que eu ia ter de arrumar um emprego e aguentar gostando ou não, pois eu não tinha nenhum dinheiro. Ela disse que isso era fácil e logo eu me acertaria de tais questões. Senti vontade de tirar foto, mas não tinha uma máquina fotográfica e comentei que seria o primeiro objeto que compraria. Além disso estava sentindo falta de um caderno de anotações para registrar a vivência inusitada. Pouco depois ela pegou a maquina fotográfica dela para tirar uma foto minha e toda contente busquei me posicionar frente a bela paisagem litorânea. Só que ao invés de bater a foto, ela preparou a câmera e abriu uma espécie de computador donde ligou um microfone e apresentou-se para todos os transeuntes e moradores que estavam sentados na causada de suas casas e lojas na rua da vila. Depois ela passou o microfone para mim e eu fiz o mesmo apresentando-me as pessoas, mesmo percebendo que elas não estavam nem aí para aquela cena um tanto tola. Ao menos para mim pareceu uma tolice da qual não entendi o fundamento.

Será que tal microfone tem recorrência, embora diferenciada, com o microfone do sonho de outrora?

Apresentando-me com tranquilidade eu anunciei que era mineira e brinquei dizendo que meu sotaque cantado acompanhado da gíria 'uai' ou 'ué' não negava minha origem. Comentei que estava gostando da viagem e que tinha certeza de que, igualmente, também iria gostar daquela cidade. Ao terminar devolvi o microfone para que ela guardasse sua engenhoca a fim de seguirmos a caminhada. Não sei que país ou cidade era aquela, mas parecia uma cidade pacata, tranquila e bela de se morar. Logo na sequencia eu estava sozinha e como já sabia, teria de contar apenas comigo mesma para me virar. O mais impressionante (e que provavelmente não ocorreria na vida real) é que eu, completamente só no sentido de ter que ser auto-suficiente, sentia-me livre, cheia de disposição e serena enquanto percorria as ruas desconhecidas.



A morte no sonho pode indicar processo, encaminhamento ou finalização de um período, um ciclo, um momento ou dinâmica psíquica, de um estado ou configuração gestaltica psy, a dissolução de conteúdo autônomo, a reconfiguração de significado simbólico, o prenúncio de um acontecimento, a manifestação premonitória de uma morte anunciada.

Em principio, mesmo que o possa ser, não me parece uma indicação de morte de alguém, ou premonição. Mas parece-me indicação de morte de condição, de “estado”, sinalizando consequentemente, mudanças, transformações, renascimento, alterações significativas de configurações psíquicas e de conteúdos.

Na sequência a viagem reafirma as transformações, agora projetadas nas mudanças de cenários, paisagens, ou de meio no qual está inserida. Mas essas mudanças passam pelo estágio do vôo e da fantasia, em dois tempos:

1. Aeroporto --- avião --- vôo turbulento = fantasia, elevação, voação, ilusão;

2. Chegada --- desembarque --- outro cenário, outra condição.

Assim surgem duas possibilidades:

1. A fantasia pode favorecer a turbulência ou criar um vácuo entre as duas realidades, entre o antes e o depois, o velho e o novo, uma suspensão que sustenta a transição e adia a transformação.

2. O novo estado, a nova condição continua sendo preparada para o momento em que esteja plenamente preparada para dar adeus ao passado.

Será que tal microfone tem recorrência, embora diferenciada, com o microfone do sonho de outrora?

Se você fala como símbolo fálico, sim! Mas diferentemente do sonho anterior a conotação pode ser no sentido de potência, força, energia que lhe será exigida. Tendo a pensar que para realizar a sua integração dentro deste novo cenário você precisará usar a sua condição de mulher corajosa e de forte presença, (seria a condição de mulher fálica?) prefiro não classificar essa condição. Usar potencialidades que lhe são naturais e que superam a Persona criada para intermediar a sua relação com a realidade.

Novos cenários exigem-nos adaptação e apresentação. Portanto também não vejo, mesmo que possa sinalizar indícios de vaidade e narcisismo.

Sinto que a nova dinâmica lhe exigirá: presença; coragem de se expor; coragem de arriscar, por a cara à mostra. E naturalmente para isto é preciso “peito”, força, coragem, que necessariamente não são atributos de homens, mas conteúdos de masculino que se impõe como principio de realidade e que projetam a condição de guerreiros que precisamos para atravessar essa selva de perigos que é a vida, para seguir nessa jornada de vida e morte.

Ser fraco. submisso, frágil, dependente é opção que todos temos mas é opção de quem não tem noção do significado de viver. 

Daí não dar importância a conteúdos que apareçam implícitos e que mascarados se projetem e traduzam a vaidade ou suas características narcísicas, que em geral são atributos de segunda categoria e que servem de armadilha para aprisionar os tolos e incautos.

  Vaidade e Narcisismo são funções e atributos auxiliares,
de segunda categoria, armadilha para tolos e incautos.

Minha tendência parece ser confirmada na sequência: você se desfaz do microfone e tem o felling:

Logo na sequencia eu estava sozinha e como já sabia, teria de contar apenas comigo mesma para me virar.

Essa a dinâmica da mensagem; No novo mundo, novo país, novo estado, nova margem, nova condição só lhe resta a INDEPENDÊNCIA, tomar conta de si, aprender a se cuidar, assumir e tomar conta de sua vida e assim se apresentar. Para completar a transição é necessário superar a armadilha dos perdidos: A fantasia. E na outra margem de consciência, do outro lado, encontrarás a singularidade.

A PERSONA SE SUPERA E ENCONTRA O SEU CRIADOR.

domingo, 26 de dezembro de 2010

UMA REFLEXÃO DE NATAL






Uma reflexão de natal:

Estou valorizando cada momento como único, eterno na memória e ao mesmo tempo sem volta.

Estou me valorizando, dando crédito aos meus interesses pessoais, as minhas crenças que certas ou erradas me complementam, dão sentido a insensatez misteriosa da vida.

Quero sorver cada riso que eu puder dar,

Quero sentir cada brisa que por mim passar,

Quero perceber cada mínimo aroma,

Quero admirar cada som que o mundo emitir,

Quero mergulhar no meu silêncio e contemplar meu próprio ser dentro da infinitude universal.

Não tenho duvidas de que iniciarei o próximo ano sendo uma nova mulher, mais adulta, mais feliz,

mais inteira de mim, mais dona de minhas crenças em constantes mutações e, principalmente, mais

consciente da auto-estima que me faz ser integralmente responsável pelo que sou, sinto e faço.

É muito bom ter essa certeza dentro de mim!

E é por isso que agradeço ao universo por cada pessoa que, direta ou indiretamente, contribuiu para isso.

Se me permite, eis aqui o meu Muito Obrigado!

E um próximo ano cheio de paz, saúde, alegria... e muitos sonhos...

Valeu!
Os prenúncios são ótimos!
 
  Fico feliz por suas conquistas, essa sustentável leveza de ser.
A vida pode ser assim...

MARAVILHOSA!

Sigamos... 

O futuro não se resume ao amanhã,

Ele acontece neste Instante,

na esquina do Agora.






sábado, 25 de dezembro de 2010

GERMANOS

Membros de clube de nado no gelo celebram Natal
no lago congelado de Oranke, em Berlim


Recebi esta imagem de alemães e brinquei: meus parentes depois de tomar STAINHÄGER
estão aquecidos nas águas gélidas.
Todo mundo feliz.

Isto é que é Renascer
em um útero gelado.

Um brinde!
A todos os povos que por aqui passam!

FELIZ NATAL






HOMILIA PAPAL

Na rica homilia (interpretação sobre pontos do evangelho) proferida na missa que celebra o rito do nascimento de Jesus, a igreja da mostras de que caminha atenta à relação do homem com o mundo nesta contemporaneidade perigosa e reafirma os rumos de um cristianismo voltado para permanecer como referência marcante no caminho evolutivo e de aprimoramento humano..

Posso dizer que em sua leitura, Bento XVI com lucidez, distingue  a presença do filho de Deus entre os homens como um momento especial  e paradigmático na história humana. O momento do nascimento de Jesus representa  o surgimento da luz entre os homens. Ele veio para iluminar e retirar a humanidade das trevas. O Papa toca no ponto chave da vinda do pescador de almas e antecipa a simbologia da presença do homem crístico.

O nascimento de Cristo representa a presença da luz que veio para iluminar a vida humana inserida no mundo das trevas, da ignorância e da inconsequência.

Dessa forma fica claro que Deus define o nosso destino e nos chama a atenção para que fiquemos atentos a esta definição. Toda a significação da vida de Jesus está definida antes que aconteça.

Ele é o primogênito escolhido e elito como filho dileto que realiza com os irmãos humanos a fraternidade, se entregando ao sacrificio. Ele é a aquisição  do logos,  o nascimento da palavra que brilha no mundo, o verbo que se faz carne, por isso , é preciso que deixemos que esse homem crístico nasça em nós.

O papa reafirma a bondade Divina:

Deus não se deixa confundir com os nossos pecados (somos faliveis), ele nos permite o recomeço nos perdoando por nossos equivocos;

Deus se faz criança coloca-se em nossas mãos, e se mostra a verdadeira realeza, o verdadeiro poder que regenera o mundo com a verdade  e com a justiça e abate a tirania;

Se entrega ao sacrificio como  carne e prova o gosto da existência como humano para sentir o que sentimos e com a renúncia  e sacrifício indica a libertação.

A glória de Deus faz a alegria explodir em nós, e o seu amor nos provê a libertade e a Graça, promessa de esperança e paz.

Para mim, Bento XVI  dá mostras de que a igreja está afinando o seu discurso com essa modernidade avassaladora, E indica que a igreja possui instrumental para intremediar a formação do "logos" humano, a consciência existencial tanto quanto quaisquer outras manifestações modernas de aprimoramento.

A teologia cristã dá mostras de que está viva e atenta aos caminhos do homem e que pode encaminhá-lo muito bem no rumo do aprimoramento e de uma vida saudável.

Para finalizar, a idéia de que neste mundo conturbado o Silêncio continua a ser uma referência pacificador da alma , um refúgio para se estabelecer uma relação segura com o mundo.

Entre as significações importantes da celebração da natalidade cristã, está a referência que por si só se justifica: Se a humanidade ainda se mostra distanciada e depreparada para incorporar a Era de Aquarius, se ainda dá mostras de consciência diminuta da sua significação no mundo, lhe resta se referendar em sua história para não se perder definitivamente no mundo das trevas e neste caso o pensamento cristão é inevitavelmente um porto mítico seguro.

Não dá para sermos simplistas negando o cristianismo, ou usando-o apenas como enfermaria. O cristianismo guiou a sociedade ocidental nos últimos dois mil anos e é referencia básica da formação ocidental, é tolo abandoná-lo.

Que os anjos em coro glorifiquem a Deus nas alturas e que nós encontremos a paz na terra, pelo menos, entre os homens de boa vontade.

   




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

RITO DO RENASCER








 
 O Nascimento de Jesus
Original pintado com a boca por Jerzy Omelczuk
recebido de Mo Que  


Agradeço as mensagens recebidas.
É sempre bom saber que existem pessoas que 
se enriquecem com as reflexões
e com o partilhar de conhecimentos neste blog.

Isto me dá forças para avançar  mais um pouco
nessa jornada a que me propus.

Aproveito para desejar a todos Feliz Natal.

Feliz renascimento.

Que a mensagem de bondade
Comunhão,
 Celebração e
Fraternidade
nasça dentro de voces,
 e que esse renascimento
 possa significar a diferença
 com a consolidação da vida
Saudável e o distanciamento da vida de Infortúnios.





quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

BEIJA FLOR, SUGA NECTAR


 

Sonhei que estava numa piscina (com cobertura) e nadava tranquilamente quando saí para beber água. O filtro ficava num local que dava vista para um extenso jardim gramado com uma variedade enorme de plantas e arbustos floridos. A vista era perfeita e muito linda. Nisso um segurança do lugar ofereceu-me um copo descartável e pegando-o comentei que não estava conseguindo matar a cede de tanto calor que fazia. Enquanto sorvia a água observei um grupo de jovens indo para a piscina. Todas usavam maiôs uniformizados estilo década de 1950. Também havia um grupo de pessoas que conversavam sentados numa mesa ao ar livre. Na sequência uma jovem aproximou-se dessa mesa para entregar algo (seria uma chave? Não lembro) e carregava consigo a ponta de um enorme galho florido (quase do tamanho dela). Ao redor das flores vários colibris sugavam o néctar formando uma bela paisagem. Só não entendi quando a jovem começou a balançar o galho com suavidade na intenção da areia das flores cair.

Que mensagem ou significado pode ter um sonho deste?

Já passeei pelo oceano primordial, por rios, lagos e piscinas. As piscinas neste sonho envolvem uma dinâmica de equilíbrio em suas tensões. Você navega com seu corpo vence a resistência da atração para o fundo e se mantém flutuando sobre as águas.

Para nadar precisamos de habilidades psicomotoras, domínio para se manter suspenso, conhecimento e segurança para manter-se vivo nesse meio. Pré-requisitos para flutuar no espelho de água. Em princípio o ambiente está protegido de invasões e ameaças e a visão mais ampla lhe permite usufruir o momento agradável num local aprazível.

A secura oral não deve, nesta época, ser característica de tempo seco. Avalie a quantidade de consumo de sal, e a quantidade de líquidos ingeridos durante o dia.

Busque informações e reflita sobre o significado da década de “50” em sua vida.


                Vitruvian Man - Leonard da Vince

O número cinco é símbolo do homem (membros e cabeça), da saúde e do amor. A quintessência atuando sobre a matéria associada aos cinco sentidos.

O Zero, como círculo é imagem de equilíbrio, eternidade, inicio, meio e fim, origem, ovo latência e potencialidade.

O sonho pode ser de ajuste para compensar a existência de ambiente superaquecido. Calor se diminui com ambiente amplo e aquático.

Os seres alados simbolizam a espiritualização, estados superiores do ser. A alma, o espírito, se alimenta do néctar da vida. Leveza, agilidade, graça, fluidez dos seres que se sustentam no ar.

Inicialmente o refresco na água e no fim a compensação na ingestão de água e com a leveza do ar voar.

Excluindo a possibilidade de noite quente, o sonho é envolve uma dinâmica de conquista do seu espaço coletivo, Se considerarmos a piscina como ambiente semelhante ao útero materno, portanto referência de ambiente protegido, o renascer surge com a renovação da água do corpo, beber a água, renovar o interno. O movimento de sair da água, da proteção, e avançar para á área de Terra firme, que sustenta o indivíduo, seu corpo é a conquista do movimento pessoal e da independência. E os pássaros sugando o néctar completa a conquista com uma visão curativa, esteticamente bela, auspiciosa como alimento do espírito livre e harmonioso, como alimento de sustento afetivo.

O Caminho continua sendo um bom caminho.





quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

CHUCHU




O que é um chuchu para voce? O que representa? Apenas algo comestível, que eu gosto, como qualquer outra coisa.

O que ele pode significar na sua história? Que eu saiba nada de especial.

Qual lembrança lhe surge? Nenhuma.

Que valor ele tem? Pessoalmente associo o chuchu a fartura, pois dá com facilidade, em qualquer lugar.

Você brincava com o chuchu fazendo-o de falo? Creio que não, tanto que no sonho, a princípio, não entendi a mensagem de que o chuchu poderia indicar um falo.

Ele tem uma significação especial em sua vida? Se tem só estou percebendo isso agora.

Há em você preconceito contra mulheres que ajam como homens? Que funcionem como macho? Admiro mulheres valentes, embora não goste de mulheres que não tenham sensibilidade, criatividade e delicadeza.

Que se sintam atraídas por dominar mulheres? Isso de fato não me parece muito bom.

*****
O chuchu pode ser o "nada" ou o "tudo" que desconhecemos, pode ser apenas a sua fantasia projetada de homossexualdade. Neste momento a homossexualidade poderia ser o caminho mais fácil para lidar com a sexualidade, muito mais fácil do que ter que aprender a lidar com o Oposto, que me parece o seu desafio. Ao invés de se esconder na facilidade de uma relação como "outro do mesmo sexo" buscar a identidade com o sexo oposto, para que possa caminhar juntos de sua fantasia de uma familia padronizada.
Pode-se concluir que a associação com o símbolo fálico nasce de sua interpretação, de sua perplexidade e da ausência de preconceito, ou de sua fixação, o que pode indicar avanço na sua relação com o seu mundo. Fica apenas a questão da ambiguidade quanto à sua natureza de masculino e feminino. Espero que os sonhos seguintes possa clarear este momento psiquico, essa natureza do sonho. Tenhamos paciência!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O SEGREDO REVELADO











Num segundo sonho eu estava trabalhando num local diferente e fui lanchar num pomar junto de algumas “colegas” que me levaram até um pé de jabuticaba que estava começando a dar frutas, mas estas ainda estavam levemente verdes. No que procurava uma jabuticaba madura, apareceu alguém me chamando a pedido de uma jovem que eu sabia não gostar de mim. Nervosa disse-lhe que eu tinha quinze minutos de intervalo para lanchar e que até poderia ir atender ao chamado, mas que eu retornaria para cumprir meu horário ao qual eu tinha direito. Depois de impor isso aceitei ir ver o que a jovem queria comigo e três das “colegas” acompanharam-me segurando em meus braços e dizendo que iam junto para me apoiar. Ao chegar perto de um dos departamentos do local, antes de adentrar nele, pedi para que me soltassem (já estava incomodada), pois eu precisava e queria liberdade para agir e me expressar. Era como se eu quisesse dizer que sabia e queria resolver a situação sozinha. Existia em mim um nervoso manifestado em atitude, mas ao mesmo tempo essa atitude se manifestou em forma de serenidade. Ao entrar a jovem começou a conversar comigo em tom desafiador enquanto usava o celular como se fosse um dedo em riste na minha cara. Calmamente, mas em tom enérgico, disse que ela não precisava de colocar aquele celular na minha cara para mostrar-me sua razão, pois ela podia fazê-lo usando sua moral, algo que eu sabia que ela tinha dentro de si para travar um diálogo civilizado. Eu não estava ali me defendendo, mas retirando-a da situação de vítima que ela mesma se colocara ao me fazer ser a vilã. Disse-lhe que cada um é responsável pelo que acontece consigo próprio, que cada pessoa tem a situação que procura e merece, que eu não tinha nada contra ela, que queria-a bem e, dentre outras coisas que não recordo, pedi-lhe desculpas (embora não houvesse um motivo específico para tal) buscando proximidade. Ela pareceu sensibilizada como se eu houvesse desestabilizado sua ira e desestruturado sua razão. Nos abraçamos e notei que as “colegas” que esperavam briga ficaram sem entender nada. Senti que nosso entendimento era sincero de ambas as partes e na sequencia ela disse que tinha um segredo para me mostrar (ao invés de contar). Poderia ser uma armadilha, mas eu confiei nas minhas próprias sensações de que estava tudo bem e corajosamente acompanhei-a. Chegando num outro local ela me mostrou um chuchu. Eu não entendi que segredo existia num chuchu. Como se estivesse sem coragem de dizer, ela pegou dois bonecos de pano e colocou o boneco menino na frente da menina. Somente então eu fiz a ligação do chuchu com o órgão sexual masculino e entendi a mensagem: ela em verdade era um homem e, naquele momento, sabia que eu não ia condená-lo.

Fiquei curiosa para saber o que esse sonho desvenda em relação ao meu lado anima e animus.



Podemos ver o princípio de realidade assimilado e incorporado através do conceito de trabalho. Ainda que seja também sinal de esforço e de nível elevado de tensão. Mas há equilíbrio já que o momento indicado é de “intervalo”, “repouso”, lanche.

Frutos indicam abundância, bons momentos, nova estação. Tempo de colher o resultado do trabalho.

Há algum tempo atrás me referi ao conceito de resignificação para ampliar a compreensão de certos mecanismos psy. Neste sonho podemos celebrar a transformação de atitudes e a sua diferenciação de conteúdos autônomos que anteriormente exerciam elevado grau de poder na definição de seu comportamento.

Onde antes havia reatividade, após a introdução e consolidação de novos conceitos e de sua resignificação em sintonia com sua idealização agora prepondera avaliação do momento, do cenário, diagnóstico. Onde existia reatividade compensando passividade e omissão agora se manifesta atitude adulta, tomada de posição. Onde preponderava o conflito e a agressividade agora a referência é de diálogo. Onde havia mistura agora surge a diferenciação.

O resultado na dinâmica psíquica é sensacional! Frente todas as dificuldades o resultado de suas mudanças agora incorporadas, visivelmente, através de atitudes e posturas, pela psique é esplêndido.

De um ano e meio para cá, parece-me que você deu um salto. E se até agora não percebeu isto no seu dia a dia, não tenha dúvidas de que saborearás essa conquista por longo tempo.

Já é possível ver que há uma coerência entre o que você pensa e sua atitude como sonhadora, seu espelho psíquico interior.

Há a tomada de atitude, a colocação de limites e a escolha pela busca de solução do conflito. Não há escape, fuga, medo, desvio.

Mas como o sonho lhe confronta, lhe desafia naquilo em que era seu ponto de fragilidade, de indiferenciação e mistura, sua capacidade reativa, não podemos esquecer que o conteúdo do confronto contido na representação da “garota” ainda está presente.

Você pressente o perigo e a armadilha. É correto e adequado. É preciso vigiar até que este conteúdo seja dissolvido, como conteúdo autônomo e que possa ser incorporado como fonte de energia que liberada possa lhe servir de utilidade para a realização de seus propósitos. Você desconfia, mas confia em si mesma para enfrentar a proposição do “outro”.

Mas o “acordo” é indicativo de neste round você foi vitoriosa.

O Segundo confronto surge na aparente cumplicidade expressada e do segredo confiado.

O SEGREDO REVELADO II






“ela pegou dois bonecos de pano e colocou o boneco menino na frente da menina. Somente então eu fiz a ligação do chuchu com o órgão sexual masculino e entendi a mensagem: ela em verdade era um homem e, naquele momento, sabia que eu não ia condená-lo.”

Podemos pensar em anima como alma, sopro, movimento. Anima como arquétipo está para o homem assim como animus está para a mulher. A anima é o arquétipo do feminino, a alma feminina que encontramos no homem e o animus é o arquétipo masculino, a alma masculino que encontramos na mulher. A anima é conteúdo feminino ou resíduo vinculado a esse conteúdo no homem, e o animus é o correspondente na mulher. Como mulher você possui animus, uma alma masculina, um arquétipo “masculino” que contém esse masculino.

Um boneco com um “chuchu” na frente pode indicar a materialização da fruta, do fruto, uma boneca pode indicar a cornucópia da abundancia feminina, a necessidade do phalo, da fertilização, da frutificação. A mensagem que você “entendeu” foi a mensagem que você projetou como compreensão.

O chuchu é um fruto e popularmente se compara o chuchu com a fartura e com a licenciosidade feminina, com o fogo morro acima, com a água morro abaixo. A imagem da figura masculina e feminina, frente a frente, pode indicar as naturezas opostas, diferenciadas e que precisam ser consideradas em suas singularidade.

Seria bom saber: O que é um chuchu para você? O que representa? O que ele pode significar na sua história? Qual lembrança lhe surge? Que valor ele tem? Você brincava com o chuchu fazendo-o de falo? Ele tem uma significação especial em sua vida? Há em você preconceito contra mulheres que ajam como homens? Que funcionem como macho? Que se sintam atraídas por dominar mulheres? Mesmo que já tenhamos abordado a questão da homossexualidade fica a reflexão.

Essa referência à masculinidade pode estar relacionada à atitude arrogante e dominadora no momento anterior ao sonho e parece-me bem semelhante com a postura que sua irmã utilizava para exercer o domínio sobre você.

Neste aspecto o comportamento é tipicamente masculino, ou feminino castrador, e o segredo desvendado é o de que esse masculino era apenas uma tipificação do masculino, como um fruto que se pareça com um pênis, e não o masculino autêntico, uma criação para te enquadrar num comportamento socializado, mais adequado aos padrões de conduta do feminino, reduzindo seu comportamento revoltado, imprevisível e dominador às condições sociais mais aceitáveis.

O segredo desfeito te liberta da camisa de força a que foi submetida em seu processo de formação.

Eu sempre penso que o mais é sempre melhor do que o menos. É preferível mais limites que menos. E se encontrando como adulta você tem mais possibilidades de se libertar dessa camisa de força do que aprender a dominar a selvageria da ignorância e da revolta presunçosa e prepotente originada de idade infantil e de adolescência.

Olhando por este lado o sonho retrata uma mudança de postura e a consolidação de atitudes mais amadurecidas, e o segredo pode estar sendo desvendado. Você conquista o direito do segredo revelado.





segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ARQUÉTIPO

crédito - Imagem recebida por e-mail de

Acima Darth Vader  Arquétipo Sombra -  referência do mal, passível de algum tipo de transformação a partir do afeto, a única possibilidade de limite no caminho do mal, à exceção da dissolução final como célula de vida. Na imagem retratado de forma socializada. e customizada, mitificado como simbolo do poder do mal, das sombras, que se contrapõe ao caminho da luz

Considerando a popularidade do termo. sua importânica e complexidade,  abaixo a abordagem  que me pareceu mais plausível para introdução ao conceito e à compreensão e que pode ser encontradada no livro "Dicionário Crítico de Análise Junguiana" de A. Samuels, B. Shorter e F. Plaut, publicado pela Imago Editora.

Bem! taí uma boa  identidade, gostar de um Café. Com licença, deixe-me ir saborear um capuchino...


ARQUÉTIPO

"A parte herdada da PSIQUE; padrões de estruturação do desempenho psicológico ligados ao INSTINTO; uma entidade hipotética irrepresentável em si mesma e evidente somente através de suas manifestações.

A teoria dos arquétipos, de Jung, desenvolveu-se em três estágios. Em 1912 ele escreveu sobre imagens primordiais que reconhecia na vida inconsciente de seus pacientes, como também em sua própria auto-análise. Essas imagens eram semelhantes a motivos repetidos em toda parte e por toda a história, porém seus aspectos principais eram sua numinosidade, inconsciência e autonomia (ver NUMINOSO). Na concepção de Jung, o INCONSCIENTE coletivo promove tais imagens. Por volta de 1917, escrevia sobre dominantes não-pessoais ou pontos nodais na psique, que atraem energia e influenciam o funcionamento de uma pessoa. Foi em 1919 que pela primeira vez fez uso do termo arquétipo, a fim de evitar qualquer sugestão de que era o conteúdo e não o esboço ou padrão inconsciente e irrepresentável que era fundamental. São feitas referências ao arquétipo per se para que fosse claramente distinguido de uma IMAGEM arquetípica compreensível (ou compreendida) pelo homem.

O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlates ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade,morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como ANIMA, SOMBRA, PERSONA, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Padrões arquetípicos esperam o momento de se realizarem na personalidade, são capazes de uma variação infinita, são dependentes da expressão individual e exercem uma fascinação reforçada pela expectativa tradicional ou cultural; e, assim, portam uma forte carga de energia, potencialmente arrasadora a que é difícil de se resistir (a capacidade de fazê-lo é dependente do estágio de desenvolvimento e do estado de CONSCIÊNCIA). Os arquétipos suscitam o AFETO, cegam o indivíduo para a realidade e tomam posse da VONTADE.Viver arquetipicamente é viver sem limitações (INFLAÇÃO). Entretanto, dar expressão arquetípica a alguma coisa pode ser interagir conscientemente com a imagem COLETIVA, histórica, de forma tal a permitir oportunidade para o jogo de polaridades intrínsecas: passado e presente, pessoal e coletivo, típico e único (ver OPOSTOS).

Todas as imagens psíquicas compartilham, até certo ponto, do arquetípico. Esta a razão por que os sonhos e muitos outros fenômenos psíquicos possuem numinosidade. Comportamentos arquetípicos têm a maior evidência em tempos de crise, quando o EGO está vulnerável ao máximo. Qualidades arquetípicas são encontradas em SÍMBOLOS e isso, em parte, responde por sua fascinação, utilidade e recorrência. DEUSES são METÁFORAS de comportamentos arquetípicos e MITOS são ENCENAÇÕES arquetípicas. Os arquétipos não podem completamente ser integrados nem esgotados em forma humana. A análise implica uma conscientização crescente das dimensões arquetípicas da vida de uma pessoa.

O conceito do arquétipo, de Jung, está na tradição das Ideias Platónicas, presentes nas mentes dos deuses, e que servem como modelos para todas as entidades no reino humano. As categorias apriorísticas da percepção, de Kant, e os protótipos de Schopenhauer também são conceitos precursores.

Em 1934, Jung escreveu: Os princípios básicos, os archetypoi, do inconsciente são indescritíveis em virtude de sua riqueza de referência, muito embora recognoscíveis em si mesmos. O intelecto discriminador naturalmente prossegue tentando estabelecer-lhes significados únicos e, assim, perde o ponto essencial; pois aquilo que, antes de tudo, podemos estabelecer como compatível com sua natureza é seu significado múltiplo, sua quase ilimitada riqueza de referência, que torna impossível qualquer formulação unilateral ( CW 9i, parág.80)"

domingo, 19 de dezembro de 2010

EQUUS




Angelina Jolie - Photo de David Lachapelle


Sonhei que estava numa espécie de fazenda que parecia ser minha. Haviam outras pessoas comigo, mas eu não estava dando atenção a elas. Quando vi um cavalo e sua amazona aparecerem, fiquei contente. Ao aproximarem, assim que o cavalo parou, antes mesmo da domadora descer, eu abracei o animal no pescoço. Aquele cavalo parecia ser meu também, mas eu havia contratado uma domadora e o animal se apegara muito a ela. Entretanto, ela fizera o serviço de amansar o temperamento selvagem do equino e ia embora. Pensei comigo que se ele gostasse de mim assim como tinha gostado da domadora, eu estaria feliz. Ele ficou bem quieto e encostei minha cabeça na sua enquanto alisava sua crina e a parte de baixo da cabeça. Eu podia sentir que ele estava gostando do meu abraço e isso era delirante de bom. Era um cavalo grande, marrom, muito lindo e agora se tornara dócil comigo também. Foi um sonho maravilhoso, como se aquele fosse o melhor abraço que eu já houvesse dado em minha vida.

O cavalo parece um símbolo masculino por excelência, mas Jung chega perguntar se o cavalo simbolizaria a mãe, e não duvida que ele não expresse o lado mágico do homem, a mãe em nós, a Intuição do inconsciente. Também reconhece que o cavalo pertence às forças inferiores, o que explica sua relação com Plutão e Netuno. Já se pode pressentir que o cavalo possui uma simbologia complexa. Pode ser um animal ctônico - funerário, lembre-se que a morte vem a cavalo. Ele carrega e conduz a morte e surge com a foice que decepa cabeças e define o fim da vida.

Pode simbolizar as energias cósmicas, as forças cegas do caos primigênio, os desejos exaltados, os instintos. E ainda o símbolo dos movimentos cíclicos da vida.

Se dentro de você mora um cavalo, a primeira coisa a fazer é domá-lo, dama-lo, transforma-lo numa dama, para que se diminuam os riscos de que pulsões te arrastarem para a selvageria dos comportamentos insanos, inconscientes.

De forma geral, todos carregamos esse cavalo dentro de nós, um cavalo capaz de ser arredio, dar coices, de precisar de cabresto, de viseira para ser domado, domesticado e administrado. Os que subestimam essa força podem acabar dominados pela passionalidade, por forças selvagens e pulsionais.

O sonho envolve essa questão, você diante da força bruta, primitiva, original e selvagem que demanda e anseia civilidade, transformação.

Anseiam:

Disciplina;

Controle;

Administração;

Para que possa aflorar: a docilidade; o afeto; o equilíbrio.

E para que a Força dominada possa ser utilizada a seu favor, para suas conquistas.

O cavalo é a sua força interior. Você é a amazona que monta e guia este animal, ou é o animal selvagem e primitivo entregue à própria sorte.

Há indicação erótica? É possível! Nas suas relações afetivas existe a tendência de projeção de erotização? Indivíduos carentes tendem a sexualizar quaisquer envolvimentos e aproximações.

O sexo é sempre uma possibilidade real para o individuo compensar a carência e romper com as Resistências, defesas. No seu caso um evento complicador podia ser a elevada tendência de repressão e a rigidez moral associado a pré conceitos. Como o momento é de descobertas há hipersensibilidade que a coloca suscetível à erotização relacional. Desencane.

Uma variante é a denominação cavalo para os individuos que se predispõem e se desenvolvem para realizar a função de incorporadores de espíritos de luz, almas penadas, desencarnados perdidos, obsessores, etc. Naturalmente, neste aspecto aqueles que se predispõem a esta árdua tarefa precisam aprender a selecionar para quem cedem, ou oferecem, o corpo servindo de mediadores entre dimensões físicas. Em relação ao sonho essa possibilidade pode aparecer como indicativo de uma relação mais harmônica entre você como ente e como cavalo, como receptáculo, cavalo aprimorado e domado para servir como montaria, indicando momento de desenvolvimento e de encontro de relação de troca.

No caso afetivo e da fantasia é possível uma pequena diferenciação entre o antes, aquele momento de escolha exigente onde ninguém atendia à sua expectativa e o presente, onde o foco deixa de ser a estética (relativamente é claro) para ser a satisfação da demanda afetiva. Detalhe significativo.

Bem, o importante é que o cavalo apareceu, agora...  Só falta o Príncipe, aquele que se poderia chamar de cavalo selado.

                               

sábado, 18 de dezembro de 2010

MENINA... MULHER

 
       Sex and the City,  detalhe de imagem do filme      

                
Num terceiro sonho eu me justificava e ao mesmo tempo parecia influenciar uma outra jovem dizendo que não gostava de atividades repetitivas, que tinha o meu valor e que este era insubstituível, portanto eu não aceitava simplesmente ser substituída sem a mínima consideração. Além do mais, não gostava de parecer um robô fazendo algo mecânico, ou seja, merecia algo melhor. Essas são as únicas lembranças dessa noite.

Já não temos dúvidas que você ao longo deste período vem realizando mudanças significativas em sua vida ou na sua relação com o mundo. Isto mostra que você possui uma personalidade mais positiva, segura e afirmativa ou pró-ativa do que antes poderia parecer.

A característica dominadora aflora superando a menina que se mostrava frágil e vendia a imagem de submissa. É o que você é, mais forte e determinada, mais segura e afirmativa. Sabe o que quer para a sua vida.

Fica mais transparente a presença do conflito que lhe possuía. Você apresentava-se diante do mundo como uma menininha coitadinha, porque essa era a forma que acreditava que poderia conquistar a satisfação dos seus desejos, adquirir a aceitação dos outros e evitar a rejeição social. Mas provavelmente esta forma que encontrou para se relacionar com o mundo lhe fazia se sentir manipuladora, dissimulada, fingida, e naturalmente isto poderia lhe contrariar, profundamente, fazendo-a passar por um "tipo" que não espelhava adequadamente o que você é. Pensava uma coisa, mas dizia outra, sentia um sentimento mas expressava outro, vez por outra explodia numa reatividade descontrolada, em atitudes agressivas, revoltada consigo mesma mas projetando sua insatisfação e responsabilidade nas pessoas do seu entorno.
Duas mulheres em uma. Uma real e aprisionada, reprimida e outra construída para se relacionar com o mundo. A aprisionada nunca aceitou a sua condição de aniquilada, e a idealizada nunca se encontrou no papel de mulherzinha.

Depois de tanto sofrimento, começa a aflorar aquela que você é, a mulher segura que sabe o que quer, mas que ainda tem dúvidas e precisa se fortalecer para consubstanciar a mulher madura que anseia se mostrar.

E preciso se impor. Ser flexível, mas sem abrir mão daquilo que lhe é importante. Abandonar as praticas medianas e repetitivas, a repetição da ação inútil de Sísifo.

Não tenha duvidas: você merece o melhor. Nós merecemos o melhor. Porque o melhor é o resultado de nossas conquistas, do esforço, da dedicação, da determinação, da ação impecável do guerreiro.

Fico feliz de ver uma mulher aflorando. Você merece, a vida agradece.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

APARIÇÃO E LIBERTAÇÃO

   A Aparição - Gustave Moreau
 1874 - Paris, Musée Gustave Moreau
Depois eu estava apartando a briga de um tio, que já morreu, com um outro homem. Quando consegui aproximar do meu tio pedi a um ajudante que segurasse o outro homem. Nisso, muito serenamente, segurei nos dois lados de sua cabeça, encarei-o de modo a fazer com que ele também me olhasse nos olhos e, como se estivesse hipnotizando-o e, ao mesmo tempo, invocando uma força maior, perguntei se ele estava vendo Jesus. Quando ele disse que sim, senti-o desaparecer e constatando que ele fora socorrido disse: “ele já foi”. Também só recordo disso.

Faltam-me dados de representação desse tio. Não sei o que ele representa, representou, significa, significou para você. Qual a história dele em tua vida. Assim perco essência e significados do afloramento dessa imagem em seu sonho. Uma leitura envolve a vinculação entre acontecimentos reais que definem realidades psiquicas, e acontecimentos psiquicos que definem acontecimentos reais, intermediando estes dois universos, envolvendo-os e conectando-os estão os sentimentos, as emoções, as construções simbólicas, os códigos associados, os pensamentos.

De forma genérica é possível apreender do cenário uma pequena compreensão,  em dois tempos:

1. A presença de um conflito representado a partir de um lado familiar pela figura desse tio dá mostra de ser finalizado e de desaparecimento. A vinculação religiosa por ser decorrente da ausência de conteúdo religioso que é corrigido com a introjeção, assimilação, de conteúdos cristãos manifestados pela visão do salvador;

2. Considerando o mundo dos mortos, a vivência religiosa dos vivos acresce e em sua evolução aprimora o desenvolvimento da atitude cristã na família completando a formação de um familiar morto e lhe favorecendo a incorporação de conhecimento e dessa atitude cristã, libertando-o do aprisionamento na dimensão ateia e da origem de seus conflitos.

Considerando estas duas vertentes, repare que uma envolve a dimensão do inconsciente pessoal e outra o inconsciente familiar e coletivo.

No lado pessoal você se liberta de conflitos originários na sua formação e diante de acontecimentos ocorridos na sua história.

Na questão coletiva, sua ação, desenvolvimento e aprimoramento liberta o antepassado falecido de seu aprisionamento por falta de desenvolvimento espiritual e religioso.

Poderia também pensar, considerando a dinâmica psíquica, em conteúdos que refletem conflitos ou confronto constituído de manifestação possessiva ou estado de obsessor, de qualquer forma a atitude diante do confronto foi pró ativa e dissolvem os conteúdos constituídos pelas figuras masculinas polarizadoras. Mas estas são apenas considerações.

Neste caso, resta finalmente uma abordagem final: A sua relação com Jesus e com o cristianismo. Parece-me que você professa o espiritismo e a abordagem espírita está assentada no pensamento cristão, portanto a sua referência é cristã. A sua ação religiosa é idealizada ou existe um exercício prático desta cristandade em sua vida? Há algum aspecto com o qual encontra dificuldades de realizar a sua prática religiosa? Reflita.

Um aspecto muito interessante é a Fixação de Foco que realiza na representação do masculino, voce fixa a atenção do conteúdo e ele dissolve-se. Essa fixação de foco em geral dissolve obsseções e compulsões, paraliza a descompensação, e coloca o sujeito no seu eixo, ou dissolve a dispersão. De qualquer forma ocorre o direcionamento da atenção e a definição de centralização do intento do conteúdo produzindo a vinculação com o esquecido, com o dissociado e realizando a ligação, plugando o conteúdo no eixo central dos acontecimentos.

Vou lhe contar, fico perplexo e encantado com o fenômeno. Quanto a você, espero que tenha entendido. Por isso fiz a associação com  a imagem que postei para representar o acontecimento.

Na obra de arte retratada a mulher aponta para a aparição. Qual a diferença entre o sujeito em conflito com a dama semi nua? Em principio ambos enfentam o mesmo desafio, estão envolvidos em condições das quais precisam se libertar, armadilhas, aprisionamento, subjugo, etc. E mesmo que a imagem do cristo seja apenas a projeção do estado de sacrificio em que se encontram, é tambem a indicação do caminho da libertação.

É o que consigo ver neste fragmento e sem dados que me permitam associações mais abrangentes.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ROMPENDO PADRÕES, SUPERANDO OBSTÁCULOS



Sonhei muito e as lembranças não ficaram nítidas. Inicialmente recordo de ver minha mãe dentro de um carro com meu pai, o qual dirigia o veículo. Do lado de fora, no meio do mato e diante de uma subida íngreme, eu olhava meu pai tentando subir com o carro, mas esse afogava e, quando subia, parecia perder a força e voltava para baixo. No final havia um despenhadeiro e houve um momento que pensei terem caído nele, mas não dava para ver, pois haviam muitas árvores na encosta. Pensei comigo: “só falta meu pai matar minha mãe”. Nisso vi o carro outra vez tentando subir e notei que minha mãe havia machucado o rosto que sangrava. Não lembro o resto.

Veículos simbolizam o corpo, sua vida, e dentro de sua vida a presença do pai e da Mãe. O masculino dirige e comanda o veículo.

Geralmente podemos diferenciar os veículos que se movimentam sem o esforço pessoal, motorizados, dos que se utilizam de tração animal e daqueles que exigem esforço para movimentá-lo, bicicleta, por exemplo.

Neste caso o veículo é motorizado, mas exige um esforço para realizar sua subida, romper com o obstáculo, o motor parece fraco, não responde adequadamente às exigências.

Voltar significa regredir. Se não se sustenta a subida, desce-se, recua-se, regride-se. E esse recuar pode indicar perigo.

Na leitura tradicional o sonho pode representar o desejo reprimido, poder-se-ia pensar no desejo da morte simbólica da mãe para que possa haver avanço na conquista da autonomia e de independência. Mas é pouco.

Se pensarmos na relação entre pai e mãe, fica uma pergunta: Nessa relação houve um pai desconsiderado pela mãe, em um nível de gerar ressentimentos? Neste caso há a possibilidade de você ter incorporado ressentimentos e magoas contra a sua mãe em decorrência de ver o pai sofrendo maus tratos dela. Reflita e reavalie.

Na dinâmica psíquica há uma vertente que considero a mais interessante, me acompanhe:

Pai e mãe juntos no veiculo, numa proximidade de suas origens entre o masculino e o feminino.

Juntos eles avançam na subida da montanha, na ascensão, rumo à integração. Mas falta energia. Ainda existem forças que retrógadas puxam para baixo. forças que ameaçam a integridade, que colocam a união, a integração em risco.

O esforço ainda é pequeno, mas há determinação: “Nisso vi o carro outra vez tentando subir”. Há propósito definido, objetivos e Intento. O esforço não será em vão. Há resistência para superar os desafios.

Os bloqueios ainda precisam ser rompidos, mas agora pai e mãe estão juntos, masculino e feminino reconciliados trabalham em prol de um mesmo objetivo, superar seus desafios.

Que assim continuem.

Outra associação que faço e com o Mito de Sísifo. Tenho encontrado manifestações desse mito não apenas em seções psicoterapêuticas, mas visíveis no dia a dia das pessoas. Contrapondo uma necessidade coletiva que permeia por todos os grupos sociais, que é o desejo de prosperidade, a ânsia de prosperar em tempo reduzido e acelerado, a ânsia de prosperar para mergulhar no universo dos prazeres e de poderes dos que tudo podem. Como se essa prosperidade não implicasse o pagamento de um preço que por vezes pode acabar sendo muito elevado.

No sonho há o esforço da subida, a descida e novamente o esforço da subida. O esforço não supera a necessidade de realização, numa repetição eterna, na tentativa de realizar o irrealizável, aumentando a sensação de fracasso porque as tarefas não são realizadas, fechadas, findadas. Abrem-se as possibilidades, arrisca-se tudo, mas os resultados acabam sendo pífios. As pessoas acabam sendo machucadas e vivendo angústias permanentes, mergulhadas em tormentos e confusões e irrealizações.

Há repetição de padrões, impedimentos, tentativas e repetição de fracassos. Sinal de que existem Gestalt a serem fechadas.

A vida nem sempre é uma festa, ao contrário, muitas vezes ela se mostra uma pedreira que muito nos exige. É preciso determinação e propósito para superar estes obstáculos e paciência... Muita paciência, muita tolerância e perspicácia.

 
 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O MITO DE SÍSIFO

Sísifo na tarefa de se repetir

Astúcia e sabedoria foram duas das qualidades com que se adornou o lendário herói Sísifo. O seu nome provém do étimo grego «sofos» que significa «sábio». Para tudo encontrava solução e remédio, graças às suas habilidades e manhas. A ele era atribuída a fundação da cidade de Corinto; e como ela encontrava-se situada num istmo, estreito, Sísifo tapou-o para assim controlar todos os que necessitassem de passar por aquele território e cobrar-lhes uma espécie de direito de passagem. Em outra ocasião, contam os narradores de mitos, que as nascentes de Corinto secaram por falta de chuva; então Sísifo dirigiu-se ao deus-rio Asopo para que esse fornecesse água a Corinto. Como esse estivesse constrito por causa do recente rapto de sua bela filha Egina, mal se apercebeu da petição de Sísifo. Porém, o astuto rei de Corinto revelou ao angustiado pai o nome de quem havia roubado a sua filha: tratava-se nada menos do que o poderoso Zeus. Asopo, agradecido pela informação que Sísifo lhe prestava, fez brotar uma nascente de água cristalina no lugar que, desde então ficou conhecido por «fonte de Pirene». Logo em seguida, Asopo dirigiu-se ao bosque assinalado pelo seu informante e encontrou abraçados sua filha Egina e Zeus. O rei do Olimpo transformou-se numa rocha para fugir à ira do pai e quando lhe foi possível, recuperou o seu poder e os seus raios e lançou-os contra o deus-rio Asopo. Desde então, o seu caudal ficou minúsculo e as suas águas arrastam restos de carvão queimado, quais incômodos testemunhas de batalhas depositadas no seu leito.

VARIAÇÕES DE RELATOS
Sísifo tinha por vizinho Autólio, um personagem muito esperto e que dava mais valor ao furto e ao engenho do que a quaisquer outras qualidades. Certa ocasião, roubou vários animais da estrebaria do rei de Corinto e assim demonstrou qual dos dois era o mais astuto. Passou um tempo e Autólio quis repetir a proeza e levar de novo parte do rebanho de Sísifo. Desta vez, porém, o astuto Sísifo tinha marcado todas as patas dos seus animais com a legenda: «fui roubado por Autólio." Deste modo, demonstrou ao seu vizinho que as reses que lhe reclamava eram suas. Autólio, admirado com a artimanha aplicada por Sísifo não hesitou em oferecer-lhe um presente especial, sua filha que, naquele momento, estava comprometida com Laertes.

Porém Autólio trabalhava assim no seu próprio interesse, pois se propunha ter um neto perspicaz e vivo como Sísifo. Existem outras versões dos fatos narrados segundo os quais, um dia antes de Laertes tomar a futura esposa, ela foi seduzida por Sísifo. Com a cumplicidade do pai da virgem, ou seja, Autólio. A lenda conta que o fruto da irregular união foi o herói Odisseu. A tradição clássica fala-nos também das más relações entre Sísifo e seu irmão Salmoneo. Odiavam-se tanto que Sísifo foi consultar o oráculo para que lhe mostrasse a maneira mais eficaz de inflingir-lhe um cruel castigo ou até de matá-lo. A pitonisa do oráculo informou-o que deveria deitar-se com a esposa do irmão, depois de seduzi-la.

A PUNIÇÃO
Os eventos até aqui expostos são provas da culpabilidade de Sísifo. Por isso, enquanto este gozava dos encantos da sua cunhada, era condenado a um duro trabalho: deveria carregar para sempre uma enorme rocha e empurrá-la até ao cume de uma montanha situada no Tártaro. Ao chegar ao cume, a rocha resvalaria montanha abaixo e Sísifo teria que descer para tornar a empurrá-la até o cume. O resultado seria sempre o mesmo, pois quantas vezes Sísifo subisse com a rocha, tantas seriam as que desceria a montanha em busca da mesma rocha; Sísifo estava assim condenado a um trabalho inútil. A tradição explica que este doloroso processo foi interrompido por ocasião de visita de Orfeu ao mundo subterrâneo, chegando ao Tártaro em busca da sua querida Eurídice por quem estava completamente apaixonado, e entoou um canto melodioso. Outras versões explicam que esse castigo foi idealizado por Zeus. O poderoso rei do Olimpo, quando se inteirou de que Sísifo o tinha denunciado ao deus-rio Asopo como raptor da sua filha — a bela ninfa Egina— condenou Sísifo a carregar a grande pedra até o cimo da montanha. Em todo o caso, diz-se que Zeus havia enviado Sísifo perante Tânato — filho da Noite e mensageiro ou até mesmo personificação da Morte— para dar contas dos seus atos. Contudo, o ousado fundador da rica cidade de Corinto acorrentou a Morte e Zeus teve que acudi-la e libertá-la. Durante o tempo em que Tânato permaneceu acorrentado por Sísifo, a Morte não sobreveio a nenhuma criatura e semelhante façanha nunca fora igualada por ninguém. Por uma vez pelo menos, pode dizer-se que o engenho e o atrevimento de Sísifo promoveram um bem para a humanidade, porque, amarrada a Morte, prolonga-se a Vida.