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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

VACA SAGRADA








Eu estava passando pelos fundos de uma casa com uma conhecida quando notei vários sacos de quitandas que estavam começando a mofar. Outra vez o simbolo do mofo que, nessa época de chuva, pode estar ligado a minha casa, a qual que não tem condições favoráveis de ventilação e iluminação do sol. Então eu pensei que iam jogar as mesmas no lixo e juntando tudo numa sacola resolvi pegar para mim a fim de esmigalhar e alimentar os passarinhos. Parece apenas uma recorrência do sonho anterior. Nisso minha conhecida comentou que havia gente sim na casa. Até então eu não notara ninguém para pedir aquilo e naquele momento vi uma criança e uma mulher na janela. Ambas choravam provavelmente achando que eu ia roubar-lhes as quitandas. Como esta não era a minha intenção, mostrei-lhes que as mesmas já começavam a mofar e perguntei se poderia levar. Outra mulher apareceu não me dando permissão e pedindo-lhes desculpa expliquei outra vez a situação dizendo que não tivera intenção alguma de ofender ninguém. Um homem fortão veio conversar comigo e outra vez pedindo desculpas perguntei se poderia deixar tudo reunido na sacola ou se deveria devolver exatamente da maneira como estava. Ele não respondeu, mas pela sua expressão percebi que era melhor optar pela segunda alternativa. Voltei a distribuir as quitandas sobre a bancada e depois sentei-me sem jeito de ir embora, pois a mulher e a criança ainda choravam. Varias pessoas foram saindo para a área e aquilo me pareceu uma reunião. Interessante que me sentia íntima daquelas pessoas mesmo sem conhecê-las. Quando procurei pela minha conhecida ela houvera ido falar com uma senhora e somente então notei que eu estava num terreiro cujo atendimento se finalizava. Foi então que constatei que aquelas quitandas realmente estavam naquele local para mofar, pois eram oferendas. Como eu não sabia disso, não havia sentimento algum de culpa. Comentei com uma pessoa que estava sentada do meu lado que, se soubesse de tudo antes, teria ido conversar com alguma entidade também, mas logo em seguida concluí dizendo que não me importava, pois já trabalhara em um terreiro e já me cansara de tanto fazer as coisas para mim e para os outros, de lidar com banhos, velas, oferendas, etc. Eu estava sendo completamente sincera e isso estava relacionado a minha realidade fora do sonho. Novamente a recorrência com os aspectos religiosos.

Ao sair dali fui com um rapaz a um rodeio. Entramos na arena donde haviam vacas e porcos enormes. Mais uma vez a recorrência com tais animais. Esse rapaz que estava comigo subiu num banco para beber leite da vaca, que deveria ter uns dois metros de altura, e o leite não saia de suas tetas e sim de seu lombo, cerca de uns três palmos atrás dos enormes chifres. Verifiquei o esguichar do líquido indo muito longe como se fosse um jato de água saindo de uma torneira. Fiquei impressionada com aquilo, mas ao mesmo tempo achei tão complicado beber do leite que perdi a vontade. Nisso eu subi num porco, que assim como os demais estava muito limpo, e passeei com ele como se estivesse cavalgando até chegar do outro lado da arena, donde havia uma arquibancada interna. Pegando uma cadeira eu e esse rapaz fomos procurar lugar para sentar mais no fundo. Vale dizer que tal arquibancada era no mesmo plano da arena, ou seja, não era mais alta, algo que dificultaria a visão do espetáculo. Enquanto tentávamos localizar onde era melhor de sentar, alguém pegou nossas cadeiras e, quando fui pegá-la novamente, uma jovem grosseiramente puxou a mesma dando a entender que o assento era dela. Só que ao fazer isso ela acabou arranhando minha mão. Disse-lhe que não precisava ser sem educação e antes que ela dissesse qualquer coisa, completei dizendo que a perdoava e me retirei. Não me importando de ficar sem cadeira, voltei para a parte da frente disposta a ver o espetáculo em pé. Interessante que essa arquibancada interna era coberta com uma parreira, formando um pátio agradável e fresco.

Sonhos apesar de serem sonhos e refletirem uma dimensão diferente e surpreendente, constituída em naturezas de tempo e de espaço fora dos padrões que nos formamos e nos condicionamos, não envolvem um “SER” diferente de nós. Ao contrário disso, eles são espelhos daquilo que somos, pensamos, agimos, reagimos. Espelham um espectro e a forma como respondemos à realidade, como respondemos ao mundo.

A tendência é de se pensar o contrário, e de nos confundirmos. Como a realidade onírica surge num vácuo de consciência, em um cenário que escapa ao nosso “controle”, constituído como uma dimensão onde o tempo possui outra natureza e o espaço se constitui a partir da bidimensionalidade, somos induzidos ainda pelo baixo e sutil nível de uma consciência fugidia a funcionar com uma lógica que nem sempre atende às nossas necessidades e que sempre pode se apresentar ilógica. Somos levados a acreditar que todo aquele “mundo” é apenas um acontecimento bizarro de nossa existência real e mental.

Neste aspecto a tendência de não se reconhecer no sonho é mais forte e serve como defesa frente aos confrontos a que somos submetidos.

Mas não tenham dúvidas, o sonhador é a essência nua e crua do que ele é na realidade, ainda que se desconheça.

O sonho confronta-a com situações das quais mentalmente busca escapar: O Constrangimento; a vergonha; o mal entendido; a distorção dos fatos; a crítica e o julgamento alheio; o desconforto de viver situações que fogem ao seu “Controle”; o desconforto de cometer erros;, o perfeccionismo; a severidade consigo mesma; a culpa de não se mostrar enquadrada na expectativa alheia; a sensação de exclusão do coletivo; a severidade da cobrança; as dificuldades que a realidade lhe apresenta e que lhe exigem esforço e determinação; etc.

A figura masculina nos últimos sonhos vem se apresentando como grande aliado. Te acompanha e te dá suporte. Há integração e equilíbrio. Ele a puxa para a realidade extraordinária dos sonhos e a acompanha em sua sina e desafios.

O rodeio, de vaca e porcos, te coloca frente à possibilidade de sugar o leite sagrado, o alimento afetivo, vindo da mama. Mas a mama não existe, o leite esguicha do lombo. Acho interessante a sua renúncia ao leite, pode significar crescimento. Abandonar a mama, renunciar à mama. É muito complicado depois de grande continuar a beber o leite na mama, o crescimento exige mudanças de hábitos e a realidade cobra.

Por fim o confronto agressivo, e a renúncia à reatividade. Você abandona a resposta agressiva, a competição e segue seu caminho. Isto é diferenciação diante do mundo, da realidade da vigília e do mundo onírico. Você encontra uma nova resposta e frente ao confronto faz a sua escolha.

Neste sonho é possível perceber que frente aos confrontos nasce um novo repertório de respostas diante do mundo. As atitudes pensadas, o cenário observado e avaliado, mas é preciso avançar nessas transformações, avançar experimentando, não se repetir, na descoberta de novas formas de ser diante das pessoas, diante dos acontecimentos que nem sempre ocorrem como se gostaria que ocorressem.

Mas cuidado! Você cavalga o porco. O porco simboliza as tendências obscuras em várias formas: compulsões, egocentrismo, luxúria, gula, cegueira, obsessão. Vigiai seus princípios para não abrir mão deles nas horas decisivas e para que sirvam como referência de conduta. A verdade, a generosidade, a compaixão e... a Mansidão.

E a vaca que é sagrada simboliza a fertilidade, a renovação, a esperança, a mansidão, a terra mãe, que nutre e alimenta a leveza, a vida. No Egito o amuleto Ahat - a cabeça de vaca com um sol entre os chifres – era utilizado para refletir calor para os corpos mumificados.

Lembra-se do sonho anterior? A energia passa a circular inundando de luz o corpo adormecido, amortecido pelo bloqueio do fluxo de energia, travado pelas defesas, pela rigidez e pelos limites a que se impõe.

A vida renasce. Ainda que para isso seja preciso morrer e enterrar os resíduos.



Ψ

domingo, 10 de janeiro de 2010

O JULGAMENTO



Estou curiosa em saber mais do meu processo de transformação atraves de outro sonho que tive: Sonhei que minha irmã estava fazendo a cabeça de minha mãe contra mim sobre algo relacionado ao quintal. De tempos em tempos costumo ter algum pesadelo familiar desse tipo. O diferencial da realidade é que, na maioria dos sonhos, eu exponho o que penso e sinto, enfrentando os outros até mesmo com gritos quando meu nervosismo é grande. Nesse sonho nós estávamos dentro de um ônibus quando eu combati minha irmã com uma fala que todos que estavam dentro do veículo silenciaram e nos olharam, não porque eu houvesse gritado, mas por ter dito algo um tanto chocante. Eu havia dito ‘Quero ver quando ela – a mãe - ficar doente e alguém tiver de cuidar dela. Quem vai estar com ela nessa hora? Eu sei que tudo é dela, mas quem cuida sou eu, porque ela já está idosa – disse isso querendo mostrar que eu cumpria meus deveres e exigia meus direitos de ter ou fazer algo do meu agrado como uma troca justa. - Quem está morando com ela sou eu...’ e fui falando todas as minhas justificativas e argumentações. Conseqüente a essa discussão nós fomos parar num tribunal. Eu entrei pelo local e parecia ter permissão para adentrar em todas as salas. Depois de passar numa sala donde estava sendo feita uma reunião eu fui para a sala donde seria julgada. Estava super tranqüila e fiquei ainda mais quando o juiz cumprimentou-me num aperto de mão e disse que ia ser fácil deferir meu ponto de vista, trabalhar em tal causa e ficar a favor de uma mulher como eu. Agradeci-o enquanto ele beijava minha mão e em gesto de gratidão beijei a mão dele também. Não nos conhecíamos, mas fiz isso como se fossemos grandes amigos. Esse ponto do sonho também demonstra uma atitude que difere muito da realidade, tanto da parte do juiz quanto da minha em retribuir beijando-lhe a mão. Seria me desconhecer muito se tivesse tal tipo de atitude na vida real. Porque os sonhos apresentam esses contrastes de personalidade?
Na seqüência eu já estava numa sala donde íamos assistir a repetição de um filme infantil ou algo do gênero. Tirando as crianças, todos os demais eram casais, de forma que a única pessoa não acompanhada era eu. Achei aquilo estranho e fiquei meio que esperando, como se eu tivesse um acompanhante que ainda não estava ali e que de um momento para outro fosse chegar.
De repente apareceu um homem malvado e disse que queria a mulher que estivesse sozinha. Eu saí correndo e subi numa espécie de mirante de madeira ainda em construção. Eu pensei que o homem mal não fosse me encontrar ou conseguir chegar lá em cima, mas magicamente ele foi se aproximando e subindo na rampa feita com taboas de madeira. Nisso eu bravamente peguei uma comprida lasca de madeira e tentei empurrá-lo. Ele segurava uma espécie de lâmina de barbear e aquilo parecia um instrumento tão pequeno que não tive medo, mas quando ele encostou-a no pedaço de madeira, este se desintegrou como se estivesse podre. Entretanto, não sei ao certo se ele desequilibrou ou o quê aconteceu, mas logo em seguida ele caiu do local, o qual era alto o suficiente para fazê-lo desfalecer.

Se bem entendi, o sonho parece-me de compensação: A psique atualiza os mecanismos descompensados aplicando as atitudes que você precisa aplicar, desenvolver e não o faz. Como você não responde na realidade, em sonho sua falta de atitude é compensado com a presença de atitude.
O inconsciente vai mais longe e antecipa o seu julgamento e lhe dá mostras referenciais do acerto da atitude. Podemos considerar o “Juiz” como uma estrutura interna do psiquismo que atua como um interventor, autoridade referenciado em regras e leis. Este interventor lhe alivia a tensão é indica o acerto da atitude. Naturalmente se somos omissos pagamos o preço da omissão, mas se não somos omissos pagamos o preço de ter que nos responsabilizarmos por nossas atitudes. Não há escape. Se responder, paga. Se não responder também paga. A questão é: na omissão pagamos um preço que a princípio parece-me maior do que não sendo omisso. E porque? Sendo omissos, impedimos a dinâmica de equilíbrio no universo externo. Optamos por uma intervenção simplista não intervindo, evitamos o conflito que precisa ser solucionado. Pode-se até mesmo acreditar que o conflito poderá ser resolvido de forma mais fácil pela omissão, ou não aumentando o nível de tensão. Mas se assim fosse seria realmente mais fácil. Não o é. Quando se coloca pano quente no conflito, ele cresce como massa de pão. O conflito é fermentado. Estimula-se a prepotência alheia, a arrogância, a vaidade, o autoritarismo, o crescimento do monstro.
Ser omisso não é deixar  rolar para ver como é que  fica. Ser Omisso esconde uma ação: estimular o crescimento do conflito. O bonzinho, estimula o outro a se acreditar maior, não mostra-lhe que limites precisam ser considerados e respeitados. Naturalmente se optamos por não intervir, criamos internamente um  conflito. Então, além de aumentar o conflito externo ainda criamos um conflito interno, já que impedimos através da evitação que a dinâmica pudesse chegar a um ponto de solução.
Veja a equação: deixar de enfrentar um conflito pode significar aumentá-lo externamente e internamente. Enfrenta-lo é dar chance para que ele se realize cumprindo sua função.
A função do conflito é solucionar o desequilíbrio do sistema. Muitos podem pensar que o conflito é a geração do desequilíbrio. Para mim ele é a consequência de um desequilíbrio no cenário, nas relações, que já existe e que vem sendo evitado.

O beija mão parece-me manifestação do afeto. É claro que existe beijão mão de puxa saquismo, babação. Mas este me parece conciliação, entre masculino e feminino, conteúdos de super-ego e ego, e manifestação de afeto, expressão de afeto. Em principio a conciliação de afeto prenuncia a projeção amorosa no cenário externo. Que pode ser sinal de que seu crescimento pessoal favorecerá a afetividade, autenticidade, amorosidade em suas relações. Ser verdadeiro significa isso, a possibilidade de se expressar sem medo, de realizar seu INTENTO interno e pessoal.
E o homem malvado é uma consequência. O lado sombra precisa ser confrontado, encarado, transformado, iluminado, morto. Se o foco, anteriormente, era a solidão: A menina solitária e abandonada. Agora não pode mais ser isso, É necessário crescer para abandonar e superar as carências, o sofrimento, a dor. Este é o prêmio. Fortalecidos, abandonamos a autocomiseração e enfrentamos os desafios que são inerentes à jornada da vida. Conquistamos a LIBERDADE. Este é o seu desafio!


sábado, 31 de outubro de 2009

JULGAMENTO

most pierced woman elained

"É bastante válido o que falou sobre o sonho e os julgamentos. Sou flexível para me julgar, mas quanto aos outros nem sempre é assim. É dificil aceitar aos que pensam e agem diferente, pois mais que se deseje respeitar tais pessoas, no fundo no minimo acabo achando-as tolas como na mulher do sonho que entra na piscina de roupa".


Isso é julgar. Dar valor, subestimar, classificar. E fazendo isso você se superestima. É o que poderia ser chamado de inflação do ego, um crescimento sem sustento, sem valor, já que não privilegia as diferenças, a riqueza das diferenças, já que não realiza o principio básico do respeito, fortalece e origina o Preconceito. Este estágio pode ser considerado um pré-estágio que antecipa um processo de maturação da personalidade, você cria uma dinâmica de diferenciação estabelecendo e classificando comportamentos como os que você valoriza e os que você desconsidera, assim se as pessoas agem de acordo com as expectativas que estipulou como de “valor” e com as quais se identifica você aprova como uma autoridade (lembra-se da característica castradora e repressora?) e se os outros não atendem às suas expectativas você as desclassifica. Agindo dessa forma você mesma se coloca uma mordaça, e realiza um processo de auto repressão (já apareceu em sonhos anteriores, lembra-se?) e auto castração vivendo como que engessada dentro de limites que se impõe e que lhe tiram as possibilidades de experimentação e descobertas. Uma boa referencia é trabalhar mais a aceitação de si-mesma, dos seus erros, ser mais humana e menos perfeccionista, menos exigente e menos severa, e se referenciar nos princípios básicos de moralidade, na verdade incondicional, no respeito, no aumento da tolerância (sua e do outro), no exercício da compaixão. Assim terá mais possibilidades de se divertir com as diferenças e poderá descobrir a riqueza da multiplicidade de vivermos num país multirracial, multicultural e numa modernidade fenomenal que favorece a todos a possibilidade de se realizar como uma individualidade plena, exercitando a busca desta plenitude. A vida é uma experiência única, mas muito rápida, e se ficarmos no conforto de vivermos apenas dentro do que classificamos como “bom”, acabamos por sermos obrigados a fechar os olhos para não viver o desconforto das diferenças. As diferenças são ótimas e são elas que enriquecem o processo evolutivo da humanidade. Os princípio devem ser as referências, se as temos não precisamos temer as diferenças entre os seres. Aceitar o outro é trabalhar a própria aceitação de nossas esquisitices. Comece a rir de si própria. Vou te contar uma coisa: Eu me tornei um homem muito sério. Tão sério que desaprendi a sorrir. Só recuperei minha alegria depois que descobri como eu era ridículo, aí eu comecei a rir de mim mesmo, sem vergonha, e posso te afirmar: Eu me tornei uma pessoa muito melhor do que aquela que se achava “tão importante”. Espero que tenha entendido que o que foi falado não é para te criticar, mas para te acrescentar. Só podemos nos realizar se exercitarmos esse processo constante de nos reavaliarmos. Assim nos transformamos em sintonia com o universo.

"tem como saber se meus sonhos continuam naquele mesmo patamar de antes? eu queria ter sonhos diferentes, mais interessantes talvez, ou que demonstrassem algo positivo, que representasse um crescimento pessoal ou algo assim..."
Tentarei lhe responder mas se você me disser sua idade eu tenho mais uma dado para responder.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

JULGAMENTO


Olá, sou eu outra vez. Vamos aos meus sonhos: Primeiro sonhei que havia ido numa aula experimental de natação, mas além de achar a piscina muito pequena, a professora estava demorando muito para chegar, de forma que deitei num dos bancos e comecei a dormir. Quando a professora chegou, eu estava com muito sono e nenhuma vontade de fazer a aula. Mesmo assim acordei, mas fiquei apenas olhando e, meio zonza, perguntei a mim mesma se por acaso havia levado o biquíni e parecia não saber a resposta. Enquanto faziam alongamento dentro da água, uma mulher prometeu ser a ultima vez e deu um pulo dentro da piscina de roupa e logo em seguida saiu. Fiquei sem entender que bobeira era aquela da mulher de mergulhar a toa como se quisesse apenas molhar os trajes. Em segundo eu fui levada presa, mas a prisão era numa espécie de praça na beira da praia, sendo que eu tinha de ficar sentada virada de costas para o mar e de frente para o calçadão. Eu estava lendo um manuscrito e atrás de mim havia uma moça sentada. Nisso passou um carro e parecia ser a mãe dessa moça. As duas conversaram algo e, quando o carro foi embora, tentei puxar conversa com a moça e disse inclusive que ela não me era estranha, mas ela não quis de jeito nenhum conversar comigo. Na seqüência apareceu um guarda com mais dois prisioneiros e eu também os conhecia, pois já os vira preso na outra extremidade da praça. Mas numa tentativa de comunicar-me com alguém, perguntei ao guarda se aqueles eram os dois presos que haviam estado lá anteriormente e, conforme já sabia, a resposta foi sim. Nisso a moça que estava emburrada começou a reclamar dizendo que era inocente e comentei que eu também era, mas que não adiantava ficar dizendo isso. O guarda então me questionou: ‘se você é mesmo inocente, porque aceitou tão facilmente estar presa aqui?’ Respondi-lhe que não tinha medo de nada, exatamente por ser inocente. Além disso, acreditava que se estava ali deveria haver um propósito maior e melhor decorrente de tudo o que estava me acontecendo, pois não há sofrimento eterno e a justiça sempre é feita para quem acredita nela. Disse que não me importava de forma alguma o fato de estar presa, pois tudo em minha vida era aprendizado e ali continuaria sendo, independente de não ter feito nada de errado. Além disso, pensei sem dizer: ‘e ficar presa num lugar desses não é sacrifício nenhum’. Assim ficou a conversa e depois eu fui levada para uma espécie de casa com acabamento externo inacabado, mas num local muito bonito que parecia um parque. Novamente ia ficar presa num local maravilhoso. Ali eu não tinha que ficar sentada, podia andar por todo o local desde que não saísse da propriedade. Enquanto andava observei a enorme construção com a calçada ainda faltando uma parte para ser terminada. A piscina estava vazia e a pérgula ao lado estava enfeitada com algumas cabaças penduradas, de forma que olhando de longe pareciam abóboras. Havia vários vasos de plantas bonitas e, na frente, vários carros estacionados. No que fui andando para a parte da entrada da casa, que poderia ser um escritório ou até mesmo uma delegacia, fiquei receosa ao topar com um homem que saia dela, pois não sabia se podia andar tão próximo da casa, e fui logo disfarçando com a pergunta ‘onde tem um banheiro?’ O homem me respondeu indicando com o dedo que ficava lá adiante, atrás de algumas árvores. Enquanto me respondia ele jogou um molho de chaves para um pessoal que estava dentro de um carro cor de vinho e continuou procurando algo que imaginei ser a chave do seu próprio carro. Nisso o carro vinho que estava saindo deu uma pendida numa vala do chão quando foram fazer a virada, mas apesar do susto, conseguiram sair depois. Era uma vala comprida que por certo serviria para passar algum cano de esgoto. Fiquei me questionando quem seriam aquelas pessoas e qual deveria realmente ser o propósito de estar ali. Depois disso não lembro mais nada. o que me diz a respeito

Carlotinha, na escola aprendendo a nadar e fazendo alongamento. “Fiquei sem entender que bobeira era aquela da mulher de mergulhar a toa como se quisesse apenas molhar os trajes”. A associação que faço está relacionada ao batismo, não importa como o batizado está trajado, ou como ele se joga, mas o mergulho pode estar relacionado ao simbolismo do mergulho nas águas primordiais, o retorno do filho às origens cósmicas, ao divino. Naturalmente se olho com o olhar dessacralizado, ou profano, posso sentir como bobagem, até mesmo com criticidade e posso não enxergar a dimensão do evento. Você procura a roupa adequada (o biquíni), a adequação para o seu propósito e esquece que o propósito alheio tem suas próprias razões. Isso pode significar “não julgue”, não incorra no erro de julgar pelas aparências, cuidado com os eventos que nos rodeiam, muitas vezes a ilusão nos engana, ou podem nos direcionar a conclusões equivocadas.
A sequência do sonho reforça essa ideia com o diferencial da troca de papéis, você passa a assumir a condição de “julgada”. Está presa, detida, e tenta se explicar, mostrar que é inocente. Está tranquila, se sente tranquila porque se sabe inocente mas sofre a ação da injustiça, da incompreensão, da ação alheia. Sua resposta é positiva, sua atitude é construtiva você se percebe: “não tinha medo de nada, exatamente por ser inocente. Além disso, acreditava que se estava ali deveria haver um propósito maior e melhor decorrente de tudo o que estava me acontecendo, pois não há sofrimento eterno e a justiça sempre é feita para quem acredita nela.”. Saber isso é saber que passamos ou passaremos por situações inevitáveis, e que toda a trama faz parte dessa possibilidade que a vida nos dá de aprimoramento. Mas isso não é o bastante. Porque se podemos suportar os desígnios da vida temos que além disso não aplicar a mão severa do julgamento no desígnio alheio. É necessário aplicar para o outro aquilo que consideremos o ideal para nós, e escapar da armadilha de ter dois pesos e duas medidas, um para nós e um para o “outro”. O que quero dizer-lhe é que quando aplicamos a “idealização” em nossa vida, no dia a dia, aprendemos a escapar dessas armadilhas que em geral aprisiona a todos, por que a maioria assim escorrega. E a terceira parte, a conclusão, ainda me parece associada à questão do “não julgamento” ela me parece associada ao desastre, ao “acidente”, que pode ser o fechamento da mensagem as consequências dos nossos atos, escorregar na vala comum dos esgotos escondidas sob a terra. Que lhe parece? Quanto às figuras a associação que faço é com o principio masculino, o princípio de realidade, as referências que você tem na realidade. Deixo de avaliar símbolos que aparecem (chave, banheiro,etc.) e ficar, a princípio, apenas na idéia central. Se não achar sentido, me comunique para que possamos avançar na busca.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

LUTAS E CONFLITOS


Andei anotando mais uns sonhos: No primeiro eu estava numa biblioteca donde havia dois homens e uma mulher, todos armados trocando tiros. Fiquei com medo de receber uma bala perdida. De repente a mulher que estava meio escondida na defensiva de um ataque deu de cara com um dos homens, tendo apenas o entremeio da prateleira de livros a separá-los. Ela deu vários disparos, mas havia acabado a munição e imediatamente o homem lhe atirou fatalmente. Foi uma cena chocante como se eu estivesse dentro de um filme. A mulher foi julgada e sua pena de morte sentenciada igual nos séculos passados por pratica de bruxaria, feitiçaria, magias, encantamentos, etc. Não sei o motivo, mas fiquei me sentindo como observadora e ao mesmo tempo ‘na pele’ daquela mulher, como se eu fosse duas em uma. Será que o homem matando a mulher reforça apenas o que você já me disse anteriormente da minha visão sobre o feminino X masculino?


Fatalmente! Não é apenas uma questão de visão, mas mais, muito mais! Envolve um domínio arquetípico, melhor... Uma busca de domínio entre conteúdos femininos e o masculinos (não podemos falar em um conteúdo purista feminino ou masculino já que não significa uma unidade, mas conteúdos que forma uma natureza). Esta disputa, este embate, que de forma genérica acontece em todos nós, pode evidenciar que conteúdos opostos que deveriam, no processo de maturação encontrar o caminho da unificação, se integrar, se ajustar num conjunto, continuam a agir autônomamente como naturezas distintas que tentam se sobrepor uma à outra, formando conflitos de supremacia e adiando a constituição de uma natureza integrada.

No primeiro sonho é interessante notar que em uma biblioteca, (do grego biblio – livro, derivado de bibliopoles- livreiro) lugar de conteúdos, intelecto, aprimoramento, estudo, desenvolvimento, ocorre uma troca de tiros. Uma batalha, disputa, contenda, entre pessoas. Me passa oposição entre energias focadas em atitudes de embate, agressivas que desconsideram a dimensão do lugar sagrado, lugar do aprimoramento e de formação da civilidade. Dualidade entre energias densas de embate que precisam ser trabalhadas, transformadas, metamorfoseadas, sublimadas, para que possam realizar a transposição de estágio de desenvolvimento. Neste caso, se são energias que já são manifestas, necessitam ser transformadas, se não expressas evidenciam que podem estar recalcadas, aprisionadas e precisam ser trabalhadas antes que explodam de forma reativa, impulsiva e conseqüentemente destrutiva, ou que ressurjam em forma de caprichos ou desvios de personalidade incômodos. A energia agressiva é cumulativa, assim se represada ela se fortalece tanto quanto quando expressa. Quanto mais manifestamos essa força agressiva, mais agressivos seremos em novas manifestações reativas. O que precisamos é transformar estas energias focando-as em objetivos construtivos, elaborando a reatividade, nos diferenciando do meio que nos mobilizam essas forças.