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segunda-feira, 19 de julho de 2010

EXPECTATIVAS E CAMA


Carla118
Por último, eu voltei a sonhar com a jovem do segundo sonho. Ela e outras jovens estavam fazendo algumas coisas de comer. Eu não me sentia muito bem tanto física quanto emocionalmente e procurei um lugar para deitar. Ela nem se quer foi ver o que eu tinha e fiquei lamentosa pela postura insensível dela. Sem mais, isso é tudo o que lembrei.

Naquele sonho comentei:

“O momento parece de angústia, ou há angústia mascarada, seu desejo é de ser cuidada. Frágil aceita até uma dosagem elevada de amortecedor. E a psiquê cuida de reequilibrar seus mecanismos descompensados.”

Você confirma que sua expectativa é grande de se entregar aos cuidados alheios, como que prostrada. Mantém o elevado nível de expectativa no outro, como ele fosse a solução de seus vazios, angústias, dificuldades e carências.

Ninguém no mundo vai preencher esse vazio, ele é um desafio pessoal que precisa ser superado, e o será quando fortalecer o seu vigor na busca de realização de seus sonhos. E se encontrar alguém que tente preencher esse buraco, mesmo que ele viva voltado para essa tarefa, o buraco se ampliará. Você aprisionará seu herói e será prisioneira de suas ilusões, da carência insaciável, de um passado não realizado.

Em determinados e específicos momentos somos agraciados pela presença de um herói, mas eles são oásis passageiros, a vida nos exige que sejamos heróis de nós mesmos. Esta é a tarefa, proteger a alma, fortalecer o espírito, para empreender e cumprir a jornada de nossa vida.

E aqui, de volta ao dia a dia. Às vezes para sair do excepcional somos recolocados em nosso cotidiano, áspero como um deserto. É como se... Como alento fossemos alertados:

Ou ficamos sofrendo por migalhas ou superamos os obstáculos Ou renunciamos às bobagens, ou nos entregamos ao que tem importância e significância. Muitos preferem o quase nada. Quando plenos podemos ter compaixão por aqueles que desconhecem o sabor do sagrado. A escolha é pessoal.

Ah! Um lugar para deitar parece a imagem de seu lado passivo e choroso, a horizontal. Você focaliza o lado insensível do outro´para realçar sua sensibilidade, ou seja, o outro pode não ser tão insensível e você pode se acreditar mais sensível, suscetível do que a cautela indica.
Essa expectativa da resposta do outro é absurda, é querer do outro mais do que ele pode ou tem disposição de oferecer, isto pode sinalizar maus presságios.

PAUTAR SEU BEM ESTAR NO COMPORTAMENTO ALHEIO...
MUITO SOFRIMENTO À FRENTE.

Já considero árduo o trabalho do individuo de se conduzir, guiando a vida de forma saudável equilibrada, favorecendo o bem estar e o sucesso. Agora, ficar à espera  da atenção, do afeto, da disponibilidade, da disposição, do interesse do outro é se entregar ao imponderável, ao fracasso.

ACORDA, E CAIA FORA DESTE EQUÍVOCO.

Conduza a sua vida de forma a precisar o mínimo possível do outro, em todas as áreas possíveis. Já estamos dentro de uma sociedade onde esta dependência já nos coloca em excessiva dependência na sociedade. Quando tiver conquistado essa independência emocional e material, você estará mais próxima do bem estar.

Reflita as duas variantes a seguir:


  • Ir para a cama esperando o aconchego da amiga pode ser expectativa de leva-la para a cama, desejos obscuros, narcísicos ou masturbatórios;


  • A cobraça pessoal de se obrigar a sentir pena de si mesma.
Parece-me que seu lado hipersensível, rejeitado, abandonado, carente, frágil, lhe empurra para a compensação narcísica, para os desejos, e o consequente conflito moral X sexual, seguido de punição e sofrimento. O que não quer dizer que voce tenha tendência homosexual, mas a fantasia de encontrar, na identidade sexual, com outra mulher o refugio para sua carência, esse seu enigma insolúvel e a consequente punição e sofrimento.

Bye



terça-feira, 13 de abril de 2010

A BRUXA DO BEM

Louis Maurice Boutet de Monvel , 1880,
A Aula Antes do Sabá
Castelo Nemours 

CH45

Sei que estou deixando muitos sonhos aqui, mas não precisa pressa para responder. É que a cada sonho me interesso mais em desvendar meu inconsciente. Dos sonhos dessa noite, o primeiro foi assim:
Eu estava na cozinha de uma casa e havia uma televisão do outro lado da mesa. Era uma cozinha apertada e a mesa ficava praticamente encostada ao fogão. Minha irmã ajudava um homem a fazer a comida (e não era meu cunhado). Na televisão começou a passar um filme infantil de um cavalo que contava a sua historia. Comecei a ver o filme sem muito interesse. De repente o cavalo entrou num túnel e se transformou numa senhora idosa que parecia uma bruxa do bem. Enquanto ela caminhava apareceram duas pessoas amigas ou assistentes (um homem e uma mulher ainda jovens) dentro daquele túnel de tijolinhos de barro com água escura parada que batia quase no joelho (parecia esgoto ou água misturada com piche). Ao chegarem na porta redonda da casa da senhora bruxa, a qual ficava nesse mesmo local subterrâneo, apareceram dois policiais e uma denunciante que começaram a revirar tudo, a bater na senhora e fazer muito deboche. Nisso a energia teve queda rápida por duas vezes apagando a televisão. Por fim minha irmã disse que eu não ia gostar daquilo e não entendi se ela se referia ao filme, a comida, a queda de energia ou a alguma outra coisa implícita que não captei do sonho. Quando fui perguntar ela falou: ‘Não faz mal. Não tem nada que aconteça que não seja bom para alguma coisa’. Acordei com essa frase tão nítida na cabeça como se eu inclusive houvesse-a dito enquanto sonhava.



Voltei a dormir depois de anotar algumas palavras chaves do sonho acima e voltei a sonhar novamente. Dessa vez eu estava numa sala de aula quando deu intervalo. Ao sairmos uma jovem começou a conversar comigo e pareceu encantar-se com algo meu, mas que não lembro o que era, de modo que ficou me dando atenção o tempo todo. Acho que ela era de outra sala, mas não tenho certeza. Quando acabou o intervalo, ela me deu alguma coisa dela e dei-lhe aquilo que ela havia interessado, mas não lembro praticamente nada dessa parte. As lembranças maiores se fizeram no momento em que voltei para a sala de aula. Minha carteira e meus pertences haviam sumido. Enquanto procurava alguém me deu dois cadernos, um não era meu e o outro, embora fosse, estava cheio de escritas que não eram minhas. Um jovem arrumou-me uma cadeira de braço e sentei para acompanhar a aula inicialmente não querendo atrapalhá-la, mas eu precisava dos meus óculos, das canetas e enfim, queria minhas coisas. Enquanto isso as meninas que estavam sentadas no lugar onde eu tinha minha carteira começaram a rir baixinho em tom debochado. Fiquei nervosa e interrompendo a aula pedi desculpas para a professora explicando a situação em voz alta e firme perante todos os alunos da sala. Por fim arrematei dizendo que se não aparecesse de volta todos os meus pertences eu ia mandar minha mãe chamar a polícia (eu ainda era menor de idade e, talvez por isso, tenha colocado a figura materna no meio).

Há nos dois relatos uma mesma linha que salta e se realça mais que outras evidências: Você indo na onda de um acontecimento que te confronta e que lhe exige uma resposta frente a sua passividade, que lhe exigem uma atitude mais presente, mais ativa. No primeiro momento você é apenas passiva e no segundo momento você consegue expressar sua frustração, seu desconforto, ainda que se escore na presença da mãe como força de autoridade.

Você se equivoca, não é porque a sua imagem de menor de idade recorre a figura materna. É o adulto que se porta como menor de idade (imaturo) e se reporta à mãe de forma regredida ou acordes ao seu estado de maturação

Chama-me a atenção como que seu intento é facilmente desviado. Parece-me uma fragilidade e uma suscetibilidade por onde mecanismos de inconsciente deslocam seu foco de atenção e te subjugam. Você se torna presa fácil. Mostra-se desinteressada, sem foco, mas se encanta facilmente pelo entorno, como que sendo levada e se deixando ser levada.

O cavalo é símbolo de força masculino e de suas pulsões de inconsciente, passa pelo túnel da transição e se transforma na senhora Bruxa idosa do bem. Essa velha bruxa pode nos remeter à mudanças arquetípicas que prenunciam novos comandos internos na psique. A velha bruxa do bem é símbolo da velha sábia “Senex” que vem para ocupar seu lugar na segunda metade de sua vida, substituindo o “Puer aeternus” no comando de sua vida. Sinal da ação que precisa ser realizada, de superação da imaturidade, a partir do momento em que assumes o comando e as escolhas de sua vida, rompendo com a tradição da infância omissa e do conforto de filha da mãe para a posição de mulher que assume os rumos de sua vida. As forças impulsivas caminham para a transformação arquetípica que se faz necessário neste momento a partir das ações que realiza dentro de sua mudança de conduta e de foco na realidade.

A ação de conteúdos impulsivos de origem agressiva, autônoma e masculina que ainda tentam impedir essa transição e transformação, essa conquista. Mas parece-me que ações psíquicas mais favoráveis já promovem o corte de energia, o enfraquecimento dessas pulsões, desmobilizam essas ações de boicote ao seu processo de amadurecimento.

  ‘Não faz mal.

  Não tem nada que aconteça

que não seja bom para alguma coisa’.

A frase é singular e excepcional. Excepcional porque retrata uma sintonia com os desígnios da vida. Não precisamos e não devemos nos esconder atrás de dramas. É necessário compreender esses desígnios para montar o mosaico do nosso destino. Nada é separado, tudo faz parte de uma mesma e infinita dinâmica. A nós cabe-nos aceitar esse destino, nos prepararmos para que nos momentos adequados, quando os portais se abram, possamos transformar nossas vidas e permitir que o universo realize em nós seu projeto divino.

O segundo momento reforça o primeiro no sentido de buscar uma ação mais ativa e de atitudes em sua escola da vida, sem ter que se socorrer na “mãe”, mas confiando em si, e aprimorando o instrumental necessário para que possa conquistar a sua realidade.

Ah! Comece rindo e debochando de si mesma, da importância que se dá. Desça de seu trono. E não foque a ação alheia, o que promovam e projetam , o escárnio, o deboche, o riso crítico, o julgamento. Você pode ficar muito defensiva com relação a esses comportamentos dos outros pela própria forma como criticamente julgava (julga e critica?) os outros. Deixando de fazê-lo avance para aceitar a miséria humana e o seu escárnio. É preciso ter humildade, antes de ver e aceitar no outro, aceitar que existe em nós e que precisamos dissolver. Comece rindo de suas bobagens, de como podes ser ridícula. Todos os somos.

Somos um mix de tragédia e comédia divina.


Precisamos perceber o quanto somos ridículos


  para aprender a rir de nós,

antes de rir dos outros.