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terça-feira, 23 de novembro de 2010

MICRO COSMO VISÃO






À noite sonhei que estava morando numa casa junto com minha irmã. Da janela, enquanto minha sobrinha pegava algumas coisas para brincar, eu agradecia a Deus por morar num local tão agradável. De cada janela eu tinha uma vista diferente e aquilo me dava boa sensação. De uma das janelas superiores eu podia ver o mar cujas ondas chegavam quase perto ao prédio. De outra janela eu avistava um cemitério que parecia um pouco abandonado. Do andar térreo eu enxergava o mato ao redor da construção. Interessante que estava chovendo e, ainda assim, havia fogo queimando o mato do redor. Como estava chovendo o fogo não me pareceu tão perigoso e, ademais, havia uma faixa ao redor da construção que estava capinada, de modo que o fogo se apagaria antes de chegar até a construção em si. De outra janela eu podia ver um clube e muitas pessoas se divertiam numa enorme piscina. Só tenho lembrança disso e pareceu um sonho diferente pelo fato de achar interessante estar morando junto com minha irmã, algo que para mim foi incogitável durante toda a vida, ao menos até pouco tempo atrás. A diversidade de paisagem a cada janela parecia reconfortar meu lado contemplativo e provavelmente foi a maior vantagem que encontrei naquela habitação, pois não parecia um local comum.

Internamente a dinâmica psy indica reconciliação de conteúdos e representações. Conteúdos representando sua irmã e você como sujeito.

A reconciliação poderia ser compensatória, mas mesmo que seja projeção de um desejo pessoal ainda é reconciliadora, já que o passado sempre indicou conflito entre os conteúdos, polarizações.

Tendo a irmã grande poder na condução de sua formação, a polarização nasceu para proteger sua individualidade original da indiferenciação para evitar que fosse apenas uma cópia da irmã. Naturalmente, uma resistência que lhe possibilitou através do distanciamento a defesa de sua pessoalidade. E agora, deixando de existir a ameaça a proximidade se anuncia em forma de reconciliação, ocorre o desarme das defesas, os conflitos diminuem associados a níveis mais baixos de tensão no estabelecimento das conexões e relações internas entre conteúdos, e... favorecendo, nesta nova  realidade, o contato  entre as irmãs em bases mais propícias nas relações de irmandade .

A casa é propriedade da irmã, possibilidade de maior identidade entre você e ela e da força da presença dela em sua formação. Nada demais considerando que ela te conduziu na sua adolescência e acertadamente ou erroneamente, define muito de suas referências pessoais.

A reconciliação favorece a elevação do seu conforto pessoal, à medida que diminui os conflitos de irmandade, de sua reatividade, ressentimentos, mágoas, agressividade, anti-empatia, e despolariza, consequentemente, os extremos da elevada tensão que aflorava.

A janela superior indica elevação, ascensão, mudança de nível.

As múltiplas possibilidades de vista indica ampliação de sua capacidade perceptiva, relação mais ampla com o seu entorno.

O oceano primordial ainda está muito próximo, mas não é ameaçador. Exige cautela com relação às pulsões de inconsciente.

Há mato por perto, ervas daninha que crescem? Pensamentos ameaçadores, fantasias escondidas. Espaço que ainda demanda cuidados e atenção.

O cemitério abandonado pode estar relacionado aos ancestrais que precisam ser relembrados. Não se pode abandoná-los, ainda que vivam em nós e através de nós.

Mas também relembra e reafirma a temporalidade da vida, sua finitude. Não se deve esquecer que somos passageiros como se sua presença anunciasse:

NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS

A chuva indica fecundação. Quando o solo é bom e quando está bem preparado, a chuva celestial vem para fecundar a terra e produzir riquezas. Unindo água e terra e produzindo o barro, promovendo a alquimia da semente e anunciando vida nova.

Se a água se une a terra, o ar se une ao fogo.

O fogo é a energia, terceiro elemento de quatro fundamentais, água, fogo terra, ar. Elemento básico da vida, que queima as impurezas, aquece, ilumina, movimenta e promove a vida. A chama da vida. Mesmo que tenha poder não ameaça destrutivamente o lugar onde está. Mas ele é combustível que alimenta a fornalha de sua vida.

O clube indica as relações humanas e sociais, as interações sustentadas na convivência harmoniosa. Também é uma realidade interativa que a covida para a vida

NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS


São quatro janelas:

Coletividade Humana Passiva - cemitério - TERRA X Coletividade Humana Ativa - Clube – Ar

Água - oceano X Fogo

Quatro visões, quatro rumos, quatro elementos, quatro direções. Quatro janelas, quatro portas que devem ser transpostas no processo de aprimoramento.

A imagem é mandálica, indica formação gestaltica de equilíbrio.

Os elementos indicam dinâmica, reordenação, realinhamento espacial, reconfiguração psy.



MICRO COSMO VISÃO

Atente para um detalhe, desde a fecundação, passando pelo nascimento, crescimento, desenvolvimento, adolescência, vida adulta e envelhecimento, sofremos intervenções da dinâmica do mundo atuando em nós e que envolve sistemas psicobiofísicos internos e sistemas biofisioquímicos externos. Estes sistemas participam de um processo contínuo de transformação e readaptação de tudo o que existe neste universo.

Nós somos o resultado destes processos com um evento diferencial, nossa capacidade de realizar escolhas e interferências que podem favorecer a harmonia dos sistemas internos e as relações internas e com o mundo ou favorecer a desarmonia e o aumento das polarizações que produzem elevação das tensões dos sistemas pessoais. Assim em processo constante de adequação podemos favorecer essa harmonia ou sermos levados pelas forças que atuam promovendo essa adaptação forçada para evitar o colapso das unidades de sistemas, nós.

A sua forma de se relacionar com o mundo, com as pessoas e consigo mesma, vem mudando no último ano. Inicialmente as mudanças foram conceituais e pré-requisito para mudar a maneira do seu sistema mental responder ao mundo.

A psique há meses vem anunciando sua reestruturação, e isso significa mudar a configuração Psy, e isto se faz visível pela ordenação onírica e pelo simbolismo que indica este processo de transformação. A formação da Gestalt Psy, do mapeamento Psíquico.

A dinâmica indica maiores possibilidades de relações mais harmônicas com o mundo e consigo.

sábado, 20 de novembro de 2010

RAMALHETE

      Homenagem


À noite sonhei que um homem se aproximou de mim e entregou-me um ramalhete que não era volumoso, mas comprido, com algumas rosas vermelhas, alguns lírios brancos e umas espadas de são jorge. Admirada e surpresa perguntei se ele tinha certeza de que elas eram para mim, se por acaso não seriam para minha mãe. Ele respondeu que tinha certeza de que era para mim e então peguei-as alegre. Ele não era o tipo de homem que primeiro conquista a sogra e o fato das flores serem para mim deixou-me encantada.

O sonho parece repetir aquela velha questão de que, ao ser surpreendida, ao ficar encantada, fico mais aberta, mais propícia aos fatos, fico alerta aos acontecimentos. Além disso, também parece reforçar a ideia de que tenho mais facilidade e disponibilidade de dar afeto quando de antemão sou aceita, desejada ou algo do gênero.

Não lembro direito, mas me parece que ele era negro e tinha um pano cobrindo parte do seu rosto do topo até o nariz. Nos beijamos e eu senti que podia suprir minhas carências mais beijando-o do que sendo beijada. Eu conseguia me saciar independente dos beijos dele, pois eu conseguia beijá-lo sem recriminação, vergonha ou bloqueio. Eu era correspondida pelos beijos dele, mas sentir-me à vontade para beijá-lo era a melhor correspondência, a melhor satisfação e prazer que eu tinha. O pano no rosto dele parecia um simbolismo de que eu não me importava com sua aparência, com o seu passado ou algo misterioso que ficou indefinido, algo que não me incomodou. Era como se eu quisesse me satisfazer e aproveitar o momento unicamente com a disponibilidade dele de também fazer o mesmo, independente do que ele era por trás daquela venda, ou seja, mesmo sabendo (ou mesmo ficando na dúvida) que ele não era o meu tipo de homem idealizado.

O sonho, se não for compensatório, ou além de o ser, parece reforçar e prosseguir a união ou reconciliação do masculino com o feminino em mim.

Basicamente é isso ou há algo mais a ser acrescentado?

Possivelmente há um pouco mais.

Há sempre mais significados nos sonhos

Do que percebemos ou apreendemos.

A impressão que em mim registro em imagem, é a de um lago, transparente, onde nós, acima e à margem, só conseguimos perceber um pouco do todo que seu significado pode ter.

Por isso, nunca se dê por satisfeita, e mesmo que extraia várias leituras saiba que outras mais poderá haver tão significativas quanto as anteriores.

Às vezes as águas parecem turvas, mas são nossos olhos que ficam embaçados, outras, quase apreendemos todo o sentido, e quando isso acontece a sensação é mágica, extraordinária. Nestes momentos rendo homenagens ao sagrado e agradeço a generosidade de me permitir vislumbrar e sentir um pouco dos mistérios da vida. Ao contrário da vaidade alimentada, me sinto humilde frente à grandeza e sabedoria do Divino.

O SONHO

Você é agraciada com um Feixe de flores, por um homem negro.

A rosa não é rosa , é vermelha...

Em OXUM escrevi:

ROSAS VERMELHAS E AMARELAS Representam a manifestação das águas primordiais, simboliza a taça da vida, a alma o coração, o amor. Pode ser considerada como um centro místico, e contemplá-la como uma mandala. Símbolo de regeneração, é o primeiro grau de regeneração e de iniciação aos mistérios. A rosa vermelha simboliza o objetivo da Grande Obra ( na alquimia). Neste aspecto é possível que a rosa amarela seja referência ao self, me chama a atenção a relação com a oferenda ao pai falecido. Naturalmente é a oferenda ao pai pela sua regeneração (dele) em outra dimensão, mas pode estar sinalizando para a sua relação com o masculino e a necessidade de restaurar esse elemento como princípio de realidade e de união, sua regeneração. Como símbolos de metamorfose da libido, você planta roseiras para colher rosas, você planta atitudes para colher resultados, amor prosperidade, religiosidade”


Em LEVEZA DE SER, escrevi,

“A rosa é símbolo mandálico, entre o vermelho e o branco reside a cor rosa, entremeada entre significados alquímicos de purificação da matéria, nem tão puro ou purificada, nem tão matéria sacrificada, ou plásmica como o sangue. Espinhos podem indicar o inevitável ou a proteção e as defesas que ainda protegem conteúdos autênticos e originais, sua essência”.

obs.: para ver as posatagens completas click na palavra rosa no Indicador Temático, ao lado.

O Lírio é brancura que representa a virgindade, a pureza celestial e a inocência. Pode indicar a etapa final do processo de metamorfose. É símbolo do amor intenso e ambivalente, paradoxal, polarizado e tenso e devido a isso pode levar a irrealização, A repressão ou sublimação. E glorioso quando sublimado, isto é transformado da passionalidade, do amor instável e emocional no amor sublime.

Em síntese, trata-se de um símbolo de realização das possibilidades de realização do Ser, de transformar-se.

Em Mateus 6,28
 “Observai os lírios do campo, como eles crescem, não trabalham, nem fiam” Está mais realizado porque conectado com Deus do que aquele associado ao poder. É o símbolo do da renuncia e da entrega mística à graça de Deus.

Espada de São Jorge – veja a postagem sequencial amanhã -

Não podemos desconsiderar o oferecimento do ramalhete com todos os sentidos acima descritos. Ramalhete pode ter origem em ramo de alho  como forma que popularizou o termo Ramália -Festa da agricultura e da vinha, em honra de Ariadne e Baco, em que se levavam cepas de videira carregadas de cachos. ou em ramália. De qualquer forma indicação celebração e homenagem.

Você o recebe pelo seu trabalho interior e pessoal, por suas conquistas, por suas transformações, pela intenção, valor e consideração à Via Interior, à jornada que empreende.

A Reconciliação, foi bem percebida, e principalmente porque o homem revestido na cor negra pode vir de símbolos e conteúdos que precisavam ser transformados e posteriormente incorporados na sua configuração e estrutura psíquica.

Há algum tempo atrás lhe perguntei se queria amar ou se queria ser amada. Naturalmente que o gostoso e amar e ser amado. Mas um pré-requisito fundamental é descobrir se queremos ser amados ou se queremos ama. Muitos pensam que querem ser amados quando o que querem é amar. E sempre que são amados fogem como se o diabo da cruz.

O seu caso era singular: a carência confundia a sua necessidade como a de quem gostaria de ser amada, mas procura era a possibilidade de amar, paralisada esperando ser escolhida pelo amor que escolhia na idealização.

Parece-me que agora se inicia o seu movimento espontâneo, a intenção daquele que quer amar, gostar, querer, beijar, conquistar, saciar seu desejo. Neste momento o outro é apenas o objeto em quem projetamos afeto e assim aceitamos usa-lo aprendemos a ser utilizados na libertação do outro.

Poderia ser o oposto, o de querer ser amada. Mas parece que não é. E este é o movimento inicial do adulto que escolhe o que quer, a partir da detecção interna do seu desejo. E este é o que chamo de pré-requisito para que possa se preparar para receber o amor do “outro”.

Vencido o preconceito que aprisiona e limitadas as escolhas, parece-me que você abandona o conceito de maculada para reencontrar a virgindade e se dar a chance de romper com as vivências negativas do passado para experimentar o admirável mundo novo do afeto e da sexualidade.

O sexo não é coisa suja. Sujos podem ser os pensamentos, ou o comportamento daqueles que não respeitam o ato sagrado do encontro, ou aqueles que só percebem o sexo como uma possibilidade de transgressão, estes encontram prazer na morbidez.

Como em quase tudo nesta vida também a sexualidade pode nos lançar no lago das águas sagradas ou no borburinho das noites nos inferninhos profanos. Mas independente de onde estejamos, somos nós quem definimos o tom da sinfonia sexual que realizamos, escolhendo entre a margem dos sagrado e a margem do banal, a diferença é apenas no sabor e na intensidade: um parece intenso e animal mas é primário, o outro parece inocente e puro mas pode nos levar ao êxtase pleno.

Quando em harmonia o sexo é o encontro natural de seres que se dão o direito de amar e ser amado, pois descobriram que assim se alimentam e alimentam o outro no encontro através da afetividade, uma forma singular de realizar os desígnios do divino.

O sonho parece-me um celebração que homenageia o reencontro com sua natureza interior, celebrado com flores.
O homem ainda mascarado indica que longo ainda é o caminho para desvendar alguns véus que nos encobrem, mas já é um grande passo pessoal, abandonar a repressão, a vergonha e os bloqueios e seguir em superando acontecimentos que precisam ser superados em direção a outros que precisam ser vividos.

domingo, 7 de novembro de 2010

AFETO E RECONCILIAÇÃO



Primeiro sonhei que estava triste e chorando quando meu pai se aproximou para me dar um dinheiro. Depois que ele colocou as moedas na minha mão, num impeto eu o abracei. Eu não estava necessitada do abraço em si e nem daquela proximidade com ele, mas algo repentino dentro de mim me moveu a abraçá-lo. Era como se eu quisesse demonstrar que precisava mais dele do que ele poderia imaginar, ou então que precisava mais do afeto do que do dinheiro dele. Ele que até então parecia insensível com a minha tristeza, acolheu-me num abraço reconfortante. Eu não me senti bem pelo abraço em si, mas pela minha capacidade de tomar tal atitude e conseguir abraçá-lo.

A dinâmica foi observada em sonhos passados: Reconciliação com o Pai, com as origens. E, naturalmente, essas dinâmicas psíquicas não se dão de forma acelerada. O corpo possui o seu tempo próprio de resposta e a psiquê possui seu ritmo suas frequências, seu “time” e seus pré-requisitos.

A prioridade é a proteção da estrutura psíquica, e a proteção antecede as mudanças. Por isso as configurações são alteradas por etapas e os ciclos podem ser longos.

Como dizia, a dinâmica de transformação foi observada e as mudanças foram iniciadas. A imagem do PAI se consolida, se restabelece como referência e importância afetiva. E esta é a base para que o principio masculino se estabeleça:

O Princípio de Realidade

Você abraça o pai, mas não apenas o pai que é referência e origem, você abraça o significado, representação, conceitos, princípios, força, prontidão yang. Em síntese: você abraça o masculino em si. Reestabelece o vínculo afetivo, não o vínculo, anterior, de submissão, mas da relação de troca, do partilhamento, da comunhão entre Pai e filha, entre masculino e feminino.

Os opostos se encontram e define a proximidade pela humildade, o valor subjetivo e não o material, a importância da vinculação, o código afetivo: o encontro... O abraço.

O processo de atualização da autoestima continua sua reconstrução. Fortalece o poder pessoal de promover intervenções, de definir escolhas inteligentes emocionalmente, de decidir por atitudes independentes.

Pode parecer-lhe um simples abraço.
Não o é!
É "O" abraço!
 E a sua escolha parece definida:
O caminho do afeto, do amor, da comunhão, do ser amoroso.


A D E N D O:

O dinheiro possui valor vasto simbólico além do seu valor de compra ou do poder que representa. Em decorrência do poder que o dinheiro representa, cada vez mais a tendência das elites de substituir o afeto pelo dinheiro contamina todas as camadas sociais. Esse processo coletivo que  transforma a afetividade num valor quantificável, se por um lado favorece o descompromisso entre as pessoas que se interrelacionam, diminuindo culpas e responsabilidades, por outro favorece aqueles que têm dificuldades em expressar afeto, através de toque ou como expressão verbal.

Um aspecto negativo é que a sociedade moderna vem transformando o padrão social da família Nuclear Afetiva, em familia nuclear materialista. trasnsformando a caracteristica que permitia aos mais pobres se aglutinar em torno do afeto e superar as dificuldades materiais existentes. Essa mudança de afeto integrador para conforto desagregador facilita a dissolução familiar colocando em foco o dinheiro, e não o afeto, como prioridade, o que invariavelmente determinará o rumo de uma sociedade  menos agregada  e mais focada no acúmulo material,  asociado à ideia do prazer mas representando apenas uma ilusão e a sobrevivência dos menos privilegiados.

Os indivíduos caminham

Para viver em função da fantasia

 De um "futuro" que não se realiza,

E não do afeto

Que consolida as interações humanas.

O que quero dizer é que os pobres abandonam a referência afetiva que representava a variável básica da aglutinação familiar e parte para a referência material e consequentemente para uma agrupamento mais dissociado e fragmentado.

No caso do sonho a relação direta mostra que verdadeiramente o dinheiro pode até ser uma forma moderna e difundida de representar a afetividade mas não supre a necessidade de sua significação na constituição de um indivíduo. Veste o individuo mas não o Aquece, não favorece sua consolidação, promove-o a uma possibilidade de EGO CENTRADO,  enredado no isolamento.  


SOBRE O AFETO



A sociedade moderna globalizada chegou para todos, excluindo os margeados, os alienados que não participam dessa Onda global. Os incluídos sofrem o impacto de uma civilização em permanente e acelerado processo de transformação. Os caminho muitas vezes são confusos, as referências ambivalentes, os princípios mutantes, os valores osciláveis, e tudo isso promove uma conturbação devastadora na vida de todos. Muitas vezes sem que os envolvidos percebam para onde são levados.

Tudo é hiper realçado, acelerado, devastado. E a cada dia os indivíduos são obrigados a se readaptarem, a não ser que escolham o caminho do Escape, enfiando a cabeça no buraco de terra, fechando os olhos e ouvindo apenas o que interessa, perdidos no conforto das sensações.

Nessa balbúrdia global o Afeto se sobressai como uma referência fundamental, um Banker que sustenta o equilíbrio pessoal e alimenta o espírito em busca de sobrevivência.

Tudo o mais se mostra perecível, insustentável, inconsistente.

E mesmo que a loucura coletiva avance devastando diferenciadamente os incautos, o afeto se mostra uma resistência a essa onda desconstrutiva que envolve a modernidade devastantando os filtros psiquicos.

É a referencia que fortalece a humanidade que ainda resta em nós. O resto, infelismente, é ilusão, fantasia insustentável de uma civilização que naúfraga na ansiedade, na velocidade e na sua ânsia destrutiva.

O afeto acolhe, humaniza, comunga, proteção, alimenta, alegra, compartilha, acompanha, sustenta, enriquece, acrescenta, norteia. Não se engane, a ilusão invade e devasta. Só o afeto nos permite inexpugnável, frente à invisível modernidade avassaladora. Sem o afeto nada mais vale a pena, porque torna a alma pequena.




domingo, 13 de junho de 2010

RECONCILIAÇÃO


CH 88

II - Depois de voltar a dormir sonhei que estava com um rapaz numa farmácia comprando ração para cachorro. Indeciso entre os tipos de ração ele acompanhou uma mulher até o interior da loja e fiquei ali o esperando. Ele começou a demorar muito. Eu estava quase desmaiando e parecia impossibilitada de mexer as pernas. Nisso o dono do local fechou as portas e tentou me agarrar. Sob o impacto de uma mentira (disse que ele ia se contaminar com Aids) consegui me desvencilhar dele. Fui para casa bastante assustada. Lá estavam minha mãe, irmã, cunhada e sobrinha. Havia muita coisa de comer, mas tudo me causava náuseas, pois eu estava me sentindo muito mal. Meu cunhado parecia disperso lendo um jornal. Minha sobrinha brincava e minha mãe e irmã faziam as malas, pois íamos todos viajarem para Três Ranchos. Embora eu adore conhecer locais novos, desgostei-me da ideia da viagem, mas sem alternativa fui arrumar minhas roupas também. Minha mãe estava bem mais nova, praticamente uma jovem. Enquanto separava as roupas, eu chorava cantando a música Pai do cantor Fábio Junior.

Depois disso caiu um tronco de mangueira sobre a casa e, quando fui chamar minha mãe para ver o acontecido, ela já estava lá na rua com minha irmã e sobrinha conferindo os estragos do incidente. Continuei no quarto, na minha angustia, sentindo desolada, apática, desinteressada de tudo, com um sentimento mórbido que de fato existe muito forte dentro de mim quando pareço obrigada a aceitar que sou o patinho feio da família, ou melhor, do mundo inteiro, aquele que não consegue e nem quer se entrosar com o grupo no qual está inserido, mas que nada pode fazer, pois não sabe cadê o seu grupo real de afinidades e afetuosidades.

Noutra parte de sonho eu fui com minha irmã a um açougue e, embora eu não coma carne, ela exigiu que eu pedisse a mesma. Eu mal conseguia repetir o nome do tipo de parte de carne que ela queria. Nisso o açougueiro trouxe o pedaço de carne, levantou no alto e rasgou-a com um gancho várias vezes me perguntando se aquele pedaço estava bom. Embora fosse apenas um pedaço de carne, eu senti aquela cena como se estivesse presenciando um assassinato, de tão mal que fiquei. Na volta eu e minha irmã conseguimos carona com uma mulher que estava acompanhada de uma criança, mas houve um problema com o carro dela e tivemos de caminhar a pé o resto do trajeto. No meio do caminho encontramos com minha mãe e contei a ela o que acontecera no açougue, relatando como todo o ocorrido me traumatizara. Minha mãe foi rude com minha irmã chamando-a de capeta e dizendo que ela não ia conseguir consertar o mundo inteiro. Fiquei ainda pior com aquela briga na frente da desconhecida e da criança. Embora estivesse me defendendo, fiquei chocada com a reação de minha mãe. Não sei o que aconteceu depois disso, mas lembro da minha mãe comentando sobre um pequeno vulcão que havia no quintal de casa. Ela queria tirá-lo de lá e escavacava a terra, mas realmente não lembro muito bem.

Todos os sonhos pareceram me confrontar perante minha imensa dificuldade de desvencilhar do meu jeito negativo de ser uma pessoa subordinada às ordens alheias, insegura, falsa, assustada, submissa, rebaixada em minha autoestima e dependente da proteção alheia como se fosse uma criança. Foi uma noite horrível e interminável!

Qual a eficácia de sonhos tão ruins?

Não se a questão onírica é de eficácia ou não eficácia. Essa questão é humana. A natureza possui uma dinâmica, nós somos parte desta dinâmica, se soubermos sincronizar a frequência da natureza e com ela caminhar em uníssono, seremos agraciados com novas experiências e na hora derradeira da morte, ela será benevolente e nós dará um tempo a mais, um miniuto, de vida, para nos prepararmos para a passagem, nossa única chance de mantermos íntegros a consciência de nós e do mundo. Caso contrário, apenas nos diluiremos no fogo cármico da poeira cósmica, e... Nossa ausência e fragmentação nenhuma diferença fará neste vasto universo.

Se existe um problema nisso que chama de eficácia, o problema não é dos sonhos, mas nosso. Se existe uma intenção na natureza dos sonhos e para chamar-lhe a atenção para que faça movimentos, supere estágio que já deveriam estar no passado e rompa com seu aprisionamento, seus limites.



Na primeira parte, retorna sua imobilidade, sua falta de iniciativa, ou a incapacidade de movimentar seu corpo, até mesmo numa ação de defesa.

Várias podem ser as causas dessa angústia, vejamos algumas:

-Essa angústia esta mascarada, escondida, e agora aflora por que você abre espaço para o seu universo interno. Se antes ela ficava escondida, aflorando de forma caótica ou deformada, agora aparece no sonho como ela é: Angústia;

-Nas mudanças que você realiza essa angústia que antes era imóvel, como energia paralisada, agora entra na sua dinâmica e começa a se movimentar e a aflorar;

-O seu elevado nível de tensão, e de estresse colocou-a num grau de prostração com sintoma de depressão mascarada;

- Sua hiperatividade mental leva-a a esses estados de angústia, em decorrência de déficit energético decorrente da perda de sua capacidade de síntese energética.

Voce acredita que “Continuei no quarto, na minha angustia, sentindo desolada, apática, desinteressada de tudo, com um sentimento mórbido que de fato existe muito forte dentro de mim quando pareço obrigada a aceitar que sou o patinho feio da família...” Mas pode ser equivoco. O que lhe causa esse sentimento negativo, isso que lhe invade, é a condição de dependência em que se coloca. Você não é obrigada a nada. Mas como criança você permite que o outro lhe determine seu destino e sua vida.

Nos estados regredidos, corremos para o colo dos que simbolicamente são mais forte, e como recuar ao abrigo do afeto. Abaixo a música que serviu para alimentar sua angustia e seu grito de socorro. Mas também é um sinal de reconciliação entre Pai e Filha. A música do Fábio Jr. Foi escrita, parece-me, vivendo essa reconciliação com o seu pai.

Também sou vegetariano e posso compreender sua angústia, Mas no sonho parece-me uma chamada para a realidade. E a realidade não precisa ser traumática. Ela nós exige postura e atitude. Não há porque fugir da realidade, e ela não precisa ser causa de angústia. Quando somos diferenciados e vivemos diferenciados, morte e vida são naturais e necessariamente não significam tristeza e alegria. Podemos nos emocionar com a beleza da vida e delicadeza dos sentimentos, e isto já basta, já é emocionante e faz da vida um acontecimento fenomenal. Mas é preciso sintonizar essa frequência divina da existência.

Minha cara, muitas vezes a angústia se torna refúgio porque o choro pode se transformar em prazer. Mas estamos todos no mesmo barco, no mesmo tempo, vivendo no mesmo mundo e essa solidão é imaginária. Corra atrás de alegria, de prazer e de suas realizações. Para falar a verdade essa alegria e esse prazer estão mais próximos do que é capaz de ver, vivem dentro de você.

Ah! Não se esqueça:   Ruim é originário da palavra Ruína, sua designação é INFELIZ. Somente nós mesmos podemos representar uma ruína para a nossa vida.

sábado, 10 de abril de 2010

JESUS CRISTO



CH44
Compreendo... tudo recorre Da necessidade de ser autentica e ter coragem de expressar-me, ariscar, me dispor a realidade sem fugas evasivas. Por mais dificil que seja estou me esforçando.
Aproveitando a ocasião, essa noite eu não sei se sonhei que rezava ou se estava conversando com Jesus de fato, mas prefiro crer na primeira possibilidade para não ser pretensiosa. Eu fiquei com a imagem dele na minha cabeça e, embora parecida com essa normal que todos conhecemos, era muito mais serena e confortadora. Eu dizia a ele, não sei se pessoalmente ou em prece: ‘Se conseguistes suportar tanto, eu também vou conseguir suportar esse pouco que me cabe’. Sei que foi um sonho longo do qual daria tudo para lembrar com detalhes, mas não recordo nada além dessa vaga impressão. Eu acordei com a sensação de ter rezado a noite toda e isso foi uma espécie de alivio para mim. Claro que não consigo acreditar em algo mais profundo como faria uma pessoa fanática, e tenho isso apenas como um reflexo da minha carência espiritual, da necessidade de estar em paz num nível mais completo, de ser encorajada e amada de maneira mais pura e segura, bem como do meu desespero para crescer e cumprir meu senso de utilidade.
 Por mais benéfico que seja um sonho assim, posso dizer que ele me assustou, pois parecia existir em mim uma cota de responsabilidade gigantesca daquelas donde sabemos que o fardo vai ser pesado, mas do qual estamos resignados a cumprir, custe o que custar, tendo necessidade muito maior de apoio espiritual.
Será que isso tem a ver com essa época de Páscoa?
Depois disso sonhei que conversava com meu marido e estava dentro de uma cena de séculos passados, com vestido rodado, de mangas com franzido, anáguas, corpete e cabelos pretos bem presos em transas que rodeavam a parte de trás formando um topete firme na frente (parecia quase um capacete). Também conservei uma lembrança muito vaga. Meu marido usava cartola, fraque, colete, cabelos na têmpora e, se não me engano, bigode fino. Era um homem imponente, de fibra e muito esbelto. Deveríamos estar na faixa etária de uns trinta anos, não sei ao certo. Parece que estávamos separados ou brigados por algum motivo e eu lhe disse olhando-o de lado, numa postura submissa, porém firme: ‘Senhor meu marido, por acaso achas que nosso casamento está consolidado apenas entre os homens por meios de meros papeis e posturas formais?’ Com isso eu queria dizer que, ao menos de minha parte, existiam sentimentos reais e responsabilidade afetiva perante o matrimonio, algo que ele sabia sim existir pelo meu profundo respeito aos deveres matrimoniais e pela admiração que demonstrava por tê-lo enquanto marido. Eu sentia presente um amor de conivência mútua que está muito além do sentimento de mera paixão romântica.
Não lembro mais nada. Por que tais sonhos? Pareceram-me tão vívidos!

Ao abrir seu e-mail fiquei intrigado. Este “comentário” é do dia 01.04. feito em Feed Back 11. Posteriormente postei feed back 12 e 13(e 2ª parte, medo), Questões, CH 42/43. Havia feito a escolha de postar os feed back e as “questões” para não deixar pendentes esclarecimentos que são importantes para a compreensão da leitura. Na postagem de ontem (quinta feira) fui levado a escolher a imagem que é a cruz.  Para mim a cruz, como imagem, simbolizaria perfeitamente o seu momento e a sua reflexão, e o título de ”descendo da cruz” completaria minha compreensão desse momento significativo.
Quando agora aproveitando um espaço de tempo para avançar na leitura do sonhos vejo em  seu relato de sonho o surgimento do cristo, a imagem e o significado de cristo e todas as implicações inseridas neste contexto.
O fato de não haver lido o sonho anteriormente, não ter tomado ciência de seu conteúdo e de ter chegado antecipadamente ao simbolismo cristão me vem como sinal da realização de uma leitura absolutamente isenta e pertinente com aquilo que seu inconsciente vem tentando transmitir para você. Neste aspecto, recebo sinal de que o meu papel, que envolve uma responsabilidade significativa nesta tarefa, de tentar traduzir o significado desta comunicação entre seu inconsciente e você vem sendo agraciado com a sincronia do nosso encontro, independente da forma do diálogo, do tempo e da distância. Possivelmente é como um sinal de que a leitura pode ser feita resguardando certos limites, mantendo-se a consistência e profundidade da intervenção.  O acontecimento relevanteé para mim incrível.
Geralmente não abro o e-mail até que possa estar disponível para realizar sua leitura e vez por outra sou levado a abrir, considerando possibilidade de feed back que precisa ser respondido para complementar a leitura postada e após identificado pela primeira ou no máximo a segunda frase, completo a leitura e se o conteúdo é de sonho, fecho-o para reabri-lo apenas dentro de condições especiais de leitura.
Quanto ao sonho:
Independente da questão religiosa e do dogma cristão, o cristo como símbolo transcende a cristandade, tanto quanto Buda, Alá, pois se tornaram símbolos arquetípicos e coletivos fundamentais da humanidade. Simbolizam nossa relação mediada pela representação com o fundamento e o criador do universo. Neste aspecto o sonho com o cristo não precisa ser visto com fanatismo religioso mas um sonho com um símbolo humano de uma representação divina. Sua conexão com o divino, reencontro, renascimento do espírito santo, do cordeiro de Deus em você.
Por isso não entrarei na especificidade do símbolo. A riqueza da presença do senhor cristo, no sonho, já é bastante significativa. Fala por si. O significado do símbolo salta de sua representação.
No sonho você diz: ‘Se conseguistes suportar tanto, eu também vou conseguir suportar esse pouco que me cabe’. Você tende a romper com o papel de vítima, como “o pobre coitado” que se sacrifica e sofre em vão por não aceitar a condição humana inerente á realidade do seu significado no universo. Somos seres em processo de transição, evolução e mutação e com poder limitado para  se dar ao luxo de não aceitar esses limites ou a condição inerente à vida e à sua imprevisibilidade.
Se o filho santo do pai, filho dileto se submeteu ao inevitável destino, como se homem comum fosse, nós, meros mortais, não temos como escapar aos nossos desígnios. A nós nos cabe suportar os desafios, os confrontos e o dever de, suportando, completarmos o desígnio pessoal de nossas vidas. Sinceramente, o nosso destino é inevitável, e quanto mais tentamos fugir, quanto mais nos revoltamos, mais penosa, sofrida e dolorosa se torna a jornada.

“posso dizer que ele me assustou, pois parecia existir em mim uma cota de responsabilidade gigantesca daquelas donde sabemos que o fardo vai ser pesado, mas do qual estamos resignados a cumprir, custe o que custar, tendo necessidade muito maior de apoio espiritual.”
Outra percepção lúcida. Mesmo que muitos acreditem a vida não é uma festa, ao contrário, somos envolvidos por desafios permanentes que precisam ser superados, quando não os superamos o fardo cresce, se avançamos o fardo se suaviza. Só posso conceber uma vida que seja leve e suave, mas  ela só se faz leve quando rompemos nossos bloqueios, dificuldades e desconhecimento. Essa resignação é uma humildade complacente e o suporte espiritual está associado ao sopro vital que alimenta o nosso espírito, a nossa alma. Abrir mão disso e escolha dos incautos que se superestimam. Hoje em dia o espírito religioso nos habita de forma livre, independente de rituais e de amarras. Fundamental é a intenção e a atitude diante da vida, diante dos outros.
A segunda parte do sonho parece-me um avanço na sua dinâmica pessoal de reconciliação, união dos opostos, compromisso consigo mesmo pela tarefa de realizar essa integração pessoal entre seus polos diferenciados. Se não me engano, pela primeira vez surge a imagem do seu casamento, a incorporação do matrimônio que é a disposição de unificação dos opostos, a dinâmica direcionada para a realização da integração dos opostos. Antes de casarmos com alguém no mundo precisamos casar com nós mesmos, como não é tarefa fácil, mais fácil pode ser encontrar um parceiro no mundo externo e realizar a intenção projetiva, para que a vivência possa ser um exercício para a realização do matrimonio interno entre os lados opostos que vivem em nós.
Interessante é o afloramento de sentimentos e de uma afetividade menos egocentrada, já há manifestação do amor pessoal pelo “outro”,
E amor é amar além da paixão.

Bacana!

Admirável!


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

BEIJO


Tenho aqui mais um sonho: Não lembro o que sonhei inicialmente, mas pouco antes de acordar eu estava numa casa bonita, mas bem diferente. Não sei de quem era, mas eu parecia tranqüila lá dentro até o momento em que entrei por uma espécie de cômodos secretos cujas portas de levantar estavam um pouco emperradas e eu tinha que agachar para passar. Achei interessante aquilo e não me importei, mas na volta, quando estava indo embora, percebi que a passagem da escada, a qual impressionantemente era feita de tecido, estava despregando a costura e não dava para pular, de forma que eu fiquei presa sem ter como sair. Mas eu estava disposta a dar um jeito e sair dali de qualquer maneira. Não seio que sucedeu, mas depois disso eu estava noutro cômodo, não sei se na mesma casa, e troquei vários beijos com um homem de uma forma muito intensa e até lasciva. Senti inveja de mim mesma naquele beijo como se soubesse que aquilo era só um sonho. Havia outro casal que se preparava para tomar banho e eu me sentia bastante natural e à vontade. Quando o homem com quem eu trocava beijos foi embora ou foi buscar algo, não sei, eu procurei água para beber, mas daí eu notei que só havia um ultimo copo de água filtrada. Não quis tomar, pois eu me sentia como uma visitante e não tinha tal liberdade. Também não sei o que aconteceu nesse meio tempo de sonho, mas na seqüência eu fui à padaria acompanhando alguma pessoa que não sei definir quem era. Essa pessoa, que era uma mulher, comprou algumas quitandas e na volta ofereceu-me um café e eu aceitei. O café ali saia da maquina de graça e por isso, muitas pessoas faziam o lanche no próprio lugar. Apesar de termos tomado o café, ela disse que iríamos comer em casa. No que terminei de tomar meu café percebi que havia perdido um pé do meu chinelo e já era o segundo par que perdia ali, sinal de que era a segunda vez que ia naquela padaria. Nisso ela me mostrou uma caixa de achados e perdidos e lá encontrei tanto o pé do chinelo com que estava quanto o outro par perdido outrora. Fiquei feliz por encontrá-los e poder pegá-los de volta, só que, enquanto tentava guardar o chinelo que perdera outrora na bolsa e me retirava da padaria, a mulher que estava comigo já havia ido embora e, apesar de saber que já tinha ido ali outra vez, não lembrava o caminho de volta para a casa dela. Fiquei olhando para a rua inclinada. Tinha impressão que o caminho era descendo, mas também tinha a sensação de que deveria ser subindo e não conseguia de forma alguma saber para onde ir e nem entender porque ela não me esperara. Nisso acordei.

Neste sonho aparecem alguns sinais interessantes, mesmo que possam sinalizar representações aparentemente simples. A casa parece-me o reencontro com sua casa, mesmo que ainda não a identifique como sua, mas já surgem sinais de afeto (reconciliação afetiva com o masculino, ainda que a aproximação seja carregada de energia sexual). Tudo bem, o beijo você o sente como excepcional, e mesmo que ele seja compensatório de carência (afetiva, emocional ou sexual), ou compensação por estar, na realidade, beijando alguém que não faz a sua cabeça, ele sinaliza uma reconciliação com o masculino que transpassa a distância, a resistência e defesas anunciada anteriormente em sonhos. Outro sinal afetivo: partilha de alimentos. Associo o encontro do chinelo com o reencontro do caminho da humildade. Foi perdido e parece-me que está sendo rencontrado, ou a necessidade de reencontrar esse caminho para calçar e proteger sua caminhada. Como o momento é de transição, nada mais natural poder descer como poder subir, mesmo que a passagem, a escada, a transição, ainda seja um caminho delicado e frágil. O movimento esta sendo feito e a dinâmica favorece a volta para casa, para você mesma.