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sábado, 21 de agosto de 2010

SONHOS LÚCIDOS



Carla150

Em terceiro eu caminhava por uma rua quando tomei consciência do fato de estar apenas sonhando. Eu podia sentir meu corpo na cama e, ao mesmo tempo, sentia estar naquela outra dimensão que se fazia tão viva como a real. Eu precisava de muita cautela, pois se eu tomasse muita consciência da realidade do corpo dormente, podia me desconcentrar da outra dimensão e, se mergulhasse muito naquele contexto onírico, podia esquecer que tudo não passava de um sonho. Essa consciência de estar ali em sonho, ou seja, dentro de uma vida fictícia, fez-me ter a sensação de que tanto o perigo quanto a condenação moral eram simbólicos. Sonhando havia menos liberdade do que se estivesse apenas pensando, porém havia em mim mais liberação para fazer escolhas e tomar atitudes. Tentei experimentar essa consciência e essa sensação de liberdade. Parei perto de um bêbado e olhando-o fixo tentei rezar por ele. Ali poderia ter a liberdade de dar consolo a um bebum se eu quisesse. Sentindo-se incomodado ele levantou da sarjeta e começou a ficar nervoso dizendo um monte de coisas que eu não entendia, exatamente por ele estar muito bêbado. Pedi-lhe desculpas, mas ele continuou seu falatório. Apareceu um outro homem dizendo ser irmão dele e pedi desculpas a este também. Percebi que eu tinha liberdade para agir, que me sentia livre para tal, mas o cenário não respondia a meu bel prazer apenas por eu ter consciência de que tudo era um sonho. Eu não podia escolher a reação dos outros como se estivesse meramente pensando. Mesmo que os outros fizessem parte de mim mesma numa espécie de projeção inconsciente, eu não os sentia como uma criação mental minha e não tinha meios de atuar através deles ou escolher com quem eu queria entrar em contato. Virei noutra rua e escolhi uma casa simplória que me chamou a atenção. Fui aproximando dela e quando apareceu uma mulher, disse que estava fazendo uma pesquisa e demonstrei meu interesse de conversar com ela. Perguntei quantas pessoas moravam naquela casa. Ela respondeu enquanto acompanhava uma visita até a rua. Era uma família negra e, embora ela tenha se mostrado receptiva, percebi que ela deveria estar ocupada para me atender. Eu não estava fazendo nenhuma pesquisa e nem sabia ao certo o que poderia perguntar. Em verdade eu estava apenas testando até que ponto eu poderia agir livremente, dominar os fatos, cenas e contexto. Tendo mais certeza de que eu não tinha controle de manipular o meio esterno, disse que outra hora retornava, pois não queria atrapalhá-la. Senti que não podia escolher com o quê sonhar e, ao mesmo tempo, não entendia por que estava naquele local tendo plena consciência de que estava vivendo numa dimensão irreal. Esse foi o porém: não tinha noção de qual utilidade buscar. Eu me sentia numa experimentação, dentro de um mundo além do real, mas não sabia qual o sentido, o que eu deveria exercer ali dentro. Ter consciência ampliou tanto as possibilidades que me senti perdida: o que exatamente eu devia fazer? Continuei sonhando, mas não lembro o resto.

De todos os sonhos aparentemente lúcidos que já tive (se é que isso é um sonho lúcido), esse foi o mais natural e tranquilo. Eu sentia como se estivesse com a consciência acordada embora meu corpo estivesse dormindo. Não houve nenhum pânico, nenhuma sensação de medo ou desespero para acordar como até então acontecia. É estranho e bom ter sonhos assim. Entretanto, a dúvida que tive dentro da outra dimensão acordou comigo na realidade também: ou seja, o que devemos fazer dentro deles? Não sei quando vou ter outro sonho desse tipo, mas espero estar mais preparada se por acaso acontecer outras vezes.

Qual a finalidade de sonhos lúcidos?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

VIAGEM A PARIS


PARIS
CARLA 149

Em segundo sonhei que minha irmã havia me dado uma viagem para Paris. Nós duas íamos para lá. Eu estava muito feliz como se estivesse vivendo um sonho... e era apenas um sonho.

PEQUENAS CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS

Para compreender a leitura do sonho

Uma imagem possui uma representação, um significado ou uma simbologia específica. Mas a imagem é mais do que isso. Através das imagens oníricas somos conectados com o universo psíquico, nosso lado mais profundo e desconhecido, nossa origem, nossa alma. Pelas imagens somos, como seres visuais, sensíveis e perceptivos, conduzidos através do nosso foco de atenção para aquilo que o espírito interior define como o melhor para nós, somos mobilizados, lançados, conduzidos e resgatados para o eixo, para o ponto central que possuímos, aquilo que nos distingue como sujeitos.
Portanto, a imagem é essencial, para que o Intento Psíquico, o comando interior, possa se realizar e para que nós como seres simbólicos possamos nos referenciar nos significados, aproximando ou nos distanciando das experiências na realidade.

Cada imagem que é codificada possui uma carga energética, um conteúdo, uma polarização produzida pela psiquê, uma referência psíquica ou uma polarização produzida por nós a partir de nossa experiência na existência, no dia a dia, na vida. Digo produzido por nós quando definimos e elaboramos o significado ou como o resultado do processamento e dos acontecimentos naquele momento específico. Quando a imagem é arquetípica ela já vem codificada e polarizada da origem.

Não se pode também esquecer que quando herdamos o conteúdo, a configuração está codificada pela imagem. Temos de concordar que uma imagem vale mais do que mil palavras, sendo portanto mais sintético e mais sábio armazenar imagens do que conteúdos de imagem.A imagem define o conteúdo assim como um conteúdo pode ser sintetizado numa imagem.

Com o nascimento as imagens são resgatadas do arsenal herdado e recodificado quando necessário a partir do desenvolvimento do individuo. Quanto mais informações mais resgatamos conteúdos e mais podemos usufruir do conhecimento humano herdado.

Muitas vezes quando existem diferenças entre o conteúdo produzido pela psiquê e o conteúdo produzido pela experiência pessoal e incorporado nos centros psíquicos, essas diferenças podem indicar o surgimento de conflitos.

Quando não existem diferenças entre o conteúdo produzido pela psiquê e o seu similar, aquele que produzimos, os conteúdos se acoplam em representações mais significativas e consistentes.

Se os conteúdos não se integram é porque existem diferenças entre a significação arquetípica, e a significação produzida pelo sujeito a partir de percepções ou julgamentos equivocados.

Um exemplo, para tentar clarear na vida diária:

Em várias religiões a sabedoria, alerta:

NÃO JULGUES PARA NÃO SER JULGADO.

Desconsidere a questão religiosa. Quando o sujeito se arrisca a julgar o outro, ele produz um conteúdo que vai ser incorporado como definido, se a percepção for correta ela encontrará respaldo psíquico que incorporará a avaliação final, definindo as possibilidades de resposta do individuo frente às situações que forem originadas na realidade. Se o conteúdo for incorreto ele será incorporado, mas não se integrará ao seu espelho já construído anteriormente pela psiquê, e receberá uma polarização diferenciada para que possa ser distinguido quando este conteúdo for invocado pela consciência.

Assim pode ser a origem de um comportamento ambíguo e ou conflituoso, conteúdos de polarizações opostas.

Outro exemplo: Uma pessoa que mente se transforma em grande produtor de conteúdos que serão incorporados promovendo um grande desacerto psíquico. Na verdade promoverá a construção de uma realidade interna imaginária diferenciada e polarizada distintamente, em desacerto com os conteúdos referenciais da psiquê. Esses desacertos serão devastadores.

Outro exemplo: Há pouco tempo abordei no Blog aeternus femininus a questão da formação da Personalidade do Sociopata no desenvolvimento humano. Assim que nasce, a criança é indistinta da mãe. Se o biótipo materno é de uma Mãe Abandônica o comportamento distanciado, pouco afetivo, promoverá reatividade no individuo, se esta natureza reativa for acelerada, ressentida, agressiva ela gerará a formação de uma representação negativa da mãe como objeto promotor de desconforto.

Ora, o arquétipo da mãe é um arquétipo poderoso e fundamental na formação e no desenvolvimento humano, portanto o conteúdo introjetado conflitará com a imagem arquetípica da mãe como objeto protetor. O sujeito já nasce tendo que lidar com a rejeição, tendo que negar um lado seu que o frustrante. Neste caso, haverá a formação de conflito e consequentemente a formação de conteúdos autônomos de defesa. Como resposta o indivíduo desenvolverá respostas pouco ou nada afetivas, pragmáticas, manipuladoras, no sentido de obtenção de recompensas que o compensem de uma cisão psíquica entre a realidade negativa experimentada e o código herdado da imagem de mãe boa.

Isto tudo para dizer que:

Continua...

ADENDO

Quem leu a reflexão até aqui merece esta observação: Ontem à noite fiz a leitura do sonho e realizei  a reflexão acima, nesta noite sonhei com uma  mulher que estava sentada, com uma saia rodada, acolhendo em seu colo diamantes e pérolas, e eu  ajoelhado catava, no colo dessa mulher os pequenos diamantes, aproximadamente 100 pedrinhas, e as pérolas, apenas duas. acordei pensando que tinha a ver com a reflexão acima que, para mim, enriqueceu-me a compreensão, realizá-la.

VIAGEM A PARIS II

  PARIS
A LEITURA DO SONHO

No sonho se a imagem incorporada de sua irmã, no real, é negativa, a compensação surge para regular a dissociação entre aquilo que sua irmã realmente é e aquilo que você “pintou” que ela é. Neste caso trabalhe suas dificuldades e resignifique o significado de sua irmã, para que se processe a sua reconciliação interna e este resultado possa ser projetado nas transformações que você busca dentro de sua realidade. O sonho é indicação de uma tendência de proximidade ou de caminho a ser seguido.

O significado de irmandade se apoia nos laços consanguíneos, mas estes não bastam, porque na vida adulta a irmandade o significado se amplia da família para o coletivo levando-nos à compreender que a irmandade supera o sanguíneo e nos aproxima da unidade coletiva, e essa passagem é dinâmica de amadurecimento e de transcendência. Neste momento se os laços familiares se fortalecem no afeto, na confiança, no partilhamento, as relações se consolidam e seguem em laços mais fortes. O momento portanto, é propício para esta proximidade, mas para isso é preciso resignificar seus conceitos de irmandade.

Se considerarmos a representação de Paris como cidade Luz, o sinal é de que você caminha, ou voa, para cidade das luzes, reconciliada com a sua irmã. Claro que junto da sua irmã pode ser prenúncio de amadurecimento da relação, a eliminação das arestas que possam impedir o aprofundamento da relação. A indicação de viagem das duas é sinal de aproximação entre você e a representação. A relação se resolve inicialmente dentro de você, na proximidade que acontece com os conteúdos, entre as duas irmãs.

Não há como pensar Paris sem pensar em Torre que pode ser um dado a acrescentar. Se pensar em torre de Babel é a vaidade e a ganância gerando distanciamentos no diálogo. Se pensar na tradição cristã é o símbolo de vigilância e ascensão. Mas como a torre não apareceu pode ser que o conflito solucionado promova o seu aparecimento. Portanto cuidado com as diferenças de linguagem, porque essas diferenças criam abismos, distâncias e o silêncio forma torres que nos aproximam da ascensão que nos leva a Deus.

No caso da viagem ela surge também como compensação, fuga da realidade, necessidade de mudança interior, desejo de transformação, compensação de anseios e desejos, espelho de insatisfações com a sua realidade.  E  a generosidade da sua irmã, lhe dando a viagem, compensa o conceito dela ou sinaliza a sua expectativa de que ela satisfaça seus sonhos... como dever de irmã.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

À FLOR DA PELE

imagem do livro 1000 Tatoos
Ed Henk Schiffmacher - Taschen
Carla

Sonhei que estava em casa quando surgiu na minha pele um monte de tatuagem de pequeninas flores coloridas e fiquei com a pele toda coberta com os desenhos. Quando cheguei perto da minha mãe as tatuagem começaram a surgir nela também. Comentei que aquilo deveria significar algo que ficara marcado dentro de nós e que, por algum motivo qualquer desconhecido, estava exteriorizando de modo anormal. Seria isso mesmo?

O comentário surge dentro ou fora do sonho? Fora este detalhe significativo, vamos passar o olhar e passear pelo conteúdo:

Lembrei-me de uma música do excepcional Chico Buarque:

Tatuagem

Quero ficar no teu corpo Feito tatuagem

Que é prá te dar coragem Prá seguir viagem

Quando a noite vem... E também prá me perpetuar

Em tua escrava Que você pega, esfrega

Nega, mas não lava... Quero brincar no teu corpo

Feito bailarina Que logo se alucina

Salta e te ilumina Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos Do teu braço

Repousar frouxa, murcha Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz Nas tuas costas

Que te retalha em postas Mas no fundo gostas

Quando a noite vem... Quero ser a cicatriz

Risonha e corrosiva Marcada a frio

Ferro e fogo Em carne viva...

Corações de mãe, arpões Sereias e serpentes

Que te rabiscam O corpo todo Mas não sentes...

A vida é assim, naturalmente tem príncipe que nasce para ser Ob, e tem gente que nasce para ser príncipe, e outros querem ser tatuagem no corpo da amada, do amado, para ficar encravado na pele do corpo do prazer.

Mas a música não fala apenas da paixão, mas do amor que carregamos, sendo o que somos, o produto do amor, a cicatriz consentida e exposta do amor.

Você está tatuada de seu pai e de sua mãe. Eles estão registrados nas suas entranhas, e nas linhas deste órgão exposto que nos protege do impacto da realidade. E se agora, flores afloram na sua pele e mostram a sua natureza de origem materna singela, perfumada, em forma de uma das mais belas criações divinas, elas que representam a feminilidade exposta, a flor, podem simbolizar a emersão deste seu lado. Você chega à estação das flores. Se isso indica sua origem, indica um lado feminino, de renovação, símbolo do princípio passivo. Símbolo do aeternus femininus.

A floração é o resultado de uma alquimia interior, a união dos elementos fogo e água, essência e sopro, o retorno o eixo, o elixir da vida, o retorno ao centro à unidade, à origem. A flor também pode representar a alma, o arquétipo do espírito, o centro espiritual.

Se hoje do interior afloram flores, que elas venham para compensar as tristezas ou para te lembrar das origens perfumadas de nossas vidas: o amor. Que o amor aflore na tua pele para que possas viver o sabor do perfume. E hoje, se ainda, como moça desvirginada, quem sabe amanhã, como matriz da vida, proliferando a força do amor. A sensibilidade aflora.

Para finalizar, somente lembrando outro poeta em forma de música, Zeca Baleiro:

Ando tão à flor da pele,

Qualquer beijo de novela me faz chorar...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

SPECTRU E SCORPIONE

carla

Sonhei que estava com uma equipe quando chegamos a uma casa que diziam ser mal assombrada. Não fui a primeira a entrar, mas o fiz sem receios. O interior estava sujo e não havia iluminação artificial. Já passara do anoitecer e enquanto do lado de fora ainda parecia ser dia, lá dentro o ambiente de penumbra já dificultava bastante a visão. Comentei que meu único medo era de algum bicho peçonhento e citei de exemplo o escorpião. Sentei numa mesa muito empoeirada e tentei entrar em contato com os 'fantasmas' do local. Senti que haviam forças fortes naquele ambiente e rezei caminhando ao redor da mesa com as mãos levantadas ao alto. No mesmo cômodo que eu havia uma outra pessoa que ora tinha a fisionomia de homem e ora de mulher. Provavelmente era meu animus feminilizado. Depois de algum tempo retirei-me do local, pois ali dentro no meu sentir não havia nenhum 'fantasma'. Interessante que embora aquela casa tivesse aspecto de abandonada, todo o seu redor estava muito bem conservado. Haviam pés de plantas medicinais como alecrim e manjericão cujas flores perfumavam o ambiente. Também havia canteiros de hortaliça super verdes. A terra estava bastante adubada e molhada como se alguém houvesse acabado de aguar os canteiros. Abracei uma jovem como se estivéssemos a comemorar o fato da casa não estar assombrada. Depois disso ela apanhou um ramalhete de flores de alguma das plantas medicinais e me deu para eu segurar. Cheirei-as e depois entreguei ao rapaz que estava dentro do carro nos esperando. Era o sujeito que por vezes tinha a fisionomia de mulher. Eu queria abraçá-lo também, mas sentia que ele parecia irritado, triste e sentindo-se frustrado, talvez por ter achado perda de tempo termos ido numa casa assombrada que não era assombrada. Ajoelhei-me do lado de fora do carro e da janela acariciei o rosto dele, que nesse momento realmente tinha a fisionomia de uma mulher, e disse que estava aguardando ele se declarar. Sentia que havia um amor lindo entre nós e coloquei-me aberta para um envolvimento maior. Isso é tudo o que lembro.

O universo e espantoso e inimaginável energeticamente. A profusão de energia que nos envolve é colossal, e é evidente que é fundamental termos cautela para lidar com a multiplicidade de dimensões superpostas em que estamos inseridos.

O sonho focaliza sua atenção em pontos que merecem essa cautela. Você parece-me mais a vontade com a realidade extra dimensão, além do materializado, do que com o concreto. Você lida bem com as forças, com os campos energéticos espectrais, do que com escorpiões.

Tudo bem que o aracnídeo seja de hábitos noturno e peçonhento, mas há dificuldades para lidar com o perigoso materializado como não ter cautela para lidar com o imaterializado?

O escorpião encarna como animal noturno, o perigo, o espírito belicoso, mal humorado, dissimulado, ágil, imprevisível; Como animal diurno simboliza a abnegação, o sacrifício materno. Na mitologia grega é o vingador de Ártemis (Diana) a virgem vingadora eternamente jovem, fugidia. Ofendida por Orião que tentou violentá-la a deusa providenciou para ele fosse picado por um escorpião e como agrado transformou o escorpião em constelação. Na astrologia é símbolo de resistência, luta, dinamismo e morte. Em síntese: Um canto de amor no campo de batalha e um grito de guerra no campo de amor, como natureza vulcânica seu elemento sãos as tragédias e as tormentas.

Veja que esse medo do escorpião pode ser o medo desta força interior que mobiliza em você a impulsividade, a agressividade, a reatividade, mas o medo projetado no animal é apenas o símbolo de sua dificuldade para lidar com este elemento abstrato e simbólico.

Há o receio mas pode lhe faltar cautela para lidar com o conteúdo mental, essas forças internas.

Tudo bem sua casa já não está tão assombrada mas ainda precisa de cuidados limpeza, a parte externa, aparente, visível, está cuidada mas a interna precisa de atenção, luz, cuidados, limpeza.

Apesar do Animus ser um conteúdo puro, pode aparecer contaminado. Essa contaminação aparece nesta manifestação de irritabilidade, frustração do sujeito dentro do carro “ele parecia irritado, triste e sentindo-se frustrado, talvez por ter achado perda de tempo termos ido numa casa assombrada que não era assombrada.” Parece-me bastante caprichoso e pouco consistente, um comportamento muito parecido com o seu tédio manifestado quando não há algo de extraordinário para alimentar sua necessidade do especial.

Mas fica a dúvida: o que existe é uma mulher se comportando como homem ou um homem com cara de mulher? Para avançarmos mais é necessário que você seja menos pão dura nos seus feed back e possa participar dando mais retorno com suas percepções e informações. Neste aspecto o conteúdo scorpionino é mais masculino, e à medida do seu temor pode representar um achatamento no conteúdo masculino que acaba promovendo desvios para se manifestar de alguma forma frente à sua repressão, temor ou relevância diminuída.
Isso pode ser o vento que define suas relações afetivas com o masculino. Há  preferência, em você, na escolha de homens mais femininos e passivos?

domingo, 15 de agosto de 2010

FACE E CABELOS




Carla145


Por fim, num quinto sonho, eu estava num quarto estilo de bebê. Ele era pequeno, havia duas camas de solteiro e no meio delas um berço. Tudo estava enfeitado com temas infantis e haviam muitos brinquedos. Várias crianças brincavam surpresas e felizes naquele ambiente como se fosse a primeira vez que estivessem entrando no quarto. Enquanto isso eu estava tendo meus cabelos penteados, mas não estava gostando, pois quem remexia neles parecia não ter delicadeza suficiente. Haviam mais duas pessoas cujos cabelos estavam sendo tratados. Uma delas estava tendo o cabelo escovado e outra tinha o cabelo sobre uma mesa donde passam nele um rolo metálico chamado Skin Cooler, um acessório de beleza que em verdade é usado no rosto, pois fecha os poros e clareia as olheiras. Eu não tenho esse instrumento, mas achei muito interessante sonhar com isso, pois desde alguns dias que venho tratando melhor do meu rosto e colocando rodelas de pepino geladas sobre os olhos. Eu já vira esse acessório ser utilizado em canais de novela, mas não sabia nada sobre ele. Pesquisei e descobri que o mesmo é guardado no congelador e tirado apenas na hora de ser deslizado no rosto, pois a superfície gelada faz os vasos sob a pele se contraírem. No sonho o rolo era passado sobre um enorme cabelo liso e volumoso e eu não via a hora de receber aquele tratamento específico.

O que me diz de tais sonhos? Você disse que eu poderia dar nome para facilitar a identificação dos personagens internos, mas como diferenciar os arquétipos dos personagens que apenas apresentam traços arquetípicos?

A psyquê utiliza o que acontece em nosso dia a dia para se articular na sua dinâmica de atualização. Um dado que salta ao olhar é a proximidade daquilo que acontece no dia com o que acontece no sonho. Este fato para mim sinaliza uma proximidade de tempo e de intenções e é claro que evidência o quê antecede o quê. Se a intenção do Incs. Antecede a consciência a direciona em sua ação.

Vejamos: a sua atitude premente é a de cuidar do seu rosto. Você promove a ação. Mas sonha sobre o tema que focaliza o cabelo. Bem... Não sabemos s o que antecede a ação de cuidado, se o filtro da pulsão de Incs. Ou se a necessidade do ego. O sonho precede sua ação na realidade ou ele apenas reforça a mobilização de sua conduta?

Eu lhe digo:

O Incs. mobiliza seus cuidados pessoais e o sonho lhe indica a importância de ficar atenta a este cuidado. Precisaria investigar sua atitudes mas parece-me que se você cuida da pele do seu rosto é necessária saber porque realiza este cuidado e se está cuidando da coisa certa.

Você Pinta, tinge, seus cabelos?

Seus cabelos são secos ou oleosos?

Qual tipo de química você utiliza para cuidar dos seus cabelos?

Estes produtos podem esta produzindo alguma reação na sua pele facial?

Possivelmente cuidar deste rosto sem saber se o que vem de cima, do cabelo, não o compromete, pouco pode valer!

Avalie!

O que me diz de tais sonhos? Você disse que eu poderia dar nome para facilitar a identificação dos personagens internos, mas como diferenciar os arquétipos dos personagens que apenas apresentam traços arquetípicos?


Se você conseguir localizar o Arquétipo saberá distinguir o que é traço!

sábado, 14 de agosto de 2010

PHALUS ERECTUS










Invocação a Priapo Sec. I d.C., Pompéia , Casa dei Vettii

CARLA 144
No quarto sonho eu estava trabalhando dentro do consultório de um nutricionista. Havia uma repartição atrás de mim que compunha uma sala de espera, donde tinha uma televisão ligada e, do lado, a sala de atendimento. Eu era uma espécie de secretária particular, estava com um monte de cheques na minha mão e tinha de ligar para alguns clientes a fim de resolver problemas relacionados aos mesmos. Nisso uma paciente entrou e, depois de ser atendida, no momento em que ia saindo do consultório, perguntou se eu estava vendo televisão, mas sua pergunta foi com ar de crítica, como se eu estivesse deixando o trabalho de lado. Nesse momento o nutricionista estava sentado numa poltrona encostada a parede e à minha direita, entre minha mesa de trabalho e a porta de saída. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa ele disse-lhe com ar irônico que eu estava sim vendo televisão. Ele respondeu dando a entender que ali dentro eu podia fazer o que bem quisesse. Aquela defesa agradou-me e assim que a senhora terminou de se retirar, fui até ele e beijei-lhe várias vezes na face. Ele foi receptivo, mas não retornou meu afeto ficando estático. De todo modo eu apreciei a aproximação sentindo enorme prazer e não me importei com a postura dele. Além do mais, ali era um ambiente de trabalho. Ele comentou que não estava tendo tempo para nós dois com tantos pacientes, mas que recompensaria isso assim que saíssemos dali. Interessante que até então eu estava tão concentrada no trabalho que não percebera ou assumira o fato de haver uma ligação de intimidade afetiva entre eu e o nutricionista. Era como se nada e tudo houvesse entre nós ao mesmo tempo. Quando ele levantou-se notei que ele ficara excitado. Ele tentou esconder o fato tampando com o jaleco, mas eu falei para ele deixar de ser bobo e então ele soltou o traje e passou por mim tentando não demonstrar seu constrangimento ou não querendo se importar com a suposta vergonha que demonstrou sentir inicialmente.

O nutricionista é o que: cuida da alimentação balanceada, correta para a boa saúde do indivíduo, mas dentro do contexto onírico é plausível compreender que além de orientar a boa alimentação, parece um conteúdo que nutre sua necessidade de proteção, compensa sua carência, se excita (se energiza), mas quando se envergonha, você assume o poder de dominadora, mostrando uma postura pró-ativa, naturalista, com flexibilidade moral, sem julgamento ou críticas.

Podemos pensar em dois lados um mais contido e outro mais natural, um mais moralista e outro menos, um mais tímido e outro mais preparado para enfrentar a cobrança da manifestação sexual.

Interessante é que o sujeito é capaz de agir em sua defesa frente à cobrança profissional, mas se mostra recatado frente ao crescimento do Falus Erétil. E você não sabe se postar frente à cobrança, mas socorre aquele que te protege. Isso pode significar ambivalência, conflito entre posturas ou mecanismo para se esconder. Pode ser que conceitualmente você aceite o comportamento sexual mais liberado nos outros, é capaz de defendê-lo, mas em você não sei se a repressão lhe protege permitindo-lhe um lugar confortável na idealização. Isto quer dizer confortável até que o desejo se empurre para o cenário do desconforto tento que optar pelo comportamento casto quando o desejo é de se mostrar uma mulher Fálica, de exibir a sua sexualidade e dominar através de atitudes escoradas na representação simbólica do Pênis Erectus. Neste caso quando o outro evidencia a força do falus, você estimula a exibição e satisfaz em você a sua necessidade de também ser mais exibida.

Não se assuste, a sexualidade é uma natureza complexa na sociedade humana. Associada ao pecado fica mais complexa, reprimida, sucumbe à força de um vulcão interno que eclode produzindo prazer e dor, conflitos.

É importante que entenda que as forças da repressão cobram, quando ficamos ancorados em conceitos confusos e tradicionais. Às vezes a sociedade sinaliza liberdade mas se comporta de forma tradicionalista e conservadora. E o conservador é mais tradicional e presente do que podemos imaginar na sociedade dita livre.

Se existe um caminho que precisa ser experimentado é o inevitável caminho de nossa natureza sexual, e experimentando podemos sondar este universo que se conecta ao mais profundo de nós mesmos.

Quando tratamos esse lado com delicada sutileza, cada passo pode ser dado na descoberta do corpo, do prazer e da melhor forma para lidar com essa força. Desta forma a descoberta pode ser cheia de prazeres, orgasmos e êxtases, brindando o corpo com a possibilidade de um caminho suave, delicado e cheio de pureza. O sexo não precisa ser impuro, nem deve sê-lo, ao contrário, ele apenas é o espelho da forma como nos relacionamos com o nosso melhor, nossa natureza procriadora, a vida.

No sonho a mulher repressora, que existe em você, lhe confronta com a figura de autoridade, e o conteúdo masculino a protege, fortalece, porque atende à sua expectativa e carência. Encontrar a proteção pode ser o caminho para encontrar o desejo sexual, mas pode ser a armadilha que a colocará nas mãos do outro, já que lhe abre uma porta por onde ansía entrar, a de valorizar aquele que atende às suas expectativas.

O caminho não é encontrar alguém que atenda essas expectativas da falta e da ausência, mas o de encontrar alguém com quem tenha identidade e com quem possa partilhar o prazer de viver. Se o caminho social tradicional,“aceitável”, e confortável para a mulher práticar sexo, ao longo dos séculos, foi o casamento, podemos compreender melhor a sua ansiedade, se existe, do encontro deste “marido”.

Mas o mundo, hoje, oferece mais opções para a mulher moderna, mesmo que isso possa implicar na necessidade dela romper com o véu do tradicionalismo. Por trás da modernidade, a sexualidade feminina ainda demanda muita confusão conceitual e simbólica, um exemplo é a força de costumes como a manutenção da virgindade e as celebrações que ainda funcionam como rituais de passagem e anunciação coletiva da vida de virgem pura para a da mulher adulta e acasalada. Boa reflexão. Bye.

Obs. Considere que sem informações de sua experiência e conduta sexual, fica muito difícil para mim a compreensão desta sua natureza, visto que o sonho está diretamente relacionado com este comportamento. A leitura no caso é apenas uma referência para a sua reflexão.



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O CORPO DESPERTA, A ENERGIA CIRCULA

Carla 142

Em segundo sonhei que estava descendo de esqui numa espécie de escorregador de alumínio coberto com gelo e que tinha muitos altos e baixos. Havia momentos que até voávamos entre uma lombada e outra. Descia-se de dois e o fiz junto com uma jovem. Ao final caíamos divertidamente numa piscina de água morna. Entretanto, notei que a água já estava meio suja e disse que ia passar para a outra parte do clube, ir para outra piscina. Interessante como desci o tal escorregador: embora a jovem tenha ficado na minha frente pelo fato de ser mais baixa, era eu quem guiava o esqui como se estivesse acostumada a andar naquilo, sendo que em verdade nunca o fiz. Foi muito natural, tanto que pergunto: como isso é possível?

No universo dos sonhos não existem limites. Nossos limites somos nós O sonho é interessante e avança nas suas transformações. Vejamos:

Você sai do gelo e cai na piscina de água morna. Há movimento, movimento de energia, dinâmica de transformação. A energia bloqueada, como a água fria, fica mais densa, pouco se movimenta. A água corre para o mar, esse é o sentido natural do fluxo da energia. Na verdade para baixo e apenas uma referencia, já que no espaço não existe nem baixo nem alto, e nunca sabemos se descemos ou se subimos.

A ENERGIA em movimento se esquenta sinaliza vitalidade aflorando. Energia sendo liberada.

A água anda meio suja. Beba mais água. Diluía o que pode ser tóxico.

Há movimento, sinal de que sua flexibilidade aumenta. Bom sinal. Guiando o esqui, você guia a sua vida. É verdade que você pouco a dirigiu, mas assumindo a direção descobrirá que pode ser mais fácil do que somos capazes de imaginar.

Nossos limites somos nós mesmos, triste é que as pessoas apenas descobrem os limites da transgressão para que possam se superar, aqueles que quando superamos produzem limitações psiquicas, nó, busílis, bloqueios em nossos fluxos harmônicos.
 
 

SACRIFÍCIU ÍGNEU

   Los Angeles - Fogo Coletivo - Ritual de Fuga
Carla 143

No terceiro sonho eu estava com minha mãe e irmã num local donde havia um grupo tribal fazendo um ritual penoso de elevação da alma, algo difícil de ser assistido, tanto que minha irmã recusou-se de presenciar o mesmo. Haviam dois gatos amarados por uma das patas e supunha-se que eles tinham de assistir o ritual, como se eles fossem prova do mesmo, ou talvez como se o ritual fosse feito para aquele casal de gatos, mas os mesmos não estavam nem aí para o que se passava ao redor, pareciam apenas estressados por estarem presos. O ritual era feito amarrando-se jovens numa espécie de maca e botando fogo, mas logo em seguida o fogo era apagado, ou seja, o processo ocasionava queimaduras terríveis, mas não chegava a matar ninguém. Também não quis assistir àquilo e assim que o primeiro jovem começou a gritar enlouquecidamente ao ser queimado, fiz questão de retirar-me indo embora com minha irmã e mãe.

Perceba que há pertinência, como sequência, do sonho anterior. A elevação da alma exige sacrifício, e entre os sacrifícios, o domínio do elemento fogo é essencial. Quem não aprende a lidar com o fogo acaba se queimando. No sonho podemos pensar no ritual como o domínio dos felinos, que envolve o domínio das pulsões, dos instintos selvagens, da força destrutiva, do egoísmo.

Em princípio os gatos representam apenas uma pequena manifestação desta força primitiva e selvagem. Poder que com o desenvolvimento, e aprimoramento, aprende-se a administrar e a dominar. Quando não há aprimoramento do espírito, lapidação da alma, essa força selvagem cobra seu preço de maneira destrutiva, o que produz sofrimento e desequilíbrio.

O fogo é agente de transformação, representa a energia em movimento, purificador, regenerador. Existem muitos rito que se utilizam do fogo no processo de purificação e regeneração, bem como festividades ígneas tradicionais como fogueiras de São João, passagem sobre as brasas, fogos de artifícios, que representam a purificação, a sacralização da fonte de calor que propicia a vida, a eliminação ou destruição do mal.

O ritual de sacrifício, de domínio das forças primitivas e purificação pelo fogo, produzindo a regeneração e a transformação da libido.

Ah! Não precisamos de compaixão para eliminar o mal. Quando ele se queima no fogo do inferno é para realizar seu sentido de purificação. Então não há porque ter compaixão pelos que precisam passar pelos rituais de fogo para se purificar. E a dor é a dor da limpeza.

O processo pessoal é assim, o fogo corre em nosso corpo de forma sutil, e quando movimentamos a energia DENSA que busca ressurreição, renovação, reviver, ela invade o sistema e muitas vezes nos queima esquentando áreas que antes eram gélidas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ESPÍRITO DE CORPO



CARLA140

Essa noite sonhei com a mesma jovem do sonho de outrora, aquela que apanhara no rosto. Estávamos no meio de uma turma de 'amigos' e ela começou a chorar ao conversar com um rapaz dizendo que ele não quisera dançar com ela. Ele respondeu alguma coisa se justificando (algo que não recordo) e ela comentou que a 'Fulana' inclusive ficara chateada com ela por causa de alguma coisa que também não está lúcido em minha mente agora. Isso me pareceu uma sequencia ou explicação do sonho anterior, mas acabou ficando um tanto vago. Parece que havíamos acabado de sair de um local de dança, estilo boate, e eu inclusive nem gostara do mesmo. Achei a reação dela exageradamente carente, pidona e melosa, mas ao mesmo tempo sincera, expressiva e espontânea. Eu conservava apenas uma certa insatisfação, pois preferiria ter tido a chance de ter ido a outro local dançante que era mais do meu agrado, entretanto, me vira sem opção de carona e quisera experimentar de sair com tais 'amigas', ou seja, me ariscara ao desconhecido.

Depois disso eu já estava com uma mulher, a qual segurava uma criança que ia fazer um ano de idade e um homem, pai do menino. De repente ela entregou a criança para mim dizendo 'vai com sua mãe'. De certo modo eu sabia que o filho era meu, mas ao mesmo tempo era como se não fosse, pois eu sentia nossa ligação distante. Interessante que a mulher que o segurava era tia dele, mas não era a minha irmã. Talvez fosse uma babá e daí ser considerada uma 'tia' também. Peguei-o no colo e comecei a conversar com ele sobre sua festa de aniversário, se ele ia querer bexiga e o que mais ele ia querer. Ele respondeu que ia querer bexiga, mas estava um tanto disperso e pareceu não se agradar muito do meu colo. Também não existia da minha parte o sentimento terno da maternidade: era como se apenas naquele momento eu me desse conta daquela realidade de ter um marido e um filho, algo que me deixou confusa.

Por fim, ao menos das minhas lembranças, também sonhei que arrastavam alguns corpos que pareciam embalsamados com uma substancia amarelada. Os olhos estavam arregalados, os punhos e tornozelos atados com fita branca. Quem os carregava segurava-os atrás das costas (igual alguém algemado) nos punhos atados do cadáver. Assim os cadáveres eram carregados meio dependurados. Vi passar por mim dois corpos e alguém me disse que eram um casal de jovens, dando-me todas as características e informações de ambos. Eles mantinham os olhos arregalados como se me olhassem, embora nem parecessem mais com olhos humanos. Eles foram jogados sobre um monte de outros corpos já preparados. Acordei logo em seguida. Não foi um sonho tenso, mas muito intrigante. Eu não tive medo e nem senti pena, apenas fiquei curiosa para entender o que realmente era aquilo e por que motivo eu estava presenciando aquilo. Que simbolismo tais sonhos me trazem?

Essa jovem parece com você? “Achei a reação dela exageradamente carente, pidona e melosa, mas ao mesmo tempo sincera, expressiva e espontânea.” Ela não parece, ela pode ser você! Ela pode ser o espelho desse seu lado. Agora mais diferenciado, onde você consegue distinguir essa sua característica de relacionar-se com a realidade de uma forma um tanto quanto birrenta. Natural que o lado negativo seja sustentado por conteúdos manifestos positivos, assim uma característica justifica a outra, mais, alimenta a outra, pois o positivo serve de dreno, captando a energia que alimenta a vaidade, para sustentar esses núcleos autônomos..

A relação com a criança no seu caso se torna significativa pelo exercício do afeto. Sua dificuldade de expressar afeto era mais evidente do que as incursões afetivas que agora você se permite. Por outro lado parece-me também o estabelecimento de relações mais harmônicas consigo mesmo, como se reestabelecesse uma conexão afetiva, resgatando seu lado afetivo, se reconciliando com a esperança, que é projeção do afeto.. E finalmente, essas crianças representam conteúdos infantis, carente e dependente de cuidados alheios. Você acolhendo seu lado infantil, dando mais assistência, favorecendo o seu desenvolvimento, cuidando de si mesmo, esta é uma forma da psiquê operar a transformação de conteúdos, através de reconciliação, .

Rituais fúnebres sempre são intrigantes. Neste caso duas considerações:

Mortos já não possuem o “Élan”, são corpos desespiritualizados, que não realizam a função de casa dos espíritos. Não possuem a ânima que os anima, a alma que os movimenta. Inertes como massa, matéria inerte, que retorna a terra para ser o que é pó.

Como confronto, sua resistência é positiva, sinaliza mais força, resiste ao drama do fim da vida, e você observa mais diferenciada. Aceita a realidade, sem drama;

Os olhos são a janela da alma, para o espírito. Você observa olhos esbugalhados sem visão porque não há janela para mais ninguém, o divino se foi. Esses corpos podem representar conteúdos internos mortos em processo de transformação, retornando à origem, sendo dissolvidos, dissociados.

Questões: Falta-lhe espírito, alma? Você se sente morta? Morrendo? Ou já se sentiu assim, em passado recente? Será que você se esquece dessa nossa realidade cruel, sermos finitos, quando valoriza em excesso o banal?

Retornamos a uma questão essencial; é fundamental sabermos priorizar o que é importante nessa vida. Na sociedade moderna, sociedade narcísica, caprichosa, vaidosa, etc, muitos se enriquecem vendendo para os tolos o que não tem valor, ouro de tolos. Os tolos ficam como que encantados dando importância ao insignificante.

É preciso aprender a distinguir o que é essencial e o que não é. Colocar cada coisa no seu devido lugar para não ser massa de manobra de grandes corporações que vendem ilusões como se fosse preciosidades. É preciso aprender a separar o Joio do Trigo, eliminar o lixo, abandonar o insignificante e focar o olhar naquilo que enriquece e aprimora o espírito. E possível ter bens que tornam nossa vida mais confortável, mas eles não precisam nos aprisionar e ditar nossa vida.

Quando escolhemos uma estrada para seguir precisamos saber que essa escolha definirá o conforto emocional no futuro. Quando investimos no desenvolvimento pessoal, acumulamos instrumentos que serão preciosos no amanhã, porque inevitavelmente eles serão necessários. Quando investimos no inconsistente, amanhã ele se mostrará insignificante.

CAIXÃO NÃO TEM GAVETA.

Mas o espírito pode ser leve, criar asas e aprender a voar.

Reflita.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

NATUREZAS OPOSTAS – FACES DE UMA MOEDA


Carla 139 - II

Diferente disso lembro que estava num local aguardando alguma coisa e haviam várias pessoas que não sei ao certo se eram conhecidas ou desconhecidas. Sei que haviam duas amigas minhas que por duas vezes começaram a se agredir. Houve um momento que uma delas puxou a outra pelo braço e depois de levá-la para um canto deu-lhe dois tapas tão fortes no rosto que fiquei chocada com aquilo. Era muita agressividade e humilhação, independente de quais fossem os motivos daquela briga. A que apanhava não se colocava como vítima e nem revidava, era como se ela entendesse a revolta e raiva da outra, mesmo que não fosse justo aquela reação tão pesada. Embora sem defender-se, ela parecia muito segura de si encarando a outra de frente, enquanto eu, na posição de espectadora, parecia sentir medo por ela, pois a outra poderia machucá-la muito daquele jeito ou até mesmo matá-la de repente. A postura da que apanhava parecia dizer por si mesma: 'a verdade é essa e estou aqui para encarar os fatos, mesmo que seja sendo agredida fisicamente'. Era como se ela assumisse não a culpa dos fatos, mas a culpa da irritabilidade provocada na outra. Fiquei observando a cena, achando aquilo uma insanidade e, ao mesmo tempo, curiosa, pensando no motivo que ocasionara tamanha agressividade. Era como se eu não pudesse acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo.
Pouco depois fui chamada para comparecer numa sala e assim fiz junto de uma outra jovem (não lembro se entrou mais alguém). Haviam duas cadeiras: eu sentei numa delas e a jovem ao meu lado apoiou o joelho na outra cadeira ficando em pé. Em seguida entrou um homem e indiretamente demonstrou que queria sentar. Falei para ele usar a cadeira ao lado já que a jovem não estava sentada na mesma. Sendo mais direto ele disse que queria sentar no meu lugar. Então eu me levantei o ofereci o lugar para ele. Interessante que eu me senti um tanto honrada por isso. É como se ele não fosse um homem qualquer, ou como se a escolha dele valesse mais do que o mero interesse de sentar-se. Embora ele parecesse superior a mim de alguma forma, a cena do sonho o colocou num nível figurativamente abaixo e por vontade dele próprio. Ele não quis ficar lado a lado comigo em igualdade, mas quis tomar a minha frente, embora abaixo de mim. Ao menos essa foi a sensação que captei. Não sei qual assunto seria tratado ali, mas meu posicionamento de participação ficou diferente e não sei se isso significa algo bom ou mal. Se ele for uma representação interna talvez seja bom, mas se for externa, provavelmente seja ruim. Estou certa?
CONCEITOS PRIMÁRIOS, BÁSICOS,
SOBRE A ORIGEM DA VERDADE COMO ARQUÉTIPO,
ALÉM DO CONCEITO MORAL, RELIGIOSO OU ÉTICO.
O sonho sinaliza conflito entre dois conteúdos distintos ou princípio diviso em unificação, um conteúdo bipolarizado. Um conteúdo que não se unifica tem a tendência de manter uma tensão de quebra ou fragmentação, são eles:

  •  A verdade (a pulsão transformada); 

  •  A Força (a pulsão primária, instintiva).
A verdade como formação de principio nasce na configuração genética, como arquétipo já que é conteúdo que a partir do inconsciente serve de referência para vários outros princípios entre eles aquele que define a relação com a realidade. Quando o individuo não fortalece o "Principio", e em geral isso acontece quando por medo, necessidade de sobreviver em ambiente hostil, ou tendo que compensar desequilíbrios internos decorrentes da existência de figuras ou imagens ameaçadoras, desenvolve respostas de evitação, ele enfraquece o 'principio' e abre espaço para que a força, a configuração energética que sustenta o arquétipo promova a deformação de sua configuração, e isso acontece na geração de respostas instintivas e agressivas, geradas por conta da desestabilização do sistema.

O sistema enquanto não unificado é impermanente, portanto oscila, a variação da oscilação ou da instabilidade pode ocasionar a divisão, a perda da configuração original, obrigando a psiquê a se reordenar, a se rearranjar na forma que for possível, e pode levar o individuo a perder o rumo de seu eixo.
Alguma coisa assim, quando o sujeito sai de uma referência, uma linha reta, por um centimento em quilometros isso poderá significar um grande afastamento do eixo. Como enquanto vivo ele continua conectado, isto significará uma vida psiquica de muita instabilidade e pouca harmonia. A oscilação será de alta variação.

                                                 Variação harmônia e instável, fora do eixo


É importante que se entenda que “a verdade” é mais do que questão ética, moral ou religiosa. Ela é o arquétipo que referencia a relação saudável do sujeito frente à duas realidades: a realidade externa e a realidade interna.
  •  A realidade externa, o mundo, exigi-nos uma configuração de compreensão, compressão, que permite seu enquadramento dentro de parâmetros aceitáveis pela fragilidade psíquica para aprender a ver essa realidade de uma forma ordenada que a permita construir “um mundo” em que possa circular com certa segurança.
Daí nossos limites e filtros sensoriais como limite auditivo, frequência sonora, visual, limite do espectro de luz, Tátil, codificado entre o prazer e a dor, olfativo, codificado entre os aromas de prazer e de repulsão e Gustavo, acrescidos pelo sabor textura, etc.
Lembro-me agora do filme “Quem Somos Nós” quando o selvagem olha para o mar e não vê o navio, e o Paxá consegue distingui-lo no horizonte. O sujeito comum fica aprisionado na segurança da percepção do conhecido, enquanto o sujeito mais afeito ao desconhecido possui uma configuração que amplia a sua capacidade de percepção e o permite “Ver” além do comum.

  • A realidade interna representada pelo inconsciente que é um conteúdo complexo, infinito e desconhecido. Se o externo se caracteriza pela expansão infinita para o macro, o interno pela expansão infinita para o microcosmo. E nos no meio, sem nem sabermos que somos nós.
Se não há distinção ou limites para o perceptível, a realidade externa se confunde com a interna produzindo um ser esquizofrênicos, psicótico, resultado de infinitos fragmentos de que não se associando, não permitem o surgimento de um núcleo composto que faça a conexão entre esses dois universos, distinguindo a realidade externa e a interna.
Isto tudo para dizer que a Verdade é princípio de configuração que nos permite dentro deste múltiplo universo, uma referência para distinguir de maneira segura a realidade, aumentando as nossas possibilidades de sobrevivência neste mundo.
Quando deixamos de nos referendar neste princípio, nesta “verdade” abrir como que uma caixa de Pandora onde a consequência imediata, mesmo que não perceptível, é a perda da ordenação e a reconstrução de realidades psicóticas, dissociadas, fragmentadas, dissolúveis, desconstruídas, e imaginária; a doença. Inicialmente como neurose que avança para estados mais complexos de distúrbios e dissociação.
Nossa natureza permitiu a existência de dois hemisférios cerebrais, mas nós somos quem os unifica.
Obs.: Esses conceitos não são Junguianos, eles são Pós-Junguianos. Quando os divulgo é para favorecer a comprensão de um sistema que precisa  de luz sobre ele. perdoe-me se não consigo torná-lo mais compreensível
O SONHO
Surge o confronto entre um conteúdo diviso que busca sistema em equilíbrio e integração, se o princípio que fortalece a conexão com a realidade fica frágil, a força prevalece ao simbólico.
A verdade aparece frágil, em processo de desenvolvimento, constituindo formação de configuração mental (referências de princípios de conduta constituídos na sociabilização e transformação de conteúdos de inconsciente).
A força aparece de forma reativa, como pulsão primitiva, agressiva, castradora. Principio destrutivo, núcleos de desconstrução, polarização e divisão; resistência; ausência de codificação social; Figura de autoridade imposta; transgressão.
No conflito entre opostos de mesma natureza de conteúdo, ou de natureza de conteúdos opostos, vemos a postura passiva e a atitude ativa, reativa. Você surge como mediadora observadora. Em princípio omissa. Observa as naturezas antagônicas. Percebe a irracionalidade, a insanidade, a força destrutiva dos conteúdos não desenvolvidos ou não amadurecidos.
A verdade frágil sofre impacto, apanha, se permite firme no propósito, aparenta resistência, mas se deixa vulnerável frente à força da pulsão destrutiva que ameaça sua integridade.
A pulsão sinaliza o fortalecimento reativo a partir da irritabilidade. Lembre-se que no sonho anterior falei do desgaste e do sintoma de irritabilidade que poderia aflorar. Esta irritabilidade, seja decorrente da liberação ou formação de conteúdos autônomos ou como sintoma da descompensação energética do corpo, tende a desestabilizar as funções psíquicas em decorrência de polarizações que é capaz de gerar (polarizações de sub- campos eletromagnéticos que passam a interferir na configuração cerebral).
Para compreender: Com a descompensação energética o cérebro tenta equilibrar suas funções liberando energias ou abrindo filtros de resistências e bloqueios mentais que estavam sob controle. As condições cerebrais propícias permitem que estes núcleos autônomos passem a circular e a ter poder de se manifestar. A consequência pode ser uma energia que o sujeito ainda não tem o poder de controlar e que se manifesta promovendo ações musculares, reação de alarme que alteram as funções orgânicas através da liberação de adrenalina, impostação de voz decorrente das alterações circulatórias e respiratórias, e em caso extremo, reações comportamentais agressivas projetadas no exterior como ação destrutivo-defensiva.
A força não tem razão, é uma energia que quando é liberada no corpo, precisa de um estímulo que a acione. O acontecimento aciona a resposta do individuo que promove a mobilização do comportamento.
No sonho o conflito pode ser entre o novo conteúdo (referência de princípios) que reordena as configurações conceituais, os limites, as atitudes, e os velhos conteúdos (atitudes defensivas, impulsivas, reativas) que anseiam por transformação, mas que precisam ser reeducados, reformados, transformados. Lados de uma mesma moeda.
Internamente não adianta se permitir ser conduzida. E mais sensato que não deixe de se conduzir, que interfira nas suas pulsões, faça escolhas sensatas, utilizando o “bom senso”e comande a sua vida aceitando riscos, pagando o preço e as consequências pelos seus atos.
É necessário que se referende em princípios, não importa qual, se moral, ético, religioso, científico, filosófico, ideológico. Mas tenha-o como referência. E seja firme no seu propósito. Quem não os tem são como tábuas abandonadas ao mar, levadas pelas correntes e forças marítimas, nunca sabem onde vão dar.
É de direito desconsiderar a referência interna, os sinais internos, de um sistema que busca estabilidade, mas o preço pode ser elevado. Existem processos, que promovem sofrimentos e lamentos desconfortáveis, que após serem desencadeados não permitem reconstruções.

sábado, 7 de agosto de 2010

ORNAMENTO DIVINO

  imagem da BBCBrasil.com
CARLA 137


Essa noite sonhei com um homem que queria cortar meu cabelo. Corri dele e subi numa árvore. Nisso caiu um livro que eu segurava e meus documentos estavam dentro do mesmo. Gritei muito enquanto ele tentava puxar pelo meu pé e remexia nos meus documentos. Depois disso continuei a fuga até que pulei o muro e consegui entrar pelo teto num barraco (espécie de depósito). Interessante que todas as portas de madeira do mesmo estavam trancadas com cadeados do lado de dentro, mas imaginei que seria fácil arrombar uma daquelas portas quando eu pudesse fugir. Olhando por uma fresta da lona lateral percebi que naquele momento eu não ia poder sair dali, pois do outro lado havia uma mulher fazendo algo num enorme caldeirão. Ela olhou para onde eu me escondia como se houvesse escutado ou sentido algo diferente e murmurou 'que Deus proteja meu barraco'. Ali senti-me tranquila, pois ninguém jamais me encontraria.

Os cabelos, localizados na cabeça, simbolizam a força superior e pessoal, a manifestação energética, as linhas de força de sua vida. A força vital, a alegria, poder e determinação pessoal. Mas hoje, o cabelo cada vez mais supera o seu significado simbólico, como força mística, para se transformar num símbolo do narcisismo e da vaidade, como ornamento de um cérebro encantado consigo mesmo.

O ornamento se torna mais importante que o cérebro, na busca por uma imagem que satisfaça as expectativas do outro funcionando como instrumento para sobressair como sujeito. O ornamento se torna mais poderoso que o criador. A criação supera o seu criador. Ornamentar o corpo sempre foi um forma humana de ritualizar e simbolizar a sedução, mas hoje é a propria sedução.

Compensa-se a eliminação  dos pelos pubianos para exibir os orgãos sexuais com a valorização dos cabelos localizados no nível superior do corpo. Mas ainda somos os mesmos primitivos do passado com poucas e raras diferenças.
Seus fantasmas continuam a lhe assombrar. O sonho é de confronto, surge como ameaça para tirar-lhe a força pessoal, castrar sua vontade, seu poder, sua energia, seus movimentos. Naturalmente a castração de sua força implica na perda da identidade tanto como a perda da identidade, dos documentos simboliza a perda de suas referências pessoais, de individualidade, pessoalidade, como singularidade.

Mas veja:

A árvore é a matriz, a raiz, o lado feminino plantado no chão, a fecundidade que se fertiliza com a chuva, a árvore da vida, a referência de suas origens como mulher. Eva colhe o fruto e o oferece a adão, o fruto do pecado, a consciência do pecado. Neste caso a árvore significou a origem do fruto do confronto, a árvore do conhecimento, que ambos por simplismo experimentaram, não porque o conhecimento não era bom, mas por que experimentá-lo significou transgredir a determinação divina, antecipar o desígnio divino. O tempo da ação precisa ser administrado, a espera é exercício, o respeito à lei comum é fundamental.

Aqui neste BLOG você está simbolicamente num galhinho dessa arvore. Experimenta o sabor de se repensar, uma dose do sabor da árvore do saber. Toma consciência de seus pecados e de suas transgressões, e naturalmente constrói ou reconstrói novas referências de identidade. Novos conceitos são incorporados e novos frutos te alimentam e naturalmente, internamente, a psyquê reconfigura-se.

Frente às ameaças você se socorre subindo na árvore da vida, na árvore onde se dá adeus à velha Carla e abre espaço para a nova Carla. Você sobe a arvore com o livro, símbolo do conhecimento que contem sua identidade. Ele cai da mão como o fruto cai da árvore, na terra onde pisamos na realidade. Mas ele puxa teus pés, pés que pisam a realidade e remexe seus documentos, remexe em você.

E você continua a fugir, do homem, da ameaça do homem, com medo de que? De morrer? Da realidade? Da castração? Da autoridade a que não quer se submeter? Do apego, do Orgulho? Daquilo que se faz imprescindível? Pense!

Para budistas, e zen budistas, e outros mais, o corte do cabelo é o símbolo de renúncia da vaidade. Corta-se o cabelo como ato de humildade e renúncia. Se bem lembro, e se não me engano, há no candomblé um ritual de corte do cabelo para oferecimento do corpo desnudo no seu nível superior (a cabeça raspada) à divindade, como símbolo de humildade.

   imagem do filme "O segrêdo"

Foges, corres ou tenta evitar o inevitável? Enfrentar as mudanças que se fazem necessárias!

Você pula o muro e... Encontra refúgio, proteção, na “humildade” de um barraco. Ali você encontra a tranquilidade, naquela humildade.

Na casa do Senhor, ou da Mãe Divina, o mal não nos encontra, pois ficamos blindados com sua proteção. Ela olha e roga “que Deus proteja meu barraco”, minha vida.

Nessa jornada da vida, que muitas vezes se mostra penosa, quanto mais leve seguimos mais longe chegamos. Torna-se imprescindível abandonar os excessos, aquilo que pesa, a mala sem alça, os caprichos, a vaidade, os orgulhos, a arrogância, os medos, a petulância, a violência, a auto importância e tudo aquilo que se mostrar inútil. Seguir com humildade, mesmo que com os cabelos em desalinho, ou sem eles.

Por isso, por todos nós, o rogo:

Que Deus proteja nosso barraco.

QUE DEUS NOS PROTEJA DE NÓS MESMOS

 
    imagem do filme "O Segrêdo"
             
 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PORTA ABERTA, CORPO FECHADO, PORTA FECHADA, CORPO ABERTO


CARLA 136

Depois eu estava chegando em casa quando notei o portão e a porta de entrada aberta. Pensei de entrar para conferir, mas notei que ainda havia alguém ali dentro e supus que fosse ladrão. Imediatamente tranquei a porta julgando trancar o ladrão lá dentro e fui até a casa dos fundos. O marido da inquilina dormia. Acordei-o alarmada com o ladrão, mas ele não deu a mínima e só fez virar para o outro lado. Conversei com a inquilina e o irmão dela, mas nenhum dos dois nem se quer pararam o que faziam para me ouvir. Vendo que não conseguia ajuda, comecei a gritar por socorro, a dizer que havia um ladrão na minha casa e decidida resolvi enfrentá-lo sozinha. Quando voltei ele estava tentando abrir a porta do lado de dentro. Corajosamente abri a porta e encontrei minha irmã e cunhado, os quais haviam chegado de viagem. Tudo fora apenas um mal-entendido da minha parte. Minha irmã havia destruído um enfeite de flores, batendo-o na porta, desesperada para que alguém abrisse-a antes que eu conseguisse chamar a polícia sem precisão.

    DINÂMICA PSY

Perceba que há uma mudança significativa na sua dinâmica do inconsciente frente aos acontecimentos. No passado vimos com recorrência o surgimento de ladrões, que representavam ameaças ao seu equilíbrio além do desconforto que promoviam. Agora se pode perceber que sua capacidade de defesa é mais adequada. Você encontra o portão, a porta aberta, se defronta com a ameaça e busca o socorro, solução, denuncia o problema e decide encará-lo. No passado recente sua tendência era a defesa antecipada, que não protegia e a ameaça a descompensava.

E veja a SUPRESA!!! Não há ameaça! Você foi confrontada, como no passado você foi, mas agora mesmo que você venha abrindo mão de defesas neurada, máscaras, bloqueios, medos, dificuldades, sua resistência psíquica aparece mais fortalecida, você não sucumbe de pavor, ao pânico. Busca proteção e não encontrando faz o que devemos fazer, encarar nossas dificuldades, superar nossos medos com atitude, postura. E fantástico! Você é agraciada com a não ameaça apenas a realidade do mal entendido.

Você mudou sua atitude para enfrentar seus fantasmas e descobre que eles se dissolvem, que eles são criações mentais.

Como que aconteceu? A mudança conceitual, a reflexão , mudança de atitudes, o entendimento, a compreensão, a consciência de suas dificuldades, etc. Suas respostas diante da vida modificam a vida diante de seus olhos. O inconsciente aceita a nova dinâmica, aponta o confronto e a nova resposta diante do mundo, do fato, da realidade, fecha a Gestalt. Um passo à frente. Basta isso? Não! Porque não sabemos a profundidade do que precisa ser transformado. Pode ser apenas uma configuração básica que mudou e que exigirá mudança nas subsequentes. Por exemplo:

A partir da pré adolescência as mudanças drásticas do corpo, consequências das transformações hormonais acionadas pelo tempo do desenvolvimento, o tempo do corpo, de seus ciclos, promovem como que o afloramento de um novo ser naquele que ainda respondia como criança. Uma das alterações psíquicas, entre outras, é a elevação do nível de fantasias na atividade mental. Essas fantasias facilitam o desenvolvimento das funções do pensamento e das atividades cerebrais, aumentando a capacidade de percepção simbólica, o raciocino abstrato, o desenvolvimento da apreensão gestaltica do espaço, significações e representações., etc.

Mas mesmo que o processo seja favorável ao individuo, este potencial mental favorece o aumento da produção de fantasias e consequentemente criações imaginárias da infância podem aflorar e determinar o surgimento de medos ou dificuldades que antes estavam sob controle. Assim o individuo precisa reestabelecer novas dinâmicas internas e novas respostas para lidar com esses conteúdos. Muitas vezes ocorre do individuo não possuir instrumental para desenvolver essas novas respostas, consequentemente se utilizara daquilo que possui, mesmo sendo inadequado para o momento.

É o que me parece a sua realidade. Agora, neste momento de dificuldade emocional e instabilidade psíquica, você foi levada a procurar respostas para essas dificuldades e encontrando novos instrumentais, novos conceitos, possivelmente está fechando uma configuração estabelecida como defesa, frente à seus medos e inseguranças, em sua adolescência.

Felizmente as respostas que surgem são mais adequadas à vida do adulto.

Dois detalhes:

1. Você chega a conclusões de forma muito rápida. Seria mais rico um pouco mais de cautela para fazer diagnósticos de realidade mais precisos. Abandonar o achismo. Fazer avaliações mais criteriosas do seu entorno;

2. A avaliação acelerada leva-a à defesa, se fechando, ou aos pensamentos imaginários e persecutórios (no sonho anterior a criança com o medo de ser lesada).

 
   FOCO DE APRISIONAMENTO

Depois havia no quintal da minha casa um monte de gatinhos e cachorrinhos filhotes de várias espécies. Não entendia como aqueles filhotes, principalmente os cachorros de raça, haviam ido parar exatamente ali. Acariciei-os com prazer, mas sem vontade de ficar com nenhum deles para mim. Todos eram muito dóceis, brincalhões, fofos e bonitos.

Você já conhece seu lado gata, felina, arisca e tanto um quanto o outro já apareceram anteriormente aqui. Pesquise Gato no Blog para relembrar as manifestações já ocorridas e o significado simbólico dos animais.

Chamam-me a atenção: o quintal cheio de bichos; O cuidado e as carícias expressas; a diferenciação e o não envolvimento expressos na ausência do desejo de posse. Há um pragmatismo materialista no seu foco de percepção pessoal, que define a sua conduta, e suas escolhas. Naturalmente bicho não representa objeto que desperte ou que mobilize seu encantamento. Você se encanta com coisas extraordinárias. Este pode ser um referencial magistral para você, um diferencial um desafio. Precisamos nos libertar, não do que não nos seduz, mas daquilo que nos atrai, encanta e que nos coloca em um nível perigoso de suscetibilidade. Precisamos nos libertar daquilo que gostamos e que nos faz prisioneiros e não daquilo que não nos prende a atenção.

Neste aspecto penso que você tem um parâmetro perfeito, O Ics lhe oferece uma bela referência: se ligue no que te faz presa fácil. Você se mostra afetiva, mas não se mistura, mantêm-se distanciada, sem confusão emocional. Sabe o quer e o que não quer. É atitude segura diante dos bichinhos, bonitinhos, fofinhos, delicadinhos, lúdicos, e lindinhos. É o que me Veio.

  MEU DESTINO EM MÃOS ALHEIAS

Por fim eu estava saindo de uma espécie de palestra e precisava de uma carona. Qualquer um ali poderia me oferecê-la, pois o destino seria um outro local específico para outra atividade do gênero. Entretanto, notei que algumas pessoas iam lanchar primeiro e, enquanto umas já estavam se retirando, outras ainda estavam conversando numa parte recanteada do estacionamento donde havia uma lanchonete. Foi então que um homem todo vestido de preto igual a um segurança particular colocou-se a minha esquerda e disse que o pessoal com quem eu fora de carona ainda ia demorar um pouco, querendo saber se eu ia esperar ou não para avisá-los posteriormente. Comentei que estava querendo arrumar outra carona, mas estava indecisa no meio de tantas pessoas. Foi então que ele mostrou-me um rapaz que estava sozinho num dos cantos a remexer no seu celular e, como se soubesse tudo a respeito de todos, passou-me várias informações a cerca do mesmo, como nome, idade, graduação, filiação, etc. Decidida fui ao encontro do rapaz desconhecido e me apresentei. Infelizmente não recordo o resto.


A dependência define os acontecimentos em sua vida, seus contatos e aproximações. Mas pode ser uma arma que te abre uma porta e  fecha a entrada. É preciso repensar seus caminhos pessoais, sua libertação.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

AUTONOMIA



CARLA 135a

Sonhei que dirigia um carro e até parecia saber dirigi-lo, mas estava com medo de atropelar alguém. Quando fui estacionar resgatei um bebê que uma menina acabara de colocar num terreno vago dentro de uma sacola de papel. Tanto ela quanto o bebê e a mãe eram de cor negra. O bebê era muito pequeno, mas ao pegá-lo pude ouvir seu coração batendo forte e não consegui não me importar com ele. A menina havia dito para a mãe que ninguém notaria que aquilo era um bebê, pois tinha muita semelhança com uma boneca. Entretanto, ela viu eu recolhendo o bebê e contou para a mãe. Essa deu-lhe uma bronca dizendo que era para colocar lá num momento em que não houvesse ninguém na rua. A mãe pareceu aflita pensando que eu fosse entregá-la para a polícia e eu realmente ia fazer isso, principalmente por não pretender ficar com aquele bebê para mim carro. Saí meia fugida com medo que a mãe viesse atrás de mim e, como se já não houvesse mais, tive que subir uma ladeira caminhando mesmo. Por fim escutei a mãe dizendo que ninguém ia dar atenção ao fato e que eu é que ficaria com o problema sem resolução.

O carro é o veiculo que nos simboliza, como o corpo que é um veículo mediador entre a alma, o espírito, e a realidade. Simbolicamente, independente de ter ou não um carro que lhe favoreça o seu deslocamento, não modifica a representação ou o significado. Ainda que a conquista da carta seja a superação de um estágio de aprendizagem que dá ao individuo o direito jurídico de condução do veículo, e isto represente um símbolo de mobilidade e autonomia pessoal. Se bem me lembro, o seu estágio é o de quem evitou a encrenca de tirar a carteira de direção, relevando o fato de que isto representaria sua autonomia e fazendo a escolha preferenciaç de se deslocar em coletivos ou na dependência de terceiros.

No sonho a indicação é de que você aprende a dirigir a sua vida, ainda que tenha receio de que com sua autonomia suas escolhas e decisões possam passar por cima de interesses alheios.

Parece-me natural a ideia de que você como uma pessoa que sempre nutriu o conceito de abandono e carrega a cruz de abandonada, carente, se identifique com o bebê abandonado no lote vago e escolha resgatá-lo. As crianças vêm aparecendo no sonho, já falamos nessa criança abandonada no sonho anterior, e agora a mensagem vem mais clara; Você está se resgatando do abandono que se infligiu. Foca seu olhar para sua sobrevivência psíquica, como indivíduo. Ainda permanece o conceito de culpabilidade materna, projetado na mãe, a atitude de julgamento, autoridade e a busca de justiça, por se sentir como vítima, injustiçada.

Mas, existe confusão conceitual, e a vítima sai como que fugida, os papeis invertidos, a vítima passa a ser perseguida, o culpado passa a ser autoridade.

Um sinal bacana é a subida da ladeira com seu esforço pessoal, Esse é o movimento pessoal de mudança, a energia que liberada serve para romper com os obstáculos, esse o sinal de transformação pessoal, quando somos tomados de uma força que nascendo do profundo aciona a resposta, aciona o sistema e promove a revolução pessoal, esse o evento que muda o mundo.

E por fim, “Por fim escutei a mãe dizendo que ninguém ia dar atenção ao fato e que eu é que ficaria com o problema sem resolução.” Você é provocada, ou se provoca, acreditando que seu movimento é inútil, que não faz diferença fazer alguma coisa. Não se deixe levar por esses boicotes internos, esses conteúdos que te desacreditam, lhe diminuem no seu poder e intenção de transformar sua realidade, sua vida.

Agora, considerando todas as possibilidades de estar equivocado, surge uma segunda possibilidade: Há culpabilidade por conta de aborto realizado na sua vida, no passada? Se sim, você foge dessa lembrança? Mas nessa vertente me faltam dados.