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sábado, 4 de dezembro de 2010

ENLACE, AFETO E DESEJOS

        

 Satã Observando o Amor de Adão e  Eva
William Blake -Museu de Belas Artes Boston
                                                                   
Sonhei que havia entrado numa loja agropecuária na intenção de comprar (acho que) uma essência, mas eu precisava consultar minha mãe antes e nisso peguei a chave de um dos quartos do local planejando de lá dormir. Entretanto eu já estaria podendo ir dormir em casa. Parece que esta estava em reforma, mas não sei ao certo. Enquanto pensava se dormia lá e também se efetuava ou não a compra desejada, olhei para uma propaganda de lápis de cor aquarela e comecei a conversar com uma senhora que estava observando o estande de desenhos também. Disse-lhe que adorava trabalhos artísticos e não me imaginava sem lápis de cor em casa. Nisso parece que o sonho deu um avanço e logo na sequência sentei-me numa mesa aos fundos da loja. Havia um rapaz e duas moças na mesa e posicionei-me ao lado do rapaz. Nisso ele pegou minha mão e passando-a por trás das costas dele segurou-a do outro lado, de forma que fiquei abraçada a ele. No sonho ele pareceu-me um conhecido de longa data e, embora não compreendesse tal atitude de querer ficar abraçado a mim, notei que ele parecia menos arrogante e mais carinhoso. Pensei comigo no quanto é bom sermos passíveis de mudanças para melhor, pois eu também me sentia mudada: muito mais tranquila e segura de mim perante aquela situação. Vendo-me abraçada a ele pensei que os outros achariam que nós eramos um casal, já que eu usava um anel no mesmo lugar donde se usa aliança. Mas em seguida eu concluí o pensamento com a pergunta: e daí os outros e seus pensamentos?

Um vendedor veio nos atender e começou a conversar dizendo que me vira na rua quando fora fazer uma entrega e depois não parou mais de falar até o momento em que se retirou. Eu não estava interessada na conversa, apenas queria aproveitar aquela intimidade provinda do acaso. Estava aconchegante e fiquei abraçada sem saber quais seriam as reais intenções ou motivos que levara aquele rapaz a querer, inusitadamente depois de anos, ficar tão próximo. Desconfiada pensei que ele poderia estar com interesses maiores e busquei dentro de mim saber dos meus próprios interesses para com ele. Em verdade não consegui definir meus próprios interesses de antemão, pois tudo ou nada podia acontecer. Verifiquei que não poderia responder naquele momento sobre algo incerto que poderia ou não vir a acontecer no depois. Preferi deixar os fatos ocorrerem sem ficar matutando neles. Eu não queria desde tal momento dar uma de controladora da situação, nem muito menos me colocar na defensiva. Educadamente ele manteve-se abraçado a mim e sentada lado a lado, deitei a cabeça em seu ombro, coloquei pela parte da frente o outro braço em seu colo e fechei os olhos aproveitando o momento que embora misterioso parecia mágico. Nisso uma das jovens da mesa se transformou na minha avó e, em tom de crítica, comentou algo a respeito de trabalho. No sonho parece que eu estava desempregada, ou então seria o rapaz. Nisso a outra jovem respondeu que onde ela trabalhava estavam precisando de novos funcionários e num ar de sarcasmo perguntou se minha avó estava interessada de mandar um currículo para a empresa. Era como se ela quisesse dizer: se não é você quem está interessada, porque o comentário indireto? Eu estava tão bem que nem liguei para as indiretas de minha avó. Cada um com sua vida e coitada da vovó que julga os desempregados como vagabundos. Azar o dela em manter suas crenças destorcidas.

PSICOLOGIA E PSICÓLOGOS

Muitas vezes Psicólogos e Psicologia são criticados pelo tempo elástico de tratamentos. Críticas infelizes. Esse tempo terapêutico independe da ciência ou de profissionais, ele é ditado pelo “time” do sujeito que determina seu ciclo, sua dinâmica, seu movimento de mudança, o tempo de transformação. E se cada sujeito possui seu “time” a natureza tem seu ritmo em sincronia com o ritmo do mundo, do universo e determina em grande parte a consolidação das transformações que opera.

Neste sonho vemos algumas recorrências que me oferecem a chance de tentar mostrar o acontecimento, seu ritmo e intensidade.

Ainda que a sociedade humana contemporânea se caracterize pela aceleração, o “tempo” da vida não mudou, o tempo do universo continua o mesmo. Nós aceleramos nossa vida, nossos ritmos, nossas ações acreditando que mudamos a natureza. Mas o mundo e o seu Tempo permanecem o mesmo. Em equilíbrio rítmico e vibratório e quando o deixa de ser, em geral sofremos as graves consequências dessas transformações.

O corpo é lento e possui limites intransponíveis, altera-los pode significar promover desequilíbrio na delicada complexidade que sustenta os sistemas que nos dão a condição de natureza viva.

Vejamos o seu estado Onírico:

Você, ao longo desse ano vem registrando delicadas mudanças na sua configuração psy que refletem em seu comportamento em vigília e na dimensão onírica, indicam mudanças de atitudes, percepção, conceitos em decorrência de resignificação.

Pequenos acontecimentos que vão se transformando e que ao longo deste tempo já nos permite a percepção de transformações que posso qualificar como significativas. Principalmente porque não estamos em processo psicoterapêutico e com informações diminutas faço a leitura de seus sonhos indicando-lhe possibilidades, necessidades e alternativas de posturas diante de sua realidade.

Ainda assim podemos ver que ao longo destes meses seus sonhos mudaram significativamente, sinal da mudança psy.

Inicialmente uma fase superada foi a de pesadelos. Você os tinha numa recorrência preocupante, angustiante e desconfortável. Nos sonhos você sofria ameaças permanentes, inseguranças, medos, assaltos, roubos, assassinatos, sofrimento. Sempre a angústia, a ansiedade e o sofrimento. Dormir passou a se tornar ameaça de tormento e tormentas.

Mas você com inteligência, e necessitada, trabalhou para romper com esse quadro desagradável e infeliz. Soube ter paciência e humildade para considerar as indicações e realizar mudanças. Assim passou a obter resultados positivos em sua vida, administrando as disfunções e conquistando transformações, sinal significativo de sucesso.

Os pesadelos diminuíram ou praticamente desapareceram, passamos meses sem relatos de sonhos de angústia sinal de que a psique não tinha que intervir para proteger seus sistemas através de atualização, defesa e reequilíbrio.

Os pesadelos diminuíram porque a psique não precisa mais insistentemente regular os sistemas corporais, aumentar o limiar de sua capacidade de suportar as pressões internas, causadas por escolhas que a levavam permanentemente a situações de conflito, aflição e opressão, nem anunciar-lhe a iminência de situações de risco e de perigo. A instabilidade emocional foi sendo reduzida para níveis aceitáveis e você buscou estabelecer relações interpessoais mais aceitáveis e menos conflitantes.

Hoje a situação se difere do passado.

Sabemos que hoje você vive em dinâmica de transformação de símbolos, resignificação conceitual e reconfiguração na sua relação com a realidade, construindo padrões de comportamento menos reativos. E se vemos a recorrência de sinais ou temas isso decorre de:

1. Mudanças profundas exigem do sistema Psy alterações delicadas e pacientes, num ritmo que não coloque o organismo em risco ou ameaça de desconstrução;

2. Os ajustes se fazem em detalhes. Assim são as mudanças significativas. A codificação é alterada na especificidade.

3. Mudanças internas precisam ser assimiladas pelo sujeito para que se incorporem de forma consistente e sem conflitos, deixando de produzir sofrimentos em decorrência de valores e princípios resignificados.

Portanto não estranhe que uma leitura possa se aproximar de outras, isso demonstra a consistência do caminho que se percorre, tanto como pode reafirmar mensagens que precisam ser mais profundamente compreendidas. Mas não se deixe enganar, fique sempre atenta aos detalhes.

 
 
continua...

ENLACE, AFETO E DESEJOS


A Virgem - Gustav Klimt,
Galeria Narodni, Praga


O SONHO

O foco central do sonho é o afeto e a relação que estabelece com o seu desejo. Podemos pensar numa relação direta entre carência e desejo irrealizado. Quanto maior o desejo insaciado maior a carência ou a demanda por afeto. No seu caso, a força dos desejos é proporcional à força da repressão, e da expectativa de realiza-los sem precisar se comprometer. Como tudo o que envolvia relações e afeto lhe parecia confuso, maior podia ser a sensação de fracasso, a insatisfação, o isolamento e a frustração. E tanto maior a expectativa de saciar a fome do seu desejo.

Em geral quando isto ocorre, um dos desvios compensatórios pode ser a perversão o que também pode favorecer o aumento da repressão moral como forma do sujeito administrar a força de suas pulsões incontroláveis originárias do inconsciente.

No sonho você se aconchega, assume a atitude de aproximação, ainda não é capaz de assumir o seu desejo. Qual o seu desejo? Já lhe disse, distinga-o e procure a sua satisfação.

A postura defensiva se transforma, os conceitos são resignificados, mas permanecem resíduos de repressão, agora, revestido de “avó”. Velhos conteúdos, arcaicos, de referência feminina ou de mulheres do passado, que se contrapõe ao seu tempo, E você... Sem saber se segue a referência antiga, princípios de conduta social antiquados ou se liberta e assume a mulher que se permite seguir em busca da satisfação de seus desejos.

Sua tendência foi se proteger na repressão moral referendada em conceitos de gerações passadas.

Conceitos, preconceitos e novos conceitos. Esta é uma questão que envolve qualquer geração. Ser como a modernidade permite ou ser como foi a mãe, ou a avó? Arriscar a imagem pessoal e se mostrar como Devassa? Vender a imagem de Virgem Imaculada, ficando protegida socialmente mas sendo atormentada pelos desejos que corroem as entranhas?

Novamente a questão do Sagrado e do Profano.

Transformar-se no ideal de virgem santificada não acometida pela "sujeira" da sexualidade?

Arriscar-se no universo mundano, se permitindo a busca do êxtase carnal, se perdendo nos beijos profundos, na volúpia da  da carne penetrada, se entregando ao pecado e assumindo a mulher dona da própria vida, do destino e dos prazeres e da fantasia erótica?

Eu, pessoalmente, não vejo neste dilema um caminho fácil. Muitos apenas se lançam instintivamente realizando as pulsões da carne, mas para muitos isto pode significar um "suicídio". O dilema é crucial, renunciar ao pecado e viver a santidade, atormentada pelas fantasias do irrealizado? Ou se entregar à luxúria em busca de afeto, mergulhando no pecado e arriscando-se a se debater no inferno de Eros sem encontrar o caminho de volta para o sagrado? Ou acreditar que se pode megulhar na luxúria para arriscar encontrar o sagrado dentro do erotismo?

Não importa o caminho, cada um que escolha o seu, mas que seja um caminho vivido plenamente, para que no amanhã não exista o arrependimento do não vivido, que possa representar o grande fracasso e frustração. E óbvio, ter no mergulho o senso de se proteger porque o tempo é o senhor da razão, e ninguem deve ser tão tolo a ponto de acreditar que mergulhar nessa gosma de líquidos seminais e orgânicos não gera consequências indeléveis.

A questão do trabalho surge como o princípio de realidade que precisa ser considerado. É a grande referência, das conquistas pessoais: aprender a navegar nesta realidade para não morrer afogado na fantasia do irrealizado.

No sonho o trânsito pesssoal ainda indica rush, pouca luz sobre o tema, meia luz, as coisas não são muito claras, definidas. E as escolhas carregados de dúvidas ou conflitos. Comprar ou não comprar, trabalhar ou não, manifestar o desejo ou esconde-lo, etc. A estima ainda precisa ser consolidada e a libertação do julgamento alheio é o caminho para encontrar a maturidade.

A relação entre masculino e feminino vai sendo restaurada e caminha para relação interior mais harmonizada.
A jornada pelo aprioramento é assim, enquanto seguimos e rompemos as dificuldades mais suasve se torna a jornada mas mais dificeis e complexos se mostram os desafios a serem vencidos.

De resto uma certeza:

A vida é um grande desafio
para que se possa realizar os anseios do espírito.
É preciso arriscar,
É fundamental se lançar
para que possamos experimentar seus sabores e aromas,
Mas é imprescindível não se deixar morrer.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

FEMINA IN NATURA


  

Num segundo sonho eu entrei eufórica (esse parece ter sido o sentimento permanente) em casa e comecei a cumprimentar as pessoas deixando-me ser levada pelo meu ímpeto, ou seja, agindo com espontaneidade total. (Será?) Eu as cumprimentava dando um abraço e, ao chegar na minha mãe, beijei-lhe as mãos. Eu me sentia impressionada pela agilidade com que conseguia fazer aquilo, principalmente por ser uma postura desejável, mas incomum para mim. Não eram abraços de quem expressa afeto, mas de quem se faz educado. Era como se eu já não fosse a mesma pessoa e quisesse demonstrar e vivenciar isso. No entanto, minha mãe recriminou-me em voz alta dizendo para eu agir do meu jeito normal. Senti-me repreendida de maneira explícita na frente de todos e respondi que estava agindo de modo natural e que tinha meu direito de agir com espontaneidade. Senti que para conseguir ser afetuosa e educada cumprimentando a todos de uma forma satisfatória eu tinha que agir por impulso, antes que minha mente neurótica viesse à tona com suas recriminações, exatamente como minha mãe fizera. Foi o que fiz e, consequentemente, agi de modo completamente diferente e não normal para minha postura reservada que tende a cumprimentar os outros no máximo com um sorriso e um “oi”. Embora ainda houvesse dificuldade por trás daquele impeto de agir diferente, era aquela a postura idealizada dentro de mim. Se abraçando para cumprimentar os outros eu me sentia mais educada e deixava a vaidade aflorar, essa naturalidade era espontânea não do meu jeito normal de ser, mas de uma crença que produzia a idealização. Quem estaria com a razão: eu ou minha mãe? Daí fiquei em dúvida entre agir com naturalidade ou com normalidade. Acho que sempre estive em conflito com essa parte materna que reina dentro de mim.



Em princípio podemos pensar em sonho compensatório, mas é pouco. Ainda que o sonho compense a realidade não afetiva em transição para uma condição de espontaneidade e afetividade, penso que isso não contempla o significado pleno da mensagem onírica.

Mas o que?

A euforia ainda que indique polarização e presença de conflito, sinaliza um estado de elação e interação nas relações pessoais. E esta interação pode indicar a canalização de energia liberada, dos conteúdos autonômos bloqueadores, para as relações interpessoais e afetivas.

Isto não é pouco, principalmente se considerarmos que sua carência indicava, em passado recente, uma demanda por afeto, a repressão afetiva, uma certa incapacidade de interagir afetivamente, respostas reativas e de manifesto agressivas. Tudo isto podendo ser traduzido para um bloqueio afetivo associado a dificuldades de estabelecer relações baseadas no afeto. Energia Bloqueada.

Este estado de euforia é liberação de energia, manifestação e prontidão para o estabelecimento de relações de afeto, resultantes de consolidação de estado emocional estável e de segurança, de atitude e manifestação de singularidade e individualidade.

Na realidade mesmo que esta predisposição ainda não apareça no seu comportamento na realidade pessoal, é preciso entender que o sistema funciona antecipando possibilidades para que quando a espontaneidade, ou o comando interno lhe empurrar para um cenário deste tipo, que você tenha repertório de respostas e lucidez para se permitir viver ou para bloquear a ação, a interação, a atuação interior, repetir o mito de Sísifo.

Este acontecimento também lhe coloca numa fronteira entre o despertar da ação e o seu movimento de permissão ou de repressão. Bem sabemos que seus movimentos foram cerceados pela repressão decorrente de julgamento e condenação que se impôs, por “n” motivos.

O sonho te coloca nesta fronteira. Suas mudanças veem sendo realizadas e agora você se defronta com um fluxo de energia que aflora e que lhe permite a possibilidade de sintonizar e expressar a plenitude do seu afeto ou repetir o passado evitando e bloqueando este fluxo e se aprisionando na insatisfação, na negação da celebração, no impedimento de expressão do afeto, entre outras coisas.

A imagem do beija-mão é exemplar: Você humildemente se rende ao sentido simbólico da maternidade, prestando homenagem e expressando afeto, abandonando o julgamento e a condenação da “Mãe”. Esta é uma submissão respaldada na respeitabilidade pelos genitores, pela ancestralidade.

Afeto é educação, e educação é afeto social, representação formal, de respeitabilidade e referência fundamental na interação. Sem educação retornamos ao estado de primitivismo e incivilidade, portanto, de afeto indiferenciado.

A energia liberada permite o fluxo do movimento, assim como a neurose bloqueia o sujeito aprisionando sua expressão afetiva.

Antes de celebrar e comungar com o outro, precisamos nos amar, nos gostar, nos respeitar, nos permitir, nos presentear, nos acariciar. Isto significa sintonia no afeto, consigo mesmo, com tudo aquilo que te constitui e que faz de cada um uma expressão da criação divina.

Na sequência aparece o confronto, através da repressão materna, que é a mãe dentro de você, não necessariamente a sua mãe. Já que esta mãe pode ter sido a sua justificativa de projeção do ressentimento, da mágoa. Mas se ela anteriormente era uma autoridade e comando, agora você se impõe com sua individualidade, já que este conteúdo que construiu (a representação materna) se virou contra seu criador: você; Lhe impedindo de encontrar respaldo afetivo para a sua demanda emocional. E possível que a representação tenha se tornado, em decorrências da carga negativa, uma representação associada ou incorporada por conteúdos autônomos que vinha te conduzindo desde então.

O evento onírico também antecipa respostas e condutas que estão sendo reconfiguradas ou resgatadas, e o “Ser” espontâneo que nasce, ou renasce, agora se defronta com o conflito nascido na repressão imposta pela sua falta de limites na infância ou na pré-adolescência, possivelmente o momento em que a espontâneidade  foi sufocada em nome da socialização e ou sufocada pelos caprichos e pelo ressentimento.

Nem tão lá, nem tão cá. Os limites são fundamentais e definem fronteiras de conduta que o “social” exige, tanto quanto o natural é fundamental para que sigamos em sintonia com o melhor de nós mesmos, nossa essência.


domingo, 7 de novembro de 2010

AFETO E RECONCILIAÇÃO



Primeiro sonhei que estava triste e chorando quando meu pai se aproximou para me dar um dinheiro. Depois que ele colocou as moedas na minha mão, num impeto eu o abracei. Eu não estava necessitada do abraço em si e nem daquela proximidade com ele, mas algo repentino dentro de mim me moveu a abraçá-lo. Era como se eu quisesse demonstrar que precisava mais dele do que ele poderia imaginar, ou então que precisava mais do afeto do que do dinheiro dele. Ele que até então parecia insensível com a minha tristeza, acolheu-me num abraço reconfortante. Eu não me senti bem pelo abraço em si, mas pela minha capacidade de tomar tal atitude e conseguir abraçá-lo.

A dinâmica foi observada em sonhos passados: Reconciliação com o Pai, com as origens. E, naturalmente, essas dinâmicas psíquicas não se dão de forma acelerada. O corpo possui o seu tempo próprio de resposta e a psiquê possui seu ritmo suas frequências, seu “time” e seus pré-requisitos.

A prioridade é a proteção da estrutura psíquica, e a proteção antecede as mudanças. Por isso as configurações são alteradas por etapas e os ciclos podem ser longos.

Como dizia, a dinâmica de transformação foi observada e as mudanças foram iniciadas. A imagem do PAI se consolida, se restabelece como referência e importância afetiva. E esta é a base para que o principio masculino se estabeleça:

O Princípio de Realidade

Você abraça o pai, mas não apenas o pai que é referência e origem, você abraça o significado, representação, conceitos, princípios, força, prontidão yang. Em síntese: você abraça o masculino em si. Reestabelece o vínculo afetivo, não o vínculo, anterior, de submissão, mas da relação de troca, do partilhamento, da comunhão entre Pai e filha, entre masculino e feminino.

Os opostos se encontram e define a proximidade pela humildade, o valor subjetivo e não o material, a importância da vinculação, o código afetivo: o encontro... O abraço.

O processo de atualização da autoestima continua sua reconstrução. Fortalece o poder pessoal de promover intervenções, de definir escolhas inteligentes emocionalmente, de decidir por atitudes independentes.

Pode parecer-lhe um simples abraço.
Não o é!
É "O" abraço!
 E a sua escolha parece definida:
O caminho do afeto, do amor, da comunhão, do ser amoroso.


A D E N D O:

O dinheiro possui valor vasto simbólico além do seu valor de compra ou do poder que representa. Em decorrência do poder que o dinheiro representa, cada vez mais a tendência das elites de substituir o afeto pelo dinheiro contamina todas as camadas sociais. Esse processo coletivo que  transforma a afetividade num valor quantificável, se por um lado favorece o descompromisso entre as pessoas que se interrelacionam, diminuindo culpas e responsabilidades, por outro favorece aqueles que têm dificuldades em expressar afeto, através de toque ou como expressão verbal.

Um aspecto negativo é que a sociedade moderna vem transformando o padrão social da família Nuclear Afetiva, em familia nuclear materialista. trasnsformando a caracteristica que permitia aos mais pobres se aglutinar em torno do afeto e superar as dificuldades materiais existentes. Essa mudança de afeto integrador para conforto desagregador facilita a dissolução familiar colocando em foco o dinheiro, e não o afeto, como prioridade, o que invariavelmente determinará o rumo de uma sociedade  menos agregada  e mais focada no acúmulo material,  asociado à ideia do prazer mas representando apenas uma ilusão e a sobrevivência dos menos privilegiados.

Os indivíduos caminham

Para viver em função da fantasia

 De um "futuro" que não se realiza,

E não do afeto

Que consolida as interações humanas.

O que quero dizer é que os pobres abandonam a referência afetiva que representava a variável básica da aglutinação familiar e parte para a referência material e consequentemente para uma agrupamento mais dissociado e fragmentado.

No caso do sonho a relação direta mostra que verdadeiramente o dinheiro pode até ser uma forma moderna e difundida de representar a afetividade mas não supre a necessidade de sua significação na constituição de um indivíduo. Veste o individuo mas não o Aquece, não favorece sua consolidação, promove-o a uma possibilidade de EGO CENTRADO,  enredado no isolamento.  


SOBRE O AFETO



A sociedade moderna globalizada chegou para todos, excluindo os margeados, os alienados que não participam dessa Onda global. Os incluídos sofrem o impacto de uma civilização em permanente e acelerado processo de transformação. Os caminho muitas vezes são confusos, as referências ambivalentes, os princípios mutantes, os valores osciláveis, e tudo isso promove uma conturbação devastadora na vida de todos. Muitas vezes sem que os envolvidos percebam para onde são levados.

Tudo é hiper realçado, acelerado, devastado. E a cada dia os indivíduos são obrigados a se readaptarem, a não ser que escolham o caminho do Escape, enfiando a cabeça no buraco de terra, fechando os olhos e ouvindo apenas o que interessa, perdidos no conforto das sensações.

Nessa balbúrdia global o Afeto se sobressai como uma referência fundamental, um Banker que sustenta o equilíbrio pessoal e alimenta o espírito em busca de sobrevivência.

Tudo o mais se mostra perecível, insustentável, inconsistente.

E mesmo que a loucura coletiva avance devastando diferenciadamente os incautos, o afeto se mostra uma resistência a essa onda desconstrutiva que envolve a modernidade devastantando os filtros psiquicos.

É a referencia que fortalece a humanidade que ainda resta em nós. O resto, infelismente, é ilusão, fantasia insustentável de uma civilização que naúfraga na ansiedade, na velocidade e na sua ânsia destrutiva.

O afeto acolhe, humaniza, comunga, proteção, alimenta, alegra, compartilha, acompanha, sustenta, enriquece, acrescenta, norteia. Não se engane, a ilusão invade e devasta. Só o afeto nos permite inexpugnável, frente à invisível modernidade avassaladora. Sem o afeto nada mais vale a pena, porque torna a alma pequena.




quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AFETO... LEITE SAGRADO - I



CARLA 148
Primeiro sonhei que estava chegando em casa quando vi o carro da minha madrinha estacionado na garagem. Como não gosto de visitas e sabia que aquela em específico era para mim, fui insatisfeita direto para o banheiro limpar meus óculos de sol. Conforme eu limpava a lente ela ia clareando como se realmente saísse a cor. Nisso minha mãe foi me chamar tentando dar a entender que eu não percebera ainda a presença da minha madrinha. Sem solução fui cumprimentá-la. Ela abraçou-me e já foi chorando, dizendo que sentia muita falta de mim, do meu abraço, e foi falando um monte de coisas. Pude notar com o sonho que, embora tenha meu lado carente, não tenho coragem de expressá-lo como fez minha madrinha no sonho. Achei a postura dela exagerada, muito carente, quase me colocando num pedestal. Eu não me sentia nada do que ela falava. Eu não me sentia como alguém que pudesse provocar tanta saudade e, ademais, por mais falta que ela me fizesse, eu não estava derramando nenhuma lágrima por ela, pois isso em nada mudaria a realidade da nossa distância.



O sonho traduz que sou uma pessoa fria, distante, com minhas reservas e, ademais, posso ser carente, mas não gosto de gente carente em volta de mim.

Madrinha é mãe substituta. Parece que apesar de sua carência,  não é a carência de mãe o foco do dilema. Isto pode reforçar a compreensão de que a existência do triangulo familiar, Filha X Mãe X Irmã, não envolve a questão da carência do seu afeto, e nem faz de sua mãe uma “Mãe Abandônica”. Já que o problema não é a carência o nó pode estar na competição que voce projeta e nos conteúdos ligados a essa disputa com sua irmã: inveja, egoísmo, caprichos, birra, vaidade, possessividade, ciúme, insegurança, fragilidade, infantilidade, etc.

Perceba a lucidez psíquica, mas não a pense como consciência. Essa lucidez é o senso do espírito do universo que nos chama permanentemente para a possibilidade de nos agregar ao seu eixo. Este espírito do universo que em nós pode ser traduzido como alma, necessita daquilo que desenvolvemos: A consciência, que quando agregada a esse espírito favorece a evolução e o sentido da existência. Sua psiquê amplia a indicação de sua questão primordial, aquele que pode estar definindo seu destino. E amplia essa compreensão quando nos clareia, num grau mais abrangente, a indicação do alvo onde está localizado o NÓ, independente dos outros que existam.

Naturalmente uma pessoa carente se alimenta de afeto e do carinho que lhe chega, se você escolhe uma fonte do afeto e despreza outras fontes, o problema “carência” se mostra pouco provável. Então essa suposta carência pode estar servindo para que você tenha sempre justificativas para sustentar determinados comportamentos, atitudes, caprichos, inseguranças, indisponibilidade, falta de afeto, distanciamento. Ou seja, serve para que você se esconda atrás desta máscara de carência. Serve para que você manipule as pessoas com esta suposta fragilidade.

É claro que se essa leitura estiver sintonia com a mensagem do seu inconsciente você pode parar de rodar ao redor do seu umbigo e encontrar um caminho, uma referência para sustentar suas mudanças. O caminho onírico é assim nos tateamos enquanto o Inc. vai nos indicando o rumo.

No momento seguinte você limpa seus óculos. Veja só: os óculos são protetores visuais e ampliadores de imagens. Você limpa os seus óculos de sol, não são óculos ampliadores, são protetores, e a cada limpada mais claros ficam seus óculos, o verniz é retirado, a defesa é retirada, a proteção excluída e o que acontece? Sua visão esta se ampliando, clareando.. Sem defesas você vai ao encontro da sua mãe substituta para receber e dar o abraço, que você nega. Ela realça a sua importância, valoriza a sua existência, e você que tem duas mães é que se dá ao direito de dispensar o amor e o carinho de uma delas.

A sequência do sonho é singular porque espelha a “carência” que você usa como instrumento e com a qual não se identifica, até mesmo se incomoda.

Bem, aqui pode aparecer uma incoerência: Geralmente tendemos a nos incomodar com o nosso espelho. É fatal: Se o outro te incomoda em alguma característica é muito provável que o outro seja aquilo que você é, e que te incomoda. O carente não suporta o carente, não suporta a carência de outro carente.

É possível que o surgimento da mãe postiça venha para suprir aquilo que sua mãe não lhe dá, mas sua obsessão só foca sua satisfação na sua mãe biológica. A vida muitas vezes nos ajuda a solucionar nossas carências por varias vias que não a original. É inteligência saber distinguir este apoio e aceitar a oferta para que possamos abandonar estes miasmas de um passado mal resolvido.

Sendo assim, não se pode descartar uma das possibilidades, elas podem estar corretas. Uma característica é autêntica e a outra pode ter sido uma produção incorporada como defesa. Quando construímos defesas a partir do idealizado, nós incorporamos aquilo em que acreditamos.

Vou citar um exemplo, sem segundas intenções, faço uso do exemplo para mostrar o raciocínio e não quero dizer que é o seu caso:

O mentiroso produz um grave problema. Cada vez que produz uma realidade imaginária para atender sua necessidade de manipulação dos eventos, aquilo que vai transformá-lo numa pessoa emocionalmente inconsistente é que com o passar do tempo ele vai incorporando suas mentiras, acreditando nelas, até que chega num ponto sem retorno quando perde as referências do real e do irreal, produzindo uma dinâmica de instabilidade e de insustentabilidade, a neurose.

Voltando ao tema: possivelmente você pode ter incorporado essa suposta carência como uma “verdade” que hoje não te larga. Uma referência de fragilidade, de falta, de ausência. E aquilo que era apenas um artifício, um instrumento se transformou numa encrenca, num conteúdo autônomo que hoje define sua forma de responder à realidade mas que não atende sua necessidades.

AFETO... LEITE SAGRADO - II



PEQUENA  MENSAGEM ONÍRICA


Mas se existe uma mensagem neste sonho ela pode ser um aprendizado: Antes de querer receber aprenda a dar, aprenda a amar independente de ser amada. Aprenda a abraçar, a distribuir carinhos e carícias, e também a aprenda a receber, seja de quem for. Não abrace apenas o belo, o jovem, o novo, o bonito, a estrela. Um dia a beleza acaba, a saúde acaba, a juventude vai embora, mas o amor, para aqueles que aprenderam a ser amorosos, fica.

Abrace com amor, como se estivesse distribuindo riquezas. Abrace de verdade, com autenticidade, com disponibilidade. Distribua amor. Quando tocar no outro toque com carinho, delicadeza, toque solidária, com compaixão.

Neste mundo hoje, onde há tanto sofrimento, dor, dificuldades, angústias, seja afetuosa com os menores, com os pobres, com os carentes, com os que sofrem, porque essa é a melhor forma de termos compaixão, de aliviar a dor dos necessitados. Estamos todos no mesmo barco, e a existência é uma jornada que muito exige de todos, e cada vez mais perceberemos o sofrimento ao nosso redor. Por isso procure ser leve, com carinho a gente consegue. Dê um pouco de si. O universo agradecerá lhe inundando de amor, suprindo suas carências. Deus é madrinha.

Quando ficamos muito focados na falta que vivemos, na falta do que temos, o sofrimento que sofremos parece que cresce, a dor aumenta, a solidão não cabe no coração, mas quando doamos um pouco de carinho, nossa dor se alivia, e a jornada se torna mais suave. É assim que me sinto.

domingo, 27 de junho de 2010

AFETO E AMADURECIMENTO

The Love Embrace of The Universe
Frida Kahlo
CH 100


Por fim eu queria ir a praia com minha mãe (da janela do apartamento eu podia avistar as ondas), mas daí minha irmã disse que ambas iam sair juntas para procurar uma empregada doméstica. Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã (não quis chorar na presença dela) que, sentando-se ao meu lado, colocou a cabeça no meu ombro. Além da presença dela reprimir a expressão do que eu sentia, ela também tolheu a minha liberdade de estar a sós com minha mãe e pareceu fazer-se de carente por mim. Apesar do incomodo, eu não sentia nada contra minha irmã, mas estava pesarosa por não ter nenhuma companhia para ir à praia. Eu parecia já cansada de fazer isto sozinha. É isso, não me lembro dos demais sonhos.

Existem observações que não registro para não parecer que vejo com o olhar da generosidade, aquela que parece parcial sem verdadeiramente ter que sê-lo. Mas um sonho como esse, depois de ter conhecido mais de 100 sonhos seus, levam-me a romper com os limites, pela delicadeza do sonho e pela delicada emoção que me despertou. Senti-me inexplicavelmente agraciado pela sensibilidadede tocar num sonho que evoca o limite extremo do amor.

“Sentei no sofá ao lado da minha mãe e comecei a chorar, mas... Contive as lágrimas com a aproximação da minha irmã”

Houve um momento em que você se descobre mãe, mas agora você é apenas uma filha que chora, que sente e que se aconchega, se acolhe, no afeto da mãe. Como filho é assim que somos. Chorar no colo da mãe é chorar calado, porque som nenhum é capaz de expressar, a maior dor do mundo. Um dor que pode ser expressa porque quem lhe abre caminho para se mostrar é a mãe que acolhe o filho, que tem compaixão e amor o suficiente para não julgar, mas coração infinito para acolher.

Para crescer é preciso se permitir filho, e se permitindo filho, abandonar o passado para se encontrar individuo.

A consciência nos trouxe conquistas e liberdade, mas também nos inundou de emoção, e entre elas uma mais profunda, uma que revela a dor de nossa angústia de sermos passageiros em uma viagem que desconhecemos a origem e o destino. Uma angústia que é resultado da grandeza da vida que se abate sobre nossa pequenez, frente ao infinito e inimaginável mundo em que nos encontramos. Mas que também é fonte inesgotável de criação, esperança e amor. No colo da mãe podemos chorar a tragédia de nosso destino frente aos sonhos não realizados, os amores perdidos, as dores dos beijos não dados, a solidão e a pena que sentimos de nós mesmos.

Sem a presença da mãe, em princípio somos órfãos, abandonados, somos solitários, mas a vida é generosa e nos oferece a Mãe Divina, e a solidão finda pois seu colo também nos acolhe e seu manto nos protege. E quando nos permitimos filhos descobrimos que não precisamos temer a vida pois as mães divinas, e todas podem sê-lo, nos acolhe para que cresçamos e realizemos nosso destino.

Perdoe-me, seu delicado sonho envolveu-me numa aura de suavidade e delicadeza afetiva, para lhe dizer que ele é retrato de seu avanço afetivo e que o caminho que nos resta é o amor, é a delicadeza do afeto, a suavidade de ser amoroso, sem medo. Você não precisa competir com sua irmã e afastá-la, mas aceitá-la como alguém que como você também precisa de amor e de colo. Todos precisamos. E quando partilhamos nos amamos, a nós mesmos e ao outro, e assim podemos ser um pouco mais felizes.

Independente se o sonho compensa a tensão e produz o conforto catártico, ele abre a porta de sua sensibilidade para mostrar-lhe que ao expressar ou manifestar seus sentimentos, suas emoções, você deixa fluir o melhor do que existe em seu espírito, em sua alma, você encontrará a humanidade que existe em todos os que seguem os caminhos do coração, os caminhos do afeto e que se permitem se tornarem seres amorosos, melhores pessoas, indivíduos mais plenos.

Se reparou, anteriormente sua resposta de revolta ou agressão levava-a à conturbação, agressividade, e outras emoções e sentimentos densos, mas nesse momento você expressa apenas a dor e a angústia do abandono. Este sentimento é autêntico, ele está na origem de respostas que determinam o seu conflito na relação e no seu desagrado com o mundo, a sua dificuldade de aceitar o não. Agora você chora o abandono.
Só nos é permitido crescer quando nos defrontamos com nossas dificuldades, quando tomamos consciência de nossa angústia, quando abandonamos as respostas reativas, agressivas, de manipulação e chantagem, quando nos resignamos em nossa insignificância. Paradoxalmente, este é o ponto crucial da mudança aquele que nos permite arrancar para um novo momento. A partir de agora minha cara, você nunca mais será a mesma, tão pouco o mundo será o mesmo.

Uma Bela manhã de domingo para todos... Há esperança no mundo, a energia do amor é viva!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

CASAMENTO


CH83
Sonhei que eu estava chegando em casa e vi meu marido abrindo o portão. Como eu estava sem chave aproximei-me rápido. Nisso conversamos alguma coisa que não lembro e eu passei a mão com carinho no rosto negro dele, dizendo que, embora não fossemos realmente marido e mulher, gostava muito de tê-lo como meu companheiro. Ele me perguntou se eu estava dizendo aquilo só por não termos envolvimento sexual. A resposta era sim, mas nem cheguei a responder, pois fiquei admirada ao perceber que ele realmente se considerava meu esposo ainda que não tivéssemos maiores intimidades. Eu não me considerava de fato casada, pois para mim o nosso casamento era apenas de aparência e houvera sido feito por conveniência de ambos. Entretanto, para ele, o casamento era real e verdadeiro independente de sexo, talvez por existir total respeito e cumplicidade. Fiquei indecisa sem saber até que ponto eu realmente era ou não uma mulher casada.

Não sei por que sonhei com isso, mas dias atrás estive me questionando até que ponto é ou não é traição um homem casado ter amizade com uma terceira mulher e só não se envolverem sexualmente por recusa dela. Parece que tanto no sonho como na vida real eu não sei até que ponto o sexo é indicativo de matrimonio ou de traição.


O SONHO
A dinâmica de inconsciente parece indicar movimentos de incorporação de conteúdos opostos, masculino e feminino. Essa incorporação, agregação não se dá de imediato e completamente na extensão dos conteúdos, eles vão se ajustando, e agregando, à medida que são acionados, ou que o sujeito é exigido. O processo é uma MetaMorfose delicada e longa. Configurações ou códigos são reescritos e novas ordenações se constroem. Neste aspecto a imagem da vivencia de casamento pode indicar essa tendência à integração de conceitos e conteúdos, a partir de mudanças de sua conduta, de sua reavaliação conceitual e de novas respostas que o individuo passa a apresentar. A realização desse encontro, masculino e feminino, é essencial para um equilíbrio emocional. Um não prepondera ou se sobressai ao outro, participam de um mesmo projeto alquimico: Você.

E como sonho compensatório o casamento, a união, realiza seus anseios, de integração, acasalamento e de vida afetiva a dois.

COMENTÁRIOS EXTRAS

As relações humanas na modernidade se definem e se redesenham em alta velocidade, um flash, ou num suspiro de interesses e desejos. Transformando a sociedade em um sistema instável, em estado de transição. Podemos ter a certeza de onde viemos, mas nunca para onde iremos parar. Por isso, os conceitos e princípios parecem relativos, mesmo que não o sejam. Relativos são apenas os nossos interesses, a forma como lidamos com essa realidade, com a sociedade em transição, em mutação. Relativa é a nossa capacidade que nos permite sermos flexíveis e desenvolvermos respostas adequadas para as exigências dessa realidade social sem sofrermos o impacto das transformações, sem que nos desarticulemos.

Muitos se refugiam na rigidez dos preceitos morais para se defender das mudanças de costumes, perdem as possibilidades de acompanha-las de forma mais tranquila e sem sofrimento. É preciso aprender a lidar com a impermanência, aceitar que as mudanças são inevitáveis e sem perder o moral, participar quando possível e saber se distanciar quando necessário. O Nosso tempo não foi o ontem nem será o amanhã, é o hoje que podemos viver, escolhendo como viver.

Assim princípios de formação da sociedade podem, e devem permanecer como referências significativas onde possamos nos remeter em situações críticas ou duvidosas.

Mas os costumes mudam com tanta rapidez que se não ficarmos atentos deixamos de reconstruir conceitos que nos norteiam apenas como referências relativas.

Definitivos devem ser os princípios básicos, que nos permitem viver em sociedade: Os princípios éticos; Os preceitos jurídicos que nos dão a referência de leis que definem deveres e direitos; Os princípios religiosos que nos acrescentam respeito ao subjetivo e ao divino, e às origens; O saber científico que pode pautar melhores escolhas a partir do conhecimento, etc.

Quanto à conduta sexual. O leque se abriu de tal forma, que há espaço para as mais variadas manifestações. Vivemos uma sociedade multidiferenciada. O que não impede o sucesso de muitos nessa areia movediça ou que outros acabem por se afogar na falta de cautela, na rigidez dos pré conceitos ou nos mal entendidos dos precipitados. Antes de tudo é preciso cautela, e bom senso para pautar sua conduta. Ir contra princípios pode ser perigoso, mas não romper o conforto da tradição pode significar inadequação à essa realidade que muito nos exige. Por isso converse e escute outras pessoas que te cercam. Apresente suas dúvidas, avalie os conceitos que emitem e cuidado com aqueles que têm muita certeza, duvide, e... Nunca deixe seu bom senso, nunca abandone sua capacidade de refletir com profundidade sobre os temas inquietantes. Evite posições apressadas. Aprenda a desenvolver seus pensamentos, seus conceitos e faça escolhas que a afastem da inflexibilidade, o caminho do meio pode ser mais sensato. Mas, atenção, isso não é ficar em cima do muro.
PS.: Os comentários em itálico são apenas para diferenciar da leitura específica do sonho.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER


CH 69


Da noite de hoje, lembro de muitos sonhos, porém pouco de cada um. Já vou adiantar que em todos eles eu parecia muito mais uma outra pessoa do que eu mesma, principalmente pelo contexto dos mesmos. Tudo foi tão irreal perante a minha realidade! Não lembro a ordem dos sonhos, mas eis o que anotei ao acordar na sequencia das lembranças que me vinham em mente:

primeiro sonhei que estava com meu marido e duas filhas (essa coincidência parece recorrência da historia de minha mãe) num shopping. Eu ia simplesmente ao cinema, mas abracei minhas filhas muito emocionada e sensível como se estivesse fazendo uma longa viagem para outro país. Elas iam ficar com o pai passeando pelo shopping. Eu não sou mãe, mas ali eu senti um amor puro e diferente que só pode ser o amor materno. Não sei por que tanta sensibilidade emocional numa despedida aparentemente tão breve, já que um filme dura no máximo de duas a três horas. Também não sei por que somente eu entraria no cinema. Enfim, foi um sonho nada a ver com minha realidade, inclusive há anos não vou ao cinema por preferir assistir filmes em casa.

Na segunda lembrança eu estava com vários idosos e abracei um velhinho com muito carinho. Ele muito sorridente, ainda abraçado comigo, disse para as senhoras que estavam perto de nós, o quanto gostava de mim, pois eu os tratava como se eles fossem da minha família, mas eu realmente os sentia como pessoas muito próximas e queridas. Sempre me simpatizei muito com os idosos e esse foi um mimoso pedaço de sonho.

Na terceira lembrança o meu pai estava aqui em casa no lugar da minha mãe. Era como se ele não houvesse morrido, como se fosse ele quem houvesse ficado viúvo da minha mãe. Nos primeiros sonhos que tinha com ele eu estranhava o fato dele parecer estar vivo, mas a um bom tempo que já não sinto isso. É como se ele nunca houvesse morrido e isso obviamente é tão estranho quanto ter a sensação de estar vendo um morto-vivo.

Prosseguindo,

Na quarta lembrança, a minha sobrinha estava no colo da minha irmã e disse que eu era uma verdadeira filha de Deus. Ela falou isso como se fosse uma pessoa adulta, e não como uma criança de três anos. Comentei com minha irmã que via uma verdadeira filha de Deus como alguém extrovertida e comunicativa tipo minha sobrinha, e não alguém introvertida e calada feito eu. Falei isso por falar, apenas como uma modéstia minha, pois em verdade creio que todos somos filhos de Deus independente desse detalhe de personalidade. Minha irmã comentou que cada pessoa enxerga a vida e as pessoas de uma maneira e aquela era a forma da minha sobrinha perceber-me. Talvez ela me visse de tal modo exatamente pelo contraste de personalidade que existia entre nós e por geralmente acharmos que os outros são melhores. Não entendi por que minha sobrinha pensava daquela forma, mas fiquei feliz como se estivesse acreditando na sua fala. É como se eu me julgasse um monstro e percebesse-a me vendo como um ídolo. Não posso deixar de dizer que, por melhor que seja um sonho assim, também me pareceu muito estranho! É como se meu inconsciente, ou propriamente os meus sonhos, estivessem sendo bonzinhos comigo.

Na quinta lembrança eu tinha um gato muito dócil que dormia no meu colo, embaixo da coberta (eu não o via, apenas o sentia) e eu acariciava-o impressionada de ter encontrado um bichano tão manso, exatamente como muitas vezes quando criança desejara ter.

Na quinta e ultima lembrança, eu estava dançando com minha prima (que está nos EUA trabalhando no programa de Au Pair). Não sei se estávamos numa festa ou num clube dançante, mas sei que, assim como um dos sonhos anteriores, nossos passos não se encaixavam. Ela dançava num ritmo bem mais rápido. No começo achei a diferença de passos chata e até mesmo constrangedora, mas depois começamos a dançar divertidamente um pouco mais separadas e uma rodopiava a outra. Eu rodava com tanta desenvoltura que era como se estivesse flutuando sobre o chão. Eis outro sonho bom, mas completamente sem sentido. O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER II



CH 69

                                                              O Sonho Propriamente Dito


Quanto aos sonhos fragmentados relatados: todos possuem a singularidade do afeto manifesto em DINÂMICA FAMILIAR, e o último a recorrência da dança. Duas manifestações em mudança: Sua capacidade de expressar o afeto vem sendo transformada. Você se abre mais para as relações de afeto e a dança é o seu exercício de troca afetiva por excelência, seu símbolo de comunhão, aceitação, partilhamento, conjunção mente e corpo, quebra das defesas e das resistências, diminuição da severidade da autocrítica e do julgamento, melhora da autoestima, da confiança em si mesma, introdução do lúdico na sua vida. Não penso que seja apenas compensador (pode até sê-lo como exercício), mas penso com dinâmica de transformação de sua relação com o mundo.

A presença de seu pai é rica e importante. Pai e mãe devem ocupar o mesmo lugar de importância na vida dos filhos. Não há um mais importante do que o outro. Ele vem para ocupar o espaço que lhe cabe.

Estranhos morrem. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.

Os sonhos muitas vezes se fazem de canal para a convivência com entes queridos que mudaram de dimensão, ou que em outras dimensões anseiam por nossa evolução para que possam evoluir através de nós e com o nosso Saber. A evolução precisa ser realizada, se os ancestrais não evoluem nós passamos a Sermos os responsáveis por essa evolução. A existência exige isso de nós, e nossos mortos esperam essa realização, para que, cumprindo nosso dever, eles possam ser libertados do redemoinho espiral do Sansara.

A gata selvagem em você se amansa. Mantêm a característica original de felina sem o comportamento arredio e agressivo. Manifesta-se a suavidade felina, não ferina.

Como filha de Deus há sinais de sua inclusão após manifestação anteriormente realizada sobre o sentimento de exclusão familiar e de sentimento de rejeição na sua gravidez.

“Sonho 61 - Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido... Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo.”

O que mostra que o sentimento de exclusão pode estar relacionado à baixa estima, ao papel de vitima incorporado e não à fantasia de rejeição. E agora, neste sonho, o seu registro como filha de Deus, é como sua inclusão e aceitação no grupo familiar, por si mesma, já que voce é que se exclue e se marginaliza. Evento psiquico que muda a sua dinâmica interna, ou é resultante dessa mudança, e altera a escala de valorização em sua relação consigo mesma, com o grupo familiar e com o mundo.

E finalizando com a dança. O prazer aflora e se manifesta em forma da comunhão e sincronia dos conteúdos, a manifestação do comportamento lúdico e pleno, o retrato da celebração da vida.

Para finalizar, sua questão:
Serão esses sonhos verdadeiramente distantes de sua vida real?
-Eu não creio que o sejam.

Bye.

sábado, 17 de abril de 2010

CARÊNCIAS

  
CH50


No segundo sonho eu estava na casa de alguém sentada num sofá. Eu estava triste, parece que até escondendo ou segurando um choro, quando uma criança de óculos, provavelmente com uns três anos, veio me alentar. Primeiro era um menino com feições também tristes, mas depois já era uma menina loirinha sorridente.

Quando criança meus cabelos eram loiros e lisos, mas ficaram castanhos e cacheados com o passar do tempo. Entretanto eu só vim a necessitar de óculos na adolescência. A menina não era eu quando pequena, mas talvez ambos possam ser uma representação minha. Não lembro muito ao certo o que se passava.

Na seqüência, ainda no mesmo local, foi servido um banquete. Haviam duas enormes mesas rodeadas de pessoas comendo quando apareceram alguns mendigos pedindo comida. Não sei se alguém lhes negou ou como foi, mas num repente os mendigos começaram a invadir a mesa para pegar comida. Nisso um homem da outra mesa pareceu irritar-se e jogou no mendigo uma travessa de feijão. Começou uma guerra de comida e horrorizada com aquela cena, não querendo me sujar com aquela baderna, agachei-me num canto até que todos começaram a sair do local e, já por ultimo, fiz o mesmo. Parece que todos ficaram com medo dos mendigos e confesso que eu também, embora houvesse por trás outro tipo de medo: o de chegar na condição daqueles mendigos.

Achei interessante o contraste entre a fartura de comida (banquete) e a falta dela (mendigos). Sei que parece uma coisa absurda, mas um dos maiores medos que já tive e, cuja explicação não tenho para dar por nunca ter sofrido disso, é a possibilidade de passar fome e não ter onde morar, ou seja, me tornar uma mendiga. No sonho isso pareceu explicito no meio do contraste dos que têm muito com aqueles que nada têm, mas que violentamente agem na intenção de sobreviver. Os sonhos me pareceram reveladores por indicar que talvez eu ainda tenha problema com os dois tipos de contextos. Será isso? Que mensagem eles podem me passar?

Veja o insólito: Há fartura, há fome, mas as pessoas não saciam suas necessidades, elas jogam fora o alimento sagrado. Ter fome, ter o que comer, mas se submeter à força da irracionalidade, impulsividade, agressividade e à vingança. O insano permite que aflore a insanidade e desperdiça a chance de saciar a fome. A dele e a do outro. Assim são as respostas impulsivas. A perda do foco, a satisfação da necessidade, em função da competição.

Quando a competição é “sem Limites” o jogo deixa de ser jogo para se transformar numa “batalha”, perde-se a possibilidade de interação e leveza do momento para se produzir o confronto, a guerra.

Se perdermos o foco no que é essencial, abandonamos a referência do eixo da vida para orbitar o “no sense”. E qual é o eixo? O sentimento, a fome de afeto, a relação natural com o universo de emoções que nos envolvem.

“Eu estava triste, parece que até escondendo ou segurando um choro, quando uma criança de óculos, provavelmente com uns três anos, veio me alentar. Primeiro era um menino com feições também tristes, mas depois já era uma menina loirinha sorridente”.

Há uma tensão no ar, uma angústia mascarada, escondida, reprimida. Alguém que sofre calado, escondido, inseguro, abandonado (para receber alento de outra criança, o adulto é ausente). Há angústia no feminino e no masculino, a compensação surge na menina loirinha sorridente que reequilibra as polaridades. Neste aspecto o sonho expressa uma manifestação catártica que alivia a tensão. O quadro é redesenhado com a fome dos mendigos, a fome de comida (afeto) e a resposta reativa e agressiva do confronto. Nessa linha podemos pensar num comportamento reativo que expressa o descontentamento pela carência do afeto.

O afeto não alimentado não saciado se transforma no gesto impulsivo, agressivo e irracional. Quando o indivíduo não se sente compreendido em sua expectativa emocional, sua resposta tende à reatividade. A libertação do nó é a expressão autêntica do afeto, do sentimento, da necessidade. Não esconder o desejo ou a necessidade como em geral se faz, mas expressá-la, projetá-la no espaço.

Um detalhe é a incorporação do comportamento de vítima que envolve a situação. O incompreendido e carente faz o papel de vítima do mundo. O vitimizado. Assim pode responsabilizar o outro pela insatisfação de não ter suas necessidades satisfeitas, características dos indivíduos que se fazem passivos e submissos quando o que querem é submeter o outro aos caprichos dissimulados que orbitam a fantasia dos mal amados.

Grite sua fome, expresse suas necessidades, busque a satisfação dos seus desejos e principalmente, liberte-se de si mesma e das amarras que se impõe criando expectativas de fazer o mundo girar ao redor do seu umbigo. Quando fortalecemos nossa individualidade nos tornamos mais consistentes e abandonamos as necessidades que passamos a carregar e na infância perdida. A carência é o vazio que criamos quando projetamos no outro a satisfação de nossas necessidades. A ausência da carência é o resultado da consciência de sermos seremos únicos e singulares neste universo infinito.

A diferença entre os dois sonhos sequências são variações de um mesmo tema, de uma mesma necessidade.

           Bye.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

BEIJO


Tenho aqui mais um sonho: Não lembro o que sonhei inicialmente, mas pouco antes de acordar eu estava numa casa bonita, mas bem diferente. Não sei de quem era, mas eu parecia tranqüila lá dentro até o momento em que entrei por uma espécie de cômodos secretos cujas portas de levantar estavam um pouco emperradas e eu tinha que agachar para passar. Achei interessante aquilo e não me importei, mas na volta, quando estava indo embora, percebi que a passagem da escada, a qual impressionantemente era feita de tecido, estava despregando a costura e não dava para pular, de forma que eu fiquei presa sem ter como sair. Mas eu estava disposta a dar um jeito e sair dali de qualquer maneira. Não seio que sucedeu, mas depois disso eu estava noutro cômodo, não sei se na mesma casa, e troquei vários beijos com um homem de uma forma muito intensa e até lasciva. Senti inveja de mim mesma naquele beijo como se soubesse que aquilo era só um sonho. Havia outro casal que se preparava para tomar banho e eu me sentia bastante natural e à vontade. Quando o homem com quem eu trocava beijos foi embora ou foi buscar algo, não sei, eu procurei água para beber, mas daí eu notei que só havia um ultimo copo de água filtrada. Não quis tomar, pois eu me sentia como uma visitante e não tinha tal liberdade. Também não sei o que aconteceu nesse meio tempo de sonho, mas na seqüência eu fui à padaria acompanhando alguma pessoa que não sei definir quem era. Essa pessoa, que era uma mulher, comprou algumas quitandas e na volta ofereceu-me um café e eu aceitei. O café ali saia da maquina de graça e por isso, muitas pessoas faziam o lanche no próprio lugar. Apesar de termos tomado o café, ela disse que iríamos comer em casa. No que terminei de tomar meu café percebi que havia perdido um pé do meu chinelo e já era o segundo par que perdia ali, sinal de que era a segunda vez que ia naquela padaria. Nisso ela me mostrou uma caixa de achados e perdidos e lá encontrei tanto o pé do chinelo com que estava quanto o outro par perdido outrora. Fiquei feliz por encontrá-los e poder pegá-los de volta, só que, enquanto tentava guardar o chinelo que perdera outrora na bolsa e me retirava da padaria, a mulher que estava comigo já havia ido embora e, apesar de saber que já tinha ido ali outra vez, não lembrava o caminho de volta para a casa dela. Fiquei olhando para a rua inclinada. Tinha impressão que o caminho era descendo, mas também tinha a sensação de que deveria ser subindo e não conseguia de forma alguma saber para onde ir e nem entender porque ela não me esperara. Nisso acordei.

Neste sonho aparecem alguns sinais interessantes, mesmo que possam sinalizar representações aparentemente simples. A casa parece-me o reencontro com sua casa, mesmo que ainda não a identifique como sua, mas já surgem sinais de afeto (reconciliação afetiva com o masculino, ainda que a aproximação seja carregada de energia sexual). Tudo bem, o beijo você o sente como excepcional, e mesmo que ele seja compensatório de carência (afetiva, emocional ou sexual), ou compensação por estar, na realidade, beijando alguém que não faz a sua cabeça, ele sinaliza uma reconciliação com o masculino que transpassa a distância, a resistência e defesas anunciada anteriormente em sonhos. Outro sinal afetivo: partilha de alimentos. Associo o encontro do chinelo com o reencontro do caminho da humildade. Foi perdido e parece-me que está sendo rencontrado, ou a necessidade de reencontrar esse caminho para calçar e proteger sua caminhada. Como o momento é de transição, nada mais natural poder descer como poder subir, mesmo que a passagem, a escada, a transição, ainda seja um caminho delicado e frágil. O movimento esta sendo feito e a dinâmica favorece a volta para casa, para você mesma.