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terça-feira, 12 de outubro de 2010

SAGRADA LUXÚRIA PROFANA



PEQUENAS OBSERVAÇÕES  PARA TENTAR COMPREENDER

A BABEL MODERNA


A luxúria, quando o conceito diz respeito à sensualidade, não apenas deixou de ser pecado como passou a ser estimulada como meio de se atingir estágios de prazer na reconstrução da relação do individuo com mundo. Considerando características como: Inclusão e participação social; Aceitação e identidade social; Fortalecimento de autoestima; Status; Compensação de amadurecimento devido à infantilidade generalizada na sociedade. Na pratica sexual o individuo se afirma como individuo adulto, participante e com poderes de escolha e prática, reafirmando-se diante de si e do mundo

Por isso a busca de prazer sexual vem se tornando com o tempo, mais do que simplesmente a obtenção do êxtase carnal, mas uma experiência mística que estabelece uma relação do indivíduo com o universo, uma relação que lhe permite experimentar não apenas um instinto básico e reprodutivo, mas estabelecer uma relação com sua existência e com o Divino.

Na modernidade a busca do sagrado vem transformando a religiosidade humana e não pode mais ser vista como no passado apenas como resultado de práticas de crenças religiosas ou de aprimoramento intelectual ou de renúncia material. Essa busca impregna o individuo e transforma seus hábitos sua conduta. Aquilo que era pecado volta a ser natural, ele conquista um canal de conexão com o seu criador, uma possibilidade de tocar sua origem, sua essência.

Enquanto pensávamos que a sexualidade havia sido incorporada pela sociedade de consumo como produto econômico, podemos reconsiderar e dizer que as questões econômicas são apenas o aspecto externo do iceberg e as menos importantes.

Essa incorporação econômica da sexualidade humana na sociedade de consumo, como foco, meio midiático para vendas que tenderia a promover a banalização da sexualidade acaba promovendo a necessária compensação do equilíbrio sacralizando esse ato.

A sexualidade humana se desvencilha da culpa moral, social e religiosa, muda a relação entre homens e mulheres e estabelece aos poucos um novo estágio nas relações entre o sagrado e o profano na existência de cada individuo. Caminha para deixar de ser apenas ato mundano, profano e reprodutivo para se tornar em ato carregado de rituais e de religiosidade, consagrando-se como meio do homem se vincular a Deus. Ultrapassando as religiões e se tornando ato privativo ou coletivo no encontro consigo mesmo e com o divino.

Mas da mesma forma como a luxúria pode se transformar nesse ato de conexão com o divino, ela também pode se transformar em ato de conexão com o Diabo, lançando o individuo no mundo das sombras, liberando pulsões selvagens, primitivas e fora do controle e do respeito que a civilidade exige.

A prostituição infantil que deve ser encarada como crime hediondo, a ser rigorosamente punido, retira a criança de seu universo em formação e a lança num caminho devastador, para satisfazer desvios adultos pervertidos, e mostra a perigosa fronteira entre os limites do prazer e da barbárie humana associada à morbidez sexual, à busca do prazer sem respeito aos limites da convivência social.

Como em tudo na vida, as armadilhas palmilham os caminhos, a nós nos cabe a possibilidade de não abrir mão do bom senso. Pode ser preferivel o limite que permite a expansão do que a expansão sem limites que não permite o retrocesso.


domingo, 10 de outubro de 2010

TEMPLO DE LUXÚRIA I


                                                                    INFERNO CLUB


Depois sonhei que entrei num local completamente profano. Não tenho recordação muito exata desse local, mas sei que haviam muitos homens e mulheres e na penumbra escolhi um dos homens sem muito pestanejar. Fomos para um quarto e disse-lhe que só permitiria penetração se ele deixasse eu lhe dar prazer antes. Ele aceitou e masturbei-lhe com as mãos. Foi um sonho muito orgástico. Era como se eu tivesse o dom de sentir o prazer que proporcionava a ele e, ao mesmo tempo, tivesse todas as minhas partes erógenas na mão também. Eu sentir um prazer triplo podendo sentir o prazer dele e o meu em duas partes do corpo ao mesmo tempo. Eu controlava por completo a situação como se fosse uma deusa sexual. Embora eu estivesse disposta a cumprir com o trato de permitir uma posterior penetração, a qual libidinosamente eu ainda desejava, eu sabia e podia sentir que ele ficaria completamente esgotado depois daquele ato e, assim, eu podia dar prazer a quantos homens que quisesse sem me contaminar como uma prostituta. Eu o satisfiz até a total exaustão, que o fez cair em um sono profundo, e pensei que estava pronta para o próximo. Esse sonho mostra claramente o domínio feminino, entretanto, ele nenhum sentido tem perante a realidade uma vez que não tenho essa libertinagem domadora.

O corpo se auto regula. Na ausência constrói a vivência e compensa a necessidade. Naturalmente isso não acontece apenas na sexualidade. A capacidade projetiva se torna alucinatória para compensar necessidades em realidades que coloquem em risco o sistema, desta forma adia o colapso corporal frente a necessidade de sobrevivência.

O sonho é de natureza compensatória. Compensa sua necessidade, realiza seus desejos e abre o exercício para uma sexualidade mais ampla, menos conservadora e mais pró-ativa.

Você e dona do seu corpo e responsável pela suas escolhas, assume seus desejos e avança nessa realização, contrariando pré conceitos, superando a repressão, a severidade moral, o tradicionalismo, e vivendo a mulher profana que mora dentro de você.

Foi-se o tempo em que a mulher recebia vestida, a visita, do homem no quarto escuro dos pecados. A vida moderna iluminou este quarto e desnudou o homem e a mulher e o sexo vem deixando de ser, tardiamente, ato pecaminoso para cumprir o seu destino de encontro de amor, interação afetiva de corpos. Os corpos deixam de se tornar instrumentos de culpa e pecado para serem templo e fonte de prazer.

A luta entre a construção da idealizada imagem pessoal como sagrada em oposição à rejeitada imagem profana, sempre produziu muita confusão mental, culpabilidade, e menos valia. Para fugir do profano e do julgamento moral e da condenação social muitos se esconderam na severidade e na rigidez da moralidade e acabaram encontrando os desvios e a perversão ou tormentos e sofrimento.

É um caminho delicado. Viver o que todos vivem no escondido enquanto condena-se à luz e na transparência. O passado humano nos condena como sociedade hipócrita e cínica, fechada, escondida e pervertida, mas protegida pela aparencia de sociedade religiosa e moralista e pura.

A sociedade moderna, longe do cinismo Vitoriano, favorece que o aprendizado da sexualidade de forma mais sadia e menos desequilibrada com esta natureza que nos constitui.

O que um sonho como esse retrata além daquilo que comumente se vive no ninho de amor? Nada! Carícias, contato corporal, sensações, prazeres, dar prazer ao outro, sentir prazer tocando o corpo do outro, receber o toque, descobrir o corpo do outro e se deixar ser descoberta, gozar à exaustão.

O ORGASMO É FRUTO DE INSTINTOS BÁSICOS, FUNÇÃO VITAL, NATURAL.

Mas existe conflito e severidade moral. A ideia da prostituta está presente, inserida no contexto. Você sonha como se fosse uma Deusa Sexual, mas precisa se diferenciar da prostituta, para escapar da condenação que se impõe: “...eu podia dar prazer a quantos homens que quisesse sem me contaminar como uma prostituta.”

Você se diferencia da prostituta como aquela que pode se contaminar. Contaminar como? Pela prática de sexo sem segurança? Pelo contato com vários parceiros? Mas depois de exaurir o outro se mostra pronta para o próximo parceiro. Minha cara entre quatro paredes somos todos iguais, uns mais outros menos, mas iguais no genérico e na busca do prazer. Direito imposto. Reavalie seus conceitos sobre o que é prostituição e verás que o conceito pode ser mais amplo do que se imagina.

A prostituta é apenas aquela que recebe, como alvo, a carga da severidade moral da sociedade sem necessariamente o merecer. Olhe ao redor e verás prostitutos de todos os tipo: Políticos; Empresários; Famosos; Artistas; Supostos religiosos; etc. Amplie seus conceitos para entender que o sexo é sagrado independente dos limites. Sagrada é a natureza corporal, criada pelo divino, Que, através da existência, nos permite ser produto deste ato, gesto de amor, de encontro entre dois seres.

Profana é a forma como o individuo lida com a sexualidade: A maldade; A perversão: A banalização e a negação da vida, o cinismo; O egoísmo; A ganância; A inveja que goza através do olhar focado na vida alheia; O desrespeito; e tudo aquilo que chama apenas para satisfazer a morbidez pessoal.

TEMPLO DE LUXÚRIA II

 Um Drink No Inferno - filme de Tarantino


                                   “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais!”
  A Divina Comédia -Dante Alighieri


O SONHO

Como já disse o sonho é compensatório. É a forma do corpo de se regular, diminuindo os riscos do individuo se colocar em situação de perigo frente à carência. A psiquê induz a imagem e favorece a excitação introduzindo o sujeito num ambiente do mundo d “Eróstico”, submetido à força da pulsão, da paixão, do desejo, para encontrar o prazer consubstanciado em orgasmo.

A imagem é clara: Você se covida a entrar em um templo de sexo. Homens... Mulheres...Penumbra... Para brincar com a sexualidade e obter prazer com o próprio corpo e dar prazer. Você entra no Templo da LUXÚRIA

Você se acredita não libertina, como se viver a sexualidade do sonho fosse um acontecimento externo a você. Você pode na realidade não se permitir essa licenciosidade condenada mas desejada na vida real, mas este é seu lado de mulher sexualizada, que tem fome de sexo, que anseia prazeres e servir como fonte, como Deusa sexual. Somos todos Deuses, sexuais, pelo menos, durante determinada faixa etária. Este é o seu lado de Mulher adulta e madura que você nega, esfrega porque quer ainda se pensar como uma menininha virgem e pura.

Ser adulto e sexualizado são destinos inexoráveis, virgem não mais, mas sagrado sempre poderemos ser, isso dependerá de uma certa inocência na descoberta e da forma como mergulhamos nesta seara de prazeres.

O sexo não é produto pessoal humano. É resultado da divina natureza humana. A forma com que lidamos é que é pessoal, seja sadia ou mórbida. É necessário aprender a lidar com essa sexualidade para que possamos envelhecer em paz, sem o risco de nos tornamos velhos pervertidos que só encontram satisfação vivendo o que não foi vivenciado na hora adequada, em um passado frustrado e moralmente duvidoso.

Eu poderia pensar como Dante, em a Divina Comedia, para quem entra no templo da luxúria: “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais!” Mas não temos escolha. Negar ou renunciar não significa solucionar  o problema  fundamental, ao contrário, pode representar agrava-lo. Somos empurrados para o mundo adulto sem escape e consequentemente para a sexualidade. Evitar enfrentar a encrenca significa não vingar, como promessas que não vingam e amores que se perdem, tormentos eternos. Os santos renunciantes se descobriram no inferno á procura de uma saída, nem sempre fácilitada. Aprender a lidar com essas forças poderosas parece-me um caminho mais sadio que mais a frente nos liberta do inferno.

É precisa entrar neste templo, viver o que precisa ser vivido e ter o feeling para saber a hora de sair deste que pode ser o pior Dragão que temos que derrotar.

“ele nenhum sentido tem perante a realidade uma vez que não tenho essa libertinagem domadora.”

A falta de sentido que percebes é a sua forma de negar a força de seus desejos. Voce impede que essa mulher libertina se expresse. Mas essa mulher libertina que tenderá a ser mais poderosa lhe empurrará para o inferno da luxúria, se você não se permitir aumentar os limites para a realização de força pulsional. Você não precisa virar uma Puta escrachada, mas pode se dar o direito inalienável de viver o seu destino, com classe e sofisticação, como uma virgem pura, que mesmo já tendo se entregue para todos os coleguinhas, se oferece ao sacrifício do prazer sem perder o sentido do sagrado nesse ato fantástico que é o encontro a dois.