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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO I



Essa noite sonhei que minha mãe brigava com um vizinho quando este começou a lhe tacar pedras. Mandei-a entrar dentro de casa, mas ela queria revidar. Entretanto ele estava num prédio enquanto ela estava no chão e, logicamente, as pedras dele eram arremessadas com muito mais força do que as dela. Eu fingi que tinha sido atingida no braço e comecei a gritar muito pensando que aquilo pudesse impedir a continuação da chuva de pedras, mas não adiantou. Quando notei que o barulho das pedradas havia parado, vi minha mãe desfalecida. Desesperada corri até o corpo dela já inerte. Nisso vi a aproximação de Bezerra de Menezes, Adolfo Fritz, Bittencourt Sampaio e vários outros espíritos com aparência humana normal, mas que eram denominados de orixás. Não sei explicar como eu os reconheci, pois eles estavam com uma aparência diferente e, ademais, o único cuja aparência me era conhecida antes do sonho era do Dr. Bezerra. Aliás, só fiquei sabendo se tratar deles pois no sonho eu gritei o nome de cada um desesperada ao ver minha mãe morta. Vendo que eles iam 'resgatá-la' afastei-me do corpo. Vi o espirito de minha mãe ser socorrido. Com um vestido branco esvoaçante e com aparência de jovem, ela se levantou mantendo uma espécie de grande tumor, parecia sangue coagulado, na altura do coração. Ver o lado espiritual foi um pequeno consolo no meio da tragédia.

Prefiro até sonhar com minha própria morte. Mas pensando bem, essa mãe por certo é uma representação minha, não é?

Mas por que motivo fui sonhar com essa tal equipe espiritual se nem lembrava direito de tais nomes, se nem conhecia a aparência deles e se nem pensava na possibilidade dos orixás serem espíritos de aparência humana normal?


MATER AETERNALE
Rápidas noções básicas sobre a construção da representação simbólica materna ou paterna:

A figura de mãe é uma representação pessoal de sua Mãe, da Mãe em você, da mãe como feminino, como proteção, como origem, como afeto, desafeto, de sua expectativa de mãe e da expectativa que nutre projetada em sua mãe, dos sentimentos e emoções que nutre pela Mãe que se origina dentro de você.

Ainda que nascidos da Mãe, também gestamos e promovemos o nascimento de uma Mãe dentro de nós, Homens e Mulheres. Essa Mãe que gestamos, transcende a dimensão sexual em decorrência de sua natureza eterna. Ela nasce a partir do arquétipo da Mater Aeternale, que vive em nós e participa como guia em nossas vidas, como um espírito do tempo a nos conduzir.

A partir do nascimento do indivíduo essa Mãe interna, nascida de dentro da mãe biológica, conduzida através da memória do tempo da natureza, encontra sua origem fora de si, encontra a criatura que o originou passando a estruturar o nascimento interno do sujeito.

A gravidez promove a construção do corpo e configura a base do nascimento de sujeito como entidade subjetiva a partir da memória genética que define o corpo e o substrato do sujeito.

Essa Mãe, quando Mãe Boa e do Bem, que oferece o leite quente, alimenta e dá vida, acolhe e promove o conforto irá favorecer o encontro e a sintonia entre o produto interno e a projeção externa a ser incorporada.

Mas quando a Mãe é retrativa, não afetiva, e promove a rejeição, ainda que ofereça o sustento e a sobrevivência, não permite o encontro e a sintonia entre a mãe interna e a externa, produzindo um sujeito desalinhado, fonte de graves distúrbios psicopatológicos.

Quando o processo é bem sucedido, o sujeito realiza seu desenvolvimento de forma equilibrada se referenciando na estrutura dos pais para construir a sua base de sustento psíquico. Base que na vida adulta será essencial para a maturação da individualidade constituída, quando a psique em sua dinâmica favorece o desligamento do cordão umbilical dissolvendo conteúdos que já pouco significam para a estrutura formada. Neste momento o individuo constituído tem sua relação com o mundo consubstanciada numa conexão plena com o universo. É a integração inicial como seres amadurecidos que nos permitirá atingir estágios mais completos de consciência e de harmonia na relação com o mundo, até que possa atingir a realização com a INDIVIDUAÇÃO.

O PENOSO CAMINHO DA LIBERTAÇÃO E DO AMADURECIMENTO II




O SONHO


Uma análise imediata do sonho indica o desejo de ver sua mãe morta.

Não se assuste! O desejo de morte dessa “mãe” pode ser confundido com o desejo de morte da mãe real, a progenitora. Quando o individuo não sabe diferenciar essas duas realidades: A progenitora e a representação simbólica da matriz, a indiferenciação, a confusão media a relação entre o indivíduo e a realidade.

Esse desejo de morte, excluindo casos patológicos, não faz referência à morte física da mãe, mas ao momento que estabelece o término, ou à fase inicial desse processo de desligamento:

1. Do poder de intervenção materno a partir da realidade desta entidade de força, deste indivíduo matricial construtor e formador do outro Ser.

2. Do poder de intervenção da representação simbólica materna constituída no inconsciente, originada da mãe real.

No inicio ocorre a diminuição desse poder de intervir até que este conteúdo seja dissolvido, restando apenas a representação do conteúdo afetivo de mãe.

Esse mecanismo é semelhante ao que ocorre com a representação e simbologia do Pai. Em ambos os casos, a partir do momento em que o indivíduo se constitui uma individualidade adulta maturada, esses conteúdos e representações são dissolvidos já que incorporados na constituição da personalidade do sujeito, não se fazem mais necessários como referências básicas de princípios, de conduta na relação com a realidade, ou de proteção à estrutura psíquica.

Assim, essa mãe pela qual se desespera é a sua mãe em você. Naturalmente há conflito entre a sua busca de consolidação como um individuo adulto, sua Singularidade, e a menina que resiste em abandonar o conforto e condição de estabilidade de filha dentro do seu cenário de vida juvenil.

Mas parece que a vida lhe empurra para a realidade, para o seu destino, para a consolidação de sua existência como uma mulher, lhe exigindo novas escolhas, novos caminhos, novas respostas. Empurra-lhe para que se assuma como mulher madura e para isso, agora, com seus conceitos pessoais incorporados aprendidos e herdados, deixe de se ancorar e de se proteger na barra da saia da mãe para prosseguir na construção de seu destino, na realização de seus desígnios.

Muitos nesta hora recuam e escolhem não avançar. Evitam crescer, amadurecer. Pagam o alto preço de contrariar a lei da impermanência da vida. Fixam-se no solo como árvores resistentes propensas a dobrarem apenas a cada tempestade cíclica do tempo. Pensam que escolhem o caminho mais confortável e às vezes nem descobrem o equivoco de suas escolhas, o equivoco de interromper o processo natural de desenvolvimento de suas existências fixando-se na segurança ilusória do passado de proteção familiar. Mas mesmo que não descubram seus equívocos são obrigadas a amargar o sofrimento sem saber o porquê de tão trágico destino.

Prefiro não pensar nas entidades que aparecem como reais, mas como símbolo, conteúdos e referências de sua vida de Adulta, que incorpora conceitos, princípios, doutrinas na formação pessoal.

Associo com conteúdos originários de sua formação pessoal que indicam a referência para que responda de acordo com a realidade.

No caso acima, a morte da mãe que representa a sua ascensão individual, lhe provoca medo, o medo de arriscar, o medo da transformação, e as entidades representantes da doutrina, seus conteúdos formados de conceitos incorporados, afloram como referência de resposta ao cenário de Morte.

Todos eles, são imagens, são referências significativas da Doutrina Espírita. Como se lhe dissessem:

“a doutrina indica a crença na imortalidade. Não há porque desesperar!” Integre seus conteúdos, alinhe-se aos preceitos nos quais acredita sintonizando-os com o comportamento e respostas adequadas. De que adianta conceber uma noção de mundo e agir como quem nega essa noção?

Neste aspecto o sonho confronta a ação, forma de resposta, com a idealização.

Inseridos neste contexto está o Apego. A importância de trabalhar o desapego, para que o impacto das perdas deixe de ser devastador em sua estrutura e na condução de sua vida.

Pela vida vemos indivíduos trabalhando para se apegarem como gosma a todo o tipo de ilusões, quando deveriam trabalhar o desapego para conquistar a libertação, único estado que nos permite a plena maturação.

De que adianta o conceito da vida como passagem se ficamos viciados, agarrados, apegados a cada estação que passamos. Como crianças fixadas em guloseimas que não conseguem perceber outras delícias.

E a questão que considero a chave primordial:

A ACEITAÇÃO DO DESTINO

Já me manifestei a respeito. Uma das grandes causas de sofrimento no mundo é a falta de aceitação dos limites da existência. As pessoas podem passar toda uma um vida estéril, sem que o saibam, lutando contra a condição definitiva da existência: Seus limites. A morte nesta dimensão. Deixam de acreditar em outras possibilidades porque lutam ao não aceitarem os limites desta realidade.

Em síntese:

Para crescer precisamos matar simbolicamente o pai, a mãe dentro de nós. Conservando apenas o vínculo afetivo, precisamos aceitar a realidade da existência para aprender a não sofrer com as perdas e para não transformar a existência numa projeção da tragédia pessoal e conceitual do mundo.

domingo, 12 de setembro de 2010

MATER, MATRIZ DA SINGULARIDADE

    Eugéne Delacroix - A Liberdade Guia do Povo ,
1830 - Paris, Musée du Louvre
Carla

Em segunda instância eu estava com minha mãe dormindo num local desconhecido quando acordei e percebi que algo estava estranho. Nisso apareceu um louco e minha mãe acordou. Com medo reconheci que era o sujeito procurado pela polícia, pois ele andava matando todos os cachorros que encontrava na rua e retalhando-os com uma faca. Fiquei encolhida com medo. Ele bateu com um pau na minha cabeça e fez o mesmo na minha mãe. Pensei que fossemos morrer. Nisso minha mãe deu-me força e disse que ia ficar tudo bem, pegou um outro pau maior ainda e começou a bater nele. Fortalecida com a atitude da minha mãe, eu que ficara encolhida temendo a nossa morte, peguei outro pau e comecei a ajudá-la. Ele desmaiava e voltava a acordar como que possuído por forças malignas. Acordei assustada.

Esse sonho também apresenta um contraste com os anteriores: minha mãe tomando a postura de agir, de buscar defesa, me oferecer proteção e apoio. Ela seria minha mãe interna, ou melhor, meu lado mãe?

Em postagem anterior “Observações Fenomenológicas”, se não me engano, que merece ser relembrada, alertava para a importância da atitude pró-ativa nos sonhos. Aquele momento, melhor, aquele “Instante” em que o indivíduo supera as amarras, os grilhões, e não se permite mais ser humilhado, pela ousadia, pelas chibatas da Força que subjuga, e que se impõe por permissão e por medo.

Eu pessoalmente me fio na importância e referencia da dignidade, da honra para fazer nascer a coragem que nos eleva a um estágio mais avançado de consciência.

Se sonho anterior manifestei a tendência de sua superação, neste sonho a dinâmica se mostra, e de forma importante a partir da representação da sua mãe.

Veja que isso pode ser muito interessante: Enquanto você, sem o saber, projetava suas mágoas e ressentimentos na sua imagem de mãe em decorrência dela não atender suas expectativas, a imagem incorporada dessa mãe era ausente. Você seguia como vítima e filha abandonada. Produzindo no seu interior uma desconstrução de sua personalidade e individualidade. Você se induzia o fracasso, se boicotando. Sua recompensa, como num ciclo, viciado. Era a justificativa que lhe bastava para culpabilizar mãe e irmã, apenas colhia mais ressentimento, angústia e baixa estima.

Já lhe indiquei isso. Um ritual de imolação. A sua forma de se sacrificar. “Se derrota, mas lhes impinjo a culpa”.

E à medida que realiza sua reflexão, abandona a desconstrução e trabalha o renascimento.

O sonho é isso: a mãe aparece como deve aparecer: Como Mãe. A mãe que lhe gestou, que lhe deu a vida, que a alimentou com o leite sagrado, cuidou, educou, corrigiu, e protegeu. Mãe divina, matriz da vida, símbolo sagrado do universo. E é essa a mãe que lhe mostra a reação, com a coragem que se deve ter, sem o medo que aprisiona, e que inicia o processo da resposta afastando o mal.

Enquanto pensava que digitava a palavra coragem, digitei coração. O afeto, o amor.

O sonho poderia ser compensação da mãe abandônica, poderia, mas não acredito que o seja. É sonho de confronto? Não creio! É mais envolve a sintonia entre o conteúdo arquetípico e sua dinâmica, sua forma de sintonizar suas forças, e a psiquê, através do arquétipo, se integra e lhe protege.

É sábio fortalecermos nossos pontos de poder, é pouco sábio minar nossos centros de poder. Fortalecer os centros de Poder significa Aglutinação Psíquica, e essa aglutinação conseguimos com a ação dos arquétipos, mas para isso precisamos nos alinhar com o nosso interior, renunciar ao fractal, ao inconsistente, disciplinar a conduta, se apoia na verdade, abandonar os velhos hábitos ineficazes do passado.

Como Mulher você traz o destino marcado de geratriz da humanidade. Destino Sagrado, nem sempre compreendido. E graças à generosidade do universo, carregamos esse espírito de luz dentro de nós, muitos são os que o aniquilam, muitos descobre a fonte da Mãe Divina.

Enquanto a luz não vem, que venha a mulher guerreira, estágio anterior do desenvolvimento. Aquele em que enfrenta os desafios, a injustiça, a maldade, que luta pelos direitos, não porque assim se coloca em risco, mas para aprender a se afastar dos perigos.

Posteriormente, descobrirás que esta etapa precisa também ser superada, mas aí é outro estágio na evolução

Sem dúvida eis um aspecto positivo, herdado de sua Mater.

Ah! uma dica especial:

Vá até sua mãe,
lhe dê um abraço, 
e conte-lhe que ela salvou voce de uma situação de perigo no sonho,
 e agradeça-a afetuosamente.
Não fale muito, é coisa de gestos e silêncio,
 para ser entendido.
Vai ser emocionante!

Faça isso por você!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MÃE E COBRA

  

Ch 47
Sonhos dessa noite:

Primeiro sonhei que minha mãe foi pegar o tapete da porta do banheiro e havia uma cobra dentro dele, entre o tecido de cima e o forro. Ela achou que a cobra não ia sair dali de dentro. Mas a cobra não apenas saiu como picou o pé dela e ficou agarrada a seu pé sem se soltar. Fui buscar um vidro para capturar a cobra pensando que ia ter de levar minha mãe num médico e mostrar-lhe a espécie a fim de que ela pudesse ser medicada corretamente.

Embora exista a repetição da cobra nos sonhos, nesse caso a ameaça e tensão pareceu estar mais voltada para a figura materna do que para mim. Há alguma diferença de significado a ser analisada?

Em geral fico fascinado com o universo onírico, e com a sutileza com que nos coloca de frente para o sentido primordial da vida. Veja esse sonho, em principio, um sonho curto, parecido com qualquer outro sonho que envolva um reptil tão “comum” como a cobra, mas... Recentemente postei no Blog Jornada d’Alma “André Jararaca” (23.03), não sei se você acompanha o Jornada, se acompanha seu Incs pode ter puxado dali a construção do sentido da mensagem que quer realçar. Se não viu o post, eliminamos o evento mesmo que consideremos a relativa simultaneidade de fatos tão próximos (um acontecimento real em minha vida e o seu sonho). É necessário considerar isto já que existe um diálogo entre Inconscientes, e este diálogo transcende as referências básicas da realidade como a conhecemos.

Não considerarei a simbologia de uso corrente, apenas a primordial. Mãe e cobra são símbolos arquetípicos fundamentais, origem da energia, mediadora e a energia propriamente dita.


  • Há dinâmica de libido em movimento, natural. Energia primordial se mobiliza, desprende-se das sombras e aflora à realidade. Movimento de integração de energia ainda selvagem e bruta que se agrega à consciência;

  • A energia surge como sinal na extremidade do corpo, na ponta dos pés, indicando que precisará ser tratada e trabalhada para atingir níveis mais elevados da consciência;

  • Essa energia elevará suas polarizações (tensão), anunciando a necessidade de cautela, calma, resposta ativa, iniciativa, para que consiga superar a transição nas mudanças que se operam na sua dinâmica corporal. Lidar com energias primordiais exigem sempre muito cuidado, entre outras coisas, indico-lhe aumento do tempo de resposta frente aos acontecimentos diários na sua vida, para diminuir a reatividade e ter mais tempo para elaborar respostas menos tempestivas e impulsivas;

  • Simbolicamente para crescer é preciso matar os pais dentro de nós, abre espaço para a maturação pessoal, o sonho indica a inicialização desse processo da transformação da mãe para uma significação abstrato e simbólico (no divino).
O sonho sinaliza a necessidade de se preparar para a sua separação da mãe, na realidade, a morte da mãe. Já que uma perda deste naipe tenderá a provocar-lhe um aumento de tensão num nível perigoso. E pode fazer referencia à sua natureza de mulher como mãe, Geratriz e fonte de vida. O momento pode ser indicativo de maiores possibilidades para fecundação.

Gosto da resposta de procura do vidro (Transparência), para a captura da cobra e não a ação de morte à cobra. E uma busca sensata frente ao imprevisível, ao invés de uma resposta emocional passional e de desespero.

  Bye.