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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

FEMINA IN NATURA


  

Num segundo sonho eu entrei eufórica (esse parece ter sido o sentimento permanente) em casa e comecei a cumprimentar as pessoas deixando-me ser levada pelo meu ímpeto, ou seja, agindo com espontaneidade total. (Será?) Eu as cumprimentava dando um abraço e, ao chegar na minha mãe, beijei-lhe as mãos. Eu me sentia impressionada pela agilidade com que conseguia fazer aquilo, principalmente por ser uma postura desejável, mas incomum para mim. Não eram abraços de quem expressa afeto, mas de quem se faz educado. Era como se eu já não fosse a mesma pessoa e quisesse demonstrar e vivenciar isso. No entanto, minha mãe recriminou-me em voz alta dizendo para eu agir do meu jeito normal. Senti-me repreendida de maneira explícita na frente de todos e respondi que estava agindo de modo natural e que tinha meu direito de agir com espontaneidade. Senti que para conseguir ser afetuosa e educada cumprimentando a todos de uma forma satisfatória eu tinha que agir por impulso, antes que minha mente neurótica viesse à tona com suas recriminações, exatamente como minha mãe fizera. Foi o que fiz e, consequentemente, agi de modo completamente diferente e não normal para minha postura reservada que tende a cumprimentar os outros no máximo com um sorriso e um “oi”. Embora ainda houvesse dificuldade por trás daquele impeto de agir diferente, era aquela a postura idealizada dentro de mim. Se abraçando para cumprimentar os outros eu me sentia mais educada e deixava a vaidade aflorar, essa naturalidade era espontânea não do meu jeito normal de ser, mas de uma crença que produzia a idealização. Quem estaria com a razão: eu ou minha mãe? Daí fiquei em dúvida entre agir com naturalidade ou com normalidade. Acho que sempre estive em conflito com essa parte materna que reina dentro de mim.



Em princípio podemos pensar em sonho compensatório, mas é pouco. Ainda que o sonho compense a realidade não afetiva em transição para uma condição de espontaneidade e afetividade, penso que isso não contempla o significado pleno da mensagem onírica.

Mas o que?

A euforia ainda que indique polarização e presença de conflito, sinaliza um estado de elação e interação nas relações pessoais. E esta interação pode indicar a canalização de energia liberada, dos conteúdos autonômos bloqueadores, para as relações interpessoais e afetivas.

Isto não é pouco, principalmente se considerarmos que sua carência indicava, em passado recente, uma demanda por afeto, a repressão afetiva, uma certa incapacidade de interagir afetivamente, respostas reativas e de manifesto agressivas. Tudo isto podendo ser traduzido para um bloqueio afetivo associado a dificuldades de estabelecer relações baseadas no afeto. Energia Bloqueada.

Este estado de euforia é liberação de energia, manifestação e prontidão para o estabelecimento de relações de afeto, resultantes de consolidação de estado emocional estável e de segurança, de atitude e manifestação de singularidade e individualidade.

Na realidade mesmo que esta predisposição ainda não apareça no seu comportamento na realidade pessoal, é preciso entender que o sistema funciona antecipando possibilidades para que quando a espontaneidade, ou o comando interno lhe empurrar para um cenário deste tipo, que você tenha repertório de respostas e lucidez para se permitir viver ou para bloquear a ação, a interação, a atuação interior, repetir o mito de Sísifo.

Este acontecimento também lhe coloca numa fronteira entre o despertar da ação e o seu movimento de permissão ou de repressão. Bem sabemos que seus movimentos foram cerceados pela repressão decorrente de julgamento e condenação que se impôs, por “n” motivos.

O sonho te coloca nesta fronteira. Suas mudanças veem sendo realizadas e agora você se defronta com um fluxo de energia que aflora e que lhe permite a possibilidade de sintonizar e expressar a plenitude do seu afeto ou repetir o passado evitando e bloqueando este fluxo e se aprisionando na insatisfação, na negação da celebração, no impedimento de expressão do afeto, entre outras coisas.

A imagem do beija-mão é exemplar: Você humildemente se rende ao sentido simbólico da maternidade, prestando homenagem e expressando afeto, abandonando o julgamento e a condenação da “Mãe”. Esta é uma submissão respaldada na respeitabilidade pelos genitores, pela ancestralidade.

Afeto é educação, e educação é afeto social, representação formal, de respeitabilidade e referência fundamental na interação. Sem educação retornamos ao estado de primitivismo e incivilidade, portanto, de afeto indiferenciado.

A energia liberada permite o fluxo do movimento, assim como a neurose bloqueia o sujeito aprisionando sua expressão afetiva.

Antes de celebrar e comungar com o outro, precisamos nos amar, nos gostar, nos respeitar, nos permitir, nos presentear, nos acariciar. Isto significa sintonia no afeto, consigo mesmo, com tudo aquilo que te constitui e que faz de cada um uma expressão da criação divina.

Na sequência aparece o confronto, através da repressão materna, que é a mãe dentro de você, não necessariamente a sua mãe. Já que esta mãe pode ter sido a sua justificativa de projeção do ressentimento, da mágoa. Mas se ela anteriormente era uma autoridade e comando, agora você se impõe com sua individualidade, já que este conteúdo que construiu (a representação materna) se virou contra seu criador: você; Lhe impedindo de encontrar respaldo afetivo para a sua demanda emocional. E possível que a representação tenha se tornado, em decorrências da carga negativa, uma representação associada ou incorporada por conteúdos autônomos que vinha te conduzindo desde então.

O evento onírico também antecipa respostas e condutas que estão sendo reconfiguradas ou resgatadas, e o “Ser” espontâneo que nasce, ou renasce, agora se defronta com o conflito nascido na repressão imposta pela sua falta de limites na infância ou na pré-adolescência, possivelmente o momento em que a espontâneidade  foi sufocada em nome da socialização e ou sufocada pelos caprichos e pelo ressentimento.

Nem tão lá, nem tão cá. Os limites são fundamentais e definem fronteiras de conduta que o “social” exige, tanto quanto o natural é fundamental para que sigamos em sintonia com o melhor de nós mesmos, nossa essência.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

COITO INTERRUPTO II



CH 78

Sonhos podem ser incômodos, desagradáveis, desconfortáveis, não muito diferente do que é a vida.

A questão da homossexualidade pode ser questão conceitual, já que a confronta, realça sua baixa estima e seus sentimentos de rejeição. É possível até mesmo que a existência de conflito homossexual possa ter origem neste sentimento de rejeição: Já que os homens a abandonam você os rejeita enquanto simbolicamente os agride com a sua homossexualidade. Se for isso é possível que seja também uma justificativa para não ter que aceitar o sim ou o não como direito do outro e não de forma pessoal como rejeição e revolta. Entendeu? O não do outro não pode ser levado para a contrariedade do amor próprio ofendido. O Não do outro é apenas o direito do outro de escolher o melhor para ele, e isso não pode te reduzir emocionalmente. 

O sonho sinaliza sua dificuldade de escolha, sua necessidade de explicar, se explicar, se justificar. A situação dessa suposta rejeição parece que não foi digerida, elaborada, por você. E sua vaidade... Bem, você ainda não compreendeu que a vaidade é insaciável, quanto mais você alimenta esse monstro mais ele precisa de alimento. Quanto mais infla seu ego mais gás ele precisa para se saciar. Como é uma tarefa Sisifoniana, sua tarefa será infindável. Condenada por Zeus a repetir pela eternidade a tarefa de elevar sua pedra até o cume, seu ego até às alturas, viverás o fracasso do inacabado, do interminável, ou a buisca pwermanente da aprovação do outro, do aplauso do outro.

Você esnoba, mas se sente esnobada, rejeita, mas vive a angústia de ser rejeitada. Deseja mergulhar na luxúria, mas não quer se expor como se isso fizesse de você uma vadia, mulher fácil. O que lhe resta? A masturbação, o orgasmo solitário com o consolo (o boneco) no canto escondido do quarto escondido, com medo de que alguém possa descobrir sua intimidade erótica.

Existe no sonho sinais de dificuldades, no envolvimento sexual, em decorrência dos medos de se expor nas relações, de ser rejeitada, condenada, criticada. Parece-me um coitu interruptus, aquele que desacopla, que não decola para o prazer de voar a dois no universo das sensações orgásticas. E considerando a intenção não se pode relevar a possibilidade de você se punir, você se boicota e bloqueia suas chances de viver seus orgasmos.
Começo a refletir se tens medo da força de sua sexualidade. Com medo da força do seu fogão a lenha, você não cozinha o manjar, e consequentemente não o degusta. Mas a responsabilidade é colocada no outro.
Daí surge questões: qual a forma com a qual você lida com seu corpo? Existem dificuldades em lidar com seus desejos? Há desejo de fazer sexo para que outros assistam seu desempenho? Há dificuldades corporais? Vergonha? Timidez? Vergonha ao lidar com o corpo do outro? Dificuldade de contato com os órgãos sexuais, seu e do parceiro? Houve experiência sexual traumática? As questões surgem, pois no sonho você apresenta dificuldades para interagir sexualmente devido a bloqueios. Você tem desejos de ser exibicionista, exibida? Se você se masturba, existe sentimento de culpa ou conflito pela prática erótica? Você consegue associar sexo a prazer ou só o associa a sentimento? Você dissocia o sexo de sentimento, de relação sentimental, para usufruir apenas o prazer sensorial, de contato, de sensações?

Sexo pode ser uma magnífica viagem de prazeres sensoriais ou uma Bad Trip pré-conceitual. A chave pode estar na sua insegurança, já que esta fragilidade promove em você uma ducha fria no seu Tesão, a enrijece e lhe tira o relax necessário para viver a entrega do corpo e a descoberta do corpo do parceiro. Se fortalecer sua coragem e seu atrevimento, poderá abrir a porta e descerrar este véu que a afasta do universo de sensações e de prazeres. E hora de romper com seus bloqueios, vergonhas, preconceitos.

Reflita. Bye.

terça-feira, 25 de maio de 2010

COLISÃO


  
CH 74                 
Essa noite tive muitos sonhos negativos e creio que, exatamente por isso, não consigo lembrar direito. Vou chamá-los de sensações, pois não lembro o começo e nem o desfecho, apenas um entremeio vago.

Primeira sensação: eu estava dentro de um carro que, ao ser retirado da garagem, foi batido por outro carro e empresado contra um caminhão. Fiquei num espaço muito apertado na direita traseira e, agoniada, queria sair rápido dali, mas alguém me disse que não era para sair, pois o pior já acontecera e o perigo já passara. Eu estava muito assustada e essa pessoa dizia que sair correndo desesperada e sem rumo seria em vão, mas todos os meus impulsos eram para agir em fuga e seria o que faria se não sentisse autoridade e confiança (cujo meu medo quase se fazia maior) por parte da pessoa que me falava. De todo modo, apesar da hesitação, não sei se fiquei ou não.

O SONHO

Vou chamar meus comentários de impressão, a expressão de minhas sensações:

Colisão -colidir, ir de encontro, abalar.

O nível elevado de tensão do sonho anterior se mostra mais uma vez neste sonho. O conflito (batida), pressão elevada a que está submetida (por exigência externa ou severidade das cobranças pessoais). Sonhos de batida, trombadas espelham esses conflitos e tensões e manifestam as angústias ou depressões mascaradas.

No sonho aparece o conflito a conturbação e sua resposta de fuga. Possivelmente sua necessidade de fuga seja a resposta que desenvolveu para lidar com o nível de conturbação que você se induz.

Você se conturba... Atormenta-se e... Foge (para as suas fantasias).

Neste momento a psique lhe indica que é necessário interromper este ciclo, parar de se induzir ao tormento que justifiquem comportamento de SCAPE, de fuga da realidade.

Outro as aspecto é que o cenário atual exige-lhe mais do que vem sendo capaz de suportar, o que aumenta a sua demanda para escapes.

Pode haver referência à sua condição de dependente, O carro foi retirado da garagem – sujeito indeterminado - sua condição de dependência é situação que exerce um aumento de pressão e aumenta a complexidade de sua vida.



OBSERVAÇÕES TEÓRICAS

A psique possui mecanismos que nos protegem de estados de desordem. Temos um limiar de resistência que nos protege dos impactos da realidade sobre nós. À medida que esses impactos aumentam sua pressão, nosso limiar de resistência aumenta para resistir e proteger o sistema dentro de um determinado nível de segurança para manutenção do equilíbrio.

O sistema sofre dois tipos de pressão:

1. Interno - originário da consciência, de núcleos compulsivos que acionamos ou mobilizamos, de núcleos autônomos que invadem a cãmara do pensamento;

2. Externo. – originários no meio externo, fatos e exigências de realidade e de fontes diversas.

O Mecanismo de adaptação biopsicofísico, detecta a necessidade de aumento do limiar de resistência, mas não detecta a origem, interna ou externa, da pressão. Possivelmente por que para a psiquê essa diferença não exista de forma fenomenológica, ou não haja a possibilidade de diferenciação entre o que é interno ou externo ao organismo. Outra possibilidade é que a consciência seja considerada um produto externo, um conteúdo em princípio Invasor e não uma aquisição superior.

Como dizia, como não há detecção da origem da pressão, a psique que possui o comando geral do organismo aumenta o limiar de resistência e altera as configurações de detecção de descompensações biofísicas, produz consequentemente, num ciclo vicioso, aumento dos níveis de tensão interna. Neste aspecto as mudanças também alteram os ciclos biofísicos aumentam o desconforto físico, quando alteram ciclos hormonais, e ampliam sensações que promovem desconforto corporal.

Como se a psique fosse ficando encantoada.

O resultado? Aumento das angustias, da ansiedade, de alterações dos ciclos biológicos e do desconforto psíquico, que podem aparecer nos sonhos como uma forma da psique tentar compensar o equilíbrio espelhando sua vivência. Funciona como uma forma dela se regularizar anunciando o seu desconforto.

Por isso a forma como conduzimos a nossa consciência é determinante para não ser gerador de aumento dos desequilíbrios internos. Mesmo que o cenário externo seja de tranquilidade a consciência conturbada pode sinalizar para a psiquê um cenário de ameaça, e a psique reage em estado de alarme, aumentando seu limiar de resistência frente ao impacto da pressão que sofre da consciência conturbada.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

FRAGMENTOS


CH 73 Fragmentos


Os sonhos seguintes me pareceram confusos. Lembro de cinco partes cuja ordem não sei se está correta:

Na primeira, eu estava andando no meio de um local florido, parecia uma praça, quando houve um tiroteio entre bandidos e policiais. Eu saí apressada tentando me esconder.

Nível elevado de tensão, conflitos, ansiedade, angustia, conturbação, tormento. Momento de proximidade ao perigo. Parece que em momentos de tensão elevada você sonha com bandidos e tiroteios. Angústias? Cenário de realidade ameaçadora? A praça simboliza a configuração mandálica ordenada... Flores indicam polarização para equilibrar a tensão representada pelo conflito entre a transgressão e a repressão pelos mecanismos referenciais de sociabilidade, defesa, princípios morais e éticos. Tendências de transgressão e repressão de desejos, e a psique equilibrando o conflito.

Na segunda, eu estava junto de uma turma que ia viajar e fui chamada para assinar um papel. Parece que a viagem um tanto surpresa tinha sido paga junto com o boleto de pagamento da faculdade. Perguntei para quando ia ser a mesma e a moça informou-me que seria na próxima semana. Era uma viagem internacional e além de ansiosa eu fiquei bastante feliz.

Viajar, neste caso compensa a tensão elevada, novamente aparece a ansiedade como indicativo dos limites corporais e a necessidade de fuga do cenário de tensão para compensar a tensão. Há polarização.

Na terceira, eu andava por uma espécie de bosque com um senhor (era o ator Stênio Garcia com seus 78 anos) e uma jovem, quando eu disse que tinha direito a ter uma segunda chance. A mulher não era muito de acordo, mas o senhor sim. Depois eu já estava com os dois dentro de um shopping. A mulher circulava entre as prateleiras olhando uma galeria enorme de roupas de frio e bolsas, e eu a seguia admirada com a quantidade e variedade de tudo, embora desinteressada de fazer compras. Ele andava tendo a cabeça deitada em meu ombro e, pela idade, eu o sentia como se ele fosse meu pai, mesmo que a aparência fosse diferente. Houve um momento que ele cheirou meu pescoço e eu perguntei se ele gostava do meu perfume. Ele disse que sim e continuamos andando. Num momento seguinte ele já não era um senhor idoso, mas sim um homem, e meu marido. A mulher tinha se transformado numa criança que ao cair chorou e foi acudida pelo pai, ou seja, meu marido.

Reaparece seu foco voltado para conflitos que envolvem seus direitos individuais e seu papel de vítima, seja por manipulação ou senso de justiça. Conflito, tensão, disputa, competição, defesa. As compras podem aparecer em variantes:

Compulsão de comprar para compensar a ansiedade; diminuir a tensão; preencher o vazio decorrência da angústia gerada pelo conflito que produz a tensão; conquistar e incorporar objetos que compensem a solidão, etc.

A transformação do ator em pai compensa a necessidade de proteção nos momentos de perigo. Isto pode indicar sua facilidade de se relacionar com homens mais velhos, já que satisfazem sua demanda por segurança, ou por referencias de proteção. Neste caso você busca um pai não um homem, daí a confusão de um pai marido para viver a sua vivência edípica. Tem-se que considerar o papel de ator representado pela figura masculina, Um Camaleão que assume formas diversas, característica do oportunismo de representar aquilo que lhe interessa, de pensar aquilo que lhe interessa.
A ação do pai socorrendo a criança pode ser projeção de sua necessidade de ser acudida.

Na quarta, estava eu com minha irmã e uma criança de três anos idêntica a mim em tal idade. Nisso passou um pensamento repentino pela minha cabeça e eu disse para minha irmã que eu não podia ser filha de uma criança de três anos. A menina se aborreceu e vendo-a prestes a chorar, peguei-a no colo, falando que eu estava apenas brincando ao dizer aquilo, acalmei-a e levei-a para dormir. Em seguida voltei para continuar o assunto com minha irmã. Estava intrigada pensando em como descobrir quem seriam os meus pais. Entretanto, eu não tinha ponto de partida. Minha irmã disse que era para eu fazer o exame e verificar se a mãe dela não seria a minha mãe. No sonho era como se minha irmã e mãe fossem apenas duas conhecidas. Daí ela completou a fala dizendo que o difícil seria descobrir o pai, já que sua mãe tivera muitos homens durante o decorrer da vida.

Veja que existe confusão conceitual e, possivelmente, de identidade. Conturbação mental.

A NEUROSE SE JUSTIFICA,

Para manobrar e manipular o meio, a si mesma ou às pessoas. O neurótico cai na armadilha de justificar as ações que lhe interessam, de realizar o que lhe é oportuno e que satisfaça seus desejos e não percebe que engana apenas a si mesmo, perdendo referências conceituais, se perdendo em códigos básicos, e referências sociais, familiares, de relações afetivas. A armadilha de se lançar em confusão se acreditando mais.

Internamente você ganha consciência, põe luz na escuridão, mas tudo isso é apenas o principio de uma caminhada.

Na quinta eu estava com uma jovem que tirou seu bebê no carrinho para amamentar. Ele ainda dormia, mas aceitou o alimento. Depois ela o colocou em pé para arrotar e, estranhando que ela não o segurasse, fiquei apoiando-me atrás para ele não cair.

Culpa e necessidade de se proteger da vida, insegurança, falta de confiança, domínio e controle excessivo. As recorrências de relações maternais se fazem permanentes, e me faltam, informações para associações seguras sobre a dinâmica de inconsciente no presente momento. O que a leva a uma reflexão sobre seus conceitos nas relações afetivas, familiares, como filha, como mãe simbólica, ou como futura Mãe. Reflita sobre esses conteúdos em tua vida. Como já lhe disse, há limites nesta leitura.

Que sonhos bizarros! Qual o sentido deles?

Arrisquei-me a apontar significâncias nestes fragmentos, mas são simples observações já que em dinâmica de reorganização do inconsciente até a leitura deve ser paciente e cautelosa à espera de melhores momentos. Sonhos como os fragmentos acima precisam ser olhados com paciência, cuidado, delicadeza e atenção.

Para mim eles apontam para um momento específico de reconfiguração psíquica. Ou seja de ordenação psíquica, ou de transição e passagem de um estado para um novo momento psíquico.

Necessariamente não posso considerar bizarros sonhos, ainda que os sejam indecifráveis ou se mostrem impenetráveis e sem sentido. Prefiro pensar na minha incapacidade ou incompetência em compreendê-los.

Por exemplo: seus sonhos anteriores foram, para mim, absolutamente lúcidos e claros. Se no momento seguinte não o são, é preciso compreender que eles são resultantes da dinâmica de sua vida, de suas escolhas, de sua realidade, aquela que te cerca e que te envolve emocionalmente, afetivamente como filha, como família, socialmente, nas escolhas de trabalho, de convívio social, nos sonhos que quer realizar, nas expectativas pessoais.

A Vida é Insólita e possivelmente sejamos, todos nós, bizarros, mas sonhos são apenas um movimento da alma em busca de luz e de consciência, quando envolta na bruma nebulosa da noite de nossas vidas.



terça-feira, 4 de maio de 2010

UMA FACE



CH 59

Segundo sonho - Tem recorrência com festa e espíritos, mas num contexto muito diferente. Eu estava sentada numa quina de muro a desenhar. Comigo estavam três espíritos (assim eu identifiquei inicialmente): uma mulher branca, um menino negro e o terceiro não recordo como era. Agora não lembro dos detalhes, mas sei que eles eram parentes da mulher dona daquela casa que estava dando aquela festa muito chique. Todos os três espíritos enquanto vivos haviam sido mortos por essa mulher a troco de interesses escusos. No sonho eu sabia da saga melhor, mas agora tudo é meio vago. Sei que a mulher branca ficou comigo e os outros dois adentraram na festa. Eu me sentia uma discriminada, rechaçada, desprezada. Eu me sentia uma insana, mas que tinha sanidade. Por vezes eu me sentia negra e não parecia ser eu com a minha atual aparência. Fiquei pensando no que estariam fazendo os outros dois espíritos lá dentro da casa. Eles não estavam ali para se divertirem e imaginei na hipótese deles se empolgarem com a festa e me esquecerem ali largada. Nisso a mulher da festa veio conversar comigo. Por certo ela foi influenciada pelos dois espíritos que haviam ido lá dentro. Eu sabia que ela era muito perigosa. Sentia medo, mas estava livre de julgamentos, pois fazia da humildade a minha força. Não recordo bem o inicio da conversa, mas sei que, ainda sentada no chão, encostei a cabeça no joelho dela e humildemente desabei a chorar e dizer que estava muito triste. Eu estava triste com ela, mas não cheguei a ser tão direta de início. Eu não tinha pretensão de convencê-la ou sensibilizá-la, queria apenas desabafar o que sentia com tanta força dentro de mim e dar a ela a oportunidade de se arrepender. Interiormente eu sentia que estava agindo por influencia espiritual da mulher que estava comigo. Era como se fosse ela quem estivesse chorando através de mim. Eu comecei a falar não lembro o quê e a mulher foi ficando histérica. Apesar de sentir medo eu parecia confiante. Embora ela tentasse não demonstrar sua ira, eu fui sentindo seus olhos ficarem agitados e sua mudança ficou nítida para mim. Percebi que corria perigo e quando ela fez venha de me matar na explosão de seus ímpetos instintivos de autoproteção, eu disse o nome dos três espíritos. Extremamente agitada pelo peso da própria culpa maligna que ninguém podia descobrir, ela começou a sentir-se sufocada e a ter um ataque dos nervos que a fez desmaiar (ou morrer, não sei). Eu sentia que todos da casa e conseqüentemente da festa me discriminavam como se eu fosse uma negra, mendiga ou louca, como se eu fosse a vilã mais repugnante do mundo, mas naquele momento isso não me importou, pois independente do que eu fosse, ainda assim eu tinha uma força poderosa dentro de mim que me protegia. Eu tinha a influência espiritual que não era mal, mas que buscava justiça, que queria esclarecer os fatos.
Na seqüência eu fui buscar ajuda e deixei o corpo da jovem, ou seja, em tal momento eu era o espírito. Não era meu próprio espírito desprendido do corpo, de forma que depois de acordar não entendi a cena. No interior da casa donde a festa acontecia, pedi socorro dizendo que houvera ocorrido um mal entendido fora da casa e duas pessoas precisavam de ajuda, mas ninguém me escutava. Eu não me sentia mal por ninguém me escutar, mas por não estar conseguindo a ajuda que tinha de ser urgente. Fui gritando até que um homem, provavelmente o marido dela, sentiu vontade de ir atrás da mesma. O outro homem que conversava com ele foi junto segurando seu copo de bebida. Eu acompanhei. Os dois homens ao ver que algo houvera acontecido foram socorrê-la imediatamente enquanto a jovem (que até então pensava ser eu) tremia rocha de frio encolhida e embrulhada numa coberta fina. Ela também estava muito mal a ponto de morrer, mas ninguém se preocupou com ela. Então me aproximei e acalentando-a senti que tudo ia ficar bem.
Nisso acordei assustada. Foi um sonho dramático, pesado, intrigante. A cena da mulher desprezada chorar humildemente prestes a falar de suas dores sentimentais para a dona da casa, a qual por um momento fez lembrar-me de minha irmã, parece refletir meu medo de ser injustiçada e agredida de uma maneira geral pelas pessoas incompreensíveis. De toda forma eu não compreendo o resto. Eu era uma espécie de médium e depois eu parecia ser apenas um espírito. Seria eu em verdade um pouco de cada personagem, inclusive da mulher que era dona da casa? O que tal sonho pode significar?


A OUTRA FACE



Para Jung os espíritos vistos pela ótica da psicologia “seriam complexos autônomos inconscientes que aparecem como projeções porque não estão associados ao ego” (CW9i, p285), para ele as intervenções dos chamados espíritos parecem corresponder a necessidades de ampliação da consciência. Para ele as aparições de espíritos evidenciam a existência de um nível elevado de tensão entre os mundos materiais e imateriais, fenômenos que existem na fronteira destes mundos e que querem aflorar e ganhar existência.

Ainda em Jung, para ele, sonhos e visões são um dos fenômenos de grande importância e evidência da existência de um reino diferente do reino material e corpóreo, seja relatado pelos primitivos ou pelo homem ocidental. Ele se usava do termo “espírito” para referir-se ao aspecto não material de uma pessoa viva (Intento, Pensamentos,) bem como a um ser incorpóreo desligado do corpo (fantasma, sombra, espectro, alma ancestral). Concebe o espírito como o oposto da matéria, conteúdo que não pode ser descrito ou definido, infinito. Sem forma, aflora sem controle ou solicitação e provoca uma resposta afetiva positiva ou negativa. Sua obra sobre os fundamentos psicológicos da crença do homem em espíritos chamava a atenção para a necessidade humana de um relacionamento consciente com o “Espírito”.

Recorro a alguns conceitos de Jung para indicar minha identidade com sua cosmovisão, ainda que hoje possamos ter uma compreensão mais completa desta relação do homem com o seu mundo, universo externo e interno. E esta imagem de um “Espírito” que sobrevive em todos simboliza um evento de conexão do indivíduo com o universo. Não precisamos entrar em nenhum conceito religioso, de qualquer lugar ou de qualquer tempo, para sabermos que, como seres vivos, participamos de uma rede universal conectada, interligados. Portanto não somos ilha, fragmentos de vida, esquizo fragmentos, e possuímos mecanismos que nos mantêm, como estrutura micro universal, unidos ao “Grande Espírito Santo do Universo”, ou como se queira nominar. Visto isto...

No sonho há confronto, compensação e catarse. Mas mais importante, vejo dois fenômenos singulares que merecem referência:

1. Você se defronta com a mulher maligna, sua sombra, agressiva, irritada, atacada, nervosa, histérica, possessa, possuída, agitada, impulsiva, descontrolada, e com a humildade necessária, independente do medo, enfrenta o embate e derruba o Dragão;

2. Você busca socorro para seu lado que sucumbe, por compaixão.

O sonho retrada a sequência de sua jornada. É preciso descer ao fundo do mundo das sombras para enfrentar nossos próprios demônios, criados e relevados por nossos ancestrais, revelado para nós em vida para que superemos aquilo que eles não deram contra de superar. Neste caso os espíritos funcionam para lhe servir, pra ir buscar, aonde você não tem acesso, aquilo com que você precisa se defrontar. Você só consegue entrar naquele espaço que não tinha acesso quando a compaixão a faz superar suas dificuldades, sua inferioridade.

Seu choro é catártico e ocorre em decorrência da bipolarização energética no contato com as forças de inconsciente. Isto é fenomenal. Estou pensando no mecanismo que o inconsciente nos mostra neste momento. Você é levada a um condição de tensa, o choro, que prepara-a e a coloca em um nível vibracional ajustável para que possa sintonizar uma vibração específica do corpo etéreo, psíquico,que a leve ao encontro com conteúdos de inconsciente sem que sucumba à força destes conteúdos, em decorrência de desajuste de sintonia e que permite à construção o inconsciente não se dissolver frente à força da tensão em que funciona psiquicamente. Fantástico!

E tudo isso para permitir este encontro entre você e conteúdos de origem inconsciente que estão em fase de transformação em decorrência de mudanças de estados da consciência na sua relação com o mundo, que provoca um reajuste de conteúdos arquetípicos ou ancestrais em metamorfose.

É relevante a força espiritual e a busca de justiça. É necessário rever conceitos e não se esquecer de que é preciso ter compaixão, mas também é preciso aprender a aceitar o destino do mundo sem sucumbir por excesso de compaixão.

Preste atenção: não tenho dúvida da dramaticidade e da força de um sonho desta magnitude, Mas você superou a primeira batalha, isto significa que se o conteúdo foi dissolvido você o integrou. Se não o foi, novos encontros ocorrerão. Mantenha-se firme no seu propósito e mudanças. Transforme seu lado sombrio em iluminado, e para fazermos isso precisamos nos armar de humildade e coragem e olhar no espelho aquilo que renegamos, o que somos.

Por hora... relaxe.



Bye.

sábado, 1 de maio de 2010

O GRAN CANYON E O BREJO

Aquarela de Antoine de Saint-Exupéry
do livro "O Pequeno Principe"
CH57


“O amadurecer parece mais difícil do que imaginava a princípio.
 Essa noite sonhei que estava num local que identifiquei como cânion, mas ele era diferente, pois ao invés de ter pedras rochosas, todo o terreno era de barro. A parte baixa formava um brejal com valas fundas donde havia extensa e natural plantação de um bananal, mas era uma espécie de banana cujo pé não crescia muito e cujas folhas reluziam como se tivesse uma camada de verniz. Embora fosse um local turístico famoso, eu não gostei do mesmo e pensei comigo que se o terreno fosse meu, mandaria um trator acertar todo o solo e depois mandava replantar as bananeiras. Achei perigoso a permanência das pessoas naquele local. Alguém comentou comigo que só era possível estar ali na época da seca, pois somente em tal época a terra ficava compacta e sólida permitindo a caminhada naquela parte superior. Quando voltei para o hotel havia um beija-flor perto da porta do quarto e ele pousou na minha mão. Quis tirar uma foto dele e o levei para dentro do quarto, mas quando fui tirar a foto ele se transformou em um gato e então reparei que havia uma ninhada de gatinhos dentro de uma caixa bem ali perto. Encantada tirei várias fotos deles.

Outra vez volto a sonhar com bananeiras e gatos, essa repetição é sinal de que ainda não estabeleci progressos?”

A coisa parece mas não é tão simples. Vivemos em um universo em dinâmica de expansão, mas que sofre uma força da retração. Evoluímos enquanto forças em sentido contrário atuam e intervêm nessa expansão, ou regredimos enquanto forças atuam nos empurrando para a expansão, para o futuro. E nós? Bem... seguimos tentando escapar enquanto vivos, mantendo a saúde mental, para não sermos devastados ou devorados pelo devorador de almas: o tempo.

No sonho anterior abordamos a natureza da transição e do espaço e agora surge o beija-flor se metamorfoseado em gato. Nos sonhos os pássaros surgem como símbolos da personalidade do sonhador. Neste caso vemos uma representação de sua ambivalência como beija-flor e ninho de gatos. O pássaro mediador entre o céu e a terra, frágil, que paira no ar como quem resiste à força gravidade (lembra o sonho anterior?), mas que se metamorfoseia no gato animal tinhoso, seu preferido, dissimulado, egoísta do tipo que mantém relações por oportunismo, ainda que sejam ternos, mansos e escorregadios.

O gato é um predador. É felino. Não é um tigre, mas tem suas qualidades como caçador de primeira grandeza. No budismo o gato é aquele que não se comoveu com a morte do Buda (falta de afeto ou sabedoria de não envolvimento?). Na Cabala como no budismo é associado à serpente é indica o pecado, o abuso dos bens neste mundo.

“O Buda faz da Bananeira o símbolo da fragilidade, da instabilidade das coisas e que não merecem por conta disso absorver o interesse... “as construções mentais assemelham-se a uma bananeira”. É o símbolo da impermanência e da imprevisibilidade da vida.” Trecho de leitura anterior.

Se os abismos representam estados da existência sem forma definidas, o fundo sem fundo, lado das sombras, evocando o inconsciente, para Jung ele surge como uma indicação de uma natureza interior a ser explorada, para ser iluminada e conhecida. Uma aventura de libertação da alma para afastá-la de seus fantasmas, de suas sombras.

Nada mais natural que sua natureza seja de barro, de onde surgimos moldados do barro das origens divinas. Dei-lhe essas referências para que possa entender minha percepção:

Se este cânion é representação de seu inconsciente sua ação é uma tentativa de reconfigurá-lo,

“se o terreno fosse meu, mandaria um trator acertar todo o solo e depois mandava replantar as bananeiras.”

Eis a mão humana cumprindo o seu dever, realizando o que veio realizar, aprimorar aquilo que é aprimorável, mudar o moldável, iluminar as sombras, plantar para colher o frutificado.

Há bom senso na indicação de cautela com o terreno. É necessário cautela ao investigar, ao explorar, ao descobrir o desconhecido. Quando o solo não é firme, anda-se sobre terreno pantanoso, brejo, perigo, inconsistência, instabilidade. O terreno seco e firme é sólido e seguro. Se você em sonho andava em terreno sólido e seco e compacto a indicação é de que o caminho é um bom caminho de investigação. No fundo desconhecido a necessária cautela, no nível superior o terreno compacto de acesso aos níveis mais inacessíveis.

E aí, na volta o encontro com o beija flor e sua metamorfose em gato. Mas ele pousa na sua mão. Teu espírito tua alma pousa na tua mão, seu sopro de vida. De imediato, pensei na metamorfose, mas há um detalhe: O espírito a gente não fotografa, é inacessível ao registro posto que sutil, fugidio e sopro divino. Nem sua esperteza de querer fotografar foi tão veloz, já que consegue apenas registrar-se no espelho da lente transparente. Você sem o saber mergulha numa viagem às profundezas de sua alma, numa jornada Mítica e espiritual.

Lidar com o sagrado é assim, enquanto somos puxados para o acesso imediato na superficialidade e da materialidade, somos como que obnublados  da dimensão sagrada que vivemos e não conseguimos detectar as placas indicativas de nossa existência excepcional. Somos como prisioneiros de nossas ilusões e do que vemos fora de nós, e ficamos extasiados vendo afogados em êxtase girando ao redor de seus umbigos adornados de Ouro e riquezas, e deixamos de "ver" o essencial.
Bem o disse

 Antoine Exupéry em “O Pequeno Príncipe”:

“-Adeus – disse a raposa-
Eis o meu segredo.
É muito simples:
só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos.”

Eu acrescento:

O essencial é visível ao Olhar. Mas precisamos buscar esse essencial e direcionar o Olhar.

E aí?... Será que não estabeleceu progressos?

Bye.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SIMBIOSE



               
CH55

Segundo: Eu tinha um menino no colo e sua mãe à minha frente. O menino chorava, pois sua mãe o culpava indiretamente da morte de seu irmão mais velho, mas era claro para mim que o menino não tinha culpa nenhuma. Não lembro dos detalhes direito. Eu sabia que ela dizia aquilo sem de fato o querer dizer, como se fosse apenas uma reação explosiva de seu nervosismo. Com muito carinho eu lhe dizia enxugando-lhe as lágrimas e acariciando seu rosto, para que ele não ficasse com raiva de sua mãe e nem desse importância ao que ela dizia a ponto de ficar revoltado ou triste com a situação. Expliquei-lhe que ela ainda não havia se conformado com tal acontecido, que ela não soubera lidar emocionalmente com o fato e, nos momentos de tensão, descarregava nele dizendo um monte de tolices para se sentir menos culpada, para extravasar sua revolta e pesar da suposta perda. Eu estava ali para aliviar o mal, para confortar o menino e fazê-lo entender que não podia entrar no clima ignorante da mãe e aceitar aquela projeção de revolta, remorso e tristeza. A mãe escutava tudo calada e eu não me importava. Eu não dizia aquilo tentando mostrar a mãe a sua postura errada de agir para com o filho mais novo, pois eu também tinha compreensão para a dificuldade da mesma perante a morte do outro filho e queria passar isso para o menino que estava no meu colo de forma que ele se fortalecesse para entender a mãe em seus despautérios e ataques de culpa. Não cabia ao filho mudar a mãe, mas unicamente compreendê-la e ter-lhe piedade ao invez de raiva, revolta ou tristeza. Foi assim que eu participei e vivi tal cena. O que isso reflete de mim?

O que isto espelha? A realidade ambivalente de sentimentos em relação à sua mãe? A criança que vive em você chora essa amargura? Chora alguma culpa? E nasce em você uma atitude que busca compreensão para se libertar de sua visão critica à mãe?

O que me passa é dinâmica do processo, sinal de libertação! Diferenciação! Elaboração! Em duas vertentes:

  • Você se liberta de sentimentos, afetos projetados em sua mãe, advindos de uma relação simbiótica indissolúvel;
  • Você se liberta da criança ressentida, carente e sofrida que vive em você.
Podemos pensar que mudanças de consciência, ou da luz jogada em conteúdos que antes eram ignorados, indicam uma construção, e objetivação dessa realidade antes diferenciada e que agora se mostra em forma projetada.

Outro aspecto é a possibilidade de sonho catártico e compensador. Frente a uma elevação de seu nível de tensão a psiquê lhe favorece:

A elaboração a partir da construção de imagens. Essas imagens já surgem como gestalt de conteúdos que antes eram fragmentados e que agora já formam um mosaico da integração destes fragmentos.

A catarse para reequilibrar sua tensão, criada e mobilizada na sua relação com a realidade Filha X Mãe.

Possivelmente, se a relação com a mãe é complexa, lhe envolve em uma tensão que tende a descompensá-la. Neste caso ela ainda mobiliza na criança em você uma tensão elevada, e reativa e significativamente neste momento surge um grande diferencial:

Uma jovem mulher mais amadurecida, mas postada, mais consistente que busca compreender a realidade da relação, desfavorável ou ainda indiferenciada, E que sente e identifica o impacto desta relação no seu humor e no seu equilíbrio emocional mas considera a verdade das responsabilidades tentando se desvencilhar de julgamento e culpas.

Neste caso os indícios são de que você começa a sentir os resultados de sua mudança de consciência, Já que a partir de sua compreensão, a consciência diferenciada começa a ordenar os conteúdos passionais e pulsionais, elaborando os sentimentos, administrando as emoções, superando a reatividade e reordenando conceitos que redefinem a sua relação Filha X Mãe.

É interessante, já que no final do sonho anterior este cenário havia sido mostrado na formação do triangulo Avó X Mãe X Filha e agora aparece no triangulo: Mãe X Filho X Filha, onde você já diferenciada aparece na vinculação como estranha. É quase uma reafirmação do mesmo triângulo relacional. E você realiza a vivência do idealizado superando os conteúdos formadores e geradores desta transferência negativa.

Em relação aos sentimentos projetados na mãe, é interessante saber se você cultua a ideia de que seu amadurecimento e libertação desperta na sua mãe um sentimento de perda da filha. Neste caso, este fato pode ser apenas uma justificativa para que você mantenha-se no vínculo simbiótico, na dependência, sob a barra da saia, ou o jogo realmente pode existir (em geral as mães exercem esse domínio fascínio sobre os filhos aprisionando-os em nome do sentimento sagrado da maternidade) o que caracteriza e define o seu aprisionamento.

Obs.: A imagem do post vem como ilustração desta realidade que pode se fazer trágica quando não conduzida com sabedoria afetiva e libertadora, o cordão umbilical simbolo magistral do nascimento mesmo cortado permanece materializado não evoluindo e se transmutando para a dimensão simbólica como afeto como amor. A mãe se assegura da manutenção dos vinculos de dependência e o filho se debate em águas tormentosas na busca da libertação, prouzindo desafetos, resistências, amores irrealizados.

AVANCE!

BYE

sábado, 17 de abril de 2010

CARÊNCIAS

  
CH50


No segundo sonho eu estava na casa de alguém sentada num sofá. Eu estava triste, parece que até escondendo ou segurando um choro, quando uma criança de óculos, provavelmente com uns três anos, veio me alentar. Primeiro era um menino com feições também tristes, mas depois já era uma menina loirinha sorridente.

Quando criança meus cabelos eram loiros e lisos, mas ficaram castanhos e cacheados com o passar do tempo. Entretanto eu só vim a necessitar de óculos na adolescência. A menina não era eu quando pequena, mas talvez ambos possam ser uma representação minha. Não lembro muito ao certo o que se passava.

Na seqüência, ainda no mesmo local, foi servido um banquete. Haviam duas enormes mesas rodeadas de pessoas comendo quando apareceram alguns mendigos pedindo comida. Não sei se alguém lhes negou ou como foi, mas num repente os mendigos começaram a invadir a mesa para pegar comida. Nisso um homem da outra mesa pareceu irritar-se e jogou no mendigo uma travessa de feijão. Começou uma guerra de comida e horrorizada com aquela cena, não querendo me sujar com aquela baderna, agachei-me num canto até que todos começaram a sair do local e, já por ultimo, fiz o mesmo. Parece que todos ficaram com medo dos mendigos e confesso que eu também, embora houvesse por trás outro tipo de medo: o de chegar na condição daqueles mendigos.

Achei interessante o contraste entre a fartura de comida (banquete) e a falta dela (mendigos). Sei que parece uma coisa absurda, mas um dos maiores medos que já tive e, cuja explicação não tenho para dar por nunca ter sofrido disso, é a possibilidade de passar fome e não ter onde morar, ou seja, me tornar uma mendiga. No sonho isso pareceu explicito no meio do contraste dos que têm muito com aqueles que nada têm, mas que violentamente agem na intenção de sobreviver. Os sonhos me pareceram reveladores por indicar que talvez eu ainda tenha problema com os dois tipos de contextos. Será isso? Que mensagem eles podem me passar?

Veja o insólito: Há fartura, há fome, mas as pessoas não saciam suas necessidades, elas jogam fora o alimento sagrado. Ter fome, ter o que comer, mas se submeter à força da irracionalidade, impulsividade, agressividade e à vingança. O insano permite que aflore a insanidade e desperdiça a chance de saciar a fome. A dele e a do outro. Assim são as respostas impulsivas. A perda do foco, a satisfação da necessidade, em função da competição.

Quando a competição é “sem Limites” o jogo deixa de ser jogo para se transformar numa “batalha”, perde-se a possibilidade de interação e leveza do momento para se produzir o confronto, a guerra.

Se perdermos o foco no que é essencial, abandonamos a referência do eixo da vida para orbitar o “no sense”. E qual é o eixo? O sentimento, a fome de afeto, a relação natural com o universo de emoções que nos envolvem.

“Eu estava triste, parece que até escondendo ou segurando um choro, quando uma criança de óculos, provavelmente com uns três anos, veio me alentar. Primeiro era um menino com feições também tristes, mas depois já era uma menina loirinha sorridente”.

Há uma tensão no ar, uma angústia mascarada, escondida, reprimida. Alguém que sofre calado, escondido, inseguro, abandonado (para receber alento de outra criança, o adulto é ausente). Há angústia no feminino e no masculino, a compensação surge na menina loirinha sorridente que reequilibra as polaridades. Neste aspecto o sonho expressa uma manifestação catártica que alivia a tensão. O quadro é redesenhado com a fome dos mendigos, a fome de comida (afeto) e a resposta reativa e agressiva do confronto. Nessa linha podemos pensar num comportamento reativo que expressa o descontentamento pela carência do afeto.

O afeto não alimentado não saciado se transforma no gesto impulsivo, agressivo e irracional. Quando o indivíduo não se sente compreendido em sua expectativa emocional, sua resposta tende à reatividade. A libertação do nó é a expressão autêntica do afeto, do sentimento, da necessidade. Não esconder o desejo ou a necessidade como em geral se faz, mas expressá-la, projetá-la no espaço.

Um detalhe é a incorporação do comportamento de vítima que envolve a situação. O incompreendido e carente faz o papel de vítima do mundo. O vitimizado. Assim pode responsabilizar o outro pela insatisfação de não ter suas necessidades satisfeitas, características dos indivíduos que se fazem passivos e submissos quando o que querem é submeter o outro aos caprichos dissimulados que orbitam a fantasia dos mal amados.

Grite sua fome, expresse suas necessidades, busque a satisfação dos seus desejos e principalmente, liberte-se de si mesma e das amarras que se impõe criando expectativas de fazer o mundo girar ao redor do seu umbigo. Quando fortalecemos nossa individualidade nos tornamos mais consistentes e abandonamos as necessidades que passamos a carregar e na infância perdida. A carência é o vazio que criamos quando projetamos no outro a satisfação de nossas necessidades. A ausência da carência é o resultado da consciência de sermos seremos únicos e singulares neste universo infinito.

A diferença entre os dois sonhos sequências são variações de um mesmo tema, de uma mesma necessidade.

           Bye.

sexta-feira, 5 de março de 2010

ORDENAÇÃO


 

Acabei de acordar de um sonho meio futurista e bastante pueril. Ele começou comigo dentro de um trem. Eu sabia que era trem, mas ele parecia um ônibus por dentro e também por não andar sobre trilhos, mas sim flutuando acima do chão. Ele tinha janelas enormes (que estavam fechadas) e andava incrivelmente rápido. A distancia entre as poltronas era muito pequena e, incrivelmente maravilhada com a visão que apontava do lado de fora enquanto o dia amanhecia (nesse momento andávamos sobre uma ponte imensamente alta), pedi ao casal dos bancos da frente para tirarem a inclinação dos assentos, pois eu estava me sentindo muito apertada. Achei divertido notar que eu estava falando inglês, mesmo que com certa dificuldade e tendo até de fazer mímica com as mãos para explicar melhor o que queria. Eles atenderam meu pedido e seguimos viagem. Nisso chegamos num local incrível, tipo um paraíso de outro planeta. Era um local muito limpo, com construções muito simétricas de mesmo tom e havia muitos carros todos amarelos que levantavam vôos e depois voltavam para o chão. O trem parou em frente uma praça redonda grande com um enorme chafariz no centro e vários bancos ao redor dele. Não havia muitas plantas, apenas algumas poucas árvores. Desci do trem com a turma. Estávamos muito empolgados com o lugar. Dando seqüência a rotatória da praça e seguindo reto na rua que surgia adiante, havia uma praça cujo letreiro grande numa construção de fundo dizia ‘Praça Colombo’ e abaixo outra escrita com o nome do edifício que não lembro qual era. A rua era bastante larga e tinha dos dois lados pequenos chafarizes próximos do chão que espirravam água amarela para cima. Tantas coisas amarelas me fascinavam e me perguntava por que alguém havia escolhido aquela cor para dar destaque em tudo. Era um lugar paradisíaco e nesse momento eu tive uma preocupação, precisava anotar o sonho. Daí eu me vi dormindo numa cama de casal entre lençóis de seda (nada a ver com minha caminha de solteiro) de uma casa elegante e enorme, dessas que é possível se perder dentro delas. Estava de dia e eu podia escutar minha filha (no sonho eu sabia que tinha uma filha) tocando piano no quarto dela junto com o irmão e um primo. Eu queria continuar o sonho anotando o mesmo enquanto dormia como se fosse uma sonâmbula, pois tinha certeza de que ia fazer uma excursão longa e incrível. Fiz a difícil tentativa. Comecei a escrever e voltei para o lugar do sonho tornando a dormir, ou seja, me vi no local do sonho escrevendo os pontos principais do mesmo com uma caneta amarela (fora do sonho ela não era amarela). Quis conferir se fora do sonho eu estava escrevendo também, mas quando retornei em mim mesma dormindo, notei que não tinha força suficiente para escrever fora e dentro do sonho ao mesmo tempo, ou seja, eu estava escrevendo apenas dentro dele. No meio da peleja acabei acordando de verdade. O que pode ser esse sonho tão diferente além de legal e tolo ao mesmo tempo?
Conflito é singularmente é uma bipolaridade, biotensão entre duas polaridades. Como já lhe disse o sonho é um mecanismo psíquico em que ele atualiza regulando as funções do organismo, em todas as naturezas, bio-psiquico ou bio-físico-quimico, ou mental, emocional e psicomotor.
O dia de vida pode parecer banal, mas você está se equilibrando em cima de um planeta que gira a uma velocidade de aproximadamente 30 km/segundo, 1800 km/minuto, 108.000 km/hora. Só para manter-se em equilíbrio o corpo faz um exercício excepcional de atualização de movimento, distensões, tensões, relaxamento. Se quiser fazer um exercício simples para verificar isso, fique em pé e feche os olhos e mantenha-se assim por alguns minutos e perceberás as atualizações de equilíbrio corporal.
À noite, em repouso, o trabalho de atualização se mantém. O corpo entre em baixa atividade, frequência, ritmos e inicia-se o processo de regulação dos comando cerebrais e psíquicos, e o os sonhos também funcionam para esta atualização.
Vejamos: O Trem é composição que anda no limite dos trilhos, em suspensão é paradoxo. Considere a representação simbólica, já que na realidade o domínio dos campos eletromagnéticos já nos permite considerar a elevação, suspensão do trem; Janelas grandes mas Fechadas; dificuldade de fala verbalização em inglês; Sonhar, abandono, e escrever, registrar realidade;  O que eu percebo são esses extremos. E o corpo no meio regulando o nível de tensão de acordo com a realidade que se lhe apresenta.
“O trem parou em frente uma praça redonda grande com um enorme chafariz no centro”.
            “Trem dos sonhos é a imagem da vida coletiva, da vida social, do destino que nos carregam, evoca o veículo da evolução que dificilmente tomamos na direção certa ou errada, ou que perdemos; simboliza uma evolução psíquica, uma tomada de consciência que prepara a uma nova vida”
Praça Redonda - A imagem é arquetípica e utilizada para realizar a restauração do equilíbrio psíquico, ordenação, reconfiguração ou mantê-la quando já existe. É uma representação Mandálica. A mandala é uma imagem do mundo, de ordenação do mundo, uma configuração espacial, representação e atualização das potencias divinas. É uma imagem psicagógica, o termo é grego e designa o guia da alma pelo melhor caminho. A mandala é também uma imagem Sintética e dinamogênica, que representa e tende a superar as oposições do múltiplo e do uno, do decomposto e do integrado, do diferenciado e do indiferenciado, do exterior e do interior, do difuso e do concentrado, do visível aparente ao invisível real, do espaço-temporal ao intemporal e extra espacial.
O amarelo é ctoniano, energia, solar  emerge do negro, rompe o espaço está no centro o universo, é cor do imperador e da iluminação.
Observe este sonhos eu apresento dois caminhos:
·         Entrada pela vertendo do símbolo;
·         Entrada pela repetição dos símbolos como mensagem.
O significado dos símbolos reforça o conceito de leitura da mensagem.  Quando se pensa que os sonhos podem apresentar dificuldades em sua elucidação, eu percebo que a intenção do inconsciente é uma busca permanente para se fazer entender, seja através do símbolos ou seja através da mensagem subjacente e intrínseca de ocorrências dos fatos, repetições. Existe uma mensagem intrínseca que supera o significado dos símbolos. Os símbolos podem servir para reforçar a leitura da mensagem, como referência de que a leitura não esta equivocada. 
                                               OK?  BYE.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ATERRISSANDO


   
Carlotinha  elaborando 

Não sou influenciável, mas sou flexível e
algumas vezes dou crédito à opinião alheia, uma vez que não a vejo como errada, mas simplesmente como dessemelhante da minha. Eu sinto muito por mim mesma, mas sem autocomiseração, se sou mais de esperar do que de agir. Sinto-me uma folha solta ao vento, acreditando que esse vento é um sopro divino e sabe mais do que eu a ponto de levar-me ao paraíso das folhas. Tudo é muito mutável, até mesmo meus próprios sonhos. Começo a avaliar os limites, se são sensatos e bem constituídos como você disse. Perante meus sentimentos sim, mas racionalmente pensando seria egoísmo de minha parte. Quem não respeita limites são criaturas desajustadas e claro que minha situação não chega a tanto, pois creio que se eu impusesse mais respeito e limites aos familiares, eles deixariam de ficar impondo o que desejam e julgam ser o melhor para minha vida. Acho que comigo os limites nunca foram bem constituídos. Eu sei respeitar os limites e as regras do direito alheio e entendo que não preciso me sentir culpada se o outro comete este erro, mas a verdade é que sou omissa, não me manifesto abertamente apresentando minha opinião e pontos de vista, pois sempre acho que não vale a pena e que o outro não terá a mesma compreensão que eu tenho para analisar as necessidades e decisões individuais. Quando avançamos para constituir nossa maturação, não podemos ser simplistas, precisamos ir às ultimas conseqüências do nosso comprometimento como disse, e é isso o que me falta. como escreveu, a referência é a verdade e o respeito integralmente. Eu admiro isso plenamente, mas não vivo isso na prática. Entendo que individualidade é se constituir independente em todos os aspectos, para se responsabilizar por si mesmo. Questiono-me até que ponto eu conseguiria ser responsável integralmente por mim mesma e não consigo encontrar resposta. Talvez daí a sensação de culpa: adoro me escorar em alguém e chamar isso de companheirismo alegando para mim mesma que tudo está certo para ambas as partes, mas talvez nunca chegue a estar de fato. Vejo que a diferença é simples: pessoas de individualidades formadas se complementam e agregam valores, enquanto que, se uma dessas ou ambas tiver a individualidade falha, o relacionamento será de dependências e cobranças. Eu sei compreender as diferenças, aceitá-las e respeitá-las. Até suporto conviver com elas diariamente, mas daí já não consigo criar vínculos com a pessoa que possui tais diferenças. Chamo isso de falta de afinidade e não me forço de modo algum a esse tipo de convivência. Inclusive ‘fujo’ das pessoas ‘não afins’ sem problema algum e me julgo bastante radical nesse ponto. Talvez devesse fazer diferente, mas acho que meu instinto sempre predomina nessas situações. Pensando bem, acho que teria de mudar muito em mim para chegar a uma individualidade completa e fortemente solidificada. Espero um dia conseguir isso!



 ADENDO: 

"Como nossa mente cria personagens que não existem na realidade e nos faz viver algo em sonho como se fossemos super íntimos e afins desses mesmos personagens? No sonho eu parecia ter encontrado minha alma gêmea de tão emocionante e bom que foi o desfecho final. Isso é só um sonho compensatório? O que faz os sonhos terem características de uma história infantil? Será que tudo isso tem algum sentido perante minha vivência?"


A construção é a possível e dentro das representações que a psiquê possui para montar suas imagens. Tentando clarear: O registro mental é Imagem e Código, a psiquê usa este registro construido por você para montar sua mensagem. O príncipe já foi idealizado por voce, a imagem árquetípica é adequada ao nosso tempo. Convenha que o inconsciente poderia até representar a imagem de um Príncipe de contos de fadas, ou um principe de alguma dinastia moderna, mas acredito que isto poderia designar a intensidade e profundidade da representação. No seu caso, a imagem é de homem e apenas o símbolo é idealizado: O príncipe; o "Brad"; Mas a indicação ainda não é profunda e fora da realidade, está associada ao seu processo de idealização e não a um quadro patológico já constituido. Por outro lado estes conteúdo são seus. São intimos de sua construção, suas fantasias ainda que evidenciem uma reconciliação. Veja: Voce poderia ter as fantasias no passado (e ainda tê-las), mas a relação com seus conteúdos masculinos era de Embate e Conflito, principalmente pela repressão exercida sobre esses conteúdos, ou pela reatividade aplicada por eles sobre você. Neste momento os sinais são de União, conciliação, andar junto.

Suas outras questões parece-me que ja foram respondidas. Bye

domingo, 10 de janeiro de 2010

O JULGAMENTO



Estou curiosa em saber mais do meu processo de transformação atraves de outro sonho que tive: Sonhei que minha irmã estava fazendo a cabeça de minha mãe contra mim sobre algo relacionado ao quintal. De tempos em tempos costumo ter algum pesadelo familiar desse tipo. O diferencial da realidade é que, na maioria dos sonhos, eu exponho o que penso e sinto, enfrentando os outros até mesmo com gritos quando meu nervosismo é grande. Nesse sonho nós estávamos dentro de um ônibus quando eu combati minha irmã com uma fala que todos que estavam dentro do veículo silenciaram e nos olharam, não porque eu houvesse gritado, mas por ter dito algo um tanto chocante. Eu havia dito ‘Quero ver quando ela – a mãe - ficar doente e alguém tiver de cuidar dela. Quem vai estar com ela nessa hora? Eu sei que tudo é dela, mas quem cuida sou eu, porque ela já está idosa – disse isso querendo mostrar que eu cumpria meus deveres e exigia meus direitos de ter ou fazer algo do meu agrado como uma troca justa. - Quem está morando com ela sou eu...’ e fui falando todas as minhas justificativas e argumentações. Conseqüente a essa discussão nós fomos parar num tribunal. Eu entrei pelo local e parecia ter permissão para adentrar em todas as salas. Depois de passar numa sala donde estava sendo feita uma reunião eu fui para a sala donde seria julgada. Estava super tranqüila e fiquei ainda mais quando o juiz cumprimentou-me num aperto de mão e disse que ia ser fácil deferir meu ponto de vista, trabalhar em tal causa e ficar a favor de uma mulher como eu. Agradeci-o enquanto ele beijava minha mão e em gesto de gratidão beijei a mão dele também. Não nos conhecíamos, mas fiz isso como se fossemos grandes amigos. Esse ponto do sonho também demonstra uma atitude que difere muito da realidade, tanto da parte do juiz quanto da minha em retribuir beijando-lhe a mão. Seria me desconhecer muito se tivesse tal tipo de atitude na vida real. Porque os sonhos apresentam esses contrastes de personalidade?
Na seqüência eu já estava numa sala donde íamos assistir a repetição de um filme infantil ou algo do gênero. Tirando as crianças, todos os demais eram casais, de forma que a única pessoa não acompanhada era eu. Achei aquilo estranho e fiquei meio que esperando, como se eu tivesse um acompanhante que ainda não estava ali e que de um momento para outro fosse chegar.
De repente apareceu um homem malvado e disse que queria a mulher que estivesse sozinha. Eu saí correndo e subi numa espécie de mirante de madeira ainda em construção. Eu pensei que o homem mal não fosse me encontrar ou conseguir chegar lá em cima, mas magicamente ele foi se aproximando e subindo na rampa feita com taboas de madeira. Nisso eu bravamente peguei uma comprida lasca de madeira e tentei empurrá-lo. Ele segurava uma espécie de lâmina de barbear e aquilo parecia um instrumento tão pequeno que não tive medo, mas quando ele encostou-a no pedaço de madeira, este se desintegrou como se estivesse podre. Entretanto, não sei ao certo se ele desequilibrou ou o quê aconteceu, mas logo em seguida ele caiu do local, o qual era alto o suficiente para fazê-lo desfalecer.

Se bem entendi, o sonho parece-me de compensação: A psique atualiza os mecanismos descompensados aplicando as atitudes que você precisa aplicar, desenvolver e não o faz. Como você não responde na realidade, em sonho sua falta de atitude é compensado com a presença de atitude.
O inconsciente vai mais longe e antecipa o seu julgamento e lhe dá mostras referenciais do acerto da atitude. Podemos considerar o “Juiz” como uma estrutura interna do psiquismo que atua como um interventor, autoridade referenciado em regras e leis. Este interventor lhe alivia a tensão é indica o acerto da atitude. Naturalmente se somos omissos pagamos o preço da omissão, mas se não somos omissos pagamos o preço de ter que nos responsabilizarmos por nossas atitudes. Não há escape. Se responder, paga. Se não responder também paga. A questão é: na omissão pagamos um preço que a princípio parece-me maior do que não sendo omisso. E porque? Sendo omissos, impedimos a dinâmica de equilíbrio no universo externo. Optamos por uma intervenção simplista não intervindo, evitamos o conflito que precisa ser solucionado. Pode-se até mesmo acreditar que o conflito poderá ser resolvido de forma mais fácil pela omissão, ou não aumentando o nível de tensão. Mas se assim fosse seria realmente mais fácil. Não o é. Quando se coloca pano quente no conflito, ele cresce como massa de pão. O conflito é fermentado. Estimula-se a prepotência alheia, a arrogância, a vaidade, o autoritarismo, o crescimento do monstro.
Ser omisso não é deixar  rolar para ver como é que  fica. Ser Omisso esconde uma ação: estimular o crescimento do conflito. O bonzinho, estimula o outro a se acreditar maior, não mostra-lhe que limites precisam ser considerados e respeitados. Naturalmente se optamos por não intervir, criamos internamente um  conflito. Então, além de aumentar o conflito externo ainda criamos um conflito interno, já que impedimos através da evitação que a dinâmica pudesse chegar a um ponto de solução.
Veja a equação: deixar de enfrentar um conflito pode significar aumentá-lo externamente e internamente. Enfrenta-lo é dar chance para que ele se realize cumprindo sua função.
A função do conflito é solucionar o desequilíbrio do sistema. Muitos podem pensar que o conflito é a geração do desequilíbrio. Para mim ele é a consequência de um desequilíbrio no cenário, nas relações, que já existe e que vem sendo evitado.

O beija mão parece-me manifestação do afeto. É claro que existe beijão mão de puxa saquismo, babação. Mas este me parece conciliação, entre masculino e feminino, conteúdos de super-ego e ego, e manifestação de afeto, expressão de afeto. Em principio a conciliação de afeto prenuncia a projeção amorosa no cenário externo. Que pode ser sinal de que seu crescimento pessoal favorecerá a afetividade, autenticidade, amorosidade em suas relações. Ser verdadeiro significa isso, a possibilidade de se expressar sem medo, de realizar seu INTENTO interno e pessoal.
E o homem malvado é uma consequência. O lado sombra precisa ser confrontado, encarado, transformado, iluminado, morto. Se o foco, anteriormente, era a solidão: A menina solitária e abandonada. Agora não pode mais ser isso, É necessário crescer para abandonar e superar as carências, o sofrimento, a dor. Este é o prêmio. Fortalecidos, abandonamos a autocomiseração e enfrentamos os desafios que são inerentes à jornada da vida. Conquistamos a LIBERDADE. Este é o seu desafio!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

CONFLITOS

...eu estava conversando com uma mulher ainda jovem que foi me procurar querendo um conselho. Ela estava grávida do marido, mas eles estavam brigando muito e ela havia se apaixonado pelo médico que estava fazendo seu pré-natal. Ela queria saber se trancava a faculdade, pois estava tendo muita dificuldade de conciliar os estudos com a gravidez. Disse-lhe que naquele momento sua prioridade era a saúde sua e do bebê, aconselhando-a assim a trancar a faculdade.
Depois eu já estava com um rapaz que gostava muito de mim e estava tentando me conquistar. No sonho estávamos juntos não como namorados, mas como amigos bem íntimos. Daí ele me levou para almoçar. Ele era dono de um local que se dividia em um restaurante, uma lan house e um supermercado nessa exata ordem. Ele me explicou que o estabelecimento todo recebia o nome de lan house exatamente porque esta era a menor parte entre o restaurante e o supermercado. Quem passasse por ali não imaginaria o enorme restaurante e supermercado que havia por trás da fachada de uma lan house que parecia gigantesca e, em verdade, era bem pequena.

Vamos ler o sonho:

• Você escuta e aconselha uma mulher grávida que vive um conflito com o marido enquanto sonha com o “príncipe” e apresenta dificuldades para fazer suas escolhas, entre o que a realidade exige dela (cuidar da gestação) e o que ela tem de projeto para realizar(completar os estudos);

• Você é conduzida por um “amigo” “intimo”, apaixonado, bem situado na realidade prática da vida, que lhe apresenta suas conquistas e seu poder de realização.

Este primeiro item mostra uma postura madura como conselheira, objetiva, sabendo priorizar, bem postada na realidade, o conflito subjacente entre a tendência a se deixar  levar pelas fantasias amorosas, o conflito com a figura masculina e a dificuldade de definir escolhas que podem lhe ser favoráveis.

A tônica do sonho é absolutamente consistente: Escolher o afeto ou se comprometer com escolhas objetivas dentro da realidade?

Na novela Caminho das Índias, um tema muito interessante foi o conceito da união no casamento indiano. Eles privilegiam a união a partir de interesses, deixando que o afeto nasça na convivência e na intimidade do casal, enquanto que os ocidentais privilegiam inicialmente o romance (pagam prá ver) para posteriormente cuidarem das questões práticas. Para o ocidental nada mais natural do que fazer escolhas cuja referência sejam emocionais, conuzios pelo encantamento, pela ilusão, pelas pulsões do desejo, pelo “amor”, pela paixão.

A realidade mostra que se deixar se levado pelo encantamento pode ser absolutamente inebriante. O que define a escolha é o poder do outro de nos levar numa viagem alucinante no universo das sensações. Até aí tudo bem. Mas em geral pode ficar mais difícil conciliar os interesses, já que as cobranças podem ser avassaladoras. Enquanto que relações construídas inicialmente em vínculos de amizade em geral permitem menos mistura, pouca transferência (paixão pelo médico), menos despersonalização, menos submissão, menos domínio.

Sabemos que príncipes podem se metamorfosear em Sapos e Sapos podem realmente serem sapos, mas têm a possibilidade de se transformarem em príncipes. Pensando bem, já vi muitos príncipes e princesas, no dia a dia, se desnudando e mostrando que não passam de grandes farsantes.

Esta reflexão me remete a outra: O que você procura na vida? Amar ou ser amada? A tendência é querermos os dois, mas isso é resultado do crescimento e amadurecimento dos envolvidos na relação. O discurso amoroso muitas vezes é enganador. O amor pelo outro pode ser apenas “o amor que sentimos pela nossa capacidade de amar” , e nos permitir sermos amados é um duro trabalho de aprendizagem.

Neste sonho vejo um avanço nas relações entre conteúdos de origem masculina e feminina. Em sonhos anteriores localizamos conflitos dessa natureza, mas parece-me que ocorreu diminuição dos conflitos e aproximação de naturezas opostas.  O movimento e a paixão do amigo por você, e a dinâmica de paixão da mulher pelo médico. ( Ambos sinalizam movimentos de vinculos e de proximidade). Isto é importante para que possa ocorrer a integração de conteúdos de natureza opostas.
Seria interessante voce observar se os sonhos de gravidez (recorrentes) ocorrem no seu período de maior fertilidade mensal, ou  se antecedem este  período. Se o antecedem podem, significar alerta na prática sexual, proteção para não cometer erros de estratégia, ou podem sinalizar desejos e realizar esta sua natureza materna e insegurança por conta de relações instaveis.