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sexta-feira, 7 de maio de 2010

CARÍCIAS E ÊXTASE

Beijos orgásticos
CH 61

A segunda lembrança que tenho é de estar aos beijos com um rapaz em um local público, mas não lembro exatamente que tipo de lugar era. Havia outros casais, eu estava bem tranqüila e segura de mim. Eu beijava-o apenas com os lábios de maneira lenta e longa conforme o gosto dele, mas procurava me satisfazer também. Houve um momento em que eu tentei um beijo de língua, mas ele demonstrou desagrado e respeitei-o buscando outras formas de agradar-me do beijo e realmente eu conseguia isso. Era como se estivéssemos descobrindo maneiras agradáveis de nos beijar dentro do gosto pessoal de ambos e, assim, usufruir o momento para troca de prazer. Eu não sentia existir laço de compromisso entre nós, ou seja, não existia afeto de forma mais profunda (creio que de ambas as partes). Interessante notar que eu me sentia favorecida por isso e até posso dizer que essa era a minha segurança maior. Parece contraditório dizer que sentia segurança por não haver compromisso ou amor, mas eu focava a existência de liberdade, respeito e nenhuma cobrança. Embora no sonho ele fosse um rapaz desimpedido, esses sentimentos me remetem aos relacionamentos que já tive com homens casados. Outro ponto interessante é que eu me sentia no domínio da situação, não no sentido de posse ou de autoridade sobre ele, mas no sentido de autonomia, de coragem para me satisfazer, de capacidade de autodesempenho sem medo de desagradar. Essa sensação me é falha na vida real, não só em questão de relacionamentos, mas com tudo em geral. Também notei que sendo mais ativa do que passiva eu me sentia na posição de homem, não de forma literal, mas de forma crítica ao que eu estava fazendo, ao meu comportamento. Claro que no sonho isso não me incomodou e nem deveria, mas na vida real eu não sou tão ativa e atuante assim. Sei que é besteira, principalmente no século atual, separar ativo para masculino e passivo para o feminino, mas na prática isso sempre me freou as atitudes. Raras foram às vezes que consegui tomar iniciativa perante uma figura masculina, independente da idade. Talvez isso até indique submissão, mas creio ser uma rigidez de postura passiva que joga a obrigação sobre o mais forte. É como se eu fosse antiquada por vontade ou, ao menos, por culpa própria.
Houve um momento em que tive orgasmo apenas com os beijos e senti-me estranha por ter provocado, permitido e sentido aquilo antes da hora. Nisso começou a pingar muito de um liquido azul da minha vagina como se fosse tinta bem escura. Só dava para notar que era azul quando a mesma caia no chão e esparramava. Fiquei muito assustada com aquilo pela anormalidade do fato. Questionava-me se teria feito algo errado para aquilo estar acontecendo comigo. Existia um sentimento de culpa, mas eu também pressupunha que apenas sentia aquilo por causa de crenças castradoras que existiam em mim. Em seqüência jorrou uma bola do mesmo liquido na cor vermelha e pensando ser sangue coagulado fiquei tranqüila pois, embora aquilo não fosse normal, ao menos sendo vermelho eu sabia que era sangue. Depois disso eu voltei ao normal e então acordei.
Confesso que fico chocada com sonhos desse tipo, pois são muito estranhos e não sei o que representam. Pode parecer um absurdo, mas acho que eu sou machista por natureza. Estive pensando como eu seria se fosse um homem. Creio que eu buscaria uma mulher exatamente como sou, ou seja, mais recatada, caseira, que gosta de trabalhos manuais e que aprecia a natureza. Não que eu quisesse ser homem, mas sinto que enquanto sendo mulher eu sou agravada por minhas próprias crenças antiquadas.
Será que o sonho representa que ainda estou na tentativa de reconciliação de anima X animus?
Em terceiro eu não lembro ao certo que local eu estava, mas havia várias pessoas. Comentei da gravidez que deu errado e um rapaz ao escutar interessou-se pelo assunto e curioso perguntou se eu tentara ter um filho que sofrera aborto espontâneo. Respondi que não e minha irmã me olhou com ar de reprovação. Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido. Entretanto não estava disposta a falar mais nada na presença de minha irmã e só completei dizendo que era uma longa história. Ele perguntou se algum dia eu poderia lhe contar e disse que sim, talvez num momento mais propício. O ar de reprovação da minha irmã sentenciava que eu não devia contar minúcias da minha vida a um desconhecido. Embora não concordasse por não ver malefício algum em contar sobre meu nascimento, preferi fazê-lo quando sentisse livre da presença dela. Talvez minha irmã não concordasse com a idéia que eu refletia sobre meu próprio nascimento, mas não senti que seu olhar repreensivo tenha sido por isso.
Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo. Tal sonho me soa como um absurdo, mas se sonhei com isso deve haver alguma mensagem válida. Qual seria?


CARÍCIAS E ÊXTASE II



êxtase no orgasmo
CH 61
A atitude pode, sem dúvida, chamar de Proativa. Você se assume no seu desejo, rompe com o tradicionalismo, o conservadorismo, o Modelo de mulher incorporado, por você, como o adequado, o valorizado, o idealizado, o aceitado pelos seus princípios e valores, e exercita a sua experiência pessoal de ser mulher, como individuo que se dá o direito de se descobrir na busca do que lhe dá prazer, satisfação dos seus desejos, fantasias.

Sua experimentação pode deixar-lhe desconcertada, pois rompe com o seu modelito clássico de mulher, qu funciona focada no prazer do homem, como objeto de prazer dele, para avançar na busca de carícias que lhe satisfaçam sua demanda afetiva.

Poderíamos por exemplo pensar em possível fixação oral, ou numa demanda oral que satisfação sua carência oral, sua relação de simbiose não completada e não finalizada. Mas pessoalmente pensão que numa analise de sonhos podemos utilizar a referencia conceitual apenas como referência de leitura e não mais que isso já que o conceito pode ser reelaborado a partir da satisfação da demanda.

Pouco pode significar para você se descobrir conceitualmente prisioneira de uma fixação oral em decorrência de uma oralidade não satisfeita na fase de vivência simbiótica com a mãe. Mas muito pode significar, para você, a vivência oral realizada no exercício da sexualidade adulta que lhe permita viver o não vivido e se libertar ou liberar energias aprisionadas na frustração naquele momento do passado.

Para essa liberação não basta apenas viver a sexualidade de forma plena ou na expectativa de que o outro satisfaça o seu desejo. É necessário que você parta em busca do seu prazer, siga a referência íntima de sua necessidade, dos seus desejos e de seus impulsos.

Isto pode parecer assustador e chocante, primeiro por que nos colocamos alinhados, ou sob o poder da força dos desejos, na satisfação dos desejos e em geral nem sabemos de onde vêm e onde eles podem nos levar. Mas a consciência nos guia, pois permite, nesta jornada do imponderável, exercitar-se dentro de princípios e limites de segurança e do bom senso. Não como coletivamente como na música de Milton Nascimento: “Sede de viver tudo...” vivido no passado por uma geração. É preciso se permitir proativa, descobrir seus desejos e o caminho de saciá-los, sem colocar no outro a responsabilidade de que ele faça-a feliz e realizada.

A sexualidade está no seu corpo, na sua energia e é preciso se conhecer, para que até dela possa se libertar ou transmutar, no tempo devido, essa energia e transcender de forma plena.

A sociedade já vem rompendo com os modelos puros de homem e mulher, nas atitudes, rompendo com os modelos de ativo para falus e passivo para vagis. Mulheres que se responsabilizam pela satisfação do prazer permitem aos homens que se façam passivos e objetos de prazer para no momento seguinte serem ativos e que, ainda, satisfaçam as mulheres que gostam da virilidade máscula, ou como foco e objeto do prazer masculino. Não há modelos pré-definidos como no passado de o homem como comedor e a mulher como objeto de conquista.

Seja Livre para buscar sua satisfação e cuide da sua felicidade ou fique esperando, na janela, que o príncipe encantado apareça e que não seja castrado.

O sonho compensa seus desejos e mostra-lhe o caminho que podes seguir para encontrar sua satisfação ou para satisfazer seus anseios. Você não tem que ser mulher assim, ou homem assado. Você precisa encontrar o seu caminho pessoal para ser feliz, é o seu direito e é o seu dever, consigo mesma. Você precisa refazer conceitos, e deixar que essa mulher que existe em você aflore e mostre a sua força, beleza e determinação.

Parece-me que carrega há anos essa ideia de flagelo e culpa. Rompa com esses preceitos incorporados sabe-se lá de quem. Você está viva. Se não era para ter nascido, nasceu! Já que nasceu, cumpra seu destino de viva e não seu destino de morta, seu destino de viver e não o de morrer. Existem questões que não nos cabe pelo absurdo e insólito que se mostram. Se você vive é graça de direito divino... VIVA!!! RELAXE e... GOZE. Pois assim que o tempo passar a Madalena se santificará.

Quanto a isso é necessário que reflita uma questão básica; Se você não abre espaço para realizar sua demanda pessoal, você entra em um RUSH energético que pode lhe provocar doenças orgânicas de todos os matizes possíveis, distúrbios e transtornos. Enfim, infelicidade. É difícil, mas carregamos um corpo animal que anseia realizar instintos básicos e administrá-lo definirá sua transcendência. Há quem acredite em flagelo libertador, no chicote, no sofrimento, na punição, no castigo. A escolha é sua.

Viver, é o digo sempre, não é uma festa. Exige-nos, permanentemente, no limite. Mesmo em cenários de orgasmos, abandono e lassidão. E não nos resta, em consciência, outra atitude senão atravessar esse melancólico vale de sofrimentos. Dependendo da forma como o atravessamos temos a chance de aplacar as dores e encontrar caminhos sublimes e suaves, como agradáveis manhãs primaveris e até alongar esses momentos como se nos blindássemos por méritos e conquistas nos confrontos e no dever cumprido.

Mas não se esqueça: Não faça sua vida mais difícil com tanta severidade, punição e perfeccionismo. Você é apenas uma mulher... simplesmente uma pessoa...