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sábado, 15 de maio de 2010

A DANÇA DO TEMPO II


CH 66


Sonhei que algumas pessoas me explicavam sobre o sono e numa de suas fases, exatamente a do sonho, o individuo era levado a um compartimento redondo com infinitas super dimensões que atraiam situações difíceis que visavam à superação, bem como situações fáceis e agradáveis que serviam de prêmio e conforto meritório perante as superações virtualmente adquiridas. Assim aquela câmara individual interagia com a pessoa que nela entrava para viver os fatos, os quais posteriormente poderiam ser vagamente lembrados em forma de sonhos. Explicaram-me que a função ali era ganhar tempo de superação e interagir com fatos benéficos ao desenvolvimento pessoal (mesmos que sob forma de pesadelos). Os fatos eram divididos em três categorias:

1. Os improváveis de ocorrer na realidade da pessoa;

2. Os prováveis de acontecer futuramente, fosse de forma parecida ou idêntica (este último ligado a pessoas com dons especiais de premonição); e

3. Os impossíveis de se tornarem reais (por irem além das leis físicas).

Seria como viver uma semana de condicionamento emocional e psíquico a cada noite bem interagida naquele compartimento. Ali o tempo se tornava elástico e as projeções multidimensionais vivenciadas eram completamente especificas a cada individuo. Ali era possível sentir dor sem estar de fato ferido, sentir frio sem de fato estar na neve, sentir a água sem de fato estar molhado, etc. mesmo podendo crer piamente estar ferido, na neve ou na água da chuva. A interatividade manipulava a pessoa de forma a fazê-la vivenciar o irreal como sobrenaturalmente real. O esquecimento do que se passava lá dentro ocorria pela grande quantidade de ‘vivência’ tida numa simultaneidade complexa de ser entendida, a qual exigia muita concentração no desenrolar dos fatos, fazendo os mesmos serem rapidamente armazenados após a automação irreal vivenciada, surgindo assim a dificuldade da lembrança consciente.

Sei que passei por muitos sonhos (vivências) dentro da tal câmera ou compartimento redondo e lembro vagamente o conteúdo dos sentimentos aflorados. Acho que a raiva (sensação de estar sendo afrontada) foi à emoção mais sentida, porém não lembro das experiências em si, apenas a última que veio como um desfecho:

eu estava numa esquina segurando um papel que continha a escrita de uma declaração de amor. Do outro lado da rua havia um local de música. Senti vontade de dançar, mas eu estava sozinha e pensei que os homens daquele local (provavelmente um bar dançante) deveriam estar bêbados e os sóbrios deveriam estar acompanhados. A minha melancolia misturou-se ao ambiente que era escuro com a leve penumbra de uma noite de luar. Nisso a cantora saiu na porta e vieram cinco homens com trajes sociais pretos e gravatas em tons de prata, dourado e cobre vindo em minha direção. Eram todos lindos e eu senti-me lisonjeada. Eles atravessaram a rua estando três à frente e dois atrás, andando com classe, ao ritmo da musica. Da mesma calçada donde eu estava, vieram mais dois homens no mesmo estilo. Não houve disputa como se todos soubessem que teriam sua chance de dançar comigo. O que chegou primeiro, por coincidência o mais belo de todos os sete incrivelmente belos, estendeu-me a mão com galanteria e imergidos em profunda magia começamos a dançar. Notei que ele não parecia bêbado, mas dançava de uma forma completamente diferente. Tentava acompanhá-lo e aprender aquele jeito novo e inédito para mim de dança de salão. Não senti constrangida e nem ele pareceu se atrapalhar ou ficar impaciente pelo fato de eu não conseguir seguir seus passos. Era como se nós sentíssemos extremamente honrados em dançar um com o outro, independente da dança em si. Os demais sorriam numa alegria contagiante como se estivessem aguardando cada um o seu momento de glória. Minha auto-estima parecia reluzir interiormente.

Ao fim de cada vivência o pessoal me passava uma espécie de relatório com meu desempenho ou a aprendizagem que eu devia captar, algo muitíssimo interessante.

Como só recordo dessa ultima vivência, a mensagem era: ‘Se você focar a diferença dos passos na dança dos relacionamentos, sentir-se-á inadequada e inferior, mas se souber relevar e aceitar isso (e o mesmo deve se dar por parte do outro), curtirá uma agradável dança, mesmo que cada um tenha seu modo conhecido e preferido de conduzir os passos. Muitos novos aprendizados são bons, mas não são obrigatórios, portanto, não os tema. Não se prive de estar a bailar por conta das diferenças, pois você pode surpreender-se com o que existe por trás das mesmas a lhe favorecer. Também não julgue todos separando entre bêbados ou acompanhados, pois a generalização apressada é sempre uma falsa indução. Sem dúvida, embora eu só recorde isso, acho que foi um dos sonhos mais maluco e maravilhoso que já experimentei de uma forma muito real e ao mesmo tempo conscientemente irreal.

Por que sonhei com isso?

A DANÇA DO TEMPO II


Fred e a gravata dourada, com Ginger

É uma excelente pergunta! Não sei se saberei responder o porquê, posso tentar, mas a mensagem está expressa, e isso é o que importa, essa é a riqueza do sonho. Sua psiquê lhe transmite uma mensagem como um input para que você se reeduque na forma de conduzir, de se relacionar com o mundo, consigo mesma e na forma de usar o filtro de seleção do interesse, suas defesas, resistências, e aprenda a responder de forma mais positiva ao que a vida lhe propõe e não na mesmice e no simplismo de sempre.

Diante de um sonho me coloco como um adolescente experimentando pela primeira vez a descoberta do amor. Para falar a verdade, tenho esta forma de lidar com a vida a cada dia, como um frescor que me predispõe, como uma experiência única, especial, que mesmo repetida nunca será a mesma, mas vivida de outra forma. É assim que estou me sentindo diante de seu sonho.

Alem da mensagem se mostra visível, e possível, outros conteúdos, e outros mais que pela significância, relevância e profundidade as limitações nos impedem tocar.

O sonho posso considerá-lo como um presente pela mensagem transmitida e por acrescentar e agregar saber sobre mecanismos, constituição de diálogo, e pela troca, retorno, ao mostrar a capacidade do inconsciente de interagir com o individuo, de construir um diálogo quando é considerado e respeitado.

Compartilho sua sensação de encanto, pois o percebo e recebo como feed back da dinâmica de seu inconsciente.

O sonho é construído em duas fases: a primeira lhe introduz numa dinâmica em que você se mostra suscetível e conduzível: sua curiosidade e seu interesse voltado para a descoberta do novo definem suas características de seleção e filtros de escolhas. Assim o inconsciente oferece mel para quem gosta de açúcar e carinho para quem demanda carência, carro para quem gosta de engenharia ou velocidade, e por aí. No seu caso parece-me que sua criticidade excessiva só enfraquece a sua resistência e defesa quando encontra o inusitado, o fantástico, o incrível. E a psiquê lhe oferece o fantástico para que sua resistência e defesas reduzidas possam permitir sua fixação de atenção, aumento da capacidade de memória e de fixação da memória, para que a segunda parte do sonho ocorra.

Ou seja, a primeira parte lhe prepara as condições biofísicas para que a segunda metade se realize dentro de condições que você esteja em condições de ser linkada e comunicada do intento do inconsciente.

O sonho pode ocorrer independente do sonhador, seja no processo de reajuste, alinhamento e atualização dos mecanismos biofísicos. Mas quando mudanças de atitude se fazem necessárias no seu comportamento, a partir de seu comando mental, você deixa de ser um objeto passível de mudanças para ser responsável pelos inputs que determinam essa mudança. Neste caso a psiquê precisa dialogar com você, lhe comunicar onde é necessário que você realize mudanças para que interrompa o processo de impedimento, desmobilização e boicote da psiquê na sua busca de transformação ou de realizar seu intento original, aquilo para o qual esta configurada a fazer.

O primeiro caminho que a psiquê utiliza são os sonhos. Quando esse caminho se mostra inviável por impedimento do diálogo, ocorrem as invasões no pensamento. Uma tentativa do inconsciente de interferir no seu comportamento independente da sua vontade, ou sobre o poder de sua vontade, isso ocorre com fluxos de pulsões de impulsos. Se o individuo continua se acreditando superior esta força impulsiva aumenta e invade com mais intensidade e determinação a consciência. E aí... Todo o tipo de desvios e de comportamentos podem aflorar, determinando novos estados de “equilíbrio” mental, de relação com o sujeito (interna) e na relação com o mundo.

Quando o individuo restabelece a conexão cosigo mesmo, abrindo espaço para compreender “o que é este interior”, seu “espírito”, sua “alma”, reabre o dialogo com seu fluxo interior, com essas forças desconhecidas e as invasões na Câmara do Pensamento e da Consciência diminuem reestabelecendo a construção do diálogo através dos sonhos.

Definitivamente, o mecanismo do sonho é de atualização quando só depende de si próprio, da psiquê, e de interação como referência de comando do corpo quando exige sua participação. Caso contrário o sonho como mecanismo não precisaria se realizar, se a psiquê não tivesse o intento de comunicar sua mensagem. Neste caso o sonho seria um mecanismo inútil. Como isso é tolo, não é assim que ocorre, ele precisa lhe preparar, biofísica e mentalmente, para que esteja em condições de participar deste diálogo, e não precise interferir no seu comando de consciência que lhe é primordial e sua única possibilidade de sai da escuridão do tempo, na morada da inconsciência, da prisão do desconhecido.

Deixando de lado o conteúdo como resultante do mecanismo e olhando-o apenas como conteúdo, diria que a primeira parte a psiquê lhe alerta para a importância de diferenciar o real do imaginário e insere uma dinâmica de transmutação e metamorfose da libido. Neste caso a energia acumulada em forma de raiva ou ira se transmuta e pode ser, ou o é, reabsorvida para ser aplicada em ações mais positivas, lúdicas, ou que favoreçam a interação e a inserção no ambiente coletivo, como, por exemplo, a Dança

A ideia do tempo elástico é fenomenal, já me manifestei sobre isto, se não o foi aqui, possivelmente no blog Jornada da alma. Venho escrevendo sobre este fenômeno e o creio magnífico, e para mim definem a forma saudável ou doentia com que nos relacionamos com o universo. Agora aqui não há como avançar neste tema. Mas é admirável esta dica do seu inconsciente. Pensando bem.... uma dica:

Em síntese: É preciso que repense sua relação com o mundo através da dinâmica do tempo, pode haver equívocos nesta dimensão, presença de ansiedade ou ausência daquela que se faz importante, que nos impulsiona para a ação. É necessário que se liberte da prisão do tempo, ou da rigidez que ele favorece. Em princípio reavalie essa sua relação.

Ah! Sonhos premonitórios são bons indicativos de acontecimentos, o que não faz todos os sonhos o serem, o diferencial é a referência de realidade, a fantasia e aprender a lidar com os eventos para desenvolver a habilidade de diferenciá-los, para que não se perca na ilusão do tempo, em Maia.

A dança sempre lhe aparece com uma possibilidade de interação, envolvimento. Ja fez Dança? Danças? gostas? Parece-me que pode ser um elemento forte  para lhe favorecer o equilibrio.
Um detalhe: a mensagem pode ser indicativo de que a forma como avalia seu cenário define o sucesso ou o fracasso de suas relações interpessoais.


Bye

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ÁGUAS UTERINAS






CH 60

Mais sonhos:

Primeiro eu estava com minha mãe num clube de águas quentes e passávamos de uma piscina para outra (as piscinas eram emendadas). O sol estava quente e disse que teríamos de ficar na sombra, uma vez que estávamos sem chapéu e sem óculos de sol. Nisso adentramos numa piscina que era coberta e na seqüência eu não tive como passar para a próxima piscina, pois estava escuro e eu não conseguia enxergar direito. Uma menina passou rápido perto de mim e disse que a próxima piscina estava vazia e constatei que de fato ninguém a utilizava. Tentei visualizar se o vazio que a menina falara era sem água, mas não conseguia enxergar. Pensei que talvez a mesma não estivesse sendo utilizada por conter água fria ou por ser muito funda. Preferi não arriscar.

Bem... Parece-me transição, mudanças. Nadar na vida, nas águas primordiais. Poder-se-ia pensar em estado de regressão ou regressivo. Não creio. Relação com a vida com forte presença da mãe, seja por simbiose ou por proteção. Piscinas, águas primordiais, conteúdo sombrio desconhecido, avanço, busca de referências, cautela, avançar, arriscar, ficar, cautela, cuidados.

Em sonhos anteriores piscinas apareceram, mas nesse você está dentro.

Como iniciei falando, parece-me transição entre estados de Ser, de consciência e nestes momentos tateamos por que a consciência exige. Uma menina passa rápido, impulsos, foco de atenção, mobilização de seus filtros de referências externos, mas seu estado de consciência já não vai na onda, avalia o cenário para se posicionar.

Eis mudanças de atitude decorrentes de novas posturas assumidas frente à realidade. O sujeito se prepara para realizar mudanças de estado, de cenário. Ou a psiquê se atualiza, se adéqua, preparando as condições para que o sujeito realize suas transformações.

Bye

terça-feira, 4 de maio de 2010

UMA FACE



CH 59

Segundo sonho - Tem recorrência com festa e espíritos, mas num contexto muito diferente. Eu estava sentada numa quina de muro a desenhar. Comigo estavam três espíritos (assim eu identifiquei inicialmente): uma mulher branca, um menino negro e o terceiro não recordo como era. Agora não lembro dos detalhes, mas sei que eles eram parentes da mulher dona daquela casa que estava dando aquela festa muito chique. Todos os três espíritos enquanto vivos haviam sido mortos por essa mulher a troco de interesses escusos. No sonho eu sabia da saga melhor, mas agora tudo é meio vago. Sei que a mulher branca ficou comigo e os outros dois adentraram na festa. Eu me sentia uma discriminada, rechaçada, desprezada. Eu me sentia uma insana, mas que tinha sanidade. Por vezes eu me sentia negra e não parecia ser eu com a minha atual aparência. Fiquei pensando no que estariam fazendo os outros dois espíritos lá dentro da casa. Eles não estavam ali para se divertirem e imaginei na hipótese deles se empolgarem com a festa e me esquecerem ali largada. Nisso a mulher da festa veio conversar comigo. Por certo ela foi influenciada pelos dois espíritos que haviam ido lá dentro. Eu sabia que ela era muito perigosa. Sentia medo, mas estava livre de julgamentos, pois fazia da humildade a minha força. Não recordo bem o inicio da conversa, mas sei que, ainda sentada no chão, encostei a cabeça no joelho dela e humildemente desabei a chorar e dizer que estava muito triste. Eu estava triste com ela, mas não cheguei a ser tão direta de início. Eu não tinha pretensão de convencê-la ou sensibilizá-la, queria apenas desabafar o que sentia com tanta força dentro de mim e dar a ela a oportunidade de se arrepender. Interiormente eu sentia que estava agindo por influencia espiritual da mulher que estava comigo. Era como se fosse ela quem estivesse chorando através de mim. Eu comecei a falar não lembro o quê e a mulher foi ficando histérica. Apesar de sentir medo eu parecia confiante. Embora ela tentasse não demonstrar sua ira, eu fui sentindo seus olhos ficarem agitados e sua mudança ficou nítida para mim. Percebi que corria perigo e quando ela fez venha de me matar na explosão de seus ímpetos instintivos de autoproteção, eu disse o nome dos três espíritos. Extremamente agitada pelo peso da própria culpa maligna que ninguém podia descobrir, ela começou a sentir-se sufocada e a ter um ataque dos nervos que a fez desmaiar (ou morrer, não sei). Eu sentia que todos da casa e conseqüentemente da festa me discriminavam como se eu fosse uma negra, mendiga ou louca, como se eu fosse a vilã mais repugnante do mundo, mas naquele momento isso não me importou, pois independente do que eu fosse, ainda assim eu tinha uma força poderosa dentro de mim que me protegia. Eu tinha a influência espiritual que não era mal, mas que buscava justiça, que queria esclarecer os fatos.
Na seqüência eu fui buscar ajuda e deixei o corpo da jovem, ou seja, em tal momento eu era o espírito. Não era meu próprio espírito desprendido do corpo, de forma que depois de acordar não entendi a cena. No interior da casa donde a festa acontecia, pedi socorro dizendo que houvera ocorrido um mal entendido fora da casa e duas pessoas precisavam de ajuda, mas ninguém me escutava. Eu não me sentia mal por ninguém me escutar, mas por não estar conseguindo a ajuda que tinha de ser urgente. Fui gritando até que um homem, provavelmente o marido dela, sentiu vontade de ir atrás da mesma. O outro homem que conversava com ele foi junto segurando seu copo de bebida. Eu acompanhei. Os dois homens ao ver que algo houvera acontecido foram socorrê-la imediatamente enquanto a jovem (que até então pensava ser eu) tremia rocha de frio encolhida e embrulhada numa coberta fina. Ela também estava muito mal a ponto de morrer, mas ninguém se preocupou com ela. Então me aproximei e acalentando-a senti que tudo ia ficar bem.
Nisso acordei assustada. Foi um sonho dramático, pesado, intrigante. A cena da mulher desprezada chorar humildemente prestes a falar de suas dores sentimentais para a dona da casa, a qual por um momento fez lembrar-me de minha irmã, parece refletir meu medo de ser injustiçada e agredida de uma maneira geral pelas pessoas incompreensíveis. De toda forma eu não compreendo o resto. Eu era uma espécie de médium e depois eu parecia ser apenas um espírito. Seria eu em verdade um pouco de cada personagem, inclusive da mulher que era dona da casa? O que tal sonho pode significar?


A OUTRA FACE



Para Jung os espíritos vistos pela ótica da psicologia “seriam complexos autônomos inconscientes que aparecem como projeções porque não estão associados ao ego” (CW9i, p285), para ele as intervenções dos chamados espíritos parecem corresponder a necessidades de ampliação da consciência. Para ele as aparições de espíritos evidenciam a existência de um nível elevado de tensão entre os mundos materiais e imateriais, fenômenos que existem na fronteira destes mundos e que querem aflorar e ganhar existência.

Ainda em Jung, para ele, sonhos e visões são um dos fenômenos de grande importância e evidência da existência de um reino diferente do reino material e corpóreo, seja relatado pelos primitivos ou pelo homem ocidental. Ele se usava do termo “espírito” para referir-se ao aspecto não material de uma pessoa viva (Intento, Pensamentos,) bem como a um ser incorpóreo desligado do corpo (fantasma, sombra, espectro, alma ancestral). Concebe o espírito como o oposto da matéria, conteúdo que não pode ser descrito ou definido, infinito. Sem forma, aflora sem controle ou solicitação e provoca uma resposta afetiva positiva ou negativa. Sua obra sobre os fundamentos psicológicos da crença do homem em espíritos chamava a atenção para a necessidade humana de um relacionamento consciente com o “Espírito”.

Recorro a alguns conceitos de Jung para indicar minha identidade com sua cosmovisão, ainda que hoje possamos ter uma compreensão mais completa desta relação do homem com o seu mundo, universo externo e interno. E esta imagem de um “Espírito” que sobrevive em todos simboliza um evento de conexão do indivíduo com o universo. Não precisamos entrar em nenhum conceito religioso, de qualquer lugar ou de qualquer tempo, para sabermos que, como seres vivos, participamos de uma rede universal conectada, interligados. Portanto não somos ilha, fragmentos de vida, esquizo fragmentos, e possuímos mecanismos que nos mantêm, como estrutura micro universal, unidos ao “Grande Espírito Santo do Universo”, ou como se queira nominar. Visto isto...

No sonho há confronto, compensação e catarse. Mas mais importante, vejo dois fenômenos singulares que merecem referência:

1. Você se defronta com a mulher maligna, sua sombra, agressiva, irritada, atacada, nervosa, histérica, possessa, possuída, agitada, impulsiva, descontrolada, e com a humildade necessária, independente do medo, enfrenta o embate e derruba o Dragão;

2. Você busca socorro para seu lado que sucumbe, por compaixão.

O sonho retrada a sequência de sua jornada. É preciso descer ao fundo do mundo das sombras para enfrentar nossos próprios demônios, criados e relevados por nossos ancestrais, revelado para nós em vida para que superemos aquilo que eles não deram contra de superar. Neste caso os espíritos funcionam para lhe servir, pra ir buscar, aonde você não tem acesso, aquilo com que você precisa se defrontar. Você só consegue entrar naquele espaço que não tinha acesso quando a compaixão a faz superar suas dificuldades, sua inferioridade.

Seu choro é catártico e ocorre em decorrência da bipolarização energética no contato com as forças de inconsciente. Isto é fenomenal. Estou pensando no mecanismo que o inconsciente nos mostra neste momento. Você é levada a um condição de tensa, o choro, que prepara-a e a coloca em um nível vibracional ajustável para que possa sintonizar uma vibração específica do corpo etéreo, psíquico,que a leve ao encontro com conteúdos de inconsciente sem que sucumba à força destes conteúdos, em decorrência de desajuste de sintonia e que permite à construção o inconsciente não se dissolver frente à força da tensão em que funciona psiquicamente. Fantástico!

E tudo isso para permitir este encontro entre você e conteúdos de origem inconsciente que estão em fase de transformação em decorrência de mudanças de estados da consciência na sua relação com o mundo, que provoca um reajuste de conteúdos arquetípicos ou ancestrais em metamorfose.

É relevante a força espiritual e a busca de justiça. É necessário rever conceitos e não se esquecer de que é preciso ter compaixão, mas também é preciso aprender a aceitar o destino do mundo sem sucumbir por excesso de compaixão.

Preste atenção: não tenho dúvida da dramaticidade e da força de um sonho desta magnitude, Mas você superou a primeira batalha, isto significa que se o conteúdo foi dissolvido você o integrou. Se não o foi, novos encontros ocorrerão. Mantenha-se firme no seu propósito e mudanças. Transforme seu lado sombrio em iluminado, e para fazermos isso precisamos nos armar de humildade e coragem e olhar no espelho aquilo que renegamos, o que somos.

Por hora... relaxe.



Bye.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

SONHO E CONFRONTOS II


    
O sonho lhe propõe um desafio coletivo: Competir. Competir é ação natural, retrato da sociedade moderna; retrato da presença humana na escala de evolução, na teoria evolucionista, retrato do mundo animal. Somos bem sucedidos como espécie porque a natureza nos brindou com uma capacidade competitiva que nos fez vitoriosos. Os princípios do teste, em equipe, são indicados: competência e afinidade.

Como exige afinidade posso pensar em suas relações sociais e possivelmente familiares. Entrar no túnel, já vimos, é ritual de passagem, transição, mudança de margem, de estado de consciência. SUPERMERCADO é mercado, relações sociais. Participação social, coletividade. Seu carro é você. Você está só... SÓ... Conta com você,

Primeiro desafio:
SE LANÇAR NO ESPAÇO!

AVENTURAR-SE!

Se jogar no espaço escuro. Não me parece que seja se jogar no espaço de seu lado escuro, isto você já faz, jogando luz no seu lado sombrio, no escuro. Tambem não parece-me que seja voar, como fuga. Se voar pode estar relacionado com fantasias e suspensão, se jogar poderia parecer intento de suicídio, coisa que não acredito. Parece-me mais o espaço desconhecido, arriscar-se no escuro, onde não tens controle da situação: A vida! Assim o sonho te confronta com seus limites, suas reistências.

VOCE RESISTE! Aparece sua resistência, suas defesas, seus medos, seus bloqueios. A força da resistência atua eliminando a GRAVIDADE, te segura, trava, impede seus movimentos, sua autonomia, suas escolhas. Lhe impede o risco, arriscar-se.

E a mensagem é clara:

“Foi então que apareceu um homem malvado e me disse que na vida eu não conseguia nada porque era daquele jeito: me jogava e não me permitia cair, pois ficava presa a superfície, ao passado, ao medo, às mágoas. Fiquei muito mal ao escutar ele dizendo aquilo e tentei fazer força emocional para desvencilhar-me de tudo.”

Sua consciência, sua lógica, representada pela figura masculina, princípio de realidade lhe traduz os acontecimentos, você reage e mobiliza energia para mudar a passividade, os limites, a incapacidade de mover-se. Busca forças para romper sua resistência.

Você rompe as amarras, se lança, supera seus limites e se lança no espaço e aí...:

Você abre mão do controle e encontra o domínio sobre si-mesma. Supera o medo de morrer e se descobre mais viva do que nunca, tendo o domínio em um cenário, em um meio que além do seu poder o AR e dentro de uma realidade que antes lhe era desconhecida. Voce se descobre nadando, no ar, ou voando, ou descobrindo um novo plasma no espaço que antes assustava mas que agora domina.

É exatamente essa a experiência que experimentamos quando nascemos, passamos por um túnel e ao invés de morrer nascemos num novo mundo. Também é assim que vivenciamos a ansiedade de aprender a andar, ainda bebês. E assim aprendemos a andar de bicicleta. Etc. Superar limites é sempre um desafio, é ter que superar nossas dificuldades e o despreparo pessoal.

Essa é a vida para romper com o passado,

precisamos nos arriscar no presente

e nos descobrimos transformados no futuro.

Nunca mais seremos os mesmos.

Eu me lembro de Kierkegaard:

“Arriscar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar é começar a morrer.”

A vida é assim!
Permanentemente nos exige.
 E quanto mais buscamos o conforto,
para fugir do desconforto, de ter que enfrentar os confrontos,
 mais nos matamos e nos anulamos.

Ah! um detalhe: todos nós estamos viajando no espaço, só não percebemos isso por estar limitados à realidade da terra e aos nossos filtros que nos protegem de um universo sensorial inimaginável. A psiquê tambem usa de atualização nesta relação do individuo com o seu espaço para regular as mudanças originárias a partir do sujeito. Neste caso, é como se o seu ponto de vista em mudança levasse a psiquê a refazer suas coanfigurações mentais para se adequar à novas referências de estado de consciencia. É como se um paraplégico voltasse a andar e a psiquê não se adequando continuasse a considerá-lo paraplégico.



domingo, 25 de abril de 2010

UMA ALQUIMIA II

François Boucher - 1747 -The Rape of Europe
Paris - Musée du Louvre 

Eis mais um sonho desafiador. Poderia neste momento levantar varias significações possíveis para o sonho mas focarei, independente de sua vasta simbologia, aqueles que considero como dois pontos mais significativos e relevantes:


  • A espada como ornamento passivo sendo transformada em instrumento de ameaça, arma para cumprir sua função real;

  • A transformação da ameaça em instrumento que abre portas ou portais: a chave.
Por partes:

1-O PRINCÍPIO:

este parece-me a entrada no intento do inconsciente: te leva por bosques harmoniosos equilibrando suas energias psíquicas, atualizando-as e lhe introduzindo num cenário onde suas emoções são mobilizadas a partir de um foco seletivo e de interesse pessoal, pela psiquê.

Eu penso que a partir do momento em que você se sentiu “totalmente fascinada” e encantada pelo acontecimento, você foi direcionada através da atenção Visual a viver e participar de um processo de transformação e de metamorfose. Esses momentos de transformação são como uma mobilização pelo fascínio, onde o eu é submetido a uma condição inexorável de mudança energética.

Essa vivências podem ser consideradas excepcionais pois de forma suave, enquanto nos preparam, processam em nós uma alquimia de transformação da libido.

2-A DINÂMICA:

O momento CRUCIAL é, o que parece-me, essa dinâmica, você inserida num cenário inesperado é levada a acompanhar, a interagir e a responder aos acontecimentos. Participa de um ritual (você o percebe) de imolação, flagelação, sacrifício involuntário, sem consciência de causa e propósito. Em geral quando a pessoa sofre de algum desarranjo emocional ou psíquico não sabe nem mesmo que sofre imolação ou que se flagela como consequência do desequilíbrio, sabe apenas que sofre sem saber por quê. Você tem consciência no sonho e diagnostica o sofrimento, o flagelo e a relação com o distúbio mental.

A espada, ornamento passivo, é mobilizada - pela consciência, pela ação humana, pelo conhecimento - é apossada, colocada em ação -se põe em movimento - é transformada em instrumento do ritual de mudança. Aparece como ameaça, arma para cumprir sua função real, e assusta. Mas usada com maestria e poder , O SABER, se transforma em mediador da transformação.

Primeiramente opera como bisturi,  ativando o centro de poder energético, acionando energias vitais, colocando em movimento a energia estagnada  pela rede do corpo. Neste caso a energia desce para acionar centros inferiores, sensoriais, sensacional (de sensações) que necessitam ser acionados (posteriormente, um dia, subirão já para acionar centros superiores ou chackas de energia) e parece-me que reconectando o corpo de cima com o corpo de baixo, integrando, unificando, o seu universo sensorial e o fluxo de energia de seu sistema nervoso.

“Nisso um tremendo bem-estar percorreu todo meu corpo. Um forte arrepio desceu a me envolver feito uma descarga de energia.”
“Sorrimos alegres.”



“Nisso a espada transformou-se numa chave gigante”

A transformação da espada no instrumento que abre as portas e portais; a chave. A espada já era chave antes de se mostrar. Mas o seu uso instrumental , cumprindo as etapas de devidas aciona a sua transformação, e a transformação se faz visível. A chave abre as portas para novos momentos em sua vida, novas formas de se relacionar com o mundo. Pelo menos internamente a dinâmica de mudança se anuncia.

“e outras jovens apareceram. Não sei por que, mas eu me senti uma deusa no meio de ninfas.”

3-A CONCLUSÃO

A festa, os festejos são indícios de celebração e conclusão do feito. O sonho fala por si, o significado salta para fora do sonho e se faz visível:

“O medo foi tomado pelo SENTIMENTO DE IMENSO PRAZER, ALIVIO E COMPLETUDE. Foi algo rápido e percebi a tolice do medo que houvera sentido, mas o qual irrefutavelmente tinha de existir e ser enfrentado. Percebi claramente no sonho que não há problema em ter medo, pois em verdade, o problema está em não ter coragem para enfrentá-lo.”

“Fiquei perto dos dois... masculinos... lindos, serenos e carismáticos por natureza, lembrei-me do meu jardim de infância. O TÃO GOSTOSO MOMENTO...”

A atualização concluida, a resignificação Afetiva é ativada na relação com o mundo, há indicios de reconstrução no estabelecimento de novas referências na relação de confiança com o meio, a energia liberada aflora em forma de sentimento e de elação. Os sinais são auspiciosos.

Obs.: considerando a espada como símbolo moderno de bissexualidade, prefiro não focar este lado, principalmente porque, em passado recente, você manifestou o desinteresses homossexual, e portanto não precisa ser focalizado. Prefiro pensar em dinâmica de integração de conteúdos femininos, e considerar a imagem da Deusa rodeada de Ninfas como projeção da imagem curativa de sua saude e reconstrução de equilibrio e harmonios entre naturezas múltiplas.
Se voce  colocar o I Ching a mensagem poderia ser:
O CAMINHO, É UM BOM CAMINHO.

BYE.
 

terça-feira, 20 de abril de 2010

SONHOS e REFLEXÕES II

 CH52

Interessante a recorrência dos risos.



Essa noite sonhei que estava dentro de uma padaria, não sei se sozinha ou acompanhando alguém. Não sei bem o que fora comprar, mas enquanto aguardava na fila do caixa, reorganizei um punhado de ramos de alecrim bem viçoso que segurava na mão esquerda e que, pelo visto, já carregava comigo antes de entrar naquele local. Nisso uma mulher da fila olhou para os ramos, não me importei. Aproximando do balcão, o atendente ao invés de registrar minha compra, perguntou o que eu fazia com alecrim. Disse-lhe que podia fazer banho e todos riram. Nesse momento já não era mais uma fila, pois as pessoas haviam se espalhado ao redor do balcão. Disse que dava para fazer chá e foi mais uma gargalhada geral. Eu não me incomodei com os risos e achei legar estar sendo engraçada, embora nao identificasse o que teria de cômico naquela cena tão banal. Disse que dava para fazer emplasto, essência, defumação, qualquer coisa que se quisesse. Daí o atendente pegou o molho de alecrim e começou a fazer uma espécie de ilusionismo, mas não lembro direito. Sei que eu comentei que já tentara muito fazer aquilo também com o alecrim, mas ainda não conseguira. Daí os risos cessaram, a atenção voltou-se para o homem tentando improvisar seu ‘show’ e as lembranças ficaram apenas nisso. O que um sonho desses pode representar?

Nos últimos sonhos é perceptível uma atualização e regulação dos níveis de tensão intrapsiquicos. Isto quer dizer que o Inconsciente apesar de compensar seu elevado nível de tensão, aproveita o momento para liberar energias bloqueadas pela rigidez de personalidade e pelos limites impostos pela repressão ao longo de seu desenvolvimento. Parece-me tambem exercícios de reeducação na sua relação com o mundo, e principalmente mudanças na sua auto estima, ou suscetibilidades que a faziam defensiva, regredida e inferiorizada. O grau de importancia diminui, diminuição de caprichos e vaidade que deformam o amor próprio, enquanto consolida uma relação mais natural com o seu entorno. BELEZA PURA!

O Alecrim, é uma planta que aquece e estimula o cérebro e o corpo, é ótimo como cardiotônico, estimulante, antirreumático, resolve rapidamente dores de estômago e asias, restitui a energia dos estressados por muito esforço mental. É bom para tosses, bronquites, e problemas respiratórios. Usado externamente limpa feridas de pessoas que tem dificuldades de cicatrização. E reconstitui rapidamente a energia perdida, fortalece a estrutura mental, é uma das ervas que diminui sintomas de depressão e neurastenia.

Favorece os que têm  emocional passivo, submisso, aos indivíduos que não respondem de forma concreta às agressões da vida. Aumenta a capacidade de aprendizado. É a planta chave da falta de autoestima. Atua nos desconfiados, nos que não acreditam em si mesmos, nos que não têm coragem de se lançar em novos projetos. É a erva da coragem.