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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PÃO E ESPÍRITO

   Cesto de pão - Antes a Morte Que a Mácula
   Corbeille de pain - Plutôt la mort que la souillure
Salvador Dali 1945


Sonhei que eu estava no quintal de uma casa que era minha e, com o desmatamento da região próxima, dois tucanos lá estavam a se abrigar. O tucano menor que parecia filhote tinha a penugem de uma coruja, enquanto o maior tinha penas verdes como de um papagaio. Por vezes eu levantava a mão e o tucano maior, que por certo seria a mãe, vinha pousar no meu braço. De leve ele bicava-me como a dizer que estava com fome e eu o alimentava com pedaços de pão. Foi um sonho muito bom, pois era como se eu pudesse dar não apenas abrigo e comida, mas também consolo àqueles animais. Eu senti os tucanos desolados por terem perdido o habitat natural, por estarem emocionalmente machucados com a realidade de se sentirem inadaptados à existência e ao todo, exatamente como geralmente me sinto, por sentirem falta dos seus amigos iguais de espécie.

Os sonhos são assim, às vezes se revestem de múltiplos conteúdos que dificultam a sua compreensão, ou espelham o momento pelo qual passamos, momentos confusos e atormentantes... Sonhos inquietantes. Outras vezes os sonhos se mostram límpidos e transparentes, e a leitura é imediata e a compreensão instantânea. Essa é a graça que se pode receber quando focamos o olhar no interior, quando consideramos o eixo interior que nos guia. Ficamos mais próximos de nosso espírito e o diálogo se faz natural.

A leitura já compreendida por você é direta e transparente, sua identidade com os excluídos, com os marginalizados, com os sofredores, perdidos, isolados, lançados no desolamento. Encontrando-se no abandono. Mas este é apenas uma face do conteúdo.

EU LHE APRESENTO OUTRA FACE DESSA MOEDA.

Você no quintal de sua casa – seu interior, sua vida, seu templo, sua alma.

O pássaro é o espírito – seu espírito santo, livre. O filhote é o espírito renovado. O pássaro adulto e o velho espírito que se transforma com o tempo.

A fome do pássaro é saciada com o pão – Assim como o pão é o alimento do espírito. Símbolo do alimento essencial. “Nem só de pão vive o Homem”, Pão é o nome que se dá ao alimento espiritual. Símbolo do corpo de cristo na eucaristia, “o pão da vida”. O Pão combina com a vida ativa, mas também se relaciona com os mistérios da consagração.

A fome do espírito é saciada com o alimento espiritualizado, com o Sagrado, Consagrado.

O trigo debulhado, a matéria bruta, é refinada e assim unida a água e ao princípio ativo, o fermento, o conteúdo que dá liga, aciona a alquimia, a conjunção dos elementos. Assim se metamorfoseia a matéria, e ela cresce como que fecundada, se transforma em repouso.

E no momento seguinte ao milagre da transformação ainda se faz necessário a união com o Fogo. o calor da vida, a vibração Elemental que aquece e mais uma vez transforma a matéria e finalmente realiza o milagre do pão.

O alimento está pronto, para o corpo e para o espírito. O pássaro se aproxima e pousa no seu braço, não tem medo de você. Solicita-lhe o alimento e você o alimenta, alimenta o seu espírito. Dá-lhe vida com o alimento sagrado. Abriga o seu espírito no templo consagrado.

Não há porque focar o negativo, o abandono, a tristeza. Quando estamos sintonizados como o nosso espírito, estamos juntos ao eixo do mundo, ao eixo da vida, estamos unidos, em conexão com o Divino. Olhe para frente e abandone o olhar do passado. Você está chegando em casa.

Em casa não existe solidão. A solidão é o sofrimento gerado pela expectativa não vivida. O sofrimento é imagem do desconforto por não participar do que se credita essêncial. Já nascemos na solidão, mas quanto mais nos aproximamos do eixo mais nos afastamos desse desconforto.
Ah!  abandone o seu isolamento ao invés de lamentar abandono alheio. Corra atrás de sua TCHURMA!    Sua tribo!   Encontre uma. Confie em sua natureza. Confie em sua vida. Se dê uma chance de conviver, aceitando o outro e permitindo ao outro que a aceite como és. Nada há a se perder!



  photo do Blog Jornada Alma -  acesso restrito

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CRIANÇAS E PASSARINHOS



Acordei com a sensação de contradição dentro de mim: eu gosto ou não gosto de criança? Será que gosto até a idade em que a criança começa a andar? Por que me surpreendi tento um afeto especial com o menino do sonho? Seria ele compensatório? Será que eu não gosto de criança exatamente por não saber ou não permitir-me liberar a minha criança interior? A inocência e o carisma na maneira de uma criança expressar os sentimentos deliberadamente, ou seja, sem julgamento, me atrai, mas ao mesmo tempo me repudia a curiosidade para mexer no que não deve e a teimosia. A birra da carência eu até compreendo com uma certa dó. Pensando bem eu carrego esse lado desagradavelmente manhoso, curioso e teimoso até hoje e talvez isso explique a antipatia que tenho diante de determinadas crianças. Seria isso mesmo?

Já lhe disse: geralmente o individuo fica incomodado com aquilo que o espelha. Sua dúvida (conflito) se gosta ou não de criança, não é uma questão bem focada. O foco são as crianças. Como você já não o é, já não mobiliza a atenção do outro sendo criança, elas se tornam alvos de sua competitividade. Você compete com seus iguais.

Por outro lado, como pode um individuo que possui uma grande demanda afetiva ser capaz de cuidar e oferecer afeto? Sua demanda é de receber, preencher o vazio pessoal. Mas aí mora o paradoxo, possivelmente o Segrêdo, quando abandonamos a necessidade de receber e passamos a oferecer aos que têm menos, passamos a receber acima do que precisamos.

Agora te sinto como uma mulher que não quer aceitar o desígnio natural da vida, crescer e deixar de ser criança. Parece-me que você ficou aprisionada, no limbo, entre a infância e o mundo adulto, Não abandona a velha forma infantil de se relacionar com o mundo. O tempo passa e cada vez mais inadequada se torna sua inclusão social. O corpo envelhece, mas os hábitos e a forma de responder continuam infantis.

Veja que uma questão simples como a de gostar ou não de crianças se torna uma grande problema. Uma grande dúvida, um grande conflito, onde todo o seu embaraço é exposto.

Uma pessoa pode gostar ou não de crianças. Nada demais! Cada um a partir de sua experiência pessoal pode ser empático às crianças ou anti empático. Cada um tem suas facilidades ou dificuldades, gostar ou não gostar, se incomodar ou não se incomodar. Ninguém pode ser obrigado a gostar do que não se gosta.

Crianças podem ser engraçadinhas, bonitinhas, mas em geral quando mal educadas, e a grande maioria o é na atualidade, exigem uma dose especial de paciência e de tolerância dos adultos. Elas ficam chatas, aborrecidas, exigem atenção em excesso, querem ser o centro da atenção dos adultos. Em geral são crianças carentes ou abandônicas que aproveitam os momentos de maior proximidade com os adultos para exercitarem seus jogos de manipulação e na busca de satisfazer suas demandas afetivas.

Os adultos precisam olhá-las como crianças que exigem cuidados e atenção especial. Elas precisam ser cuidadas como crianças que são.

Eu vejo nesses momentos, nesses encontros, uma chance excepcional de exercitarmos a amorosidade. E é incrível, como com pouca de atenção elas reencontram o eixo perdido por causa do abandono e do desamor que vivem.

Uma coisa é não gostar e outra não enxergar que os pequeninos se debatem no oceano dos perdidos. Como adultos precisamos conduzir essa crianças que nos cercam e que anseiam um pouco de equilíbrio.

Agora... Quando as crianças são bem direcionadas, centradas, elas se tornam seres maravilhosos e a única coisa que anseiam é descobrir o mundo. Aí... Conviver com crianças é uma experiência mágica.

Talvez sua dúvida seja porque se encontrando misturada entre o universo infantil e dos adultos você não tenha percebido como pode ser especial lidar com seres tão puros em sua essência. Elas são mais do que crianças. São seres como nós, apenas não têm o conforto de nossas certezas, de consciência do mundo, percepção da realidade, etc.

Nós estamos apenas a um grau de distância delas, e daqui a um instante, num flash, elas já estarão encalacradas no mundo adulto, perdidas entre paixões, ansiosas pela sobrevivência, angustiadas pela competitividade da sociedade, amedrontadas, por causa da violência, encantadas com a vaidade, perdidas nos vícios, nas compulsões, na vaidade, no ego...

Então precisamos ter compaixão por essas criaturas indefesas, precisamos amá-las como gostaríamos de ser amados, acolhê-las e protegê-las para que amanhã tenham mais chances de se refugiarem em referências positivas e amorosas que as consolidaram no passado.

Hoje em dia fico perplexo ao ver como os adultos são incautos e despreparados, deixando a vida passar sem que saibam identificar o significante do insignificante.

Mas as crianças... Elas continuam me encantando. Eu as vejo como passarinhos que voam livres no espaço azul, e se alimentam dos frutos do meu pomar sem precisar me pedir licença.

Ás vezes recebo visitas em casa que apontam as frutas e exclamam:

- olha! Os pássaros estão comendo tudo. Colha antes de perder.

Eu digo: Deixa os bichinhos! Eles precisam se alimentar, é por isso que eles vêm morar aqui!

As crianças são assim: precisamos alimenta-las com amor, com carinho, atenção, tolerância, porque a maioria delas está sendo envenenada pelas sete pragas da “mudernidade”. E alimentando-as, no amanhã, elas poderão se mostrar mais amigas e próximas do que hoje você se mostra a elas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

FRAGMENTOS I

Santuário do Caraça - MG
Visão da ala do Internato

CH 82


Gostaria que esse blog nunca chegasse ao fim... mas compreendo. Enquanto isso vou postando meus sonhos...

Hoje a noite foi longa. Embora eu não me sinta vitoriosas com relação às mudanças que pretendo realizar na minha personalidade podem dizer que meus sonhos já não são os mesmos.

Obrigado pela confiança e pela generosidade.
Seria interessante saber: Porque, para você, “seus sonhos” já não são os mesmos?

Novamente vou relatar por lembranças:
I
Na primeira eu estava participando de uma reunião num local que parecia uma escola. Estava chovendo e no momento de ir embora calcei minha meia e tênis que estavam ensopados. Não tinha como eu ir embora descalça e o jeito era ficar com o pé molhado. Como a chuva não cessava, fui conversar com a professora de educação física para passar o tempo até acabar a aula de uma colega que poderia me dar carona. Falei com a professora sobre as mudanças tidas, pois antes os alunos tinham aula de natação ou esporte, mas em tal momento, estavam tendo apenas aula de artes. Eu não considerava que artes fosse educação física e comentei que gostava da natação. Não me lembro dos detalhes da conversa, mas depois de algum tempo fui procurar pela suposta colega. No que saí por um corredor, verifiquei que não havia salas de aulas, mas sim quartos. Notei que ali era um internato e não apenas uma escola. Nisso foram aparecendo vários adolescentes e me senti perdida no local enquanto lembrava de que, quando jovem, tivera vontade de estudar num colégio interno. O local me pareceu bem interessante.

O sonho remete possivelmente a esse tempo em que aflora sua vontade ou intenção de estudar em um internato. Como foi esse tempo em sua vida? o que aconteceu de significativo? Se estivesse em um processo psicoterapêutico esse poderia ser um alvo da investigação. Pode ter sido um momento marcante que define a sua relação com o coletivo. Porque a escolha de se enclausurar, ou seria a fantasia de viver coletivamente com outros iguais que sofresse a mesma pressão, o mesmo isolamento, o mesmo cenário. Considerando esses detalhes é possível que essa vontade compensasse já naquele momento a pressão que sofria e o internato pudesse ser a busca de relações de igualdade.

II

Na segunda eu caminhava por uma feira de pássaros e tinha um passarinho amarado a uma coleira (como se fosse um cachorro). Nisso tive que passar por uma checagem de pontos e alguém disse que eu houvera sido desclassificada e não participaria da festa. Não aceitei aquilo e disse que eu pagara pela festa e ninguém me falara sobre regras de classificação. Falei várias vezes sobre a exigência dos direitos que eu tinha já com a certeza de ganhar a causa e participar da festa. Algumas pessoas do estabelecimento concordavam comigo, mas não lembro o restante.

Passarinho na coleira é elemento fora de sua natureza, passarinho fazendo papel de cachorro. Passarim que  não canta mas que late. Desconhecimento de identidade, espírito aprisionado e não identificado. Como sonho de confronto te expõe ao desafio de ter que defender seus direitos, há mudanças nessa dinâmica, na sua forma de responder, deixa de ser a agressiva brigona, ou o espírito aprisionado na corda guia para ser o sujeito que se utiliza das armas da lógica para fazer valer seus direitos. A dinâmica indica  mudança.

FRAGMENTOS II


CH 82
III
Na terceira meu pai me trouxe duas rolinhas que havia conseguido pegar no quintal. Segurei-as cada uma numa mão, mas elas queriam escapar e meu pai, junto a outras pessoas que estavam pertos, acho que minha mãe e não sei quem mais, começaram a dizer que eu não sabia segurar direito e a darem palpite. Meu pai me chamou de parva repetindo a maneira como eu deveria segurá-las. Achei chato todos quererem impor um jeito ideal e correto de segurar as rolinhas, pois, estando com as duas mãos ocupadas, ficava difícil segurá-las de outra forma. Enquanto eu pelejava para segurar da maneira como eles queriam, vi as rolinhas transformarem-se em dois grandes ratos. Continuei segurando-os com cuidado e encantada com os mesmos, ou seja, no sonho os dois ratos me pareceram tão interessantes quando as rolinhas.

A metamorfose da rolinha Franciscana em Rato. Possivelmente foi mais apropriado, adequado, em seu comportamento defensivo, ser fugidia como um rato do que ser prisioneira como um pássaro. De qualquer forma esquecendo a transformação, prefiro focar o rato nas mãos: que pode ser indício de ter em mãos sob o seu controle esse animal símbolo do submundo, da sarjeta, das sombras, pestilento, e o mais importante na situação: Defensivo; Desconfiado; Esperto; Oportunista.

O espírito jovem e ingênuo da rolinha se transforma no rato, amargo e sombrio. O rato que agora passa a ter sob o seu controle, em suas mãos, para dar a esses conteúdos o destino que escolher. Por enquanto o encanto da vitória e da descoberta.
                                                                             
IV

Na quarta eu fazia parte de uma comissão organizadora de formatura da escola e, depois de nos reunirmos para planejar várias coisas, fomos para a sala de aula. Lá foi sorteado alguns potes de sorvete e acho que isso já fazia parte de uma rifa para arrecadação de dinheiro. Havia três potes de sorvete de chocolate, que foram distribuídos primeiro, e vários de creme. O engraçado e inédito foi que um dos rapazes que ganhou comeu um pouco e depois me deu o restante. Alguém comentou que não entendia por que ele havia dado o restante justamente para mim. Eu também fiquei surpresa e feliz. Quando fui comer percebi que o sorvete em verdade era ou parecia um arroz doce de chocolate. Era gostoso, mas um tanto enjoativo. Comi um pouco e deixei com que as colegas mais próximas saboreassem do mesmo também, até que me senti satisfeita e deixei para elas. Foi um sonho muito agradável onde eu me senti prestigiada e exerci a generosidade da partilha. Embora fosse um sorteio, havia um clima de desprendimento, amizade e confraternização muito agradável. Por fim lembro-me de alguém sugerir que os dinheiros arrecadados deveriam ser empregados na Petrobras até que chegasse a organização prática da formatura em si.

Parece-me que com o crescimento e com a transformação ocorrem a descoberta e a libertação. A libertação do aprisionamento na fantasia. A criança encantada com doce, quando satisfaz o desejo se liberta porque percebe a saturação do paladar.

O desejo enquanto fantasia aprisiona, mas vivido pode ser libertador. Assim quando vivemos na época certa a satisfação de nossos desejos nos libertamos para poder buscar novas realizações, assim fica mais fácil partilhar e permitir que outros possam também experimentar para se libertar satisfazendo seus desejos.

Quando esses desejos ficam camuflados eles se agigantam e podem se tornar desvios desastrosos na vida de um individuo.

sábado, 1 de maio de 2010

O GRAN CANYON E O BREJO

Aquarela de Antoine de Saint-Exupéry
do livro "O Pequeno Principe"
CH57


“O amadurecer parece mais difícil do que imaginava a princípio.
 Essa noite sonhei que estava num local que identifiquei como cânion, mas ele era diferente, pois ao invés de ter pedras rochosas, todo o terreno era de barro. A parte baixa formava um brejal com valas fundas donde havia extensa e natural plantação de um bananal, mas era uma espécie de banana cujo pé não crescia muito e cujas folhas reluziam como se tivesse uma camada de verniz. Embora fosse um local turístico famoso, eu não gostei do mesmo e pensei comigo que se o terreno fosse meu, mandaria um trator acertar todo o solo e depois mandava replantar as bananeiras. Achei perigoso a permanência das pessoas naquele local. Alguém comentou comigo que só era possível estar ali na época da seca, pois somente em tal época a terra ficava compacta e sólida permitindo a caminhada naquela parte superior. Quando voltei para o hotel havia um beija-flor perto da porta do quarto e ele pousou na minha mão. Quis tirar uma foto dele e o levei para dentro do quarto, mas quando fui tirar a foto ele se transformou em um gato e então reparei que havia uma ninhada de gatinhos dentro de uma caixa bem ali perto. Encantada tirei várias fotos deles.

Outra vez volto a sonhar com bananeiras e gatos, essa repetição é sinal de que ainda não estabeleci progressos?”

A coisa parece mas não é tão simples. Vivemos em um universo em dinâmica de expansão, mas que sofre uma força da retração. Evoluímos enquanto forças em sentido contrário atuam e intervêm nessa expansão, ou regredimos enquanto forças atuam nos empurrando para a expansão, para o futuro. E nós? Bem... seguimos tentando escapar enquanto vivos, mantendo a saúde mental, para não sermos devastados ou devorados pelo devorador de almas: o tempo.

No sonho anterior abordamos a natureza da transição e do espaço e agora surge o beija-flor se metamorfoseado em gato. Nos sonhos os pássaros surgem como símbolos da personalidade do sonhador. Neste caso vemos uma representação de sua ambivalência como beija-flor e ninho de gatos. O pássaro mediador entre o céu e a terra, frágil, que paira no ar como quem resiste à força gravidade (lembra o sonho anterior?), mas que se metamorfoseia no gato animal tinhoso, seu preferido, dissimulado, egoísta do tipo que mantém relações por oportunismo, ainda que sejam ternos, mansos e escorregadios.

O gato é um predador. É felino. Não é um tigre, mas tem suas qualidades como caçador de primeira grandeza. No budismo o gato é aquele que não se comoveu com a morte do Buda (falta de afeto ou sabedoria de não envolvimento?). Na Cabala como no budismo é associado à serpente é indica o pecado, o abuso dos bens neste mundo.

“O Buda faz da Bananeira o símbolo da fragilidade, da instabilidade das coisas e que não merecem por conta disso absorver o interesse... “as construções mentais assemelham-se a uma bananeira”. É o símbolo da impermanência e da imprevisibilidade da vida.” Trecho de leitura anterior.

Se os abismos representam estados da existência sem forma definidas, o fundo sem fundo, lado das sombras, evocando o inconsciente, para Jung ele surge como uma indicação de uma natureza interior a ser explorada, para ser iluminada e conhecida. Uma aventura de libertação da alma para afastá-la de seus fantasmas, de suas sombras.

Nada mais natural que sua natureza seja de barro, de onde surgimos moldados do barro das origens divinas. Dei-lhe essas referências para que possa entender minha percepção:

Se este cânion é representação de seu inconsciente sua ação é uma tentativa de reconfigurá-lo,

“se o terreno fosse meu, mandaria um trator acertar todo o solo e depois mandava replantar as bananeiras.”

Eis a mão humana cumprindo o seu dever, realizando o que veio realizar, aprimorar aquilo que é aprimorável, mudar o moldável, iluminar as sombras, plantar para colher o frutificado.

Há bom senso na indicação de cautela com o terreno. É necessário cautela ao investigar, ao explorar, ao descobrir o desconhecido. Quando o solo não é firme, anda-se sobre terreno pantanoso, brejo, perigo, inconsistência, instabilidade. O terreno seco e firme é sólido e seguro. Se você em sonho andava em terreno sólido e seco e compacto a indicação é de que o caminho é um bom caminho de investigação. No fundo desconhecido a necessária cautela, no nível superior o terreno compacto de acesso aos níveis mais inacessíveis.

E aí, na volta o encontro com o beija flor e sua metamorfose em gato. Mas ele pousa na sua mão. Teu espírito tua alma pousa na tua mão, seu sopro de vida. De imediato, pensei na metamorfose, mas há um detalhe: O espírito a gente não fotografa, é inacessível ao registro posto que sutil, fugidio e sopro divino. Nem sua esperteza de querer fotografar foi tão veloz, já que consegue apenas registrar-se no espelho da lente transparente. Você sem o saber mergulha numa viagem às profundezas de sua alma, numa jornada Mítica e espiritual.

Lidar com o sagrado é assim, enquanto somos puxados para o acesso imediato na superficialidade e da materialidade, somos como que obnublados  da dimensão sagrada que vivemos e não conseguimos detectar as placas indicativas de nossa existência excepcional. Somos como prisioneiros de nossas ilusões e do que vemos fora de nós, e ficamos extasiados vendo afogados em êxtase girando ao redor de seus umbigos adornados de Ouro e riquezas, e deixamos de "ver" o essencial.
Bem o disse

 Antoine Exupéry em “O Pequeno Príncipe”:

“-Adeus – disse a raposa-
Eis o meu segredo.
É muito simples:
só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos.”

Eu acrescento:

O essencial é visível ao Olhar. Mas precisamos buscar esse essencial e direcionar o Olhar.

E aí?... Será que não estabeleceu progressos?

Bye.

sábado, 6 de março de 2010

BABOSEIRA ONÍRICA I




   

Olá, é eu de novo. Sonhei inúmeras coisas, mas agora acho impossível colocar na seqüência certa. Vou descrever o que mais facilmente ficou registrado. Lembro de estar vendo minha avó completamente esclerosada junto de uma outra senhora de idade também. Elas mal conseguiam ficar sentada e, por um descuido de minuto, ambas caíram no chão, pois pareciam não terem forças para se manterem na posição em que haviam sido colocadas. Por incrível que pareça isso não me causou sentimentos desagradáveis. Eu sabia que aquilo era natural da vida e, junto de um médico, mãe e tias, aceitava o fato de nada ser possível fazer para reverter à situação da velhice.
Também sonhei que segurava um pássaro amarelo (parecia uma mistura de canário com um passarinho normal). Ele era muito manso e não fugia da minha mão, uma vez que eu o segurava de maneira livre. Eu alisava a cabecinha dele e ele abria as asinhas demonstrando que estava gostando do carinho. Dei rosquinha para ele comer e ele bicou as migalhas parecendo faminto. Tudo estava bem, mas nesse meio tempo, alguns outros passarinhos que por certo deveriam estar pousados na calha da telha, fizeram caca e esta caiu em cima da minha cabeça. Enojada eu saí e entrei numa espécie de escola (que também lembrava o interior de um shopping) e procurei por um local donde pudesse lavar a parte superior da cabeça. Assim eu fiz (mesmo que completamente enojada) em um lavatório, e saí dele jogando os cabelos molhados de um lado para outro a fim deles secarem logo. Eu estava parecendo uma exibida jogando os cabelos daquela forma, mas não estava preocupada com o que poderia estar ou não aparentando. Essa despreocupação me dava sensações de domínio interior, pois sentia que podia fazer o que bem me permitisse fazer. Nisso entrei numa salda de aula donde ia ter uma orientação de trabalho em grupo, se não me engano com uma professora de biologia e sobre um assunto relacionado a flores. Eu estava preocupada porque ainda não havíamos nem se quer começado a fazer tal trabalho. Nesse momento eu tinha a sensação de estar numa escola normal, mas fazendo um curso superior. Ao certo nem uma coisa e nem outra se encaixa no meu real contexto de vida, pois apesar da sensação, o sonho nada tinha a ver com minha época de escola ou de faculdade, muito menos com o que eu vivo agora. Enquanto a professora orientava outro grupo, fui ao banheiro, fiz minhas necessidades, analisei como ficara o cabelo e retornei. Quando cheguei de volta à professora estava olhando dois livros que eu havia pegado na biblioteca e então comentei que lia dois livros por semana e ela disse que tal hábito era muito bom. Começamos a conversar dos livros quando uma jovem sentou-se inesperadamente atrás de mim no banco comprido de madeira e, mantendo a parte da frente do peito encostada nas minhas costas, começou a passar as mãos nas minhas pernas. Eu achei aquilo meio estranho, mas como não me incomodava, continuei tentando procurar uma passagem do livro que queria mostrar para a professora

Continuação...
Não lembro exatamente como o assunto continuou, apenas recordo do momento em que a professora comentou com essa jovem que ficara sabendo
sobre o fato dela estar grávida. Ela confirmou e disso que queria aproveitar a oportunidade para perguntar se era verdade que, conforme o médico havia falado, ela teria complicações relacionadas ao colostro. Como não entendia do assunto, não sabia o que era colostro e nem era eu a grávida, não dei muita atenção. A professora confirmou dando algumas explicações e, quando acabou de falar, eu entrei no assunto brincando num tom de cinismo: ‘está vendo, eu que sou a melhor amiga dela pareço estar sendo a ultima a saber’. Eu de fato não sabia que ela estava grávida pela segunda vez. Até aqui eu pergunto: isso pode ter alguma referencia entre eu e minha mãe? Questionei-a sobre meu período de amamentação e ela não me deu informação nenhuma que fosse indicio de ter tido algum problema relacionado ao fato. Minha irmã que nasceu prematura e nunca mamou no peito fala até o que não precisa, mas eu que, pelo visto mamei muito e de forma natural, cresci tímida e recatada. Não entendo... Na seqüência eu fui procurar o resto do pessoal do grupo, uma vez que a professora nos aguardava. Eu era a maior responsável de todos, algo que, independente de sonho, sempre foi uma verdade em relação aos estudos e trabalhos acadêmicos. Creio que tivemos a orientação, mas não lembro dessa parte muito bem. Sei que, logo após, aproximei-me de um rapaz colega de classe e disse que precisava lhe falar uma verdade. Abertamente falei que, de todos os alunos novatos da classe (isso excluía apenas um aluno cuja amizade já mantinha anteriormente), ele era o que eu mais achava bonito. Retrucando ele se referiu ao aluno excluído (que expressamente eu dissera estar acima dele em quesito de beleza): ‘é o Danone não é?’ O outro rapaz não tinha nome e nem apelido de Danone e isso me soou como um termo pejorativo que demonstrava inveja ou ciúme, algo que compreendi. Entretanto, depois de acordar, me perguntei se essa palavra não poderia ter contexto oculto assim como o iogurte do sonho de noites atrás. Eu ri não querendo desviar o assunto para o ‘Danone’. Completando a fala, quis deixar bem claro que não estava com pretensões de namorá-lo e dissera aquilo apenas para que ele soubesse de minha admiração por sua beleza. Pensei que ele fosse dar uma de convencido e pronto, mas o que aconteceu foi o contrário, ele não soltou mais minha mão, ficou meloso, me acompanhou para fora da sala de aula e tentou me beijar. Durante esse processo de sair da sala de aula, eu vi o rosto dele ir se transformando em muitos rostos masculinos que de fato achei belos durante o decorrer da vida e, no exato momento do beijo, o rosto dele era a imagem do meu rosto em formato masculino. Eu não o beijei porque realmente não estava interessada nele, por mais que o achasse bonito. Se ele me parecia atraente, isso se perdeu uma vez que se tornou um meloso oferecido. Mas ainda pior foi quando eu me vi estampada nele, como se estivesse diante de um espelho a mostrar-me como eu seria se tivesse um corpo masculino. Por incrível que pareça, acho que analisar os sonhos está me fazendo entrar num mundo onírico cada vez mais ligados ao contexto da própria significação dos mesmos...
ultima continuação:
Mas o impressionante de tudo veio na lembrança onírica seguinte. Eu estava numa casa (conhecida apenas dentro do sonho) e, de maneira jamais desejada em contexto real, eu naturalmente beijava uma outra jovem e havia uma intensidade de desejo e prazer imenso. Já estou perdendo as contas dos sonhos embasados em envolvimento sexual com pessoas do mesmo sexo. Isso me incomodou nos primeiros sonhos (se não me engano há uns dois ou três anos atrás), mas agora já é super natural, não apenas por eu respeitar a diversidade sexual que existe (inclusive se me descobrisse sendo bissexual), mas também por entender que a significação disso pode ser vasta. Uma outra lembrança muito embaçada que ficou é de eu estar andando na rua com um resto de leite dentro de uma vasilha. Eu ia levar esse leite para alguém, mas depois me lembrei que estava muito cedo e voltei para casa. Isso parece totalmente sem sentido e só estou contando por lembrar do que me disse sobre algum distúrbio que sofri na fase de amamentação. Não sei o que aconteceu depois e nem se meus sonhos prosseguiram por muito mais tempo até eu acordar. Em todos eles eu me sentia bastante à vontade, tranqüila e no meu natural. Até mesmo a caca de passarinho na minha cabeça, algo que no momento foi chato e nojento, foi rápido de ser resolvido. Será que de toda essa baboseira onírica há algo relevante para ser verificado?