sexta-feira, 4 de junho de 2010

FEED BACK 19

 Dart Vader - Guerra nas Estrelas
representação do arquétipo Sombra

A troca dos papeis do sonho demonstra que eu não me exponho para não estarrecer minha mãe. É isso? Se for é uma boa verdade. Não consigo me expor ao coletivo na presença materna. Por outro lado, independente da figura materna, eu busco a exposição pois gosto dela, faz bem ao meu ego que quer ser evidenciado, mas, ao mesmo tempo, tenho medo e provoco a fuga. A busca por um parceiro e o desejo de casamento também são reais.

Muito Bem, garota! Essa é a leitura.

O que significa além do perfeccionismo ter um lado sombra configurado em um rato?

O rato pode ser representação simbólica de conteúdos arquetípicos da Sombra. O que representa? Animal furtivo, fugidio, esperto, oportunista. Divindade maléfica no antigo Egito, pestilento. Na idade média era associado ao demônio.

O perfeccionismo tenta esconder o rato, mas o rato furtivo aflora para desinflar, reduzir o perfeccionismo, a idealização, que suga o sujeito da realidade, levando-o para a terra do nunca, onde o aniquila como sujeito. O rato vem para espelhar a realidade e mostrar: veja! Você não é essa maravilha toda, veja a realidade, a verdade da sua natureza, você tem um lado que anseia por luz e pela transformação, limpe sua sujeira, transforme suas deformações, aprimore-se ao invés de ficar se acreditando Deus. Somos o belo, mas também somos o feio. Quando me faço apenas belo, o feio surge para equilibrar a relação, mostrando que não sou tão belo, e se quiser sê-lo é preciso aprimoração e lapidação, um trabalho árduo de metamorfose das sombras para a iluminação.

Não esconder o lado sombra seria o mesmo que não esconder os defeitos e tendências negativas que temos ou seria evidenciá-los conscientemente?

Tai, fico refletindo sobre a tarefa de esconder o lado sombra. Não há como. Ele é parte da dinâmica da vida, aflora, e de uma ou outra forma ela aparece. Também sinto que a questão não é soltar os bichos, abrir a caixa, mas reconhecer esse nosso lado e transformá-lo em conteúdo mais positivo, reordenado, construtivo. Por isso essa integração dos opostos é uma grande jornada pela vida. Se você tentar aprisioná-lo ele aflorará com força redobrada, se soltá-lo você pode abrir espaço para uma força poderosa e destrutiva. Transforme-o em algo positivo e terás uma fonte de energia poderosa que te auxiliará na sua caminhada.

Negar a noite? Engrandecer o dia? Ambos constituem a vida, Quando aprendemos a conhecer nosso lado sombra, desenvolvemos a humildade para nos reconhecer limitados, mas esse reconhecimento e essa aceitação nos permite incorporar o desconhecido em nós, iluminar o escondido e quem sabe descobrir tesouros.
Muito válido pensar que deixo os outros tomarem decisões por mim, sejam de forma direta ou indireta. Muitas vezes sinto a vida cobrar escolhas que não sei fazer. Por mais responsável que queira ser perante minhas decisões e atitudes, fico muito indecisa exatamente por não querer agir de modo imoral, porém parece que o limite da imoralidade está mais na minha cabeça do que nos fatos em si. Mesmo que eu me posicione, ainda assim fico sem saber se fiz o certo ou se fui apenas uma tola. Creio que minha maior severidade está nesse não saber que teme ousar para vir, a saber, tarde demais. Daí viria as fugas para o mundo da fantasia. Acho sim que me conturbo demais nessa busca de saber como agir com a perfeita certeza de que faço o que é perfeitamente certo. Desvencilhar-me disso parece tão difícil quase impossível por ser muito autônomo.

Essa certeza pode ser impossível conquistá-la. Por isso o perfeccionismo, serve para esconder sua dificuldade de se lançar, se aventurar, se expor. Reavalie a rigidez de seus conceitos morais. O excesso de moralidade pode ser perverso ou a tentativa de esconder uma natureza que é original. Mas quando esse moralismo busca negar o seu lado supostamente imoral, você será severamente confrontada e aquilo que seria natural tenderá a aflora deformado e pervertido colocando em cheque sua moralidade. Quando se consegue, mesmo assim, segurar essa força, ela pode explodir em forma de neurose ou outras patologias. Você precisa encontrar um caminho para viver os seus desejos, aos poucos de maneira suave aprendemos a administrar o sagrado e o profano sem precisar tingir de dejetos nossos princípios. Quando existem princípios podemos administrar nossos desejos, e até transformá-los. O caminho é o amor, a autenticidade, a verdade, o afeto, a coragem, o respeito por nós e pelos outros. Quando descobrimos nossa animalidade pensamos que podemos trancafiá-la no armário. Impossível. Ela se transforma em um monstro fora de controle. Mas quando aceitamos essa nossa natureza imperfeita, temos a chance de transformá-la e de aplacar seu primitivismo. Assim a vida fica fácil e os nossos princípios deixam de serem clausuras de perfeição para se tornarem um ensaio ético da generosidade e do afeto onde podemos nos refugiar vivendo a harmonia e o prazer.

As exigências da realidade seriam criações minhas perante o que me desagrada na vida? Creio que na maioria das situações sou sim indiferente ao coletivo por puro egoismo e exacerbada preocupação. Como mudar isso?

Reconhecer essa natureza é o primeiro passo.

A partir do reconhecimento cada novo momento lhe dará a chance de fazer novas escolhas: ser egoísta ou renunciar ao egoísmo? Partilhar? Mas agora existe a consciência. Ser dirigido por ela ou pela direção do passado? Ser guiado pelo desconhecimento, pela ignorância? Fingir que não reconhece ou identifica o seu comportamento egoísta?

A partir de agora é seu o poder de escolher qual caminho seguir, qual atitude tomar, como se comportar.

Depois que tomamos do vinho, reconhecemos o sabor do prazer. Beber o sangue pode ser um grande dissabor. A consciência nos permite essa escolha. Escolher o melhor.

Brindemos... Às boas escolhas!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SANDY E JÚNIOR I



CH79 SANDY e JUNIOR


Tentei enviar esse sonho antes, mas a internet caiu e como não fiquei sabendo se foi postado ou não, estou enviando novamente: Sonhei que estava saindo com mamãe quando ela me apresentou um amigo seu que queria muito me conhecer. Moro numa rua que tem um posto de gasolina na esquina e além da lojinha de conveniência há um salão de cabeleireiro e uma pâtissière (confeitaria afrancesada). Embora nunca tenha ido em nenhum dos dois locais, no sonho era o cabeleireiro desconhecido que estava sentado numa das mesas da confeitaria. Ele usava um enorme óculos de sol e achei que o mesmo não lhe ficara bem. Novamente a recorrência de um homossexual. Simpaticamente abracei o homem e de cara percebi seu jeito afeminado. Apesar disso ele revelou-se de cara que era apaixonado por mim há muito tempo. Como vi que minha mãe continuara caminhando e já estava quase chegando ao ponto de ônibus, tentei me desvencilhar dizendo que outra hora apareceria por ali para conversar com ele, mas que tinha de alcançar minha mãe. Apresada fui atrás de mamãe e, não se conformando, ele foi comigo. Achava muito estranho um gay assumir tanto interesse por mim. Entretanto, naquele momento eu nem tinha condições de analisar nada, pois o ônibus vinha e minha mãe entrou nele, mas mesmo correndo, eu não consegui chegar a tempo. Comentei que estava sem dinheiro (geralmente é minha mãe quem paga a passagem para mim), perguntei se ele poderia me emprestar e ele mesmo fez questão de pagar dando o dinheiro ao cobrador pela janela do ônibus. Só que teve um problema: o degrau de entrada do ônibus era muito alto e tive de ir dependurada segurando na porta de entrada (sonhos tem cada uma!).

Há dificuldades ou impedimentos de ascensão, de transposição de degrau, dificuldade de mudança de nível, Bloqueio para subida, degrau não superado. E pode ser o medo de ser amada, de se permitir amada, de viver o prazer do afeto. Entrar no ônibus para viver a viagem de sua vida, e não a viagem de sua mãe.

Cheguei num local que tinha dois portões e um gigantesco muro. Parecia não existir nada do outro lado e então fiz como as demais pessoas que ali chegavam: atravessei uma pilastra de parede. Enquanto atravessava observei que o concreto da mesma parecia flocos de gelo condensado que fazia pressão para dentro e para fora. Para entrar era preciso coincidir com a pressão para dentro e sair era ainda mais fácil sentindo lá dentro a pressão para sair. Foi uma sensação muito intrigante e divertida mergulhar no interior da pilastra.

Do outro lado fui imediatamente recepcionada pela cantora Sandy. Era um local simples e estava tendo uma festa. Nos abraçamos com ternura e começamos de imediato a dançar um tango. Nisso o irmão dela, o Junior, veio me cumprimentar. Deixei-o com a mão esticada e disse que queria era um abraço. Ficamos abraçados um bom tempo e depois abracei-o do outro lado (colocando a cabeça do lado esquerdo da sua). Fiquei assim até me julgar satisfeita do afeto masculino e então brinquei dizendo que tomá-lo-ia para mim, se não fosse como homem, que fosse enquanto irmão. Voltei a abraçá-lo apenas para amenizar a brincadeira. No sonho eu tive a ousadia de abraçá-lo tantas vezes repetidamente não por ter proximidade com ele, mas por ter intimidade com ela.

Sonhos com abraços sempre me fazem sentir bem, entretanto, nesse sonho abracei três pessoas com sexualidades distintas e me indago o que isso pode significar. Isso é outro sonho com o mesmo tema do anterior ou seria apenas uma espécie de continuação?

SANDY E JÚNIOR II


OBSERVAÇÕES TEÓRICAS


Isso é outro sonho com o mesmo tema do anterior ou seria apenas uma espécie de continuação?

Dentro da dinâmica onírica o que acontece no presente sucede o passado e precede o futuro. Os momentos podem ser diferenciados, os temas independentes, mas seguem uma dinâmica de prioridade e um ciclo permanente de repetições de etapas.

Assim enigmas não decifrados se repetem para permitir sua finalização, desafios não superados retornam em novos ciclos iniciados mesmo que mais avançados.

Imagine o ciclo da vida como um ciclo espiralado, percorreremos, em nossa vida, essa espiral para um lado ou para o outro. Não existe em cima ou em baixo. Você pode percorrer a espiral avançando ou regredindo, acompanhando o fluxo em expansão ou a retração do universo. O número de espirais que percorrerá dependerá do ritmo, hábitos, escolhas, alimentos, esforço, atitudes que desenvolver, as espirais definirão o tempo completo de seus ciclos (1,3,5,7 anos), ou o raio de sua circunferência, quanto mais harmonia e menos conflito entre o fluxo da retração e o da expansão, maiore serão os espirais e mais tempo para os ciclos completos, a vida mais compreendida e mais intensa.

Por exemplo:

Se em 1 você vive o desafio de ter que renunciar à vingança e não supera o confronto, no mesmo ponto (2,3,...) em 1,3,5,ou 7 anos você viverá a repetição do desafio e do confronto. Independente de avançar ou não na escala evolutiva e de aprimoramento; A cada nao superação, isto leva para o fluxo de retração do universo, você viverá menos, sofrerá mais, pois mais forças atuarão em você.

Da mesma forma, se em 4 você não superou um obstáculo à sua evolução e aprimoramento, você o reencontrará em 5, no ciclo seguinte para romper com o pré requisito que regride sua evolução.

Desta forma muitas vezes pensamos que avançamos quando estamos regredindo por não superar nossos desafios.

Se você supera os desafios e trabalha na sua integração, os conflitos são superados porque você rompe os confrontos. Você é levada no fluxo de expansão do universo, diminuem as repetições e os embates, a vida flui mais harmoniosa, pois menos forças contrárias existem contra o fluxo da expansão, e menos forças atuam em você.

OBS.: Essas observações objetivam facilitar a referência para o entendimento e são apenas pedagógicas, pois que se utilizam de conceitos de dinâmica da Física moderna em associação à mecanismos da biodinâmica da Psiquê, a biofísica da psiquê.

SANDY E JÚNIOR III




Voltemos ao sonho:
No seu caso parece-me outra a mensagem do sonho. Você pode ser sensível e afetiva, mas apresenta dificuldade de manifestação e expressão de sua afetividade. O sonho compensa a sua necessidade de afeto e de manifestação do afeto fazendo viver à experiência que deveria ser natural na sua vida. O Ics. apresenta no sonho Sandy e Junior a representação de dois irmãos sabidamente afetuosos, unidos, no trabalho, no ganho, na família, e que, ultimamente, na vida adulta buscam caminhos diferentes, em decorrência de destinos e individualidades diferenciadas, e, além disso, mostra-lhe que é possível haver convivência afetiva independente das diferenças entre irmãos ou entre sexos.

Por outro lado seu desejo afetivo pode sinalizar uma abertura interna, uma disponibilidade interior para vivenciar o afeto. Este sinal já apareceu em sonhos anteriores.

O abraço afetuoso é para mim uma grande manifestação da expressão afetiva, uma das maiores. Dois seres, dois corpos que se tocam, sem o interesse de sexo, mas de expressar e comungar o carinho, o prazer, o gostar, o amor que um sente pelo outro.

Na dinâmica pessoal pode ser sinal de que você vem sendo mais afetuosa consigo mesma, gostando mais de você e pode significar alteração na configuração de sua auto estima. Reflita sobre a representação de Sandy e Júnior em sua vida para compreender o significado de suas presenças.

Essa é a ousadia que você precisa. No sonho anterior falei-lhe da necessidade de atitudes mais atrevidas para romper com as dificuldade de expressar seu prazer e seu afeto pelos que te cercam. Isto é saúde.

Qual a normalidade e significação de uma pessoa que se crê heterossexual ficar sonhando com homossexuais? Temos nos dedicado a essa investigação para responder a essa questão. Por que tanta recorrência? Já é possível excluir algumas possibilidades, mas ainda não compreendemos a chave. Hoje, a seguir, levanto mais algumas considerações.

Não me julgo uma pessoa preconceituosa. Tais sonhos poderiam aparentar indício de bissexualidade?

Quem pode lhe responder sobre a possibilidade de sua bissexualidade é você. Há interesse ou desejos de relações com pessoas de ambos os sexos? Sente o mesmo tesão por homens e mulheres? Tem curiosidade? Sente-se atraída por homens e por mulheres?

Sei que já manifestou sua convicção heterossexual, e se além das convicções e dos desejos, não existem desejos reprimidos, ou se não há conflitos, fique tranquila com a sua opção, se observe e evite confusão mental e emocional. Cheguei, anteriormente, a considerar a possibilidade de preconceito, que você agora diz que não existe, então fique tranquila.

às vezes quando os conteúdos não nos permitem compreende-los, por incapacidade, a psiquê manda mais sinais, e os conteúdos podem ser melhor compreendidos. na dúvida de significados as manifestações recorrentes podem ter ocorridos para clarear seus significados.

A partir desse sonho foco meu olhar em um detalhe: A questão não parece indicar homossexualidade, ou bissexualidade, mas contaminação de conteúdos autênticos. Esclareço: A questão pode não ser o foco no sexual, mas de manifestação de conteúdos masculinos contaminados por conteúdos de origem femininos. Se o conteúdo não é puro e se aparece contaminado de feminilidade pode significar que o seu lado, seus conteúdos, sua força masculina seja contaminado por conteúdos femininos.

Originados de pai e mãe trazemos a dupla origem e convivemos com essa dupla natureza em busca de integração dos opostos em um único “Ser”.

No sonho a indicação não é de comportamento homossexual, mas a presença de um conteúdo masculino afeminado. A reflexão: Você reduz a representação da figura masculina a ponto de subjugá-lo, com sua força castradora, e a levá-lo à contaminação pelo feminino? Ou seja, você está castrando a força masculina que reside em você submetendo-a ao formato do feminino? Se for esse o caminho, se você não abrir espaço para o seu “animus”, ocorrerão conflitos. E esse conteúdo poderá aflorar e interferir na sua consciência. Estaria você se comportando como um gay? Como um homem afeminado?

Preste atenção em seus conteúdos masculinos. Observe-se, escute-o manifestar-se na sua consciência, veja-o no seu comportamento, abra espaço para essa escuta, trabalhe sua racionalidade, sua lógica, sua disciplina, seu vigor físico, evite que apenas o feminino te comande e te guie, ele já pode ser muito forte, objetive seus propósitos, seja mais determinada, trabalhe sua independência, sua individualidade, suas conquistas, expresse sua sensibilidade, sua intuição, se escute, seja mais positiva. Mais sol, mais dia, e tente harmonizar seus opostos abrindo espaços para as suas naturezas opostas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

COITO INTERRUPTO



CH 78
Sonhei que eu estava com dois rapazes. Um deles se mostrava interessado em mim e falava com o outro evidenciando-me. Comentei que certa vez gostara de um rapaz parecido com ele, mas que havíamos nos encontrado umas três ou quatro vezes e somente um ou dois beijos fora trocado. Disse que havia me sentido desprezada e expliquei o motivo: o rapaz era gay. Isso de fato é verdade, mas no sonho eu parecia ter certeza da sexualidade desse terceiro, algo que na vida real ficou sendo apenas uma suposição, uma ideia (um tanto absurda) que fiz do sujeito por ele não ter se interessado o suficiente por mim. Eu conversava bem perto olhando para seus olhos, uma mistura de azul com cinza que me atraía. Ele elogiava-me para o amigo do lado: tanto ele se envaidecia quanto eu. Nisso nos beijamos. Alguma coisa nele não me agradava, apesar dos beijos serem bons. Era como se eu estivesse sendo esnobada, mas preferisse acreditar na possibilidade daquele relacionamento. Conforme o clima foi esquentando, o amigo dele saiu de cena e apareceu uma mulher trazendo uma camisinha e, numa brincadeira, disse que eu sabia o que fazer com aquilo. Havia a sensação de estar me entregando ao outro rápido de mais, o que me gerava insegurança. Por conta disso, era como se eu estivesse mais disposta do que desejosa, ou seja, a falta de segurança diminuía meu prazer estimulativo do desejo. Entretanto, o homem foi se transformando em um pequeno boneco conforme lhe coloquei a camisinha. Fiquei com o boneco na mão sem entender o que estava de fato acontecendo. Daí a mulher falou que ia ficar ali esperando eu utilizá-lo. Fiquei esbabacada quando entendi o sentido lógico do que ela houvera dito. Em momento algum tinha suposto que o boneco teria uma finalidade masturbatória. Fragilizada, confessei que houvera sido muito tola, pois acreditara fielmente que estava sendo desejada. No sonho eu percebia a situação como se o sujeito houvesse brincado com meus sentimentos desaparecendo e deixando aquele boneco para rir de mim, ou seja, eu não via o homem no boneco em si. É como se a utopia do envolvimento houvesse se transformado na realidade de usar aquele boneco-objeto. Recusei-me a usar aquilo, dizendo que houvera perdido o clima, pois obviamente não era o que eu queria, muito menos na presença daquela mulher desconhecida. A recorrência da homossexualidade nesse sonho por certo deve explicar ou revelar mais alguma coisa sobre minha personalidade. Foi um sonho desgostoso.

COITO INTERRUPTO II



CH 78

Sonhos podem ser incômodos, desagradáveis, desconfortáveis, não muito diferente do que é a vida.

A questão da homossexualidade pode ser questão conceitual, já que a confronta, realça sua baixa estima e seus sentimentos de rejeição. É possível até mesmo que a existência de conflito homossexual possa ter origem neste sentimento de rejeição: Já que os homens a abandonam você os rejeita enquanto simbolicamente os agride com a sua homossexualidade. Se for isso é possível que seja também uma justificativa para não ter que aceitar o sim ou o não como direito do outro e não de forma pessoal como rejeição e revolta. Entendeu? O não do outro não pode ser levado para a contrariedade do amor próprio ofendido. O Não do outro é apenas o direito do outro de escolher o melhor para ele, e isso não pode te reduzir emocionalmente. 

O sonho sinaliza sua dificuldade de escolha, sua necessidade de explicar, se explicar, se justificar. A situação dessa suposta rejeição parece que não foi digerida, elaborada, por você. E sua vaidade... Bem, você ainda não compreendeu que a vaidade é insaciável, quanto mais você alimenta esse monstro mais ele precisa de alimento. Quanto mais infla seu ego mais gás ele precisa para se saciar. Como é uma tarefa Sisifoniana, sua tarefa será infindável. Condenada por Zeus a repetir pela eternidade a tarefa de elevar sua pedra até o cume, seu ego até às alturas, viverás o fracasso do inacabado, do interminável, ou a buisca pwermanente da aprovação do outro, do aplauso do outro.

Você esnoba, mas se sente esnobada, rejeita, mas vive a angústia de ser rejeitada. Deseja mergulhar na luxúria, mas não quer se expor como se isso fizesse de você uma vadia, mulher fácil. O que lhe resta? A masturbação, o orgasmo solitário com o consolo (o boneco) no canto escondido do quarto escondido, com medo de que alguém possa descobrir sua intimidade erótica.

Existe no sonho sinais de dificuldades, no envolvimento sexual, em decorrência dos medos de se expor nas relações, de ser rejeitada, condenada, criticada. Parece-me um coitu interruptus, aquele que desacopla, que não decola para o prazer de voar a dois no universo das sensações orgásticas. E considerando a intenção não se pode relevar a possibilidade de você se punir, você se boicota e bloqueia suas chances de viver seus orgasmos.
Começo a refletir se tens medo da força de sua sexualidade. Com medo da força do seu fogão a lenha, você não cozinha o manjar, e consequentemente não o degusta. Mas a responsabilidade é colocada no outro.
Daí surge questões: qual a forma com a qual você lida com seu corpo? Existem dificuldades em lidar com seus desejos? Há desejo de fazer sexo para que outros assistam seu desempenho? Há dificuldades corporais? Vergonha? Timidez? Vergonha ao lidar com o corpo do outro? Dificuldade de contato com os órgãos sexuais, seu e do parceiro? Houve experiência sexual traumática? As questões surgem, pois no sonho você apresenta dificuldades para interagir sexualmente devido a bloqueios. Você tem desejos de ser exibicionista, exibida? Se você se masturba, existe sentimento de culpa ou conflito pela prática erótica? Você consegue associar sexo a prazer ou só o associa a sentimento? Você dissocia o sexo de sentimento, de relação sentimental, para usufruir apenas o prazer sensorial, de contato, de sensações?

Sexo pode ser uma magnífica viagem de prazeres sensoriais ou uma Bad Trip pré-conceitual. A chave pode estar na sua insegurança, já que esta fragilidade promove em você uma ducha fria no seu Tesão, a enrijece e lhe tira o relax necessário para viver a entrega do corpo e a descoberta do corpo do parceiro. Se fortalecer sua coragem e seu atrevimento, poderá abrir a porta e descerrar este véu que a afasta do universo de sensações e de prazeres. E hora de romper com seus bloqueios, vergonhas, preconceitos.

Reflita. Bye.

terça-feira, 1 de junho de 2010

FEED BACK 18




REFLEXÕES SOBRE A NATUREZA NARCÍSICA


O narcisismo pode gerar prepotência, egoísmo e intolerância?

Poder de gerar não é a questão. Se considerarmos as características do narcisismo é fácil perceber que como são autocentrados, podemos pensar em Egocentrados, invariavelmente um individuo egocêntrico, voltado para o culto e idolatria à sua imagem tenderá a ser intolerante com o que não diz respeito a essa imagem, mesmo que mascare essa intolerância, não deixará de manifestá-la disfarçada em prepotência e penso na prepotência como manifestação reativa, como defesa.

Agora, pensando na prepotência como expressão de poder, é possível que sua origem esteja  na natureza narcísica, já que desta forma o sujeito pode projetar na realidade a sua idealização de realidade e de mundo e se iludir com a sensação do mundo girando ao redor de seu umbigo.
Também é possível que tenha origem em núcleos autônomos localizados no inconsciente e formados ao longo do processo de gestação. Esses núcleos dissociados, renegam a realidade do parto e atuam na busca de saciação dos desejos, mantendo simbolicamente desta forma a ilusão de permanência do vínculo simbiótico no útero materno. Como núcleos autônomos (complexos) interferem e fragilizam o individuo como forma de manterem o nível de energia que possuem armazenada.
A psiquê fragilizada e com baixo limiar de resistência à frustração leva o sujeito a se proteger de eventos que o façam sentir o impacto das pressões ou a querer manipular o cenário externo como forma de ter poder para controlar a origem dos estímulos que possam provocar desconfortos ou espelhar a inferioridade que carregam. Neste cenário compreenda o individuo como submetido à forças internas  e à pressão externa que o encantoa, obrigando-os a comportamentos limites de defesa. Dessa forma o narcísico é apenas um sujeito frágil e angustiado se protegendo de um mundo ameaçador que se faz reativo e agressivo.  Assim vemos crianças que se comportam de forma tirânica e fascista, como superiores e dominadores, sendo absolutamente insignificantes como pessoas. Elas precisam ser mais saciadas no afeto, serem amadas, para estabelecerem vínculos afetivos e sociais consolidados e consistentes. Como na modernidade falta esse amor, as relações são mais distanciadas, a tendência é que os narcisicos cresçam em número no mundo.
Nesse sentido os narcísicos buscariam permanentemente a auto-suficiência e o individualismo crendo que os outros não o merecem por conta das diferenças existentes?

Buscam para compensar a inferioridade que carregam nas costas e que não suportam. Uma inferioridade frente a insignificância que representa no universo, ou na realidade em que se exclui. Mas há diferenças nesta busca. Aqueles, como diz, que buscam esse individualismo podem fazê-lo também pela dificuldade de interagir ou porque gostariam de ser mais paparicados e focalizados como “importantes”, e isso pode ser sinal de carência, de ser aceito, de ser incluído, aí pode também estar relacionado a outros tipos de dificuldades.

Se isso que chama de individualismo é egocentrado, faz sentido, já que implica em ensimesmamento, quando o espelho é interno, auto centrado. E os outros... Bem os outros são insignificantes, o outro não existe na realidade do narcísico, a não ser como assessório para ser usado oportunamente e para alimentar o seu jogo erótico e masturbatório.

O fato dos outros não ser como ele o faz se fechar no seu próprio jeito de ser tornando-se um auto-apaixonado que ressalta a si mesmo seu ego envaidecido?

“...Se fechar...” implica em sair do aberto para o fechado. Isto não ocorre. O fecho não se abriu para se fechar, ele se fez natureza fechada, intransponível, social mas insociável, interage a partir de armaduras e defesas refratárias, as relações ocorrem por que a psiquê não é fragmentada, esquizo phrênos, o espírito mantêm-se integrado, se compensa e se realiza nesse jogo auto erótico enquanto relaciona-se com o mundo, com “a coisa” externa, aquela que existe fora dele e que serve apenas para municiá-lo e compor seu mundo, aquele que criou projetado na realidade.

Veja que ele é apaixonado pela imagem de si, seja aquela vista no espelho externo ou aquela construída, idealizada no espelho interno.

Considere que há dezenas de graus de inserção neste plasma gosmento. Penso numa escala de 0 a 100. Onde:

• 0...25 – Narcísicos Românticos – Mantém relações sociais e manifestam capacidade de vinculação afetiva, interesse ou algum tipo de tendência a vínculos emocionais. Que os levam a procurar e a desejar algum tipo de vinculação afetiva, mesmo que seja para manter a imagem de “especiais” e sociáveis. Mas permite o exercício afetivo. Pouco ou nada destrutivos se aninham na vaidade e se contentam com aplausos. Ainda que a vaidade seja insaciável e que seu limiar de saciação aumente, o sujeito mudará de classe, mas terá tempo para direcionar sua vida para relações mais consistentes e tempo para desenvolver vínculos afetivos, que em geral podem representar a salvação desta areia movediça, ou seja podem regredir o narcisismo ou agravá-lo com o tempo;

• 25...75 Narcísicos Sociopatas - É o biótipo que mais cresce na sociedade moderna. Podem ser encontrados com baixo nível de destrutividade e até nas fronteiras com a psicopatia. Em geral é um biótipo narcísico por excelência que mantém sua reatividade destrutiva sob controle, mas com o passar do tempo se são muito frustrados tendem a aumentar o grau de destrutividade podendo avançar para psicose ou para estados mais severos de psicopatias, depende da deformação do caráter;

• 75...100 Narcisicos Psicopatas – Predadores – auto grau de destrutividade, o limiar de resistência a frustração é reduzido o que os transforma em reativos destrutivos por excelência, são os narcisistas mais nefastos.

Obs.: considere esses comentários dentro de um contexto pedagógico.

Quando é dito que o homossexualismo dos sonhos pode representar característica narcisista, seria nesse sentido?

A idéia é que é mais fácil se relacionar com um igual do que lidar com as diferenças. As relações homossexuais favorecem essa identidade e permitem ao individuo a criação, dentro de limites simbólicos, emocionais e afetivos, de laços afetivos. Se os laços são possíveis eles mantém o individuo como que ligados por um cordão umbilical com o mundo. O egoísmo existe, mas em níveis administráveis e favorecem a existência de concessões, como devem ocorrer nas relações interpessoais.

Nos sonho pode aparecer como compensação do desejo reprimido, neste caso a tendência homossexual ou como manifestação da dificuldade de lidar com as diferenças ou da dificuldade de ser atraído para o diferente.

Pensemos: Mesmo que as identidades favoreçam a construção e a permanência das relações afetivas e que as diferenças de identidade afastem os individuos, nos completamos com o oposto. A vinculação com o igual é essencialmente narcísica, não apenas pela identificação, mas pelo espelho que o outro representa.

A pessoa estaria sonhando consigo mesma em duas dimensões? Pergunto isso pois tais sonhos me passam essa sensação de duplicação, de estar muito fechada em mim mesma, auto-casada. Isso faz algum sentido?

Desculpe-me, não consegui compreender a associação ou a sua forma de elaborar sua dúvida. Mas se esta preocupada com uma dupla personalidade, acalme-se. Estar fechada em si mesma não quer dizer dupla personalidade. Mesmo que tenha desejos de relação com outras meninas e mantenha seus desejos mascarados ou reprimidos isto não quer dizer que existam duas pessoas dentro de você, uma que anseia e outra que negue. Em principio, isso pode anunciar a existência de um conflito. O embate de duas forças contrárias. Uma que empurra e outra que segura, uma que deseja e outra que condena. A existência do conflito, necessariamente, não a transforma em homossexual enrustida.

No dia em que preparei o post “Meu Espelho Eu” me sentia bem lúcido, click no link e confira:  

segunda-feira, 31 de maio de 2010

INTEGRAÇÃO E HARMONIA


Eu me pergunto:

SE A VIDA PASSA COMO UM FLASH,
E SE  MAYA É ILUSÃO,
E A REALIDADE É APENAS REFERÊNCIA
PARA CONSOLIDARMOS A CONSCIÊNCIA,
PORQUE ABRIR MÃO DE UM PORTAL
QUE NOS PERMITE ENCONTRAR
UMA FORMA DE VIVER
EM HARMONIA E INTEGRADOS
À NOSSA NATUREZA?
È VITAL NOS PROTEGER DA PRESSÃO
QUE A VIDA MODERNA
APLICA EM NÓS,

SONHOS SÃO PORTAIS DE SINCRONISMO. 

domingo, 30 de maio de 2010

O LÁPIS PRETO


CH 77

Pouco antes de acordar sonhei que estava numa piscina fazendo uma espécie de nado sincronizado e havia uma parte donde eu era empurrada para fora da água e depois caia nela indo até o fundo da piscina. Eu não sabia como eu conseguia fazer aquilo, mas eu fazia e isso era o importante. Nisso minha mãe chegou e, pela expressão nervosa de seu rosto, achei que ela fosse me dar uma bronca na frente de todos, mas calmamente ela disse que não estava brava por eu ter saído, mas sim por tê-lo feito sem avisá-la, sem deixar ao menos um bilhete para ela saber meu paradeiro. Embora nunca tenha gostado de dar satisfações, entendi o lado materno e preocupado dela ainda surpresa por sua fala tão mansa. Ao contrário disso, o professor foi até a sala do escritório e começou uma discussão com uma jovem que saiu falando alto até o local da piscina. O bate boca foi rápido, eu não sabia quem era ela, o que ela era dele e nem preocupei em entender o motivo da briga. Ao ver que ele ia embora, também quis fazer o mesmo e chamei minha mãe para irmos. Eu houvera saído no carro dela e, uma vez que ela estava ali, deixei-a dirigir no trajeto de volta. Na vida real minha mãe não tem carro, eu não sei dirigir e nem tenho carteira de motorista, mas no sonho, minha mãe tanto tinha carro como eu sabia dirigir, embora não tivesse ainda a minha habilitação. É estranho e interessante sonhar fora da perspectiva real da vida.

Ao chegar em casa, o professor colocou os dois carros dele dentro da garagem e a jovem entrou com o mine carro dela passando por debaixo dos outros dois carros normais. Achei aquilo o máximo e pensei que talvez aquele carrinho não precisasse de habilitação. Nisso minha mãe perguntou se cabia o carro dela na lateral do segundo carro e analisei o espaço respondendo que não. Era a garagem aqui de casa e minha mãe não tinha como guardar o carro dela na própria garagem. Não sei por que eles estavam guardando os carros aqui em casa e não lembro do desfecho, pois em seguida, eu estava num supermercado com minha mãe. Depois de olharmos várias coisas, ela encontrou um escritor e ele começou a fazer propaganda de um dos seus livros. Minha mãe foi com ele até a sessão de livros dizendo que estava pensando de comprar um livro tal e, embora eu admire os escritores, adore ler e olhar livros, no sonho eu me desinteressei por aquilo e larguei os dois indo até a sessão de produtos de beleza. Eu não ia comprar nada, mas queria experimentar as amostras gratuitas. Procurei um lápis preto para passar nos olhos e não encontrei. Fiquei muito indecisa e gastei um tempo escolhendo outra cor até que experimentei o marrom. Nisso veio uma atendente. Pensei que ela fosse achar que eu estava abusando no consumo dos produtos, já que eu estava ali a algum tempo e, preocupada, perguntei se não havia lápis de olho na cor preta. Parece que o sonho veio me mostrar que, embora eu esforce para não mentir, ainda tento omitir a verdade. Eu não estava interessada em comprar nada, apenas queria passar o tempo me distraindo naquela sessão e aproveitando a imensa variedade dos produtos expostos. O sonho também parece mostrar que sou uma pessoa oportunista e sei que sou, embora não goste de assumir isso.

A atendente chamou uma outra, falou algo e depois essa outra veio trazendo um produto que parecia ser ultimo lançamento. Ela incitou-me a experimentá-lo. Olhei para o produto sem entender se aquilo era de passar nos olhos, na boca ou no cabelo. Olhei o rotulo, mas estava tudo escrito em outra língua do tipo mandarim misturado com francês. Sem jeito de perguntar que tipo de produto era aquele, perguntei se era preto já me achando uma tola. Claramente vejo meu disfarce. Outra vez ela mandou eu experimentar para ver se gostava. Fiquei preocupada pensando em minha mãe, pois não havia avisado-a de que estaria na sessão de produtos de beleza (e ela acabara de conversar comigo sobre isso no sonho anterior). Pensei de fazer disso uma justificativa para sair daquela insistência desconfortável. Sem conseguir ter uma definição de escape e, necessitando esconder o problema de não saber que tipo de produto era aquele, perguntei qual era o preço daquilo enquanto fazia força para entender o rotulo do produto misterioso. Enfática ela falou para eu experimentar. Disse que não podia fazer isso, pois talvez não fosse ter dinheiro suficiente para levá-lo e aquele produto não parecia ser do mostruário. A atendente respondeu que eu não era obrigada a comprar nada do que eu experimentasse ali. Eu sabia disso, mas não queria ser abusada, embora quisesse sim experimentar os produtos de graça. Foi então que ela ofereceu-se para passar em mim e colocou as mãos sobre minha cabeça dando a entender que era um produto para o cabelo. Aliviada percebi que ela estava mais interessada de me mostrar o produto do que de me fazê-lo comprar. Soltei meu cabelo dizendo que ele estava super embaraçado e ela, como se quisesse testar o produto, pareceu achar ótimo o meu cabelo estar em tal condição.

Essa segunda parte foi muito esclarecedora! Embora tenha me dito para deixar a analise por sua conta, acho importante deixar claro o que senti dos mesmos enquanto um espelho a mostrar de forma mais nítida o que acontece comigo de 'errado'. É como se o sonho me mostrasse que o meu pensamento pode em nada condizer com a realidade. Vivo situações do gênero na vida real donde eu imagino o pensamento e a postura do outro e fico me camuflando com vergonha e medos que podem ser desnecessários.

Eu tive vergonha do meu oportunismo e tive medo de expressar que eu estava usando os produtos descompromissadamente apenas para passar o tempo enquanto minha mãe fazia as compras dela.

Eu perguntei sobre o lápis de olho preto apenas para disfarçar, pois embora preferisse tal cor, pouco me importava se havia dele na loja ou não. Quando me foi dado um produto estranho, não tive coragem de perguntar do que se tratava, embora tenha deixado claro que não queria abusar da generosidade da loja em oferecer o mostruário sem compromisso. Usar os produtos de graça sem intenção de comprá-lo para mim já era abusar, mas eu não queria que a moça me visse como uma abusada.

Nitidamente o sonho me fez perceber que eu sou minha própria juíza crítica. Eu me vejo mal e tento fazer com que os outros não tenham a mesma impressão que eu já tenho a meu respeito.

O LÁPIS PRETO 2ª parte


CH77  2ª Parte
Me pergunto: por que eu não tive coragem de brincar com meu jeito oportunista e assumir de cara que estava aproveitando dos produtos sem intenção de comprar nada?

É uma boa questão. Mas seria falta de coragem? Ou a armadilha dos que escondem seus desejos? Esconder pode ser traduzido por dissimular.

Por que fiz perguntas indiretas?
Despistar, dissimular, fingir interesse para esconder suas intenções originais. Mas a essa pergunta você tem munição para responder.

Por que temi levar uma rala da atendente se, embora pessoalmente me julgasse uma abusada pelo que fazia, não estivesse fazendo nada de errado uma vez que a compra não era obrigatória?

Você se esconde daquilo que você realmente é. Você se culpa por que não se aceita, e não quer que os outros saibam que é oportunista, fica por trás da imagem idealizada que construiu e que vende para os outros.

A sua referência no “outro” também lhe tira a consistência para enfrentar situações corriqueiras, já que a fragiliza e abre espaço para a sua inferioridade se manifestar. Você já entra na situação inferiorizada, derrotada, pelo que fantasia ser o julgamento ou crítica alheia. Possivelmente, se a sua condição financeira não for favorável, lhe tira os seus direitos como pessoa, como cidadã. O conceito pode ser: tem direito quem tem poder, quem tem posses, ou então a falta de direito decorre da anulação que exerce sobre sua personalidade.

Quando fui dizer que talvez não tivesse o dinheiro suficiente para levá-lo, pensei que ela fosse dizer 'não se preocupe, se gostar do produto, quando tiver condições, você volta e compra'. Percebi que o problema não estava em fugir da compra naquele momento, mas sim em fugir da verdade que era o meu desinteresse em comprar qualquer um daqueles produtos.

A leitura que faz é carregada de sentido. Você foca o alvo.

Fui no sonho exatamente o que sou na realidade. Meu incomodo ali, assim como na vida real, não era em ser oportunista, mas sim em não conseguir revelar, assumir e expor meu jeito de ser.

Identifico-me com essa leitura, ela feita por você amplia a força do que venho tentando mostrar: que os sonhos nada mais são do que o que somos e o inconsciente faz o papel de nos mostrar o que precisamos aperfeiçoar e transformar, enquanto atualiza o sistema.

O comportamento é de quem que aproveitar da situação, o oportunista, mas pouco importa as justificativas para o tipo de comportamento que se pratica, ele existe porque faz parte do repertório que o individuo desenvolveu para se relacionar com a realidade em que está inserido. O conflito se origina quando o sujeito tenta negar ou dissimular aquilo que ele é. Aquilo que não quer que o outro identifique ou diagnostique, porque ele próprio condena em outros, porque esconde de si mesmo.

Esse jogo de esconde/esconde leva o sujeito a construir um estereótipo idealizado de individualidade, quando deveria trabalhar as mudanças de seu comportamento. Enquanto se sufoca, se marginaliza e se distancia de si mesmo, passa a sofrer as consequências dessas duas forças que tentam sobreviver dentro dele: o “EU” idealizado e aquilo que realmente é.

O intolerável não é ser o que sou, mas sim tentar ocultar meu jeito de ser. Por que não consigo ser mais flexível e humilde para comigo mesma?

Perfeito! Carlota, fortalecendo o que realmente acredita ser, consolidará a construção de sua personalidade, sua individualidade, sua manifestação única e singular como sujeito de sua vida, dissolvendo o estereótipo idealizado infecto e “perfecto”. Tornando-se mais humana, com possibilidades de acertar, errar, corrigir seus equívocos, consolidar seus acertos, uma pessoa mais integrada, mais afetiva, generosa e inevitavelmente mais feliz.

Inicialmente o idealizado surge como um projeto que funciona como referência para o desenvolvimento da individualidade, mas essa idealização passa a ser confundida com a personalidade constituída, subjugando-a devido à sua necessidade de maturação. Fica mais fácil construir a personalidade no idealizado do que consolidá-la no processo de maturação. Essa construção idealizada passa a servir como refúgio onde o sujeito se protege de suas contradições, e passa a funcionar como mediador entre o sujeito e a realidade e os confrontos internos efetuados pelo inconsciente, através dos sonhos, dos pensamentos livres e das lembranças. Esse mecanismo se transforma na armadilha dos que se enganam.

O sonho levanta questões significativas, como a sua relação com a vaidade e com a beleza. Sua escolha é voltada para os produtos de beleza. Lembro-me de fazer referência aos produtos que sua irmã lhe passa quando ela renova ou realiza mudanças. Parece-me que à carência de produtos básicos no seu dia a dia. Sempre ocorrem referências a situações em que procura usufruir de situações que lhe favoreçam a posse de objetos que não tem acesso. Neste caso me impressiona o foco, ou a dificuldade, ser em um lápis preto que não podes adquirir. Parece que alem das questões que levantou, existem outras significativas como dificuldades de inserção no mercado, na sociedade de consumo, a marginalização, a exclusão econômica, e... Dificuldades para lidar com a sua vaidade, seus cuidados, suas possibilidades de ampliar seus instrumentos de sedução e atrativos como mulher. E... Mais, com a questão do mandarim misturado com Frances registrado como lápide no rótulo, a sua Habilitação para dirigir o seu carro e a sua vida, e os cabelos embaraçados... Mas fica para outra oportunidade.

De qualquer forma é sonho de confronto que lhe chama a atenção e abre a possibilidade de refletir sobre a sua postura, suas atitudes, seus focos, suas escolhas, a forma como você responde às exigências da realidade. É hora de exercitar e experimentar novas formas de respostas.

Ah! Um detalhe: Lápis é pedra, referência a refratário, lage, lápide, defesa, proteção.

APRENDENDO A DECIFRAR SONHOS

“Embora tenha me dito para deixar a analise por sua conta, acho importante...” Não sei identificar quando posso ter te dito isso, em principio não é minha característica, antes pelo contrário, procuro dar informações o máximo de informações sobre os mecanismos para que o outro possa aprender a fazer a leitura de seus sonhos, e inclusive em seções de analise antes de me manifestar solicito a visão ou interprestação de meus clientes. Considero-as importantíssimas para minhas observações. Se em algum momento você entendeu o contrário desconsidere. Posso ter-lhe dito da dificuldade de autoanálise. Sinceramente não tenho nenhuma dúvida dessa dificuldade, ela já foi relata por muitos, é histórica e em geral cheia de armadilhas. Posso ter lhe sugerido que em caso de fechar o Blog, e já estive para encerrá-lo, que você procure o suporte de um especialista para continuar sua jornada que considero rica e determinada, sua tarefa será menos difícil. Mas enquanto aqui, por favor, não deixe de acrescentar sua visão, seus sentimentos considero-a importantíssima.

Quando acrescento informações dos mecanismos da psiquê, o meu objetivo é transferir conhecimento para que outros possam usufruir dessa possibilidade de autoconhecimento e para que possam fazer essa leitura independente de qualquer pessoa, só não tenho a ilusão de que seja um aprendizado fácil mesmo que possível. Senão já não estaria aqui, pois brincaria de decifrar sonhos.

sábado, 29 de maio de 2010

FEED BACK 17



 
Feed Back 17

Algumas perguntas para reforçar meu entendimento no assunto:

Através dos sonhos nos autoconhecemos a um nível inconsciente?

O inconsciente são as águas primordiais, o oceano da vida, de onde se origina a nossa vida, é como a reserva e a conexão com a essência do universo, portanto inacessível, mas como bem o disse Jung: “anseia por luz”. E este é o propósito: considerá-lo, não perdê-lo de foco, para iluminar aquilo que for possível ou passível de iluminação.

Os sonhos como produto do inconsciente nos permite conectar e conhecer uma tendência de sua dinâmica, ou uma mensagem que ele queira nos comunicar. Quando abrimos as portas para compreender esta linguagem abrimos a possibilidade de integrarmos à consciência, e portanto à nossa vida, conteúdos e energia resguardos, representados e vivos neste universo desconhecido.

Seria como ter acesso ao ponto primordial de todas as nossas crenças, conceitos, bloqueios, temores, etc., tanto de forma individual quanto coletiva?

Mais do que conceitos, crenças ou medos. Muito mais.

O sonho é esse acesso, permite nos conectar a essa raiz primordial de nossa gênese. Como quando nos conectamos, através do cordão umbilical, com a fonte da vida, a mãe. O inconsciente é a conexão com o oceano primordial, como a Mãe Divina. E os sonhos é uma de nossas possibilidades de nos conectar com os conteúdos de inconsciente que precisam ser considerados.

São conteúdos que são carregados de simbolismo, portanto de referências, dados, princípios, conceitos, que indicam a gênese e que buscam a integração, ou um canal de comunicação, relação com o universo como o conhecemos. (ver considerações em CH69).

Não nascemos do nada, mas a partir de uma matriz genética, que além das informações que permitiram a constituição e formação do SER, o produto, recheia este produto com dados, configurações de funcionamento e informações que servem como referência para que ele tenha um mínimo de possibilidades de se gerir como indivíduo autônomo e como extensão da natureza para avançar no projeto básico da evolução dessa matéria.

Alem dos conteúdos herdados, novos se formam e se constituem se tornando fatores determinantes no processo de desenvolvimento, regularização, ordenação e atualização deste novo ser que também será transformado em matriz, na dinâmica de preservação e perpetuação da espécie.

Os conhecimentos acumulados pela humanidade, já nos permitem compreender a vida como um constructo de ordenação envolvido por um universo aparentemente caótico, e a vida já pode ser melhor compreendida além da visão abstrata, mágica ou religiosa do passado.
Sem esquecer que a religiosidade é configuração básica para a formação de respeitabilidade pré-requisito para a conexão, assim como a ciência pelo espírito ordenado nos permite evitar cair em armadilhas fantasiosas do pensamento mágico, se mostrando, cada vez importante nessa caminhada em busca de compreensão. Neste aspecto a ciência assume uma configuração que a religião tambem ocupa, como formato de religiosidade. O pensamento lógico é conquista da ciência e referência de investigação. Sem a consciência ficamos mergulhados no oceano primordial.

A dinâmica interna de mudança decorre dessa liberação de emoções do inconsciente levadas à atenção da mente consciente, a qual nos faz mudar a própria personalidade para manter a estabilidade mental e emocional?

Existe uma tendência natural de preservação. Quando o sujeito se acredita determinante e deixa de considerar essa força interior, ele como se coloca em contraposição a essa força. Neste momento, ao cometer este equívoco, ele se torna alvo do imponderável, de uma força, ou de múltiplos núcleos de força, que a partir de seu interior, podem invadir a consciência e até aniquilá-la, caso de distúrbios mentais, comportamentos destrutivos e autodestrutivos, já como manifesto patológico, como sinal de desordenação, desregulação, caos.

A consciência pode iluminar este universo desconhecido, transformar, metamorfosear e incorporar conteúdos originários desta dimensão interna, tanto como configurações mentais de consciência podem favorecer conexões e configurações apropriadas para que transformações de consciência possam ocorrer. Esse processo acontece de forma continua num ciclo permanente de trocas e interações entre o inconsciente ligado ao universo, pelo interior e a consciência, ligada à nossa realidade no universo, pelo exterior.

Quando o sujeito a partir de seus comportamentos e referendado na consciência estabelece uma interação bem constituída com a realidade, em parâmetros internos modelados ao longo da formação da civilização humana, paradigma do nascimento e surgimento da consciência, ele caracteriza os princípios de sua relação com sua natureza interior e passa a ser regido a partir de sua formação de consciência e de seus conteúdos de origem inconsciente que penetram e o direcionam a partir da câmara do pensamento.

Hoje sabemos que a partir da matriz genética somos como que ordenados por conteúdos arquetípicos que precisam ser considerados por nós, já que eles indicam referências de princípios que foram incorporados na constituição da sociabilidade humana. Princípios que envolvem parâmetros como justiça, base de troca, valores, relação com o divino, valores éticos, hierarquia, etc. Configurações que preservam a natureza da espécie humana sua relação com o mundo e com o universo.

Obs.:

Bem... Os temas são complexos e por mais que eu tenha a intenção de repassá-los já mastigados, não deixam de serem conteúdos de psicologia profunda que precisam de paciência para ser compreendidos em sua vastidão. Estou tentando respondê-la não com conteúdos históricos ou conceitos de grandes teóricos do passado, mas como conhecimento de ponta, como no presente consigo pensar a construção humana, dentro de conhecimentos humanos acumulados que nos permitem compreender ou tentar compreender um pouco mais dos mistérios de nossa natureza. Se não consigo respondê-la, perdoe-me a incapacidade.


sexta-feira, 28 de maio de 2010

REMINISCÊNCIAS



CH 76

Falando sobre meu ultimo sonho: ontem escrevi um e-mail para um homem com o qual me relacionei anos atrás e que me fez viver um pesadelo real. Escrevi-lhe algumas coisas que eu não houvera esclarecido na época em que terminei tudo com ele. Demorei para dormir pensando que ia sonhar com ele (embora não guarde mágoas, não tenho vontade de vê-lo nem em sonho). Não obstante, sonhei que ele havia me ligado. Minha mãe me passou o telefone, a ligação estava muito longe. Ele perguntou como eu estava e respondi estar bem. Ele disse que houvera lido meu e-mail, que eu era uma pessoa maravilhosa, daí escutei uma música de fundo, mas a ligação foi ficando ainda mais longe e eu não consegui escutar mais. Perguntei como ele estava, mas só escutava um ruído e parecia que a ligação já tinha até caído. Talvez tenha tido outros sonhos com ele, mas essa foi a única lembrança que ficou. O que pode representar?

Sempre sinto que abrir o Baú do passado exige cautela, pois remexemos matéria delicada que pode impregnar o Presente ou apenas... se dissolver no ar.

Neste caso parece-me que você fecha a Gestalt de sua vivência, você a conclui. O sonho mostra que a conexão entre vocês se estabelece no presente de forma distanciada. Nada mais há a dizer: a ligação está looooooonge... Tudo bem com você depois da separação, sua autoestima em relação a este fato é reconstituída, ao fundo uma música (ordenação, composição ordenada, melodia, harmonia) e a ligação foi ficando mais looooooonge. Só ficou o ruído, a ligação deixa de existir. Fim de uma relação, fim de um caso de Amor, só ficou a lembrança, desfalecida, e o silêncio. 

Já cantava Guilherme Arantes (siga o link para ouvir):
Vamos em frente que a fila anda... um passinho à frente... que o caixão vai fechar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

FRAGMENTOS SENSAÇÕES

Branca de Noiva

CH76
Terceira sensação:

um casal de noivos recém-casados saíram da festa e foram para um quarto. O noivo queria dormir ali, mas ela achou que não seria bom, pois no dia seguinte todos estaria lá para acordá-los e tirar a privacidade deles querendo saber como havia sido a noite de núpcias. O vestido de noiva dela era muito bonito: todo branco, forro de cetim sobreposto com um segundo vestido de renda bordada e uma calda comprida leve. Eu assistia aquela cena como se eu fosse a noiva e ao mesmo tempo como se eu fosse apenas uma observadora.

Seu desejo manifesto é casar. O sonho compensa seu desejo. Fica a dúvida, casar pelo cenário, pela produção, para realizar e satisfazer sua autoestima de ser o foco das atenções, ou casar para realizar o encontro com a sua alma gêmea, o seu parceiro?

Qual o desejo? Inflar a autoestima ou realizar a integração de homem e mulher, masculino e feminino? Se o desejo é saciar o ego o movimento  é feito para realizar o sonho da princesa, aí o que conta é o cenário e o homem é apenas um objeto coadjuvante do filme que foi construído no imaginário. Se a busca é a integração não importa os outros, eles não têm acesso à privacidade do casal, não há como ocorrer uma invasão, o caminho é de integração.

Neste aspecto o medo, ou o desejo, de ser invadida pode estar associado à indiferenciação do individuo com o coletivo,  a construção de defesas se fazem necessárias já que o Intento individual é voltado como foco para satisfazer a imagem voltada para o coletivo.

Quarta sensação: eu estava ao lado de um homem casado que um dia havia gostado de mim. Senti-me melancólica não pelo fato dele ter casado, mas sim por ter deixado de gostar de mim igual anteriormente. De toda forma, eu não me arrependia de não tê-lo querido no passado e nem pensava em ter nada com ele além de amizade em respeito a seu atual casamento.

Quando o futuro é vacilante, o passado é resgatado como referência. Ou o passado surge para que possa reavaliar os princípios que determinam suas escolhas. Arrepende quem faz escolhas mal feitas, e se a escolha foi mal feita é porque não se pesou devidamente o que deveria ser pesado. No sonho uma característica salta: “Senti que eu poderia ter gostado dele se ele houvesse sido mais insistente.”, a sua vida e o seu futuro entregue ao poder do outro de decidir e escolher. Sua escolha é definida pela escolha que o outro faz. Você repete o velho padrão de quem sonha e deseja que o outro modifique e transforme a sua vida. Faça você essa transformação, para que no futuro não se arrependa por omissão ou falta de posicionamento.
Quinta sensação: eu estava num local donde acontecia um processo de exorcismo. Eu segurava uma janela pequena de madeira (ela era de frestas e por trás havia uma cortina preta), pois espíritos malignos queriam entrar e me atacar. Nisso uma ratazana furou a janela e mordeu meu dedo. Ao ver o sangue eu fiquei com raiva e enfiei um pegador de roupa na goela do bicho soltando-o pela janela do prédio. As demais sensações são tão vagas que nem vou tentar descrevê-las.

Eu gosto disso, quando provocada você consegue uma reação, a iniciativa de responder no mesmo tom. Penso que isto ultrapassa a simples reatividade, pois do âmago surge o que você é, por detrás da máscara, surge a pessoa que responde, que não se permite ser aniquilada, atacada, que não se importa com a imagem de perfeita e de boazinha. A energia, a iniciativa, a capacidade de mobilizar uma ação positiva, um ataque, existe, mas por enquanto existe por trás da janela. É preciso conhecer este lado forte, ativo, determinado, seguro, sem medos, para que possa tirar melhor proveito dele, para que deixe de ser um resultado apenas dessa capacidade reativa e pulsional.

Significativo é que os espíritos malignos são conteúdos do arquétipo Sombra, conteúdos de inconsciente ainda não integrados e que segundo Jung são “a coisa que uma pessoa na tem o desejo de ser” (CW16p470), este é o lado negativo da pessoa, a soma das qualidades desagradáveis que o individuo quer esconder, o lado inferior e primitivo da natureza do homem. Para Jung, todos têm esse lado sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do individuo mais negra e densa ela é. Quando a manifestamos podemos reordená-la, quanto mais a reprimimos mais a isolamos e mais forte ela se fortalece para romper a repressão e aflorar à consciência. Como um vulcão em erupção. Somo contituidos dessas duas naturas, luz e sombras, fazemos pouco quando nos escoramos na construções de imagens, do virtual, que nos espelha. Imagens não se sustentam, se mostram inconsistentes. Precisamos iluminar nosso lado sombrio para integrarmos os opostos.

Essa repressão voce exerce sobre esse seu lado a partir do seu perfeccionismo ou pela severidade de sua rigidez construída na imagem de perfeccionismo na sua vida. É como selar um vulcão com concreto armado. O individuo acaba pulverizado pela força que armazena, concentra e reprime.

Já próximo ao despertar, tive um sonhos que conservei melhor em mente. Minha mãe me chamou para ir com ela num banheiro público. Não sei em que tipo de local estávamos. Ao chegar no banheiro feminino haviam dois homens transitando lá dentro. Minha mãe sem ao menos fechar a porta, fez as necessidades dela enquanto eu, de longe, olhava a cena estando estarrecida pela tranquilidade de minha mãe e indignada pela presença (que parecia natural) dos homens. Nisso o local transformou-se noutro que não sei ao certo o que era. Visualizei uma grande quantidade de homens e mulheres, sendo que um deles se aproximou de mim. Era meu marido (incrível a recorrência de ser casada! Já estou perdendo a conta dos maridos oníricos que venho tendo ultimamente). Saímos conversando do local. Logo em seguida eu parei num campinho de futebol para jogar bola com alguns rapazes (eu jogando bola é hilário, pois nunca tive vontade de praticar tal esporte). Entretanto, eu estava terminando de comer um sorvete com sucrilhos e sentei-me para acabar de raspar o copo, pois estava complicado chutar a bola e comer ao mesmo tempo. Nisso eu já estava era no sofá de uma casa. Eu terminei de comer, joguei o copo descartável fora, peguei a chave, tranquei a porta e saí. Não lembro mais nada. Desculpe a sinceridade, mas me parecem sonhos tão tolos que só estou relatando-os por saber que talvez você possa me clarear o entendimento perante os mesmos. É possível?

O sonho retoma o tema anterior da privacidade. Enquanto no anterior aparece a busca de privacidade, neste a privacidade inexiste, e lhe mobiliza uma energia reativa, desconforto frente à exposição, independente do desejo mascarado em medo, ou da necessidade de se expor, o que poderia sinalizar um conflito moral entre um desejo de se expor e a repressão que leva ao recuo. interessante que o mostrado é a natureza animal, Natural, mas que registra nosso lado matéria. Não somos apenas o abstrato e a imagem, somos carne, desejo, fome, instintos e necessidades que precisam ser saciadas. Nós ja somos a matéria explicita pois resultamos dela.

Também aparece uma severidade que leva à regras de distanciamento entre masculino e feminino. Naturalmente as regras sociais fazem essa separação, mas realça aquilo que parece natural entre mulheres e a figura masculina como invasiva.

É interessante que o tema apareça na satisfação das necessidades básica do ser humano, exatamente as que experimentam regras mais rígidas, mas quando são manifestas em ambiente público e coletivo não há como não associar com o nosso diálogo: Quando você vem a este espaço expõe suas necessidade em ambiente coletivo. Neste caso é necessário lhe perguntar se há algum conflito neste quesito. Se Há o estarrecido aparente em você é expressão de sua mãe enquanto que sua mãe é você se expondo. Compreendeu?

Há desejos de casamento? Neste momento ocorre alguma vontade maior de encontrar um parceiro? Vem sentido necessidade de namorar? Ocorre falta de sexo na sua vida? Há carência de troca de carícias? Está se sentindo só? Pense porque em caso negativo a sinalização de casamento é apenas da dinâmica interna de conteúdos que já se configuram mais integrados.

E para completar: sua vida está sedentária? O corpo pode compensar sua necessidade de exercícios físicos devido ao sedentarismo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O ANIVERSÁRIO DO SACRIFÍCIO

Iv.

Meu nome é Iv, mais conhecida como...  Sou de... Tenho sessenta e quatro anos. Sonhei que eu ia almoçar com a... minha prima. É como se estivesse sido convidada para o almoço. Saímos andando até um pequeno restaurante, onde ela me deixou e desapareceu para buscar um pessoal que ia fazer uma surpresa para mim. Lá fiquei esperando por um tempo bem grande. Comi um pouco enquanto esperava. Olhando para os meus pés verifiquei que havia várias meias sobrepostas, as quais não fora eu que vestira. Estávamos sentados em uma mesa e junto com minha filha fui até a porta onde vi chegar um micro-ônibus cheio de pessoas que eram todas da família da tia D. Primeiro vi a E..., depois a E que estava parecendo uma princesa com vestido branco e coroa. Cumprimentei-a beijando a mão. Vi um rapaz que devia ser filho do meu primo (irmão da E). Lá também estavam meus tios ReD (ambos falecidos. Ela é irmã da minha mãe. Ambos têm quatros filhos. Eu não os vi direito, mas sabia que eles estavam presentes. Fomos entrando para dentro e carreguei duas moças que pareciam ser amigas ou empregadas. Carreguei uma em cada braço e tive a sensação que estava carregando duas crianças.

O restaurante parecia um teatro, pois a mesa ficava lá no fundo em uma baixada. Quando estávamos chegando todos a mesa, tive preocupação se minha filha ia cumprimentar toda aquela gente que, embora fosse familiar, estavam muito chique. Fiquei surpresa quando olhei e vi que minha filha estava curvada varrendo o chão com uma vestimenta de preta velha. Parece que ela estava de fato incorporada por uma. Também vi algumas imagens religiosas bem velhas e quebradas. Vi uma trempe estilo fogão de lenha antigo feito com pedras e lá estavam sendo fervidos uns pedaços de frango, mas parecia ter só asas. A comida desse almoço era uma feijoada e tudo isso foi feito como se fosse uma homenagem para mim pelo meu aniversário que foi no dia vinte e um desse mês. Fiz sessenta e quatro anos. Só fiquei preocupada porque não entendi o motivo de estar com todas aquelas meias umas sobre as outras no meu pé sem saber quem as teria vestido em mim. Parecia algo sobrenatural e pensei na possibilidade de ser uma macumba. O que significa?

Minha cara, antes de tudo, parabéns pelas bodas. Apesar de não crer que seja indicativo de uma macumba, se você se considera alvo ou possível foco de maldade ou da inveja, melhor não ser simplista e desconsiderar o Mal. Se proteja.

Na verdade vivemos em um universo onde a luz e a sombra fazem parte como duas metades da moeda. Somos como que permanentemente envolvidos pela energia luminosa e pela energia das sombras. Viver sob o foco de luz não é o bastante para nos livrarmos das sombras, já que precisamos iluminar o espírito, nossa alma, nosso interior e só conseguimos essa iluminação através de nossas ações, comportamentos, atitudes em relação ao mundo, através do lapidar permanente de nossas escolhas, de nossa capacidade de renunciar, doar, da generosidade, da compaixão, do exercício de desapego e, principalmente, de conquistarmos a conexão com Spíritus Sanctus que é luz permanente em estado divino.

Vivemos nesse mundo dual de sombras e luzes, dia e noite, visível e invisível, calor e frio, bondade e maldade, leveza e densidade, transparência e opacidade. E o foco não pode ser apenas a luz, é preciso caminhar com o propósito voltado para a luz sem esquecer de olhar que o objetivo e transmutar, iluminar o lado escuro, nos desfazer da densidade, de nossas sombras, nossos temores, nossos fantasmas, superar a maldade que sobrevive sorvendo e atraindo para o lado sombrio.

O SONHO

Pessoalmente achei esse sonho significativo e  graça recebida por você. Mas se perguntas, Graça?

As observações que farei não envolvem conceitos ou pré-conceitos, são apenas associações livres e a busca de entendimento. Portanto tente considerá-las dentro do contexto com isenção.

Não gostaria que parecesse que estou lhe aterrorizando. Estou considerando sua a observação de macumba. Se olharmos um Sacrifício como um Ritual de  oferendas em troca da realização de um desejo, onde estaria, no sonho, o sacrifício? Na panela, no fogo (seu futuro esta sendo preparado), com os restos mortais dos animais sacrificados. Lembremos: uma feijoada é constituída de pertences tais como: Pés, rabos, orelhas, costelas, barrigada, etc. cozidos e temperados para serem degustados na celebração. Nada demais! Nada contra a iguaria afro-brasileira.
Se no dia a dia o alimento é a manutenção da vida é tambem ritual de celebração da vida. No sonho o alimento pode ter vários significaddos e simbolismo. Considerando a homenagem, a celebração e o prato é que associo-o com essa possibilidad ritualistica.   

Como um observador eu diria que independente do sabor, é um prato forte, poderoso, cheio de energia, porque representa incorporar a força e o poder daqueles que são incorporados à sua natureza corporal, e é pensando nesta simbologia, é que pode ser visto como uma representação de sacrifício. As imagens e relíquias religiosas podem referendar esse ritual religioso de sacrifício.

Independente da religião que professa, se professa, a psiquê como que lhe chama à consciência para uma questão religiosa. A sua imagem carregando duas crianças eu associo com a vida de Kynokéfale, São Cristovão, que transportava o peso do mundo. Se houver interesse pela estória, click no link

                http://jornadaalma.blogspot.com/2009/08/uma-estoria-para-uma-manha-de-domingo.

 verás um conteúdo que postei sobre esse Santo. Como não sei de sua carga pessoal, ou dos sacrifícios que realiza na sua caminhada não tenho como destrinchar esse conteúdo.

As imagens e relíquias, bem como, a presença dos ancestrais mortos podem também ser referência à prática religiosa ancestral que pode ter sido deixada de lado. Em geral temos referências ancestrais que servem para nos guiar em momentos de escuridão ou de dificuldades, e as referências religiosas são importantíssimas, precisam ser consideradas já que não viemos do nada, mas de um caminho já trilhado pelos ancestrais.

Em síntese:

O sonho é uma celebração da comemoração dos seus anos de vida, Vitoriosa, pois viva. E o ritual alimentar, e de sacrifício, como celebração e homenagem, pode querer dizer-lhe que é hora de focar atenção em seus hábitos alimentares com o objetivo de preservar sua saúde.

Três são as referências possíveis da presença de morte: O pé envolto em meias, calçadas por outros, pode significar pé gelado, sem vida, pé desfalecido; Os parentes mortos que a visitam em sonho (reflita sobre a vida e o final de vida deles); a filha de preto, como luto, varrendo o chão, como a cinderela, que perdeu a mãe e foi cuidada pela madrasta. De longe não adianta se preocupar, devemos fazer algo enquanto aqui estamos, e não lá... Onde nos esperam. E também refletiria sobre os desníveis entre o palco do teatro e o teatro da vida. No ritual fúnebre o morto é o centro de atenção no palco da vida, um nível acima, o alto (o céu).

Não fique impressionada pensando que a referência é à sua morte instantânea, agora. Não creio. Por isso considerei o sonho como uma graça. Um alerta pra que reveja sua celebração da vida e possa celebrar mais tempo neste mundo. Reveja seus hábitos de vida, sua alimentação. Se não o é, torne-a mais saudável, para que possa celebrar mais tempo e ser mais homenageada. Quero dizer-lhe que sonhar com a morte não quer dizer prenúncio de morte, mas de vida, desde que considerados os sinais internos.

Ah! A imagem de sua prima vestida de Branco e com Coroa, e o beija mão, parece-me imagem arquetípica, da Grande Mãe, Mãe Divina, guia espiritual e protetora ou o encontro com conteúdos associados a ramo familiar que representam força de vida.
Agora... se voce é vegetariana, gostaria de saber e de considerar outra variantes simbólicas do sonho. O certo éque como não conheço sua dinâmica de inconsciente várias são as possibilidades de significados, coinsiderei a mais imediata.

Bye!

terça-feira, 25 de maio de 2010

ANSIEDADE



CH 75
Segunda sensação: eu estava numa escola enorme, numa parte que parecia um museu cheio de tapetes, cortinas e moveis de madeira escura repletos de relíquias (bonequinhos de cerâmica) que num pequeno esbarrar poderiam se quebrar aos montes. Eu estava com pressa e quase deixei quebrar alguns. Eu não deveria estar transitando por ali. Entretanto, por mais que eu conhecesse toda a escola, fiquei perdida, pois estava escuro e eu não conseguia encontrar a saída que dava acesso à outra parte do local. Fui ficando muito aflita, pois eu estava atrasada e acabaria perdendo a prova. Seria um bom sonho, por causa do local interessante, se não fosse minha agonia para conseguir sair dele e chegar na sala de aula.

Sonhos bons para você são apenas os sonhos agradáveis, em locais ordenados, que lhe dão prazer. Quem dera a vida fosse de orgasmos e êxtases. Neste conceito pode existir um vício e uma suscetibilidade que a fazem focar apenas o agradável.

A vida exige cuidado, cautela, atenção, foco, rumo, norte para que em momentos de necessidade saibamos como sair das situações que nos exigem atitudes positivas.

A angústia permanece, tensão presente, a ansiedade parece instalada e o desconforto te confronta. As cobranças se fazem mais permanentes, testes, confrontos e... agonia, aflição.

Desassossego, ausência de sincronia entre o que você vive e a forma de lidar com as exigências da realidade. Severidade, tensão, cobranças, atraso, presente inquietante, voce perde seu eixo, o meio determina seu foco, sua ansiedade determina seu mal estar.