quinta-feira, 15 de abril de 2010

A SERVA DO SERVO


Gustav Klimt, Danae - 1907/1908
Oil on Canvas - Private Collection

  
CH48

Depois sonhei que estava dentro de um ônibus quando uma moça entrou acompanhada do namorado. Ela parecia bastante cansada e ele atencioso. Fiquei a observar a cena imaginando como seria se eu estivesse naquela situação.
O sonho lembrado foi só esse, mas deixou alguns pontos reflexivos. Nunca me imaginei namorar um homem que não tivesse condições suficientes para ao menos ter um carro. Algumas vezes até tentei namorar rapazes de condições precárias, mas minha mãe criticava tanto que eu no final acabava dando razão para ela de que não valia à pena. Claro que na verdade não existia amor de fato nas tentativas iniciais de relacionamento, pois caso contrário eu pressuponho que não deixaria de viver um amor com alguém por uma justificativa tal banal. Entretanto, sempre fiquei com a idéia pré-concebida do tipo de homem que podia estar dentro das minhas expectativas e necessidades. Há algum tempo venho tentando deixar isso cair por terra. Sei que o valor de uma pessoa está em sua moral, na índole de suas atitudes, mas na prática apenas isso nunca me foi suficiente pelo interesse de encontrar alguém que preencha aquilo que não tenho vontade de ser ou ter pessoalmente, mas que tenho vontade de vivenciar através de outra pessoa. Pior é que já tive experiências desgastantes por conta disso, mas o ego parece uma máquina de fabricar ilusões convincentes e expectativas de que o improvável pode um dia se tornar real.
Voltando ao sonho, o carro é um exemplo básico de exigência do ego: não sei dirigir e nem tenho vontade de aprender, muito menos de ter um carro. Entretanto gosto (e gostaria) de usufruir disso através de outro alguém. A profissão bem sucedida é outro grande exemplo. Enfim, é quase a necessidade de estar com alguém que eu admire por ter e fazer aquilo que não tenho e não faço e nem pretendo ter ou fazer, mas que por vezes me cobiça o ego.
Há um tempo atrás eu jamais olharia para um casal de namorados dentro de um ônibus e ficaria me imaginando em tal situação, entretanto, em tal sonho, (não sei se na realidade aconteceria o mesmo), eu provoquei em mim uma espécie de reflexão da minha própria situação, dos meus condicionamentos limitadores. Estou tentando ver as coisas por outro nível de análise e daí eu fico pensando que talvez eu possa me sentir muito melhor com alguém como eu, mesmo que isso possa gerar uma vida de privações materiais, do que me limitar a ilusões que, realizáveis ou não, serão sempre ilusões.
Estou tentando acordar sozinha para a simplicidade da vida e deixar de ser uma branca de neve a espera de ser acordada através de um príncipe encantado.
 O sonho seria um indicio dessa necessidade de modificar meu condicionamento frente aos relacionamentos ou será que já é uma demonstração do início dessa mudança?

Sua reflexão está feita. Mas é necessário que reavalie seus conceitos e sua forma de conduzir sua vida. Vejo equívocos que prejudicam seus vôos, suas liberdade e que a levam direto para o século passado, para a submissão ao macho. Mal-entendido expresso. A vida no presente exige-lhe que assuma, antes de tudo, compromisso com suas realizações, pré-requisito básico para escapar da submissão, da dependência do outro. Quando você deixa de realizar aquilo que significará sua independência, material, de sobrevivência, econômica, você deixa ao outro a responsabilidade da sua manutenção e passa a se submeter à vontade do outro, ou pensas em dominar quem lhe provê o sustento?
Tudo bem que você possa se entregar ao rico, ou ao plebeu, sonhando com o príncipe, mas antes dessa entrega você precisa investir na segurança de suas realizações e conquistas, para não ficar na submissão da presença subjetiva do outro.
A vida moderna exige de todos nós esta conquista, e exige mais das mulheres que se fazem servas dos desejos masculinos. E mais, o esforço de sobrevivência exige um comprometimento do casal, nas conquistas, nas divisões das tarefas, na prosperidade que os dois conquistam, na realização dos sonhos, no crescimento.
A independência nasce quando nos voltamos para construir nosso destino independente do outro.
Aprenda a dirigir sua vida, aprenda a dirigir seu carro, conquiste sua moradia, aprenda a se sustentar, a se cuidar, adquira seu veículo, conduza-o. Procure se desenvolver, aprimorar, aprender uma profissão. Conquiste uma profissão, forme-se, realize-se em alguma ação, algum trabalho. Ganhe seu salário, economize, gaste, aprenda a lidar e a gastar o seu dinheiro, conquista do seu esforço. Não abra mão de sonhar e de realizar o sonho que sonhar independente da presença (acréscimo) de alguém em tua vida.
  Tudo isso acima É BÁSICO
A vida moderna exige parceria, ser parceiro do outro que se faz nosso parceiro, assim encontramos identidades com o outro e a jornada fica mais suave e mais satisfatória para todos.

APRENDA PRIMEIRO A ADMIRAR SUAS REALIZAÇÕES,
CONQUISTAS E SUPERAÇÕES.
ANTES DE FICAR ENCANTADA COM A REALIZAÇÃO ALHEIA.

Esse biotipo de mulher que se permite dependente de um homem, paga um preço alto para ir para o inferno, o inferno de sua aniquilação como individualidade.
Naturalmente dentro de um acasalamento existem momentos que o casal pode optar por um retorno de um dos pares para cuidar das responsabilidades da manutenção da vida familiar e criação dos filhos, mas este é um outro momento.

ACORDA!!!!!!!!!
Vá a LUTA!!!!!!
QUE O TEMPO TÁ PASSANDO NA JANELA.



terça-feira, 13 de abril de 2010

O SOBRADO MOFADO

O sobradinho  

CH 46

2ª parte de 45

Vale dizer que isso já aconteceu comigo algumas vezes em época de escola e faziam isso por mal e não para roubarem o que era meu. Eu nunca tinha reação além de ficar desesperada com vontade de chorar e, quando tinha coragem de contar a professora, pouco adiantava, pois se não achavam ficava por isso mesmo. No sonho eu não desesperei, pois sabia que, caso não achassem meus pertences, ficaria pior para todos e eu não ia ser a única prejudicada na história como de fato já me aconteceu algumas vezes quando criança. Foi então que, no sonho, uma jovem escreveu num papel: ‘Argumentação convincente’ e mostrou para todos da classe. Foi então que cada um dos alunos começou a tirar alguma coisa minha que havia escondido na carteira e a professora foi pegando e me entregando. Havia até um chapéu estilo caubói que ela colocou na minha cabeça depois de beijar minha testa. Então percebi que essa professora era muito parecida com a jovem que conhecera no intervalo, mas não posso garantir que eram a mesma pessoa. Embora ainda estivesse irada, acalmei-me vendo que tudo não passara de uma brincadeira de exagerado mau gosto. O sonho continuou, mas não recordo o que veio depois.

   
*****
O SONHO DO SOBRADO

Por último veio o sonho que tive ao amanhecer. Vale explicar que minha irmã nunca morou em sobrado, a não ser na época em que morava aqui em casa com mamãe e meu pai (que não é o mesmo dela e já faleceu há nove anos).

Pois bem, no sonho ela havia morado no sobrado aqui de casa (que atualmente está alugado) e se mudara há algum tempo. Olhando da parte térrea (a qual moro atualmente, mas que no sonho estava vazia) o teto estava todo mofado, tanto que o branco se transformara quase todo em preto, principalmente nos cantos. Eu subi para conferir como estava lá em cima. O chão parecia encharcado e não lembro se havia água sobre o mesmo. Ainda havia alguns móveis e eu comecei a assistir a televisão que estava ligada quando resolvi ir ao banheiro dar uma conferida em como ficara tal cômodo. Ao chegar lá me deparei com muitas coisas da minha irmã, tantas que era como se ela não houvesse mudado ou então houvesse esquecido de levar seus pertences do banheiro. Havia uma bancada diferente na pia e tinha uma infinidade de cremes e perfumes. Pensei comigo que se ela de fato não fosse querer aquelas coisas eu ia pegá-las todas para mim. Vale dizer que, como meu cunhado é transferido de cidade de tempos em tempos por causa da profissão (agora isso parou um pouco pois ele tem viajado bastante, ficando em hotel mesmo, e está quase aposentando), eles sempre mudaram muito e, quase em todas às vezes, minha irmã tinha mania de querer renovar tudo e então de fato costuma dar, vender ou deixar para trás algumas coisas. Senti-me uma criança perto da esperança de poder ganhar um prêmio pensando que, provavelmente, tudo aquilo ia ficar para mim. Fui lavar a mão e a rosca de cima da torneira saiu, de forma que a mesma não fechava, mas com jeitinho consegui parafusá-la outra vez, mesmo sem ter uma chave de fenda. Nisso alguém me chamou da sala dizendo que já estava passando na televisão não me lembro o quê. Fui para a sala e fiquei assistindo televisão enquanto comentava o programa com a tal mulher.

Para mim cada sonho é mais interessante que o outro, mas são daquele tipo que só alguém que entende como você para me ajudar a decifrá-los melhor...


ADENDO AO CH 45
A ideia do sonho se mantém, o sÍmbolo do chapéu é de soberania, poder, representa a cabeça, o cabelo e os pensamentos. Você recebe seu chapéu, recebe o signo de poder e de autoridade, como pessoalidade, individuo que resgata o seu poder. Parece-me um ritual de apresentação tribal e introdução à vida adulta.

O SONHOS do SOBRADO MOLHADO

No seu quarto existe “mofo”? Pode ser que a existência real tenha desencadeado a manifestação no sonho, em decorrência de cheiro, ou presença no ar. Cheiro de velho. Essa é a irmã que faz dupla com a mãe? No período ela está mais próxima? Interferindo indiretamente na sua relação com sua mãe? É possível que queira seu afastamento e distanciamento? Reflita!


Casa é referência básica de nós mesmos, nosso templo, nossa vida, nosso corpo. O sobrado apresenta mofo e vazamento (você se menstruou? Vontade de urinar?). Problema que você detecta e corrige (concerto da torneira). O Prêmio é a satisfação de ganhar presente, cheiro bom, pele cuidada, alegria, individualidade.
Eu foco um detalhe que salta no sonho: Lavar as mãos, a torneira se desarranja, você, com calma, consegue parafusá-la. Possuímos dois dedos que funcionam como pinça a partir da maturação neuro-psico-motora. Penso numa sinalização de maturação, em suas respostas frente à realidade e na sua dinâmica de desenvolvimento. Se considerarmos os 3 últimos sonhos, ocorre a Passividade, o reclame na sala como atitude ativa, e a correção do estrago do enguiço... Um avanço na sua capacidade de responder à exigência da realidade. O sonho pode aparecer como compensação de sua necessidade, ou como sinal de transformação de suas respostas. Tendo a preferir a segunda possibilidade. Principalmente porque o nível de tensão é reduzido após o confronto, ou após sua resposta, o sonho se fecha você indo se informar ou se divertir em frente à TV.

Percebo o sonho acima como MUITO significativo, em decorrência da mudança de postura no seu universo onírico. O sonho fala por si. O PROBLEMA É A SOLUÇÃO. O fato de muito ter-mos de caminhar não quer dizer que tenhamos que ficar tristes com os desafios, prefiro a alegria das conquistas à tristeza de ter que cumprir os desígnios. E essas mudanças são sinais de suas conquistas na sua jornada.

SUA CASA ESTÁ SENDO CONCERTADA,
 REVISADA, VISITADA, RECONSTRUIDA
 POR VOCE MESMA.

Para mim cada sonho é mais interessante que o outro, mas são daquele tipo que só alguém que entende como você para me ajudar a decifrá-los melhor...

Tenho o intento de decifrar, mas me considero apenas um sujeito sensível e bom investigador! De qualquer forma, obrigado pela deferência.


A BRUXA DO BEM

Louis Maurice Boutet de Monvel , 1880,
A Aula Antes do Sabá
Castelo Nemours 

CH45

Sei que estou deixando muitos sonhos aqui, mas não precisa pressa para responder. É que a cada sonho me interesso mais em desvendar meu inconsciente. Dos sonhos dessa noite, o primeiro foi assim:
Eu estava na cozinha de uma casa e havia uma televisão do outro lado da mesa. Era uma cozinha apertada e a mesa ficava praticamente encostada ao fogão. Minha irmã ajudava um homem a fazer a comida (e não era meu cunhado). Na televisão começou a passar um filme infantil de um cavalo que contava a sua historia. Comecei a ver o filme sem muito interesse. De repente o cavalo entrou num túnel e se transformou numa senhora idosa que parecia uma bruxa do bem. Enquanto ela caminhava apareceram duas pessoas amigas ou assistentes (um homem e uma mulher ainda jovens) dentro daquele túnel de tijolinhos de barro com água escura parada que batia quase no joelho (parecia esgoto ou água misturada com piche). Ao chegarem na porta redonda da casa da senhora bruxa, a qual ficava nesse mesmo local subterrâneo, apareceram dois policiais e uma denunciante que começaram a revirar tudo, a bater na senhora e fazer muito deboche. Nisso a energia teve queda rápida por duas vezes apagando a televisão. Por fim minha irmã disse que eu não ia gostar daquilo e não entendi se ela se referia ao filme, a comida, a queda de energia ou a alguma outra coisa implícita que não captei do sonho. Quando fui perguntar ela falou: ‘Não faz mal. Não tem nada que aconteça que não seja bom para alguma coisa’. Acordei com essa frase tão nítida na cabeça como se eu inclusive houvesse-a dito enquanto sonhava.



Voltei a dormir depois de anotar algumas palavras chaves do sonho acima e voltei a sonhar novamente. Dessa vez eu estava numa sala de aula quando deu intervalo. Ao sairmos uma jovem começou a conversar comigo e pareceu encantar-se com algo meu, mas que não lembro o que era, de modo que ficou me dando atenção o tempo todo. Acho que ela era de outra sala, mas não tenho certeza. Quando acabou o intervalo, ela me deu alguma coisa dela e dei-lhe aquilo que ela havia interessado, mas não lembro praticamente nada dessa parte. As lembranças maiores se fizeram no momento em que voltei para a sala de aula. Minha carteira e meus pertences haviam sumido. Enquanto procurava alguém me deu dois cadernos, um não era meu e o outro, embora fosse, estava cheio de escritas que não eram minhas. Um jovem arrumou-me uma cadeira de braço e sentei para acompanhar a aula inicialmente não querendo atrapalhá-la, mas eu precisava dos meus óculos, das canetas e enfim, queria minhas coisas. Enquanto isso as meninas que estavam sentadas no lugar onde eu tinha minha carteira começaram a rir baixinho em tom debochado. Fiquei nervosa e interrompendo a aula pedi desculpas para a professora explicando a situação em voz alta e firme perante todos os alunos da sala. Por fim arrematei dizendo que se não aparecesse de volta todos os meus pertences eu ia mandar minha mãe chamar a polícia (eu ainda era menor de idade e, talvez por isso, tenha colocado a figura materna no meio).

Há nos dois relatos uma mesma linha que salta e se realça mais que outras evidências: Você indo na onda de um acontecimento que te confronta e que lhe exige uma resposta frente a sua passividade, que lhe exigem uma atitude mais presente, mais ativa. No primeiro momento você é apenas passiva e no segundo momento você consegue expressar sua frustração, seu desconforto, ainda que se escore na presença da mãe como força de autoridade.

Você se equivoca, não é porque a sua imagem de menor de idade recorre a figura materna. É o adulto que se porta como menor de idade (imaturo) e se reporta à mãe de forma regredida ou acordes ao seu estado de maturação

Chama-me a atenção como que seu intento é facilmente desviado. Parece-me uma fragilidade e uma suscetibilidade por onde mecanismos de inconsciente deslocam seu foco de atenção e te subjugam. Você se torna presa fácil. Mostra-se desinteressada, sem foco, mas se encanta facilmente pelo entorno, como que sendo levada e se deixando ser levada.

O cavalo é símbolo de força masculino e de suas pulsões de inconsciente, passa pelo túnel da transição e se transforma na senhora Bruxa idosa do bem. Essa velha bruxa pode nos remeter à mudanças arquetípicas que prenunciam novos comandos internos na psique. A velha bruxa do bem é símbolo da velha sábia “Senex” que vem para ocupar seu lugar na segunda metade de sua vida, substituindo o “Puer aeternus” no comando de sua vida. Sinal da ação que precisa ser realizada, de superação da imaturidade, a partir do momento em que assumes o comando e as escolhas de sua vida, rompendo com a tradição da infância omissa e do conforto de filha da mãe para a posição de mulher que assume os rumos de sua vida. As forças impulsivas caminham para a transformação arquetípica que se faz necessário neste momento a partir das ações que realiza dentro de sua mudança de conduta e de foco na realidade.

A ação de conteúdos impulsivos de origem agressiva, autônoma e masculina que ainda tentam impedir essa transição e transformação, essa conquista. Mas parece-me que ações psíquicas mais favoráveis já promovem o corte de energia, o enfraquecimento dessas pulsões, desmobilizam essas ações de boicote ao seu processo de amadurecimento.

  ‘Não faz mal.

  Não tem nada que aconteça

que não seja bom para alguma coisa’.

A frase é singular e excepcional. Excepcional porque retrata uma sintonia com os desígnios da vida. Não precisamos e não devemos nos esconder atrás de dramas. É necessário compreender esses desígnios para montar o mosaico do nosso destino. Nada é separado, tudo faz parte de uma mesma e infinita dinâmica. A nós cabe-nos aceitar esse destino, nos prepararmos para que nos momentos adequados, quando os portais se abram, possamos transformar nossas vidas e permitir que o universo realize em nós seu projeto divino.

O segundo momento reforça o primeiro no sentido de buscar uma ação mais ativa e de atitudes em sua escola da vida, sem ter que se socorrer na “mãe”, mas confiando em si, e aprimorando o instrumental necessário para que possa conquistar a sua realidade.

Ah! Comece rindo e debochando de si mesma, da importância que se dá. Desça de seu trono. E não foque a ação alheia, o que promovam e projetam , o escárnio, o deboche, o riso crítico, o julgamento. Você pode ficar muito defensiva com relação a esses comportamentos dos outros pela própria forma como criticamente julgava (julga e critica?) os outros. Deixando de fazê-lo avance para aceitar a miséria humana e o seu escárnio. É preciso ter humildade, antes de ver e aceitar no outro, aceitar que existe em nós e que precisamos dissolver. Comece rindo de suas bobagens, de como podes ser ridícula. Todos os somos.

Somos um mix de tragédia e comédia divina.


Precisamos perceber o quanto somos ridículos


  para aprender a rir de nós,

antes de rir dos outros.


sábado, 10 de abril de 2010

JESUS CRISTO



CH44
Compreendo... tudo recorre Da necessidade de ser autentica e ter coragem de expressar-me, ariscar, me dispor a realidade sem fugas evasivas. Por mais dificil que seja estou me esforçando.
Aproveitando a ocasião, essa noite eu não sei se sonhei que rezava ou se estava conversando com Jesus de fato, mas prefiro crer na primeira possibilidade para não ser pretensiosa. Eu fiquei com a imagem dele na minha cabeça e, embora parecida com essa normal que todos conhecemos, era muito mais serena e confortadora. Eu dizia a ele, não sei se pessoalmente ou em prece: ‘Se conseguistes suportar tanto, eu também vou conseguir suportar esse pouco que me cabe’. Sei que foi um sonho longo do qual daria tudo para lembrar com detalhes, mas não recordo nada além dessa vaga impressão. Eu acordei com a sensação de ter rezado a noite toda e isso foi uma espécie de alivio para mim. Claro que não consigo acreditar em algo mais profundo como faria uma pessoa fanática, e tenho isso apenas como um reflexo da minha carência espiritual, da necessidade de estar em paz num nível mais completo, de ser encorajada e amada de maneira mais pura e segura, bem como do meu desespero para crescer e cumprir meu senso de utilidade.
 Por mais benéfico que seja um sonho assim, posso dizer que ele me assustou, pois parecia existir em mim uma cota de responsabilidade gigantesca daquelas donde sabemos que o fardo vai ser pesado, mas do qual estamos resignados a cumprir, custe o que custar, tendo necessidade muito maior de apoio espiritual.
Será que isso tem a ver com essa época de Páscoa?
Depois disso sonhei que conversava com meu marido e estava dentro de uma cena de séculos passados, com vestido rodado, de mangas com franzido, anáguas, corpete e cabelos pretos bem presos em transas que rodeavam a parte de trás formando um topete firme na frente (parecia quase um capacete). Também conservei uma lembrança muito vaga. Meu marido usava cartola, fraque, colete, cabelos na têmpora e, se não me engano, bigode fino. Era um homem imponente, de fibra e muito esbelto. Deveríamos estar na faixa etária de uns trinta anos, não sei ao certo. Parece que estávamos separados ou brigados por algum motivo e eu lhe disse olhando-o de lado, numa postura submissa, porém firme: ‘Senhor meu marido, por acaso achas que nosso casamento está consolidado apenas entre os homens por meios de meros papeis e posturas formais?’ Com isso eu queria dizer que, ao menos de minha parte, existiam sentimentos reais e responsabilidade afetiva perante o matrimonio, algo que ele sabia sim existir pelo meu profundo respeito aos deveres matrimoniais e pela admiração que demonstrava por tê-lo enquanto marido. Eu sentia presente um amor de conivência mútua que está muito além do sentimento de mera paixão romântica.
Não lembro mais nada. Por que tais sonhos? Pareceram-me tão vívidos!

Ao abrir seu e-mail fiquei intrigado. Este “comentário” é do dia 01.04. feito em Feed Back 11. Posteriormente postei feed back 12 e 13(e 2ª parte, medo), Questões, CH 42/43. Havia feito a escolha de postar os feed back e as “questões” para não deixar pendentes esclarecimentos que são importantes para a compreensão da leitura. Na postagem de ontem (quinta feira) fui levado a escolher a imagem que é a cruz.  Para mim a cruz, como imagem, simbolizaria perfeitamente o seu momento e a sua reflexão, e o título de ”descendo da cruz” completaria minha compreensão desse momento significativo.
Quando agora aproveitando um espaço de tempo para avançar na leitura do sonhos vejo em  seu relato de sonho o surgimento do cristo, a imagem e o significado de cristo e todas as implicações inseridas neste contexto.
O fato de não haver lido o sonho anteriormente, não ter tomado ciência de seu conteúdo e de ter chegado antecipadamente ao simbolismo cristão me vem como sinal da realização de uma leitura absolutamente isenta e pertinente com aquilo que seu inconsciente vem tentando transmitir para você. Neste aspecto, recebo sinal de que o meu papel, que envolve uma responsabilidade significativa nesta tarefa, de tentar traduzir o significado desta comunicação entre seu inconsciente e você vem sendo agraciado com a sincronia do nosso encontro, independente da forma do diálogo, do tempo e da distância. Possivelmente é como um sinal de que a leitura pode ser feita resguardando certos limites, mantendo-se a consistência e profundidade da intervenção.  O acontecimento relevanteé para mim incrível.
Geralmente não abro o e-mail até que possa estar disponível para realizar sua leitura e vez por outra sou levado a abrir, considerando possibilidade de feed back que precisa ser respondido para complementar a leitura postada e após identificado pela primeira ou no máximo a segunda frase, completo a leitura e se o conteúdo é de sonho, fecho-o para reabri-lo apenas dentro de condições especiais de leitura.
Quanto ao sonho:
Independente da questão religiosa e do dogma cristão, o cristo como símbolo transcende a cristandade, tanto quanto Buda, Alá, pois se tornaram símbolos arquetípicos e coletivos fundamentais da humanidade. Simbolizam nossa relação mediada pela representação com o fundamento e o criador do universo. Neste aspecto o sonho com o cristo não precisa ser visto com fanatismo religioso mas um sonho com um símbolo humano de uma representação divina. Sua conexão com o divino, reencontro, renascimento do espírito santo, do cordeiro de Deus em você.
Por isso não entrarei na especificidade do símbolo. A riqueza da presença do senhor cristo, no sonho, já é bastante significativa. Fala por si. O significado do símbolo salta de sua representação.
No sonho você diz: ‘Se conseguistes suportar tanto, eu também vou conseguir suportar esse pouco que me cabe’. Você tende a romper com o papel de vítima, como “o pobre coitado” que se sacrifica e sofre em vão por não aceitar a condição humana inerente á realidade do seu significado no universo. Somos seres em processo de transição, evolução e mutação e com poder limitado para  se dar ao luxo de não aceitar esses limites ou a condição inerente à vida e à sua imprevisibilidade.
Se o filho santo do pai, filho dileto se submeteu ao inevitável destino, como se homem comum fosse, nós, meros mortais, não temos como escapar aos nossos desígnios. A nós nos cabe suportar os desafios, os confrontos e o dever de, suportando, completarmos o desígnio pessoal de nossas vidas. Sinceramente, o nosso destino é inevitável, e quanto mais tentamos fugir, quanto mais nos revoltamos, mais penosa, sofrida e dolorosa se torna a jornada.

“posso dizer que ele me assustou, pois parecia existir em mim uma cota de responsabilidade gigantesca daquelas donde sabemos que o fardo vai ser pesado, mas do qual estamos resignados a cumprir, custe o que custar, tendo necessidade muito maior de apoio espiritual.”
Outra percepção lúcida. Mesmo que muitos acreditem a vida não é uma festa, ao contrário, somos envolvidos por desafios permanentes que precisam ser superados, quando não os superamos o fardo cresce, se avançamos o fardo se suaviza. Só posso conceber uma vida que seja leve e suave, mas  ela só se faz leve quando rompemos nossos bloqueios, dificuldades e desconhecimento. Essa resignação é uma humildade complacente e o suporte espiritual está associado ao sopro vital que alimenta o nosso espírito, a nossa alma. Abrir mão disso e escolha dos incautos que se superestimam. Hoje em dia o espírito religioso nos habita de forma livre, independente de rituais e de amarras. Fundamental é a intenção e a atitude diante da vida, diante dos outros.
A segunda parte do sonho parece-me um avanço na sua dinâmica pessoal de reconciliação, união dos opostos, compromisso consigo mesmo pela tarefa de realizar essa integração pessoal entre seus polos diferenciados. Se não me engano, pela primeira vez surge a imagem do seu casamento, a incorporação do matrimônio que é a disposição de unificação dos opostos, a dinâmica direcionada para a realização da integração dos opostos. Antes de casarmos com alguém no mundo precisamos casar com nós mesmos, como não é tarefa fácil, mais fácil pode ser encontrar um parceiro no mundo externo e realizar a intenção projetiva, para que a vivência possa ser um exercício para a realização do matrimonio interno entre os lados opostos que vivem em nós.
Interessante é o afloramento de sentimentos e de uma afetividade menos egocentrada, já há manifestação do amor pessoal pelo “outro”,
E amor é amar além da paixão.

Bacana!

Admirável!


sexta-feira, 9 de abril de 2010

MEDOS E OUTROS BICHOS

  
“Sinto que quando agimos e mentimos por medo, damos mais força ao medo e as ilusões em nós do que a nossa coragem que precisa ser desenvolvida.”

“Encarar o medo ou ignorá-lo é difícil, parece comprometedor demais, chega a parecer uma irresponsabilidade como se não estivéssemos dispostos a nos autodefender”.

Quero aproveitar sua observação para adicionar as minhas. Sua percepção é absolutamente pertinente. Muitos mentem por medo. Não porque queiram ou gostem de mentir, mas porque têm medo da autoridade, do confronto, da punição, da rejeição e mentem como uma forma de se esconderem, de se omitirem, de protegerem a fragilidade emocional que experimentam.

Não é muito diferente dos que não são tão frágeis, mas se escondem na reatividade agressiva. Mentem com a intenção clara de dolo. Já se manifestam como sintomas da deformação do caractér, como sociopatas.

Os primeiros não sabem, mas ao evitarem o confronto se fragilizam e acabam escorregando também para a sintomatologia dos sociopatas, biótipo que mais cresce na sociedade gananciosa e competitiva.

Mas o que chamou-me a atenção foi a singularidade de sua observação: “damos mais força ao medo e as ilusões em nós do que a nossa coragem que precisa ser desenvolvida”.

O medo também é um processo cumulativo, que se alimenta, e se sustenta como conteúdo autônomo que aflora à consciência. Temos o medo que nos protege que é preventivo e defesa natural de sobrevivência. Mas o medo que impede a ação, aquele que domina o sujeito e o faz recuar por pânico ou fragilidade surge como sintoma da neurose que se instala e que por absorção de sua energia, como núcleo de domínio e poder, paralisa o indivíduo, bloqueia suas respostas autênticas, sua ação criativa, seu comportamento social, sua interatividade, suas manifestações afetiva, etc. Este medo impeditivo leva o individuo a equívocos e a desenvolver respostas que acabam se mostrando inadequadas na relação do indivíduo com o meio.

E, é claro, o medo nos retira o nosso foco, prioridade e desafios pois mina a coragem e a nossa força necessária, de guerreiros, para enfrentar os desafios que a realidade nos propõe.

“Encarar o medo ou ignorá-lo é difícil, parece comprometedor demais, chega a parecer uma irresponsabilidade como se não estivéssemos dispostos a nos autodefender”.

Para mim isto é equivoco. O indivíduo se boicota e se mostra irresponsável quando alimenta o medo. O medo não defende ninguém (à exceção do preventivo). Se compromete quem alimenta medos impeditivos, aqueles que ficam no conforto do recuo.

Nossa ação no mundo é o resultado das escolhas que fazermos e cada um paga o preço que quer pelas escolhas que faz. É direito de cada um. Por isso o conhecimento é libertador, pois aumenta nossas possibilidades de fazer escolhas emocionalmente mais inteligentes, enquanto o desconhecimento nos tira possibilidades de avaliações sensatas.

BYE

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DESCENDO DA CRUZ

  
FEED BACK 13

REFLEXÕES DE UMA JOVEM MULHER CHAMADA CARLOTA

 
"Sinto que quando agimos e mentimos por medo, damos mais força ao medo e as ilusões em nós do que a nossa coragem que precisa ser desenvolvida. Encarar o medo ou ignorá-lo é difícil, parece comprometedor demais, chega a parecer uma irresponsabilidade como se não estivéssemos dispostos a nos autodefender.


Mas percebo que muitas vezes queremos nos defender de neuroses que só existem em razões de nós as mantermos em nossa mente por conta de nosso ego disfarçado.

Muitas vezes nos complicamos numa perdição completa ao tentarmos apenas nos defender de um medo imaginário que nem sabemos se um dia se fará de fato real.


Nos boicotamos sem nem termos ciência disso.


Não é a toa que somos nosso pior rival, nosso principal inimigo.
Mas eu quero ser a minha mais sincera amiga, a minha melhor amante.


Eu quero ter a simplicidade de uma criança que inocentemente não se atormenta pensando em perigos daqui ou dali, que não se exige masoquistamente pensando que não sou boa o suficiente perante o mundo, que não se culpa quando faz uma travessura.
Eu quero me sentir segura por saber que sou protegida pelas leis da vida.

Eu quero me deixar livre para viver o que gosto com o senso de responsabilidade de ter optado por isso conscientemente, mesmo que minhas escolhas não satisfaçam as expectativas alheias e os outros me critiquem ou se apiedem de mim.

Eu quero ser mais mocinha do que vilã de mim mesma.

Eu quero apenas ter a certeza de que estou agindo de maneira correta perante os meus princípios e sentimentos, de que estou crescendo, amadurecendo, deixando as ilusões e carapuças para trás.

Eu quero apenas me encontrar no autodescobrimento e apaixonar-me pelo que sou em essência, pela criança que existe dentro de mim.

Quero apenas ter a pureza de coração que é inseparável da simplicidade e da humildade, que exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho..."

******

  LÚCIDO!
BRAVO!!!!

VIVA A LUCIDEZ DA SAÚDE MENTAL!

Esse é o “CAMINHO”.

A vida só faz sentido quando vivemos

Em harmonia e plenitude sua significação.

E necessário interromper a celebração da crucificação,
onde nos sacrificamos num ritual arquetípico
de negação de nós mesmos.

                                                    Continua...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

QUESTÕES



No sonho eu poderia induzir a morte do bebê como uma maneira de receber atenção ou ter que reagir ao confronto da falta de atenção?

Essa é a idéia. Existe uma intenção consciente e uma intenção por “detrás” em tudo que nós fazemos, ou seja, não somos tão “puros” como possamos nos imaginar. Não é atoa que o “inferno” está cheio de gente bem intencionada. Essa intenção subjacente, mascarada ou mobilizada por forças de inconsciente (núcleos autônomos, estruturas que têm acesso à consciência, e nos sonhos, estruturas de psique, conteúdos arquetípicos ou não). Neste caso é preciso compreender que essa “carência” não é apenas abstracta, uma falta ou ausência, mas um conteúdo que tem vida própria, autônoma, dentro de você, e que sobrevive se alimentando da energia disponível que a cada momento eclode nas brechas (reatividade emocional) de consciência que você abre de espaço.

Veja: como um conteúdo autônomo sobrevive dentro de nós, se ele para não se dissolver precisa de se sustentar em estrutura? Estimulando seu comportamento reativo e se apoderando da energia que você coloca disponível na mobilização psicosomática de suas manifestações emocionais explosivas e intensas.

Dizer que a irritabilidade não é intencional, mas reativa, seria o mesmo que dizer que, se algo do meio externo me irrita ou entristece, é sinal de eu ter deixado de agir em função de mim para apenas reagir em função do meio?

Perfeito, assim se comporta o reativo. O estímulo desencadeia a pulsão, a explosão emocional, descontrolada. Mesmo que acreditemos que possa haver uma “Loucura Controlada” onde o indivíduo reaja “sob” controle ou com “um certo controle”, ele se induz permanentemente a um comportamento reativo a partir de um estímulo externo que desencadei os eventos, o cenário, o comportamento.

Essa “tristeza” pode ser apenas uma resultante de núcleos autônomos manifestando caprichos, intenção manipulativa, sedução, domínio, mobilização da atenção do “outro”. E a irritabilidade é suscetibilidade. O individuo não possui filtros de defesa, resistência a estímulos e ao impacto dos eventos externos, desencadeando reações defensivas ao ser contrariado ou ao se sentir ameaçado. Falta de flexibilidade, etc. Nesta ordem o individuo funciona a partir dos acontecimentos no meio em que esta inserido.

Percebo que quando isso acontece abro brecha para preocupações tolas e arrogâncias descabidas. Ao agir uso a intenção premeditada, mas ao reagir sob o foco da tensão uso o impulso irracional, seria essa a diferença que molda a maturidade e a imaturidade?

Em principio, sim, é uma das diferenças, já que o espectro que envolve o processo de maturação é mais amplo, considerando todos as possibilidades de eventos que definem a dinâmica de formação da personalidade.

Preciso agir buscando o prazer pessoal ao invés de ficar esperando situações externas que me levem a reagir duramente contra a postura alheia, é isso?

Este é um bom começo. Você deixa de ser resultado ou resultante do meio e procura ser um individuo pró-ativo, que tem consciência de suas possibilidades, realiza escolhas, não se esconde na omissão, intervém interfere e atua no seu meio. Posteriormente, o indivíduo descobre que para ir alem, se faz necessário navegar entre as possibilidades de ação e as de “não ação”. Interferirá ou observará, dependendo das peculiaridades de cada momento. Mas definitivamente já terá se distanciado da indiferenciação, estará significativamente diferenciado do “outro”, tendo rompido os limites de resistência e da tendência que carregamos de sustentação da imaturação ( a manutenção do estado original).

eu me paraliso escondida atrás do julgamento crítico e das lamentações que faço dos outros usando disso como uma desculpa ou essa paralisação é autônoma?

Quando nos escondemos, nos omitidos na procura de uma situação mais confortável e que pouco nos exija.

A neurose é uma paralisia. Não é necessário colocar a carapuça, pois não estou fazendo referência a você, seria indelicado, grosseiro. Quero apenas aproveitar a sua reflexão para aprofundar a resposta.

Um dos graves sintomas da neurose é a prostração, a paralisia. A neurose tende a paralisar o indivíduo. A doença vai aos poucos apoderando-se das energias do individuo que vai ficando travado, sem ação, sem mobilidade, funcionando apenas na fantasia dos desejos não realizados. Neste aspecto a paralisia é decorrência de uma dinâmica que se faz viva e autônoma.

é possivel saber como e porque eu me moldei a essa postura justiceira e corretiva?

Defesa, idealização, facilidades, compensação de autoestima, caprichos, vaidade, competição, carências, inveja, etc. Mas existe no processo de desenvolvimento humano, um momento que é coletivo, um momento em que isso fica mais possível. São momentos em que somos (todos passamos por isso) levados a agirmos de forma arrogante e prepotente. Eu penso em momentos mais favoráveis, quando superamos objetivamente estados de dependência ou conquistamos espaços dentro da sociedade. A arrogância, a falta de humildade, o fascismo eclodem, o ditador em nós aparece. São momentos em que precisamos reavaliar nossos conceitos, em geral eles compensam estados anteriores de submissão e de inferioridade.

O presidente Lula não é mais ou menos arrogante, petulante, prepotente do que foi o Presidente FHC, ou daquele Collor de Melo caçador de marajás, todos compensam um complexo de inferioridade inerente ao biotipo brasileiro e que faz de nossa sociedade coletivamente uma sociedade onde o complexo de inferioridade é tão arraizado levando-nos a uma construção hipocrita como sociedade permissiva, onde enganosamente tudo é permitido pelo arbítrio. 
Fora da fase (coletiva) desta conquista de independência, a manifestação é apenas pessoal e compensatória ligado a pessoalidade.

até então eu pensava que isso fosse bom...

Todo caminho em principio é um “Bom” caminho... O seu, até hoje, lhe fez,  bem sucedida... Mas, num determinado momento precisamos mudar já que as respostas que desenvolvemos não respondem mais às expectativas do que queremos, aí... o caminho passa a indicar perigos, sofrimentos, e insucessos à vista.

...desvenciliar desse jeito de ser não me parece muito simples. Deixar minha criança renascer quer dizer me tornar uma pessoa mais serena, com menos cobranças, expectativas e julgamentos?

Nesta vida a simplicidade é uma conquista, merecida.

Exatamente!
...mas e se eu me perder ainda mais dentro da minha própria infantilidade?

Seu maior risco é se perder nesta aparente “maturidade”.

*****

      Em princípio, parece-me que você está pegando o “Espírito da “Coisa”“. 

BYE

terça-feira, 6 de abril de 2010

IMPREVISIBILIDADE I





      


Ch 42
 Novamente ao dormir, sonhei que eu estava com uma babá e havia um bebê e uma criança. Parece que eu era responsável pela criança e a babá pelo bebê, mas num determinado momento o bebê caiu da cama e literalmente se transformou num feto morto. Eu bem tinha visto que ele estava escorregando e fui ampará-lo, mas foi tudo muito rápido e não deu tempo. Não sei de quem eram as crianças. Outra vez um sonho de regressão física com criança/bebê. Fiquei tão impressionada que, ao olhar no espelho, meus lábios estavam trêmulos. Nisso minha irmã apareceu chamando-nos para jantar. Claro que eu estava completamente sem apetite mediante o ocorrido, mas além da babá eu era a única a lastimar o fato daquela morte. Quando fui sentar-me à mesa, alguém escorreu uma calda doce no arroz e eu recusei-me a comer aquela comida. Havia visita, mas não sei quem ou quantas pessoas eram. Estávamos aqui em casa, mas a disposição dos moveis era outra bem diferente, tanto que havia uma mesa grande na sala (na qual foi servido o jantar). Nisso minha irmã falou algo e eu respondi um tanto sem educação. Não lembro o assunto, mas era alguma coisa que não deveria ter dito na presença das visitas. Sempre detestei essas regras do que dizer ou não perante visitantes. Eu estava irritada e não estava disposta a medir palavras. Resolvi sair um pouco para dar uma volta. Estava frio e, não sei porque, eu estava nua ou tinha sensação disso. Passei por ruas desconhecidas da vida real donde havia uns bares, restaurantes e lojas. Num dos bares vários rapazes estavam com as mãos amaradas para trás e fiquei pensando que tipo de brincadeira seria aquela, pois só deveria ser uma brincadeira ou um desafio mental e psicológico qualquer. Segui adiante e passei por uma galeria. Não lembro muito bem, mas sei que pouco depois eu estava conversando com um desconhecido que parecia um drag queen. Nisso começou a chover e ele me chamou para ir com ele. Não lembro bem como foi o desenrolar dos fatos, mas sei que senti receio por desconhecê-lo, bem como vergonha por estar com ele fantasiado em pleno local público. Depois disso eu estava numa espécie de colégio interno. Um rapaz que, não sei se era o drag queen sem as fantasias, deixou-me numa sala donde um professor dava umas explicações para umas poucas pessoas e, dizendo para que eu o aguardasse lá, foi falar com outro professor. Tranqüila no ambiente, mesmo desconhecendo todos e não sendo aluna, eu notei que da janela da sala dava para se ver duas enormes piscinas. Havia umas crianças que nadavam como peixes mergulhando para o fundo da piscina que deveria ter muitos metros de profundidade. Havia vários professores de natação e os pais, embora preocupados, também pareciam confiantes e alegres com o desempenho de seus filhos. Encantada eu não perdi tempo e fui até lá dar uma nadada. Depois eu saí e fui para o quarto do rapaz. Comecei a arrumar minha mala, pois tinha que ir embora. O local estava uma super bagunça. Ele dividia o dormitório com uma jovem e uma mulher. Pensei que fossem sua irmã e mãe, mas não tive confirmação. Para meu espanto as minhas coisas estavam bastante esparramadas, mas, quando ele chegou, eu praticamente já tinha arrumado tudo na pequena mala. Ele me abraçou dizendo que estava com muita saudade e ficamos algum tempo abraçados num sentimento bem agradável. Falei que ele havia demorado e eu resolvera não esperá-lo indo até a piscina. Também disse que ia embora. Ele lamentou querendo que eu ficasse mais e expliquei que não podia, pois eu nem deveria ter me alojado ali com ele naquela noite. Depois disso ele acendeu um cigarro e chamei-o para um canto a fim de dizer-lhe que não aprovava de maneira alguma aquele vício. Entretanto, antes de repreendê-lo, o que eu pretendia fazer de modo afetuoso, eu vi que, ao lado da pia, a chama do forno do fogão (parecia industrial de tão grande) estava acessa. Ele foi tentar apagar, mas acabou acendendo outra chama e depois aquilo parecia emperrado.

IMPREVISIBILIDADE II



fantasias - carnaval2010/Rio  

“Outra vez um sonho de regressão física com criança/bebê...” Não necessariamente regressão. A imagem da criança pode ser uma representação, mas não regressiva, mesmo porque não me parece que tenha ocorrência manifesta, expressa, de comportamento regredido. Prefiro pensar na criança, incorporando o significado, a representação, e o símbolo (uma imagem simboliza um objeto, mas pode representar uma sensação, um sentimento) como seu lado infantil, puro, ingênuo, lúdico.
O sonho evidência confronto, e nós temos a oportunidade de investigação do fenômeno. De imediato associo com um momento chave que existe entre o fato, o acontecimento (como estímulo), a sua percepção e o tipo de resposta que você emite. No sonho o fato é imediato e determinado na sua construção, vamos pontuar:
. Você surge com uma babá uma criança e um bebê.
. O bebê cai da cama (evento)
Você determina a queda do bebe pela sua pré-intenção? Receio, medo, cobrança, tensão?
O “incs.” determina a mobilização do acontecimento como pré-confronto a partir da sua intenção, ou o desenrolar dos acontecimentos já estavam determinados?
Muitos são os que acreditam que o sonho já está pré-construído, neste caso nós não definimos nenhum acontecimento no sonho.
Eu tendo a pensar no sonho como uma dinâmica viva, um fenômeno acontecendo, não apenas um filminho com mensagem que passa na noite escura da alma. Como dinâmica, nós, a partir de nossas ações e reações, determinamos, dentro de certos limites, e dentro dos limites individuais de consciência, o desenvolvimento ou fechamento da gestalt do sonho em que participamos.
Para mim somos, a cada noite, convidados a um desafio, desígnio. Solicitados a desvendar ou a contribuir para a dinâmica de desenvolvimento do nosso inconsciente, a partir de seu foco, onde o inconsciente tem algo a dizer e nós a responder ou a intervir. Somos como que chamados para uma relação em que, como indivíduos da dimensão do real, somos solicitados a participar e a contribuir na dinâmica de construção de um projeto de vida onde o alvo somos nós mesmos, a realização do nosso projeto.
Nós somos, enquanto sujeitos, aqueles que têm instrumental para associar, integrar e intervir de forma objetiva no nosso destino, realizar tudo isso dentro de uma dimensão de realidade palpável que nos permite referências concretas. O Inconsciente ao contrário tem conteúdo, histórico e arquetípico, mas não tem poder integrador, a força de associar e integrar, já que é o resultado, como reserva multi dimensional e instintiva, de uma memória da origem da espécie, e da nossa linhagem. Ele é como que resultado de múltiplos e inesgotáveis conteúdos dissociados e desintegrados que a nos cabe integrar, como seres com poder de intervir.
No sonho você ficou impressionada, lábios trêmulos. Sinal do impacto que o acontecimento lhe causa, do seu temor. Alguns pensariam em desejo. Como o desencadeador do fato. Eu não! Existe o temor, o medo, não necessariamente como desejo. Independente de termos desejos projetados como medos, ou medos que camuflam desejos, temos medos como projeção de instintos defensivos.
Neste sonho tenho limites para compreender o cenário dessa construção.  O sonho foi enviado em 30 de março de 2010, no dia 29/02/2008 ocorreu a morte de Isabela Nardoni e agora, dois anos após, o casal estava sendo julgado e condenado no dia 27/03/2010. São datas próximas de uma comoção que não sei como te mobilizou emocionalmente, os conceitos com os quais se relacionou com esses fatos podem ter sido decisivos, mas que parecem podem ter servido de estímulos para sua mobilização.
Chama-me atenção a presença de sua mãe e irmã, a presença do triângulo onde você se sente excluída. Como sua expectativa é a “atenção” que elas quase nunca focam em você (na intensidade em que quer), a morte do infante não é o bastante para mobilizá-las. Sua expectativa frustrada de afeto e atenção, sua carência e sua forma de responder se punindo e julgando-as por frustrarem suas expectativas.
Em outro aspecto sua expectativa voltada para o que os outros fazem não lhe favorece sua iniciativa, sua prontidão. Esse é o que considero o ponto chave do confronto, independente da pulsão que aciona o confronto. Sua imobilidade, a paralisia, a ausência de uma ação. Vemos apenas a lamentação, a surpresa e a imobilidade, você travada.
Neste aspecto o confronto mostra que a polarização de tensão ainda é significativa, e a ação assemelha-se a ação do individuo imaturo, dependente do “outro”.
A irritabilidade é sinal dessa energia apenas reativa que responde por pulsão e não sob sua intenção. Sua nudez exposta reaparece reafirmando a necessidade de se expor e do outro a de centralizar atenção, e sua ambivalência que aflora em forma de conceitos pré-concebidos, vergonha da fantasia, máscaras, do outro sem olhar para as suas próprias fantasias, produzindo a necessidade de reavaliar seus conceitos, se reeducar na sua forma de conduzir sua vida. Ao final o nível de tensão é diminuído abaixando a polarização através de relações afetivas, lúdicas e de lazer. As piscinas podem relacionar origem de nascimento, águas primordiais, conforto, prazer e equilíbrio das tensões. Que reaparecem levemente na sua necessidade de controle, domínio e julgamento do outro. É necessário a reeducação, reaprender ou desenvolver novas formas de se relacionara com o mundo e de lidar com suas energias, pulsões e impulsos, de forma lúdica e afetiva, permitindo que sua criança renasça. Focar sua maturação e correr atrás de seu prazer, abandonar a postura justiceira e corretiva, a repressão e relaxar... Nada é tão importante que mereça o ressentimento, a mágoa e a tensão, isso é andar prá frente olhando prá trás. Não vai dar certo.

domingo, 4 de abril de 2010

FEED BACK12

  
Interessante essa questão de competitividade. Somente agora me dou conta de como isso está presente em minha vida. percebo que tenho dificuldade de fazer algo ou me envolver com algum trabalho, pois no fundo a verdade oculta é que não me satisfaz constatar que posso ser substituível nesse algo que for fazer ou trabalhar. Daí eu fico buscando meu talento, um dom do qual ninguém vá me humilhar ou, mesmo que exista quem faça melhor, não terá quem o faça exatamente como eu, ou seja, serei útil por completo, terei minha função, a qual dificilmente outro fará no meu lugar. Assim serei lembrada, requisitada, jamais substituída. Isso mais me atrapalha do que ajuda. É como se inconscientemente eu me dissesse: ‘Se outro pode fazer isso em meu lugar, para que eu fazer? No fim não vou ter reconhecimento nenhum’. Que automanipulação horrível! Isso me paralisa muito, me leva ao sentimento de insatisfação em tudo que vou fazer ou ao desanimo e desistência. Esse desejo de reconhecimento de fato é um vazio, uma carência que só agora começo a entender mais profundamente. Então o melhor é desconsiderar essa necessidade infinita, tola e limitadora? Parece tão difícil!

Na junventude subestimamos o desafio fatal que é a vida. Ela muito nos exige (veja post ONDAS, no Jornada D'alma). Uns e outros a pensam como uma festa... se esquecem da ressaca. Mas posso lhe afirmar muito positivamente: quando encaramos essas dificuldades e caminhamos sem deixar rastros dos nossos passos, ou rabos presos, ou pontas de barbantes, ou o que quer que seja, e passamos a seguir focando nossos propósitos sem magoar, humilhar, agredir, ofender, ou pisar nos outros, quando vamos solucionando nossos desafios e rompendo nossos limites e superando os obstáculos, a vida de uma forma absolutamente generosas abre um céu azul à nossa frente, em nossas vidas, encontramos e passamos a conviver com a paz, com a harmonia... e viver fica muito mais fácil, porque aprendemos a evitar as encrencas e as dificuldades.

  Se agora eu jogasse para voce o I CHING, não tenho dúvida a sentença seria:
O Caminho é bom. Siga... supere o seu maior adversário, você, e encontrarás a felicidade que buscas.

Feliz Páscoa.
Feliz renascer.

sábado, 3 de abril de 2010

CALDEIRÃO DE EMOÇÕES

   
CH41
Essa noite eu sonhei muito!
Primeiro sonhei que estava numa casa muito grande e bonita, que inclusive parecia um palácio, na companhia de uma jovem e de seus dois irmãos mais velhos. Creio que eu não morava ali e, portanto, devia estar apenas de visita. Tenho certeza de que não foi à primeira vez que sonhei estar em tal lugar. Eu conversava com a jovem tranqüilamente enquanto mexia com massinhas sobre uma peça de ferro cor de bronze. Não sei se eu enfeitava a peça ou se a utilizava como um molde, mas estava gostando do trabalho, achando-o interessante e bonito. Não sei se a massa de modelar era biscuit ou daquela massinha infantil. Num certo momento apareceu uma mulher e todos desviaram o foco da minha pessoa para ela, a qual começou conversar alguma coisa que não recordo bem, mas creio que o assunto era tenso. A conversa entre eu e a jovem interrompeu-se abruptamente.
Depois disso foi pior. Eu estava em casa, a mesma que moro, enquanto minha mãe e irmã (não sei se havia mais alguém) haviam ido para a casa da vizinha dos fundos, embora no sonho a vizinha fosse outra pessoa. Ela havia contratado uma professora de dança ou ginástica e eu podia escutar a música e algazarra da minha casa. Eu me sentia enclausurada, não pelo fato de não poder sair, mas por ter que me contentar em ficar sozinha no meu quarto sem ter nada para fazer. Senti-me muito irritada e melancólica, tanto por não ter sido convidada, bem como por todos terem ido e eu ter ficado para trás completamente abandonada. Eu sentia todos se divertindo enquanto eu sofria uma espécie de indignação invejosa. Na vida real eu costumo lidar com isso dizendo para mim mesma que não preciso mendigar a atenção e o carinho de pessoas que não gostam de mim o suficiente para desejarem ou valorizarem a minha companhia, mas no sonho o sentimento negativo aflorou em proporções gigantes, tanto que comecei a falar sozinha esbravejando e esmurrando um armário da cozinha. Eu não estava descontrolada, apenas muito possessa de um total mal-estar perante a situação. Eu não tinha nada para fazer, mas mesmo que tivesse, a insatisfação era tanta que eu praticamente não ia conseguir fazer nada mediante aquela ira interior. Era um misto de desespero com profunda tristeza que se convertia numa raiva total. Eu me sentia desprezada e inferiorizada.
Essa indignação invejosa também está presente na minha vida quando sinto que os outros, por milhares de motivos que justos ou tolos, possam estar sendo mais felizes, se divertindo ou aproveitando mais a vida do que eu. Sem dúvida é um sentimento cruel, masoquista e que luto para não deixar me martirizar.
O que tal sonho está querendo me advertir com todo esse sentimento de profunda revolta?
Depois sonhei que uma conhecida da minha avó havia morrido e, logo após acordar pela manhã, minha avó pegou uma banana e jogou no meio do mato dizendo que era para a alma da falecida comer. Achei o cúmulo do absurdo pois, para mim, aquilo significava apenas o desperdício de uma banana. Aqui se repetiu o conflito com alguém mais velha do que eu, de modo que eu nada podia fazer além de respeitar. Depois o conflito voltou a ser com minha mãe e irmã. Por serem duas pessoas conhecidas, sem dúvida, elas são as que me causam piores pesadelos. Nós discutíamos, mas minhas palavras de nada valiam, pois embora elas não soubessem argumentar, a força da sentença mais velha tinha mais peso. Meus sentimentos pouco importavam perante a postura imponente e a vontade soberba das duas. Horrivelmente tive a sensação da minha irmã me sojigar numa luta injusta de níveis de forças diferentes. Cheguei quase a dizer para minha mãe: Um dia eu desapareço da sua vida e você vai morrer a mingua. Minha raiva dava para executar tal ameaça, mas minha coragem de filha não. Depois eu estava numa espécie de camarim de artistas penteando com os dedos uma peruca de cabelo liso, comprido e loiro quase branco. Não sei de quem era e nem quem a usaria. De todo modo eu parecia estar responsável por aquele apetrecho. Em seqüência eu acordei. Ainda estava de noite.

Para não considerar o conceito de energia em psicologia, vamos partir do princípio einsteiniano: existe uma equivalência entre massa e energia (E=mc²), Em 2008, fisicos do Centro de Física Teórica de Marselha, com o auxílio do supercomputador Blue Gene, confirmaram pela primeira vez na prática, que a massa do próton provém da energia liberada por quarks e glúons, provando que a massa provém da energia, conforme teorizado por Einstein há mais de cem anos.
Ou seja, não é demais considerar que: somos seres luminosos e energéticos, energia em forma de matéria. Consequentemente possuímos em formas diversas, diferentes fenômenos, em diversos níveis, ocorrendo no mesmo momento em nós, desde matéria sendo transformada em energia, energia sutil emanada, energia sendo consumida. Incorporação, transformação, trabalho e projeção.
Tudo isso para dizer que seu sonho é você, seu produto, seu resultado, sua manifestação. A forma como você vive, responde e o resultado desse processamento, dinâmica, metamorfose e transformação da libido.
Senão vejamos:
·         Massinha de modelar – fôrma de ferro cor de Bronze. A idade do ferro precede a idade do bronze, e sinaliza mudança, transição e evolução. Consolidação de formato, modelagem, construção;
  • ·         “Eu me sentia enclausurada, não pelo fato de não poder sair”;
  • ·         “Irritada”;
  • ·         “melancólica”;
  • ·         “abandonada”;
  • ·         “excluída”;
  • ·         “indignação invejosa”;
  • ·         “eu não preciso da atenção do outro”;
  • ·         “esbravejando” “Esmurrando”;
  • ·         “não descontrolada... mas possessa”;
  • ·         “insatisfação”;
  • ·         “Ira”;
  • ·         “desespero, tristeza e raiva”;
  • ·         “desprezada e inferiorizada”.

O caldeirão fervente das energias pulsantes e emocionais. E tudo isso por que se sentiu excluída e marginalizada. Excluída, Marginalizada, por quem? O sonho evidencia dois aspectos de grande importância:
·         O poder pessoal e individual de escolha e de resposta às exigências e acontecimentos da vida;
·         As consequências que sofremos pelas escolhas que fazemos.
No sonho o inconsciente te confronta com a profusão emocional que você produz por não ser o foco de atenção no cenário em que está inserida. Isto lhe remete para a sua dimensão narcísica, caprichosa, e autopunitiva. Você se marginaliza, se exclui da participação coletiva por que você é muito competitiva, compete com as pessoas e com os acontecimentos.
 Ser o centro das atenções não é o bastante.Busca ser o centro do mundo quando abre mão de sua vida pessoal, renuncia a si mesma e espera receber em contrapartida a renúncia dos outros à VIDA. Como eles não se renunciam, sua expectativa é frustrada e você entra num Looping, essa profusão emocional e de sentimentos que não consegue administrar.
Este é o preço que pagam aqueles que negociam suas vidas pela satisfação da demanda de afeto que supre suas carências. Já lhe indiquei em sonhos anteriores que a resposta a esse enigma não é o preenchimento desse vazio. Você nunca preencherá esse vazio, esse vácuo, esse buraco de fundo “fundo”. Ele é pessoal e coletivo. É cósmico. É arquetípico.
Esse “momentum” eu o considero especial e um ponto Fractal que surge como enigma que precisa ser superado e rompido.
A grande armadilha desse momento é que a sua configuração é paradoxal: Quanto mais você corre para satisfazer a carência, mais ela cresce. Quanto mais busca satisfazer sua demanda afetiva mais ela cresce. E o pior, como o vazio cresce, menos os outros parecem lhe dar, menos você sente receber, o que aumenta sua necessidade e sua cobrança e insatisfação. Um monstro voraz carente de afeto cresce dentro de você, aumenta a solidão, a dor, o sofrimento, as angústias. Looping fractal.
A solução é renunciar ao vazio afetivo, abandoná-lo e focar a satisfação no fortalecimento de sua individualidade. Nas mínimas coisas, nas mínimas ações. Descobrir o que lhe dá prazer e buscar a sua realização, para não ser engolida pela sua boca. Você imagina? Sua boca te comendo?

Para finalizar sua avó dá alimento para a falecida. Fantástico.  Precisamos alimentar nossos ancestrais, ter compaixão pelos mortos. Amanhã seremos nós os mortos. Precisamos alimentá-los, de saber, de afeto, de generosidade. A avó é arquétipo da Velha Sábia, ancestral arquetípico que se prepara para tomar lugar na condução de sua vida substituindo o “Puer aeternus”. Em geral esta substituição ocorre na metade da vida a partir de um período de transição e ocupa o seu lugar se o preparamos devidamente, caso contrário envelhecemos repetindo hábitos e comportamentos infantis. Daí a necessidade de amadurecermos. É relevante que reavalie seu comportamento lógico. Pessoalmente acredito que ele é fundamental como aquisição de consciência, mas você enquanto mulher tem sentidos fundamentais e fenomenais que precisam ser considerados e que não devem ser relevados ou esquecidos. Mantenha a sua lógica como referência, mas não abra mão de seus sentidos extras, eles definitivamente enriquecem sua vida.
A vida é absurda, 
muito mais absurda do que nossa vã consciência
 é capaz de enquadrar.
Neste sonho há recorrência de indicação da sua importância e necessidade de realizar escolhas e de não esperar que o outro te “conduza”. Tome atitude, vá em frente, corra atrás e busque o teu prazer ao invés de ficar na amargura invejando a felicidade dos que são capazes de buscar o que você não faz.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

FEED BACK11

  
Fed back 11

Interessante essa questão de idealizar. Realmente tenho problemas com isso. Comigo funciona infelizmente assim: quando meu amor não é capaz de superar as expectativas do outro eu fico bloqueada e isso faz o amor se transformar em mágoa, raiva e quiçá em ódio. Essa insulficiencia gera insatisfação e inadequação total. Creio ser por conta disso que vivo reclusa em mim mesma, achando que nunca serei satisfatória a ninguém, enquanto que, em realidade, talvez só deva isso a mim mesma. Como amar o outro, mesmo sabendo que nao sou o que o outro gostaria que eu fosse? Como amar sem temores e ser amada sem culpas? E digo isso de maneira geral, inclusive no amor para com aqueles que mais nos cobram uma correspondencia as suas expectativas: os familiares. Eles idealizaram em mim uma outra pessoa e, pobre de mim, nunca me senti boa o suficiente, porque nunca poderia ser o que eles queriam que eu fosse. Passando adiante, dificilmente consigo amar de verdade os outros, pois raramente alguém satisfaz de fato as minhas idealizaçoes e isso automaticamente me trava como se o outro não fosse merecedor. Isso parece até uma doença... cada um ama da sua maneira, mas muitas vezes os amores não se combinam para que sejam recebidos de bom grado ou para que satisfaçam a minha carência. Como se devenciliar da mania da idealização?

A idealização é uma tendência moderna. A partir da referência de ideal, do perfeccionismo, da vaidade que projeta a imagem, do narcisismo, as pessoas estão criando um suposto “EU” que anunciam ao outro com sendo elas, mas que é apenas a imagem que vendem no mercado. Desta forma se distanciam do que são, deixam de trabalhar suas transformações necessárias, o aprimoramento, a maturação, porque acreditam nesta imagem criada, idealizada e projetada. Neste ponto surgem grandes mal-entendidos, pois a vida cada vez mais nos exige preparo (veja post de hoje no blog Jornada D’alma) e quando somos confrontados aflora a distância entre o que somos e o que idealizamos, a distância do “projeto” pessoal conceitual e do “eu” real que se é.

E aí somos pegos com as calças na mão: Assustamos-nos com as emoções, com a intempestividade, o desequilíbrio, a reatividade, a impulsividade, a agressividade e coisas mais. Por simplismo e por acreditar que é o que idealizam. Assim roubam, mas se creem honestas, mentem, mas se acreditam verdadeiras, fingem, mas se creditam autênticas, etc. Vão solucionando seus desvios através da representação simbólica que construíram.

As pessoas passam a viver como mitos de si mesmo.

Elas se mitificam.

Naturalmente isso causa um grave problema. No inicio se escondem dos outros, depois passam a necessitar se esconder delas, para não enxergar o produto pirata em que vão se transformando e por fim são obrigadas a mergulhar na neurose que produziram já que não encontram forças para dissolver o monstro que criaram. Umas começam a rezar e a implorar como salvação do inferno que criaram, outras se perdem em patologias mentais, depressão, ansiedade, um caldeirão de confusão e infortúnios, dor e sofrimento.

E viver vai ficando cada vez mais difícil,

Nos desplugamos de nós mesmos.

Você pode estar certa, é possível que a idealização seja um produto da “mania”, mas ela, inevitavelmente, é um mediador que o individuo encontra num momento, para ser usado como recurso transitório, que passa a ser utilizado como recurso definitivo, se transformando em mecanismo permanente de mediação do “Eu” com a realidade e pior como um “EU” forjado, ilusório, fantasioso, mítico.

A forma de se desvencilhar é a verdade. Se mirar no espelho de sua vida e se olhar de frente e ser o que você realmente é. Assim você poderá se defrontar com o seu “Eu” verdadeiro, seu ser real e se transformar numa pessoa melhor, reconstruindo o inconsistente, renunciando às máscaras, aos caprichos, aos orgulhos, à vaidade, e deixando aflorar seus sentimentos nobres, sua generosidade, sua afetividade, sem medo de se expressar, sem medo de rejeição, sem medo de amar.

Possivelmente você se desculpa no desamor alheio, porque você não quer ser amada, ao contrario, quer viver o sonho de amar seu príncipe idealizado. Príncipe que nunca passa à sua porta porque ele não mora na realidade, ele reside na fantasia de seu universo imaginário.

Cuide de amar, se permita ser amada.


BYE.